terça-feira, 24 de agosto de 2010

Hoje é dia de São Bartolomeu, apóstolo

É um santo católico que foi um dos apóstolos de Jesus Cristo, cujo nome é de origem aramaica, de referência patronímica, derivando de Bar Talmay, que significava filho de Talmay. Nos Evangelhos, porém não figura aquele nome, mas segundo a tradição ele seria o Natanael que ali aparece, nome que significa Deus Deu, em alusão a ter sido ele a testemunhar a acção de Jesus nas Bodas de Canaã de onde alegadamente Bartolomeu seria oriundo. Ainda segundo a tradição, enquanto se dedicava à pregação, ele sofreu o martírio em Albanópolis, actual Derbent, no Cáucaso, onde a mando do governador foi esfolado vivo. As suas relíquias foram levadas para Roma, jazendo na igreja que aí foi edificada em sua dedicação. Embora sejam escassas as informações acerca de S. Bartolomeu, é um santo especialmente venerado pela Igreja católica que exorta os fiéis a seguirem os ensinamentos da sua vida, como o fez o Santo Padre, o Papa, no dia 4 de Outubro de 2006. É festejado a 24 de Agosto.
A respeito do culto a S. Bortlomeu, obtivemos a partir do blogue de S. Bartolomeu do Galegos, dedicado a esta freguesia da Lourinhã as seguintes curiosas referências:

O culto a São Bartolomeu, na península [Ibérica], é anterior à reconquista cristã e, em Portugal, muitas paróquias instituídas nessa época têm São Bartolomeu como orago. O seu culto encontra-se espalhado por todo o país e as povoações que o têm por padroeiro são, na sua maioria, bastante antigas e, pelo menos sete delas, usam o seu nome como topónimo.

Efectivamente, no concelho de Valpaços, sabe-se que ele é orago na freguesia de Água Revés e Crasto e a sua devoção é tão antiga quanto esta histórica localidade. A sua festa é aqui realizada em dia móvel do mês de Agosto. A 24 de Agosto também lhe são dedicadas festas em Santa Valha, onde existe uma capela da sua invocação, e em Santiago de Ribeira de Alhariz.

In http://saobartolomeudosgalegos.blogspot.com/
Imagem: http://ecclesia.com.br/synaxarion/?tag=sao-bartolomeu

Para mais detalhes sobre a vida de S. Bartolomeu, clique AQUI.

Há 99 anos


Destaque da notícia da eleição de Manuel de Arriaga

A 24 de Agosto de 1911, Manuel de Arriaga era eleito Presidente da República por um mandato de 4 anos.
Na realidade, esta data serve para marcar a primeira experiência eleitoral para as Presidenciais da História de Portugal, e Manuel de Arriaga é referenciado como o primeiro Presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo a Teófilo Braga que até aí presidiu ao Governo Provisório, ainda que mais tarde esta sucessão de invertesse em virtude da abdicação do primeiro em favor do segundo. Trata-se, portanto, de uma data de relevância histórica comemorativa, ainda que a tenhamos inserido aqui na categoria de Instantâneos [Nacional].

Imagem: http://coisasdopassado.blogspot.com/2008_08_01_archive.html

Para aceder a uma síntese biográfica a respeito de Manuel de Arriaga e das circunstâncias da sua eleição, clique AQUI.

Há 190 anos

Alegoria à revolução liberal de  1820, no Porto

A 24 de Agosto de 1820 teve início em Portugal a Revolução Liberal que iria conduzir o país à Monarquia Constitucional e à República, entrecortada por alguns regimes ditatoriais, e à Democracia. Trata-se, por conseguinte, de uma data comemorativa de extraordinária importância.


Para aceder a uma síntese acerca do contexto histórico deste evento clique AQUI.

Imagem: http://faceaovento.wordpress.com/2009/12/21/

218.º Aniversário do nascimento de Joaquim António de Aguiar

Joaquim António de Aguiar (Coimbra, 24 de Agosto de 1792 — Lavradio, 26 de Maio de 1884) foi um político português do tempo da Monarquia Constitucional e um importante líder dos cartistas e mais tarde do Partido Regenerador. Foi por três vezes chefe de Governo de Portugal (1841–1842, 1860 e 1865–1868, neste último período chefiando o Governo da Fusão, um executivo de coligação dos regeneradores com os progressistas. Ao longo da sua carreira política assumiu ainda várias pastas ministeriais, designadamente a de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça durante a regência de D. Pedro nos Açores em nome da sua filha D. Maria da Glória. Foi no exercício dessa função que promulgou a célebre lei de 30 de Maio de 1834, pela qual declarava extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares, sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Essa lei, pelo seu espírito anti-eclesiástico, valeu-lhe a alcunha de o Mata-Frades.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Ant%C3%B3nio_de_Aguiar

domingo, 22 de agosto de 2010

A desaparecida “bolideira de Valpaços”


clique sobre a imagem para ampliar

Lembrada como Outeiro que bole, Pedra bolideira, ou simplesmente bolideira, como outrora era conhecida, trata-se de mais um monumento desaparecido de Valpaços que no dealbar do século passado servia como um dos cartões de visita da Vila, como se pode ver pelo número 12 da colecção de postais da época, editada pala Casa Sesinando Chaves (fundada em 1894) e que obtive a partir do Blogue da Rua Nove, para servir de base para a reconstituição que aqui apresento. Situava-se na margem esquerda da Estrada Nacional 206, a poucos metros metros de distância do Cemitério Municipal em direcção a Carrazedo de Montenegro, numa propriedade da família Tavares, no Bairro do Monte Pequeno. Quantos valpacenses se lembrarão certamente deste curioso megálito da sua meninice, que, apesar de já se encontrar mutilado, servia ainda como um dos locais favoritos para as suas brincadeiras, à saída da escola!
A "pedra que bole" de Valpaços, no início do século XX
desenho e guache de Leonel Salvado

Tal como já havíamos dito no artigo A bolideira de Valpaços, publicado na categoria Curiosidades [local/regional] deste blogue, o monumento media 7 metros de comprimento, 4,50 de largura e 3,15 de altura. A estima e preocupação pela preservação e integridade deste admirável monumento megalítico remonta expressamente aos finais do século XIX por parte de homens da terra como foi o caso do ilustre autodidacta na investigação arqueológica e cultural, Joaquim de Castro Lopo e por parte ainda de outros figuras de renome nacional, como foi o caso do etnógrafo J. Leite de Vasconcelos que a estudou, reproduziu em desenho e a publicou na sua obra Religiões da Lusitânia. Não serviram, porém a dedicação de um e de outro para evitar que o pior viesse a acontecer: Em 1919 a Pedra que bole foi fendida a meio com uma carga de dinamite. A notícia foi de imediato publicada, com grande pesar, no Comércio do Porto, ao que creio, a avaliar pelas iniciais do respectivo autor, por Joaquim de Castro Lopo, nos seguintes termos:

«Pedra que bole

Valpaços, 1. – Hoje foi destruída por pedreiros a “Pedra que bole”, desta villa. Era uma pedra balouçante de 7 metros de comprimento, 4,6 de largura e 3,15 de altura. Curiosidade única desta Vila, era visitada por quantos aqui passavam. A “Padra que bole” estava vulgarizada em bilhetes postais e dela vem um desenho nas “Religiões da Lusitania”, vol I, p. 400, do Dr. J. Leite de Vasconcelos. Não houve nada que justificasse tam bárbaro vandalismo! – (C. L.).
(Do "Comércio do Porto", 1919)»
Transcrição da revista O Arqueólogo Português.

Apesar de fendido, o megálito continuou a ser visitado e uma parte dele ainda oscilava, com emprego de ligeiro esforço, continuando a admirar os visitantes e, fazendo a maravilha da pequenada. Quando em 1944 o Padre João Vaz de Amorim dela falou, num artigo publicado na revista “Aquae Flaviae”, encontrava-se a “bolideira de Valpaços” ainda neste estado, não se escusando o autor de lamentar o facto de se encontrar mutilada, e deixar um apelo no sentido da sua preservação futura. Vejamos um excerto desse artigo:


«É um monumento megalítico e acerca do seu destino e significado são várias as opiniões entre os arqueólogos.[…] Mas seja qual for a sua interpretação científica, a verdade é que tais características da arquitectura pré-histórica merecem estudo, e são dignas de respeito e veneração das pessoas cultas. Apesar de já se encontrar algo mutilado, conviria preservar este valioso monumento de maiores atentados e fazer por que fosse elevado à categoria de monumento nacional.»
in Revista Aquae Flaviae, n.º 14, 1995, p.211

Debalde foi, porém, mais este apelo às pessoas cultas de Valpaços, pois, para surpresa ainda maior de entre alguns valpacenses desta categoria, em data posterior àquela publicação do Padre Amorim, que não consegui apurar com exactidão, o que restava do monumento foi irremediavelmente destruído. Sobre mais este lamentável acto escreveu José Lourenço Montanha de Andrade:

«Outeiro que bole:

[…]Começou por ser mutilada, mas apesar disso, ainda oscilava com emprego de ligeiro esforço, tendo mais tarde sido completamente destruída por acção de alguém da J.A.E., com que intenção, não sabemos.[…]
Foi pena que este monumento da Pré-História não tivesse sido preservado.
in Valpaço-Lo-Velho, caderno cultural 6, C. M. Valpaços, 2001, p. 21

Agradecimento: Um especial agradecimento ao Sr. José Lourenço Montanha de Andrade pelas informações que gentilmente me proporcionou em relação à localização do monumento aqui retratado.

Reconstituição: Desenho e guache de Leonel Salvado

sábado, 21 de agosto de 2010

367.º Aniversário do nascimento de D. Afonso VI

D. Afonso VI foi uma dos monarcas mais  problemáticos da História de Portugal. Foi o 23.º rei e o 2º da dinastia de Bragança.
Devido à prematura morte, a 13 de Maio de 1653, de seu irmão mais velho, o príncipe D. Teodósio - em quem se depositavam grandes esperanças enquanto futuro rei, tendo em conta a sua inteligência, benigna personalidade e singular dedicação literária -  e de sua irmã, a infanta D. Joana de Bragança, a 17 de Novembro do mesmo ano, o infante D. Afonso prefigurou-se como o legítimo candidato à Coroa. Considerado como um jovem doente física e mentalmente, só foi colocado no trono a 28 de Junho de 1662, graças  aum golpe palaciano criteriosamente preparado por um dos seus aios, o terceiro conde de Castelo Melhor, D. Luís de Vasconcelos e Sousa, que determinou o afastamento da vida pública da mãe, D. Luísa de Gusmão, quem exercia a regência desde 15 de Novembro de 1656 (o rei, D. João IV, havia falecido a 6 de Novembro de 1656). D. Luísa cede perante a possibilidade de entregar o trono do filho e mais tarde recolheu-se ao convento dos Agostinhos Descalços. Durante o seu curto reinado efectivo, de cerca de cinco anos e meio, D. Afonso VI continuou a manifestar uma conduta pouco digna, e o seu desastroso casamento com D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, Mademoiselle d´Aumale, ditaria o seu fim enquanto rei de Portugal. Em 1667 é instado pela rainha Maria Francisca, sua mulher, e pelo infante D. Pedro, seu irmão, a abdicar do trono em favor deste, o que D. Afonso assentiu. Aguardando-se a anulação do casamento real, a pedido da rainha, as Cortes de Lisboa, reunidas em 1668, sugeriram ao infante o casamento com a rainha, que entretanto se havia recolhido em clausura, com suas damas e oficiais no convento da Esperança, e baniram D. Afonso VI para a ilha Terceira, nos Açores, onde permaneceu em estado de progressiva degradação moral, e em 1674 foi mandado regressar ao Continente, sendo conduzido a uns aposentos do Palácio de Sintra, onde sobreviveu durante mais nove anos em grande sofrimento físico. Aí faleceu a 12 de Setembro de 1683, aos 39 anos.


Para uma diversificada e detalhada fonte de informações a respeito de D. Afonso VI clique AQUI.

Imagem: http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/afonso6.html

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Fonte Grande



É um outro monumento desaparecido de Valpaços. Situava-se junto à confluência das ruas do Olival, de Passos Manuel e da Rua Direita (hoje rua D.ª Maria do Carmo Carmona), a poucos metros para Sul do local onde se localizava a também desaparecida capela de São Sebastião. Foi parcialmente demolida por volta de 1924-25, segundo indicação, certamente fundamentadada de Adérito Freitas na sua obra Fontes de Abastecimento de Água, concelho de Valpaços (ed. da C.M., 2005, p. 209), soterrando-se o que dela restou formando-se um amplo espaço arejado que passou a ser conhecido como o Largo da Fonte Grande e instalando no local uma bomba hidráulica manual de grande volante. (ver, no presente blogue, a publicação as possíveis razões da demolição de  A desaparecida Capela de S. Sebastião. )

Fonte Grande de Valpaços, pouco antes de ser demolida
desenho e guache de Leonel Salvado

A sua reconstituição aqui apresentada, que foi possível graças à existência de uma antiga foto publicada na Monografia de Valpaços de A. Veloso Martins, pode dar aos nossos leitores uma ideia mais clara do seu aspecto e do contexto topográfico em que se inseria. Aquela mesma foto foi também recentemente publicada por Adérito Medeiros Freitas na obra que atrás mencionámos, juntamente com uma outra cedida ao autor pela Sr.ª Dr.ª Maria Eugénia Mota Pimentel (Id., p.210) mas se a primeira destas se encontra ligeiramente distorcida, a segunda não representa o monumento na sua totalidade o que nos impede de fazer o seu enquadramento topográfico com o mínimo rigor possível. Era uma fonte de mergulho de grandes proporções, planta quadrangular, aberta na frontaria por um arco de volta perfeita e rematada por uma cúpula cónica. Não encontrei nenhuma referência cronológica sobre a sua construção, mas pelos elementos arquitectónicos que a compunham, não seria certamente de construção anterior ao século XVI.

Agradecimento: Mais uma vez o meu sincero agradecimento ao Sr. Manuel Madeiros pelas úteis indicações que me forneceu acerca do local onde este belo monumento se situava.

Reconstituição: Desenho e guache de Leonel Salvado

Quem salvou a vida a D. João I, na batalha de Aljubarrota?

Por Leonel Salvado

Durante muitos anos, sempre que se impunha relevar os cometimentos de heroicidade individual dos portugueses naquela que foi uma das mais importantes e recordadas vitórias obtidas pela Nação contra os castelhanos, vinham a lume, para além da inabalável figura do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, sublimadas referências patrióticas à trilogia feminina constituída por Brites de Almeida (a “padeira de Aljubarrota”), Joana Gouveia (ou Joana Fernandes) e Maria de Sousa. A propósito desta, escrevia o Padre A. Alberto Gonçalves, em 1940:

O reinado de D. João I foi fértil em altruísmos femininos, foi um alfobre de sublimes abnegações desinteressadas que não é lícito pôr em dúvida porque foram grandes e inexcedíveis.
Senão vejamos. Aqui depara-se-nos, Maria de Sousa que, corajosamente defendeu e salvou a vida do rei, derrubando Álvaro Gonçalves Sandoval, com um golpe de partazana, quando ele tentava matar D. João I, e depois tolheu o passo a um grupo de castelhanos, pondo-os em fuga. […].
In O Sentimento Patriótico na Mulher Portuguesa, Livraria Civilização, Porto, 1940, p. 31.

Curiosamente, esta visão tradicional, eivada de extremo sentimento patriótico que convinha à ditadura do Estado Novo, continua viva na memória colectiva de muitos portugueses que a ostentam ainda, com orgulho e aparente convicção. No actual site da Câmara Municipal de Alcobaça, pode ler-se:

É conhecido o episódio da Padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, que na ressaca da batalha teria surpreendido sete Espanhóis escondidos no seu forno e que um a um, à pazada, a todos despachou para o outro mundo.
Esta porém, não é a única mulher célebre em Aljubarrota, embora das outras quase não haja já memória, e a grande maioria jamais ouviu falar nelas. Para que a sua memória também possa perdurar, aqui fica o retrato das suas façanhas.
Uma é Maria de Sousa, que com um golpe de “partazana” (uma espécie de alabarda) derrubou Álvaro Gonçalves Sandoval, quando este pretendia matar D. João I, e que atravessou com um dardo, Gonçalo Nunes de Gosman, “apóstata da Pátria e da Família”, pois era irmão do Condestável, e que tolheu o passo a um grupo de castelhanos que fugia, suportando heroicamente a sua posição, com uma espada durante um bom quarto de hora, matando uns vinte?, dos tais castelhanos, saindo sã e salva desse combate.
Outra, foi Joana Fernandes, que entrincheirada num silvado, fez um dano cruel aos soldados Espanhóis, atirando-lhes com pedras, e despejando por cima dos que ali passavam água a ferver, que mandava buscar de quando em quando a casa de uma vizinha. Só faltava cozinhá-los num caldeirão, que está em Alcobaça e que o povo de Aljubarrota há muito reivindica a sua devolução à sua origem, em vão.
Portanto, não temos uma heroína, mas três. Nem todas as terras se podem gabar disto.
In http://www.cm-alcobaca.pt/index.php?ID=1895

No ano de 2006, Pedro Gomes Barbosa e Carlos Santos Mendes publicaram o livro intitulado De Macedo a Macedo de Cavaleiros, a Figura de Martim Gonçalves de Macedo, uma edição da Câmara Municipal, cuja capa se pode ver ao lado, conferindo a esta cidade transmontana do distrito de Bragança uma posição de destaque no referencial da heróica história militar nacional, devido ao papel desempenhado por aquele nobre fidaldo de Macedo de Cavaleiros na batalha de Aljubarrota, a quem, afinal, terá cabido o mérito de ter cometido o memorável, mas quase esquecido, acto de ter livrado de morte certa o primeiro rei da dinastia de Avis quando este lidava em desvantagem contra o castelhano Álvaro Gonçalves Sandoval.

No Fórum Trás-os-Montes, a 4 de Novembro de 2008, Maria Portugal apresentou duas publicações que exprimem duas formas bem distintas de interpretação das questões relacionadas com D. Martim Gonçalves de Macedo: Uma datada de 21 de Agosto, da autoria de Saul António Gomes, com algumas reservas críticas do autor perante o silêncio a que a respeito do herói alegadamente macedense, sepultado no Mosteiro da Batalha, se submetem as fontes históricas mais antigas e conceituadas; logo a seguir, um artigo mais recente, publicado no Jornal Nordeste, da autoria de Sandra Canteiro, em que se transmite uma informação mais segura e confiante acerca da identificação do cavaleiro associado à sepultura, à sua heróica acção, bem como à sua origem de Macedo de Cavaleiros, tudo isso garantido pelo Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, inaugurado no dia 11 de Outubro de 2008. Para aceder à transcrição destas publicações, clique, em baixo, em «Ler mais».

O livro que aqui pomos em destaque, é um livro que vale a pena ler, não só porque veio desmistificar, de uma forma historiograficamente criteriosa, um facto há muito conhecido, mas que permanecia um enigma, e que dava azo a todo o tipo de abusivas especulações, mas também porque nele já se propõem algumas explicações para as interrogações colocadas por Saul António Gomes (que talvez ainda não tivesse lido o livro) quanto à estranha ausência de relação desse facto com o macedense Martim Gonçalves de Macedo, nas fontes coevas e subsequentes, cronologicamente mais próximas.

Para obter a versão PDF do livro clique na capara da obra acima exposta.

D. MARTIM GONÇALVES DE MACEDO: UM HERÓI IGNORADO DA BATALHA REAL
Escrito por Saul António Gomes
21-Ago-2008

Em túmulo raso, à entrada da Capela do Fundador, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, em lousa em que se notam, na parte superior, vestígios de execreção lapidar, mas com legenda, inscrita mais abaixo, em caracteres tardios e neo-góticos, o visitante é informado de se tratar da sepultura de Martim Gonçalves de Macedo ou de Maçada.
A tradição historiográfica batalhense explica a razão desta sepultura em lugar tão discreto e simultaneamente tão simbólico no magnífico panteão gótico da segunda dinastia portuguesa. Trata-se de um escudeiro que, nos campos de S. Jorge, no desenrolar da cruenta Batalha Real, no entardecer do dia 14 de Agosto de 1385, salvou a vida ao rei D. João I de Portugal.
Esta tradição tem fundamento histórico, como veremos, mas não a encontramos documentada nos grandes textos e autores antigos mais conceituados. Situações há, contudo, em que o Mosteiro da Batalha, nos seus diversos testemunhos arqueológicos, artísticos e heráldico-epigráficos, recorda uma história que as grandes crónicas, contra o que seria de esperar, eventualmente, omitem ou desconhecem. O inverso, naturalmente, também se verifica, podendo defender-se que a memória da famosa Batalha Real, que está no fundamento da edificação deste impressionante templo e panteão do Quattrocento europeu, se lavrou, ao longo do tempo, tanto pela palavra escrita em pergaminho ou em papel, quanto pela palavra lapidada em pedra.
Fernão Lopes ignora em absoluto o nome de Martim Gonçalves de Macedo, posto que aluda à luta, no zénite da batalha, entre o Mestre de Avis e o cavaleiro castelhano Álvaro Gonçalves de Sandoval, com vantagem para este, que conseguiu dobrar, joelhos postos em terra, o Soberano dos Portugueses. Na iminência de Álvaro de Sandoval desferir o golpe mortal, contudo, seguindo o celebrado cronista, o Rei da Boa Memória terá conseguido inverter a situação. Não explica cabalmente, no entanto e na verdade, como sucedeu este verdadeiro milagre que salvou a vida ao jovem monarca.

Eis o passo tal qual Fernão Lopes o refere na sua crónica:

“El-Rey, quamdo vyo a avanguarda rota e o Conde em tamanhada pressa, com gramde cuydado e todos com elle abalou rijamente com sua bamdeira, dizemdo altas vozes com gram esforço: Auamte, senhores, auamte! Sam Jorge, Sam Jorge! Portugall, Putugall, ca eu som el-Rey! E tamto que chegou hu era aquell duro e aspero trabalho, leixadas a(s) lanças de que se pouco seruiram por aazo da mesura da gemte, começou de ferir de facha assy desemuolto e com tal uomtade como se fosse huum simprez caualleiro desejosso de guanhar fama. E ueo a ell per aqueçimento Aluaro Gonçaluez de Sandouall, bem mançebo e de boom corpo, ardido caualeiro, casado daquell anno. E como el-Rey alçou a facha, deçemdo pera lhe dar, ell reçebeo o golpe, e trauou per ella, e tirou tam rijo que lha leuou das maãos e feze-o ajeolhar dambollos geolhos; e foy logo leuantado. E quando Alvaro Gonçalvez leuantou a facha pera lhe dar com ella, el-Rey esperou o golpe, e tornou-lha a tomar per aquella guysa; e quando lhe qujsera outra vez dar, jazia ja morto pellos que eram presentes que o majs a pressa fazer nom poderom, porque cada huum tijnha que veer em sy.” (Crónica de D. João I, Capº 42).

Atentemos bem no que escreve Fernão Lopes. D. João I, lutando com facha contra Álvaro Gonçalves de Sandoval, perde-a e, indefeso, cai por terra (“feze-o ajoelhar dambollos geolhos”). Esperar-se-ia o pior, o fim. Mas o cronista evita pormenores e regista, apenas, o comentário: “e foy logo leuantado”. Não nomeia, pois, o ou os interventores neste momento vital de toda a história deste famoso prélio luso-castelhano. D. João I recupera a sua facha e volta a perdê-la num segundo e imediato choque com Álvaro de Sandoval, combatente que revelava superioridade física. Valeu a D. João I que “os que eram presentes” mataram o castelhano.
O não identificado autor da Crónica do Condestável, absorvido em projectar D. Nuno Álvares Pereira como estratega e herói fundamental da Batalha Real, omite este acontecimento, tudo resumindo em breves palavras:

“E o conde estabre indo ante a sua bandeyra, forom em elle postas muytas lanças e em breve forom todas as lanças, de huã avenguarda e da outra, quebrantadas e vallado dellas feyto, e entom vierom as fachas e logo el rey, com a rreguarda, com grande aguça se ajuntou aa venguarda, feryndo de fachja tantos e taes golpes que eram asperos de atender aaquelles que os soffriam, como vallente rey ajudando seus naturaes, e sua real coroa defendendo.” (Crónica do Condestável, Capº 51).

O silêncio em torno do nome de Martim Gonçalves de Macedo não é, surpreendentemente, um exclusivo de Fernão Lopes ou do anónimo autor da Crónica do Condestável. Luís Vaz de Camões, n’Os Lusíadas (Canto IV, 28-45), não se lhe refere, o mesmo sucedendo com Francisco Rodrigues Lobo, o afamado poeta leirenense, que conhecia bem o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e a sua Capela do Fundador, o qual, no seu poema épico O Condestabre de Portugal D. Nuno Alvares Pereyra, contando largamente a Batalha Real, não descobre senão o episódio evocado na tradição lopesiana:

“Mas o Rey Portugues que nelle atenta,
Em quem só tinha a Patria sustentada,
Ante os seus animosos se apresenta,
Com huma facha na mão dura, e pesada.
E qual o Sol na furia da tormente,
Alegra a gente nautica infiada,
Que sorvesse no abismo vio mil vezes,
Tal o Rey se mostrou aos Portuguezes.

A elles Lusitanos esforçados,
Que eu sou rey vosso, e vosso companheyro,
A elles (vay dizendo em grande brados)
Vamos desenganar este Estrangeyro.
Tras elle os Portugueses animados,
Seguindo o seu farol tão verdadeyro,
As forças renovando, os braços movem,
Contra as gentes sem conto que alli chovem.”

(O Condestabre, Canto XIV).


Frei Luís de Sousa, o celebrado cronista dominicano, escrevendo, sobre o Mosteiro da Batalha, por 1621, páginas de ímpar beleza na sua História de S. Domingos, nas quais colhemos pormenores invulgares e da maior relevância informativa do passado deste instituto monástico, como faz a propósito e por exemplo, da Capela do Fundador ou das Capelas Imperfeitas, nada aponta sobre os túmulos rasos que se encontram à entrada da igreja conventual, posto que atente nos demais sepulcros que nas capelas da cabeceira da igreja, na sala capitular e no claustro se encontravam.
Também o anónimo autor de O Couseiro, nas bem conhecidas memórias históricas da Diocese de Leiria, redigidas em meados de Seiscentos, mais precisamente por finais da década de 1650, nos capítulos 68 a 74, se calou em relação ao assunto que nos ocupa.

Dois séculos mais tarde, em 1827, D. Fr. Francisco de S. Luís, autor da conhecida Memoria historica sobre as obras do real Mosteiro de Sancta Maria da Victoria, chamado vulgarmente da Batalha, acrescenta informação inédita e objectiva sobre o histórico monumento. Disserta com interesse sobre os túmulos rasos de Mateus Fernandes e de Diogo Gonçalves de Travassos, localizados, como escrevemos, à entrada poente da igreja. Mas nada deixa escrito sobre o túmulo de Martim Gonçalves de Macedo.
Perante o silêncio destes respeitáveis cronistas e autores, como se poderá atentar na lápide que identifica Martim Gonçalves de Macedo sem alguma dúvida e suspeição crítica? Tratar-se-á, porventura, de alguma falsificação histórica incrustada no monumento gótico em fase tardia?

Fonte: http://www.trasosmontes.com/forum/viewtopic.php?t=3625


SALVOU A VIDA DO FUTURO REI
Macedo de Cavaleiros
Ilustre macedense combateu em Aljubarrota

O cavaleiro macedense, D. Martim Gonçalves de Macedo, que salvou a vida ao Mestre de Avis, futuro D. João I e rei de Portugal, é referenciado no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA), inaugurado no passado dia 11 de Outubro.
O equipamento, criado no local onde se deu, a 14 de Agosto de 1385, o confronto é promovido pela Fundação Batalha de Aljubarrota, à qual o município de Macedo de Cavaleiros se associou.
Assim, a localidade transmontana é destacada no CIBA devido ao heroísmo de D. Martim Gonçalves de Macedo, notável cavaleiro que assumiu um papel importante na Batalha. Segundo se conta, o ilustre macedense salvou a vida ao futuro rei D. João I, ao colocar-se entre o Mestre de Avis e o castelhano D. Álvaro Gonçalves de Sandoval, a quem acabou por matar.
D. João I reconheceu este acto e, desde a Batalha de Aljubarrota, no brasão de armas dos Macedo passou a constar um braço de azul, com uma maça de armas de prata, usada por D. Martim Gonçalves de Macedo para assassinar D. Álvaro Gonçalves de Sandoval.
Sandra Canteiro, Jornal Nordeste, 2008-11-04
In DTM

Fonte: Id.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

António Maximino Carneiro



Nasceu em 3.02.1872 na freguesia e concelho de Alijó, distrito de Vila Real, filho de Francisco José Carneiro, natural da freguesia de Carção, concelho de Vimioso no distrito de Bragança, e de Maria do Rosário, de Alijó, casados e residentes nesta vila.

Radicou-se em Valpaços pelos meados da década de 90 com a profissão de “escrevente”onde em 1899 casou com Olímpia Dias da Costa, aqui nascida e filha de um casal oriundo de Montalegre, João Dias da Costa Júnior, Tabelião do Juízo da Comarca de Valpaços,e Guilhermina Augusta de Magalhães Dias. No ano de 1900 trabalhou no Cartório Notarial do 4.º Ofício de Valpaços ao lado do sogro.

Após a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, dedicou-se à vida político-partidária assumindo a liderança do Partido Democrático local. Pela mesma época foi contratado para exercer as funções de “Tesoureiro da Fazenda Pública no concelho de Valpaços”, actividade que ainda exercia em 1937, passando no ano seguinte à categoria de “Tesoureiro da Fazenda Pública Efectivo de Valpaços”. Foi no exercício destas funções que Maximino Carneiro, “o Tesoureiro das Finanças” como era popularmente conhecido, granjeou enorme respeito e simpatia em todos os recantos do concelho, apesar da aversão que o povo costumava sentir em relação aos titulares deste cargo. O Padre João Vaz de Amorim descreveu-o, já em 1944, como um homem «inteligente e trabalhador e possuindo sobretudo a rara qualidade de atrair» (revista Aquae Flaviae Nº 14, Dexembro de 1995). Como bem observou o mesmo Padre Vaz de Amorim, a popularidade, veneração e estima que António Maximino Carneiro adquiriu em todo o concelho sucedeu apesar da impopularidade que o seu cargo de "Tesoureiro de Finanças", aliás da Fazenda Pública, costumava suscitar entre a população segundo provas históricas que a comprovam. Convém recordar, mais uma vez, que os anos subsequentes à Patuleia e ao célebre confronto militar ocorrido em Valpaços que é designado como “Acção Valpaços” até à queda da Monarquia, foram anos de grande agitação popular por toda a antiga Província de Trás-os-Montes e particularmente no distrito de Vila Real e na vila de Valpaços. Basta recordar os motins populares de Valpaços de 1892, um dos mais graves dessa época (contra as obrigações fiscais e arrolamentos prediais), e de 1909 movimentado contra a Recebedoria e a Repartição de Finanças. Nestes tumultos populares, de carácter espontâneo, os insurgentes mostraram-se determinados em descarregar o seu ódio na destruição da documentação que se guardava nas sedes das comarcas fiscais e em atentar contra a vida dos respectivos funcionários, em especial os escrivães da Fazenda, que tiveram que ser escoltados pelo exército para prevenir males maiores (haja em vista no presente blogue o artigo “O motim de Valpaços de 1862”).

Fazendo fé em Vaz de Amorim, que se pronunciou, a poucas décadas de distância, sobre os sucessos que em Valpaços cabem neste contexto da História Regional, e, tendo em conta a sua autoridade decorrente do mérito de ter sido um dos primeiros e mais  perseverantes opositores à ditadura salazarista (veja-se o artigo publicado neste blogue sob o título Valpacenses na luta conta o Estado Novo), não me parece descabido aceitar a seguinte interpretação que é a que se acha implícita no seu discurso: para a acalmia que se registou nos primeiros tempos da República contribuíram, muito certamente, as qualidades morais e o espírito de tolerância de homens experimentados no melhor trato com a população como António Maximino Carneiro e Franklim Teixeira (de quem contamos também tratar aqui, numa próxima oportunidade). É evidente que novas agitações de ordem política ainda dariam lugar, em 1918, na sequência do assassinato de Sidónio Pais, a um circunstancial episódio de ocorrência subversiva em Valpaços, que foi o assalto cometido contra o administrador do concelho, o padre António Borges, mas este é um assunto que nos propomos tratar em outro lugar deste blogue.


Em 25 de Julho de 1914, Maximino Carneiro colaborou com Joaquim de Castro Lopo na criação da bem-sucedida “Associação Beneficente Municipal”, vindo a ser Presidente da Câmara por vários anos a seguir àquela data. Convém referir que esta instituição esteve na origem da “Associação Beneficente Municipal da Misericórdia de Valpaços”, provisoriamente aprovada em 1945 e  transformada, no ano seguinte, com novos estatutos, na “Misericórdia de Valpaços”da qual deriva a actual Santa Casa de Misericórdia de Valpaços. A iniciativa inicial, partilhada por Maximino Carneiro e apoiada pela Câmara Municipal, foi motivada pela necessidade de impedir que as obras do Hospital, em curso sob a égide da “Confraria de Nossa Senhora da Saúde” - formalmente extinta, em 1911, por força da Lei da Separação do Estado e da Igreja - fossem interrompidas e os valores a elas destinados alienados em favor do Estado.

Foi um Homem que sem possuir superiores habilitações académicas foi capaz de se posicionar muito acima das suas responsabilidades e prestar valiosos serviços ao concelho de Valpaços ao lado das demais figuras ilustres do seu tempo.
António Maximino Carneiro faleceu em Valpaços no dia 5 de Dezembro de 1951, com descendência directa.

O seu nome foi consagrado pela Câmara Municipal de Valpaços na toponímia urbana.

domingo, 15 de agosto de 2010

Há 476 anos

A fundação da Companhia de Jesus
Em 15 de Agosto de 1534, Inácio e seis outros estudantes (o francês Pedro Fabro, os espanhóis Francisco Xavier, Alfonso Salmerón, Diego Laynez, e Nicolau de Bobadilla e o português Simão Rodrigues) encontraram-se na Capela dos Mártires, na colina de Montmartre, e fundaram a Companhia de Jesus - para "desenvolver trabalho de acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém, ou para ir aonde o papa nos enviar, sem questionar". Em 1537 viajaram até Itália em busca de aprovação papal da sua nova ordem. O Papa Paulo III concedeu-lhes a recomendação e autorizou que fossem ordenados padres, o que sucedeu em Veneza, pelo bispo de Arbe, em 24 de Junho. Devotaram-se inicialmente a pregar e em obras de caridade em Itália. A guerra reatada entre o imperador, Veneza, o papa e os turcos seljuk, tornava qualquer viagem até Jerusalém pouco aconselhável.
Na companhia de Fabro e Laynez, Inácio viajou até Roma, em Outubro de 1538, para pedir ao papa a aprovação da ordem. A congregação de cardeais deu parecer positivo à constituição apresentada, e, em 27 de Setembro de 1540, Paulo III confirmou a ordem através da Bula "Regimini militantis Ecclesiae", que integra a "Fórmula do Instituto", onde está contida a legislação substancial da Ordem, cujo número de membros foi limitado a 60. A limitação foi porém posteriormente abolida pela bula Injunctum nobis de 14 de Março de 1543. Inácio de Loyola foi escolhido para servir como primeiro superior geral. Ele enviou os seus companheiros e missionários para vários países europeus, com o fim de criar escolas, liceus e seminários.

Dia da Assunção da Virgem Maria

A Assunção de Maria é a crença tradicional realizada pelos cristãos católicos, ortodoxos, anglicanos, e algumas denominações protestantes de que a Virgem Maria no final de sua vida foi fisicamente assunta para o céu.
A Igreja Católica ensina esta crença como um dogma de que a Virgem Maria "ao concluir o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma para a glória celestial." Isto significa que Maria foi transportada para o céu com o seu corpo e alma unidas. Esta doutrina foi dogmaticamente e infalivelmente definida pelo Papa Pio XII, em 1 de novembro de 1950, na sua Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. A festa da assunção para o céu da Virgem Maria é celebrada como a "Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria" pelos católicos, e como a Dormição por cristãos ortodoxos. Nestas denominações a Assunção de Maria é uma grande festa, normalmente comemorada no dia 15 de agosto.

Nossa Senhora da Assunção é a denominação dada a Maria, mãe de Jesus, em alusão à sua assunção aos céus. A festa da Assunção de Maria é comemorada dia 15 de agosto. Também é conhecida como Nossa Senhora da Glória ou Nossa Senhora da Guia.
in http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Dogmas_e_doutrinas_marianas_cat%C3%B3licasin

No concelho de Valpaços, Nossa Senhora da Assunção é orago nas freguesias de Sonim e Tinhela. Também em Friões e em Padrela e Tazém se realizam, a 15 de Agosto, festas comemorativas em sua honra.
Imagem: http://www.franciscanosmapi.org.br/index.php?page=ler&id=419

sábado, 14 de agosto de 2010

Francisco José de Medeiros

Por Leonel Salvado



Esta importante figura da História Portuguesa, de relevância Local, Regional e Nacional, que nasceu no dia 30 de Abril de 1845 em Valpaços, ainda aldeia (embora já cabeça de concelho desde 1836), e que se fez notar como um dos mais conceituados juristas e políticos do seu tempo, é uma referência bem conhecida dos seus conterrâneos que lhe renderam uma justa homenagem na toponímia da vila (hoje cidade), ao baptizar uma das suas ruas com o seu nome (a Rua Dr. Francisco José de Medeiros). Além disso, o seu nome e a sua obra têm sido merecidamente imortalizados em variadas publicações, quer de natureza monográfica, quer essencialmente biográfica, pelo que muito pouco do que aqui dele me proponho referir será certamente inédito, salvo, talvez, o complemento ilustrativo que entendi apresentar aos leitores do Clube de História e que, em grande parte, só foi possível graças à cortesia e natural disposição filantrópica do Sr. Manuel Medeiros, que não hesitou em autorizar a publicação da foto de família que encabeça este artigo dedicado à memória do seu ilustre antepassado.


Notas biográficas
Subscrevendo as palavras do Padre João Vaz de Amorim na revista Aquae Flaviae, que já foram transcritas por José Lourenço Montanha de Andrade em Valpaço-Lo-Velho, caderno cultural 6, editado pela Câmara Municipal em Agosto de 2001, Francisco José Medeiros «ocupou lugar primacial como homem de categoria social, que pelas suas altas qualidades de carácter, soube honrar esta boa terra [Valpaços] que o viu nascer.»

Segundo as notas biográficas de A. Veloso Martins, na Monografia de Valpaços, e as que se acham no I Volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, coordenado por Barroso da Fonte, Francisco José de Medeiros frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, com assinalável distinção e aprovação, fazendo-se já notar pela sua dedicação literária, publicando uma sebenta estudantil em matéria de Direito e um artigo intitulado Alimentos que foi publicado na revista Legislação e Jurisprudência, recebendo os melhores elogios da parte do seu director, o Professor Chaves e Castro. Decidido a seguir a carreira da magistratura, ingressa no Ministério Público e em 1871 foi nomeado Delegadodo Procurador Régio e colocado na ilha Graciosa  obtendo desde então uma rápida progressão na magistratura. De regresso ao continente, em 1876 desempenhou estas mesmas funções nas comarcas de Fafe, Mirandela e Chaves. Em 1886, foi promovido a juiz de Direito de 1.ª Instância de 2.ª classe e, em 1889 ainda exercia essa função na comarca de Cantanhede. Foi depois promovido a juiz de Direito de 1.ª classe exercendo nas comarcas de Arouca, Cinfães, e em várias varas do Porto (1895) e de Lisboa. Em 1901 ascendeu à segunda instância nomeado juiz da Relação dos Açores. Em 1904 foi transferido para o Tribunal da Relação do Porto e ainda nesse ano para o de Lisboa, vindo a ser nomeado vice-presidente desta instituição a 13 de Setembro de 1910 e a Presidente, por Decreto de 25 de Outubro do mesmo ano. 

Entretanto, havia-se afeiçoado à vida política, chegando a ser, em Valpaços,  uma das figuras de proa do Partido Progressista, eleito por várias vezes deputado às Cortes Constituintes pelo círculo desta sua terra natal, a primeira delas em 1879 e em várias outras legislaturas, até 1904, desde que prestou juramento a 14 de Janeiro de 1880. Foi depois, em 1887 nomeado Secretário da Câmara dos Deputados e, por carta-régia de 4 de Abril de 1906, é elevado ao pariato, isto é a membro da Câmara dos Pares, também designada por Câmara Alta, categoria geralmente atribuída às mais gradas figuras da aristocracia. Foi nessa qualidade que, em 1907, Francisco José de Medeiros revelou as mais claras provas do seu espírito liberal e democrático ao insurgir-se abertamente contra a ditadura de João Franco.

Em 1909 integrava o Ministério de Venceslau de Lima, sobraçando a pasta da Justiça. Foi enquanto Ministro da Justiça que procurou materializar um conjunto de arrojados projectos, na mesma linha ideológica liberal e democrática a que sempre se manteve fiel, projectos esses apontados a uma verdadeira reforma do processo penal e da organização judiciária. Assim, apresentou uma série de propostas de lei nas mais diversas matérias, tais como a de responsabilidade ministerial, processo penal, organização judiciária, júri criminal, liberdade de imprensa e casas de correcção para menores. Foi também enquanto Ministro da Justiça que a sua firmeza de carácter lhe acarretou alguns dissabores. Deu-se o caso que o Bispo de Beja, D. Sebastião de Vasconcelos, desavindo com o Vice-Reitor do respectivo Seminário e seu irmão os demitiu do cargo e do exercício do magistério. Apelando ao Governo, os professores foram ouvidos pelo ministro Medeiros que se mostrou favorável às razões das suas queixas e logo insistiu junto do Bispo para que os reintegrasse. Perante a intransigência de D. Sebastião de Vasconcelos em proceder de acordo com as suas instruções, o Ministro da Justiça expediu ao Conselho de Ministros uma portaria com vista à reintegração dos padres queixosos. Como a tal Portaria se opusessem o Presidente do Conselho, Venceslau de Lima, e a própria rainha, D. Amélia, Francisco José de Medeiros, sempre fiel aos seus princípios, entendeu pedir a demissão, abandonando o Ministério nos finais de Outubro de 1909 e sendo substituído na pasta da Justiça pelo Conselheiro Artur Pinto de Miranda Montenegro. A questão, então conhecido por «Questão do Bispo de Beja» e, sobretudo o ousado ataque frontal de Medeiros às mais altas dignidades episcopais que, impunemente se insinuavam no direito de se imiscuírem nas prerrogativas do poder civil, serviram de motivos para que o juiz Medeiros fosse constantemente criticado, na sua pessoa e na qualidade dos seus serviços no Ministério de que se demitira, por parte da imprensa católica e do julgamento a que esta deu lugar relativamente à mesma pessoa por parte de alguns historiadores. Este movimento difamatório tinha porém os dias contados, como contados estavam os dias da monarquia e esbarrou sempre contra uma mole de portugueses que comungavam dos mesmos princípios democráticos do ex-ministro valpacense. Efectivamente, com o advento da República Francisco José de Medeiros viria reabilitadas as suas qualidades morais e políticas em nome das quais os membros do Governo Provisório da República entenderam propor a nomeação do «ex-ministro da Monarquia para o sempre cobiçado cargo de Presidente do Supremo Tribunal de Justiça» (A. Veloso Martins, ob cit), o que se concretizou no ano de 1912 em que Medeiros começou por juiz conselheiro do mesmo e logo depois para suceder a Augusto Carlos Cardoso Pinto Osório na direcção deste órgão máximo do poder judicial, passando a figurar como o seu décimo quarto presidente, desde a sua criação, em 1833, então presidida por José da Silva Carvalho (S.T.J. http://www.stj.pt/?idm=67).


Breves notas genealógicas
É ponto assente que Francisco José de Medeiros nasceu em Valpaços, no dia 30 de Abril de 1845 e faleceu em Sabrosa, a 6 de Maio de 1912. Era filho de Manuel Joaquim de Medeiros e Angélica Teresa Sonim e neto paterno de Francisco Medeiros e de sua mulher, Madalena Nogueira, moradores em Valpaços nos finais do século XVIII, dos quais descende, por linha varonil legítima, a actual família Medeiros desta cidade. Era neto materno de Luís António Sonim e Maria Filipa. Casou primeiro com Elisa de Barros da Silva Leal, casamento de que não houve filhos e, em segundas núpcias, com D.ª Cândida Raquel de Barros Beça Botelho Castelo-Branco - irmã de D. Maria das Dores, casada com o Dr. José Coelho Mourão Teixiera de Carvalho e ambas filhas de Álvaro Xavier de Barros Botelho Ribeiro de Moraes Sarmento. Deste segundo casamento existiu uma única filha, Maria de Barros de Medeiros, que se casou com seu primo João de Barros Botelho Coelho Mourão, havendo deles descendência.

Fontes:
http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=178117
Supremo Tribunal de Justiça - S.T.J. http://www.stj.pt/
Tribunal da Relação de Lisboa - http://www.trl.mj.pt
O concelho de Valpaços, por Valbel (Joaquim de Castro Lobo), 1954, Lourenço Marques, pp. 79-80


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A desaparecida capela de S. Sebastião


Existem diversas referências da “Valpaços há muito desaparecida” que só ecoam na memória viva de alguns valpacenses. Uma delas é a da capela de São Sebastião, que foi mandada construir pelos antepassados dos morgados da Teixugueira, obra que tem sido datada dos finais do século XVI ou princípios do século XVII e que se localizava na confluência das ruas de Passos Manuel e do Olival com a Rua Direita.

Nos meados do século XVIII a capela de S. Sebastião, que então se erguia no limite Norte da Vila, ainda possuía uma certa importância para os devotos fregueses de Valpaços, pois o vigário de Santa Maria de Valpaços, Francisco Pereira de Aial, nas suas Memórias Paroquiais datadas e assinadas a 8 de Março de 1758, realçava assim o carácter milagroso do Santo:

[…] Tem em Valpaços a ermida de São Sebastião que está na borda do lugar para o norte. É milagrosa a dita imagem, porque, havendo males contagiosos ou na gente ou nos gados, recorrem a ela os moradores, e logo cessam; e, haverá dez anos, houve um mal de que ninguém escapava; fez-se uma festa ao Santo e com ela uma procissão em que se cercou a freguesia, e não deu o dito mal a mais ninguém.[…]
in Monografia de Valpaços, A. Veloso Martins, 2ª ed., 1990, p.97

A capela de S. Sebastião, já certamente sem a importância espiritual de outrora, foi demolida, segundo indicação assaz vaga de A. Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços, no princípio do século passado, o que me pareceu pouco credível, face ao tinha sido dito pelo Padre João Vaz de Amorim na revista Aquae Flaviae (edição de 1995 pág.188) em artigo datado de 20 de Novembro de 1943, onde, a respeito da capela, refere, de modo igualmente vago, que «ainda há poucos anos foi demolida.» Mais recentemente, Adérito Medeiros Freitas é mais preciso relativamente a esta questão: Numa nota que este autor  faz a uma antiga fotografia da Fonte Grande, cedida por José António Soares da Silva e publicada na sua obra  "Fontes de Abastecimento de Águas, concelho de Valpaços" (ed. Câmara Municipal, 2005, vol. II, p.209), refere expressamente que a capela de S. Sebastião "foi mandada demolir pela Câmara Municipal, no ano de 1914.

A capela de S. Sebastião pouco antes de ser demolida
desenho e guache de Leonel Salvado

Não foram ainda devidamente esclarecidas as razões da sua demolição, mas é de supor que para corresponder ao dinamismo a que a novas autoridades republicanas se apostaram  trazer à vilade Valpaços, sede municipal, decorridos cerca de oito décadas desde a criação do concelho - 1836 – e ultrapassadas as explosões anárquicas que se abateram sobre a terra nos finais da monarquia (haja em vista, na categoria “tópicos historiográficos [local / regional]” do presente blogue, o artigo O motim de Valpaços de 1862), ela teria sido ditada sob a sigla do progresso. Assim, face à urgência em corresponderem às mais prementes necessidades básicas da população, na obrigação de proceder a obras de reconstrução e reordenamento urbano, onde quer que se justificassem, por mais drásticas que pudessem eventualmente parecer aos munícipes mais conservadores. Ao que parece, o local atrás referido, que se situava próximo da casa comercial de João dos Reis, e na qual «passava a calheia [leia-se quelha] da Fonte [a Fonte Grande] para o Tambolhão», era uma zona crítica que convinha desafogar. É esta aliás a explicação que é proposta por A. Veloso Martins, na Monografia de Valpaços (2.ª Ed., 1990, p.122) relativamente à demolição da capela.

A capela de S. Sebastião foi completamente demolida, tal como, mais tarde a Fonte Grande também o foi parcialmente, sendo o que dela restou imediatamente soterrado, a poucas dezenas de metros na direcção da Rua Direita. Cerca de três décadas depois, durante o mandato do Eng.º Luís de Castro Saraiva, enquanto presidente da Câmara, deu-se continuidade ao alargmanto da via, também à custa de algumas demolições no casario do lado oposto, na direcção dos Paços do concelho.

Aqui deixo mais um fragmento de “Valpaços desaparecida” resgatada dos ”re(en)cantos da memória”, reconstituída com base numa antiga fotografia publicada por A. Veloso Martins e, mais uma vez, de acordo com a diligente e preciosa orientação do Sr. Manuel Medeiros, a quem publicamente agradeço, em nome do Clube de História e dos aficionados pelas coisas do passado valpacense.

Reconstituição: Desenho e guache de Leonel Salvado

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

103.º Aniversário do nascimento de Miguel Torga



Nascido a 12 de Agosto de 1907, em São Martinho da Anta, distrito de Vila Real, o nosso Miguel Torga é uma figura de relevância regional no contexto da categoria “datas comemorativas [local / regional] ” a homenagear no Clube de História de Valpaços. Existe uma infinidade de trabalhos biográficas a seu respeito, de entre os quais escolhemos o que se segue:

Figuras da cultura portuguesa – Miguel Torga
por José Augusto Cardoso Bernardes

Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha) nasceu em S. Martinho de Anta (12.08.907) e morreu em Coimbra (17.01.995). É autor de uma obra extensa e diversificada, compreendendo poesia, diário, ficção (contos e romances), teatro, ensaios e textos doutrinários.

Há 127 anos – o fim de uma espécie, ou talvez não!

No dia 12 de Agosto de 1883 morreu no Jardim zoológico de Amesterdão o último Quagga.



O Quagga (Equus quagga quagga) é um mamífero equídeo extinto, relacionado com a zebra da planície (Equus quagga burchelli). Muito numerosos no passado, os quaggas viviam na África do Sul na região do Cabo e de Orange. Ao contrário das zebras, estes animais apresentavam listas apenas na metade da frente do corpo, enquanto que os costados eram de cor castanha lisa. A extinção dos quagga deveu-se à caça massiva pelos colonos Boer, que procuravam a sua carne e pele. O facto de se alimentarem nas pastagens que pretendiam para o seu gado foi também um factor que levou ao extermínio. O último animal foi caçado em 1878 e o último exemplar morreu no Jardim Zoológico de Amesterdão em 1883.
Inicialmente, o quagga foi classificado numa espécie (E. quagga) separada da zebra da planície (E. burchelli). Estudos genéticos revelaram no entanto que estes animais são na verdade sub-espécies, reclassificadas na espécie quagga, que tinha a prioridade de acordo com as regras de nomenclatura científica. O The Quagga Project ("O projeto Quagga"), graças à diversidade genética da zebra da planície e a sua proximidade ao quagga, conseguiu reconstruir um animal muito semelhante ao quagga através de cruzamentos seleccionados e que foram libertados na natureza.

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Quagga

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Desvendado o enigma do ovo e da galinha

A ciência não pára de fazer descobertas. Investigadores ingleses anunciaram que resolveram o clássico enigma 'quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha'. E a resposta é: a galinha!
A investigação é séria. Os cientistas analisaram os ovários das galinhas e concluíram que a formação dos ovos só é possível graças a uma proteína – chamada ovocledidin-17 (OC-17) – presente nos animais. Daí ser essencial ter aparecido primeiro a galinha para 'fabricar' o ovo.
'Há muito que se suspeitava que o ovo tivesse aparecido primeiro, mas agora temos provas científicas que demonstram que a galinha apareceu antes', afirmou ao jornal Metro Colin Freeman, da Universidade de Sheffield, que trabalhou na investigação com especialistas da Universidade de Warwick.
Ainda segundo o Metro, para esta descoberta foi necessário utilizar um super-computador, designado HECToR, que desvendou os passos de formação do ovo. Aí percebeu-se que a OC-17 é crucial para que se dê a cristalização da casca.
DN

Por Pavaroty,17 in Viseu Cidade Viriato, http://atlasdeportugal.blogspot.com/2010/07/
Imagem: http://fotowho.net/nihau

Canadá descobre navio perdido há 155 anos

Mudança climática está a criar passagem do Noroeste. Achado tem valor político.

Arqueólogos canadianos descobriram os restos afundados de um navio britânico desaparecido há 155 anos. O HMS Investigator está ligado a uma das sagas da exploração marítima, a busca da passagem do Noroeste, mas participou numa das mais famosas tragédias do Árctico, a procura da expedição perdida de John Franklin. O navio de 422 toneladas foi abandonado em 1855, após dois anos preso no gelo. A maioria da tripulação foi salva por navios da Royal Navy, mas os cientistas também encontraram as tumbas de três marinheiros vitimados pelo escorbuto.
A expedição arqueológica canadiana tinha acabado de chegar à ilha Banks, no mar de Beaufort, norte do Canadá, para um trabalho de duas semanas, mas 15 minutos depois de colocar o sonar na água encontrou ecos que indicavam um achado. O navio está a oito metros de profundidade e a madeira encontra-se bem preservada.
A epopeia árctica do Investigator (ao lado, uma gravura da época) começou em 1848, quando o navio de 36 metros foi comprado e reforçado no casco. A expedição partiu em 1853, comandada por Robert McClure, com a missão de encontrar a mítica passagem do Noroeste, um canal navegável pelo norte, que pouparia semanas na navegação entre Europa e Ásia. Mas havia outra tarefa: saber o que acontecera à expedição de John Franklin, que partira em 1845 em busca da passagem do Noroeste, com 128 homens a bordo.
Hoje, sabe-se que a expedição de Franklin acabou de forma catastrófica e lenta. O gelo destruiu os navios e os homens tentaram regressar a zonas habitadas. Alguns indícios contam uma história macabra de canibalismo e de envenenamento com chumbo (da comida enlatada, ao tempo uma perigosa inovação).
A expedição do Investigator quase teve o mesmo destino, mas McClure foi salvo no último momento, acabando por ganhar um prémio monetário pela descoberta da passagem do Noroeste.
Esta não existia na época. Em breve existirá devido às mudanças climáticas e aos efeitos que estas produzem no gelo do Árctico. Para o Canadá, a descoberta arqueológica tem grande importância política, pois reforça a soberania do país sobre esta parte do Árctico, que em tempos de águas livres de gelo ganhará uma importância estratégica que nem os exploradores do século XIX podiam imaginar.
DN

Por PAVAROTY , em Viseu Cidade Viriato, 1 de Agosto de 2010 http://atlasdeportugal.blogspot.com/

Descoberto fóssil com características de macaco e homem

Investigadores americanos, da Universidade do Michigan, descobriram o crânio de um anima com 29 milhões de anos, que pode ser um ancestral comum de macacos do Velho Mundo e de hominídeos, incluindo os humanos.
A descoberta indica que hominídeos e macacos do Velho Mundo se diferenciaram milhões de anos mais tarde do que se pensava, informa a BBC. A descoberta do crânio, baptizado Saadanius hijazensis foi «extraordinária», de acordo com o líder da investigação.
«O Saadanius é mais próximo do grupo que levou aos humanos. Se soubéssemos algo sobre o período e condições em que este animal viveu, poderíamos descobrir o que causou as mudanças que levaram à evolução de hominídeos e homens», afirmou William Sanders.
Os restos fossilizados revelam que o primata se assemelhava a um macaco moderno, no entanto, deveria ser ligeiramente maior. De acordo com os cientistas, o animal descansava nas árvores, em vez de repousar no solo.
A descoberta sugere que a diferenciação entre hominídeos e macacos ocorreu há cerca de 29 milhões de anos e não entre 30 e 35 milhões, como apontavam estudos anteriores.
TVi24

Por PAVAROTY, in Viseu Cidade Viriato, http://atlasdeportugal.blogspot.com/2010/07/
Imagem: Crânio do fóssil Saadanius hijazensis, tal como foi descoberto em 2009. Divulgação/Nature, in http://www.estadao.com.br

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nagasaki relembrou ontem os 65 anos da bomba atómica

Seg, 09 Ago, 12h03

TÓQUIO (AFP) - A cidade japonesa de Nagasaki recordou nesta segunda-feira os 65 anos do bombardeio nuclear atómico americano na presença de representantes de 32 países, entre eles França e Grã-Bretanha, que participam pela primeira vez das cerimónias pela data.
Os Estados Unidos, que enviaram seu embaixador John Roos às cerimónias de Hiroshima, em 6 de Agosto, pela primeira vez desde o final da guerra, não foram representados em Nagasaki, oficialmente por questão de agenda.
Os diplomatas franceses e britânicos participam nas duas cerimónias com parte dos esforços do movimento em favor do desarmamento nuclear mundial.
Um representante de Israel também assistiu à cerimónia pela primeira vez.
"O Japão, enquanto a única nação que foi vítima de bombardeios atómicos em tempos de guerra, tem uma responsabilidade moral de apoiar a luta para construir um mundo sem armas nucleares", declarou o primeiro-ministro japonês Naoto Kan em um discurso, repetindo seus votos durante a cerimónia em Hiroshima.
Um minuto de silêncio foi observado às 11H02 local (02H02 GMT), hora exacta e que a bomba de plutónio, apelidada "Fat Man" pelos pilotos americanos, explodiu sobre Nagasaki em 9 Agosto de 1945, liberando radiações e uma onda de calor de vários milhares de graus centígrados que custaram a vida de mais de 70.000 pessoas.
A explosão desta segunda bomba atómica levou o Japão a se render seis dias mais tarde, em 15 de Agosto de 1945.
Convencidos de que os ataques nucleares eram necessários para pôr fim à guerra, os Estados Unidos nunca aceitaram apresentar suas desculpas pela morte de 210.000 pessoas, a grande maioria delas civis.

in http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100809/mundo/jap__o_nuclear_eua_guerra

Para conhecer mais detalhes sobre os bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki clique Aqui.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Há 59 e há 52 anos

Na data de hoje, na categoria “Instantâneos”, vamos recordar dois acontecimentos particulares, mas que são semelhantes e fazem parte do mesmo processo histórico.


A 9 de Agosto de 1951, pouco depois da morte de Carmona (que Salazar sucedeu interinamente), o general Francisco Higino Craveiro Lopes, prestava juramento como o novo Presidente da República Portuguesa, cargo para que fora eleito nas eleições de 21 de Julho, disputadas com o apoio da União Nacional. Pouco depois faria publicamente um gesto de homenagem junto ao túmulo do defunto Presidente. O seu mandato terminou em Julho de 1958, e, apesar da sua intenção em se recandidatar, não o fez essencialmente por lhe ter sido retirado o apoio da União Nacional, em nome de Américo Tomás.

A 9 de Agosto de 1958, o almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás tomava posse como presidente da República Portuguesa, para que fora eleito nas eleições de 8 de Julho que disputou contra o candidato da oposição, general Humberto Delgado. Ocupou o cargo ininterruptamente até à Revolução de 25 de Abril de 1974, através das reeleições de 1965 e 1972, por colégio eleitoral.


Para detalhes biográficos a respeito de Francisco Craveiro Lopes e Américo Tomás clique AQUI e AQUI.

domingo, 8 de agosto de 2010

301.º Aniversário da passarola do Padre Bartolomeu de Gusmão



A 8 de Agosto de 1709, o padre jesuíta inventor, Bartolomeu de Gusmão, apresentou em Lisboa, na Sala dos Embaixadores da Casa da Índia, perante a estupefacção de uma numerosa e ilustre assistência, onde se incluía o Casal Real e o Núncio Apostólico, a sua máquina voadora, ao fazer aí uma demonstração técnica das suas potenciais capacidades fazendo subir até ao tecto um balão aquecido a ar. Para alguns autores, a espectacularidade desta demonstração trouxe a Bartolomeu de Gusmão o apoio e a confiança necessária para a concepção de uma versão maior e tripulada do seu engenho que supostamente teria sido testada com sucesso. O engenho foi então baptizado de «a Passarola» e o padre voador, como então se passou a chamar, foi considerado um dos mais importantes pioneiros da aeronáutica a nível mundial, por esta sua proeza, cerca de 70 anos antes do célebre balão dos Montgolfier. José Saramago deixou-nos uma descrição deste extraordinário acontecimento no Memorial do Convento. Para outros, a Passarola nunca voou, e o célebre desenho que lhe está associado não passa de uma criação exótica fruto da curiosidade e da imaginação de um jovem aristocrata que foi aluno de Matemática do inventor cujas experiências com aeróstatos também ficaram muito aquém das suas expectativas e dos acreditavam no seu sucesso, tendo Bartolomeu de Gusmão passado os seus últimos anos em Portugal no meio de grande desilusão e de resignação. Vendo-se perseguido pela Inquisição, mudou-se para Toledo, onde veio a falecer a 18 de Novembro de 1724


Mas quem foi este padre inventor? Em que consistiu exactamente a sua invenção?

Para estas e outras questões sobre o Padre Bartolomeu de Gusmão clique AQUI.

sábado, 7 de agosto de 2010

UNESCO: Candidatura de icnofósseis de dinossauros da Península Ibérica estava incompleta

02.08.2010 - 17:02 Por Lusa
Os sítios dos icnofósseis dos dinossauros da Península Ibérica não foram incluídos na Lista do Património Mundial em análise na 34ª Sessão do Comité do Património Mundial, que decorre até amanhã em Brasília, mas sua candidatura voltará a ser analisada numa próxima reunião do Comité da UNESCO.


A decisão, tomada há pouco no âmbito da 34ª sessão do Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), foi revelada à Lusa por fonte ligada ao património da Península Ibérica.
Segundo a mesma fonte, a decisão foi bem recebida pelos representantes de Portugal e Espanha na reunião, porque ainda há possibilidade da sua inclusão na Lista do Património Mundial.
De acordo com a assessoria da Unesco, o dossier da candidatura foi considerado incompleto e será devolvido aos Estados que fizeram o pedido de registo, para adicionarem outras informações.
Três dos locais dos icnofósseis de dinossauros encontram-se em território português e cerca de uma dezena em Espanha.
Os representantes de Portugal e Espanha já tinham dito à Lusa que não consideravam fácil a inserção daqueles vestígios na Lista do Património Mundial e, portanto, a decisão do Comité da UNESCO foi aplaudida pelas delegações da Península Ibérica.
O balanço dos novos sítios registados como Património da Humanidade será feito na tarde desta segunda-feira pelo presidente do Comité, o ministro brasileiro da Cultura, Juca Ferreira.
A 34ª Sessão do Comité do Património Mundial encerra no próximo dia 3.
In http://www.publico.pt/Ciências
Imagem: http://www.cm-arouca.pt/portal/ (adaptado)

Para rever notícia anterior relacionada e nosso artigo complementar publicados no presente blogue clique AQUI.

Comemorou-se ontem o 344.º Aniversário do nascimento da rainha de Portugal, Maria Sofia Isabel de Neuburgo

Nascida em Brevath, no ducado de Juliers e palatinado de Neuburgo, a 6 de Agosto de 1666, Maria Sofia Isabel de Neuburgo foi a 25.ª rainha de Portugal, segunda mulher de D. Pedro II, por casamento celebrado a 11 de Agosto de 1687, após o monarca português ter enviuvado, quatro anos antes, de D. Maria Maria Francisca de Sabóia. Viveu como rainha de Portugal durante 12 anos, vindo a falecer em Lisboa, no Paço da Ribeira em 4 de Agosto de 1699, aos 33 anos, vitimada por um ataque de erisipela no rosto e cabeça. Foi sepultada em Lisboa no panteão real de S. Vicente de Fora com grandes elogios fúnebres, tanto aí como em Lagos, em homenagem à sua doce personalidade, caracterizada pela bondade e pelo afecto, à qual o rei D. Pedro correspondeu sempre com igual tratamento e zeloso respeito. Além disso, é referida como uma rainha devota e caritativa que conquistou os corações dos povos. Dos 12 anos de casamento nasceram sete filhos, o segundo dos quais veio a ser o herdeiro de D. Pedro à Coroa de Portugal, D. João V. 

Para mais pormenores sobre Maria Sofia Isabel de Neuburgo clique AQUI.

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:24-_Rainha_D._Maria_Sofia.jpg

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Hoje é dia da dedicação da basílica de Santa Maria Maior e de N.ª Senhora das Neves

Santa Maria Maior é orago da freguesia de Valpaços. É festejada em muitos lugares da Igreja Católica, por vezes com a designação de Nossa Senhora das Neves, a 5 de Agosto.

Já lhe dedicamos na categoria "Hagiológio [local / regional]" algumas notas, sob o título "Santa Maria Maior e outras devoções marianas no concelho de  Valpaços".

Para aceder a essa publicação no presente blogue clique AQUI.

Visita ao Museu do Côa