sábado, 9 de outubro de 2010

"Che Guevara" morreu há 43 anos

No dia 9 de Outubro de 1967 morria na aldeia de La Higuera, Bolívia, onde fora capturado um dia antes, sendo executado a tiro por um soldado boliviano, aquele que foi considerado pela revista norte-americana Time Magazine uma das cem personalidades mais importantes do século XX – Ernesto Guevara de la Cerna, mais conhecido por Che Guevara ou El Che, devido ao seu constante uso do vocativo gaúcho “che”. Nascido a 14 de Junho de 1928, em Rosário, Argentina, no seio de uma família da classe média-alta “anti-peronista”, detentora de uma biblioteca com cerca de três mil volumes, começou desde cedo a desenvolver em casa o gosto pela leitura, incluindo obras de Julio Verne, Alexandre Dumas, Baudelaire, Neruda e Freud, mas também de Marx, Engels e Lenine que iriam moldar a sua personalidade e  as suas convicções político-ideológicas.

De saúde débil, propenso a ataques de asma que o atormentariam durante o resto da sua vida, em 1932, com apenas 4 anos, Che Guevara mudou-se com a família, a conselho dos médicos, para Altagracía, uma localidade da região de Córdoba, onde iniciou e terminou os estudos liceais, e mais tarde para Buenos Aires, ingressando em 1946 na Universidade, no curso de Medicina que viria a terminar no ano de 1951. Entretanto, através de viagens empreendidas a outros países da América latina no exercício de uma das suas profissões temporárias de repórter fotográfico ou por iniciativa própria, o jovem médico foi reforçando as suas convicções ideológicas revolucionárias à medida que se ia inteirando das situações de miséria e sofrimento em que o continente se via mergulhado, sobretudo a Guatemala, onde em 1954, Guevara assistiu à luta e ao triunfo de Guzmán, eleito presidente desse Estado à frente de um partido de cariz popular. Definindo-se, a partir daí, como um sério opositor ao imperialismo norte-americano, no ano seguinte estava no México, onde conheceu os irmãos Castro, Raúl e Fidel, e veio a participar em todo o processo revolucionário cubano durante o qual logrou granjear a maior quota-parte da fama que o imortalizou em toda a sua épica Cruzada contra a opressão e a favor da liberdade dos povos. Após o triunfo da revolução cubana, e garantida a sua estabilidade após novo triunfo contra o imperialismo dos EUA e os anti-castristas na Baía dos Porcos, sentiu o revolucionário errante o chamamento de novas missões pelo que, em 1965, com a anuência de Fidel, partiu para o Congo com um destacamento de cem”internacionalistas” cubanos, onde, por razões que são imputadas à sua própria imprudência pela falta do necessário reconhecimento prévio da realidade cultural e sociológica africana, conheceu a sua primeira grande decepção.
Em seguida parte para as montanhas da Bolívia, onde julga poder estabelecer uma base de guerrilha para a unificação dos países da América Latina para uma invasão da Argentina. Aí conhece nova desilusão, não consegue o esperado apoio do Partido Comunista boliviano nem a simpatia da escassa população rural e, em estado de extremo desgaste físico e moral é capturado e ingloriamente abatido por um simples soldado boliviano. Os seus restos mortais, descobertos, em 1997, numa vala comum na cidade de Vallegrande, que fica a cerca de 50 Km de La Higuera, foram trasladados para Cuba e enterrados com honras de chefe de Estado, na presença de membros da família e de Fidel Castro. Também em Cuba foi erigido um monumento em sua homenagem, com base na célebre foto de Alberto Korda, d’o Gerillero Heroico.
Imagem: http://www.fatamerican.tv

Para mais pormenores a respeito de Che Guevara clique AQUI.
Para conhecer uma versão mais pormenorizada acerca das circunstâncias em que ocorreu a morte de Che Guevara clique Aqui

749.º Aniversário do nascimento de D. Dinis, rei de Portugal

D. Dinis I de Portugal (Lisboa [?], 9 de Outubro 1261 — Santarém. 7 de Janeiro de 1325) foi o sexto rei de Portugal. Filho de D. Afonso III e da infanta Beatriz de Castela, neto de Afonso X de Castela, foi aclamado em Lisboa em 1279. Viveu 63 anos e desses 46 passou-os a governar os Reinos de Portugal e do Algarve, tendo subido ao trono com 17 anos.
Figura incontornável da Península Ibérica de fim de Duzentos e início de Trezentos, D. Dinis foi cognominado Pai-da-Pátria por Duarte Nunes de Leão. Foi um dos principais responsáveis pela criação da identidade nacional portuguesa. A ele se deve em larga escala o alvor da consciência de Portugal enquanto Estado e Nação. A sua actividade governativa sempre se manteve nessa linha: definiu as fronteiras de Portugal em Alcanizes, instituiu o Português como língua oficial da corte, libertou as Ordens Militares em território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um sistemático acréscimo do centralismo régio.

A política centralizadora foi articulada com acções de fomento económico importantíssimas - como a criação de inúmeros concelhos e feiras - e de relevantes reformas judiciais. A administração das propriedades régias tornou-se mais eficiente e D. Dinis ficou conhecido como um Rei rico; disso encontramos eco na Divina Comédia de Dante Alighieri. O extenso e excelso trabalho deste Rei em prol do Reino resumiu António Caetano de Sousa ao cognome de O Lavrador, assaz redutor face a obra tão profícua e, ademais, gerado pela imputação errónea da plantação do Pinhal de Leiria a este monarca; na realidade o pinhal já existia desde D. Sancho II.
Foi grande amante das artes e letras. Trovador famigerado, muito cultivou as Cantigas de Amigo, de Amor e a sátira, contribuindo indelevelmente para o desenvolvimento da poesia trovadoresca. Devido à sua obra poética, é hoje conhecido como o O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador. Pensa-se ter sido o primeiro monarca português alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo. Culto e curioso das letras e das ciências, terá impulsionado a tradução de muitas obras para Português, entre as quais se contam os tratados de seu avô Afonso X, o Sábio. Foi o responsável pela criação da primeira Universidade portuguesa, na altura sediada em Coimbra.
In http://pt.wikipedia.org | categoria: Reis de Portugal
Imagem: Id

Para conhecer mais detalhes sobre D. Dinis, a partir da mesma fonte, tais como a sua personalidade, a sua compleição física, a sua obra administrativa e cultural, os seus anos de vida, bem como a sua descendência, clique AQUI.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Moisés – um dos grandes generais da história?

Viagem de Moisés para o Egipto - Pietro Vannucci Perugino

No documentário «Batalhas Lendárias: Moisés perseguição mortal» (ou no original «Batles BC: Moses death chase») é feita, segundo uma perspectiva militar, toda uma nova abordagem ao episódio bíblico do êxodo (saída e fuga do Egipto dos Israelitas por volta do século XIII a.C., depois de uma permanência nas terras dos Faraós de cerca de 400 anos – pelo menos pelo que conta bíblia).
Nesse documentário Moisés é apresentado mais como um chefe político e militar do que propriamente religioso, mesmo sem o excluir de tal papel - até porque nesses tempos antigos não se faziam o tipo de distinções de papéis que hoje se tenta fazer.
Na Bíblia, mais concretamente no livro do Êxodo, é descrita a fuga dos israelitas e a consequente deambulação pelos desertos entre Egipto e Canaã, sempre escapando e evitando a adversidade rumo à terra prometida e aos combates que lá teriam de travar para a conquistar. Até aqui nada de novo mas tudo muda quando se começam a analisar alguns desses eventos, que normalmente são atribuídos a intervenções do Deus dos Israelitas, como meras estratégias e tácticas militares provenientes do génio e chefia de Moisés.

Possível conciliação entre a “Criação” e o “Darwinismo”


Por aquilo que nos parece ser de concluir das mensagens de Karl Giberson, presidente da Fundação Biologos e autor do livro “Saving Darwin”, e Fancis Collins, o cientista mais famoso dos EUA, chefe do Instituto Nacional de Saúde e ex-chefe do famoso Projeto Genoma, abrem-se novas perspectivas entre uma possível conciliação entre a Crença na Palavra de Deus e a Teoria da evolução das espécies. A notícia desta conciliação, que ainda permanecerá durante muitos anos certamente questionável, surge-nos divulgada na revista Galileu, segundo as próprias palavras de Giberson que passamos a transcrever, nesta edição do Notícias com História [Universal].

Biólogo aproxima cristianismo de Darwin

Karl Gibeson mostra como é possível acreditar em Deus e na Teoria da Evolução ao mesmo tempo

Fui criado acreditando que a Teoria da Evolução era uma conspiração para minar a crença em Deus. Na minha cabeça, cientistas eram ateus malvados, prontos para destruir a fé. E Charles Darwin era o pior de todos, influenciado por Satã para propor a evolução em primeiro lugar.

70º aniversário de John Lennon - dia 09 de Outubro

Manuel Buiça, o homem que alvejou o rei D. Carlos

A Câmara Municipal de Vinhais decidiu assinalar o centenário da Implantação da República com a atribuição do nome de Manuel Buíça a um largo da vila.

O transmontano é uma das mais importantes figuras ligadas à República, bem como do golpe que ditou o fim da monarquia em Portugal.
Trata-se de um largo que já existia, próximo do pavilhão onde decorre a feira do fumeiro. “O largo não tinha nome. É um acto simbólico que pode ser condenado. Para muitos o regicida é um herói nacional, mas para outros é um assassino”, afirmou o vereador do pelouro sócio-cultural da Câmara de Vinhais, Roberto Afonso.
Manuel dos Reis da Silva Buíça nasceu em Bouçoais (Valpaços), a 30 de Dezembro de 1876 e faleceu em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908. Era filho do reverendo Abílio da Silva Buíça, abade de Vinhais, e de Maria Barroso.
Os seus estudos primários realizaram-se no concelho que, agora, vai baptizar uma largo com o seu nome. “Decidimos fazer esta homenagem, tanto mais que é uma figura tão ligada à República e ao fim da monarquia e tendo ele ligações a Vinhais era uma forma de assinalar o centenário”, explicou o autarca.
Na base da escolha do largo está o facto de ser o mais próximo da casa do Abade de Vinhais, pai do regicida.
A própria figura do abade é curiosa, uma vez que o clero da altura estava mais associado à monarquia.
Aliás, “foi publicada na revista Ilustração Portuguesa uma fotografia em que aparece o abade ao lado de uma menina que segura a bandeira da República”, acrescentou o vereador.
Na altura, a revista dedicou uma reportagem alargada sobre Vinhais, concretamente de um período de incursão monárquica, um ano após a Implantação da República, em 1910. “Várias pessoas vieram da zona da Sanábria, onde tinham montado um acantonamento, e entraram em Portugal pela zona de Cova de Lua. Em Vinhais ocuparam a Câmara Municipal e hastearam a bandeira monárquica durante algumas horas, até que chegaram os reforços republicanos vindos de Chaves”, relata Roberto Afonso, que tem vindo a dedicar à investigação do papel de Vinhais no derrube da monarquia.

Monárquicos ainda chegaram a hastear bandeira em Vinhais, após o 5 de Outubro de 1910

“O abade de Buíça recebeu os republicanos que vinham de fora. É curioso porque a implantação monárquica liderada por Paiva Couceiro teve associada figuras ligadas à igreja e aqui havia um abade republicano ”, acrescentou o autarca.
No concelho ainda há descendência da geração Buíça, nomeadamente em Lagarelhos, onde existe uma família com este nome. “O Armando Fernandes, consultor gastronómico, será um dos descendentes”, revela Roberto Afonso, que não deixa de achar “estranho” que aqui em Vinhais o regicídio não tenha sido muito falado. “Até há muita gente que nem sabe quem foi Manuel Buíça. É muito provável que tenha sido uma forma de apagar essa imagem”, frisou o responsável autárquico.

Fonte e imagem:
http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=336&id=14689&idSeccao=3022&Action=noticia

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

439.º Aniversário da Batalha de Lepanto


A batalha de Lepanto
Travou-se esta famosa batalha naval no dia 7 de Outubro de 1571, no Golfo de Patras, Mar Jónico, entre uma poderosa esquadra da Liga Santa, comandada por D. João de Áustria e constituída por navios cristãos da República de Veneza, Reino de Espanha, Cavaleiros de Malta e Estados Pontifícios, e uma armada Turca sob o comando de Ali Pashá. É considerada como o maior confronto naval disputado no Mediterrâneo depois da batalha de Actium, travada em 31 Antes de Cristo durante a guerra civil romana que opôs as frotas de Octávio e Marco António. Sucedida a batalha de Lepanto por instâncias da República de Veneza junto do Papa Pio V, sob pretexto de que os otomanos haviam invadido a ilha de Chipre que se encontrava sob domínio veneziano, de imediato o Sumo Pontífice reuniu a referida esquadra, envolvendo os estados cristãos atrás mencionados. Terminou a batalha com uma clara vitória da Liga Santa, vitória essa que representou o fim da expansão islâmica no Mediterrâneo. Encontrando-se Portugal sob o domínio da dinastia filipina, participaram na batalha também portugueses, pelo se trata de uma data comemorativa igualmente portuguesa. Aliás, a Batalha de Lepanto deixou duráveis marcas na tradição oral portuguesa, sobretudo entre a população da costa algarvia.

Existe um estudo muito interessante acerca da Batalha de Lepanto, segundo a tradição oral portuguesa e a versão d’ “O Romanceiro do Algarve de Estácio da Veiga – II”, publicado na revista cultural do Algarve, al gharb, a 8 de Setembro de 2003.

Para conhecer alguns pormenores de interesse historiográfico sobre a Batalha, clique AQUI.

Imagem: http://pt.wikipedia.org Categoria: Batalhas navais

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descobertas arqueológicas do Jardim do Éden?!


Um pastor curdo, andando sozinho no deserto em 1994 fez o que pode ser a maior descoberta arqueológica de todos os tempos. Uma descoberta que pode revolucionar a história das religiões e desvendar a verdade sobre as histórias bíblicas do Jardim do Éden.

Andando com seu rebanho em uma tarde de verão ele encontrou duas pedras com um formato estranho. Voltando a aldeia resolveu contar sobre seu achado. Afinal as pedras poderiam ser algo importante.
Poucas semanas depois a notícia da descoberta do pastor de ovelhas chegou ao conhecimento dos curadores do museu da cidade de Sanliurfa que entrou em contato com o German Archaeological Institute em Istanbul e, no final de 1994 o arqueólogo alemão Klaus Schmidt chegou ao sítio de Gobekli Tepe. O que o Sr. Schimdt encontrou pode mudar a história da humanidade.

Revelado segredo da construção das pirâmides egípcias



Investigador norueguês defende que antigos egípcios já tinham conceitos de construção moderna há mais de quatro mil anos. Planos eram rigorosos com medidas muito precisas.

Intrigado pela precisão que os antigos egípcios mostraram na construção das suas monumentais pirâmides, o arquitecto norueguês e professor na Universidade de Ciência e Tecnologia de Trond- heim, na Noruega, Ole Bryn, decidiu investigar as técnicas que foram utilizadas pelos construtores de pirâmides do Egipto há mais de quatro mil anos. Agora o investigador avança uma nova hipótese para explicar o rigor que preside à sobreposição das pedras, desde a base até ao topo. Tratou-se sobretudo de boas contas no planeamento.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como era a vida em Portugal há 100 anos

Curiosa e original reportagem esta publicada no Jornal “O Sábado”, sobre o assunto em epígrafe, que o seu autor, Nuno Thiago Pinto, no-la presenteou, utilizando as regras ortográficas da época. Vale a pena lê-la!

Milhares de pessoas presenceavam o sorteio da Loteria do Natal, o Paiz só tinha seis cabines telephonicas e 3.211 automoveis e os toureiros eram as grandes estrellas. Saiba como se vivia em Portugal em 1910, n'um texto escripto com a orthographia da epocha.
Por Nuno Thiago Pinto

Na tarde de 23 de Dezembro de 1911, uma multidão ansiosa encheu a sala da Santa Casa da Misericordia de Lisboa para assistir à extracção da Loteria do Natal. Sentados em cadeiras collocadas em frente às duas enormes espheras de onde eram retirados os numeros vencedores, homens, mulheres e creanças esperavam pelo resultado do sorteio que lhes podia mudar a vida. Ao fundo da sala, muitos outros aguardavam de pé. A Illustração Portugueza de 1 de Janeiro 1912 descrevia que, na rua, a expectativa era ainda maior, com milhares de pessoas a occupar o Largo da Misericordia - algumas empoleiradas em arvores. Estava em jogo um primeiro premio de 240 contos de réis (cerca de 4,7 milhões de euros na moeda actual), guardados em maços de notas n'um cofre.
Era muito dinheiro para a epocha, pouco mais d'um anno após a queda da Monarchia e a proclamação da Republica. O Paiz era pobre: cerca de 75 por cento dos quasi seis milhões de habitantes dedicavam-se à agricultura e um trabalhador rural recebia em média 280 réis por dia (5,5 euros), que podiam chegar aos 500 (9.9 euros) na epocha das colheitas. Os operarios - 214 mil em 1907 - eram mais bem pagos: em Lisboa e no Porto, podiam ganhar entre 500 e 600 réis (11,9 euros)ao dia. As mulheres, por regra, recebiam metade do que era pago aos homens.

O 5 de Outubro de 1910


ilustração alusiva à implantação da República, C.M. Estremoz
Perfazem hoje 100 anos sobre a Revolução que pôs termo à Monarquia em Portugal e abriu caminho para a Proclamação da República. O Ministério da Educação constituiu uma Comissão para a comemoração da República e lançou um repto a todas as Escolas e Agrupamentos de Escolas do País para que aderissem a esta iniciativa. As Escolas e o Agrupamento Vertical das Escolas do concelho de Valpaços reagiram afirmativamente a esse apelo, através de actividades várias tivemos ocasião de assinalar neste blogue e cujo último evento decorreu no passado dia 1 de Outubro, também por nós noticiado. Hoje, na cidade de Valpaços, encontra-se a decorrer, desde as 10 horas mais uma cerimónia comemorativa do mesmo evento por iniciativa da Câmara Municipal que conta com a participação da Banda Municipal, integra uma sessão solene a realizar no auditório do pavilhão multi-usos com intervenções do Presidente do Município, Engenheiro Francisco Baptista Tavares e do Dr. António Montalvão Machado, Deputado da Assembleia da República, cerimónia esta que será encerrada pelas 15 horas com um concerto da Banda Municipal. O Programa foi publicado ontem no Notícias de Valpaços. (Nota póstuma: também já pode ver fotos da abertura da cerimónia em Valpassos d'Oje, e um interessante resumo, igualmente com fotos alusivas, das comemorações, em Lebução de Valpaços.)
Limitar-nos-emos hoje a divulgar os acontecimentos ocorridos na data comemorativa em referência, posto que as implicações dela emanadas na subsequente evolução política, social e económica portuguesa foram já devidamente tratadas e divulgadas por iniciativa das escolas do concelho e noticiadas neste e noutros meios de comunicação e divulgação exclusivistas ou generalistas. Uma equipa do Grupo de História do Agrupamento de Escolas de Valpaços, editou um panfleto ilustrado, em conformidade com o Plano de Actividades submetido a aprovação do Conselho Pedagógico, que se encontra em fase de divulgação nos respectivos estabelecimentos escolares desde o passado dia 1 de Outubro com este objectivo exclusivo – revelar os antecedentes, os acontecimentos históricos mais relevantes ocorridos na data em epígrafe, bem como o desfecho desses mesmos acontecimentos e suas implicações no contexto do tema da República em Portugal. É o teor desse panfleto que iremos publicar neste espaço.

A data de 5 de Outubro de 1910 representa o fim da Monarquia e a Implantação da República em Portugal.

OS ANTECEDENTES

Os últimos anos da Monarquia, em Portugal, foram vividos sob um clima de grande agitação e descontentamento por parte da população devido a uma série de factores de que destacamos: A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade. A República afigurou-se, à opinião pública, como a melhor alternativa para restaurar o prestígio perdido e colocar Portugal no caminho da modernidade. O Partido Republicado, criado em 1876, soube aproveitar esta situação, através de uma campanha política e doutrinária, paralelamente à cooperação de sociedades secretas da Maçonaria Portuguesa.
A 31 de Janeiro de 1891 deu-se a primeira tentativa de instauração do Regime Republicano, com a revolta ocorrida na cidade do Porto. Da varanda da Câmara Municipal do Porto fez-se a proclamação da República. Mas o cortejo festivo que se seguiu foi barrado por um forte destacamento da Guarda Municipal e a multidão civil entrou em debandada, e com ela alguns soldados. A primeira tentativa revolucionária republicana falhara, mas este acontecimento veio fortalecer ainda mais a determinação dos revoltosos.
A manifestação republicana de 31 de Janeiro, segundo a revista Ilustração
Com a ditadura de João Franco, que o rei D. Carlos favoreceu, colocando-o, em 1906, na presidência de um novo ministério, de modo a restaurar a ordem pública e controlar os adversários do regime, o descontentamento dos portugueses intensificou-se ao ponto de, dois anos mais tarde, ocorrer o Regicídio: A 1 de Fevereiro de 1908, quando regressavam a Lisboa vindos de Vila Viçosa, no Alentejo, onde haviam passado a temporada de caça, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro Luís Filipe foram assassinados em plena Praça do Comércio.

O Regicídio, 1 de Fevereiro de 1908, in  http://novaaguia.blogspot.com

Com apenas 18 anos sobre ao trono D. Manuel II, que viria a ser o último rei de Portugal. Inicialmente aclamado com a simpatia generalizada dos portugueses, procurou D. Manuel II nomear um governo de consenso. Mas os partidos monárquicos foram-se fragmentando e a situação política degradou-se, ao mesmo tempo que o Partido Republicado se tornava cada vez mais coeso e organizado. A revolução decisiva não tardou a eclodir, sob a égide de fervorosos membros deste partido que foram considerados os mentores da Revolução. Entre eles destacaram-se Magalhães Lima, Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António J. de Almeida, Eusébio Leão e Inocêncio Camacho (na imagem: De cima da baixo / esquerda para a direita).

Os mentores da Revolução


A REVOLUÇÃO

No Verão de 1910 a Revolução adivinhava-se. A 3 de Outubro começou a organizar-se a Revolução. Após o assassinato de Miguel Bombarda, ainda se pensou em adiá-la, mas por determinação do Almirante Cândido dos Reis, os planos mantiveram-se, e iniciaram-se as movimentações.

Os primeiros movimentos militares

Os principais chefes militares que comandaram as operações das forças militares em confronto foram o capitão Sá Cardoso e o Comissário Naval Machado Santos, pelos Republicanos, e o Capitão Paiva Couceiro pelas forças da ordem monárquica.

Sá Cardoso           Machado Santos           Paiva Couceiro
4 de Outubro de 1910

De madrugada soaram tiros e instalaóu-se o pânico entre os revolucionários. O Quartel de Marinheiros de Alcântara, que estava previsto revoltar-se, encontrava-se cercado pela Infantaria 1, Cavalaria 4 e Caçadores 2, fiéis à Monarquia. Na rua posicionavam-se 3 000 monárquicos com as baterias a cavalo. O capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria 16 partiu ao ataque do Palácio das Necessidades
O Comissário naval, Machado Santos, com praças do corpo de Infantaria 16 de Campo de Ourique, atacou o quartel de Artilharia 1. Com outra força de Infantaria 16 investiu sobre a esquadra de Polícia no Largo do Rato e armou os  civis que aí se voluntariaram.
Às 5 horas comandou as forças revoltosas que desceram a Avenida em direcção ao Rossio. Foram bombardeados, retrocederam para a Rotunda e fecharamm as entradas para as Avenidas Fontes e duque de Loulé.
Pelas 9 horas, Machado Santos dispunha apenas de 8 peças de artilharia e oomandou 9 sargentos e uma escassa guarnição de 200 homens, mas um grupo de civis armados acorreram à Rotunda para os auxiliar e resistiriam aí até à rendição das tropas fiéis à Monarquia.


Endurecimento e desfecho do conflito

4 e 5 de Outubro de 1910.

Às 12 horas e 30 minutos, as forças leais à Monarquia comandadas pelo Capitão Paiva Couceiro fustigavamm duramente a Rotunda com as baterias de Queluz. Às 14 horas os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeavam o Palácio nas Necessidades.

Os heróis da Rotunda

As tropas terrestres fiéis à causa republicana tinham-se instalado na Rotunda, onde sofriam um forte bombardeamento das forças monárquicas.
A situação era desesperante, chegando ao ponto de o capitão Sá Cardoso colocar a hipótese de depor as armas. Machado Santos, por seu turno, não se conformou com esta alternativa, chegando a afirmar que preferia a morte à rendição.
Às 6 horas do dia 5 de Outubro as forças revoltosas abriam fogo contra as forças do Rossio, enquanto de Queluz respondiam as baterias de Couceiro, que deu ordens para que começassem a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo. O confronto endureceu, até que, por fim, o General-chefe das forças monárquicas, Paiva Couceiro, vendo a sua causa perdida, assinou, às 9 horas, a acta da rendição.
Leitura da proclamação da República
na sessão inaugural das Câmaras Constituintes
Com a Familia Real de partida para o exílio, era, finalmente proclamada a República e em seguida foi  organizado um governo provisório presidido pelo respeitável republicano moderado Dr. Bernardino Machado.
O Governo Provisório, tal como foi anunciado e 5 de Outubro
Mas o governo provisório viria a sofrer algumas mudanças imediatas, com a saída de Basílio Teles do Ministério das finanças, no que foi substituído por José Relvas e também pelo abandono de António Luís Gomes do Ministério do fomento, substituído por Brito Camacho.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Hoje é dia de S. Francisco de Assis


http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis
Fundador de uma das mais duráveis instituições regulares do sector monástico orientado para a prática da evangelização e missionação, S. Francisco de Assis é um dos santos católicos que maior simpatia tem recolhido na sociedade ocidental, seja pela singular lição de vida que dele se retira, seja pelos valores de humanidade que praticou e apregoou entre os seus “pobres irmãos de Cristo”.

Para aceder a uma detalhada biografia e outros assuntos relacionados com S. Francisco de Assis clique AQUI.

domingo, 3 de outubro de 2010

Afinal quantas Repúblicas existiram em Portugal, 2 ou 3?

Trata-se de uma das questões mais comuns que se colocam acerca da História da República em Portugal e, para muitos portugueses, uma das que também se afiguram como das mais triviais. Não será a própria resposta entendida como a mais acertada, realmente uma verdade de La Palisse?
Vejamos a forma como, muito recentemente, a questão foi colocada e “esclarecida” numa palestra por um conceituado historiador e a forma como esse esclarecimento foi considerado por um dos portugueses presentes no auditório:

Ontem tive o enorme prazer de ter assistido a uma conferência intitulada de «Da monarquia à Republica» em que o principal orador foi o professor Amadeu Carvalho Homem - catedrático de história da Universidade de Coimbra.
Nessa sua intervenção o professor descreveu e relatou os eventos que desde o século XVIII até ao inicio do século XX levaram e culminaram na primeira república em Portugal. Ao longo das suas várias intervenções, para além dos preciosos conhecimentos que partilhava, o professor deixou-nos a seguinte ideia: "Portugal teve apenas duas repúblicas e não três". Fundamentou esta sua tese argumentando que o Estado Novo não deveria ser considerado como uma verdadeira república, pois de república só tinha o nome porque os ideais republicanos nunca foram verdadeiramente praticados pelo regime salazarista. Disse mais ou menos o seguinte: “o Estado Novo de república só tinha os selos e a moedas, só ai é que a república se via e aparecia”.

“História da Vida Privada” em Portugal, uma obra já publicada e nascida de um projecto inédito sob a direcção de José Mattoso.

O círculo de Leitores editou a obra em epígrafe, constituída por 4 volumes, fruto de um projecto de equipa, que se considera ser inédito em Portugal, ainda que baseado no modelo francês da História da Vida Privada de Philippe Ariés e Georges Duby. Sendo uma obra colectiva dirigida por José Mattoso, que é acima de tudo um historiador medievalista, o primeiro volume desta, dedicado à Idade Média obra traz uma nova luz à tradicional concepção deste período da História em Portugal e nele o Director do projecto propõe-se romper com velhos mitos e preconceitos que foram sendo alimentados durante séculos de historiografia. É uma obra que recomendamos aos nossos leitores e sobre ela faremos uma transcrição, em mais uma Notícias “com História”, da entrevista concedida por José Mattoso ao JN a respeito dos condicionalismos que rodearam o projecto e algumas lições a retirar, segundo as declarações do próprio historiador, do primeiro volume editado pelo Círculo de Leitores.

Imagem: http://www.circuloleitores.pt

sábado, 2 de outubro de 2010

Novidades sobre Stonehenge, uma constante insuperável


Stonehenge, Kieran Doherty/Reuters

Efectivamente, não cessam de surgir novas curiosidades sobre a importância e o possível significado do conjunto megalítico situado na planície de Salisbury perto a Amesbury, no condado de Wiltshire, Sul da Inglaterra que se atribui à Idade do Bronze, é Património Mundial da Unesco e foi um dos candidatos às novas sete maravilhas do Mundo. A razão da sua existência tem permanecido até hoje um mistério – centro religioso, para uns, local de consulta astrológica para outros, ou ambas as coisas, a única certeza que dele subsiste, na expressão do autor da Notícia “com História” que desta vez vamos transcrever, é «a incerteza da razão que sempre atraiu inúmeras pessoas a este local».
Desta vez trata-se de um esqueleto descoberto a menos de 5 Quilómetros do monumento.

540.º Aniversário do nascimento de D. Isabel de Aragão e Castela, Rainha de Portugal

D. Isabel de Aragão e Castela foi a 16.ª Rainha de Portugal e a 6ª da Dinastia de Avis. Nasceu em Dueñas, a 2 de Outubro de 1470, filha de Fernando II de Aragão e de Isabel I de Castela. Casou em 1490, em Valência de Alcântara, com o Príncipe D. Afonso de Portugal, filho e herdeiro da Coroa de D. João II. Enviuvando de D. Afonso em 1491 (que faleceu com apenas 16 anos), D. Isabel voltou a casar, a 6 de Outubro de 1597, com o Rei D. Manuel I, primo direito do sogro, a quem havia sucedido no trono de Portugal a 25 de Outubro de 1495, goradas todas as tentativas deste em legitimar o seu filho bastardo, Jorge de Lencastre, que era o candidato da preferência do “Príncipe Perfeito” para a sua sucessão. Mas, após um reinado de pouco mais de oito meses, a Rainha veio a morrer em Saragoça a 28 de Agosto de 1498, ao dar à luz o Príncipe D. Miguel da Paz, que foi jurado herdeiro das coroas de Portugal, Castela, Leão, Aragão e Sicília, conforme o velho sonho de D. João II de centralizar na Coroa Portuguesa a união dos Estados Ibéricos. Porém, logo a 19 de Julho de 1500, com 21 meses de Idade, o jurado herdeiro, D. Miguel da Paz, falecia em Granada esfumando-se desta forma aquele velho sonho.

Das circunstâncias que rodearam a morte desta Rainha de Portugal, de efémero reinado e de curta e conturbada vida, ficou-nos um relato dramático e comovente que passamos a transcrever:

Em 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, a Rainha pariu com muito trabalho um filho, que chamaram D. Miguel, herdeiro dos reinos de Portugal, Castela, Leão, Sicília e Aragão, que morreria em Granada em 19 de julho de 1500 (aos 21 meses). Ao tempo em que pariu, presentes o Rei seu pai D. Fernando, a sua mãe Rainha D. Isabel, e o rei D. Manuel seu marido, e a teve em seus braços D. Francisco de Almeida […]. Morreu «à força de sangue que lhe soltara sem lho poderem estancar».

In http://pt.wikipedia.org , Categoria: Rainhas de Portugal
Imagem: Id

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comemorações do Centenário da República nas ruas de Valpaços



Desfilaram hoje pelas ruas de Valpaços, a partir das 10 horas e trinta minutos, grande parte dos alunos e professores que integram o Agrupamento de Escolas do Concelho, envergando trajes representativos de várias classes sociais e instituições (a Maçonaria) dos primórdios da República e empunhando curiosos cartazes com símbolos e frases alusivas à mesma, uma actividade que esteve inserida no âmbito das Comemorações dos 100 Anos da Implantação da República em Portugal, iniciadas a 3 de Maio do ano lectivo anterior com a realização da Festa da Árvore. O ponto alto da concentração e da cerimónia comemorativa teve lugar na Praça da República.

Para observar interessantes fotos sobre o evento, consulte o Valpassos d’Oje

Hitler tinha antepassados judeus e negros

Investigadores que realizaram exames de ADN de parentes do ex-líder nazista Adolf Hitler descobriram que o ditador alemão tinha antepassados de pelo menos dois «grupos» que desprezava: judeus e africanos.
Os testes foram liderados pelo jornalista belga Jean-Paul Mulders e o historiador Marc Vermeeren e os resultados foram publicados na revista belga Knack.
De acordo com a revista, o jornalista Jean-Paul Mulders pegou num guardanapo utilizado por um sobrinho-neto de Hitler que vive em Long Island, nos Estados Unidos, e mandou o material para testes.
A análise da amostra levou Mulders até a Áustria, onde descobriu que um agricultor identificado como Norbert H. era primo do ditador. O jornalista, em colaboração com o historiador Marc Vermeeren, encontrou ainda outros 39 parentes distantes de Hitler no país. Norbert H. concordou em fornecer material genético para os exames.
O jornal britânico The Daily Telegraph diz que foram recolhidas amostras de saliva de 39 parentes de Hitler. A investigação descobriu o cromossoma Haplopgroup E1b1b (Y-DNA), que raramente é encontrada na Europa Ocidental, mas é mais comummente encontrada nos berberes de Marrocos, na Argélia, Líbia e a Tunísia, bem como entre Ashkenazi e judeus sefarditas.
Muitas vítimas do holocausto, como Anne Frank, eram Ashkenazi.
A preocupação de Hitler com os antepassados causou especulação durante muitos anos
A revista Knack afirma que a Rússia possui artefactos de Hitler, que têm o seu ADN, e que os investigadores poderiam acabar com a especulação se fossem autorizados a testar esses objectos.
TVi24
In "Viseu Cidade Viriato", http://atlasdeportugal.blogspot.com/2010/08
Imagem: http://www.nndb.com/people

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um Auto à República


Ainda se encontra à venda nas livrarias, este interessante trabalho de Cidália Fernandes com as excelentes ilustrações a que nos tem habituado o artista Jorge Miguel. Recomendamos este livro a todos os jovens e menos jovens, alunos e professores, cuja sinopse transcrevemos a seguir.

Chegámos um pouco tarde com esta sugestão, uma vez que o ciclo de actividades comemorativas do Centenário da República se encontra na sua recta final. Mas fica a alusão de um trabalho para ser apreciado com mais vagar e que sirva de consolação, para os professores e alunos de algumas escolas e Agrupamentos de escolas, que por determinação das respectivas comissões para as comemorações, se viram absorvidos em actividades de outra dimensão (palestras, desfiles...).

“Um Auto à República” é um texto dramático que pode perfeitamente ser representado por alunos do 2º ou 3º ciclos. E eles são mesmo as personagens desta peça. Eles e a professora Augusta, que decide comemorar o centenário de implantação da República através de uma representação teatral. Viverão, assim, os acontecimentos de um passado ainda bem vivo, bem como o entusiasmo das personagens que impulsionaram a mudança.
Cidália Fernandes criou assim uma turma de jovens traquinas mas empenhados, que conviverão de perto com aqueles personagens que participaram directamente na história da sua pátria e da Humanidade, como o rei D. Manuel II, Guerra Junqueiro, António Nobre ou José Relvas.
O sucesso está garantido e a peça termina com os célebres vivas à República e o Hino Nacional “A Portuguesa”. As ilustrações desta obra da Plátano Editora ficaram a cargo de Jorge Miguel.
Cidália Fernandes
Um Auto à República
Plátano Editora

in Livros e Leituras, a sua Revista Online

Para encomendar o livro, através da Net ,clique AQUI.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Hoje é dia de São Miguel Arcanjo

Por Leonel Salvado

Tal como S. Gabriel e S. Rafael, que se comemoram liturgicamente nesta mesma data de 29 de Setembro, S. Miguel Arcanjo é um dos Santos Anjos que a Igreja católica tem em grande veneração. É mesmo considerado um dos primeiros, se não o primeiro e mais eminente dos espíritos celestiais guerreiros, arauto de Deus, e Príncipe dos Exércitos Celestiais que combateram os anjos rebeldes comandados por Lucifer. Segundo a tradição judaica, S. Miguel foi o protector do povo eleito. Da sinagoga dos israelitas a Missão de S. Miguel passou à mesquita (pois é também venerado no Islamismo) e à Igreja de Cristo, obtendo no Catolicismo, desde as suas origens, considerável devoção.

No concelho de Valpaços, S. Miguel Arcanjo é orago da freguesia de Fiães, paróquia muito antiga, supostamente de origem anterior ao século XV sob a designação de S. Miguel de Fiães (parrochia Sancti Michaelis de Feanes) que englobaria partes das actuais freguesias de Lebução e de Tinhela. É também o Padroeiro da paróquia de Curros, no mesmo concelho.
Imagem: http:// http://santosesanjos.blogspot.com
Para conhecer mais pormenores sobre a vida de S. Miguel Arcanjo, clique AQUI.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Bicentenário da Batalha do Buçaco


Comemora-se hoje o 200.º Aniversário da Batalha do Buçaco que resultou numa clara vitória anglo-lusa sobre o exército invasor napoleónico comandado por Massena, vitória esta que é considerada como a que mais elevou a moral dos aliados, face à desmoralização das tropas francesas, e, portanto, talvez a mais decisiva batalha da guerra peninsular em favor dos primeiros.

A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia antiga), foi uma batalha travada durante a Terceira Invasão Francesa, no decorrer da Guerra Peninsular, na Serra do Buçaco, a 27 de Setembro de 1810. De um lado, em atitude defensiva, encontravam-se as forças anglo-lusas sob o comando do Tenente-general Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington. Do outro lado, em atitude ofensiva, as forças francesas lideradas pelo Marechal André Massena. No fim da batalha, a vitória mostrava-se nitidamente do lado anglo-luso.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Bu%C3%A7aco

Para mais informações sobre a batalha do Buçaco, segundo a mesma fonte, clique AQUI.

domingo, 26 de setembro de 2010

215.º Aniversário do Nascimento do Marquês de Sá da Bandeira

Nem de propósito! Há apenas dois dias foi publicado neste blogue um trabalho ilustrado sobre “O combate de Valpaços”, evento que lançou a Vila  nos pergaminhos da História Nacional, onde este bravo General das guerras liberais, então com o título de visconde de Sá da Bandeira, se afigurou, apesar da derrota, como um dos protagonistas. Comemoram-se hoje, precisamente, os 215 anos do seu nascimento.


Imagem: http://www.arqnet.pt/dicionario

Para conhecer a sua biografia completa clique AQUI.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Combate de Valpaços

Por Leonel Salvado
Actualizado a 10 de Maio de 2011
Ficou também conhecido como Acção Valpaços, tratando-se de um dos sucessos da história militar de relevância nacional que ocorreu junto a esta localidade, na altura ainda aldeia, embora sede municipal, depois vila e hoje cidade. O grosso dos confrontos sucedeu nos sectores ocidental e setentrional da periferia oitocentista da povoação, ainda que alguns movimentos militares tivessem, esporadicamente, inflectido um pouco mais para Sul e para Nascente.

OS ANTECEDENTES
Foi uma das batalhas que fizeram parte das lutas liberais entre cartistas (apoiantes da Coroa e da Carta Constitucional) e setembristas (liberais radicais apoiantes da restauração da Constituição de 1822). Este período de guerra civil, a que se passou a designar de Patuleia vinha na sequência do movimento revolucionário que ficou conhecido por Maria da Fonte; afirmou-se na Primavera de 1846, contra o ministério cartista de Costa Cabral e foi despoletado pelo golpe de Estado de 6 de Outubro do mesmo ano, levado a cabo pelo duque de Saldanha (antigo setembrista que abraçou os ideais cartistas), com o apoio da rainha D. Maria II, a qual entendeu assegurar assim a manutenção do trono e da Carta, em aparente risco dada a progressiva intensidade de movimentos anti-cabralistas por todo o país. Os mais acirrados sinais de indignação e contestação perante aquele golpe palaciano, fizeram-se sentir na cidade do Porto, que era então o maior baluarte das hostes setembristas, e, logo aí, o presidente da Câmara, José Passos, mandou encarcerar no Castelo da Foz, o enviado especial da soberana, Duque da Terceira, e nomeou uma Junta Provisória do Supremo Governo do Reino, tal como o haviam feito, 26 anos antes, os primeiros revolucionários liberais do vintismo. No Norte do país, os mais famosos chefes militares setembristas estiveram com a Junta, designadamente os condes das Antas e do Bonfim e o Visconde de Sá da Bandeira. O Governador das Armas de Trás-os-Montes,  Barão do Casal, manteve-se fiel à Rainha e a Saldanha e para dar as melhores provas da sua lealdade apressou-se em reunir toda a tropa que lhe foi possível arregimentar, e com ela partiu de Chaves, a 23 de Outubro de 1846, disposto a atacar a Junta do Porto e ganhar nesta cidade novos partidários. Contudo, em Valongo deu de caras com as forças do Visconde de Sá da Bandeira, General da Junta do Porto, retrocedendo e optando por fazer a travessia do Douro para se juntar às forças do marquês de Saldanha, que actuava na Beira. Com essa intenção passou a Régua, no dia 4 de Novembro, e preparou-se para transpor o rio, pelo Pinhão, mas o Barão de Castro Daire, avisado da sua marcha, impediu-lhe a passagem, fazendo encostar na margem esquerda todas as embarcações que aí se encontravam. Resignado perante o malogro de mais um dos seus intentos, retirou-se para Chaves, pelo caminho de Sabrosa, onde deu entrada quatro dias depois. Entretanto, Sá da Bandeira, que resolvera ir no encalço do Governador das Armas de Trás-os-Montes e dar-lhe batalha onde pudesse nos seus próprios domínios, passou a noite de 10 de Novembro em Carrazedo de Montenegro e dois dias depois assentava arraiais na Veiga de Chaves, estabelecendo em Faiões o seu quartel-general. Mas a 15 de Novembro, por razões que nunca foram devidamente esclarecidas, especulando-se que devido a alguma desconfiança do General quanto à lealdade dos seus regimentos de Infantaria 3 e 15, Sá da Bandeira desistiu da tomada de Chaves e ordenou aos seus homens que iniciassem a retirada em direcção a Mirandela. Pernoitaram as duas brigadas em Ervões e Vilarandelo, e a 16 de Novembro foi retomada a marcha, com uma curta paragem em Valpaços, prosseguindo a mesma na direcção de Rio Torto. Para sua surpresa, porém, chega-lhe a informação de que o Barão do Casal vinha em sua perseguição e se encontrava nas proximidades de Valpaços.

A “ACÇÃO VALPAÇOS”
Confirmada a aproximação a Valpaços do exército cartista, Sá da Bandeira fez retroceder as suas divisões aos limites da povoação e preparou-se para o confronto com as forças favoráveis à rainha e à Carta Constitucional.

As forças em confronto e as primeiras posições de combate
Como sublinha o Padre Vaz de Amorim, em artigo redigido em 1944 e publicado na Revista Aquae Flaviae, O Barão do Casal, que contou com a cooperação militar do Visconde de Vinhais, chefiava, desde o dia 23 de Outubro de 1846, uma brigada composta pelos Regimentos de Cavalaria 6 e 7, pelo batalhão de Caçadores 3 e pelo Regimento de Infantaria 13.

PRIMEIRAS POSIÇÕES DE COMBATE - 16 DE NOVEMBRO DE 1846
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Foi a maioria destas forças disposta em posições topograficamente vantajosas no alto de Mempaz, por cima do Barreiro, e as restantes em locais contíguos à área ocupada pelas forças inimigas, que assinalaremos adiante.
Segundo o mesmo autor, que se baseou nas informações do general Ribeiro de Carvalho e que constam na sua obra Chaves Antiga, o Visconde de Sá da Bandeira havia partido do Porto com uma divisão composta por duas brigadas: Uma brigada constituída por Infantaria 3, Guarda Municipal do Porto, 1º batalhão dos Artistas da cidade do Porto e um contingente do 2º batalhão da mesma unidade; uma outra brigada formada por Infantaria 15, um contingente de Artilharia 3 e pelos batalhões de Vista Alegre e de Baião.
Tratou o General da Junta do Porto de posicionar uma parte da sua divisão, constituída pela Guarda Municipal do Porto, o batalhão dos Artistas da mesma cidade e o batalhão de Vista Alegre fora da Vila, a Sul e no caminho de Ervões, desde o cimo da Cortinha Grande até à Veiga; para assegurar a esquerda da linha defensiva foram os regimentos de Infantaria 3 e 15 e o batalhão de Baião colocados em vários dos pontos mais altos da Cortinha Grande, Vale-das-Amoreiras e Fontainhas.

A primeira fase dos combates
Iniciou-se o confronto por volta das 3 horas e trinta minutos da tarde de 16 de Novembro (uma Segunda Feira) de 1846 quando o Visconde de Vinhais avançou sobre a esquerda da linha defensiva de Sá da Bandeira, ao comando de uma parte da Cavalaria, algumas forças do batalhão de Caçadores 3 e da Infantaria 13, soltando vivas à Rainha e à Carta e acercando-se dos Regimentos de Infantaria 3 e 15. A soldadesca da Infantaria 3 depressa se rendeu à causa cartista e as praças do Regimento de Infantaria 15 seguiram-lhes o exemplo, rebelando-se contra as ordens do seu comandante, o coronel Feio, que havia dado ordens para que formassem em quadrado de modo a resistirem à Cavalaria inimiga. Foi o coronel imediatamente preso, juntamente com outros oficiais que também insistiram em manter a sua lealdade a Sá da Bandeira e à causa dos patuleias.

DESENVOLVIMENTO DO CONFRONTO - 16 DE NOVEMBRO DE 1846
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Apanhados no meio de tal confusão os populares do batalhão de Baião precipitaram-se sobre o reduto onde se dera à traição, crendo que a cavalaria tinha sido dominada pelos seus, mas foram logo recebidos a tiro pelos próprios regimentos traidores e seus novos aliados, debandando e, em grande desordem, perseguidos pela Cavalaria ao longo dos trilhos, matas e pinhais de Rio-de-Lobos, Guitarro e Carrapata que se estendiam em direcção a Rio Torto, sendo por ali massacrados e alguns dos seus cadáveres barbaramente mutilados.
Desta traição surgem ecos na imprensa regional coeva, tal como se dava conta "António Rodrigues Sampaio,  jornalista e político no Portugal Oitocentista", segundo o livro publicado com este título por um grupo de autores sob coordenação de Jorge Pedro Sousa, que do referido jornalista fazem a seguinte citação, um pouco vaga mas suficientemente elucidativa:

«O estandarte popular tremula em todo o país. A opressão tem por seu apenas os palmos de terra que pisa. (…) A resistência foi simultânea no Porto, Coimbra e Algarve. (…) Em Viana do Alentejo derramou-se em batalha campal o primeiro sangue. (…) O Alentejo ficou livre (…). Em Trás-os-Montes, a causa popular foi menos feliz. O povo decidiu-se logo por ela (…), mas traído pelo barão do Casal levantaram mãos (…) contra os seus próprios pais e irmãos – Vagabundos e fugitivos, percorreram esses soldados algumas terras do Minho, que assolaram com as suas violências (…) – fugiram das vista do Porto e foram encurralar-se em Chaves (…). O que não pôde fazer o valor, fê-lo o ouro (…) e na acção de Valpaços, por uma vergonhosa traição, (…) entregaram-se.» [1]

Rompida a esquerda defensiva organizada peloVisconde de Sá da Bandeira, esteve este mesmo General da Junta do Porto em risco de ser capturado pela infantaria inimiga, não fora a pronta intervenção do seu ordenança, mais tarde celebrizado com o nome de Zé do Telhado, que arrojadamente o resgatou das mãos de alguns infantes, acto que iremos descrever mais para a frente neste artigo. Sob vigilante guarda do seu fiel ordenança, Sá da Bandeira foi conduzido em segurança para os Penascais, na estrada de Rio Torto.

O confronto final e o seu desfecho
Observando do sítio dos Penascais que o fogo continuava e que a linha de defesa parecia recompor-se, Sá da Bandeira voltou a ela, percorrendo-a e encarando de novo o inimigo no local do Barreiro. Enquanto anoitecia, o combate tornava-se mais aceso, disputando-se o terreno palmo a palmo, sem ganhos significativas de parte a parte. Uma porção do que restava das forças de Sá da Bandeira tentou ainda heroicamente subir as vinhas da Veiga e confrontar o inimigo naquele mesmo sítio do Barreiro. Nesta fase mais viva, mas ainda de incerteza quanto aos resultados da peleja, o fogo estendia-se em arco de círculo desde o Vale-das-Amoreiras até à Freixeda.

BATALHA FINAL - AO ESCURCER DE 16 DE NOVEMBRO DE 1846
clique no mapa para aumentar
Cederam, por fim, já noite adentro os patuleias, e, segundo a descrição coeva da batalha registada numa folha de papel almaço por Constantino de Castro, salvaguardado pelo filho, Joaquim de Castro Lopo e, enfim publicada pelo neto, Constantino de Castro Lopo, em “O concelho de Valpaços, por Valbel” (L. Marques, 1954, pp. 87- 90), Sá a Bandeira, na companhia de todo o seu contigente, «recolheu a Valpaços e pela meia noite marchou estrada de Murça», acrescentando (em nota) que lhe serviu de guia «um popular de Valpaços de nome Luís Teixeira Ferlim, por alcunha o 'Sete fêmeas'». Segundo Castro Lopo, foram apenas em número de dezassete as vítimas mortais resultantes do combate e em número de quatro os feridos.

Considerações finais sobre a batalha
A retirada «por Murça até ao Pinhão onde as tropas liberais de Sá da Bandeira tomaram barcos e regressaram ao Porto pelo rio Douro» (“João da Ribeira, Revista Aquae Flaviae) selava  a derrota dos patuleias na “Acção Valpaços”, sendo assim que é considerada na História de Portugal.
Da sua retirada para o Porto, regista ainda o jornalista António Rodrigues Sampaio os sucessos cometidos por Sá da Bandeira no  inesperado confronto a que ainda foi sujeito contra  as forças de MacDonell, chefe liberal dos miguelistas que entretanto fora aliciado pelos cabralistas:

«McDonell [chefe dos rebeldes miguelistas] foi chamado entre nós pelos cabralistas (…) e ousou atacar as forças do visconde de Sá na sua marcha para o Porto. O resultado desta ousadia foi deixar no campo (…) 17 mortos, muitos prisioneiros, e escapar ele mesmo por uma precipitada fuga para ir contar ao seu cúmplice Casal a notícia da sua derrota.» [2]
  
Encarada, todavia sob o ponto de vista dos seus resultados práticos e até à luz da ética militar, existem óbvias objecções quanto à legítima vitória dos partidários da rainha e da glória que seria de lhes caber na Acção Valpaços.
Uma dessas objecções surge-nos na expressão do general Ribeiro de Carvalho, cuja obra já foi por nós mencionada, e encontrámos citada pelo mesmo Padre Amorim da seguinte forma:

«As tropas da patuleia foram enfraquecidas por uma traição e as do governo não souberam aproveitar a sua superioridade numérica, abandonando o campo do inimigo, sem que sobre ele tivessem alcançado qualquer resultado decisivo». [3] 

Outra objecção retira-se da memória das populações das imediações de Valpaços, sobretudo da de Vilarandelo, acerca dos roubos e estragos aí praticados durante e após os confrontos militares, memória essa registada no papel por Joaquim de Castro Lopo e pelo mesmo realçada numa pequena anotação que é a seguinte:

«Foram tão grandes os roubos e estragos causados pelas tropas do Casal em Vilarandelo que ainda hoje (1942) estão vivos na lembrança do povo.» [4]

Ainda a propósito dos excessos cometido em Vilarandelo pelas tropas do Casal se faz eco A. Veloso Martins, nos seguintes termos:

«Terminada a violenta refrega, as tropas do Casal, na euforia da vitória, subiram a Vilarandelo a pilhar e a saquear a indefesa população» [5]

Tais excessos, também praticados em outros lugares, como em Ervões, contrastaram, segundo o insigne autor valpacense, com a brandura e probidade com que geralmente se portou a gente de Sá da Bandeira. Apesar do indecoroso, aliás irónico, comportamento da soldadesca confiada ao General das Armas de Trás-os-Montes contra a própria gente da sua circunscrição, deixou o mesmo Joaquim de Castro Lopo algumas notas de justa homenagem, mais tarde sucintamente relembradas por Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços, sobre a dignificante postura da população desta povoação que, segundo este último autor, tratou de dar piedosa sepultura aos mortos no seu cemitério e o melhor tratamento aos feridos, sem olhar a partidos. Observe-se que, segundo Castro Lopo, 4 dos 17 mortos sepultados no cemitério de Valpaços pertenciam às forças do Casal, sendo um de Cavalaria, um de Caçadores e dois do Regimento de Infantaria 13. Acerca do tratamento dado aos quatro feridos, ele foi prestado, segundo a mesma fonte, com a «caridade digna de todo o elogio, sendo assiduamente assistidos pelos hábeis facultativos, o médico Zeferino José Pinto e o cirurgião Garcês

A Acção de José do Telhado

Desenho e guache de Leonel Salvado
Não obstante o desaire dos patuleias na Acção Valpaços, destacou-se nela o feito heróico de uma das figuras das fileiras da Junta do Porto, José Teixeira, a quem se deve o salvamento da vida do respectivo general, o Visconde de Sá da Bandeira, na ocasião da traição dos regimentos 3 e 15. Imortalizado mais tarde pela tradição com o nome de José do Telhado por actos menos honrosos, adquiriu em todo o país a fama de fora-da-lei e de temido salteador, cujas façanhas mereceram a atenção de destacados escritores e autores de Banda Desenhada que o retratam nas suas obras. A sua invulgar bravura em batalha já havia sido notada pelo duque de Saldanha na Revolta dos Marechais, em 1837, enquanto lanceiro da Rainha, tendo sido por recomendação do mesmo Saldanha que passou a ordenança nas hostes de Sá da Bandeira. Diz-se que, sendo já sargento, em 1847, por ocasião da Convenção do Gramido (que pôs termo às guerras da Patuleia), arrancou as divisas e se fez salteador. Existem várias versões, nem todas condizentes, a respeito dos pormenores acerca da sua arrojada acção em Valpaços, das quais prefiro transcrever a que retirou Joaquim de Castro Lopo das Memórias do Cárcere, contada pelo próprio Zé do Telhado a Camilo de Castelo Branco, com quem conviveu nos calabouços da Relação do Porto e quem a registou na sua obra, entre de outras façanhas que o bravo proscrito lhe foi relatando.

«Quem nesta ocasião [da entrega dos dois regimentos, 3 e 15] valeu a Sá da Bandeira foi o mais tarde célebre salteador José do Telhado. Este acompanhava Sá da Bandeira como ordenança. Na passagem dos dois regimentos de infantaria, um soldado de infantaria lançou a mão às rédeas do cavalo do general, outro fez-lhas largar. José do Telhado que tudo presenciou, tomando as rédeas do cavalo do general e metendo o seu a galope, obrigou os cavalos a saltarem um valado. No mesmo momento algumas balas passaram por cima da cabeça de Sá da Bandeira, lançadas pelas espingardas de soldados de um dos regimentos traidores. Três soldados de cavalaria carregaram sobre Sá da Bandeira. José do Telhado fez-lhes rosto. Desarmou um, feriu outro mortalmente e ao terceiro que ia fugindo, varou-o pelas costas. Cumprida esta façanha, José do Telhado recebeu das mãos do general a condecoração da Torre e Espada.» [5]

Referências

[1]SOUSA, Jorge Pedro et alii, António Rodrigues Sampaio, jornalista (e) político no Portugal Oitocentista, Labcom 2011, p. 112.
[2] Id. Ibid., p. 116
[3] AMORIM, Padre João Vaz de, Revista Aquae Flaviae, n.º 14, 1995, p. 196
[4] LOPO, Joaquim de Castro, O Concelho de Valpaços, por Valbel, Lourenço Marques, 1954
[5] MARTINS, A. Veloso, Monografia de Valpaços, Lello & Irmão, 2.ª edição, Porto 1990, p.75
[6]LOPO, Joaquim de Castro, id. Ibid. 

 Nota Final: A reconstituição cartográfica aqui elaborada, em três partes, é de limitado rigor, e portanto, sujeita a modificações. Em todo o caso, cumpre dirigir uma palavra de agradecimento ao Sr. Manuel Terra pela diligente colaboração prestada na exacta localização de alguns topónimos mencionados nos documentos antigos que consultei relativos ao combate de Valpaços. Uma nota de agradecimento ainda a João António Vaz, natural de Valpaços, a quem ficámos a dever a  referência bibliográfica que nos foi proveitosa e se encontra assinalada em [1]  e [2].

sábado, 18 de setembro de 2010

576.º Aniversário do nascimento de D. Leonor de Portugal, imperatriz do Sacro-Império Romano-Germânico

Nasceu a infanta D. Leonor em Torres Vedras a 18 de Setembro de 1434, filha do rei D. Duarte e D. Leonor de Aragão. Foi a 6.ª dos nove filhos do segundo casal casal real da dinastia de Avis e a 3ª do sexo feminino. Tinha apenas quatro anos quando o pai faleceu, pelo que a sua educação foi confiada, juntamente com as irmãs D. Catarina e D. Joana, primeiro à regente, sua mãe, e, depois do refúgio desta em Castela, a seu tio D. Pedro, duque de Coimbra , que assumiu a regência e nessas circunstâncias passou a ser mais conhecido como “D. Pedro, o Regente”. Este entregou-a aos cuidados de D, Guiomar de Castro, nobre dama de reconhecidas virtudes morais e intelectuais que foi filha do Senhor de Cadaval e esposa D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, aio do infante D. Afonso. Tinha apenas onze anos quando foram delineados os projectos do casamento da infanta, fora da esfera das tradicionais alianças de Portugal. Goradas as possibilidades do seu casamento com a Casa de Aragão e com o Delfim de França, Luís de Valois, tiveram sucesso os esforços diplomáticos que, entretanto foram dispendidos no sentido do seu consórcio com o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico III, celebrando-se os esponsais em 1451 e, uma vez reunido em Itália com o marido foram ambos coroados na basílica de S. Pedro, em Roma, pelo Papa Nicolau V, a 16 de Março de 1452. Deste enlace das dinastias de Avis e de Habsburgo descende toda a prestigiada linhagem da Casa de Áustria que deu origem aos ramos espanhol, de Carlos V, e austríaco, através do imperador Fernando I.

Para mais informações sobre Leonor de Portugal, clique AQUI

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:4G7FM_PL0062-20.jpg

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

125.º Aniversário do nascimento de Aquilino Ribeiro

Foi, e ainda é,  incontestavelmente, como escritor, uma das grandes referências da Literatura Portuguesa, mas foi também, enquanto Homem, uma das personagens mais controversas da História nacional. Esta questão será abordada numa futura publicação.

Aquilino Gomes Ribeiro nasceu a 13 de Setembro de 1885, em Carregal de Tabosa, no concelho de Sernancelhe, Beira Alta, e faleceu em Lisboa a 27 de Maio de 1963.
Orientado pela família para a carreira eclesiástica, estudou em Lamego e Viseu, antes de ingressar no seminário de Beja, onde esteve de 1902 a 1904. Por ausência de vocação, abandonou os estudos teológicos e dois anos depois já está em Lisboa, onde se dedica ao jornalismo e se envolve em actividades políticas de natureza revolucionária, tendentes a derrubar a monarquia. Na sequência de uma explosão acidental no seu quarto, na qual morreram dois carbonários, foi preso. No entanto, conseguiu evadir-se e exilou-se em Paris, só regressando a Portugal no início da grande guerra, em 1914.
Entre 1910 e 1914 frequentou em Paris a Sorbonne. De regresso a Portugal leccionou durante algum tempo no Liceu Camões e trabalhou na Biblioteca Nacional entre 1919 e 1927. Nessa fase ajudou a fundar a revista Seara Nova, tendo integrado a sua primeira direcção. Entretanto envolveu-se em actividades conspiratórias contra o regime autoritário surgido do golpe militar de 1926. Detido na sequência de um levantamento abortado, conseguiu evadir-se, tendo-se exilado novamente em França, donde só regressou em 1932, após uma amnistia.
A publicação do romance Quando os lobos uivam deu origem, em 1959, a um processo judicial de natureza censória contra o autor.
Ao longo da sua vida exerceu uma intensa actividade literária, abrangendo, além da ficção, biografias, crónicas, ensaios históricos e literários, textos polémicos, a par com a tradução de textos marcantes da literatura mundial.
A primeira fase da sua obra romanesca, que se prolonga até 1932, traz a marca da sua origem rural. Encontramos aí, como temas dominantes, a resistência dos espoliados à repressão moral dos seus instintos vitais; a exaltação do amor carnal e a integração do homem no conjunto das forças naturais.
O seu estilo caracteriza-se por uma exuberância vocabular que só tem paralelo em Camilo. e os seus textos estão recheados de arcaísmos, regionalismos e termos da gíria popular. Algumas das suas obras exploram temas lendários e hagiográficos. Tudo isso contribui para a criação de um ambiente pesado, com o seu quê de barroco, à revelia da literatura urbana do século XX.

In http://anajorge.tripod.com/aquilino.htm
Imagem: http://maludablog.umnomundo.eu/?p=139
Para uma biografia mais detalhada sobre Aquilino Ribeiro consulte Instituto Camões ©, 2003-2006, AQUI.