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sábado, 13 de agosto de 2011

Santa Rita de Cássia, festejada ontem, hoje e amanhã em Sanfins de Valpaços


Aos prezados criadores desta Página no “Facebook”, à prezada comunidade de Sanfins (Valpaços) onde a festa em honra de Santa Rita de Cássia ainda decorre (e lamento não poder nela participar) e a todos os que no país e no estrangeiro a veneram, gostaria de deixar aqui uma nota de relevância histórica relacionada com esta bendita Santa, que  pretendo seja um singelo gesto de homenagem à sua memória e às festividades que lhe são dedicadas.
Quis o acaso que, há dias, numa publicação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa consagrada ao tema “Sinais dos Expostos, Exposição Histórico – Documental”, e editada em 1987, fosse encontrar uma singular prova da dedicação a esta venerável Santa na capital do país, já pelos finais do século XVIII. Trata-se de um “sinal dos expostos" a que esta instituição guarda nos seus registos, instituição que, como se sabe, desde a sua criação, se dedicou a acolher as crianças recém-nascidas que devido a diversas circunstâncias eram “enjeitadas”, isto é deixadas secretamente aos cuidados da instituição na “roda dos Expostos”. Com elas seguia uma breve mensagem da situação sacramental do(a) exposto(a), quanto a se era baptizada ou não, e da informação ou o desejo deixados pelos responsáveis desse desesperado acto, quanto ao nome adoptado ou a adoptar, ficando, sempre, para eventual posterior resgate, um sinal para a sua identidade que podia variar, material e simbolicamente. No caso, o sinal, como se vê na figura acima, foi uma imagem impressa em papel evocativa da Santa Rita de Cássia, onde se lê “Santa Rita de Cassia vencedora de [das causas] impocíveis, e advogada de terremotos”. Tendo em conta este segundo atributo de Santa Rita de Cássia associado ao evidente trauma que, apenas 35 anos antes a catástrofe de 1755, havia produzido na população da capital, compreende-se a sua larga devoção em Lisboa: No verso da imagem foi manuscrita a seguinte comovente mensagem, datada de 1790:

“este Menino naCeu a deCete do mês de feverejro batiZou-Çe no Ventre da Maj q[uan]do o batiZarem há-de por-Ce-lhe por nome M[anu]el João Zidorio o emfeliz e ha-de Ser Madrinha a F[rei]ra S [anta] Anna ponha-ce Ca na Sid[ad]e a Criar q[eu] com o favor de D[eus] há-de ir tira-Çe batizem-no logo q[ue] Vaj doente”

O facto de a escolha ter recaído sobre a imagem e protecção de Santa Rita de Cássia parece-me deveras surpreendente, posto que, como se sabe, por essa altura, esta Santa, que viveu entre os finais do século XIV e os meados do seguinte, havia sido tão só beatificada, desde 1627 por decisão do Papa Urbano VIII, vindo a ser efectivamente canonizada apenas em 24 de Maio de 1900 pelo Papa Leão XIII.     

quinta-feira, 5 de maio de 2011

801.º Aniversário do nascimento de D. Afonso III, rei de Portugal

Retrato de D. Afonso III | imagem de domínio público | Wikimédia Commons

O segundo dos seis filhos de D. Afonso II e D. Urraca de Castela, D. Afonso III nasceu em Coimbra em 5 de Maio de 1210 e faleceu na mesma cidade em 16 de Fevereiro de 1279. Sucedendo a seu irmão Sancho II, falecido no exílio em Toledo, em 1248, veio a ser o quinto rei de Portugal, reinando entre aquele ano e a data da sua morte, após de ter vindo a exercer as funções de Regente desde 24 de Julho de 1245. Foi-lhe aposto o cognome de “O Bolonhês” devido ao seu primeiro casamento com D. Matilde II, condessa de Bolonha que foi rainha consorte de Portugal desde 1248 até ser repudiada pelo rei, seu marido, em 1253. Desse primeiro casamento houve dois filhos varões que não consta que tivessem qualquer relevo na história nacional. Casou depois com D. Beatriz, filha de Afonso X de Castela com quem teve oito filhos, o terceiro dos quais (segundo varão) a chegar à vida adulta foi Dinis (futuro rei D. Dinis), mas que teve posteriormente que ser legitimado em 1263, sob confirmação papal de Alexandre IV, em razão de ter nascido em situação irregular porque durante o processo que ainda corria em consequência da queixa movida contra o rei português pela repudiada D. Matilde.

As circunstâncias que ditaram o afastamento do seu irmão do governo do Reino remontam a 1245 -1246 e devem-se aos conflitos entre D. Sancho II e a Igreja em reacção aos quais o Papa Inocêncio IV, acusando-o de incapacidade governativa, entendeu ordenar a sua substituição por Afonso, o conde de Bolonha, após o que este logo entrou em Portugal em armas forçando o irmão a abdicar e a seguir para o exílio e passou a usar do título de Visitador, Curador e Defensor do Reino até que houvesse notícia confirmada da morte do rei exilado para se fazer coroar rei, o que sucedeu em 1248.

Foi durante o seu reinado que realizou a conquista definitiva do Algarve sobre cuja soberania portuguesa só foi contestada por Castela e só terminaria com o Tratado de Badajoz em 1267. 

De resto, a acção governativa de D. Afonso III tem merecido na História de Portugal os melhores elogios, sendo este rei considerado um notável administrador, fundador e restaurador de povoações, mesmo as que eram tidas como as mais arruinadas, e concessor de numerosos forais. Enquanto administrador atribui-se-lhe o mérito de ter, pela primeira vez na história da monarquia portuguesa, definido um novo rumo na administração do País, valorizando as classes médias aburguesadas – favorecendo certos “inconvenientes” judeus - , ouvindo as queixas dos pequenos proprietários contra os abusos das classes privilegiadas, controlando e reforçando em certas regiões o poder dos alcaides. Foi ele quem ordenou a reunião das Cortes de Leiria, em 1254, as primeiras em que participaram os representantes dos concelhos e, no ano seguinte, quem transferiu a capital do reino de Coimbra para Lisboa. Foi também ele quem ordenou as primeiras Inquirições Gerais do Reino, iniciadas em 1258, numa intenção clara de refrear os abusos praticados pela minoria privilegiada e nesse mesmo sentido promulgou leis repressivas para os que fossem considerados usurpadores. Mas em virtude desta precursora acção governativa que legitima o epíteto pouco conhecido que já lhe foi aposto de “o Pai do Estado Português” e que, em nossa opinião devia antes ser o de “o Pai do Estado Moderno Português”, sofreu D. Afonso III, em 1268, os maiores dissabores, à época assaz embaraçosos, em se ver excomungado pelo arcebispo de Braga, pelos bispos de Coimbra e do Porto e pelo próprio papa Clemente IV – tal a afronta com que teve que conviver movida pelo clero português que se sentia, face à legislação do rei, espoliada nos seus direitos e privilégios tradicionais. Apesar da intercedência em favor da absolvição do monarca face às alegações dos bispos apresentada pelos representantes das Cortes de Santarém de 1274, o novo papa, Gregório X manteve a excomunhão e em 1277 lançou o interdito sobre o reino. O conflito só terminou em 1279 quando o rei português, no leito da morte, renovou o seu juramento à Igreja e deixou a promessa que restituiria tudo o que lhe havia tirado, testemunhando tal decisão o abade de Alcobaça que foi quem lhe levantou a excomunhão e lhe deu sepultura no Mosteiro. Por isso, D. Afonso III Jaz no Mosteiro de Santa Maria em Alcobaça.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

139.º Aniversário do nascimento de Sidónio Pais

Por Leonel Salvado

Sidónio Pais | http://pt.wikipedia.org


BIOGRAFIA

Formação militar e académica
Nasceu em Caminha a 1 de Maio de 1872, filho de um notário e secretário judicial e de uma senhora da mesma terra, concluiu os estudos secundários no Liceu de Viana do Castelo e mudou-se para Coimbra onde fez os cursos preparatórios de Matemática e Filosofia. Renunciou entretanto aos estudos universitários e decidiu começar por seguir a carreira militar, entrando para a Escola do Exército em 1888 onde frequentou o Curso da Arma de Artilharia e revelou ser um aluno brilhante. Só depois de concluído o curso da Escola do Exército é que se matriculou na Universidade de Coimbra, licenciando-se em Matemática em 1898. Entretanto tinha vindo adquirir uma exemplar progressão na carreira militar, tendo sido promovido a alferes logo em 1892, a tenente, em 1895, a capitão em 1906 e a major em 1916. Antes da sua promoção a major já era considerado um distinto matemático, sendo imediatamente nomeado professor da cadeira de Cálculo Diferencial e Integral da Universidade de Coimbra, chegando a ser Professor Catedrático e nomeado Vice-Reitor dessa instituição a 23 de Outubro de 1910 (ocupava então a reitoria Manuel de Arriaga). Em 1911 também foi professor e Director da Escola Industrial Brotero.

Primeira experiência política e diplomática
Com a implantação da República em 1910, tinha passado a intervir directa e activamente na vida política de cuja intervenção resultou ter sido provido no cargo de membro dos corpos gerentes da Companhia de Caminhos de Ferro e eleito Deputado, em 1911, à Assembleia Nacional Constituinte participando, portanto, na elaboração da Constituição Portuguesa de 1911. Afirmando-se já então como um dos membros mais destacados dessa Assembleia, foi nomeado Ministro do Fomento durante o Governo de João Chagas, cargo que exerceu entre 24 de Agosto e 13 de Novembro desse mesmo ano (1911). Com a queda do Governo de João Chagas, transitou, em 7 de Novembro para a pasta de Ministro das Finanças no governo de concentração de Augusto de Vasconcelos Correia, exercendo o cargo até 16 de Junho de 1912.
Quando já se faziam sentir as tensões internacionais que deram origem à 1.ª Guerra Mundial, Sidónio Pais foi nomeado ministro plenipotenciário de Portugal (embaixador) em Berlim, tomando posse desse cargo em 17 de Agosto de 1912 e desempenhando-o até 9 de Março de 1916, quando surge a declaração oficial de Guerra a Portugal por parte da Alemanha. Foi durante o exercício dessas funções e as pesadas responsabilidades a que elas obrigavam que se começaram a definir melhor as suas convicções políticas e ideológicas. Essas responsabilidades foram-se tornando cada vez mais pesadas à medida que se ia cristalizando durante esse período o seu posicionamento germanófilo. Que responsabilidades?

- Por um lado manter o difícil equilíbrio entre as pressões pró-belicistas e anglófilas do Governo português com a política imperialista alemã;
- Por outro lado, dirimir pela via diplomática os conflitos que se vinham arrastando entre Portugal e a Alemanha pela posse dos territórios fronteiriços (de limites imprecisos) das respectivas colónias no Norte de Moçambique e no sul de Angola, conflitos esses que se agravaram em 1914, dando origens aos primeiros confrontos militares entre os dois países;

Isto significa que Sidónio Pais teve de renunciar às suas pessoais posições político-ideológicas no âmbito das relações diplomáticas do governo que representava.

O redentor da Pátria e o “Presidente-Rei”
Regressando então a Portugal, em 9 de Março 1916, veio encontrar o país em estado de grande agitação social. Passou a catalisar todo o movimento que em se vinha opondo à participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial e aos imediatos efeitos nefastos que o esforço de guerra produziu, movimento esse que se intensificou no ano seguinte em consequência dos desastrosos resultados do Corpo Expedicionário Português na frente europeia (a trágica batalha de La Lys - Abril de 1918 - estava longe de acontecer!).
Assumindo pública e frontalmente a liderança do movimento de contestação ao Governo do Partido Democrático Republicano, também designado por Governo da União Sagrada, liderado por Afonso Costa, passou a presidir a Junta Militar Revolucionária que no dia 5 de Dezembro de 1917 integrou um grande número de revoltosos civis armados e levou a cabo uma insurreição que terminou, após duros confrontos, na madrugada de 8 de Dezembro (1917) com a exoneração do governo de Afonso Costa e a transferência do poder para a Junta Revolucionária que como disse, era presidida pelo próprio Sidónio Pais.
Era o início do seu estado de graça e sua rápida ascensão ao poder. Bernardino Machado é destituído do cargo de Presidente da República e forçado ao exílio e, a 11 de Dezembro (1917) Sidónio Pais toma posse da Presidência do Ministério (acumulando as pastas da Guerra e dos Negócios Estrangeiros)
 A 27 de Dezembro (1917) assume as funções de Presidente da República até nova eleição. Em claro rompimento com a Constituição de 1911, que ajudara a redigir, seguiu-se a emissão de uma série de decretos que não tiveram que passar pela aprovação prévia do congresso e que suspendiam partes fundamentais da mesma Constituição de modo a conferir ao Presidente da República os poderes simultâneos de chefe de Estado e de líder do Governo, ficando este esvaziado de ministros e assegurado por secretários de Estado, uma posição de poder sem precedentes desde o início da monarquia constitucional.
A 23 de Fevereiro de 1918 é alterada a Lei da Separação entre as Igrejas e o Estado, numa clara tentativa de obter o restabelecimento de boas relações do Estado português com a Igreja Católica Romana e adquirir a conveniente popularidade junto dos católios.
A 11 de Março de 1918 é decretado o Sufrágio Directo e Universal para a eleição do presidente da República pela via plebiscitária (portanto mais uma vez sem a legitimação do Congresso). Foi por este sistema que a 28 de Abril de 1918, Sidónio Pais foi eleito Presidente da República, numa votação com resultados sem precedentes.
Esta nova arquitectura do poder designada então por REPÚBLICA NOVA, adquiriu o carácter incontestavelmente ditatorial e presidencialista com os referidos decretos de Fevereiro e Março que alteraram a Constituição de 1911 e dessas alterações resultou o documento que passou a ser designado de Constituição de 1918. Um prenúncio do Estado Novo.

O fim do estado de graça e o assassinato
Entre 9 e 29 de Abril (1918) o CEP é completamente chacinado em La Lys. Era o início do fim do seu estado de graça
Imediatamente após a Batalha de La Lys, o Governo sidonista não consegue os reforços nem o aprovisionamento das tropas que ainda restavam na Flandres.
Começa um novo movimento de contestação social, de greves e uma escalada de violência, a par de movimentos conspirativos, que obrigaram o Presidente a decretar o estado de sítio no dia 13 de Outubro de 1918. A situação só foi controlada através da dura repressão sobre os sublevados.
Após o Armistício, A 11 de Novembro de 1918, que representou formalmente o fim da I Grande Guerra, o Governo sidonista não foi capaz de trazer de volta as tropas que ainda restavam na Flandres.
A espiral de violência aumentou, cada vez mais apontada contra a própria pessoa do Presidente Sidónio Pais. A 5 de Dezembro de 1918 Sidónio foi alvo de uma primeira tentativa de assassinato (escapa ileso). A 14 de Dezembro de 1918 foi morto a tiro por José Júlio da Costa, um activista da Esquerda Republicana. 

terça-feira, 26 de abril de 2011

363.º Aniversário do nascimento de D. Pedro II, rei de Portugal

Por Leonel Salvado

Retrato de D. Pedro II, rei de Portugalhttp://pt.wikipedia.org

D. Pedro, nascido a 26 de Abril de 1648, foi o terceiro varão dos sete filhos do rei D. João IV e da rainha Dona Luísa de Gusmão. Posto que o seu irmão primogénito, D. Teodósio, vocacionado para o exercício do poder faleceu aos 19 anos, vítima de uma tuberculose pulmonar, havia ascendido ao trono o segundo varão na ordem de filiação, D. Afonso – Afonso VI de Portugal. O reinado de D. Afonso VI decorreu formalmente entre 1656 e 1683. Efectivamente, só exerceu a prática governativa durante pouco mais de 5 anos por ter sido antecedida, devida à sua menoridade, pela regência de sua mãe até de 28 de Junho de 1662 e interrompida, por insanidade mental e inépcia para a governação e consumação do seu casamento, pela regência de D. Pedro, a 24 de Novembro de 1667.
Após a morte de D. Afonso VI, em 1683, D. Pedro II passou a ser o 24.º monarca de Portugal, o 3º da dinastia de Bragança, e o seu reinado perdurou cerca de 23 anos, até à data da sua morte, aos 58 anos de idade, ocorrida a 9 de Dezembro de 1706 na Quinta de Alcântara ou Palácio de Palhavã, devido a uma apoplexia.
É descrito em documentos coevos como um rei de elevadas qualidades físicas e mentais, exaltando-se-lhe ainda como uma das suas maiores qualidades, dita ironicamente como “um dos seus maiores defeitos”, a sua disposição para ouvir os outros e ver-se esclarecido junto dos seus conselheiros quanto aos mais ínfimos pormenores acerca dos assuntos em discussão.
Empenhado em reconstruir o País, abalado pelas guerras da Restauração, mostrou ser um rei à altura dessa responsabilidade, usando da maior prudência e sensatez que lhe era peculiar. Assim foi pela sua dedicação ao estabelecimento ou reatamento de relações diplomáticas com as cortes europeias que constituíam as principais peças do xadrez político e económico do seu tempo, sobretudo com a Inglaterra mas também com a Espanha que ele restabelecera ainda enquanto Regente em 1668 e em memória de cujo acto se lhe atribuiu o cognome de “O Pacífico”.
Nem por isso deixou de se preocupar com as defesas do Reino que procurou melhorar reforçando as guarnições nas fronteiras, determinando a realização das obras e provimentos que fossem necessários nos castelos das mesmas fronteiras e nos fortes marítimos, bem como no desenvolvimento de frotas para a protecção dos navios da carreira da Índia e do Brasil.
Não descurou também a economia do Reino e as medidas que deviam ser tomadas no sentido de assegurar o controlo do império colonial. Foi nesse sentido que em 1671, por exemplo, concedeu liberdade de comércio aos comerciantes ingleses estabelecidos em Portugal e introduziu no reino as primeiras manufacturas têxteis. Foi também nesse sentido que empreendeu no Brasil um conjunto de reformas na sua organização eclesiástica, bem como no seu ordenamento administrativo e procurou restringir os privilégios dos Jesuítas, cujo poder nos sertões do Norte vinha em crescendo sem que disso tirasse o reino os devidos benefícios. Com a descoberta de ouro no Brasil D. Pedro II intensificou o seu controlo sobre a colónia.
Do seu primeiro casamento com a cunhada, Maria Francisca Isabel de Sabóia, concretizado a 2 de Abril de 1668, confirmada por bula papal a 24 de Março desse ano a anulação do anterior casamento desta princesa de Nemours com D. Afonso VI, teve D. Pedro II uma única filha, a belíssima, Isabel Luísa Josefa de Bragança, “Princesa da Beira”, de saúde frágil e de triste fado, já que viria a falecer aos 21 anos com o epíteto de “a sempre noiva”.  A rainha faleceu a 27 de Dezembro de 1863, três meses depois do seu primeiro marido, vitimada por uma hidropisia. Do segundo casamento com Maria Sofia, condessa palatina de Neuburgo, falecida em Lisboa a 4 de Agosto de 1699, teve D. Pedro II mais seis filhos, o segundo dos quais D. João, futuro D. João V.
D. Pedro II jaz no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de S. Vicente de Fora em Lisboa.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

37.º Aniversário da Revolução do 25 de Abril


Edição de 25 de Abril de 1974 em A República, in http://barbeariaideal.blogspot. com | cravos, in http://sindromedeestocolmo.com

Comemora-se hoje em Portugal o fim da ditadura do Estado Novo. É feriado nacional em memória ao movimento revolucionário que em 25 de Abril de 1974 concretizou esse golpe que, desde então e durante décadas, foi entendido como tendo aberto um novo e importante período da História de Portugal representado politica e socialmente o caminho para a instauração da democracia e a conquista da liberdade, razão por que a mesma data tem vindo a ser considerada por muitos portugueses como o “Dia da Liberdade” o qual, todavia não deve ser confundida com o “Dia Mundial da Liberdade” que se comemora a 23 de Janeiro. 
Hoje, face às dificuldades que o país atravessa, esta data parece servir mais como um motivo para reflectir da ingenuidade como foi encarado o futuro pós-revolucionário do que como uma data a comemorar, uma data que cada vez mais suscita a tomada de consciência do desencanto perante a esperança depositada pelos portugueses na "Revolução dos cravo"s, mesmo da parte de alguns portugueses que nela assumiram decisivo protagonismo. Enfim, uma data comemorativa de sabor agridoce mas, ainda assim, uma data de relevância histórica nacional que cumpre assinalar.   
Por ocasião do 37.º Aniversário deste evento histórico, transcrevemos, aqui no Clube de História de Valpaços, um breve resumo histórico deste mesmo evento que intitulámos de “25 de Abril há 36 anos”.
Para rever a publicação referida clique AQUI

terça-feira, 19 de abril de 2011

505.º Aniversário do Massacre dos judeus de Lisboa

Por Leonel Salvado

Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao terramoto de 1755 e ao incêndio da Torre do Tombo: “Da Contenda Cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus Crucificado| http://pt.wikipedia.org

Trata-se de um dos mais dramáticos e delicados acontecimentos da História de Portugal, também designado por “Matança da Páscoa de 1506”, de que não se faz eco a memória colectiva do povo português, não se encontra a justa referência nos manuais escolares de História existentes, em qualquer dos níveis de escolaridade, e continua a ser, desde há cinco séculos, um “pedaço de História” que merece a atenção de um círculo muito restrito de historiadores. A Historiografia situa o início do vergonhoso massacre no dia 19 de Abril de 1505. Só a 23 de Abril de 2008 foi erguido em Lisboa, no Largo de S. Domingos, próximo do Convento desta ordem, onde teve início o triste evento, um monumento em homenagem aos judeus mortos em 1506 nesta cidade.

Monumento em homenagem aos judeus vítimas do massacre de 1506, Lisboa | foto: SergioPT | http://pt.wikipedia.org
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

A cinco séculos de distância, este monumento que se transformou em ponto de encontro de estrangeiros encontra-se, ironicamente, perto de um outro monumento em homenagem ao catolicismo e de um mural onde a frase “Lisboa, cidade da tolerância” pode ser lida em 34 línguas.


Os antecedentes

A 23 de Março de 2011 publicámos aqui no Clube de História de Valpaços um artigo que entendemos ser de interesse e relevância local e regional dedicado à “Expulsão dos judeus de Castela e o reforço das comunidades criptojudaicas em Trás-os-Montes”. Ora, uma grande parte dos cerca de 90 000 judeus entrados em Portugal em consequência da sua expulsão pelos reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, através do “decreto de Alhambra” de 31 de Março de 1492, permaneceram no reino, sob as condições impostas pelo monarca português, D. João II, nos termos a que nos referimos no artigo atrás mencionado, estabelecendo-se um prazo de oito meses para que os que não respeitassem essas condições abandonassem o reino. Desde então, e posto que em alguns lugares a população aceitou mal a clemência régia e constatando-se ainda que muitos judeus não possuíam condições financeiras para embarcar, o que os levava a simular a conversão para serem poupados a afrontas e punições, o monarca recorreu à conversão forçada de modo a pôr termo à onda de agitação social que já se sentia agravar-se contra eles. Começavam então as bárbaras provações por que passaram as famílias judaicas a quem se apartavam, à força, os filhos menores para serem baptizados e conduzidos à ilha de S. Tomé, onde se fariam bons cristãos e povoadores, longe da influência da doutrina mosaica e da língua e cultura hebraicas. Este procedimento “considerado bárbaro à luz do nosso tempo” levou o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, na esteira de outros historiadores, a tecer a seguintes comentários:

“A odisseia dos judeus que constitui uma página negra da história ibérica dos fins do século XV, serviu de tema a Samuel Usque para a dolorosa evocação do sofrimento dos seus irmãos de raça. O ressentimento secular dos cristãos está longe de justificar o clima de intolerância que então dominou o País e que foi apenas e que foi apenas o prólogo de violências ainda mais cruéis que no tempo de D. Manuel viriam a atingir a raça proscrita.”

J. V. Serrão, História de Portugal, Verbo, 3ª ed. revista, 1980, vol II, p. 262

De facto, foi já no reinado de D. Manuel que a situação se complicou para as comunidades judias por força não da sua vontade pessoal (no início do seu reinado D. Manuel adoptara uma política de grande tolerância em relação aos judeus, chegando a conceder a liberdade aos que haviam recaído para a condição de escravos por vontade de D. João II) mas do compromisso a que se vira obrigado devido ao seu casamento com D. Isabel de Aragão em 1497 nos termos de cujo contrato os judeus eram considerados “hereges”, e, sobretudo após o seu casamento, no ano seguinte, com D. Maria de Aragão, posto que foi em cumprimento de uma das cláusulas deste segundo matrimónio que “o Venturoso” requereu a instalação da Inquisição em Portugal, a qual só viria a ser autorizada por decisão papal em 1531, anulada um ano depois e restabelecida, a pedido de D. João III, em 1536.  

Ainda que com grande hesitação, dado o parecer dos seus conselheiros de que a saída dos judeus empobreceria o corpo social da Nação (J. V. Serrão, ob. Cit., Id), logo no ano de 1497, D. Manuel estabeleceu o prazo de Janeiro a Outubro para que os não convertidos abandonassem o Reino, mas ordenou também que fosse dada continuidade à prática iniciada pelo seu antecessor para que àqueles fossem tirados os seus filhos com idade inferior a catorze anos, espalhados pelo País e levados ao baptismo. Ordenou ainda a condução forçada de muitos outras famílias para Lisboa, onde foram forçados ao baptismo, o que deu origem ao conceito de “cristão-novo” e ao estigmatismo que logo se lhe associou. Tal foi a ardilosa solução encontrada pelo monarca, tantas vezes sublinhada pelos historiadores, para que, sem aparente despeito pelo compromissos diplomáticos e matrimoniais assumidos com o reino vizinho, pudesse evitar a saída dos Judeus do Reino e assim manter a sua prosperidade que, como se sabe, era em grande parte assegurada pelas imensas fortunas e dinamismo económico e comercial de que eram detentores os “cristãos-novos”, sobretudo em Lisboa, então um dos principais centros cosmopolitas da época. Foi também nesse sentido que a 30 de Maio de 1498 foi aprovada a medida régia que estabelecia um prazo de vinte anos para que os judeus conversos não fossem molestados pelos cristãos. Porém, estas medidas não sortiram o efeito desejado devido à inabalável desconfiança da população perante os “cristãos-novos”, acusados de continuar secretamente a praticar o seu culto ancestral tanto em família como em comunidade, o que na maioria dos casos correspondia à verdade. Parafraseando o já citado historiador Joaquim Veríssimo Serrão (Ob. Cit. Vo lIII, p. 17), não se confirmou, como a coroa pensava, “que o tempo seria condição bastante para o apaziguamento social que se impunha.”


O Massacre e suas consequências

Existem indicadores de que por todo o País surgiam pequenos conflitos entre as comunidades de cristãos e conversos ou pseudoconversos. Mas foi em Lisboa, na Pascoela de 1506, que a situação se tornou mais grave, transformando-se num movimento insurreccional contra os judeus que durante três dias ceifou a vida a cerca de 2000 pessoas, segundo o cômputo indicado por Alexandre Herculano em Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal e subscrito por Veríssimo Serrão (Ob. Cit., Vol. 3, p.18). Uma tragédia originada pela explosão da recalcada animosidade da população lisboeta, despoletada por um pequeno incidente e alimentada pela adesão aos amotinados de alguns nautas estrangeiros de passagem pela cidade e pela incitação à violência por dois frades dominicanos. Uma das descrições mais próximas do tempo em que sucedeu este arrepiante acontecimento, para além da de Garcia de Resende, é a que nos legou Damião de Góis na “Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória”. Conta-nos este cronista quinhentista:

«No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, …tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. …tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.»

In http://pt.wikipedia.org

Sabemos pelo mesmo Damião de Góis das medidas de justiça régia sobre os implicados no motim e das consequências que daí resultaram nas relações sociais entre as duas comunidades, através das seguintes palavras de Veríssimo Serrão:

Logo que soube do «alevantamento», D. Manuel, que se encontrava em Avis a caminho de Beja, mandou a Lisboa o Prior do Crato e o barão de Alvito com amplos poderes para punir os culpados. Os chefes do motim, em número de 50, receberam o castigo da forca, sofrendo os dois religiosos a pena do garrote. Por carta régia de 22 de Maio retirou-se à capital uma parte dos seus antigos privilégios, destituíram-se funcionários, levantou-se devassa a outros e suspenderam-se as eleições na Casa dos Vinte e Quatro, numa forma de exemplar condenação do bárbaro crime de que Lisboa fora teatro. A culpa do malefício recaía também sobre os «outros moradores & da dita cidade e termo della» que não se tinham oposto aos «muitos insultos & danos» que ensanguentaram a capital.”

Joaquim V. Serrão, Ob cit., Vol. III. pp. 18-19

Tais medidas foram de molde a abrir um ambiente de maior tolerância em relação aos judeus, concedendo-se-lhes a possibilidade de abandonar o Reino por sua livre vontade com todos os seus haveres e proporcionando aos que ilegalmente se ausentaram a oportunidade de regresso sem qualquer castigo. Sobrevindo a bonança obteve-se a reconciliação, visto que a maior parte deles decidiu permanecer em Portugal e foi reposta a paz religiosa até ao final do reinado de D. Manuel. Com a subida ao trono de D. João III repetiu-se a cisão entre cristãos e conversos e agravou-se o ressentimento secular dos cristãos a que Joaquim Veríssimo Serrão aludiu no primeiro excerto que dele transcrevemos neste post. A amargurada odisseia dos judeus  em Portugal ainda estava bastante longe do seu termo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cândido Sotto Mayor, um ilustre transmontano

Cândido Sotto Mayor | retrato-base: Ilustração Portuguesa, 1906
 | http://olhai-lisboa.blogspot.com/ | criação e adaptação digital: Leonel Salvado

As origens
Foi Cândido Narciso da Cunha Sotto Mayor um dos transmontanos muito bem sucedidos no mundo dos negócios dos finais do século XIX e inícios da centúria seguinte. Um homem cuja nobreza de sentimentos e apego moral às suas raízes, valeram-lhe ser hoje recordado na sua província, concelho e terra natais com grande e legítima deferência e admiração. Como se extrai de várias publicações dedicadas à sua biografia, designadamente do I volume do “Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses”, obra colectiva coordenada por Barroso da Fonte, Cândido de Sotto Maior nasceu em Lebução no dia 26 de Outubro de 1852. [1] Convém lembrar que, por esta altura, Lebução devia ser uma localidade de destacado dinamismo político-administrativo e sócio-económico, o que se pode depreender do facto de ter sido para aí transferida a sede do concelho de Monforte do Rio Livre, vila pobre e despovoada, logo após a reforma administrativa de Passos Manuel, em 1836, mantendo embora a designação original do concelho, até ser integrada no concelho de Valpaços pelo Decreto de 31 de Dezembro de 1853 que extinguia este concelho e comarca, bem como os de Carrazedo de Montenegro.

Casa onde nasceu Cândido Sotto Mayor, Lebução | Foto de Graça Gomes
 | lebucaodevalpacos.blogspot.com

Através de outras fontes, foi-nos possível apurar que Cândido Sotto Mayor era filho de Cândido Augusto Moranda e de sua esposa Cândida Sotto Mayor, nascida ao redor de 1820. [2] Alguns genealogistas dão-no com filho de pai incógnito. Em todo o caso era, seguramente, do lado materno, um elemento da família Sotto Mayor de que existem evidências de poder tratar-se de uma família dotada de grande espírito empreendedor nessa época de prosperidade de Lebução. Pode abonar em favor desta interpretação o facto de Cândido ter sido, como se sabe, sobrinho de Joaquim Felisberto da Cunha Sotto Mayor, filho de José Lino da Cunha Sotto Mayor, natural da vila de Chaves, e de Ana Lúcia Garcêz Palha, natural de Lisboa (portanto, avós maternos de Cândido) e nascido também na freguesia de S. Nicolau de Lebução, a 11 de Março de 1845, que fez fortuna no Brasil na actividade comercial e se radicou depois na Figueira da Foz, deixando aí fama de homem de grandes obras materiais e de elevadas virtudes morais e humanas dados aos vários actos de benemerência a que se dedicou na vila e arredores. Dele ficou o célebre Palácio Sotto Mayor naquela cidade. [3] Contudo, ao contrário do sobrinho, e apesar de se lhe reconhecerem virtudes morais e um percurso de vida muito semelhante ao deste, não encontrámos provas de que Joaquim Sotto Mayor tenha sentido o mesmo apego pessoal à sua terra natal até ao fim dos seus dias.

De Chaves ao Brasil
Cândido Sotto Mayor começou a trabalhar aos 13 anos como empregado de balcão em Chaves na Casa Comercial de Luís Paulino Teixeira. Aos dezoito anos partiu para o Brasil, ingressando, no Rio de Janeiro, como funcionário da Casa comercial Sotto Mayor & Companhia, cotada como uma das mais importantes do Rio De Janeiro no comércio por atacado e fundada pelos tios, um dos quais já atrás referimos, Lino e Joaquim Sotto Mayor. Mais tarde foi admitido sócio, acompanhando por certo a expansão da empresa, ainda no Brasil, e talvez, aí, tenha seguido o exemplo de seu tio Joaquim de quem se diz que manteve interesses noutras firmas do Rio de Janeiro e de S. Paulo, tais como a Costa, Pacheco & Companhia e  e a Araújo Costa &Companhia, e que foi accionista de algumas indústrias de Fiação e de várias casas bancárias. [4] Foi nesta área do comércio bancário que Cândido Sotto Mayor prosperou.

O Banco Pinto & Sotto Maior
Pelo que se pode ler nas várias biografias ele terá regressado a Portugal e em Lisboa fundado uma casa bancária com a designação de Casa Bancária Sotto Mayor cujo sucesso terá proporcionado a abertura de filiais em algumas cidades do país, nomeadamente em Chaves, uma das suas maiores construções no Largo do Arrabalde, tal como é referido por Barroso da Fonte, na obra já indicada (p. 587) e reafirmado, por Graça Gomes no seu blogue “Lebução de Valpaços” [5], casa comercial bancária essa que estaria na origem do futuro “Banco Pinto &Sotto Mayor. O facto parece corroborar-se pelo que é referido na História do Banco Pinto & Sotto Mayor nos seguintes termos:


Os primórdios do Banco Pinto & Sotto Mayor  (BPSM), que chegou a ser considerada uma das maiores instituições financeiras portuguesas, remontam à constituição prévia da Casa Bancária que dava pelo mesmo nome. Esta entidade, cujo funcionamento decorreu entre 1914 e 1926, assumiu-se na verdade como uma oportunidade de verificar as necessidades do mercado e a sua receptividade perante novas empresas do sector.
A estratégia supra-descrita, adoptada pelos fundadores da Casa Bancária Pinto &Sotto Mayor, António Vieira Pinto e Cândido Sotto Mayor, conduziu ao sucesso da empresa e ao reforço da sua posição no panorama nacional. [6]

A expansão desta empresa com a abertura de filiais nas principais cidades do país surge atestada no trabalho realizado por José Amado Mendes "A Empresa Bancária em Portugal no século XX: Evolução e Estratégias", onde o autor alude a uma filial do Banco Pinto & Sotto Mayor instalada em Coimbra em 1919, portanto ainda dentro do período da sua fase experimental, considerada na fonte anterior. [7]

Contudo, ainda a respeito da relação estabelecida pelo banqueiro de naturalidade lebuçanense com a primeira Casa comercial Bancária que ostentou o seu nome na capital portuguesa, será preciso ponderar da credibilidade de algumas declarações que encontrámos no Fórum do Geneall.Net, datadas de 7 de Julho de 2006 em que António Pedro de Sottomayor, em resposta a João de Morais Barreira, a respeito da “família Sotto Mayor de Chaves” e sem prejuízo de tudo o que dissemos e se diz sobre a origem de Cândido Sotto Maior e da sua vida no Brasil, refere que foi aqui que ele se tornou banqueiro e criou o primeiro Banco Sotto Mayor, acrescentando que quando regressara a Portugal no início do século XX o seu filho, Cândido Sotto Mayor Júnior já se havia associado, com o seu apoio, a António Vieira Pinto e fundado o Banco Pinto & Sotto Mayor. Estamos, afinal, perante dois homónimos, pai e filho, a um dos quais coube a responsabilidade material de criar a Casa bancária que mais tarde chegou a ser considerada uma das maiores instituições financeiras portuguesas.

O banqueiro edificador e benemérito
Regressando a Portugal, cremos que na primeira década do século XX, fixou-se em Lisboa para poder gerir melhor os seus interesses bancários e outros negócios, escolhendo para residir o lugar das Avenidas Novas, onde já existia um solar oitocentista da família Mayor. Assim, no ano de 1900, mandou que fosse demolido o solar para construir no seu lugar um imponente palácio ao estilo arquitectónico mais ambicioso da época. Durante os dois anos que se seguiram foi a demolição efectuada e iniciadas as obras de muralha de suporte sobre o Largo do Andaluz. Em 1902 iniciou-se a construção do palácio Sotto Mayor, uma obra grandiosa que foi realizada em quatro anos e que envolveu uma média de duzentos operários.

O Palácio Sotto Mayor em Lisboa | foto actual de Dias dos Reis e notícia da 
construção na Ilustração Portuguesa, 1906 | 
http://olhai-lisboa.blogspot.com/2010/08/o-palacio-sotto-maior.html

Construído a partir do esboço inicial do Arquitecto Ezequiel Bandeira com a colaboração do Arquitecto Carlos Alberto Correia Monção e do projecto assinado pelo Capitão de Engenharia do Exército, António Rodrigues Nogueira, o palácio Sotto Mayor de Lisboa é uma obra de “estilo compósito”, de inspiração francesa que compreende duas fachadas de entrada, com a janela composta de cariátides do escultor Jorge Neto, uma fachada de lazer com torre adossada e uma outra, posterior, de serviço. No remate do seu interior quadrangular organizado à volta de um hall central domina uma grandiosa clarabóia. O conjunto arquitectónico compreendia ainda uma série de anexos com cocheiras, casa de criados, lavadouro e um belo jardim “biscoito” constituído por um lago e uma estufa de vidro e gaiolas. Este impressionante monumento da arquitectura civil do início do século XX foi, em 1988, classificado pelo IPPAR como imóvel de interesse público e, apesar dos projectos propostos para a sua renovação desde esse data e aprovados pelo mesmo IPPAR e pela Autarquia em 1993, o Palácio Sotto Mayor pode hoje ser observado em toda a sua singularidade arquitectónica original, pois em consequência desses projectos, apenas sofreu um ligeiro restyling. [8]

Mas tanto a prosperidade pessoal como a sumptuosidade e o requintado conforto que esta bela residência decerto proporcionaria, não parece que tenham deslumbrado Cândido Sotto Mayor, cuja personalidade pública, sumariamente definida na obra já citada de Barroso da Fonte (p. 587) o aponta como um Homem que “sempre fugiu à publicidade e elogios”, ao ponto de se acomodar, na sua meia-idade, ao “status” adquirido após uma vida de indizíveis trabalhos e sacrifícios. À sua faceta de homem de elevadas qualidades morais e humanas e ao natural espírito de benemérito revelados na capital, juntou-se o apego e orgulho pelas suas origens. Coube-lhe a honra e a dignidade de ter ordenado a construção da "Vila Cândida", um bairro para operários pobres em Lisboa, atribuindo-lhe o nome de sua filha Cândida ou, segundo outros autores (que sustentam não ter havido dele filha alguma) do seu próprio nome e de seu filho Cândido, mas também se sabe que, sempre que podia, se deslocava a Chaves, cidade que tinha em grande estima e de cujas termas consta que chegou a ser proprietário. A esta cidade, além do imponente edifício por ele mandado erguer para funcionar como agência da instituição bancária com o seu nome, a que atrás nos aludimos, fez algumas doações com vista ao seu melhoramento urbanístico, tais como os coretos que nela mandou instalar e a doação de um amplo espaço junto à actual Avenida D. João I destinado à construção do Jardim Público, que em 1915 passou a chamar-se Jardim Cândido Sotto Mayor, onde hoje se contempla um busto que aí foi instalado em sua homenagem pela Autarquia.

Postal com trecho do Jardim Público de Chaves, c. 1901, e busto em homenagem a 
Cândido Sotto Mayor | http://flaviense.blogspot.com/ | http://frproart.blogs.sapo.pt/

Outras curiosas informações, estas relativas às provas de afecto que Cândido Sotto Mayor e sua família mostraram pela comunidade onde se encontram as suas raízes, são as que descobrimos no já referido blogue de Graça Gomes de que passamos a transcrever um pequeno excerto:

Consta-se que a escritura de doação do Jardim Público teria uma nota que isentava os naturais de Lebução de qualquer pagamento para entrar nesse espaço.
Em Lebução, a família Sotto Mayor, está ligada à construção da antiga escola primária, com a doação de uma renda perpétua para ajudar alunos pobres, e a um altar (erigido em honra de Nossa Senhora de Fátima) na Igreja Paroquial.

In http://lebucaodevalpacos.blogspot.com

A antiga Escola Primária de Lebução mandada edificar pela família Sotto Mayor, 
já demolida | Foto de Graça Gomes | http://lebucaodevalpacos.blogspot.com


Cândido Sotto Mayor faleceu em 28 de Outubro de 1935.

 Referências

[1] Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, coordenado por Barroso da Fonte, Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães.
[2] Geneall Net | http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=2047659
[3] António Cruz, Palácio Sotto Mayor, Figueira da Foz | http://www.antoniocruz.net/
[4] Id. excerto (capítulo inicial) do livro "Palácio Sotto Maior" da autoria de José Pires Lopes de Azevedo editado em Setembro de 1999 e com distribuição gratuita pela Sociedade Figueira Praia, Sa.
[5] Graça Gomes | http://lebucaodevalpacos.blogspot.com
[6] História do Banco Pinto & Sotto Mayor | http://bancario.pt/
[7] José Amado Mendes, A EMPRESA BANCÁRIA EM PORTUGAL NO SÉC. XX: EVOLUÇÃO E ESTRATÉGIAS, revista Gestão e Desenvolvimento, 11 (2002), pp.39-56, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra |http://www4.crb.ucp.pt/
[8] Mayor Sotto [Lisboa] | http://www.geocaching.com/ 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

192.º Aniversário de D. Maria II

Retrato de D. Maria II, pintura do séc. XIX, 
autor desc. | http://pt.wikipedia.org
Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança foi a 30.ª monarca de Portugal, a 31ª Rainha e a 10.ª da Dinastia de Bragança. Nasceu no Rio de Janeiro a 4 de Abril de 1819 e faleceu em Lisboa a 15 de Novembro de 1853. Fila do rei D. Pedro IV de Portugal (D. Pedro I, Imperador do Brasil) e de D. Leopoldina de Habsburgo (imperatriz), foi uma rainha de invulgar beleza e aprimorada educação, qualidades herdadas genética e culturalmente de sua mãe austríaca e da estima paterna. Por tais qualidades tem o cognome de “a Educadora” ou “a boa Mãe”.
Foi por duas vezes “Rainha Reinante” de Portugal: Primeiro entre 1826 e 1828, aquando da abdicação do pai a seu favor, período durante o qual não tomou qualquer decisão administrativa em virtude de se achar no Brasil e depois exilada na Europa (fora prometida em casamento ao seu tio D. Miguel, o que nunca se verificou); depois, entre 1834 e 1853, entretanto casada com D. Augusto Napoleão de Beuharnais, e a partir de 1837, casada em segundas núpcias com D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gota (devido à morte de D. Augusto por Difteria, em 1835) tendo sido nesta fase reinou com maior dedicação o país em conjunto com o seu marido e Rei consorte. Do primeiro casamento não houve descendência. Do segundo nasceram onze filhos, sendo primogénito o príncipe D. Pedro, o futuro D. Pedro V. D. Maria II Morreu de parto, ao dar à luz o seu 11º filho, o Infante Leopoldo, aos 34 anos. Está sepultada no Panteão dos Braganças do Mosteiro de S. Vicente de Fora em Lisboa.

Para mais pormenores sobre D. Maria II, clique AQUI ou AQUI.
Se estiver interessado sobre os pormenores trágicos sobre a sua morte clique AQUI.

terça-feira, 29 de março de 2011

762.º Aniversário da conquista de Faro por D. Afonso III

Por Leonel Salvado

Estátua de D. Afonso III, conquistador de Faro 
 http://algarvefarense.blogspot.com

A questão sobre conquista de Faro por aquele monarca tem gerado desde há vários anos algumas alguma controvérsia, com base em alegadas incongruências achadas por determinados historiadores na sua interpretação da “Crónica da Conquista do Algarve”. Assim, desde logo a polémica sobre a forma como foi esta cidade algarvia obtida pelos portugueses (se por via da conquista militar ou se por negociação). Outra realidade que se chegou a colocar em causa foi a da presença e participação activa do próprio rei por não ser líquido que nessa data aí pudessem encontrar-se aqueles que deviam ser os seus melhores apoios militares (o Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Pires Correia e do seu, do rei, alferes D. João Afonso) no acto da “conquista” pelas forças cristãs ou da “entrega” pelos muçulmanos da cidade, acrescendo ainda a realidade de que nem sequer acompanhavam o monarca os representantes da principal nobreza portuguesa. Partiam estes historiadores do facto de essas figuras não constarem na lista dos confirmantes da doação régia efectuada pelo rei, já em posse da cidade, apresentada na Crónica. Contudo, o trabalho realizado por Henrique David e José Augusto P. de Sotto Mayor Pizarro intitulado “A Conquista de Faro, o reavivar de uma questão” apresentado na III Jornada de História Medieval do Algarve e Andaluzia, em Loulé, de 25 a 27 de Outubro de 1987, trouxe nova luz a estas questões. Reafirmam estes historiadores a presença de D. Afonso III no próprio acto da conquista e a possibilidade da presença também dos dois principais chefes militares atrás referidos, bem como a confirmada presença de uma mole de nobres portugueses que lhe permaneceriam fiéis até à sua morte e os mesmos autores não encontram razões para refutar a tomada da cidade pela conquista militar, obviamente havendo os portugueses tirado partido da fraqueza dos opositores muçulmanos, seus ocupantes, em consequência da perda das praças do vale do Guadiana e da parte Oriental do Algarve. Termina este estudo com a seguinte conclusão:

A conquista de Faro poderá, assim, ter servido duplamente os interesses de D. Afonso III. Por um lado, colocara um travão no monopólio das ordens, sobretudo à de Santiago, no processo da conquista algarvia e, por outro, ganhava a confiança de um certo número de famílias que o servirão a si, e mais tarde, a seu filho.”
In http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6410.pdf

Mas não deixa de ser curioso que a tese da “entrega” e não da “conquista” de Faro continua a adquirir adeptos. A 18 de Março último foi publicado o artigo que se segue que, além de favorecer essa interpretação, faz uma interessante reportagem sobre a passagem de Faro dos Árabes para os Cristãos e do estabelecimento do domínio português no Algarve pelo Tratado de Badajoz de 16 de Fevereiro de 1267.

Faro na Primavera de 1249
Folha do Domingo – Diocese do Algarve, 18/03/11 - 19:24  

"Não há dúvida que o Algarve ocupou um lugar central de interesse e preocupação nos dois reinos ibéricos"


FOI, com a primavera, a 29 de Março de 1249, que a cidade de Faro (Santa Maria de Farun) passou dos Árabes aos Cristãos. Há 762 anos."  

Muitas são as versões da conquista de Faro aos mouros. As conquistas foram, quantas vezes, determinadas em diplomacia. Os conquistadores que tomaram a cidade, a meio do século XIII, multiplicaram-se em harmonias, em guerras palacianas e familiares, como de grupos, fortalecendo-se em interesses, ou enfraquecendo-se.  
Todos os impérios têm os seus declínios pelas circunstâncias da própria natureza de o serem... Para a conquista de Faro construiu-se, para o popular, a lenda do encantamento, o amor, a traição de uma princesa árabe, de nome Alandra, que iria, pelos séculos suportar o romantismo no seu par, o cavaleiro português de nome João Aboim, do qual, Almeida Garret, em 1826, servir-se-ia para introduzir o romantismo literário, em Portugal, com o título de D. Branca. A enraizada fantasia que perdura para o imaginário do folclore regional. Até o poeta mais notável de Faro, António Ramos Rosa, escreveu, a 709 anos de distância do acontecimento, o poema Incerto: Na grande confusão / deste medo / deste não querer saber / na falta de coragem / de me perder / me afundar/. Perto de ti tão longe / tão nu / tão evidente/ tão pobre como tu / Oh! Diz-me quem sou eu / Quem és tu? Retirando a palavra incerta do poeta, quantas invasões e saques e aos rios de sangue que correram pela AL-qasr (fortaleza), onde a lendária Virgem Maria a mui gloriosa e bem fegurada, a tudo assistiu, numa manhã de Julho de 1217, em que o povo devoto de Cristãos e de Allá, enquanto os guerreiros, ocupantes e sitiados, ficavam e abalavam.  
A negociação por parte de D. Afonso III para a ocupação (não a conquista) de Faro, acompanhado das suas tropas, iniciou-se, dado que a superioridade dos combatentes portugueses era temida. A população moura saiu mais prejudicada nos acordos dos senhores ocupados e ocupantes, pelos impostos dobrados aos dois.  
Chegados a Faro, na primavera de 1249, o rei de Portugal e seus cavaleiros, com o Mestre de Avis, D. Martim Fernandes, os cavaleiros João Peres de Aboim, Egas Lourenço da Cunha, Estevão Eanes, colaço do rei D. Afonso III (irmão de leite), entre outros; alguns clérigos, Mateus Martins e João Moniz. Conta-se que o rei se ausentou para conversações com o alcaide da cidade de Santa Maria de Faro, Aben Mafon e, pela demora os seus companheiros julgaram o pior: prisão ou morte? As tropas do Mestre de Avis aproximaram-se das muralhas preparando-se para lançar fogo à porta da cidade, quando D. Afonso III se mostrou do alto das muralhas, alertando para o facto, levando o braço ao ar, mostrando as chaves da cidade. Com a conquista de Faro pelo rei de Portugal, e, definitivamente, de todo o Algarve, o novo inquilino de Faro tornou-se num caso de traição política ao rei de Castela, Afonso X. Com a posse de Faro, estava concretizada a do Algarve. O português Payo Peres Correia, ao serviço do rei de Castela, Afonso X, do qual era súbdito, considerava que o rei de Portugal andava, pelo Garb (Algarve) à revelia, sendo acusado pelo rei de Castela e pelo próprio Peres Correia, mestre da Ordem de Santyago, de intromissão. Por isso, Payo Correia ao saber que o rei Afonso III se desloca para o Algarve, à conquista do território, apresenta-se entre Loulé e Almodovar, como vassalo de el-rey dom Afonso X de Castela. O rei de Portugal recusa o apoio do Mestre de Santyago a partir daí, vindo à conquista de Faro com a sua Ordem Militar de Avis, fundada por D. Afonso Henriques, em 1162, submetida à regra beneditina.  

TANTO AFONSO X DE CASTELA MOVEU LOGO GUERRA A EL-REI D. AFONSO III DE PORTUGAL SOBRE O REINO DO ALGARVE.  

Não há dúvida que o Algarve ocupou um lugar central de interesse e preocupação nos dois reinos ibéricos: Afonso de Portugal e Afonso de Castela. E essas preocupações debatem-se entre a conquista de 1249 a 1253, pelas situações que levavam a um confronto bélico. Tudo o justificava. Afonso herdara um reino que se situava num momento charneira do Portugal medieval, e essa conquista definitiva do Algarve custou-lhe uma longa e larga batalha política e diplomática, que levou a bom termo, com a ajuda papal. 
Certo é que, pela insistência de Afonso X de Castela, em considerar-se conquistador legítimo do Algarve, em correspondência com o papa Inocêncio IV, diplomacia idêntica leva o rei de Portugal junto ao bispo de Roma. E pelas intervenções se decide o papa, em bula enviada ao rei Afonso III de Portugal, pronunciando-se: A dita terra do Algarve, conforme reivindicas, pertence-te e faz parte do teu reino.  
Esta decisão papal terá tido dois compromissos decisivos e a cumprir: primeiro o respeito pelo juramento feito pelo, ainda conde de Bolonha (futuro rei D. Afonso III) em Paris, no respeito defesa da igreja de Portugal. Segundo, na mediação feita para acordo estabelecido entre Afonso de Castela e Afonso de Portugal, para a união entre os rei de Portugal e de Castela, assinado em Chaves em Maio de 1253, e garantia do casamento entre D. Afonso III e a filha do rei de Castela, a princesa Beatriz, o usufruto do Algarve, após o nascimento do primeiro filho do casal, que viria a ser entregue ao príncipe D. Dinis, na idade dos sete anos.  
Com o Tratado de Badajoz, a 16 de Fevereiro de 1267, o reino de Portugal ficou completo com o reino do Algarve.
Em 1256, Payo Peres Correia reconhece Afonso III de Portugal, como seu rei, em carta escrita de Arévalo: Nuestro Señor el Rey de Portugal. Em 1266, D. Afonso III dá foral a Faro, Tavira e Silves. Em 1279 morre D. Afonso III, o jovem D. Dinis é rei de Portugal e do Algarve. Em 1290, o ramo português da Ordem de Santyago de Espada separa-se de Castela. D. Dinis, funda, em Castro Marim a Ordem de Cristo. 
Este grave conflito ibérico ficou em “standby” para a continuidade em séculos seguintes.
 In http://folhadodomingo.diocese-algarve.pt