terça-feira, 22 de junho de 2010

Portugal ignora herança árabe

Ana Cristina Silva escreveu romance sobre a vida de Al-Mu’Tamid, o rei-poeta quase esquecido pelos portugueses mas idolatrado em várias regiões do globo

Ao sétimo romance, Ana Cristina Silva volta a partir de dados históricos concretos para sondar os elementos intemporais da natureza humana. Em Crónica do rei-poeta Al-Mu'Tamid (Editorial Presença), escreve sobre a vida de um soberano que, embora nascido em Portugal, caiu no esquecimento entre os seus, em contraste com o profundo respeito que continua a merecer não só em Espanha como nos países árabes em geral.

Como surgiu o interesse pela vida do rei-poeta Al-Mu?Tamid?
Pela leitura da sua poesia – fabulosa –, que conheci graças à divulgação que Adalberto Alves fez da vida do rei- poeta e da cultura árabe do Al- Andalus.

A pesquisa foi a componente mais difícil do seu trabalho?
Não foi assim tão complexo. Para quem é investigadora na vida profissional e tem pouco tempo, há que ir ao essencial, ou seja, consultar livros sobre a história da península na época, toda a a obra do Adalberto Alves, e “Portugal na Espanha Árabe” de Borges Coelho, porque tem muitos documentos da época. E, naturalmente, um estudo aprofundado da poesia do rei-poeta.

Onde acaba a biografia e começa a ficção no presente livro?
Impus certos limites pelos acontecimentos da época. Isso é necessário ao rigor histórico. Mas é um livro de ficção, na medida em que, a partir da poesia dele, fiz uma reinterpretação das suas posições em relação à política, ao amor, à guerra, etc. Mais do que a ilustração de uma situação histórica, gosto de usar as situações históricas e as suas personagens para abordar o que é intemporal na natureza humana.

Como se explica o desconhecimento em redor de Al-Mu?Tamid?
O principal motivo é uma certa negligência portuguesa em relação ao património cultural e, em particular, à nossa herança árabe. Al-Mu’Tamid nasceu em Beja, foi governador nominal de Silves durante a sua adolescência, mas foi muito mais” apropriado” pelos espanhóis como sendo uma figura histórica do seu país. Por exemplo, os mil anos da morte do rei em 1995 foram objecto de intensas comemorações em Sevilha. Em Portugal não se ouviu sequer falar do assunto, e, estamos a falar de uma figura que tem poesias inscritas nas célebres “Mil e uma noites” e que, a par de Omar Khyyam, é considerado um dos melhores poetas de sempre da cultura árabe.

Que revelações a surpreenderam mais no decurso da pesquisa?
O que houve foi um desafio. Este é o meu sétimo romance, mas nunca tinha escrito nenhum em que a personagem central fosse um homem. E este não é um homem qualquer, é um árabe, tem um harém, é um guerreiro e um poeta. Conseguir ser plausível neste quadro de referências, numa linguagem que respeite um certo tom específico à cultura árabe e fazê-lo na primeira pessoa, não é muito fácil.

Al-Mu?Tamid era um rei culto e sensível. Era uma excepção ou abundavam monarcas assim?
Ele era sensível, mas muito susceptível a ataques de irascibilidade, o que era aliás também uma características do pai, Al- Mu´tadid. Mas as cortes das taifas árabes eram centros de cultura. Os melhores filósofos, poetas e matemáticos de todo o mundo árabe da época frequentavam a sua corte em Sevilha. Era melhor como protector das artes e poeta do que como homem de estado e político. Desse ponto de vista, pode-se afirmar que conduziu uma política governativa desastrosa.

Que critérios coloca em relevo quando escolhe uma figura histórica sobre a qual deseja escrever?
Tem de me apaixonar. Escrever dá imenso trabalho e exige disciplina. Sobretudo numa época em que os livros duram dois meses nas livrarias. Escrevi sobre Al-Mu´Tamid por várias razões. Interessava-me explorar na personagem o cruzamento entre a sensibilidade artística de poeta e as manobras maquiavélicas associadas às questões do poder. Também me interessava o desafio de explicar como se chega ao ponto de matar o melhor amigo.

Lecciona Psicologia da Comunicação e os seus romances são complexos a este nível. É a marca fundamental do que escreve?
Sim, a par do cuidado com a linguagem. Uso a linguagem ao serviço das personagens e do conflito, ou melhor dos vários tipos de conflitos que são intemporais, relativos ao amor, à guerra e ao poder que atravessam as personagens.

Sérgio Almeida
In http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1599345
Imagem: http://www.saudiaramcoworld.com/issue/200407/images/POET_6_55194.gif

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lei da memória histórica

Ontem, foi o Dia Mundial dos Refugiados, como tivemos a oportunidade de assinalar. A um dia de distância desta sentida celebração de uma realidade que, lamentavelmente para a Humanidade, persiste em larga escala nos nossos dias,  entendemos deixar aqui um singelo contributo para a devida homenagem  póstuma às vítimas do franquismo e da guerra civil, os refugiados espanhóis, mas também os portugueses da raia transmontana que os acolheram e, em sua defesa, com eles padeceram as agruras desses tempos, fazendo eco das memórias de um valpacense que não só conheceu essa dura realidade, como também soube retratar num sublime discurso de inconformismo face à indeferença que os poderes instituídos têm demonstrado perante um dos episódios dessa mesma realidade ocorrida numa das terras do seu concelho. É o testemunho desse valpacense que decidimos aqui reproduzir, na própria letra do seu inflamado discurso.

Passaram 70 anos mas as feridas ainda não sararam, a terapia do esquecimento pode ter pacificado o passado mas não o resolveu…
A Guerra Civil Espanhola foi do outro lado da rua e por consequência na nossa rua, somos raianos, ainda que desde crianças, tenhamos ouvido o ditado popular “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”, foi a nós que muitos deles recorreram nesse período doloroso, trágico e de aflição e é a eles que nós recorremos quando o ambiente interno começa a ficar pesado.

domingo, 20 de junho de 2010

Cientistas descobrem restos mortais do pintor Caravaggio

O Comité Caravaggio, constituído por cientistas italianos, anunciou a descoberta de restos mortais do pintor, identificados através de análises, informa a agência AFP. Em comunicado, a equipa revelou que «os restos mortais encontrados pertencem a Michelangelo Merisi - verdadeiro nome do pintor - com uma probabilidade de 85 por cento», após um ano de pesquisas. Caravaggio morreu alegadamente de malária na região de Maremma, no sul da Toscana, e foi enterrado num cemitério de Porto Ercole, de onde o corpo foi retirado em 1956 para ser sepultado na cripta da igreja. Quatro universidades italianas juntaram-se para esclarecer a morte, envolta em mistério, do pintor que revolucionou a história da arte. A investigação foi liderada pelo professor de antropologia óssea, Giorgio Grupponi, da Universidade de Bolonha. Em Dezembro, os cientistas retiraram grandes quantidades de restos mortais para transportar até Ravena, onde fica localizado o departamento de antropologia da universidade. Os investigadores examinaram restos mortais de cerca de 200 pessoas. Os ossos identificados como pertencentes a Caravaggio datavam de um período que abrangia o ano da sua morte (1610) e eram de um homem com idades entre os 38 e os 40. Outro indício que comprovou a tese foi o facto de Caravaggio sofrer de saturnismo, intoxicação por chumbo, e os ossos apresentarem uma elevada taxa do componente. «Durante as pesquisas, o comité deduziu que o pintor sofria de intoxicação por chumbo e sífilis (...) Sobre as causas da morte (...) nós consideramos credível a hipótese de infecção generalizada», refere o comunicado.

TVi24

Por PAVAROTY, 20 de Junho de 2010, in http://atlasdeportugal.blogspot.com/ (Viseu Cidade Viriato)

Dia Mundial dos Refugiados



A 20 de Junho de cada ano, por iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ACNUR, o mundo honra o valor, a resistência e a força dos refugiados. No dia Mundial dos Refugiados, milhares de organizações em centenas de países unem-se para fazer ouvir as dificuldades que passam os refugiados e as causas do seu exílio, como a sua determinação e vontade de sobreviver, para além dos contributos dados pelas comunidades de acolhimento.

Frequentemente confundidos com emigrantes económicos, os refugiados não fogem dos seus países por motivos económicos, mas sim da perseguição, da ameaça de prisão e das ameaças às próprias vidas. Necessitam de um lugar seguro onde possam recuperar dos traumas mentais e físicos e reconstruir a esperança num futuro melhor. Todavia, a intolerância que frequentemente é a causa de fuga de muitos refugiados, está também presente em muitos dos países onde chegam, pelo que, em vez de encontrarem compreensão, encontram sentimentos de desconfiança e desprezo.

O Dia Mundial dos Refugiados deve fazer-nos lembrar que poderia ser um de nós a ter de abandonar o nosso país e procurar um tecto seguro no estrangeiro. Nesse sentido é nossa obrigação oferecer aos refugiados o mesmo acolhimento que esperaríamos encontrar para nós próprios.

Neste dia deve ser também homenageado o esforço e a determinação dos refugiados, para onde quer que se dirijam, em levantarem-se das cinzas e começarem de novo na reconstrução das suas vidas

in http://blogs.sapo.pt/users/passamos_como_o-rio/2007/06/

sábado, 19 de junho de 2010

A proclamação da República Democrática, a nova bandeira e o hino nacional na sessão inaugural da Assembleia Nacional Constituinte



Após a Revolução e depois das eleições realizadas em 28 de Maio de 1911, foi constituída uma Assembleia Nacional Constituinte que tinha por competência única elaborar e apresentar uma Constituição. O seu regimento interno data de 7 de Julho de 1911. A Assembleia Nacional Constituinte reuniu pela primeira vez em 19 de Junho de 1911 e as primeiras leis votadas foram a da abolição da Monarquia e proclamação da República Democrática; a da nova bandeira e a do Hino Nacional.


A Nova Bandeira

Foi o artista Columbano Bordalo Pinheiro que por assim dizer "juntou" os elementos impostos pela recém-nascida República para compor a bandeira de Portugal. Pessoalmente, acho o resultado sobrecarregado de símbolos. Além disso a escolha do vermelho junto ao verde parece-me berrante em demasia ou não fossem elas duas cores complementares no círculo cromático. Acho pena serem precisamente as cores da bandeira da Carbonária, um grupo anarquista e terrorista que semeou o terror no princípio do século XX.

Columbano pouco mais teve de fazer do que respeitar o número dourado e é claro o bom senso artístico. É como fazer um bom cozido à portuguesa com a obrigação de introduzir na receita ketchup, mostarda de Dijon, etc...

Mas é a nossa... temos de aprender a amá-la.

Texto e ilustração de Gio, in http://faltaapagarolapis.blogspot.com/2010/06/bandeira-de-portugal.html



O Hino Nacional

A Portuguesa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Em Portugal, a reacção popular contra os ingleses e contra o governo português, que permitiu esse género de humilhação, manifestou-se de várias formas. "A Portuguesa" foi composta em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizada desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, numa tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911. A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) — onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses — veio substituir o Hymno da Carta, então o hino nacional desde Maio de 1834. Em 1956, existiam no entanto várias versões do hino, não só na linha melódica, mas também nas instrumentações, especialmente para banda, pelo que o governo nomeou uma comissão encarregada de estudar uma versão oficial de A Portuguesa. Essa comissão elaborou uma proposta que seria aprovada em Conselho de Ministros a 16 de Julho de 1957, mantendo-se o hino inalterado deste então. Nota-se na música uma influência clara do hino nacional francês, La Marseillaise, também ele um símbolo revolucionário (ver revolução francesa). O hino é composto por três partes, cada uma delas com duas quadras (estrofes de quatro versos), seguidas do refrão, uma quintilha (estrofe de cinco versos). É de salientar que, das três partes do hino, apenas a primeira parte é usada em cerimónias oficiais, sendo as outras duas partes praticamente desconhecidas. A Portuguesa é executada oficialmente em cerimónias nacionais, civis e militares, onde é prestada homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Do mesmo modo, em cerimónias oficiais no território português por recepção de chefes de Estado estrangeiros, a sua execução é obrigatória depois de ouvido o hino do país representado. A Portuguesa foi designada como um dos símbolos nacionais de Portugal na constituição de 1976, constando no artigo 11.°, n.º 2, da Constituição da República Portuguesa (Símbolos nacionais e língua oficial)

In http://galeriaphotomaton.blogspot.com/2010/01/portuguesa-hino-nacional-da-republica.html

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu José Saramago

Um talento universal que ficará para a História. Isto, apesar dos políticos de lamaçal, de críticos medíocres apressados como crianças em dar notas e estrelinhas para "qualificar" as suas obras. Num país onde mora a mesquinhice e a inveja dirigida particularmente aos próprios compatriotas, Saramago chegou à glória graças à sua excelência. (E mais uma vez devido à opinião estrangeira). Novamente Portugal (?) foi padrasto para mais um dos seus filhos mais brilhantes. Não é novidade. José Saramago morreu sempre dignificando e amando Portugal. Mas o amor nem sempre é recíproco. Hoje morreu José de Sousa "Saramago"- Escritor português, virtuoso da língua portuguesa.
Por tudo, obrigado José.
"Mas porque é que vocês se ficam pela rama das coisas?"
 José Saramago

Texto e ilustração de Gio, in http://faltaapagarolapis.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A primeira travessia aérea do Atlântico Sul

Foi há 88 anos que Gago Coutinho e Sacadura Cabral ficaram conhecidos internacionalmente, ao realizarem a primeira viagem aérea entre a Europa e a América do Sul , cumprindo o último troço do trajecto entre Lisboa e o rio de Janeiro, a bordo do Hidrovião Santa Cruz, no dia 17 de Junho de 1922.

A primeira etapa desta heróica viagem que se inciciou em Lisboa às 16:30 horas do dia 30 de Março desse ano, num hidroavião monomotor Fairey FIII-D MkII, com um motor Rolls-Royce e baptizado de "Lusitânia", terminou tranquilamente em Las Palmas nas Ilhas Canárias, onde os tripulantes se demoraram até 5 de Abril. A partir daí sobrevieram os maiores perigos e incidentes, como os que sucederam logo na etapa seguinte que os aeronautas cumpriram a muito custo, escalando na ilha de S. Vicente, no arquipélago de Cabo Verde, com graves danos nos flutuadores devido à humidade neles formada. Após as necessárias reparações,  levantaram vôo no dia 17, do porto da Praia, na  ilha de Santiago, rumo ao arquipélago de S. Pedro e S. Paulo, já em águas brasileiras, amarando aí no dia seguinte, com danos irreversíveis no aparelho, que perdeu um dos flutuadores, o que obrigou a que a dupla de aviadores fosse transportada por um Cruzador da Marinha portuguesa até à ilha de Fernando de Noronha, onde aguardaram pelo envio de um novo hidroavião Fairey a que baptizaram de "Pátria" que lhes permitiu a descolagem no dia 11 de Maio para logo surgir novo infortúnio - uma falha mecânica no motor obrigou-os a  fazerem uma amaragem de emergência e a recolher-se de novo a Fernando de Noronha. No dia 5 de Junho, finalmente, recebem um novo Fayrei F III-D, a que a esposa do então Presidente do Brasil baptiza de "Vera Cruz". Este aparelho foi transportado para o arquipélago de S. Pedro e S. Paulo, de onde os aeronautas portugueses partiram rumo ao Recife e daqui para o Rio de Janeiro, fazendo escalas em Salvador, Porto Seguro e Vitória. Nas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram etusiásticamente aclamados como heróis pela população que os aguardava, aclamação que se estendeu a todas as cidades brasileiras. Estima-se que nos setenta e nove dias da viagem o tempo de vôo dispendido, nos 8.383 quilómetros percorridos, foi de apenas 62 horas e 26 minutos.

Imagem: http://ex-ogma.blogspot.com/2009/02/efemeride-gago-coutinho.html

A INQUISIÇÃO, O REINO DO MEDO

A Inquisição - O Reino do Medo, de Toby Green

Colecção: Biblioteca do Século, Nº na Colecção: 30

O Autor: Toby Green nasceu em Londres em 1974. Estudou Filosofia na Universidade de Cambridge e tem dividido a sua actividade profissional pelo ensino, o jornalismo, a investigação e a escrita. É autor de um conjunto diverso de obras - onde se incluem biografias, crítica literária, história e literatura de viagens - que se encontra traduzido em cerca de uma dezena de línguas. Tem um conhecimento profundo do Continente africano e da América Latina, e as suas investigações levaram-no a passar longos períodos em locais como Bissau, Bogotá, Lisboa, Cidade do México ou Sevilha. Actualmente vive em Inglaterra com a família.

Sinopse: Inquisição - O Reino do Medo lança uma nova luz sobre aquela que foi uma das instituições religiosas mais obscuras e devastadoras da história da humanidade ao adoptar uma abordagem muito viva que elege os relatos de casos individuais como ponto de partida para a análise de mais de três séculos de história da Inquisição. E são justamente as histórias desses indivíduos - bruxas no México, bígamos no Brasil, marinheiros sodomitas, padres pouco castos, maçons, hindus, judeus, muçulmanos e protestantes - que o autor resgata dos arquivos de Espanha, de Portugal e do Vaticano, para compor um fresco inédito, de grande complexidade e riqueza.

Citações
«Green transmite-nos uma mensagem que, pode dizer-se, é assustadoramente actual.» Sunday Telegraph
«Este livro alerta-nos para os perigos de qualquer sistema que persegue e condena aqueles que não partilham dos seus valores.» Daily Telegraph
«Uma descrição vívida da longa e condenável história da Inquisição.» Sunday Times
«Um estudo de grande fôlego sobre a intolerância.» Guardian

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Jorge Miguel entre os seguidores do Clube de História

É verdade! Os «bedófilos» sabem bem de quem se trata. Sendo o Jorge Miguel um dos mais versáteis mestres da BD em Portugal, foi com indescritível prazer que constatámos que se registou neste blogue como um dos seus seguidores. Sem desprimor para os restantes membros, aos quais também enviamos uma nota de sincero agradecimento (em especial para os que acederam em colaborar nas nossas publicações e o têm feito com louvável assiduidade), sentimo-nos no dever de justificar esta sentida e calorosa recepção que entendemos fazer ao Gio. Sendo a BD um dos instrumentos didáctico-pedagógicos mais poderosos para os professores da disciplina de História (entre as demais disciplinas) para a qual este blogue foi particularmente concebido, e se mantém vocacionado, para além de uma natural e assumida bedofilia da parte de alguns docentes da nossa Escola Secundária, a presença do Gio entre os nossos estimados visitantes reveste-se de um significado especial. Jorge Miguel é autor de um invejável (falo por mim!) manancial de obras onde o rigor científico da informação é conjugado com o invulgar talento ilustrativo deste artista, desde a colecção “Chamo-me” que retrata uma série de interessantes figuras da História e da Literatura portuguesas – algumas com um toque de sério realismo, outras num estilo mais “patusco” e divertido – até verdadeiras comédias ilustradas, aguarelas e ilustrações dedicadas à literatura infantil. De resto, o aprazível sentido de humor do Gio pode ser apreciado, e partilhado, no seu blogue Falta apagar o lápis que incluímos entre as nossas hiperligações favoritas. Em representação do Clube endereço-lhe as nossas boas-vindas e os nossos votos para que das suas incursões pelo Clube de História da Escola Secundária com 3º Ciclo de Valpaços e das nossas pelo Falta apagar o lápis resultem a melhor e mais frutífera cordialidade e camaradagem possíveis.

Leonel Salvado

terça-feira, 15 de junho de 2010

Singularidades da nossa imprensa regional


Um distinto órgão da nossa imprensa local, na sua edição de 30 de Maio de 2010, noticiou assim, ipsis verbis, a realização das actividades integradas nas Comemorações do Primeiro Centenário da República Portuguesa que tiveram lugar na Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico de Valpaços, cinco dias antes:



EM VALPAÇOS CENTENÁRIO DA REPÚBLICA,

Na Escola Secundária de Valpaços

Na Escola Secundária de Valpaços realizou-se o Programa das comemorações do Centenário da República, no dia 25 de Maio, com exposições e muita musica, tendo da parte da manhã, ás 9,30 horas o hastear da bandeira Nacional e o hino Nacional tocado pela Banda Municipal de Valpaços. Depois, ás 10,30 horas foi a visita a várias exposições que, se dividiram entre o “Pavilhão dois e o salão do Polivalente”, subordinadas ao tema: “ a implantação da República em Portugal”

domingo, 13 de junho de 2010

Hoje é dia de Santo António

Santo António de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.

Fernando Pessoa
(que nasceu no dia de Santo António, em Lisboa)
In http://impensavel.blogspot.com/2008/06/

É um dos santos portugueses mais populares, o mais querido e festejado a 13 de Junho em Lisboa, feriado instituído em sua honra, com retalhos de uma vida passada nesta cidade, em Coimbra mas também Pádua, cidade italiana cujos habitantes costumam reclamar a naturalidade de Santo António. Na Itália, no Brasil e até em Portugal Santo António é venerado como o «santo casamenteiro», protector dos noivos e o santo mais recorrente pelos fiéis que procuram recuperar coisas perdidas. A 13 de Junho ele é venerado, além de Lisboa, em outras 13 cidades e vilas do país, quer por ser delas também padroeira (mais raramente), como acontece no Norte em Vila Real (feriado municipal) e em Vila Nova de Famalicão, quer por ser um dos santos mais populares e festejados. Também em várias localidades do concelho de Valpaços este Santo Universal é tradicionalmente honrado com festas e romarias, na mesma data de 13 de Junho, assim em Fornos do Pinhal, em Friões, em Silva, localidade anexa à freguesia de Carrazedo de Montenegro e em Vilarandelo. O mesmo sucede em Santa Valha, em cada 3º Domingo de Janeiro.



Hagiografia

Desde 1140 que D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, tentava a conquista de Lisboa aos Mouros, feito que só teve êxito sete anos depois, em 1147, depois de prolongado cerco imposto aos aguerridos Almóadas e com o oportuno apoio dos Cruzados, em número treze mil (grande exército de homens cristãos que vieram do Norte da Europa, rumo à Terra Santa, para expulsarem os Muçulmanos. Usavam uma cruz de pano como insígnia, daí o seu nome. Houve oito Cruzadas desde 1096 a 1270).

Lisboa era pois uma cidade recém-cristã, quando na sua catedral foi a baptizar o menino Fernando Martins de Bulhões – Santo António, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. Há dúvidas quanto ao apelido do pai, bem como se era ou não descendentes de cavaleiros celtas. Sabe-se sim que D. Teresa nascera em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1145, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.

Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.

Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa. Aqui em Coimbra, sendo já sacerdote toma o hábito de franciscano, em 1220. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador.

O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo.

A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo. Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.

Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.

Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.

Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.

Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pragador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.

Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade. A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.

O bispo de Óstia, mais tarde papa com o nome de Alexandre IV, pede-lhe que escreva sermões para os dias das principais festas religiosas que eram já muitas na época. Mais tarde seria este papa a canonizá-lo. Santo António assim faz. São hoje importantíssimos esses documentos escritos, porque Santo António com pregador escreveu pouco. Apenas lhe são atribuídos Sermones per Annum Dominicales (1227-1228) e In Festivitatibus Sanctorum Sermones (1230).

Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231.

Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.

Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.

Por Maria Luísa V. Paiva Boléo, Santo António, Retalhos da Vida de um Pregador, in http://www.leme.pt/biografias/santos/santoantonio/

sábado, 12 de junho de 2010

81.º Aniversário do nascimento de Anne Frank


Annelisse Maria Frank, mais conhecida como Anne Frank, nasceu em Frankfurt am Main, a 12 de Junho de 1929, e faleceu em Bergen-Belsen, em Março de 1945. Foi uma adolescente alemã de origem judaica, que morreu aos 15 anos num campo de concentração. O seu diário foi publicado pela primeira vez em 1947 e é actualmente um dos livros mais traduzidos em todo o mundo.

Imagem: Anne Frank em selo comemorativo dos Correiros alemães, 1979 | imagem do domínio público | Wikimédia Commons


Foi a segunda filha de Otto Heinrich Frank e de Edith Frank-Holländer, uma família de patriotas alemães que teriam participado da Primeira Guerra Mundial. Tinha uma irmã Margot Frank que nasceu a 16 de fevereiro de 1926 e faleceu pela mesma data de Anne. Ela e a sua família, Edith, Margot e Otto Frank, juntamente com mais quatro pessoas (Peter, Dussel, sr. e sra. Van Daan) viveram 25 meses, no decurso da Segunda Guerra Mundial, num anexo de quartos por cima do escritório do pai dela, em Amsterdão, nos Países Baixos, denominado de Anexo Secreto. Enquanto vivia no Anexo Secreto, Anne escrevia no seu diário (que recebeu de prenda de aniversário), a que ela deu o nome de Kitty. Também houve alguns indícios de que o diário podia ter o nome de "Finho", ou "Assurbanipal". No diário escrevia o que sentia, pensava e fazia. Kitty e, logo depois, Peter eram os seus únicos amigos dentro do Anexo Secreto. Os longos meses de silêncio e o medo aterrorizante acabaram, ao ser denunciada aos nazistas e deportada para campos de concentração nazis.
Primeiro foi levada juntamente com a família para uma escola e depois para Westerbork, nos Países Baixos, antes de serem todos deportados para o leste da Europa. Anne Frank foi deportada inicialmente para Auschwitz, juntamente com os pais, irmã e as outras pessoas com quem se refugiava na casa de Amesterdão (onde hoje existe o museu Casa de Anne Frank). Depois levaram-na para Bergen-Belsen, juntamente com a irmã, separando-a dos pais.
Em 1945, nove meses após a sua deportação, Anne Frank morre de tifo em Bergen-Belsen. A irmã, Margot Frank, tinha falecido também vítima do tifo e da subnutrição dias antes de Anne. A sua morte aconteceu duas semanas antes de o campo ser libertado. O seu diário, guardado durante a guerra por Miep Gies, foi publicado pela primeira vez em 1947. O diário está actualmente traduzido em 68 línguas e é um dos livros mais lidos do mundo.
O local onde a família de Anne Frank e outras quatro pessoas viveram para se esconder dos nazis ficou conhecido como Anexo Secreto e tornou-se um famoso museu após a publicação do diário. Nesse local há uma reprodução das condições em que os moradores do Anexo Secreto viviam e é apresentada a história de seus oito habitantes e das pessoas que os ajudaram a esconder-se durante a guerra. Um dos itens apresentados ao público é o diário escrito por Anne, que viria a tornar-se mundialmente famoso após sua morte, devido à iniciativa de seu pai, Otto, em publicá-lo. Hoje, é um dos mais famosos símbolos do Holocausto. Dos oito habitantes do Anexo, o único sobrevivente após a guerra foi Otto, pai de Anne.
Em 3 de abril de 1946, o mundo conheceu a tragédia de Anne Frank, que se tornou num dos símbolos do holocausto por um artigo intitulado Kinderstem ("A voz de uma criança") publicado no jornal holandês Het Parool que contava trechos do diário da menina que havia sido morta em campo de concentração.
O verdadeiro nome de Anne era Annelies Marie, mas todos na sua família a chamavam carinhosamente de "Anne". Ela era a segunda filha do casal Otto e Edith Frank. Sua irmã, Margot, era quatro anos mais velha.O pai era um homem de negócios e um oficial condecorado que lutou no exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1934, quando o nazismo fez aumentar as perseguições aos judeus na Alemanha, a família mudou-se para Amsterdão, na Holanda. As filhas do casal foram matriculadas em escolas locais, onde se saíram muito bem nos estudos: Margot demonstrava maior aptidão para matemática, enquanto Anne demonstrava maior interesse em leitura e redação.
Em 1938, Otto Frank e um sócio, Hermann van Pels, fundaram uma empresa nova. O sócio também era um judeu que havia fugido com a família para a Holanda. Em 1939, a avó materna de Anne Frank veio morar com a família e permaneceu com eles até sua morte em janeiro de 1942.

O esconderijo
No mês de julho de 1942, a família Frank recebeu a notícia de que seria obrigada a mudar-se para um campo de trabalhos forçados. Para fugir desse destino, a família transferiu-se para um esconderijo no prédio atrás referido, onde funcionava o escritório do pai.
Para deixar a impressão de que haviam fugido apressadamente, Anne e seus familiares deixaram o apartamento todo desarrumado. Além disso, o pai deixou um bilhete; tratava-se de uma pista falsa com o intuito de levar os nazis a acreditarem que a família estava tentando viajar para a Suíça.
O prédio comercial onde Anne e sua família se esconderam tinha dois andares, com escritórios, um moinho e depósitos de grãos. O esconderijo consistia em alguns compartimentos num anexo que ficava nos fundos do prédio. Para disfarçar o esconderijo, uma estante de livros foi colocada na frente da porta que dava para o anexo.
Na montagem do esconderijo, Otto Frank contou com a ajuda dos quatro funcionários em quem mais confiava: Victor Kugler, Johannes Kleiman, Miep Gies e Bep Voskuijl. Eles, juntamente com o pai de Johannes e o marido de Miep, eram os únicos que sabiam da existência do esconderijo.

Vida clandestina
Essas pessoas mantinham os Frank informados com notícias da guerra e da perseguição dos nazis aos judeus. Também os ajudavam trazendo comida que compravam no "mercado negro", tarefa que foi se tornando cada vez mais difícil e arriscada com o tempo. Os cidadãos não-judeus que ajudavam judeus a esconderem-se corriam o risco de ser executados imediatamente pelos nazis caso fossem descobertos.
No final de julho daquele ano, outros judeus buscaram abrigo no mesmo esconderijo: a família van Pels, que era composta por Hermann, o sócio de Otto Frank, sua esposa, Auguste, e o filho Peter, um jovem de dezesseis anos.
No começo, Anne não se interessou pelo tímido Peter por achá-lo desajeitado demais, mas depois mudou de opinião e ambos iniciaram um romance. Em Novembro, um amigo judeu da família de Anne também passou a morar no esconderijo: o dentista Fritz Pfeffer. Como seria de esperar, com tantas pessoas vivendo juntas e em condições precárias, os problemas de convivência começaram a surgir. Para piorar, tornava-se cada vez mais difícil conseguir comida.
Anne passava a maior parte do tempo escrevendo o seu diário ou estudando. Todos os dias, logo após o almoço, ela fazia exercícios de matemática, línguas, história e outras matérias.
Na manhã de 4 de agosto de 1944, a polícia nazi invadiu o esconderijo, cuja localização foi descoberta por um informante que nunca chegou a ser identificado. Todos os refugiados foram colocados em camiões e levados para interrogatório. Victor Kugler e Johannes Kleiman também foram presos, ao contrário de Miep Gies e Bep Voskuijl, que foram libertados.
Esses últimos voltaram ao esconderijo onde encontraram os papéis de Anne espalhados no chão e diversos álbuns com fotografias da família. Eles reuniram esse material e guardaram-no, na esperança de o devolver à Anne depois que a guerra terminasse.

Auschwitz
Anne Frank e sua família foram mandadas para o campo de concentração de Auschwitz, na Polónia. Mais do que um campo de concentração, era também um campo de extermínio. Idosos, crianças pequenas e todos aqueles que fossem considerados inaptos para o trabalho eram separados dos demais para serem exterminados de imediato.
Dos 1019 prisioneiros transportados no comboio que trouxe Anne Frank, 549 (incluindo crianças) foram separados dos restantes para serem mortos nas câmaras de gás. Mulheres e homens eram separados. Assim, Otto Frank perdeu contacto com a esposa e as filhas.
Juntamente com as outras prisioneiras selecionadas para o trabalho forçado, Anne foi obrigada a ficar nua para ser "desinfetada", teve a cabeça rapada e um número de identificação tatuado no braço. Durante o dia, as prisioneiras eram obrigadas a trabalhar. À noite elas eram reunidas em barracas geladas e apertadas. As péssimas condições de higiene propiciavam o aparecimento de doenças. Anne teve a sua pele vitimada pela sarna.
No dia 28 de Outubro, Anne, Margot e a senhora van Pels foram transferidas para um outro campo, localizado em Bergen-Belsen, na Alemanha. A mãe, Edith, foi deixada para trás, permanecendo em Auschwitiz. Em Março de 1945, uma epidemia de tifo espalhou-se pelo campo de Bergen-Belsen.
Estima-se que cerca de 17 mil pessoas morreram por causa da doença. Entre as vítimas estavam Margot e Anne, que morreu com apenas 15 anos de idade, poucos dias depois de a sua irmã ter morrido. Os seus corpos foram atirados para uma pilha de cadáveres e cremados.

O sobrevivente
Otto Frank foi o único membro da família que sobreviveu e voltou para a Holanda. Ao ser libertado, soube que a esposa havia morrido e que as filhas haviam sido transferidas para Bergen-Belsen. Ele ainda tinha esperança de reencontrar as filhas vivas.
Em julho de 1945, a Cruz Vermelha confirmou as mortes de Anne e Margot. Foi então que Miep Gies entregou a Otto Frank o diário que Anne havia escrito. Otto mostrou o diário à historiadora Annie Romein-Verschoor, que tentou sem sucesso publicá-lo. Ela o mostrou ao marido, o jornalista Jan Romein, que escreveu um texto sobre o diário de Anne.
O diário foi finalmente publicado pela primeira vez em 1947.
A obra teve tal sucesso, que os editores lançaram uma segunda edição em 1950. O "Diário de Anne Frank" foi traduzido para diversas línguas, com mais de 30 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. O livro que começou como um simples diário de adolescente transformou-se num comovente testemunho do terror nazi.

Fonte: Wikipédia.org (texto adaptado) – Categorias: Anne Frank


O CLUBE DE HISTÓRIA RECOMENDA:

Principalmente aos mais novos, a leitura do livro Anne Frank, editado por Terramar, Lisboa, 1ª edição de 2005, com texto de Josephine Poole e ilustrações de Angela Barrett.

Comemora-se hoje a adesão de Portugal à CEE


Após oito anos de negociações, acordos e declarações, a República portuguesa, obteve, final e simultaneamente, a 12 de Junho de 1985, a sua adesão à comunidade Económica Europeia (CEE) e à Comunidade Europeia de Energia Atómica (CEEA). Nesta data, Mário Soares, Rui Machete, Jaime Gama e Ernâni Lopes, assinaram em Lisboa, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, os respectivos tratados de adesão, com a entrada em vigor em 1 de Janeiro de 1986. Portugal tornava-se no 11º membro das Comunidades.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

No dia 10 de Junho celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Mas como nasceu o feriado e como evoluiu até hoje?


O 10 de Junho nasce com a República

As origens do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades na perspectiva de Conceição Meireles, especialista em História Contemporânea de Portugal.

Após a Implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, foram desenvolvidos trabalhos legislativos, “e logo em 12 de Outubro saiu um decreto que estipulou os feriados nacionais”. Alguns feriados “desapareceram, nomeadamente os ditos feriados religiosos, uma vez que o objectivo da República era justamente laicizar a sociedade e subtraí-la à influência da igreja”, explica Conceição Meireles, professora de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

“Os feriados que ficaram consignados por este decreto de 12 de Outubro de 1910 foram o Primeiro de Janeiro, que era o dia da Fraternidade Universal; o 31 de Janeiro, que evocava a revolução – aliás, falhada - do Porto, e que portanto era consagrado aos mártires da República; o 5 de Outubro, vocacionado para louvar os heróis da República; o Primeiro de Dezembro, que era o Dia da Autonomia e o Dia da Bandeira; e o 25 de Dezembro, que passou a ser considerado o Dia da Família, tentando também laicizar essa festa religiosa que era o Natal”.

O decreto de 12 de Junho dava “aos municípios e concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Daí a origem dos feriados municipais”, lembra a especialista. “Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões”, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta que escreveu “Os Lusíadas”.

 E porquê um dia em honra de Camões?
“Camões representava justamente o génio da pátria, representava Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial”. Era essencialmente este o significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho, isto “apesar de ser um feriado exclusivamente municipal no tempo da República”, lembra Conceição Meireles.
Com o 10 de Junho, “os republicanos de Lisboa tentaram evocar a jornada gloriosa que tinham sido as comemorações camonianas de 1880, uma das primeiras manifestações das massas republicanas em plena monarquia”.

A três dias do Santo António...
O 10 de Junho “fica muito próximo da festa religiosa que é o 13 de Junho, ou seja, o dia de Santo António, essa sim tradicionalmente feita e realizada em Lisboa”. Conceição Meireles refere que, com essa proximidade de datas, “os Republicanos tentaram de certa forma esbater o 13 de Junho, Dia de Santo António, em favor do 10 de Junho, Dia de Camões”.

O 10 de Junho no Estado Novo
“O 10 de Junho começou a ser particularmente exaltado com o Estado Novo”, um regime instituído em Portugal em 1933, sob a direcção de António de Oliveira Salazar. É nesta altura que o dia de Camões passa a ser festejado a nível nacional. A generalização dessas comemorações deve-se bastante à reprodução que vai sendo feita “através dos meios de comunicação social”, explica Conceição Meireles.

“Durante o Estado Novo, o 10 de Junho continuava a ser o Dia de Camões”. O regime procurou dar alguma continuidade “a muitos aspectos que vinham da República”. Ou seja, “apropriou-se de determinados heróis da República, mas não no sentido positivista, não no sentido laico que os Republicanos lhe queriam dar”. O Estado Novo ampliou alguns desses aspectos “num sentido nacionalista e de comemoração colectiva histórica, numa vertente comemorativista e propagandística”.


25 de Abril põe “Portugal no Mundo”

Uma lufada de ar fresco: a revolução de Abril eliminou a “conotação nacionalista que o 10 de Junho adquiriu durante o Estado Novo”.
Depois do 25 de Abril, Portugal continuou a comemorar o 10 de Junho e a prestar tributo ao poeta d'Os Lusíadas. Com uma diferença: a Revolução dos Cravos foi pretexto para rebaptizar o 10 de Junho como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Mas as alterações vão mais além, e tocam no significado daquilo que é comemorado.
Homenagear as comunidades portuguesas, ou seja, os cidadãos portugueses a residir fora do país, foi a “forma encontrada para continuar a sublinhar a importância do povo português”. Conceição Meireles, especialista e professora de História Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, refere que as comemorações do 10 de Junho no pós-25 de Abril já não abrangem “ unicamente o povo português no seu território nacional”, mas sim “o povo que, por necessidades várias, desde sobrevivência económica, a questões de perseguição política, teve que se espalhar por diferentes partes do mundo”.


O 25 de Abril trouxe mudanças no "sentido e significado do dia"
O regime do pós-25 de Abril procurou prestar homenagem aos portugueses que se encontravam a trabalhar “pelo mundo fora para sobreviver”, porque “tão português era aquele que se mantinha em Portugal, como o português que foi obrigado, por várias razões, a deixar Portugal. Daí continuar-se a celebrar o povo português”, explica Conceição Meireles.
Depois da Revolução, “o conceito de raça cai imediatamente”, e comemora-se antes “o Portugal espalhado um pouco pelo mundo das comunidades portuguesas”. Além desta mudança de significado, com a nova expressão criada para designar o 10 de Junho, que passa a ser Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, “consegue-se retirar toda a carga colonial ou neo-colonialista que o dia da raça tinha anteriormente”, sustenta a especialista.


“A questão da emigração era abafada pelo Estado Novo
“A forte emigração que se fez sentir durante as décadas de 60 e 70 para os países industrializados da Europa, como a França e Alemanha, foi uma questão que o Estado Novo nunca gostou de mediatizar e de desenvolver”, sobretudo porque muitos portugueses “saíram do país por questões de sobrevivência económica”, lembra Conceição Meireles. Durante o Estado Novo, esses emigrantes eram referidos como sendo “portugueses espalhados pelo mundo e por todas as comunidades portuguesas. Desta forma mais inócua retirava-se-lhe qualquer carga política e ideológica, e ficava apenas o povo português espalhado nas inúmeras comunidades que existiam pelo mundo fora”. Por isso, explica Conceição Meireles, “a questão dos portugueses emigrados foi uma questão que o Estado Novo nunca quis tocar e que nunca desenvolveu”, principalmente “para o exterior”.
“Se os portugueses emigravam é porque não havia ‘pão’ em Portugal”, e por isso, “o Estado Novo nunca quis reconhecer a emigração que, nos anos 60 e 70, estava a ser fortíssima por razões de sobrevivência, por questões de exílio político e de fuga à guerra colonial”.
“Agora, quando se fala no Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas está-se a englobar toda a diáspora portuguesa, todas as comunidades portuguesas no estrangeiro, sejam elas de formação antiga, sejam elas de formação recente, como essas levas de emigração das décadas de 60 e 70”.
Como refere Conceição Meireles, o Dia de Portugal que surge depois do 25 de Abril “não é exactamente a mesma coisa que se comemorava no Estado Novo, nem se está propriamente a apontar o povo português como um povo superior, pequeno mas realizador de grandes feitos”. O que passa a ser comemorado depois da Revolução “é o Portugal no mundo”.

Ana Correia Costa, 9 e 10-06-2004 in http://obp.blogs.sapo.pt/1869.html

Nota editorial: Sobre esta última questão, o de a data ter vindo nos últimos anos a ser comemorada no sentido de «o Portugal no mundo» que envolve a evolução do fenómeno da diáspora portuguesa materializada na emigração, existem hoje novos desenvolvimentos. Haja em vista os artigos publicados por Sérgio Morais no "Notícias de Valpaços", aqui e aqui.

domingo, 6 de junho de 2010

Comemoram-se hoje os nascimentos de D. João III e D. José I




D. JOÃO III

Biografia

Décimo quinto rei de Portugal, filho de D. Manuel I.

Teve como mestres algumas figuras notáveis da época, como o humanista Luís Teixeira e o médico Tomás de Torres. A partir de 1514, D. Manuel começa a introduzi-lo nas matérias do governo e, em 1517, preparava-se o seu casamento com D. Leonor, irmã de Carlos V. É, porém, D. Manuel que vem a casar com ela, em virtude da morte da rainha D. Maria. Com 19 anos é aclamado rei e mais tarde casa com a irmã de D. Leonor, D. Catarina de Áustria.

O governo de D. João III pode compreender-se à luz de uma vasta política nacional e ultramarina, de que assinalamos os marcos essenciais:

1) Política ultramarina: O vasto império herdado pelo monarca e que se estendia por três continentes, impunha difíceis problemas de administração à distância. No Oriente, após uns primeiros anos de continuação de conquistas, as dificuldades começaram a surgir. Turcos e Árabes ofereciam uma resistência cada vez maior ao monopólio dos Portugueses e os ataques às nossas forças sucediam-se. Em África, as guarnições dos nossos castelos de Marrocos não conheciam vida calma. Homens e armas eram enviados com frequência, como reforço, ocasionando uma despesa enorme sem proveito correspondente, o que em breve se tornou insustentável. Abandonou-se Safim, Azamor, Alcácer Ceguer e Arzila. Como compensação das dificuldades no Oriente e revezes em Africa, voltou-se D. João III para o Brasil, realizando a primeira tentativa de povoamento e valorização daquele território, primeiro com o sistema de capitanias e depois instituindo um governo geral., com Tomé de Sousa à frente.

2) Relações externas: Em nenhum outro reinado da 2.ª dinastia manteve Portugal uma tão grande actividade diplomática, como no de D. João III, e com a Espanha, de uma maneira intensa. Com a França, de maneira bastante delicada, devido à guerra de corso movida pelos marinheiros franceses aos navios mercantes de Portugal e consequentes represálias por parte da nossa marinha de guerra. Com a Santa Sé, orientando-se no fortalecimento de relações, conseguindo D. João III o estabelecimento do tribunal da Inquisição em Portugal e aderindo os bispos portugueses ao espírito da Contra Reforma. Mais dentro do campo económico, são de pôr em realce as relações estabelecidas com os países do Báltico e a Polónia, através da feitoria de Antuérpia.

3) Política interna: A linha absolutista acentua-se nitidamente com D. João III. Este governa apenas com o auxílio do secretário de Estado, António Carneiro e seus dois filhos Francisco e Pêro de Alcáçova Carneiro. A máquina administrativa foi-se estruturando com centenas de regimentos, alvarás e cartas. Todavia, o seu reinado conheceu gravíssimas crises económicas e recorreu-se aos empréstimos externos. Fomes, epidemias e sismos fizeram também a sua aparição frequente.

4) Política cultural: A protecção à cultura foi uma dominante deste monarca. À sombra da corte viveram homens como Gil Vicente, Garcia de Resende, Damião de Góis. A esta época estão ainda ligados nomes como os de Sá de Miranda, Bernadim Ribeiro, André Resende, Diogo de Teive, Pedro Nunes, Camões, João de Castro, João de Ruão e outros ainda. É feita uma reforma da Universidade portuguesa e cria-se um Colégio das Artes.

5) Sucessão ao trono: Apesar da numerosa prole nascida do casamento régio, é o único neto do tronco varonil, D. Sebastião, que irá suceder a D. João III. A morte tinha ceifado todos os filhos do monarca.

6) A figura: D. João III tem merecido juízos discordantes na sua acção governativa. Para alguns foi um fanático, para outros um hábil monarca. É certo que recebeu o império no seu apogeu e o deixou no descalabro, mas para além da sua acção pessoal que não foi brilhante, havia outras causas mais profundas que, de qualquer maneira, produziriam os mesmos efeitos.



Genealogia

D. João III nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1502 e faleceu na mesma cidade, a 11 de Junho de 1557, tendo sido sepultado no mosteiro de Belém. Casou em 1525 com a infanta D. Catarina (n. em Torquemada, a 14 de Janeiro de 1507; f. em Xabregas, a 12 de Fevereiro de 1578; sepultada no Mosteiro dos Jerónimos), filha de Joana, a Louca, e de Filipe, o Belo, portanto irmã de D. Leonor, terceira esposa de D. Manuel. Desse casamento nasceram:

1. D. Afonso (n. em Almeirim, a 24 de Fevereiro de 1526; f. com um mês; sepultado nos Jerónimos);

2. D. Maria (n. em Coimbra, a 15 de Outubro de 1527; f. em Valhadolid, a 12 de Agosto de 1545). Foi a primeira esposa, em 1543, de Filipe II de Espanha (1526 1598), sendo mãe do príncipe D. Carlos (1544 1568);

3. D. Isabel (n. em Lisboa, a 28 de Abril de 1529; f. de tenra idade; sepultada no Mosteiro dos Jerónimos);

4. D. Beatriz (n. em Lisboa, a 15 de Fevereiro de 1530; f. pouco depois);

5. D. Manuel (n. em Alvito, a 1 de Novembro de 1531; f. em Évora, a 14 de Abril de 1537; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Nas Cortes celebradas em Évora, no ano de 1535, foi jurado herdeiro da coroa;

6. D. Filipe (n. em Évora, a 25 de Março de 1533; f. em 29 de Abril de 1539; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Por morte de seu irmão D. Manuel foi jurado herdeiro da coroa;

7. D. Dinis (n. em Évora, a 6 de Abril de 1535; f. na mesma cidade, a 1 de Janeiro de 1537; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos);

8. D. João (n. em Évora, a 3 de Junho de 1537; f. em Lisboa, a 2 de Janeiro de 1554; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos). Foi jurado herdeiro da coroa em 1539, por morte de seu irmão D. Filipe, casando em 1552 com D. Joana (n. em Madrid, a 24 de Junho de 1535; f. no Escurial, a 7 de Setembro de 1573), filha de Carlos V e de D. Isabel de Portugal. Do consórcio veio a nascer, póstumo, D. Sebastião, que herdou a coroa;

9. D. António (n. em Lisboa, a 9 de Março de 1539; f. em 20 de Janeiro de 1540; sepultado no Mosteiro dos Jerónimos).

Ainda príncipe, D. João III teve um filho natural de D. Isabel Moniz, filha de um alcaide de Lisboa, por alcunha O Carranca, e de uma moça da câmara da rainha D. Leonor.

10. D. Duarte (n. em Lisboa, em 1521; f. na mesma cidade, a 11 de Novembro de 1543). Foi aluno dos Jerónimos, em Santa Marinha da Costa, tendo como preceptor Frei Diogo de Murça, e seguiu depois a carreira eclesiástica. A protecção régia fez dele prior-mor de Santa Cruz de Coimbra a abade do Convento de Refoios de Baixo, sendo mesmo indigitado para suceder, em 1542, a D. Frei Diogo da Silva, arcebispo de Braga, o que não veio a suceder devido à sua prematura morte.



D. JOSÉ I

Biografia

Filho de D. João V, sucedeu a seu pai em 1750.

Quando subiu ao trono, D. José I tinha à sua disposição os mesmos meios de acção governativa que os seus antecessores do século XVII, apesar do progresso económico realizado no país, na primeira metade do século XVIII.

Esta inadaptação das estruturas administrativas, jurídicas e políticas do país, juntamente com as condições económicas deficientes herdadas dos últimos anos do reinado de D. João V, vai obrigar o monarca a escolher os seus colaboradores entre aqueles que eram conhecidos pela sua oposição à política seguida na reinado anterior.

Diogo de Mendonça, Corte Real Pedro da Mota e Silva e Sebastião José de Carvalho e Melo passaram a ser as personalidades em evidência, assistindo-se de 1750 a 1755 à consolidação política do poder central e ao reforço da posição do marquês de Pombal, com a consequente perda de importância dos outros ministros.

Uma segunda fase, de 1756 a 1764, caracteriza-se pela guerra com a Espanha e a França, pelo esmagamento da oposição interna - expulsão dos Jesuítas, reforma da Inquisição e execução de alguns nobres acusados de atentarem contra a vida do rei, entre os quais o duque de Aveiro e o marquês de Távora -, e pela criação de grandes companhias monopolistas, como a do Grão-Pará e Maranhão e a das Vinhas do Alto Douro.

Uma terceira fase, até 1770, é marcada por uma grande crise económica e, até final do reinado, assiste-se à política de fomento industrial e ultramarino e à queda económica das companhias monopolistas brasileiras.

Todo o reinado é caracterizado pela criação de instituições, especialmente no campo económico e educativo, no sentido de adaptar o País às grandes transformações que se tinham operado. Funda-se a Real Junta do Comércio, o Erário Régio, a Real Mesa Censória; reforma-se o ensino superior, cria-se o ensino secundário (Colégio dos Nobres, Aula do Comércio) e o primário (mestres régios); reorganiza-se o exército. Em matéria de política externa, D. José conservou a política de neutralidade adoptada por seu pai. De notar ainda, o corte de relações com a Santa Sé, que durou 10 anos.



Genealogia 

D. José I nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1714, recebendo o nome de José Francisco António Inácio Norberto Agostinho, e morreu no Palácio da Ajuda, a 24 de Fevereiro de 1777, tendo sido sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Casou em 19 de Janeiro de 1729 com D. Mariana Vitória (n. em Madrid, a 31 de Março de 1718; f. no Palácio da Ajuda, a 15 de Janeiro de 1781; sepultada no mesmo Panteão), filha de Filipe V, rei de Espanha, e de Isabel Farnésio, sua segunda mulher. Do consórcio nasceram:

1. D. Maria I, que sucedeu no trono;

2. D. Maria Ana Francisca Josefa (n. em Lisboa, a 7 de Outubro de 1736; f. no Rio de Janeiro, a 16 de Maio de 1813; sepultada no Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento, em Lisboa);

3. D. Maria Francisca Doroteia (n. em Lisboa, a 21 de Setembro de 1739; f. na mesma cidade, a 14 de Janeiro de 1771; sepultada no Mosteiro de S. Vicente de Fora);

4. D. Maria Francisca Benedita (n. em Lisboa, a 25 de Julho de 1746; f. na mesma cidade, a 18 de Agosto de 1829; sepultada no Panteão de S. Vicente de Fora). Casou em 21 de Fevereiro de 1777 com o seu sobrinho D. José, príncipe da Beira, que teria sido rei de Portugal se a morte o não levasse prematuramente.


In http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/index.html (adaptado)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dia da Diversidade Cultural em comemoração na Escola Secundária

Depois da Feira do Livro, o Departamento de Línguas da Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico de Valpaços está a organizar mais um conjunto de actividades que decorrerão no dia 8 de Junho de 2010 nesta instituição e no espaço envolvente da comunidade, desta feita no âmbito das Comemorações do Dia da Diversidade Cultural. O Programa é o que consta no respectivo cartaz que a seguir publicamos. A Escola conta com o envolvimento da comunidade em mais este evento. A sua presença é Importante! Compareça!

clique em duas fases para ampliar

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dia de Corpo de Deus

transcrição
O Significado e a origem da celebração
Corpo de Deus é uma exultação popular do significado de Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
A celebração da festa do corpo de Deus, ou Corpus Christi, hoje em dia também chamado de festa do corpo e sangue de Jesus, coloca-nos diante de um grande mistério, pois não o entendemos e não o explicamos; somente vemos e degustamos o pão, uma mistura de farinha e água. É a nossa fé que nos leva a declarar que no pão e no vinho sobre o altar está o Cristo. É Cristo vivo, presente, mas mistério; razão pela qual sempre nas celebrações dizemos: eis o mistério da nossa fé.
Realmente é um grande desafio renunciar a compreender esse mistério, desistir de explicá-lo. Exige de nós um profundo acto de humildade e de confiança, uma vez que, com simplicidade de coração, aceitamos, cremos e declaramos a presença real de Cristo no pão e no vinho.
A festa do corpo e sangue de Cristo celebra-se sempre numa quinta-feira para fazer referência à Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, dia da entrega de Cristo a nós num gesto de amor infinito. É, com certeza, o grande gesto de amor de Deus, de um Deus que nos ama de tal modo que quis permanecer connosco nesta forma tão simples e até desconcertante.
Foi no século XIII que se sentiu fortemente a necessidade de ressaltar esta festa, devido à importância da presença de Cristo em forma de pão e de vinho, forma tão humana, mas ao mesmo tempo tão rica de simbolismo. Foi o papa Urbano IV que institui a comemoração da festa do Corpo de Deus, no ano 1264. No início, ela não teve muita repercussão no interior da Igreja, pois logo após a sua instituição o papa morreu, porém, aos poucos, foi tomando força e, hoje, é celebrada com muita solenidade e em todo o mundo.
O sacramento da Eucaristia é levado às ruas como um gesto e expressão de fé, ao mesmo tempo como convite à renovação da fé; são os cristãos que manifestam sua adesão a Jesus Cristo presente na forma permanente de pão; manifestam seu reconhecimento a esta amorosa presença no meio de nós, que permanece silenciosa no sacrário ininterruptamente em nossos templos.
Padre Francisco Bianchini, in http://www.arazao.com.br/2009/06/06/

A celebração em Portugal

É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canónico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).
Em todas as 20 dioceses de Portugal fazem-se solenes procissões a partir da igreja catedral, tal como em muitas outras localidades, que são muito participadas. Estas procissões atingem o seu esplendor máximo em Braga, Porto e Lisboa.
Ordenada por D. Dinis, a festa do Corpus Christi começou a ser celebrada em 1282, embora haja referências à sua comemoração desde os tempos de Dom Afonso III. Em Portugal a festa de longa tradição era antigamente celebrada com danças, folias, e procissões em que sagrado e o profano se misturavam. Representantes de várias profissões, carros alegóricos, diabos, a serpe, a coca, gigantones, ao som de gaitas de foles e outros instrumentos desfilavam pelas ruas. Das danças dos ofícios, em Penafiel ainda se celebra o baile dos ferreiros, o baile dos pedreiros e o baile das floreiras.
Esta celebração tem uma conotação muito forte no Minho, particularmente em Monção e em Ponte do Lima. Em Ponte de Lima a tradição d´O Corpo de Deus perdura já há vários séculos. O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa, ou mais correctamente na Quinta-feira que se segue ao Domingo da Santíssima Trindade (que por sua vez é o primeiro Domingo a seguir ao Pentecostes) seguindo a norma canónica. A diferença prende-se ao facto de no dia posterior ao feriado nacional, se realizar uma celebração, própria e exclusiva da vila, tendo sido decretado desde 1977 feriado para todos os Limianos. As celebrações do Corpo de Deus realizam-se durante todo o dia, sendo os Limianos presenteados com uma procissão da parte da manhã e outra da parte da tarde em volta da vila e uma missa para todos os habitantes do Concelho no próprio dia, sempre ao meio dia (12h00), na Igreja Matriz.
Em Braga, é também tradição desde 1923 a presença maciça de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português, pois foi nessa procissão que os mesmos se apresentaram em público naquele ano.
In Wikipédia.org, categoria: Corpus Christi

Nota editorial: No concelho de Valpaços, assume particular curiosidade o facto de a celebração do Corpo de Deus se fazer, na freguesia de Curros, nos primeiros Domingos de Junho, na forma de concorrida festa religiosa, com igual solenidade que costuma caracterizar as três restantes festividades ligadas às devoções de São Miguel (orago), Santa Bárbara e Nossa Senhora da Purificação.
Imagem: in http://regiaodocastelo.blogspot.com/2009/06/corpo-de-deus.html

terça-feira, 1 de junho de 2010

Automóveis fabricados em Portugal?!



Esta pequena reportagem que passou a 19 de Agosto de 2009 no Telejornal do canal 1 da RTP, resume uma inédita exposição temporária realizada no Museu do Caramulo de catorze marcas de automóveis que já foram fabricadas em Portugal. Algumas destas marcas ainda devem ecoar nas memórias das gerações menos jovens, outras, talvez, nem por isso!

In http://tv1.rtp.pt/noticias

O que também a maioria dos portugueses talvez não saiba é que, segundo a AMTC (Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações), a ideia de fabricar automóveis em Portugal remonta aos primórdios da própria História do Automóvel.

A primeira tentativa de desenvolvimento de uma indústria automóvel em Portugal remonta aos finais do século XIX. Em 1899, a Empresa Industrial Portuguesa tenta, sem sucesso, dar início à produção industrial de automóveis no nosso país. Outras tentativas se seguem. O seu carácter pontual e experimental não permite o seu sucesso. A indústria automóvel nunca alcança grande expressão como indústria nacional.
É na cidade do Porto que a produção de automóveis, em número reduzido, virá a ter algum sucesso. Na década de 30, Eduardo Ferreirinha idealiza e constrói um veículo de competição com base na mecânica Ford, o Edford. O fervor pelo desporto automóvel dá origem à transformação de vários automóveis de competição: o DM de Dionísio Mateu e Elísio de Melo; o Marlei de Mário Moreira Leite; o Alba; o Olda, o FAP e o Etnerap.
Na década de 1950, a Fábrica de Produtos Estrela desenvolve projectos para a produção de automóveis populares e de competição, assim como carroçarias de autocarros. Apenas estes dois últimos virão a ser produzidos.
Nos anos 70 e 80, algumas experiências de produção em série têm relativo sucesso, como são os exemplos da União Metalo Mecânica (UMM), da Portaro e do pequeno Sado. Em 1977, a UMM obtém uma licença da Peugeot e inicia a produção industrial de veículos todo o terreno.
Hoje em dia, a indústria nacional está perfeitamente consolidada destacando-se, em particular, a contribuição da Auto-Europa com um volume de produtos e uma percentagem determinante no fluxo de exportações.

In http://www.amtc.pt/_AMTC/EXP/museu/por.html

Passamos a apresentar as preciosidades em foco, tal como foram expostas no Museu do Caramulo:


    

     

      
      
in http://www.portaldealbergaria.com/2009/08/

Dia Mundial da Criança

Olá criança! Hoje é um Dia Especial para ti. Esta mensagem é também especialmente dedicada a ti.

• Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Mundial da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes.

• É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus tratos, doenças, fome e discriminações (discriminação significa ser-se posto de lado por ser diferente).

• Sabias que o primeiro Dia Mundial da Criança foi em 1950?

• Tudo começou logo depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945.

• Muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida.

• As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham!

• Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.

• Sabias que mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.

• Em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.

Clica aqui para leres sobre esta organização.

• Mesmo assim, era difícil trabalhar para as crianças, uma vez que nem todos os países do mundo estavam interessados nos direitos da criança.

• Foi então que, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo.

• Este dia foi comemorado pela primeira vez logo a 1 de Junho desse ano!

• Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:

- afecto, amor e compreensão;

- alimentação adequada;

- cuidados médicos;

- educação gratuita;

- protecção contra todas as formas de exploração;

- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.

• Sabias que em só nove anos depois, em 1959 é que estes direitos das crianças passaram para o papel?

• A 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "Declaração dos Direitos da Criança".

• Trata-se de uma lista de 10 princípios que, se forem cumpridos em todo o lado, podem fazer com que todas crianças do mundo tenham uma vida digna e feliz.

• Claro que o Dia Mundial da Criança foi muito importante para os direitos das crianças, mas mesmo assim nem sempre são cumpridos.

• Então, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a "Convenção sobre os Direitos da Criança", que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!).

Clica aqui para os leres. Estão escritos de uma forma mais simples para tu os perceberes melhor.

• Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!

Recolhido em http://www.junior.te.pt (adaptado)
Imagem : http://maiactual.blogspot.com