segunda-feira, 12 de julho de 2010

CÃES que ficaram para a História

Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher. Por trás dos dois, há muitas vezes um cão. A revista "Época" selecciona dez caninos que ficaram para a história.

A lista é inspirada por Sam Stall, autor de livros como "Cachorro: Manual do Proprietário". Nele, Stall enumera 100 cães que mudaram a civilização. Deixamos aqui dez animais que viveram grandes dias de cão.


1. Laika: de cadela rafeira encontrada a vaguear pelas ruas de Moscovo, a astronauta, símbolo do domínio tecnológico russo. Se tivesse continuado na rua provavelmente não sobreviveria a mais um Inverno. A bordo do Sputnik II morreu de frio.

2. Rico: o cão mais inteligente do mundo? Há quem acredite que sim. Rico, da raça border colie, compreende até 200 palavras.



3. Pal: é talvez o cão-actor mais famoso do mundo. Pal foi o primeiro a fazer de Lassie, tornando-se ao mesmo tempo a primeira super-estrela canina e o primeiro actor macho a fazer de mulher - muitos anos antes de Dustin Hoffman interpretar "Tootsie".

4. Marrom: chamam-lhe um mártir pela libertação animal. Marron foi o último cão a ser dissecado vivo na Universidade de Londres. Na capital inglesa há uma estátua de homenagem a este símbolo do movimento de libertação animal.


5. Pickles: em 1966, três meses antes do início do Campeonato do Mundo de Futebol, a taça foi roubada. Felizmente havia Pickles - o cão, e não os aperitivos avinagrados. O rafeiro encontrou o troféu que foi imediatamente entregue pelo dono as autoridades. O cachorro tornou-se célebre e assistiu à final do campeonato no estádio.

6. Nipper: o dono de Nipper morreu, mas deixou a sua voz gravada numa série de discos. A imagem do cão a olhar para o gramafone à escuta do falecido dono inspirou o artista britânico Francis Barraud que a imortalizou numa pintura - desenho que mais tarde viria ser o símbolo da companhia discográfica Gramophone.


7. Bothie: este minúsculo jack russel terrier é um cão de extremos: esteve no Polo Norte e no Polo Sul. O companheiro de aventuras do explorador Ranulph Fiennes foi eleito animal de estimação do ano em Inglaterra.

8. Aibo: o mais sofisticado de todos os cães a pilhas, o Aibo foi desenvolvido pela Sony no final dos anos 90. Não estragava a mobília, não precisava de ir à rua e não tinha piada nenhuma.


9. Checkers: acusado de corrupção, o candidato à presidência norte-americana Richard Nixon tentou reconquistar o povo norte-americano ao revelar todas as suas finanças. A meio do discurso referiu Checker, o cocker spaniel, que quereria a todo o custo manter.

10. Hachiko: todos os dias este cão da raça akita esperou o seu dono, às 15h, na estação de comboios de Tóquio. Certo dia, o dono morreu no trabalho e deixou de aparecer. Hachiko não e durante os 11 anos seguintes esperou pelo dono à porta da estação.

por Luís Leal Miranda, Publicado em 03 de Agosto de 2009( adaptado* )
in http://www.ionline.pt/conteudo/16450-10-caes-que-ficaram-ahistoria


*montagem das imagens: Clube de História de Valpaços

domingo, 11 de julho de 2010

Dia Mundial da População

O Dia Mundial da População, celebrado a 11 de Julho, é comemorado para assinalar a data de 1987 quando a população mundial atingiu os 5 biliões de pessoas. A população continua a crescer, tendo atingido antes do ano 2000 os 6 biliões de habitantes da Terra.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a população (FNUAP), o crescimento da população mundial deverá estabilizar dentro de 40 anos.

O Dia mundial da População lembra-nos o problema da sobrepopulação e desafia-nos a procurar soluções para esse problema. A solução não se encontra só no controlo da natalidade, mas também na melhoria da dignidade das pessoas, particularmente das mulheres. Também contribui para a resolução deste problema a melhoria das condições de saúde, educação, habitação e oportunidades de emprego.

O aumento da densidade populacional também dificulta a melhoria dos padrões de vida e a protecção do ambiente. Este fenómeno acontece não só devido ao crescimento populacional, como também devido aos movimentos migratórios.

in http://www.caixafa.pt/CaixaFa/Redaccao/2007/02/DiaMundialPopulacao.htm

Há 182 anos



A 11 de Julho de 1828, D. Miguel, o sétimo dos nove filhos de D. João VI e de Carlota Joaquina, e  terceiro varão, foi aclamado rei de Portugal no Palácio da Ajuda, em Lisboa, passando a ser o 31.º monarca português, figurando com a designação de D. Miguel I. Regressou a Portugal, após quatro anos de exílio em Viena de Áustria, a seguir à morte de D. João VI, para assegurar a continuidade dinástica por via do seu casamento com a sobrinha, D. Maria da Glória, em favor da qual o pai, D. Pedro, já imperador do Brasil, abdicava do trono. Pelo convénio, durante a menoridade de D. Maria da Glória a regência seria exercida pela infanta D. Isabel Maria. D. Miguel. A tudo anuiu D. Miguel que não hesitou em jurar a Carta Constitucional outorgada à Nação pelo irmão. Mas após a realização dos esponsais e a garantia de que tinha sido nomeado pelo irmão, D. Pedro IV, seu lugar-tenente em Portugal, dissolveu as Câmaras e, abolindo a Carta Constitucional, fez-se aclamar em Cortes como rei absoluto. Foi nessa qualidade que reinou durante quase seis anos, num ambiente de grande agitação militar que arrastou o país para a guerra civil sujeitando as populações a uma nova vaga de terror e destruição que pareceu tornar-se endémica (desde o início das invasões francesas) até à Convenção de Évoramonte, assinada em 26 de Maio de 1834 que representou a capitulação das forças miguelistas perante as vantagens alcançadas pelo exército liberal. D. Miguel abdicava do trono e era reconduzido ao exílio. Era o fim da Monarquia constitucional em Portugal e a instauração definitiva do regime liberal e constitucional.
Para aceder a dados biográficos mais detalhado sobre D. Miguel I, clique AQUI!

Imagem: http://www1.ci.uc.pt/artes/6spp/j1.html

sábado, 10 de julho de 2010

Há 911 anos



A 10 de Julho de 1099, um Domingo, expirava, no seu leito de morte num dos aposentos do castelo de Valência, El Cid, o Campeador, um nobre e temerário guerreiro espanhol que no século XI, altura em que a o território da Península Ibérica era disputado por reinos rivais de cristãos e muçulmanos, logrou cometer feitos militares que se tornaram lendários. O seu verdadeiro nome era Rodrigo (ou Ruy) Díaz de Vivar, e nasceu cerca de 1043 em Vivar ou Bivar, uma aldeia situada perto da cidade espanhola de Burgos, em cuja catedral repousam os seus restos mortais, bem como os de sua segunda esposa, D. Ximena Dias de Oviedo. Era filho de D. Diego Lains, senhor de Bivar, e de D. Teresa Nunes da Maia, filha de Nuno Álvares da Maia, Senhor das actuais terras portuguesas do Entre Douro e Minho que viriam a integrar o Condado Portucalense, e de D. Gontronde Gutierrez. Trata-se de uma figura imortalizada ao logo dos tempos, desde os finais da Idade Média, pela literatura épica espanhola – o Cantar de mio Cid, poema anónimo dos começos do século XV –, até à actualidade, pelo cinema – a produção ítalo-norte-americana El Cid, de 1961, dirigida por Antonny Mann, com Burt Lancaster a encarnar o herói -, e até por alguns jogos electrónicos, ao gosto das gerações mais recentes – o Age of Empires II: The Conquerors. Em Burgos, no ano de 1955, foi erguida em sua homenagem uma imponente estátua em bronze, obra de Juan Cristóbal González Quesada, que apresentamos na imagem.


• Para aceder a um breve resumo da biografia (versão em castelhano) de «El Cid», clique AQUI!

• Para visualizar um vídeo em homenagem a «El Cid», clique AQUI!

Imagem: http://enunlugardelared.wordpress.com/2009/01/07/el-cid-historico/

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Projecto Auschwitz na 1.ª Pessoa – o Álbum

O clube de História foi divulgando algumas notícias deste que pode ser considerado um dos mais arrojados projectos da Escola Secundária de Valpaços nos últimos anos, «Auschwitz na 1.ª Pessoa». No passado dia 23 de Abril, Leonel Salvado publicou o evento Grupo do Projecto «Auschwitz na 1ª Pessoa» de regresso a Valpaços, e a 27 de Maio, Sérgio Morais divulgou a Grande Reportagem da TSF, intitulada Pretérito mais que presente, da autoria de Joana Sousa Dias com sonorização de Herlander Rui. Ambas as publicações podem ser revistas através da categoria “Datas comemorativas [Universal]”.

Desta vez o Clube de História de Valpaços propõe-se dar a conhecer aos seus visitantes o Álbum do projecto, gentilmente cedido por um dos seus principais organizadores, o Professor João Coelho, que pretende ser uma compilação, na sua versão mais curta, das várias imagens e actividades que dele fizeram parte e da mediatização a que o projecto foi sujeito por parte de vários órgãos de comunicação.



Há 84 anos

António Óscar Fragoso Carmona no seu gabinete presidencial 

Foi a 9 de Julho de 1926 que o General António Óscar Fragoso Carmona deu o primeiro passo na sua monumental escalada do poder, ao assumir a Presidência do Conselho de Ministros, consumado o derrube de Gomes da Costa, através de um golpe militar sucedido no dia anterior. A 16 de Novembro do mesmo ano via-se nomeado, interinamente por decreto, Presidente da República, e em 1928, ainda durante a ditadura militar, finalmente, eleito, por sufrágio directo, Presidente da República, abrindo caminho à ditadura nacional. Este poderoso militar, com sólidas raízes familiares transmontanas (tanto pela sua linhagem paterna como pela sua relação conjugal), seria reeleito por três vezes para a mesma função em 1935, 1942 e 1949, consolidando o poder de António de Oliveira Salazar, e em 1947 foi elevado à dignidade de Marechal do Exército português.

Foto: http://www.flickr.com/photos/biblarte/3863953751/sizes/l/in/set-72157622041849331/

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Homenagem a José Leite de Vasconcelos no 152.º Aniversário do seu nascimento

José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo, o “Leite de Vasconcelos”, nasceu em Ucanha (uma freguesia do concelho de Tarouca, distrito de Viseu), a 7 de Julho de 1858, e faleceu em Lisboa a 17 de Maio de 1914. Foi um linguista, filólogo, arqueólogo e etnógrafo português. O motivo desta singela homenagem, tem que ver com o facto de que este erudito se revelou um verdadeiro apaixonado pela cultura popular, um investigador empenhado em recuperar e deixar para a posteridade um legado cultural que se transmite através da tradição popular por via oral. Considerado como um dos precursores da etnografia científica em Portugal, possui uma extensa lista de obras dedicadas a esta área científica e reuniu à sua volta um grande número de discípulos por todo o país, de que destacamos, em Trás-os-Montes, o valpacense Joaquim de Castro Lopo que participou em algumas dessas obras, designadamente na Revista Lusitana, cuja primeira série foi editada em 39 volumes, entre 1887 e 1943. 

terça-feira, 6 de julho de 2010

Thomas More - Morte de um humanista, nascimento de um Santo


                     
Thomas More                                                                   Tower Hill

A 6 de Julho de 1535 Thomas More, homem de estado, diplomata, escritor advogado e homem de leis, foi executado por decapitação da Tower Hill, em Londres em resultado de ter sido condenado por traição num breve julgamento realizado por determinação do rei, Henrique VIII. Ocupou importantes cargos públicos, chegando a ser a primeira figura, durante séculos, a exercer as funções de Lord Chancellor (Chanceler do reino), tal era a confiança que o rei depositava nele. Também ficou conhecido pela publicação, em 1516, daquela que é considerada a sua mais famosa obra, a Utopia. Fervoroso católico e objector incondicional aos avanços de Henrique VIII contra a autoridade do papa Clemente VII em torno da questão da anulação do sacramento do casamento e a propósito da intenção daquele em obter o divórcio com Catarina de Aragão, Thomas More afastou-se do poder a 16 de Maio de 1532, sobrevivendo a muito custo num clima de desconfiança que sobre ele se abateu desde então. Em Novembro de 1534, More recusou-se a jurar o Acto de Supremacia criado pelo rei para se consagrar como chefe supremo da Igreja na Inglaterra e remeteu-se ao silêncio a respeito das razões dessa recusa, o que lhe valeu a condenação e o martírio. Pela sua trágica morte, rectidão e exemplo de vida cristã foi reconhecido como mártir, tendo sido declarado beato por decreto de 29 de Dezembro de 1886 assinado pelo Papa Leão XIII e a 9 de Maio de 1934 foi canonizado como santo da Igreja Católica pelo Papa Pio XI. É festejado a 22 de Junho.

Imagens:
http://www.tudorhistory.org/people/more/gallery.html
http://www.trasosmontes.com/forum/viewtopic.php?f=9&t=2736

Há 78 anos

5.07.1932 - Cerimónia da tomada de posse de Salazar na chefia do Governo

Perfizeram-se no dia de ontem e no dia de hoje os 78.º Aniversários da tomada de posse de António de Oliveira Salazar como chefe do Governo e a constituição do seu primeiro governo, respectivamente. A data de 5 de Julho de 1932 representa para a História a institucionalização do Estado Novo em Portugal. No poder experimentalmente desde o 28 de Maio de 1928, como assistente do ministro das Finanças, Sinel Cordes, e oficialmente desde 29 de Maio do mesmo ano, em substituição deste, foi efectivamente após o 5 de Julho que a acção política de Oliveira Salazar passou a confundir-se com o próprio regime.

Imagem: http://nsportugal.forumeiros.com/noticias-nacionais-f5/rtp-noticias-da-nacao-t254.htm

domingo, 4 de julho de 2010

Dois Transmontanos ilustres, duas personalidades distintas, nos finais da Monarquia

Leonel Salvado
última actualização: 16 Agosto 2012


Júlio do Carvalhal de Sousa Teles Pereira e Meneses e Francisco Xavier de Morais Pinto (Pimentel Cardoso) foram duas figuras incontornáveis da História local e regional que se fizeram notar no agitado período de crescente afirmação do liberalismo em Portugal. Ambos oriundos de famílias aristocráticas ligadas às mais altas patentes militares, tinham ainda em comum a particularidade terem nascido no mesmo ano de 1810 em terras do concelho de Valpaços, e de terem enveredado pela carreira política e administrativa, como aliás assim obrigavam, em muitos casos, as respectivas tradições familiares. Estas circunstâncias iriam fazer com que os seus destinos se cruzassem, como foi o caso de se terem sucedido no cargo de Governador Civil do Distrito de Bragança. Não obstante tais similaridades, e ainda da comparável firmeza de carácter de que um e outro deram provas, revelaram possuir duas personalidades distintas, no que respeita às suas convicções políticas e ideológicas.

Morais Pinto nasceu em Possacos (ou Poçacos) a 10 de Março de 1810. Foi o segundo filho  de Fancisco Xavier Morais Pinto, nascido e falecido nesta mesma localidade em 1785 e a 9 de Outubro de 1840, respectivamente, e de Maria Guiomar de Sá Macedo Vilas-Boas Mesquita ( na publicação Prefeitos de Trás-os-Montes e Governadores Civis de Bragança é referida uma Maria Guiomar de Macedo Sarmento que suponho tratar-se da mesma pessoa), natural de Vale de Salgueiro, Mirandela. Foi neto de Francisco Xavier Morais Pinto, também nascido e falecido em Possacos, e de Ana Joaquina Ataíde de Almeida, oriunda de uma nobre a abastada família de Montalegre. O seu pai e seu avô foram, portanto, seus homónimos, o que, não sendo caso inédito pode, por vezes, confundir os genealogistas.  Pelo que nos foi possível apurar, através do Geneall.net, este ramo da família dos Morais Pinto de Possacos provém de  uma linhagem aristocrática que se estabeleceu nesta localidade na primeira metade do século XVIII e que resultou do casamento de João Lopes Martins, nascido em Possacos, de que não se assinalam quaisquer referências de ascendência aristocrática, com Leonor Maria de Morais Pinto, natural de Rio Torto,  filha de André Cardoso de Morais, nobre figura de Mirandela, casamento esse celebrado em Rio Torto a 1 de Maio de 1739.

O último dos Franciscos Xavier Morais Pinto, que é o que aqui nos interessa,  foi um Homem cuja lealdade à ordem estabelecida nunca esteve em causa, um servidor incondicional aos princípios liberais estabelecidos pela monarquia constitucional e, portanto, um Homem que se colocou, até à exaustão física, ao serviço da Coroa, independentemente das opções favorecidas ou toleradas pela Soberana, D. Maria II. Foi em conformidade com estes princípios que, enquanto Governador Civil do Distrito de Bragança, em 1847, Morais Pinto apelou efusivamente à sua população para a defesa da moral e da ordem pública em favor do Governo, contra o movimento rebelde da «patuleia», o que resultou na destruição desta pelo confronto militar ocorrido nas imediações do velho caminho de Ervões, celebrizado sob a designação de «Acção Valpaços», onde as forças fiéis à soberana, comandadas pelo barão do Casal e pelo visconde de Vinhais, levaram a melhor sobre as milícias dirigidas pelo visconde de Sá da Bandeira. Faleceu na Foz do Douro, Porto, onde residia, no dia 6 de Janeiro de 1888

Júlio do Carvalhal de Sousa Teles Pereira e Meneses, como consta nos documentos oficiais, ou Júlio do Carvalhal da Silveira Betencourt de Noronha, como surge nos manuscritos familiares, ou simplesmente Júlio do Carvalhal, como é hoje vulgarmente conhecido, nasceu no dia 5 de Março de 1810 no lugar de Alanhosa, freguesia de S. Miguel de Nogueira, Chaves. Também possuía invejáveis pergaminhos aristocráticos, de que que desde logo é sintomática a extensão e pomposidade do seu próprio nome.

Graças ao estudo publicado por Ana Luísa no seu blogue Árvore de geração da Família dos Carvalhais e Bettencourts das Ilhas e sua Descendência, por Fernando Eugénio do Carvalhal de Sousa Teles (ver link em rodapé), não subsistem dúvidas de que Júlio do Carvalhal pertenceu a uma ilustre família da fidalguia portuguesa cuja influência se estendeu ao longo dos séculos desde as ilhas Canárias, ao arquipélago da Madeira, ao Norte de Portugal e sobretudo à Província de Trás-os-Montes. Uma família cujos pergaminhos atestam o seu notável protagonismo em momentos cruciais da História de Portugal, assim no movimento expansionista, pela ocupação das Canárias e das ilhas atlânticas, como em actos de heróica lealdade à dinastia de Bragança logo no início das guerras da Restauração, e até, iremos referir a propósito da bravura revelada pelo próprio Júlio do Carvalhal, nas guerras liberais e noutras que se lhes seguiram.

Devido ao mesmo estudo, é possível remontar a ascendência de Júlio do Carvalhal a, pelo menos, dez gerações. Neste sentido está documentado que ela radica em João de Betencourt, um Ilustre Cavaleiro e General francês que em 1417 governou as ilhas Canárias e dois anos depois passou às ilhas Terceira e Madeira, obteve de D. João I inúmeras doações e se estabeleceu, casando com D. Maria de Carvalhal e Silveira. Desse enlace resultou o nascimento de Francisco Betencourt de Carvalhal e Silveira, nono avô de Júlio do Carvalhal, que foi feito Fidalgo e Cavaleiro de S. Majestade e Comendador da Ordem de Cristo e se casou na ilha da Madeira com D. Angélica da Câmara Durman. Este casal teve um filho a quem deu o nome de Manuel de Betencourt Carvalhal e Silveira de Durman. Este oitavo avô de Júlio do Carvalhal, Fidalgo e Cavaleiro de S. Majestade, foi Governador da Cidade de Angra do Heroísmo da mesma ilha e casou com D. Angélica de Noronha e Canto de quem teve dois filhos, tendo sido primogénito João do Carvalhal de Silveira de Noronha Betencourt (o sétimo avô de Júlio do Carvalhal), Fidalgo Cavaleiro da Casa Real e Mestre de Campo do Terço da cidade de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, que casou com D. Isabel da Camara Albuquerque Borges, deles nascendo um filho, cerca de 1609, Estêvão da Silveira Carvalhal Borges Betencourt, Fidalgo Cavaleiro de Sua Majestade que foi Governador e Capitão General do arquipélago da Madeira, foi morto pelos espanhóis, no tempo dos Filipes, por recusar entregar-lhes as Ilhas, que ele defendeu por largo tempo, havendo até aí cunhado moeda. Foi o sexto avô de Júlio do Carvalhal e casou com D. Margarida de Lemos, nascendo desse casamento dois filhos, o primeiro dos quais foi Francisco do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt (quinto avô de Júlio do Carvalhal), Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real de quem se diz ter sido o principal responsável pela defesa e Restauração das ilhas depois da Aclamação de D. João IV, pelo que foi nomeado Comandante das mesmas,  a seguir Comandante de Mar e Guerra e logo depois Almirante da Armada e Ouvidor Geral de Moçambique. Do seu casamento com D. Maria da Camara houve dois filhos, o primeiro dos quais, João do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt Fidalgo e Cavaleiro foi tetravô de Júlio do Carvalhal e casou com D. Maria de Noronha Corte Real nascendo deles três filhos, tendo sido um deles o trisavô de Júlio do Carvalhal, Francisco do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real que foi Governador de S. Neutel, em Chaves, depois de ter casado em Lisboa com D. Maria Magdalena Telles e Távora. Foi, como se depreende de uma nota publicada no blogue a que fizemos inicialmente referência, por esta altura e através deste casamento que esta altura que esta ilustre família se estabeleceu na região de Trás-os-Montes e para a qual passou a Casa e Vínculo de Nossa Senhora dos Remédios de Veiga do Lila e dela foi detentora ininterruptamente por sucessão varonil até à morte de Júlio do Carvalhal. O casal teve sete filhos, o terceiro dos quais, e primeiro varão, foi o bisavô de Júlio do Carvalhal, Alexandre Manoel de Carvalhal e Silveira Noronha Betencourt, Fidalgo da Casa Real que casou com D. Clara Costa Pereira e tiveram dois filhos sendo o primogénito e varão, avô de Júlio do Carvalhal, Francisco José de Carvalhal Telles da Silveira Betencourt, Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real, nascido em Chaves a 14 de Dezembro de 1751 que do seu terceiro casamento, com D. Isabel Maria Bernarda Teixeira Osório de Queiroga, que era natural de Argeriz e filha do Dr. Inácio Gomes Osório de Queiroga (bacharel formado, em1731, em Cânones) e de D. Joana Maria Teixeira, resultou o nascimento de Alexandre Manoel do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Noronha Betencourt, Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real, em Argeriz, Chaves, em 1783, herdeiro da casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, em Veiga de Lila, vereador da Camara Municipal de Chaves nos anos de 1819, 1824 e 1827.
Júlio do Carvalhal, aliás Júlio do Carvalhal da Silveira Betencourt de Noronha, foi o terceiro dos 5 filhos daquele Alexandre Manoel do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Noronha Betencourt e de D. Rosália Vicência de Meneses Faria e o herdeiro do vínculo de N.ª dos Remédios, em Veiga de Lila, por morte de seu irmão Alexandre durante as lutas liberais no cerco do Porto ou no Algarve (as fontes divergem). Casou duas vezes: primeiro com D. Maria da Piedade Ferreira Sarmento de Lacerda e, após a morte desta, com a cunhada D. Maria das Dores Sarmento Pimentel de Lacerda. Deste segundo casamento não houve filhos. Do primeiro houve quatro filhos, sendo o mais novo, César do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Betencourt, o único varão que não deixou descendência. D. Efigénia do Carvalhal de Sousa Silveira e Telles Pimentel, senhora de aprimorada cultura, escritora e poetisa foi, como primogénita de Júlio de Carvalhal, herdeira de Casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, de Veiga de Lila. Casou com Francisco de Moraes Teixeira Pimentel, o conhecido “morgado de Rio Torto, mas os dois filhos resultantes do casamento morreram em tenra idade pelo que a continuidade, por linha varonil, deste ramo da numerosa família dos Carvalhais detentora de casas e haveres nas povoações de Nantes, Argeriz e Veiga de Lila, teve de ser assegurada pela descendência de outros membros, desde logo por António do Carvalhal da Silveira Telles Pereira Noronha, irmão mais novo de Júlio do Carvalhal. Júlio do Carvalhal faleceu na sua casa de Vilar de Nantes (Chaves) no dia 8 de Junho de 1876.
Terminamos esta resenha genealógica centrada em Júlio do Carvalhal com uma citação do autor da pesquisa que para ela nos serviu de base  (autor que julgamos ser um dos descendentes desta família) a respeito de D. Efigénia do Carvalhal e do destino do património deste ramo da  família em Veiga de Lila.  

«D. Efigénia do Carvalhal de Sousa Silveira e Telles Pimentel como filha primogénita de Júlio do Carvalhal, foi herdeira de casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, de Veiga de Lila.
Viúva e sem filhos, D. Efigénia do Carvalhal, acautelou, atempadamente e no seu pleno juízo, assegurar a continuidade na família do referido vínculo. Assim, fez escritura de doação, com reserva de usufruto, em favor da sua sobrinha Umbelinha do Carvalhal, casada com seu primo Eugénio Evangelista do Carvalhal, de todos os seus bens.
Faleceu com 94 anos, tinha eu 12 anos, ainda tenho presente a sua lucidez e recordo, com saudade, o carinho com que nos recebia no seu solar. Da mesma maneira e com fidalguia, suas ilustres visitas eram sentadas na mesa de refeições, ouvindo-a e conversando, quase sempre em matéria de carácter cultural.
Hoje, infelizmente, quer o solar, quer os prédios rústicos, encontram-se parcelados, por vezes, em mão de estranhos à família.»
In http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com/

Júlio do Carvalhal  fez-se um militar arrojado, e é recordado como um dos «bravos do Mindelo». Por mais de uma vez deu provas de incontida rebeldia, tendo sido, por isso, um Homem que hoje, politicamente, classificaríamos «de esquerda», na mesma linha do inconformismo liberal de José Estêvão perante os sucessivos ministérios cartistas da ala moderada. Foram essas convicções que o moveram, aliás, a pedido daquele, a favorecer em Valpaços a abortada rebelião do setembrismo radical que, preludiando os movimentos da «Maria da Fonte» e da «Patuleia», terminou com o exílio voluntário do seu principal instigador. A anuência de Júlio de Carvalhal à rebelião e o seu envolvimento pessoal, surgem-nos atestados nas referências biográficas respeitantes ao incansável deputado setembrista José Estêvão, o qual, reagindo ao malogro que a sua causa, aclamada em Almeida, resultou em Moncorvo, ainda insistiu na sublevação dos populares da província de Trás-os-Montes no mesmo ano de 1844. Aqui transcrevemos um excerto dessas referências:

Depois desta tentativa [a conspiração de Moncorvo] em que se perdeu muito tempo, decidiu afinal José Estevão o pronunciamento popular da província, e com esse fim mandou João Bernardino para Veiga de Lila, o qual, de acordo e debaixo da direcção de Júlio do Carvalhal, conseguiu levantar algumas forças populares na montanha auxiliadas pelos setembristas influentes de Vila Pouca de Aguiar. Tudo estava pronto e habilmente preparado para o dia designado. José Estevão devia sair de Murça com os populares que estivessem armados, e marchar com eles a tomar o comando das forças revolucionadas por Júlio de Carvalhal, enquanto nos outros dois pontos da província os demais caudilhos, já prevenidos, levantariam simultaneamente o grito a favor da causa sustentada em Almeida. No dia designado para a partida de José Estevão, recebeu-se a notícia da capitulação da praça, e soube-se que, as forças cabralistas marchavam sobre Trás-os-Montes. José Estevão ainda tentou resistir, mas os ânimos estavam desmoralizados, e os populares abandonaram-no. Nestas circunstâncias partiu sozinho para Espanha pela raia de Castela, e foi encontrar-se com os emigrados em Salamanca, onde entregou o dinheiro que tinha recebido no Porto para acudir às necessidades da emigração, e pedindo licença a César de Vasconcelos, tomou passaporte para Paris.
fonte : http://www.arqnet.pt/dicionario/estevaojose.html

Mas, nem por isso foi menos brilhante o papel histórico protagonizado por Júlio do Carvalhal, que tem sido recordado, acima de tudo, como um Homem dedicado ao desenvolvimento do distrito de Bragança, à terra que o viu nascer e ao concelho de Valpaços, isto é, um Homem que se mostrou muito mais preocupado em servir a sua terra do que em servir os caprichos políticos dos homens do poder central instituído. Foi com tal dedicação que Júlio do Carvalhal enquanto deputado às Cortes pelo Círculo de Valpaços, entre 1860 e 1872 se destacou como um dos grandes defensores da construção da linha de caminho de ferro entre o Porto e a Régua. De igual dedicação resultou a homenagem que lhe devemos por ter sido ele quem, enquanto Presidente da Câmara Municipal de Valpaços  conseguiu obter de D. Pedro V, após insistentes pedidos, a elevação da entretanto engrandecida sede municipal, Valpaços, à categoria de vila,  por Decreto de 27.3.1861.

Vejamos o que a respeito destes dois Valpacenses se publicou em Prefeitos de Trás-os-Montes e Governadores Civis do Distrito de Bragança (1833-2005):

«[…]

Júlio do Carvalhal 

Governador Civil do Distrito de Bragança
21.Maio.1846 – 8.Outubro.1846
(Veiga de Lila, 10.3.1810 – Nantes, 9.6.1872)
Júlio do Carvalhal de Sousa Teles Pereira e Meneses.
Oficial do exército.
Deputado e presidente de câmara.
Natural de Veiga de Lila, Valpaços.

Por decreto de Agosto de 1864 foi-lhe conferido o grau de Comendador da Ordem da Conceição, o qual, porém, veio a ser anulado por um outro de Dezembro do mesmo ano. Foi moço-fidalgo, cavaleiro da Casa Real e da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, esta última em reconhecimento dos serviços relevantes prestados na Batalha de Ponte Ferreira, em 29 de Setembro de 1832. Recebeu vários louvores enquanto oficial do exército.
Administrador do vínculo de Nossa Senhora dos Remédios de Veiga do Lila.

Assentou praça voluntariamente no Regimento de Cavalaria n.º 9, em Agosto de 1827. Em 1828 pertenceu à Divisão do Porto, imigrando depois para a Galiza e Inglaterra, onde conviveu com Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Passos Manuel.

Em Março de 1829, participou na defesa da ilha Terceira, onde se conservou até Julho de 1831.

Em 8 de Julho de 1832, participou no desembarque das tropas liberais no Pampelido, Mindelo, e acompanhou o duque da Terceira pelas províncias do Norte até Évoramonte. Durante este tempo participou em dezoito combates e batalhas, muitas delas com um contributo decisivo.

Por ofício de 12 de Setembro de 1836, foi nomeado chefe de estado-maior do Governo Militar da Província de Trás-os-Montes e exerceu também as funções de governador do forte de São Neutel, em Chaves.

Por 1837 encontrava-se gravemente doente, padecendo de hemoptise periódica, dores reumáticas e problemas no sistema nervoso, contraídas em serviço, sendo julgado incapaz de serviço activo. Em sequência desta moléstia, pediu nesse mesmo ano para passar a adido à 1.ª Companhia de Veteranos da 5.ª Divisão Militar.

Em 1838, depois de vários atestados médicos corroborarem o seu precário estado de saúde, uma junta médica militar declarou-o “incapaz de serviço activo”.

Deputado, em 1860, pelo círculo de Valpaços e reeleito sucessivamente nas legislaturas de 1861-1864, 1865, 1865-1868, 1870 e 1870-1871.

Foi presidente da câmara municipal de Valpaços e nestas funções, em 1861, conseguiu a elevação daquela localidade a vila.

Com os seus colegas António Alves Martins e José Luís Alves Feijó, tomou a iniciativa, no Parlamento (1860-1864), da construção de uma linha férrea no distrito de Bragança e foi o primeiro deputado a dedicar-se à questão do caminho-de-ferro do Douro.

Foi governador civil de Bragança, cargo de que tomou posse a 21 de Maio de 1846, exercendo essas funções até 8 de Outubro seguinte; e segunda vez por decreto de 23 de Maio de 1856, tomando posse a 23 do mês imediato, perante o secretário-geral António Leite Pereira Lobo, exercendo o cargo até 13 de Julho de 1857. No Diário do Governo de 6 de Junho de 1846, diz-se que a nomeação foi por decreto de 6 desse mês e ano.

Logo no início do seu primeiro mandato, entre Junho e Julho de 1846, no âmbito da Guerra Civil que ficou conhecida por Maria da Fonte, Júlio do Carvalhal viu-se a braços no seu distrito com guerrilhas miguelistas.

Fontes e Bibliografia:

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928); Arquivo Histórico Militar, Processo individual de Júlio do Carvalhal de Sousa Teles; Boletim Official de Bragança, Bragança, 1846; A. Veloso Martins, Monografia de Valpaços, Porto, 1978;

Francisco Manuel Alves, Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, t. VII, Porto, 1931.

http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com/

Francisco Xavier de Morais Pinto

Governador Civil do Distrito de Bragança
8.Outubro.1846 – 5.Julho.1847
(Possacos, 4.6.1810 – Porto, 6.1.1888)

Francisco Xavier de Morais Pinto (Pimentel Cardoso).
Conselheiro, deputado e par do Reino.
Natural de Possacos, Valpaços.

Comendador da ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Filho de Francisco Xavier de Morais Pinto, morgado da casa dos Possacos, moço-fidalgo com exercício no Paço e coronel do regimento de milícias de Chaves, e de Maria Guiomar de Macedo Sarmento. Tal como o seu pai, foi moço-fidalgo com exercício no Paço, e ainda deputado às cortes pelo círculo de Valpaços, na legislatura de 1846, tendo regressado à Câmara dos Deputados na legislatura de 1868-1869. Foi ainda conselheiro de Estado. Foi governador civil de Bragança por decreto de 8 de Outubro de 1846, de cujo lugar tomou posse a 1 de Dezembro desse ano, perante António José de Miranda, par do reino e presidente da Junta Governativa daquele distrito, conservando-se ali até 8 de Novembro do ano seguinte. Foi um mandato atribulado, já que na sequência da guerra civil designada por Patuleia, Francisco Xavier de Morais Pinto foi obrigado a refugiar-se em Espanha, em 5 de Maio de 1947, juntamente com o secretário-geral, Diogo Albino de Sá Vargas, e a maior parte dos empregados do Governo Civil. Voltou, mais tarde, a exercer o mesmo cargo (embora não se encontre mencionado no livro dos autos de posse daquele Governo Civil) desde Maio de 1851 a Maio de 1856, como se vê pelos Diários do Governo de 18 de Maio de 1852 e 24 de Fevereiro de 1853 e pela correspondência expedida pelo Governo Civil durante este período.


Discurso de Morais Pinto aquando da Guerra Civil da Patuleia (1847)

Habitantes do distrito de Bragança!

Algumas centenas de portugueses, infelizmente iludidos e rebeldes contra o trono de nossa adorada rainha e senhora D. Maria II, invadiram há pouco vossas habitações para estenderem a guerra civil e a anarquia a um país jamais manchado com a nódoa de infidelidade a seus augustos soberanos; e para vos constrangerem a concorrer com as produções de vossas fadigas, e com vossos dinheiros, à causa iníqua em que seguem obstinados.

Hoje, porém, sois livres.
Com as tropas leais do digno comando do Exmo. e benemérito Barão de Vinhais, comandante interino da 5.ª divisão militar, eis-me outra vez entre vós, para libertar-vos do flagelo que vos oprimia, e para vos restituir a paz, o império da lei, e a segurança que víeis tão comprometida, de vossas pessoas e de vossas coisas.

Habitantes do distrito de Bragança, exultai! A guerra civil vai tocar seu termo com o triunfo completo da causa da legalidade e da ordem, e das instituições liberais consignadas na Carta Constitucional da monarquia.

As forças navais de suas majestades britânica e católica fizeram já prisioneira a maior parte da tropa dos sublevados; e um respeitável corpo de exército espanhol entra hoje por esta fronteira para coadjuvar as tropas leais até à inteira submissão dos rebeldes às ordens da nossa augusta soberana.

Habitantes do distrito de Bragança! Continuai a permanecer tranquilos; abraçai como amigos e aliados os súbditos da nação espanhola, que tão generosamente nos vêm auxiliar e esmagar a ira revolucionária, e não desmintais os nobres sentimentos e o carácter transmontano.


Bragança, 11 de Junho de 1847.

O governador civil – Francisco Xavier de Morais Pinto.

(Impresso em folha avulsa, sem indicar lugar de impressão nem tipografia, mas provavelmente em Bragança, pertencente a Júlio Lemos, empregado da Câmara Municipal daquela cidade, e transcrito por Francisco Manuel Alves nas suas Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, t. VII, Porto, 1931, p. 8)


Ofício de Morais Pinto à rainha, a dar conta das dificuldades sentidas durante a guerra civil e da sua exoneração (1847)

Vou concluir oito meses de exercício do cargo de governador civil deste distrito, que sua majestade a rainha me havia feito a honra confiar-me por decreto de oito de Outubro do ano próximo passado. Não foi sem grande dificuldade que tomei sobre mim tanto peso, por certo superior a minhas débeis forças, em circunstâncias tão melindrosas como aquelas em que o país se tem achado. Porém, a religiosa obediência que devia às ordens da nossa excelsa soberana, e os restantes desejos que nutria de contribuir com meus esforços, conquanto apoucados, a bem da causa do trono constitucional da senhora D. Maria II, causa que sempre segui, e com lealdade me tenho proposto defender, não, digo, tenho prezado defender, não consentiam que eu, ficando estranho a essa hidra que flagelou o país, deixasse de acompanhar os meus concidadãos com as armas na mão, ou de qualquer modo que estivesse ao meu alcance. Se não acertei nas providências que adoptei, e se delas não resultou o melhor bem-estar para os meus administrados, não foi certamente por falta de bons desejos, nem sinto minha consciência atormentada pelo remorso de ter deixado de cumprir minhas obrigações com desinteresse ao meu alcance.

Se não acertei nas providências, digo, desinteresse e com verdadeira dedicação pública. Hoje, porém, que as coisas apresentam um aspecto inteiramente diverso, e que a tranquilidade e ordem pública se acha estabelecida, entendi deverem terminar também meus trabalhos, e por isso, supliquei da soberana a graça da minha exoneração, que a mesma augusta se serviu conceder-me.

Resta-me, portanto, agradecer a V. Senhoria o zelo e eficácia com que sempre me coadjuvou no desempenho de minhas funções administrativas, devendo assegurar-lhe que sempre em mim encontrará a melhor disposição para com V. Senhoria., e o desejo de mostrar-lhe os meus sentimentos de gratidão.

F. X. de M. Pinto
(Arquivo Distrital de Bragança, Governo Civil de Bragança, Correspondência
Expedida, cx. 16, lv. 67, ofício de 23 de Julho de 1847)
[…]»
in http://www.gov-civil-braganca.pt/mambo/downloads/gov_civil_2.pdf


Ver uma reprodução artística do retrato de Júlio do Carvalhal

Fontes e Bibliografia:
Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928); Francisco Manuel
Alves, Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, t. VII, Porto, 1931;
A. Veloso Martins, Monografia de Valpaços, Porto, 1978.

Breves Curiosidades – Parte I

ESTIMATIVAS E CÁLCULOS ESPANTOSOS

Emagrecimento solar

O Sol perde 4,5 milhões de toneladas por segundo.

Arquivo tóxico
A Welsh National Poisons Unit de Cardiff (País de Gales, Reino Unido), possui uma base de dados com onze mil venenos e respectivos antídotos.

Matança avícola
Actualmente abatem-se no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque, uma média de dez mil aves, para evitar acidentes aéreos.

Mexe-me essa peça!
Numa partida de xadrez, o número de movimentos que os dois jogadores podem fazer nas quatro primeiras jogadas é de 318.879.464.000.

sábado, 3 de julho de 2010

As primeiras corridas de automóveis em Portugal

Um dos primeiros capítulos da História do desporto de automóveis em Portugal, encerra curiosas situações que envolvem algumas figuras históricas bem conhecidas, monárquicos e republicanos, que ao tempo se destacaram como os entusiastas daquelas «estranhas máquinas», como foram os casos do infante D. Afonso, o seu irmão, rei D. Carlos, e Egas Moniz, que mais tarde viria a celebrizar-se como Prémio Nobel da Medicina. A cerca de um século de distância, vale a pena apreciar o modo como essas primeiras aventuras desportivas ocorreram, as situações que hoje nos podem parecer ridículas ou caricatas, mas que no início do século eram vistas como feitos admiráveis. Já havíamos referido num outro artigo deste blogue, nesta mesma categoria de “Automóveis na História” que a entrada do primeiro automóvel em Portugal data do dia 14 de Outubro de 1895, um “Panhard et Levassor” adquirido pelo conde de Avilez. Convém acrescentar que em 1900 foram importados mais 13 automóveis e no ano seguinte importaram-se 20. Em 1902 foram importados 51 automóveis! É em Agosto deste ano que se realiza a primeira prova de velocidade em Portugal em circuito, no hipódromo de Belém. O vencedor foi o norte-americano Abbot, aos comandos de um Locomobile, movido a vapor.

Álbum sobre a República em BD

Tivemos conhecimento de que se prefigura, para breve, no âmbito das comemorações do I centenário da República, a publicação de um Álbum em BD intitulado ”Res Pública” da autoria do nosso estimado “visitador” Jorge Miguel, o qual teve a amabilidade de levantar ligeiramente o véu que encobre o seu louvável projecto, perante os habituais mirones, de entre os quais nos incluímos, do seu blogue “Falta apagar o lápis”, e regalar-nos com um esboço que é um simples fragmento do projecto, mas daqueles de “fazer crescer água na boca”. Estando o Clube de História da Escola Secundária/3º Ciclo do Ensino Básico de Valpaços envolvido de corpo e alma nas actividades que esta instituição de ensino e educação tem vindo a levar a cabo através do Departamento de Ciências Sociais e Humanas e do Grupo Disciplinar de História, é com grande prazer e simpatia que decidimos revelar publicamente os nossos votos para que o Jorge Miguel concretize mais este seu objectivo, que é o de divulgar, com sucesso, o “Res Pública” em Outubro no festival do Amadora BD.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

90.º Aniversário do nascimento de Amália Rodrigues


As Origens

Amália da Piedade Rodrigues nasceu em 1920, em Lisboa, filha de pais naturais da Beira Baixa. A data certa do nascimento é desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou que nasceu no primeiro dia desse mês.

O despertar de uma estrela

Educada pela avó, cantou pela primeira vez em público em 1929 numa festa da Escola Primária da Tapada da Ajuda, que frequentava. Mais tarde trabalhou como bordadeira.

Em 1933, empregou-se numa fábrica de bolos e rebuçados em Lisboa e dois anos mais tarde, com a irmã Celeste, trabalhou numa loja de souvenirs no Cais da Rocha, acompanhada pela mãe, vendedora de fruta.

Em 1935, desfilou na Marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez acompanhada à guitarra numa festa de beneficência. Estreou-se em 1939 no Retiro da Severa, a casa de fados mais importante da altura, acompanhada por Armandinho, Jaime Santos, José Marques, Santos Moreira, Abel Negrão e Alberto Correia, interpretando três fados.

Em 1940 casa com o guitarrista amador Francisco da Cruz. No dia 25 de Junho de 1940 é a atracção convidada da revista do Teatro Maria Vitória, Ora Vai Tu!, a primeira de muitas revistas em que participou.

Amália no Estrangeiro

A sua estreia no estrangeiro, a 7 de Fevereiro de 1943, ocorreu em Madrid, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira. Amália separa-se do primeiro marido.

Em 1944 viajou pela primeira vez para o Brasil, onde actuou no Casino de Copacabana. O sucesso levou a prolongar a estada de seis semanas para três meses, tendo regressado no ano seguinte ao País

Amália Rodrigues gravou os primeiros discos de 78 rotações, a 17 de Outubro de1945, no Brasil para a etiqueta Continental.

Amália do Fado ao Cinema

A estreia no cinema ocorreu a 16 de Maio de 1947 com o filme Capas Negras, de Armando Miranda, que bate todos os recordes de exibição, com 22 semanas consecutivas em cartaz no cinema Condes, em Lisboa.

Em Fevereiro de 1948 recebeu o Prémio SNI para a melhor actriz de cinema pela sua interpretação de Fado, de Perdigão Queiroga, estreia no Porto e é anunciado como sendo inspirado na vida de Amália, o que a fadista sempre negou.

Em Abril de 1949 cantou pela primeira vez em Paris e em Londres, em festas do Departamento de Turismo organizadas por António Ferro.

Em 1950 continua a sua tournée pela Europa, actuando em Berlim, Dublin e Berna. Começa a cantar poemas de Pedro Homem de Mello e David Mourão-Ferreira. Em Dublin, canta Coimbra, que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como Avril Au Portugal.

Em 1951, acontece a Estreia de Vendaval Maravilhoso, de Leitão de Barros, um dos filmes preferidos de Amália entre aqueles em que participou. Gravou pela primeira vez em Portugal, para a editora Melodia (Rádio Triunfo). Numa digressão por África canta em Moçambique, Angola e Congo Belga.

Em 1952 cantou em Nova Iorque, onde ficou 14 semanas em cartaz, e assinou contrato discográfico com a casa Valentim de Carvalho, fazendo as primeiras gravações no estúdios da EMI, em Londres.

Em 1953 Amália torna-se na primeira artista portuguesa a actuar na televisão americana no famoso programa Coke Time with Eddie Fisher, onde interpreta Coimbra.

É de 1954 também o seu primeiro álbum, Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal And Flamenco From Spain, publicado nos EUA pela Angel Records. Este álbum nunca foi publicado em Portugal com o mesmo alinhamento.

No ano 1955 participou no filme Os Amantes do Tejo, de Henri Verneuil, onde interpreta a Canção do Mar e o Barco Negro. Filma no México Musica de Siempre com Edith Piaf

No dia 10 de Abril de 1956 estreou-se no famoso Olympia, de Paris, numa das festas de despedida de Josephine Baker, e em Julho de 1958 foi condecorada por Marcelo Caetano na Exposição Mundial de Bruxelas.

No dia 4 de Novembro de 1958 estreou-se na televisão portuguesa no papel principal da peça O Céu da Minha Rua, adaptada de uma peça de Romeu Correia.

Em 1961, confirmam-se os boatos que desde há muito andam no ar. Amália casa-se no Rio de Janeiro com o engenheiro César Seabra, e anuncia que vai abandonar a carreira artística passando a viver no Brasil. Um ano depois Amália regressa a Lisboa.

Em 1962 foi editado o álbum Amália Rodrigues, mais conhecido como Busto ou Asas Fechadas, grande viragem na sua vida artística, onde canta Estranha Forma de Vida, Povo Que Lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, e, pela primeira vez, músicas de Alain Oulman.

Em 1963, em Beirute, é tal o seu prestígio, que a convidam a acompanhar com os seus fados uma Missa de Acção de Graças pela independência do Líbano. E continua sempre a voltar aos países que não se cansam de a reclamar. Em Paris, o acolhimento do público é sempre delirante, não só no Olympia, como participando nos mais sensacionais acontecimentos artísticos.

Em 1964 Amália regressa ao Cinema com Fado Corrido, um Filme de Brum do Canto baseado num conto de David Mourão Ferreira, onde mais uma vez lhe dão um papel de fadista. Na estreia do filme em Lisboa confirmou-se mais uma vez que Amália continuava a ser a artista preferida do público português. Onde quer que aparecesse era sempre uma sensação.

Em 1965, Amália atinge a sua melhor interpretação no cinema em As Ilhas Encantadas do estreante Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. Neste filme, diferente de todos os outros da sua carreira, Amália pela primeira vez não canta. Amália volta a receber o prémio de melhor actriz com As Ilhas Encantadas e no ano seguinte aparece no filme francês Via Macau.

Em 1966, é editado o primeiro disco em que recria o folclore, a que mais dois se seguirão. Com uma grande orquestra sinfónica, dirigida por André Kostelanetz, actua no Lincoln Center, em Nova Iorque, e no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Canta em França, Israel, Brasil, África do Sul, Angola e Moçambique. Amália cantou na inauguração da Ponte sobre o Tejo, gravou Concerto de Aranjuez, com uma letra em francês, e Vou Dar De Beber À Dor, de um compositor até então desconhecido, Alberto janes, que se tornará num dos maiores êxitos de Amália, com mais de 100 mil cópias vendidas.

Em 1967 em Cannes, Anthony Quinn, com enorme entusiasmo, anuncia oficialmente que prepara dois filmes para Amália, sendo o primeiro Bodas de Sangue de García Lorca. Mas Amália prefere exprimir-se no canto.

Em 1969 cantou na União Soviética, correndo o mundo que unanimemente lhe reconheceu o talento.

Em Janeiro de 1970, Amália parte para Roma para actuar no Teatro Sistina em Roma. O sucesso foi tal que o fenómeno "Amália" se espalha por Itália. Começava então "La Folia per La Rodrigues". Amália canta pela primeira vez em Tokyo, e também o Japão, apesar de tão longínquo e com uma cultura tão diferente, se rende ao fascínio de Amália . Desde então sucedem-se as tournées pelo Japão abrangendo várias cidades. Todos os seus discos são editados nesse país, que com ela tanto se identifica. É frequente, quando Amália parte para o Japão todos os seus espectáculos estarem já esgotados, lançando assim Amália, uma verdadeira ponte cultural entre Portugal e o Japão.

Este disco conquista para Amália os mais importantes prémios da indústria discográfica: IX Prémio da Critica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).

Em 1972 no Brasil, estreia-se no Canecão do Rio de Janeiro Um Amor de Amália, onde pela primeira vez, num espectáculo organizado, Amália canta e conta histórias da sua vida. Tanto é o sucesso que, o show é repetido no ano seguinte. Esse espectáculo, onde Amália é acompanhada para além da guitarra e da viola, por uma orquestra e um coro, foi gravado em disco.

No dia 25 de Abril de 1974 dá-se a revolução que derrubou o regime fascista que há 48 anos governava Portugal. Amália, devido a um contrato que tinha para actuar na televisão espanhola, partiu para Madrid no dia seguinte. Em Lisboa, a grande popularidade internacional de Amália fez que de imediato circulassem boatos que a ligavam ao regime deposto. Embora só ligeiramente prejudicando a sua carreira, estes boatos afectaram gravemente a sensibilidade de Amália. Apesar destes boatos, Amália aparece logo no Coliseu onde 5 mil pessoas aplaudem de pé, provando que o seu público nunca a abandonou. A partir dessa altura, faz as mais longas tournées por Portugal, e o seu sucesso internacional continuou a aumentar fazendo tournées por todo mundo.

Em 1976 são editados Amália no Canecão, álbum ao vivo que regista parte do show de Amália naquele palco brasileiro em 1973, e Cantigas da Boa Gente compilação de material lançado anteriormente em singles e Eps. Também neste ano canta no Théâtre de Champs Elysées, em Paris. É publicado pela UNESCO o disco Le cadeau de la vie, onde figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, Yehudin Menuhim, Aldo Ciccolini, Gyorgy Cziffra e Daniel Barenboim.

No ano de 1977 são editadas mais duas compilações – Fandangueiro e Anda o Sol na Minha Rua – de um novo single de Alberto Janes, Caldeirada, e de Cantigas numa língua antiga, primeiro álbum de material original de Amália em três anos, embora dele façam parte alguns temas já anteriormente registados pela fadista, aqui gravados em novas versões. Neste ano volta ao Carnegie Hall de Nova York.

Em 1980, Amália edita Gostava de ser quem era, o seu primeiro álbum de material inédito em três anos, composto por dez fados originais com letras da própria Amália, escritas em sua casa durante a convalescência de uma doença.Também em 1980 recebeu do Presidente da Republica acondecoração de grande oficial da ordem do infante D. Henrique. Logo em seguida é homenageada pela Câmara de Lisboa.

Amália edita, em 1982, com poucos meses de intervalo, O senhor extra-terrestre, um maxi-single com duas canções de Carlos Paião, e "Fado", um novo álbum de estúdio composto exclusivamente por novas gravações de composições de Frederico Valério, muitas delas criadas por Amália. O álbum atinge o 5º lugar do top de vendas de álbuns compilado pela revista Música & Som.

Em 1983, é editado o álbum Lágrima, composto por 12 originais gravados durante 1982 e 1983, de novo com letras suas. Será o seu último disco de material inédito até à edição de Obsessão, em 1990.

É editado, em 1984, Amália na Broadway, que reúne oito standards de musicais americanos gravados por Amália em 1965 nos estúdios de Paço de Arcos com o maestro inglês Norrie Paramor, mas nunca antes editados em disco. As gravações haviam sido pensadas para um álbum de standards americanos que nunca veria a luz do dia. O álbum atinge o 17º lugar do top oficial de vendas de álbuns.

A 19 de Abril de 1985, Amália dá o seu primeiro grande concerto a solo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O sucesso do Coliseu repete-se em Paris onde Amália é condecorada pelo Ministro da Cultura Jack Lang, com o mais alto grau da Ordem das Artes e das Letras. E de Paris de novo parte para o mundo. Em Julho é editado o duplo álbum O melhor de AmáliaEstranha forma de vida, que reúne 24 dos mais populares e aclamados fados de Amália e atinge o 1º lugar do top de vendas, mantendo-se oito meses no top e vendendo para cima de 100 mil exemplares. Na sequência do êxito, é editado um segundo álbum de compilação, O melhor de Amália volume II – Tudo isto é Fado, que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2º lugar do top.

Em 1987, é editada a biografia oficial de Amália, Amália – Uma biografia, por Vítor Pavão dos Santos, director do Museu Nacional do Teatro, jornalista e talvez o maior admirador de Amália em território português. O primeiro CD de Amália é editado em Portugal: Sucessos, uma compilação concebida originalmente para o mercado internacional, e que apenas ficará em catálogo até se iniciar a transferência para CD dos vários álbuns de Amália. É também lançado neste ano, o triplo-álbum de luxo Coliseu 3 de Abril de 1987, que regista na íntegra o concerto de Amália no Coliseu de Lisboa naquela data. Obtém o Disco de Ouro e atinge o 13º lugar dos tops.

Em 1989, comemorando os 50 anos de carreira de Amália, a EMI-Valentim de Carvalho edita Amália 50 anos, uma colecção de oito duplos-álbuns ou CD´s temáticos agrupando muitas das gravações de Amália para a companhia, entre os quais várias raridades e gravações inéditas. Em Portugal sob o patrocínio do Presidente da Republica Mário Soares, de quem recebe a Ordem Militar de Santiago de Espada, as comemorações são um verdadeiro acontecimento a nível nacional. Festas, condecorações, exposições, tudo para Amália não é demais. Estas festividades, prolongam-se numa grande tournée mundial.-LISBOA, MADRID, PARIS, ROMA, TEL AVIV, MACAU,TOKIO, RIO DE JANEIRO, NOVA IORQUE. Também nesse ano é recebida pelo Papa, no Vaticano, em audiência privada.

Em 1990 vê ser editado Obsessão, o primeiro álbum de material original e inédito de Amália em sete anos, composto por temas gravados durante o interregno.

É editada, em 1991, a cassete de vídeo Amália live in New York City registo do concerto no Town Hall de Novembro de 1990. Recebe do presidente francês, Georges Miterrand, a Legião de Honra.

Em 1992 é editado o CD Abbey Road 1952, que reúne a totalidade das primeiras gravações realizadas por Amália para a Valentim de Carvalho nos estúdios de Abbey Road em Londres.

Em 1995, é editada pela primeira vez em CD a compilação Estranha forma de Vida – O melhor de Amália, e a RTP transmite, ao longo de uma semana, a série documental Amália – uma estranha forma de vida, cinco episódios de uma hora dirigidos por Bruno de Almeida incluindo muitas imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal. Neste ano é ainda editado Pela primeira vez – Rio de Janeiro, CD que reúne as 16 gravações que Amália realizou no Rio de Janeiro em 1945 para a editora Continental. É a primeira edição oficial em CD destas gravações, há muitos anos indisponíveis em Portugal, restauradas digitalmente em Londres, nos estúdios de Abbey Road.

Em 1997 é editado o seu último álbum com gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975, O Segredo. Também em 1997 ocorre o falecimento do marido de Amália, César Seabra, após 36 anos de casamento. Amália publica um livro de poemas "Versos" na editora Cotovia. Nova homenagem nacional na Feira Mundial de Lisboa Expo98.

Amália morre no dia 6 de Outubro de 1999 em sua casa, na Rua de S. Bento, em Lisboa.


in http://www.attambur.com/Noticias/Amalia/biografiaAmalia.htm

Dia Nacional da Força Aérea


Coincidindo, curiosamente com a data comemorativa do nascimento de um dos pioneiros mundiais da aviação a que me reportei na publicação anterior, Louis Blériot, hoje comemora-se em Portugal o Dia da Força Aérea, em homenagem à constituição da Força Aérea Portuguesa, a 1 de Julho de 1952, já lá vão 58 anos. Segundo o Jornal da Madeira, “o programa do 58º aniversário da Força Aérea Portuguesa vai realizar-se este ano no Funchal. Ontem, o chefe de Estado-Maior Luís Araújo formalizou a intenção junto do presidente do Governo Regional, que recebeu a proposta «de braços abertos». O Dia da Força Aérea é a 1 de Julho, mas os actos oficiais vão decorrer a 2 e 3 desse mês, com iniciativas diversas”.



Vejamos alguns tópicos historiográficos relacionados com esta efeméride:

A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesas. As suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha. Em 1 de Julho de 1952, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo independente denominado Força Aérea Portuguesa.


Cronologia histórica

1909 – É fundado o Aero Club de Portugal, por um grupo de oficiais do Exército, com o objectivo de promover o desenvolvimento da Aeronáutica em Portugal, bem como o seu uso militar;

1911 – É criada a Companhia de Aerosteiros do Exército Português, em Vila Nova da Rainha (Azambuja) que se torna a primeira unidade aeronáutica militar portuguesa. A unidade, mais tarde transformada em Batalhão de Aerosteiros, tinha por missão principal a operação de aeróstatos, sobretudo balões de observação;

1912 – A título experimental, são integrados na Companhia de Aerosteiros os primeiros aviões, o primeiro dos quais um Deperdussin B, nascendo assim a aviação militar portuguesa;

1914 – No Exército Português é criado o Serviço Aeronáutico Militar e a Escola Militar de Aeronáutica (EMA), instalada em Vila Nova da Rainha, junto ao Batalhão de Aerosteiros;

1917 – Na Marinha Portuguesa é criado o Serviço e Escola de Aviação da Armada, bem como a primeira base aeronaval, o Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso, em Lisboa;

1917 – No âmbito da participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial é prevista a criação dos Serviços de Aviação do Corpo Expedicionário Português que não chegam a ser activados. A maioria dos militares enviados para França para formarem o serviço integram-se em unidades de aviação francesas e britânicas, onde se tornam os primeiros aviadores portugueses a entrar em combate;

1917 – É enviada para Moçambique uma Esquadrilha Expedicionária para participar nas operações contra os alemães. A esquadrilha torna-se uma das primeiras unidades de aviação militar de África;

1918 – A aviação do Exército é reorganizada, passando a denominar-se Serviço de Aeronáutica Militar e integrando a Direcção de Aeronáutica directamente dependente do Ministro da Guerra, as Escolas Militares de Aviação e de Aerostação, as Tropas Aeronáuticas (de Aviação e de Aerostação) e o Parque de Material de Aeronáutica;

1918 – O Serviço de Aviação da Armada é reorganizado e passa a designar-se Serviços da Aeronáutica Naval;

1919 – É criado o Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República" (GEAR) na Amadora. O GEAR é a primeira unidade operacional de aviação militar em Portugal, integrando esquadrilhas de combate (caças), de bombardeamento e de observação;

1924 – A aeronáutica do Exército passa a arma independente (em igualdade com a Cavalaria, Infantaria, Artilharia e Engenharia) com a designação de Arma de Aeronáutica Militar;

1931 – Os Serviços da Aeronáutica Naval são transformados nas Forças Aéreas da Armada;

1937 – A Aeronáutica Militar é reorganizada, passando a dispor de um comando autónomo, designado Comando-Geral da Arma da Aeronáutica, o que a torna praticamente num ramo independente, apesar de se manter administrativamente dependente do Exército. Anexo ao Comando-Geral é criado o Comando Terrestre de Defesa Aérea. Na nova organização os principais aeródromos militares passam a ser designados Bases Aéreas;

1941 – Com o fim de defender a neutralidade e a soberania portuguesa nos Açores, juntamente com outras forças militares, começam a ser enviadas Esquadrilhas Expedicionárias para o Arquipélago;

1950 – É criado o Subsecretariado de Estado da Aeronáutica com o objectivo de passar a tutelar toda a aviação militar portuguesa;

1952 – Sob tutela do Subsecretariado de Estado da Aeronáutica é criado o Comando-Geral das Forças Aéreas que passa a exercer o comando unificado sobre as aviações do Exército e da Marinha. A nova organização das forças aéreas passa a compreender Forças Independentes e Forças de Cooperação. As Forças de Cooperação abrangem as Forças Aeronavais (formadas com as unidades da antiga Aviação Naval) e as Forças Aeroterrestres. Considera-se este o marco da criação da Força Aérea Portuguesa como ramo independente;

1955 – No seio da FAP, é activado oficialmente o Batalhão de Caçadores-Pára-quedistas, a primeira unidade de tropas pára-quedistas das Forças Armadas Portuguesas;

1956 – O território nacional metropolitano e ultramarino é dividido em três grandes regiões aéreas, que passam a exercer o comando operacional das unidades aéreas estacionadas na sua área: 1ª Região Aérea, com comando em Lisboa, abrangendo Portugal Continental, Açores, Madeira, Guiné Portuguesa e Cabo Verde; 2ª Região Aérea, com comando em Luanda, abrangendo Angola e São Tomé e Príncipe; 3-ª Região Aérea, com comando em Lourenço Marques, abrangendo Moçambique, Índia Portuguesa, Macau e Timor-Leste. Mais tarde, dentro da 1.ª Região Aérea, são criados dois comandos semiautónomos: Zona Aérea dos Açores e Zona Aérea da Guiné e Cabo Verde;

1958 – As Forças Aeronavais e Aeroterrestres são completamente integradas na Força Aérea Portuguesa, deixando de ter qualquer ligação administrativa, respectivamente, à Marinha e ao Exército;

1960 – São criadas as primeiras bases aéreas em Angola (Luanda e Negage);

1961 – Ataques terroristas em Luanda e no norte de Angola dão início à Guerra do Ultramar em que a Força Aérea vai ter um papel muito activo, em operações de combate, reconhecimento, evacuação de feridos e apoio logístico às tropas e população civil;

1961 – O Subsecretariado de Estado da Aeronáutica é substituído pela Secretaria de Estado da Aeronáutica, cujo titular passa a ter assento no Conselho de Ministros, se bem que ainda mantenha um estatuto governamental inferior aos Ministros do Exército e da Marinha;

1961 – O general da Força Aérea Venâncio Deslandes é nomeado Governador-Geral e Comandante-Chefe das Forças Armadas de Angola. A função de Comandante-Chefe implicava o comando conjunto dos três ramos das forças armadas no respectivo Teatro de Operações, sendo o primeiro caso na Guerra do Ultramar em que essa função foi exercida por um oficial não pertencente ao Exército;

1962 – Criação oficial das Formações Aéreas Voluntárias, organizações de milícia aérea civil auxiliar da Força Aérea na Guerra do Ultramar;

1967 - Em 12 de Outubro de 1967, o general da Força Aérea João Anacoreta de Almeida Viana assume interinamente as funções de Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola, cargo que virá a exercer plenamente entre Julho de 1968 e Maio de 1970.

1968 - O general da Força Aérea Venâncio Deslandes assume o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, mantendo-se em funções até 1972.

1974 – Dá-se o golpe militar de 25 de Abril que derruba o governo de Marcelo Caetano e pôe fim à Guerra do Ultramar. Na sequência da revolução são extintos os Ministérios do Exército e da Marinha, bem como a Secretaria de Estado da Aeronáutica. As Forças Armadas deixam de ficar subordinadas ao poder civil, passando à tutela do Conselho da Revolução. Os Chefes de Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas passam a exercer o comando do ramo, com o estatuto de ministro. O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas passa a ter o estatuto equivalente ao de Primeiro-Ministro, ficando na dependência directa do Presidente da República;

1975 - A FAP envia para Timor-Leste um destacamento de helicópteros, que ali opera em apoio das forças portuguesas (entre as quais um destacamento de pára-quedistas) até à invasão indonésia;

1975 - Com a independência dos territórios africanos portugueses, a FAP retira de África, sendo extintas a 2ª e a 3ª Regiões Aéreas. Mantém-se apenas o Comando da 1ª Região Aérea que é, pouco depois, transformado no Comando Operacional da Força Aérea;

1977 – A Força Aérea é reorganizada, sendo criados o Instituto de Altos Estudos da Força Aérea e a Academia da Força Aérea;

1982 – Na sequência da reforma constitucional onde é extinto o Conselho da Revolução, as Forças Armadas voltam a ficar subordinadas ao poder civil. A Força Aérea Portuguesa, tal como os outros ramos, é integrada no Ministério da Defesa Nacional.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a_A%C3%A9rea_Portuguesa
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Afa.gif

Há 130 anos nasceu Louis Blériot




In http://tv2.rtp.pt/noticias/ , emissão de 25-7-2009


Este pioneiro da aviação foi o primeiro homem a atravessar o canal da Mancha a 25 de Julho de 1909, aos comandos de um engenho aeronáutico da sua própria construção, o Blériot XI. O centenário desta célebre proeza foi comemorado na  reportagem acima do canal 2 da RTP que recordamos aqui.



Biografia

Louis Blériot (Cambrai, França, 1 de Julho 1872 - Paris, 2 de Agosto 1936) foi um aviador e engenheiro francês. Engenheiro de profissão, conseguiu uma modesta fortuna ao desenhar e vender diversos complementos automobilísticos, tais como faróis e outros acessórios. Em 1900 desenhou seu primeiro protótipo de aeronave dotado de motor, com uma potência de 2 cavalos, que conseguiu descolar, ainda que somente percorresse em voo alguns metros.

Em 1906, em associação com outros pioneiros, como Voisin y Levasseur, construiu o Blériot IV, um biplano muito mais elaborado que, não conseguiu elevar-se. Dois anos mais tarde introduziu uma cauda no Blériot VIII, um modelo de meia tonelada de peso e um motor de 40 cavalos que em Outubro conseguiu percorrer de forma ininterrupta o trajecto entre as pequenas localidades de Toury e Artenay.

Fruto deste êxito foi o Blériot XI, um monoplano de 28 cavalos com o qual, em 25 de Julho de 1909, realizou o primeiro voo com motor desde o porto francês de Calais a localidade britânica de Dover, com o que se converteu no primeiro homem que atravessou o canal da Mancha a bordo de um avião auto propulsado. A façanha, cujo relato percorreu o mundo como um rastro de pólvora, o fez receber um prémio de 1000 libras outorgado por um jornal britânico.

Durante a Primeira Guerra Mundial contribuiu para o esforço bélico francês, primeiro através de protótipos baseados em seus próprios desenhos, e posteriormente em colaboração com a fábrica de aeroplanos Spad, cujos aparatos foram grandes protagonistas da contenda aérea. Finalizado o conflito, fundou sua própria companhia de aviação e realizou numerosos investimentos no desenrolar da aeronáutica civil

In http://www.pioneirosdoar.com.br/pioneiros/bleriot/bleriot.htm (adaptado)



As máquinas de Blériot


http://fr.academic.ru/dic.nsf/frwiki/222357


http://www.tech-domain.com/viewthread.php?action=printable&tid=4604

45 Fotografias Históricas


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143 anos sobre a data da abolição da pena de morte em Portugal


Considera-se o primeiro dia de Julho de 1867, no reinado de D. Luís, como a data que marca a abolição da pena de morte em Portugal por ser a data de aprovação da lei que aboliu a pena capital para todos os crimes, à excepção dos crimes militares. Esta excepção seria abolida após a instauração da República, a 16 de Março de 1911 e integrada na Constituição aprovada nesse mesmo ano, mas a 28 de Setembro de 1916 a pena de morte para crimes do foro militar foi restabelecida, em regime especial de aplicação em teatro de guerra para crimes de traição, e assim vigorou até à Constituição de 1976. Fazendo jus à reputação de Portugal como um “país de brandos costumes” – a que devemos acrescentar – “mas de grandes feitos”, ele foi o primeiro país da Europa e do Mundo a renunciar, tanto através da letra da lei, como da prática comum, a este processo de justiça criminal, que ainda hoje constitui um problema controverso, mas que era já entendido como reminiscências de antigos actos bárbaros arbitrários que visavam, mais doque a punição de um crime, a eliminação de indesejáveis. Este pequeno gesto haveria de ser interpretado como uma grande lição para a Humanidade, e foi nessa perspectiva que o entendeu Vítor Hugo, em 1876, quando dirigiu à Nação portuguesa o seguinte discurso:


Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Pena_de_morte