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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

121.º Aniversário do nascimento de D. Manuel II

D. Manuel II, o bibliógrafo, in http://www.inteirospostais.com

D. Manuel II, o último rei de Portugal
Por Ana Maria Simões 04- 10- 2010

«Era uma vez um príncipe que não pensava ser rei» mas que a tragédia levou ao trono e que a propaganda republicana fez um «fraco, mal preparado, beato e dominado pela mãe».

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

856.º Aniversário do nascimento de D. Sancho I



D. Sancho I de Portugal (11 de Novembro de 1154 - 26 de Março de 1211), cognominado o Povoador (pelo estímulo com que apadrinhou o povoamento dos territórios do país - destacando-se a fundação da cidade da Guarda, em 1199, e a atribuição de cartas de foral na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), etc, povoando assim áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Transmontanos mortos na Primeira Grande Guerra – II


Monumento aos Mortos da Grande Guerra, 1931, Avenida da Liberdade, Lisboa

Transmontanos mortos na 1ª Guerra Mundial em França e em África

Segue-se uma relação nominal com alguns dados adicionais, que Integram o acervo documental do Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças, extraídos de dois cadernos onde foram averbadas as pensões de sangue a pagar aos herdeiros dos soldados mortos na 1.ª Grande Guerra, em França e em África. Além dos tipos de herdeiros (viúvas, filhos, pais, avós e irmãos), a listagem tem os nomes dos soldados falecidos, a graduação militar, causa de morte (mais propriamente, local da morte), data de falecimento e os cofres dos quais esses herdeiros foram abonados. Os dados serão transcritos pela mesma forma e ordem em que foram registados nos referidos cadernos, aqui divididos em duas partes – referentes a Vila Real e referentes a Bragança, de cujos cofres de pensões de sangue se deduz a origem dos falecidos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O terramoto de Lisboa de 1755

Gravura em cobre alusiva ao Terramoto de 1755 em Lisboa
Foi no dia 1 de Novembro, um feriado religioso dedicado a “todos-os-santos” segundo tradição católica – algo que acontece ainda hoje -, que a famigerada hecatombe devastou Lisboa, privando-a de uma grande parte do seu património urbano (muitas zonas da cidade foram destruídas e muitos dos principais edifícios ficaram em ruínas) e humano (muitas lisboetas faleceram nesse dia, vítimas do terramoto propriamente dito ou das consequências dele).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um português na Tailândia na investigação histórica sobre a presença portuguesa

José Gomes Martins é português e vive na Tailândia há 15 anos. É representante do ICEP, funcionário da Embaixada de Portugal em Bangkok e correspondente da Agência Lusa.

Autor de várias reportagens para diversos órgãos de comunicação social e colaborador na realização de filmes sobre Portugal na Ásia, José Gomes Martins tem uma vastíssima biblioteca sobre a presença de Portugal na Ásia, referência incontornável para quem deseje realizar um trabalho sério na Tailândia e tem dispensado grande parte da sua vida na investigação histórica da presença dos portugueses na Ásia.

In “Portugal em linha, Legado Português, VARANDA do ORIENTE”,
http://www.portugal-linha.pt/legado/voriente/gmartins.html

Para analisar e comentar um dos trabalhos historiográficos deste autor sobre a presença portuguesa na Tailândia e a Ligação do Reino de Sião com o Ocidente clique AQUI:

domingo, 24 de outubro de 2010

863.º Aniversário da conquista de Lisboa


O cerco e conquista de Lisboa, por Roque Gameiro
Comemora-se amanhã, dia 25 de Outubro! É geralmente aceite entre os historiadores que a (re)conquista de Lisboa aos mouros por D. Afonso Henriques se consumou na data de 25 de Outubro de 1147, por ter sido então que, após um cerco de três meses, as forças cristãs lograram entrar vitoriosamente nesta cidade, até aí considerada inexpugnável, que em 1255 viria formalmente a tornar-se na capital do reino de Portugal, representando aquela conquista, portanto, uma das datas comemorativas inolvidáveis da História Nacional. As circunstâncias que pesaram sobre a decisão da conquista de Lisboa e os sucessos que são conhecidos acerca do cerco que o tornou possível, constituem um dos episódios mais curiosos de entre os vários gloriosos cometimentos conhecidos de “O Conquistador”.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A “Noite Sangrenta” e o trágico assassinato de um ilustre Transmontano


Três das vítimas da Noite Sangrenta, Ilustração Portuguesa, in http://litfil.blogspot.com/
Clique sobre a imagem para aumentar.

Perfizeram-se ontem, dia 19 de Outubro, 89 anos sobre a ocorrência deste triste episódio vergonhosamente designado na opinião pública de além-fronteiras da época como uma das «revoluções à portuguesa». Trata-se, para nós, de um acontecimento de relevância histórica, tanto a nível nacional como regional. Surgiu em consequência das fraquezas dos finais da 1ª República, entrecortadas pelas falhadas ditaduras militares de Pimenta de Castro (1915-1917) e de Sidónio Pais (1917-1918), e agravadas pela desastrosa participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial, em que os políticos da “República Velha”, regressando ao funcionamento das instituições democráticas, não foram capazes de evitar a visivelmente crónica instabilidade política, as dificuldades económicas e a agitação social. Da intensificação desta se aproveitou a oposição, solidamente reforçada pela Igreja e pelos grandes proprietários e capitalistas, que favoreceram o recrudescimento de actos de violência para desferir o golpe de misericórdia à agonizante 1ª República. Assim, de um movimento de revolta emergido em Lisboa na manhã do dia 19 de Outubro de 1921 resultou ao fim desse dia um autêntico massacre de eminentes políticos, designadamente António Granjo, que havia sido demitido do cargo de Presidente do Ministério, Machado Santos e José Carlos da Maia, dois históricos da Proclamação da República, o comandante Freitas da Silva, secretário do Ministro da Marinha, e o coronel Botelho de Vasconcelos, antigo apoiante de Sidónio Pais.

Entendemos ser nosso dever recordar este acontecimento justamente em memória de António Granjo, um carismático político de origem flaviense que nele perdeu a vida. Para quem desejar uma Biografia detalhada deste ilustre transmontano que, ao que parece, nunca quebrou os laços que o prediam à sua amada terra natal, Chaves, sugerimos a leitura da que foi publicada por Fernando Ribeiro no seu blogue Chaves, olhares sobre a cidade, bastando clicar AQUI.  

Coube à Produtora David & Golias, no âmbito das Comemorações do Centenário da República, desenvolver um projecto de mini-série para a RTP, confiado ao Realizador Tiago Guedes, com base num guião de Tiago Rodrigues, do qual resultou o filme que visa imortalizar a memória deste triste acontecimento, centrado na viúva de Carlos da Maia. Existe uma sinopse desta mini-série em “ http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/”, que julgamos ter sido emitido por aquele canal nos dias 16 e 17 do corrente mês e do qual apresentamos o seguinte Trailer:

sábado, 16 de outubro de 2010

163.º Aniversário do nascimento de D. Maria Pia de Sabóia, rainha de Portugal


Dona Maria Pia de Saboia (Turim, 16 de Outubro de 1847 — 5 de Julho de 1911) foi uma princesa da Itália e rainha consorte de Portugal, durante o reinado de seu marido, D. Luís I. D. Maria Pia era a segunda filha do rei Vítor Emanuel II da Sardenha e Piemonte (em 1861, tornou-se o primeiro rei da Itália) e da arquiduquesa austríaca Adelaide de Habsburgo. Seus pais eram primos-irmãos. Teve sete irmãos, entre os quais o rei Humberto I de Itália e Amadeu I de Espanha.
No dia 6 de Outubro de 1862, um dia depois de chegar a Lisboa, D. Maria Pia casou-se com o rei D. Luís I, tornando-se assim rainha de Portugal. A cerimónia ocorreu na Igreja de São Domingos. Rainha aos quinze anos, D. Maria Pia cumpriu rapidamente o seu principal papel, assegurando a sucessão ao trono com o nascimento do Príncipe D. Carlos, em 28 de Setembro de 1863, e do infante D. Afonso Henriques, em 31 de Julho de 1865, titulado como Duque do Porto.

Mulher de temperamento meridional, ela foi mãe extremosa dos seus filhos e mulher atenta aos mais necessitados, tendo-se destacado por sua solidariedade para com os parentes das vítimas do incêndio do Teatro Baquet, em 1888.
Maria Pia ficou conhecida como "O Anjo da Caridade e A Mãe dos Pobres" por sua compaixão e causas sociais
Após a subida ao trono português de seu filho, o rei D. Carlos I, D. Maria Pia cedeu o protagonismo à sua nora, a princesa Amélia de Orleães, continuando a residir oficialmente no Palácio da Ajuda (cuja decoração se deve ao seu gosto), utilizando como residências de recreio o Palácio da vila de Sintra e um chalé que adquiriu no Estoril. Serviu diversas vezes como regente do Reino durante as visitas oficiais do seu filho e da nora ao estrangeiro.
Na sequência do Regicídio de 1908, em que seu filho, D. Carlos I, e seu neto, o herdeiro ao trono D. Luís Filipe, Duque de Bragança, foram assassinados, D. Maria Pia foi abatida pelo desgosto, começando a dar sinais de demência mental. Durante o breve reinado de seu outro neto, D. Manuel II, a rainha manteve-se praticamente retirada do público e quase sempre estava acompanhada do segundo filho, o Duque do Porto.
Com a proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, D. Maria Pia seguiu então para o exílio, mas não junto aos restantes membros da família real; partiu para o seu Piemonte natal, onde viria a falecer no ano seguinte, a 5 de Julho de 1911. Foi sepultada no Panteão Real dos Sabóia na Basílica de Superga, na Itália. Momentos antes de expirar, ela pediu que a voltassem no leito na direcção de Portugal, país onde permaneceu durante quarenta e oito anos.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/ Categoria: Rainhas de Portugal
Imagem: Id

Para mais pormenores biográficos de D. Maria Pia de Saboia, clique AQUI.

sábado, 9 de outubro de 2010

749.º Aniversário do nascimento de D. Dinis, rei de Portugal

D. Dinis I de Portugal (Lisboa [?], 9 de Outubro 1261 — Santarém. 7 de Janeiro de 1325) foi o sexto rei de Portugal. Filho de D. Afonso III e da infanta Beatriz de Castela, neto de Afonso X de Castela, foi aclamado em Lisboa em 1279. Viveu 63 anos e desses 46 passou-os a governar os Reinos de Portugal e do Algarve, tendo subido ao trono com 17 anos.
Figura incontornável da Península Ibérica de fim de Duzentos e início de Trezentos, D. Dinis foi cognominado Pai-da-Pátria por Duarte Nunes de Leão. Foi um dos principais responsáveis pela criação da identidade nacional portuguesa. A ele se deve em larga escala o alvor da consciência de Portugal enquanto Estado e Nação. A sua actividade governativa sempre se manteve nessa linha: definiu as fronteiras de Portugal em Alcanizes, instituiu o Português como língua oficial da corte, libertou as Ordens Militares em território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um sistemático acréscimo do centralismo régio.

A política centralizadora foi articulada com acções de fomento económico importantíssimas - como a criação de inúmeros concelhos e feiras - e de relevantes reformas judiciais. A administração das propriedades régias tornou-se mais eficiente e D. Dinis ficou conhecido como um Rei rico; disso encontramos eco na Divina Comédia de Dante Alighieri. O extenso e excelso trabalho deste Rei em prol do Reino resumiu António Caetano de Sousa ao cognome de O Lavrador, assaz redutor face a obra tão profícua e, ademais, gerado pela imputação errónea da plantação do Pinhal de Leiria a este monarca; na realidade o pinhal já existia desde D. Sancho II.
Foi grande amante das artes e letras. Trovador famigerado, muito cultivou as Cantigas de Amigo, de Amor e a sátira, contribuindo indelevelmente para o desenvolvimento da poesia trovadoresca. Devido à sua obra poética, é hoje conhecido como o O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador. Pensa-se ter sido o primeiro monarca português alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo. Culto e curioso das letras e das ciências, terá impulsionado a tradução de muitas obras para Português, entre as quais se contam os tratados de seu avô Afonso X, o Sábio. Foi o responsável pela criação da primeira Universidade portuguesa, na altura sediada em Coimbra.
In http://pt.wikipedia.org | categoria: Reis de Portugal
Imagem: Id

Para conhecer mais detalhes sobre D. Dinis, a partir da mesma fonte, tais como a sua personalidade, a sua compleição física, a sua obra administrativa e cultural, os seus anos de vida, bem como a sua descendência, clique AQUI.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como era a vida em Portugal há 100 anos

Curiosa e original reportagem esta publicada no Jornal “O Sábado”, sobre o assunto em epígrafe, que o seu autor, Nuno Thiago Pinto, no-la presenteou, utilizando as regras ortográficas da época. Vale a pena lê-la!

Milhares de pessoas presenceavam o sorteio da Loteria do Natal, o Paiz só tinha seis cabines telephonicas e 3.211 automoveis e os toureiros eram as grandes estrellas. Saiba como se vivia em Portugal em 1910, n'um texto escripto com a orthographia da epocha.
Por Nuno Thiago Pinto

Na tarde de 23 de Dezembro de 1911, uma multidão ansiosa encheu a sala da Santa Casa da Misericordia de Lisboa para assistir à extracção da Loteria do Natal. Sentados em cadeiras collocadas em frente às duas enormes espheras de onde eram retirados os numeros vencedores, homens, mulheres e creanças esperavam pelo resultado do sorteio que lhes podia mudar a vida. Ao fundo da sala, muitos outros aguardavam de pé. A Illustração Portugueza de 1 de Janeiro 1912 descrevia que, na rua, a expectativa era ainda maior, com milhares de pessoas a occupar o Largo da Misericordia - algumas empoleiradas em arvores. Estava em jogo um primeiro premio de 240 contos de réis (cerca de 4,7 milhões de euros na moeda actual), guardados em maços de notas n'um cofre.
Era muito dinheiro para a epocha, pouco mais d'um anno após a queda da Monarchia e a proclamação da Republica. O Paiz era pobre: cerca de 75 por cento dos quasi seis milhões de habitantes dedicavam-se à agricultura e um trabalhador rural recebia em média 280 réis por dia (5,5 euros), que podiam chegar aos 500 (9.9 euros) na epocha das colheitas. Os operarios - 214 mil em 1907 - eram mais bem pagos: em Lisboa e no Porto, podiam ganhar entre 500 e 600 réis (11,9 euros)ao dia. As mulheres, por regra, recebiam metade do que era pago aos homens.

O 5 de Outubro de 1910


ilustração alusiva à implantação da República, C.M. Estremoz
Perfazem hoje 100 anos sobre a Revolução que pôs termo à Monarquia em Portugal e abriu caminho para a Proclamação da República. O Ministério da Educação constituiu uma Comissão para a comemoração da República e lançou um repto a todas as Escolas e Agrupamentos de Escolas do País para que aderissem a esta iniciativa. As Escolas e o Agrupamento Vertical das Escolas do concelho de Valpaços reagiram afirmativamente a esse apelo, através de actividades várias tivemos ocasião de assinalar neste blogue e cujo último evento decorreu no passado dia 1 de Outubro, também por nós noticiado. Hoje, na cidade de Valpaços, encontra-se a decorrer, desde as 10 horas mais uma cerimónia comemorativa do mesmo evento por iniciativa da Câmara Municipal que conta com a participação da Banda Municipal, integra uma sessão solene a realizar no auditório do pavilhão multi-usos com intervenções do Presidente do Município, Engenheiro Francisco Baptista Tavares e do Dr. António Montalvão Machado, Deputado da Assembleia da República, cerimónia esta que será encerrada pelas 15 horas com um concerto da Banda Municipal. O Programa foi publicado ontem no Notícias de Valpaços. (Nota póstuma: também já pode ver fotos da abertura da cerimónia em Valpassos d'Oje, e um interessante resumo, igualmente com fotos alusivas, das comemorações, em Lebução de Valpaços.)
Limitar-nos-emos hoje a divulgar os acontecimentos ocorridos na data comemorativa em referência, posto que as implicações dela emanadas na subsequente evolução política, social e económica portuguesa foram já devidamente tratadas e divulgadas por iniciativa das escolas do concelho e noticiadas neste e noutros meios de comunicação e divulgação exclusivistas ou generalistas. Uma equipa do Grupo de História do Agrupamento de Escolas de Valpaços, editou um panfleto ilustrado, em conformidade com o Plano de Actividades submetido a aprovação do Conselho Pedagógico, que se encontra em fase de divulgação nos respectivos estabelecimentos escolares desde o passado dia 1 de Outubro com este objectivo exclusivo – revelar os antecedentes, os acontecimentos históricos mais relevantes ocorridos na data em epígrafe, bem como o desfecho desses mesmos acontecimentos e suas implicações no contexto do tema da República em Portugal. É o teor desse panfleto que iremos publicar neste espaço.

A data de 5 de Outubro de 1910 representa o fim da Monarquia e a Implantação da República em Portugal.

OS ANTECEDENTES

Os últimos anos da Monarquia, em Portugal, foram vividos sob um clima de grande agitação e descontentamento por parte da população devido a uma série de factores de que destacamos: A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade. A República afigurou-se, à opinião pública, como a melhor alternativa para restaurar o prestígio perdido e colocar Portugal no caminho da modernidade. O Partido Republicado, criado em 1876, soube aproveitar esta situação, através de uma campanha política e doutrinária, paralelamente à cooperação de sociedades secretas da Maçonaria Portuguesa.
A 31 de Janeiro de 1891 deu-se a primeira tentativa de instauração do Regime Republicano, com a revolta ocorrida na cidade do Porto. Da varanda da Câmara Municipal do Porto fez-se a proclamação da República. Mas o cortejo festivo que se seguiu foi barrado por um forte destacamento da Guarda Municipal e a multidão civil entrou em debandada, e com ela alguns soldados. A primeira tentativa revolucionária republicana falhara, mas este acontecimento veio fortalecer ainda mais a determinação dos revoltosos.
A manifestação republicana de 31 de Janeiro, segundo a revista Ilustração
Com a ditadura de João Franco, que o rei D. Carlos favoreceu, colocando-o, em 1906, na presidência de um novo ministério, de modo a restaurar a ordem pública e controlar os adversários do regime, o descontentamento dos portugueses intensificou-se ao ponto de, dois anos mais tarde, ocorrer o Regicídio: A 1 de Fevereiro de 1908, quando regressavam a Lisboa vindos de Vila Viçosa, no Alentejo, onde haviam passado a temporada de caça, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro Luís Filipe foram assassinados em plena Praça do Comércio.

O Regicídio, 1 de Fevereiro de 1908, in  http://novaaguia.blogspot.com

Com apenas 18 anos sobre ao trono D. Manuel II, que viria a ser o último rei de Portugal. Inicialmente aclamado com a simpatia generalizada dos portugueses, procurou D. Manuel II nomear um governo de consenso. Mas os partidos monárquicos foram-se fragmentando e a situação política degradou-se, ao mesmo tempo que o Partido Republicado se tornava cada vez mais coeso e organizado. A revolução decisiva não tardou a eclodir, sob a égide de fervorosos membros deste partido que foram considerados os mentores da Revolução. Entre eles destacaram-se Magalhães Lima, Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António J. de Almeida, Eusébio Leão e Inocêncio Camacho (na imagem: De cima da baixo / esquerda para a direita).

Os mentores da Revolução


A REVOLUÇÃO

No Verão de 1910 a Revolução adivinhava-se. A 3 de Outubro começou a organizar-se a Revolução. Após o assassinato de Miguel Bombarda, ainda se pensou em adiá-la, mas por determinação do Almirante Cândido dos Reis, os planos mantiveram-se, e iniciaram-se as movimentações.

Os primeiros movimentos militares

Os principais chefes militares que comandaram as operações das forças militares em confronto foram o capitão Sá Cardoso e o Comissário Naval Machado Santos, pelos Republicanos, e o Capitão Paiva Couceiro pelas forças da ordem monárquica.

Sá Cardoso           Machado Santos           Paiva Couceiro
4 de Outubro de 1910

De madrugada soaram tiros e instalaóu-se o pânico entre os revolucionários. O Quartel de Marinheiros de Alcântara, que estava previsto revoltar-se, encontrava-se cercado pela Infantaria 1, Cavalaria 4 e Caçadores 2, fiéis à Monarquia. Na rua posicionavam-se 3 000 monárquicos com as baterias a cavalo. O capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria 16 partiu ao ataque do Palácio das Necessidades
O Comissário naval, Machado Santos, com praças do corpo de Infantaria 16 de Campo de Ourique, atacou o quartel de Artilharia 1. Com outra força de Infantaria 16 investiu sobre a esquadra de Polícia no Largo do Rato e armou os  civis que aí se voluntariaram.
Às 5 horas comandou as forças revoltosas que desceram a Avenida em direcção ao Rossio. Foram bombardeados, retrocederam para a Rotunda e fecharamm as entradas para as Avenidas Fontes e duque de Loulé.
Pelas 9 horas, Machado Santos dispunha apenas de 8 peças de artilharia e oomandou 9 sargentos e uma escassa guarnição de 200 homens, mas um grupo de civis armados acorreram à Rotunda para os auxiliar e resistiriam aí até à rendição das tropas fiéis à Monarquia.


Endurecimento e desfecho do conflito

4 e 5 de Outubro de 1910.

Às 12 horas e 30 minutos, as forças leais à Monarquia comandadas pelo Capitão Paiva Couceiro fustigavamm duramente a Rotunda com as baterias de Queluz. Às 14 horas os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeavam o Palácio nas Necessidades.

Os heróis da Rotunda

As tropas terrestres fiéis à causa republicana tinham-se instalado na Rotunda, onde sofriam um forte bombardeamento das forças monárquicas.
A situação era desesperante, chegando ao ponto de o capitão Sá Cardoso colocar a hipótese de depor as armas. Machado Santos, por seu turno, não se conformou com esta alternativa, chegando a afirmar que preferia a morte à rendição.
Às 6 horas do dia 5 de Outubro as forças revoltosas abriam fogo contra as forças do Rossio, enquanto de Queluz respondiam as baterias de Couceiro, que deu ordens para que começassem a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo. O confronto endureceu, até que, por fim, o General-chefe das forças monárquicas, Paiva Couceiro, vendo a sua causa perdida, assinou, às 9 horas, a acta da rendição.
Leitura da proclamação da República
na sessão inaugural das Câmaras Constituintes
Com a Familia Real de partida para o exílio, era, finalmente proclamada a República e em seguida foi  organizado um governo provisório presidido pelo respeitável republicano moderado Dr. Bernardino Machado.
O Governo Provisório, tal como foi anunciado e 5 de Outubro
Mas o governo provisório viria a sofrer algumas mudanças imediatas, com a saída de Basílio Teles do Ministério das finanças, no que foi substituído por José Relvas e também pelo abandono de António Luís Gomes do Ministério do fomento, substituído por Brito Camacho.

sábado, 2 de outubro de 2010

540.º Aniversário do nascimento de D. Isabel de Aragão e Castela, Rainha de Portugal

D. Isabel de Aragão e Castela foi a 16.ª Rainha de Portugal e a 6ª da Dinastia de Avis. Nasceu em Dueñas, a 2 de Outubro de 1470, filha de Fernando II de Aragão e de Isabel I de Castela. Casou em 1490, em Valência de Alcântara, com o Príncipe D. Afonso de Portugal, filho e herdeiro da Coroa de D. João II. Enviuvando de D. Afonso em 1491 (que faleceu com apenas 16 anos), D. Isabel voltou a casar, a 6 de Outubro de 1597, com o Rei D. Manuel I, primo direito do sogro, a quem havia sucedido no trono de Portugal a 25 de Outubro de 1495, goradas todas as tentativas deste em legitimar o seu filho bastardo, Jorge de Lencastre, que era o candidato da preferência do “Príncipe Perfeito” para a sua sucessão. Mas, após um reinado de pouco mais de oito meses, a Rainha veio a morrer em Saragoça a 28 de Agosto de 1498, ao dar à luz o Príncipe D. Miguel da Paz, que foi jurado herdeiro das coroas de Portugal, Castela, Leão, Aragão e Sicília, conforme o velho sonho de D. João II de centralizar na Coroa Portuguesa a união dos Estados Ibéricos. Porém, logo a 19 de Julho de 1500, com 21 meses de Idade, o jurado herdeiro, D. Miguel da Paz, falecia em Granada esfumando-se desta forma aquele velho sonho.

Das circunstâncias que rodearam a morte desta Rainha de Portugal, de efémero reinado e de curta e conturbada vida, ficou-nos um relato dramático e comovente que passamos a transcrever:

Em 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, a Rainha pariu com muito trabalho um filho, que chamaram D. Miguel, herdeiro dos reinos de Portugal, Castela, Leão, Sicília e Aragão, que morreria em Granada em 19 de julho de 1500 (aos 21 meses). Ao tempo em que pariu, presentes o Rei seu pai D. Fernando, a sua mãe Rainha D. Isabel, e o rei D. Manuel seu marido, e a teve em seus braços D. Francisco de Almeida […]. Morreu «à força de sangue que lhe soltara sem lho poderem estancar».

In http://pt.wikipedia.org , Categoria: Rainhas de Portugal
Imagem: Id

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Bicentenário da Batalha do Buçaco


Comemora-se hoje o 200.º Aniversário da Batalha do Buçaco que resultou numa clara vitória anglo-lusa sobre o exército invasor napoleónico comandado por Massena, vitória esta que é considerada como a que mais elevou a moral dos aliados, face à desmoralização das tropas francesas, e, portanto, talvez a mais decisiva batalha da guerra peninsular em favor dos primeiros.

A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia antiga), foi uma batalha travada durante a Terceira Invasão Francesa, no decorrer da Guerra Peninsular, na Serra do Buçaco, a 27 de Setembro de 1810. De um lado, em atitude defensiva, encontravam-se as forças anglo-lusas sob o comando do Tenente-general Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington. Do outro lado, em atitude ofensiva, as forças francesas lideradas pelo Marechal André Massena. No fim da batalha, a vitória mostrava-se nitidamente do lado anglo-luso.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Bu%C3%A7aco

Para mais informações sobre a batalha do Buçaco, segundo a mesma fonte, clique AQUI.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Combate de Valpaços

Por Leonel Salvado
Actualizado a 10 de Maio de 2011
Ficou também conhecido como Acção Valpaços, tratando-se de um dos sucessos da história militar de relevância nacional que ocorreu junto a esta localidade, na altura ainda aldeia, embora sede municipal, depois vila e hoje cidade. O grosso dos confrontos sucedeu nos sectores ocidental e setentrional da periferia oitocentista da povoação, ainda que alguns movimentos militares tivessem, esporadicamente, inflectido um pouco mais para Sul e para Nascente.

OS ANTECEDENTES
Foi uma das batalhas que fizeram parte das lutas liberais entre cartistas (apoiantes da Coroa e da Carta Constitucional) e setembristas (liberais radicais apoiantes da restauração da Constituição de 1822). Este período de guerra civil, a que se passou a designar de Patuleia vinha na sequência do movimento revolucionário que ficou conhecido por Maria da Fonte; afirmou-se na Primavera de 1846, contra o ministério cartista de Costa Cabral e foi despoletado pelo golpe de Estado de 6 de Outubro do mesmo ano, levado a cabo pelo duque de Saldanha (antigo setembrista que abraçou os ideais cartistas), com o apoio da rainha D. Maria II, a qual entendeu assegurar assim a manutenção do trono e da Carta, em aparente risco dada a progressiva intensidade de movimentos anti-cabralistas por todo o país. Os mais acirrados sinais de indignação e contestação perante aquele golpe palaciano, fizeram-se sentir na cidade do Porto, que era então o maior baluarte das hostes setembristas, e, logo aí, o presidente da Câmara, José Passos, mandou encarcerar no Castelo da Foz, o enviado especial da soberana, Duque da Terceira, e nomeou uma Junta Provisória do Supremo Governo do Reino, tal como o haviam feito, 26 anos antes, os primeiros revolucionários liberais do vintismo. No Norte do país, os mais famosos chefes militares setembristas estiveram com a Junta, designadamente os condes das Antas e do Bonfim e o Visconde de Sá da Bandeira. O Governador das Armas de Trás-os-Montes,  Barão do Casal, manteve-se fiel à Rainha e a Saldanha e para dar as melhores provas da sua lealdade apressou-se em reunir toda a tropa que lhe foi possível arregimentar, e com ela partiu de Chaves, a 23 de Outubro de 1846, disposto a atacar a Junta do Porto e ganhar nesta cidade novos partidários. Contudo, em Valongo deu de caras com as forças do Visconde de Sá da Bandeira, General da Junta do Porto, retrocedendo e optando por fazer a travessia do Douro para se juntar às forças do marquês de Saldanha, que actuava na Beira. Com essa intenção passou a Régua, no dia 4 de Novembro, e preparou-se para transpor o rio, pelo Pinhão, mas o Barão de Castro Daire, avisado da sua marcha, impediu-lhe a passagem, fazendo encostar na margem esquerda todas as embarcações que aí se encontravam. Resignado perante o malogro de mais um dos seus intentos, retirou-se para Chaves, pelo caminho de Sabrosa, onde deu entrada quatro dias depois. Entretanto, Sá da Bandeira, que resolvera ir no encalço do Governador das Armas de Trás-os-Montes e dar-lhe batalha onde pudesse nos seus próprios domínios, passou a noite de 10 de Novembro em Carrazedo de Montenegro e dois dias depois assentava arraiais na Veiga de Chaves, estabelecendo em Faiões o seu quartel-general. Mas a 15 de Novembro, por razões que nunca foram devidamente esclarecidas, especulando-se que devido a alguma desconfiança do General quanto à lealdade dos seus regimentos de Infantaria 3 e 15, Sá da Bandeira desistiu da tomada de Chaves e ordenou aos seus homens que iniciassem a retirada em direcção a Mirandela. Pernoitaram as duas brigadas em Ervões e Vilarandelo, e a 16 de Novembro foi retomada a marcha, com uma curta paragem em Valpaços, prosseguindo a mesma na direcção de Rio Torto. Para sua surpresa, porém, chega-lhe a informação de que o Barão do Casal vinha em sua perseguição e se encontrava nas proximidades de Valpaços.

A “ACÇÃO VALPAÇOS”
Confirmada a aproximação a Valpaços do exército cartista, Sá da Bandeira fez retroceder as suas divisões aos limites da povoação e preparou-se para o confronto com as forças favoráveis à rainha e à Carta Constitucional.

As forças em confronto e as primeiras posições de combate
Como sublinha o Padre Vaz de Amorim, em artigo redigido em 1944 e publicado na Revista Aquae Flaviae, O Barão do Casal, que contou com a cooperação militar do Visconde de Vinhais, chefiava, desde o dia 23 de Outubro de 1846, uma brigada composta pelos Regimentos de Cavalaria 6 e 7, pelo batalhão de Caçadores 3 e pelo Regimento de Infantaria 13.

PRIMEIRAS POSIÇÕES DE COMBATE - 16 DE NOVEMBRO DE 1846
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Foi a maioria destas forças disposta em posições topograficamente vantajosas no alto de Mempaz, por cima do Barreiro, e as restantes em locais contíguos à área ocupada pelas forças inimigas, que assinalaremos adiante.
Segundo o mesmo autor, que se baseou nas informações do general Ribeiro de Carvalho e que constam na sua obra Chaves Antiga, o Visconde de Sá da Bandeira havia partido do Porto com uma divisão composta por duas brigadas: Uma brigada constituída por Infantaria 3, Guarda Municipal do Porto, 1º batalhão dos Artistas da cidade do Porto e um contingente do 2º batalhão da mesma unidade; uma outra brigada formada por Infantaria 15, um contingente de Artilharia 3 e pelos batalhões de Vista Alegre e de Baião.
Tratou o General da Junta do Porto de posicionar uma parte da sua divisão, constituída pela Guarda Municipal do Porto, o batalhão dos Artistas da mesma cidade e o batalhão de Vista Alegre fora da Vila, a Sul e no caminho de Ervões, desde o cimo da Cortinha Grande até à Veiga; para assegurar a esquerda da linha defensiva foram os regimentos de Infantaria 3 e 15 e o batalhão de Baião colocados em vários dos pontos mais altos da Cortinha Grande, Vale-das-Amoreiras e Fontainhas.

A primeira fase dos combates
Iniciou-se o confronto por volta das 3 horas e trinta minutos da tarde de 16 de Novembro (uma Segunda Feira) de 1846 quando o Visconde de Vinhais avançou sobre a esquerda da linha defensiva de Sá da Bandeira, ao comando de uma parte da Cavalaria, algumas forças do batalhão de Caçadores 3 e da Infantaria 13, soltando vivas à Rainha e à Carta e acercando-se dos Regimentos de Infantaria 3 e 15. A soldadesca da Infantaria 3 depressa se rendeu à causa cartista e as praças do Regimento de Infantaria 15 seguiram-lhes o exemplo, rebelando-se contra as ordens do seu comandante, o coronel Feio, que havia dado ordens para que formassem em quadrado de modo a resistirem à Cavalaria inimiga. Foi o coronel imediatamente preso, juntamente com outros oficiais que também insistiram em manter a sua lealdade a Sá da Bandeira e à causa dos patuleias.

DESENVOLVIMENTO DO CONFRONTO - 16 DE NOVEMBRO DE 1846
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Apanhados no meio de tal confusão os populares do batalhão de Baião precipitaram-se sobre o reduto onde se dera à traição, crendo que a cavalaria tinha sido dominada pelos seus, mas foram logo recebidos a tiro pelos próprios regimentos traidores e seus novos aliados, debandando e, em grande desordem, perseguidos pela Cavalaria ao longo dos trilhos, matas e pinhais de Rio-de-Lobos, Guitarro e Carrapata que se estendiam em direcção a Rio Torto, sendo por ali massacrados e alguns dos seus cadáveres barbaramente mutilados.
Desta traição surgem ecos na imprensa regional coeva, tal como se dava conta "António Rodrigues Sampaio,  jornalista e político no Portugal Oitocentista", segundo o livro publicado com este título por um grupo de autores sob coordenação de Jorge Pedro Sousa, que do referido jornalista fazem a seguinte citação, um pouco vaga mas suficientemente elucidativa:

«O estandarte popular tremula em todo o país. A opressão tem por seu apenas os palmos de terra que pisa. (…) A resistência foi simultânea no Porto, Coimbra e Algarve. (…) Em Viana do Alentejo derramou-se em batalha campal o primeiro sangue. (…) O Alentejo ficou livre (…). Em Trás-os-Montes, a causa popular foi menos feliz. O povo decidiu-se logo por ela (…), mas traído pelo barão do Casal levantaram mãos (…) contra os seus próprios pais e irmãos – Vagabundos e fugitivos, percorreram esses soldados algumas terras do Minho, que assolaram com as suas violências (…) – fugiram das vista do Porto e foram encurralar-se em Chaves (…). O que não pôde fazer o valor, fê-lo o ouro (…) e na acção de Valpaços, por uma vergonhosa traição, (…) entregaram-se.» [1]

Rompida a esquerda defensiva organizada peloVisconde de Sá da Bandeira, esteve este mesmo General da Junta do Porto em risco de ser capturado pela infantaria inimiga, não fora a pronta intervenção do seu ordenança, mais tarde celebrizado com o nome de Zé do Telhado, que arrojadamente o resgatou das mãos de alguns infantes, acto que iremos descrever mais para a frente neste artigo. Sob vigilante guarda do seu fiel ordenança, Sá da Bandeira foi conduzido em segurança para os Penascais, na estrada de Rio Torto.

O confronto final e o seu desfecho
Observando do sítio dos Penascais que o fogo continuava e que a linha de defesa parecia recompor-se, Sá da Bandeira voltou a ela, percorrendo-a e encarando de novo o inimigo no local do Barreiro. Enquanto anoitecia, o combate tornava-se mais aceso, disputando-se o terreno palmo a palmo, sem ganhos significativas de parte a parte. Uma porção do que restava das forças de Sá da Bandeira tentou ainda heroicamente subir as vinhas da Veiga e confrontar o inimigo naquele mesmo sítio do Barreiro. Nesta fase mais viva, mas ainda de incerteza quanto aos resultados da peleja, o fogo estendia-se em arco de círculo desde o Vale-das-Amoreiras até à Freixeda.

BATALHA FINAL - AO ESCURCER DE 16 DE NOVEMBRO DE 1846
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Cederam, por fim, já noite adentro os patuleias, e, segundo a descrição coeva da batalha registada numa folha de papel almaço por Constantino de Castro, salvaguardado pelo filho, Joaquim de Castro Lopo e, enfim publicada pelo neto, Constantino de Castro Lopo, em “O concelho de Valpaços, por Valbel” (L. Marques, 1954, pp. 87- 90), Sá a Bandeira, na companhia de todo o seu contigente, «recolheu a Valpaços e pela meia noite marchou estrada de Murça», acrescentando (em nota) que lhe serviu de guia «um popular de Valpaços de nome Luís Teixeira Ferlim, por alcunha o 'Sete fêmeas'». Segundo Castro Lopo, foram apenas em número de dezassete as vítimas mortais resultantes do combate e em número de quatro os feridos.

Considerações finais sobre a batalha
A retirada «por Murça até ao Pinhão onde as tropas liberais de Sá da Bandeira tomaram barcos e regressaram ao Porto pelo rio Douro» (“João da Ribeira, Revista Aquae Flaviae) selava  a derrota dos patuleias na “Acção Valpaços”, sendo assim que é considerada na História de Portugal.
Da sua retirada para o Porto, regista ainda o jornalista António Rodrigues Sampaio os sucessos cometidos por Sá da Bandeira no  inesperado confronto a que ainda foi sujeito contra  as forças de MacDonell, chefe liberal dos miguelistas que entretanto fora aliciado pelos cabralistas:

«McDonell [chefe dos rebeldes miguelistas] foi chamado entre nós pelos cabralistas (…) e ousou atacar as forças do visconde de Sá na sua marcha para o Porto. O resultado desta ousadia foi deixar no campo (…) 17 mortos, muitos prisioneiros, e escapar ele mesmo por uma precipitada fuga para ir contar ao seu cúmplice Casal a notícia da sua derrota.» [2]
  
Encarada, todavia sob o ponto de vista dos seus resultados práticos e até à luz da ética militar, existem óbvias objecções quanto à legítima vitória dos partidários da rainha e da glória que seria de lhes caber na Acção Valpaços.
Uma dessas objecções surge-nos na expressão do general Ribeiro de Carvalho, cuja obra já foi por nós mencionada, e encontrámos citada pelo mesmo Padre Amorim da seguinte forma:

«As tropas da patuleia foram enfraquecidas por uma traição e as do governo não souberam aproveitar a sua superioridade numérica, abandonando o campo do inimigo, sem que sobre ele tivessem alcançado qualquer resultado decisivo». [3] 

Outra objecção retira-se da memória das populações das imediações de Valpaços, sobretudo da de Vilarandelo, acerca dos roubos e estragos aí praticados durante e após os confrontos militares, memória essa registada no papel por Joaquim de Castro Lopo e pelo mesmo realçada numa pequena anotação que é a seguinte:

«Foram tão grandes os roubos e estragos causados pelas tropas do Casal em Vilarandelo que ainda hoje (1942) estão vivos na lembrança do povo.» [4]

Ainda a propósito dos excessos cometido em Vilarandelo pelas tropas do Casal se faz eco A. Veloso Martins, nos seguintes termos:

«Terminada a violenta refrega, as tropas do Casal, na euforia da vitória, subiram a Vilarandelo a pilhar e a saquear a indefesa população» [5]

Tais excessos, também praticados em outros lugares, como em Ervões, contrastaram, segundo o insigne autor valpacense, com a brandura e probidade com que geralmente se portou a gente de Sá da Bandeira. Apesar do indecoroso, aliás irónico, comportamento da soldadesca confiada ao General das Armas de Trás-os-Montes contra a própria gente da sua circunscrição, deixou o mesmo Joaquim de Castro Lopo algumas notas de justa homenagem, mais tarde sucintamente relembradas por Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços, sobre a dignificante postura da população desta povoação que, segundo este último autor, tratou de dar piedosa sepultura aos mortos no seu cemitério e o melhor tratamento aos feridos, sem olhar a partidos. Observe-se que, segundo Castro Lopo, 4 dos 17 mortos sepultados no cemitério de Valpaços pertenciam às forças do Casal, sendo um de Cavalaria, um de Caçadores e dois do Regimento de Infantaria 13. Acerca do tratamento dado aos quatro feridos, ele foi prestado, segundo a mesma fonte, com a «caridade digna de todo o elogio, sendo assiduamente assistidos pelos hábeis facultativos, o médico Zeferino José Pinto e o cirurgião Garcês

A Acção de José do Telhado

Desenho e guache de Leonel Salvado
Não obstante o desaire dos patuleias na Acção Valpaços, destacou-se nela o feito heróico de uma das figuras das fileiras da Junta do Porto, José Teixeira, a quem se deve o salvamento da vida do respectivo general, o Visconde de Sá da Bandeira, na ocasião da traição dos regimentos 3 e 15. Imortalizado mais tarde pela tradição com o nome de José do Telhado por actos menos honrosos, adquiriu em todo o país a fama de fora-da-lei e de temido salteador, cujas façanhas mereceram a atenção de destacados escritores e autores de Banda Desenhada que o retratam nas suas obras. A sua invulgar bravura em batalha já havia sido notada pelo duque de Saldanha na Revolta dos Marechais, em 1837, enquanto lanceiro da Rainha, tendo sido por recomendação do mesmo Saldanha que passou a ordenança nas hostes de Sá da Bandeira. Diz-se que, sendo já sargento, em 1847, por ocasião da Convenção do Gramido (que pôs termo às guerras da Patuleia), arrancou as divisas e se fez salteador. Existem várias versões, nem todas condizentes, a respeito dos pormenores acerca da sua arrojada acção em Valpaços, das quais prefiro transcrever a que retirou Joaquim de Castro Lopo das Memórias do Cárcere, contada pelo próprio Zé do Telhado a Camilo de Castelo Branco, com quem conviveu nos calabouços da Relação do Porto e quem a registou na sua obra, entre de outras façanhas que o bravo proscrito lhe foi relatando.

«Quem nesta ocasião [da entrega dos dois regimentos, 3 e 15] valeu a Sá da Bandeira foi o mais tarde célebre salteador José do Telhado. Este acompanhava Sá da Bandeira como ordenança. Na passagem dos dois regimentos de infantaria, um soldado de infantaria lançou a mão às rédeas do cavalo do general, outro fez-lhas largar. José do Telhado que tudo presenciou, tomando as rédeas do cavalo do general e metendo o seu a galope, obrigou os cavalos a saltarem um valado. No mesmo momento algumas balas passaram por cima da cabeça de Sá da Bandeira, lançadas pelas espingardas de soldados de um dos regimentos traidores. Três soldados de cavalaria carregaram sobre Sá da Bandeira. José do Telhado fez-lhes rosto. Desarmou um, feriu outro mortalmente e ao terceiro que ia fugindo, varou-o pelas costas. Cumprida esta façanha, José do Telhado recebeu das mãos do general a condecoração da Torre e Espada.» [5]

Referências

[1]SOUSA, Jorge Pedro et alii, António Rodrigues Sampaio, jornalista (e) político no Portugal Oitocentista, Labcom 2011, p. 112.
[2] Id. Ibid., p. 116
[3] AMORIM, Padre João Vaz de, Revista Aquae Flaviae, n.º 14, 1995, p. 196
[4] LOPO, Joaquim de Castro, O Concelho de Valpaços, por Valbel, Lourenço Marques, 1954
[5] MARTINS, A. Veloso, Monografia de Valpaços, Lello & Irmão, 2.ª edição, Porto 1990, p.75
[6]LOPO, Joaquim de Castro, id. Ibid. 

 Nota Final: A reconstituição cartográfica aqui elaborada, em três partes, é de limitado rigor, e portanto, sujeita a modificações. Em todo o caso, cumpre dirigir uma palavra de agradecimento ao Sr. Manuel Terra pela diligente colaboração prestada na exacta localização de alguns topónimos mencionados nos documentos antigos que consultei relativos ao combate de Valpaços. Uma nota de agradecimento ainda a João António Vaz, natural de Valpaços, a quem ficámos a dever a  referência bibliográfica que nos foi proveitosa e se encontra assinalada em [1]  e [2].

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Há 46 anos

No dia 2 de Setembro de 1964 faleceu, aos 70 anos de idade, Francisco Higino Craveiro Lopes em Lisboa, na mesma cidade onde havia nascido a 12 de Abril de 1894. General desde 1949, foi o 12.º Presidente da República portuguesa, precedido pelo Marechal Carmona. Exerceu o seu mandato de 21 de Julho de 1951 até 9 de Agosto de 1958, sucedido na presidência da República por Américo Tomás, após o que se retirou da vida política activa, e foi feito Marechal. Tem-se afirmado que terá continuado a manifestar a sua alegada simpatia pelos movimentos oposicionistas, havendo fortes indícios de que esteve implicado no golpe de Botelho Moniz de Abril de 1961, sendo esta a razão porque o integramos no presente bolgue como uma das “Figuras controversas da História Nacional”. Faleceu durante a noite, na data que indicámos, em circunstâncias pouco claras, mas mais provavelmente em consequência de um enfarte de miocárdio.

Imagem: purl.pt
Para aceder a mais detalhes biográficos a respeito de Francisco Craveiro Lopes, clique AQUI.

Há 73 anos

A 2 se Setembro de 1937, o governo português chefiado pelo Dr. António de Oliveira Salazar, declarava a sua neutralidade face aos conflitos da II Guerra Mundial.


Para aceder a um interessante trabalho de investigação sobre Portugal e II Guerra Mundial clique AQUI.

Imagem: http://modernacontemp.freewebpages.org/mod2guerramundialcrono.htm

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Há 99 anos


Destaque da notícia da eleição de Manuel de Arriaga

A 24 de Agosto de 1911, Manuel de Arriaga era eleito Presidente da República por um mandato de 4 anos.
Na realidade, esta data serve para marcar a primeira experiência eleitoral para as Presidenciais da História de Portugal, e Manuel de Arriaga é referenciado como o primeiro Presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo a Teófilo Braga que até aí presidiu ao Governo Provisório, ainda que mais tarde esta sucessão de invertesse em virtude da abdicação do primeiro em favor do segundo. Trata-se, portanto, de uma data de relevância histórica comemorativa, ainda que a tenhamos inserido aqui na categoria de Instantâneos [Nacional].

Imagem: http://coisasdopassado.blogspot.com/2008_08_01_archive.html

Para aceder a uma síntese biográfica a respeito de Manuel de Arriaga e das circunstâncias da sua eleição, clique AQUI.

Há 190 anos

Alegoria à revolução liberal de  1820, no Porto

A 24 de Agosto de 1820 teve início em Portugal a Revolução Liberal que iria conduzir o país à Monarquia Constitucional e à República, entrecortada por alguns regimes ditatoriais, e à Democracia. Trata-se, por conseguinte, de uma data comemorativa de extraordinária importância.


Para aceder a uma síntese acerca do contexto histórico deste evento clique AQUI.

Imagem: http://faceaovento.wordpress.com/2009/12/21/

218.º Aniversário do nascimento de Joaquim António de Aguiar

Joaquim António de Aguiar (Coimbra, 24 de Agosto de 1792 — Lavradio, 26 de Maio de 1884) foi um político português do tempo da Monarquia Constitucional e um importante líder dos cartistas e mais tarde do Partido Regenerador. Foi por três vezes chefe de Governo de Portugal (1841–1842, 1860 e 1865–1868, neste último período chefiando o Governo da Fusão, um executivo de coligação dos regeneradores com os progressistas. Ao longo da sua carreira política assumiu ainda várias pastas ministeriais, designadamente a de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça durante a regência de D. Pedro nos Açores em nome da sua filha D. Maria da Glória. Foi no exercício dessa função que promulgou a célebre lei de 30 de Maio de 1834, pela qual declarava extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares, sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Essa lei, pelo seu espírito anti-eclesiástico, valeu-lhe a alcunha de o Mata-Frades.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Ant%C3%B3nio_de_Aguiar

domingo, 15 de agosto de 2010

Há 476 anos

A fundação da Companhia de Jesus
Em 15 de Agosto de 1534, Inácio e seis outros estudantes (o francês Pedro Fabro, os espanhóis Francisco Xavier, Alfonso Salmerón, Diego Laynez, e Nicolau de Bobadilla e o português Simão Rodrigues) encontraram-se na Capela dos Mártires, na colina de Montmartre, e fundaram a Companhia de Jesus - para "desenvolver trabalho de acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém, ou para ir aonde o papa nos enviar, sem questionar". Em 1537 viajaram até Itália em busca de aprovação papal da sua nova ordem. O Papa Paulo III concedeu-lhes a recomendação e autorizou que fossem ordenados padres, o que sucedeu em Veneza, pelo bispo de Arbe, em 24 de Junho. Devotaram-se inicialmente a pregar e em obras de caridade em Itália. A guerra reatada entre o imperador, Veneza, o papa e os turcos seljuk, tornava qualquer viagem até Jerusalém pouco aconselhável.
Na companhia de Fabro e Laynez, Inácio viajou até Roma, em Outubro de 1538, para pedir ao papa a aprovação da ordem. A congregação de cardeais deu parecer positivo à constituição apresentada, e, em 27 de Setembro de 1540, Paulo III confirmou a ordem através da Bula "Regimini militantis Ecclesiae", que integra a "Fórmula do Instituto", onde está contida a legislação substancial da Ordem, cujo número de membros foi limitado a 60. A limitação foi porém posteriormente abolida pela bula Injunctum nobis de 14 de Março de 1543. Inácio de Loyola foi escolhido para servir como primeiro superior geral. Ele enviou os seus companheiros e missionários para vários países europeus, com o fim de criar escolas, liceus e seminários.