terça-feira, 9 de novembro de 2010

Transmontanos mortos na Primeira Grande Guerra – II


Monumento aos Mortos da Grande Guerra, 1931, Avenida da Liberdade, Lisboa

Transmontanos mortos na 1ª Guerra Mundial em França e em África

Segue-se uma relação nominal com alguns dados adicionais, que Integram o acervo documental do Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças, extraídos de dois cadernos onde foram averbadas as pensões de sangue a pagar aos herdeiros dos soldados mortos na 1.ª Grande Guerra, em França e em África. Além dos tipos de herdeiros (viúvas, filhos, pais, avós e irmãos), a listagem tem os nomes dos soldados falecidos, a graduação militar, causa de morte (mais propriamente, local da morte), data de falecimento e os cofres dos quais esses herdeiros foram abonados. Os dados serão transcritos pela mesma forma e ordem em que foram registados nos referidos cadernos, aqui divididos em duas partes – referentes a Vila Real e referentes a Bragança, de cujos cofres de pensões de sangue se deduz a origem dos falecidos.

Transmontanos mortos na Primeira Grande Guerra – I


Cemitério Militar Português de Richebourg
Quantos transmontanos repousam aqui eternamente?

A 30 de Janeiro de 1917 parte do Tejo em direcção à Bretanha e à Flandres francesa a primeira brigada do Corpo Expedicionário Português ao abrigo da Convenção celebrada pela jovem República com a Grã-Bretanha que regulamentou a nossa participação na frente de guerra europeia. Era a resposta portuguesa à declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de Março do ano anterior, declaração formal aliás, uma vez que os combates entre os dois impérios coloniais em África já existiam desde 1914.
A participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial desenrolou-se, assim, em 1914-18 e 1917-1918 em dois espaços bastante diferentes dos pontos de vista das suas condições naturais e dos recursos tecnológicos neles envolvidos. Se a defesa dos territórios coloniais em Angola e Moçambique se ia sustentando à custa de um número terrível de baixas, a acção militar portuguesa na frente europeia traduzia-se em perdas humanas incomparavelmente maiores. Em 1918 Portugal transformara-se num país de viúvas, órfãos e inválidos, sustentados a muito custo por sucessivos governos de um regime republicano moribundo que, após o armistício, recorreu à lei e à ajuda francesas para estabelecimento das “pensões de sangue” devidas aos herdeiros dos mortos nos cofres das capitais distritais.

Muitos transmontanos perderam também a vida em África e nos campos da Flandres. É da verdade deste facto que importa aos valpacenses reconhecer em homenagem aos seus ascendentes, com base em provas documentais cuja credibilidade deve ser testada pelo cruzamento com outras fontes (igualmente documentais, mas também orais). Este é apenas um primeiro passo esboçado para esse fim, limitado porém pela própria limitação da documentação existente a nível local, regional e nacional relativamente ao presente tema. Contrariamente ao que já acontece com edições on line de documentos digitalizados relativos aos mortos na guerra colonial, na maioria dos arquivos municipais, distritais, e o próprio Arquivo Histórico Militar não existem bases de dados sobre os mortos na 1ª Guerra Mundial dispostos por freguesias e concelhos da sua naturalidade.

De momento só nos é possível dar a conhecer os militares transmontanos mortos na 1ª Guerra Mundial por distritos, no caso os distritos de Bragança e Vila Real.

sábado, 6 de novembro de 2010

Feriado Municipal de Valpaços

Festeja-se hoje, dia 6 de Novembro, o feriado municipal em Valpaços regularmente comemorada pelo município com todas as honras que lhe são devidas. 

Cumpre deixar aqui algumas notas de esclarecimento sobre a origem da adopção desta data comemorativa, bem como sobre o significado histórico que ela representa.
Em primeiro lugar é justo lembrar que até ao dia 7 de Novembro de 1935, o feriado municipal de Valpaços era celebrado a 24 de Junho, mas após aquela data, por sugestão do insigne homem de letras valpacense, que se destacou nos mais variados domínios da investigação histórico-arqueológica e filológica do concelho, Joaquim de Castro Lopo, passou a ser celebrado na data de 6 de Novembro, quando se aproximava o primeiro centenário da sua criação.
Na verdade, foi por Decreto de 6 de Novembro de 1836, emanado do ministério setembrista de Manuel da Silva Passos (Passos Manuel), que a então pequena localidade de Valpaços se viu elevada a sede de concelho da freguesia com o mesmo nome, com a designação de freguesia de Santa Maria de Valpaços, integrando, apenas, as localidades anexas de Lagoas, Valverde e Vale de Casas. Por ser o concelho tão modesto, dificilmente se poderia, àquela data, antever-se os sucessos que o destino lhe reservava ainda.
Não será, por isso também despropositado aproveitar esta oportunidade para deixar mais algumas notas historiográficas referentes à evolução do concelho de Valpaços de cuja criação hoje se celebra o 174.º Aniversário.

Após um novo código administrativo promulgado pelo mesmo Ministro em 31 de Dezembro desse mesmo ano de 1836, código esse que se inspirava nas reformas que já haviam sido preconizadas por Mouzinho da Silveira e apontadas no mesmo sentido democrático e descentralizador da administração pública, abriram-se claras perspectivas para um futuro engrandecimento da história do municipalismo valpacense. Com efeito, logo em 27 de Setembro de 1837, por carta de lei, eram integradas no concelho de Valpaços as freguesias de Alhariz, Ervões, Friões, Lilela, Possacos, Rio Torto, Sanfins Vassal e Vilarandelo, que pertenciam ao termo de Chaves, bem como Argeriz, retirado ao termo de Carrazedo de Montenegro, e Fornos do Pinhal, ao de Monforte de Rio Livre. Dezasseis anos depois, o Decreto de 31 de Dezembro de 1853 extinguia os concelhos  de Carrazedo de Montenegro e Monforte de Rio Livre, e determinava a transferência das freguesias dos respectivos termos, no todo e em parte, respectivamente, para o concelho e comarca (que o mesmo diploma instituía) de Valpaços. De Monforte passaram para Valpaços as freguesias de Alvarelhos, Barreiros, Bouçoais, Fiães (inicialmente integrada no concelho de Chaves e passada ao de Valpaços a 24 de Outubro de 1855), Nozelos, Santa Valha, Sonim, Tinhela e Lebução, sendo de notar que era a localidade de Lebução que, desde 1836 assumia a categoria de sede do concelho de Monforte do Rio Livre, ainda que prevalecesse esta designação. Do concelho de Carrazedo de Montenegro passaram ao de Valpaços, além da própria sede, agora extinta, as freguesias de Água Revés (concelho extinto pelo mesmo decreto de 31 de Dezembro de 1836), Canaveses, Padrela e Tazém, Santa Maria de Émeres, São João de Corveira, São Pedro de Veiga do Lila, Serapicos, Jou, Curros e Vales. Em 1896 Jou, Curros e Vales foram anexadas a Murça, em resultado de uma jogada política do candidato regenerador à eleição pelo círculo de Alijó, Teixeira de Sousa, mas dois anos depois, sob o governo do Partido Progressista de Luciano de Castro, as duas últimas freguesias são reintegradas no concelho de Valpaços.
Com tão vasto termo municipal, Valpaços foi elevado à categoria de Vila, com o nome de Valpassos, por Decreto Real de D. Pedro V, datado de 27 de Março de 1861. Finalmente, no dia 13 de Maio de 1999 foi a Vila elevada à categoria de Cidade.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

História da ciência em Portugal resumida em livro

A história da ciência em Portugal e os “personagens” que constituíram e protagonizaram o seu percurso estão agora "condensados" num livro da autoria de Carlos Fiolhais, professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra (UC) e director da Biblioteca Geral da UC, e de Décio Martins, professor de física do mesmo departamento.
O lançamento desta obra, que resume a ciência em Portugal desde o tempo dos Descobrimentos até ao fim do Estado Novo, está marcado para dia 3 de Novembro, às 18h00, no Gabinete de Física do Museu da Ciência da UC.
“Breve História da Ciência em Portugal” destaca nomes como Pedro Nunes, Garcia da Orta, Avelar Brotero, Egas Moniz e outros cientistas desconhecidos do público em geral, mas que foram igualmente importantes para o desenvolvimento científico português.
De acordo com os autores, “investigar a história da ciência é a única forma de trazer à luz aspectos da história de Portugal que expliquem melhor quem somos e para onde devemos ir”, sendo que esta obra permite ao leitor “fazer uma viagem no tempo, conhecendo episódios que marcaram a actividade científica nacional”.
Este livro, uma co-edição da Imprensa da UC e da Gradiva, “destina-se a todo o público interessado na história da ciência em Portugal, um tema que ainda não tinha sido divulgado no nosso país de forma resumida e acessível ao público não especializado”, explicam os autores.
Em “Breve História da Ciência em Portugal”, o leitor pode encontrar a história de Cristophorus Clavius, um dos mais notáveis matemáticos e astrónomos do final do século XVI e início do século XVII.
“Cristophorus Clavius foi um jesuíta que estudou em Coimbra e um dos principais autores do Calendário Gregoriano, o calendário utilizado nos países ocidentais. Depois de concluir os seus estudos em Coimbra, foi para Roma, tornando-se amigo de Galileu”, explicam os dois físicos.
A apresentação de Breve História da Ciência em Portugal, com entrada livre, está a cargo de Fernando Catroga, professor catedrático da Faculdade de Letras da UC. Durante a sessão, vai decorrer uma visita guiada às colecções expostas no Gabinete de Física da UC, orientada pelos autores do livro.

Fonte e imagem: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=45870&op=all

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O terramoto de Lisboa de 1755

Gravura em cobre alusiva ao Terramoto de 1755 em Lisboa
Foi no dia 1 de Novembro, um feriado religioso dedicado a “todos-os-santos” segundo tradição católica – algo que acontece ainda hoje -, que a famigerada hecatombe devastou Lisboa, privando-a de uma grande parte do seu património urbano (muitas zonas da cidade foram destruídas e muitos dos principais edifícios ficaram em ruínas) e humano (muitas lisboetas faleceram nesse dia, vítimas do terramoto propriamente dito ou das consequências dele).

Dia de Todos os Santos



A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não. A Igreja Católica celebra a “Festum omnium sanctorum” a 1 de Novembro seguido do dia dos fiéis defuntos a 2 de novembro. A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa. Na Igreja Luterana o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas baptizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou. Em Portugal, neste dia, as crianças costumam andar de porta em porta a pedir bolinhos, frutos secos e romãs.

domingo, 31 de outubro de 2010

Ecos da participação trasmontana na 1ª Guerra Mundial


Cemitério Militar Português de Richebourg onde estão sepultados 1884 militares mortos na 1ª Guerra Mundial 
A Primeira Guerra Mundial

No estado actual da memória colectiva da sociedade ocidental e, em particular da sociedade portuguesa, o holocausto nazi, as perdas humanas e materiais da 2ª Guerra Mundial, a guerra colonial e a repressão do Estado Novo, são os lugares-comuns, diria mesmo, forçando a expressão, os mais comuns, no âmbito dos mais violentos e brutais males cometidos pelo Homem e pelos regimes políticos durante as últimas duas centúrias. O genocídio praticado pela Turquia contra os Arménios, o brutal número de vítimas do regime estalinista ou, ainda mais recentemente, os iguais crimes contra a Humanidade cometidos no Ruanda, são raramente invocados. Claro que esta situação tem a ver, sobretudo nos dois primeiros casos, com a premeditada política de isolamento adoptada respectivos estados e o consequente alheamento ou até o próprio desinteresse da sociedade ocidental a respeito do que aí se passava. Situação bem diferente é a que explica a vaga memória que se guarda em Portugal relativamente ao seu envolvimento na 1ª Guerra Mundial, e esta só pode, a meu ver, ser explicada por razões que se prendem com as próprias circunstâncias da subsequente evolução política portuguesa de mais de meio século. Esse acontecimento de “má memória”, favorecido por um regime da mesma sorte, que por escasso tempo lhe sobreviveu, seria doravante recalcado pelas sucessivas ditaduras e particularmente pelo exacerbado sentimento de orgulho patriótico que o Estado Novo acalentou. Nestas quase quatro décadas de democracia têm-se notado alguns esforços no sentido de resgatar para a História a memória dos portugueses que tombaram na Flandres ou regressaram estropiados das terríficas trincheiras. Alguns meios de comunicação social vêm assumido um papel relevante nessa missão e o mesmo se diga do Ministério da Educação e de um número considerável de Escolas que aderiram ao Programa de Actividades para as Comemorações do I Centenário da República.

619.º Aniversário do nascimento de D. Duarte, rei de Portugal



D. Duarte I de Portugal (Viseu, 31 de Outubro de 1391 – Tomar, 9 de Setembro de 1438) foi o décimo-primeiro Rei de Portugal, cognominado o Eloquente ou o Rei-Filósofo pelo seu interesse pela cultura e pelas obras que escreveu. Filho de D. João I de Portugal e D. Filipa de Lencastre, como primogénito da ínclita geração desde cedo foi preparado para reinar. Em 1433 sucedeu a seu pai e num curto reinado de cinco anos deu continuidade à política exploração marítima e de conquistas em África: o seu irmão Henrique estabeleceu-se em Sagres, de onde dirigiu as primeiras navegações e em 1434 Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador. Numa campanha mal sucedida a Tânger o seu irmão D. Fernando foi capturado e morreu em cativeiro. D. Duarte interessou-se pela cultura e escreveu várias obras, como o Leal Conselheiro e o Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela. Preparava uma revisão da legislação portuguesa quando morreu, vitimado pela peste.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Duarte_I_de_Portugal
Imagem: Id


Para mais pormenores biográficos de D. Duarte, clique AQUI.

665.º Aniversário do nascimento de D. Fernando, rei de Portugal

D. Fernando I de Portugal, nono rei de Portugal, (Lisboa, 31 de Outubro de 1345 - 22 de Outubro de 1383). Era filho do rei D. Pedro I de Portugal e sua mulher, a princesa D. Constança de Castela. D. Fernando sucedeu a seu pai em 1367 e morreu a 22 de Outubro de 1383. Foi cognominado O Formoso ou O Belo (pela beleza física que inúmeras fontes atestam) e, alternativamente, como O Inconsciente ou O Inconstante (devido à sua desastrosa política externa que ditou três guerras com a vizinha Castela, e até o perigo, após a sua morte, de o trono recair em mãos estrangeiras).
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_I_de_Portugal
Imagem: Idem

Para mais pormenores biográficos de D. Fernando, clique AQUI.

670 anos da Batalha do Salado

Batalha do Salado, numa aguarela de Roque Gameiro
Comemorou-se ontem, o 670.º Aniversário da Batalha do Salado, que é considerada por portugueses e espanhóis como a mais decisiva das grandes batalhas da Reconquista Cristã na Península Ibérica.

“Batalha que se travou nas margens do riacho do mesmo nome, na província de Cádis, em 30 de Outubro de 1340, entre os exércitos dos reis cristãos da Península e os muçulmanos, com desfecho favorável aos primeiros. Terá sido um dos episódios mais importantes da Reconquista. O poeta Luís de Camões fez desta batalha um relato que constitui uma das mais belas passagens de Os Lusíadas.
Os antecedentes da Batalha do Salado começam em 1339, quando o rei muçulmano de Granada invade Gibraltar e assola os territórios cristãos do sul da Península. No ano seguinte, o rei de Marrocos atravessou o estreito com uma frota de 100 navios e entrou vitorioso em Espanha. Para fazer face à prossecução da ameaça muçulmana para norte, D. Afonso XI de Castela pediu ajuda ao sogro, D. Afonso IV, por intermédio da sua esposa D. Maria.
Os dois reis cristãos, anteriores inimigos, conseguiram uma vitória completa graças a uma excelente táctica de combate e boa distribuição das tropas. Após a derrota, o rei de Marrocos fugiu para Algeciras, de onde regressou ao seu reino, e o rei granadino recuou para o seu território.
Graças à vitória cristã nesta batalha travaram-se definitivamente as tentativas de Reconquista da Península pelos muçulmanos. O reino de Granada manteve-se por mais 150 anos mas sem ser uma ameaça efectiva para os reinos cristãos”.

In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-10-30].
Disponível na www: .
Imagem: http://roquegameiro.com.sapo.pt/TP%200%200%20Alfredo/TP00%20QuadrosHP.html

Veja o videoclip que pretende ser uma recriação de pormenores alusivos à Batalha do Salado




sábado, 30 de outubro de 2010

Memorial da “Terra Mágica”- LM, Moçambique II

Maputo-Cidade viva
Por Aurélio Terra, 8 de Fevereiro de 2010



Começa bem cedo o dia, em Maputo. Assinala o relógio as 5h30 e percebe-se logo que a cidade vai encher. Oriundo de todos os quadrantes, como formiguinhas seguindo o seu carreiro, “desagua” na Capital, gente com os mais diversos fins.
Num ápice a memória se socorreu de lembranças passadas, fazendo-me recordar que nos meus tempos de estudante, naquela terra, acordava bem cedo para estar a horas na escola, onde às 7h15 começavam as tarefas escolares.
Os acessos rodoviários à cidade de Maputo, congestionam-se. Os “chapas” (1) não têm rodas a medir. Vão e vêm repletos de gente, que se comprime para criar, sempre, um lugar para mais um. Parecem não ter paragens muito definidas. Sempre que há gente para entrar ou sair, a paragem faz-se. A utilidade deste meio de transporte é inquestionável, embora os padrões de segurança sejam letra morta.
Para a Catembe, partem apinhados de gente, os “ferryboats”. Saem a toda a hora. O serviço é contínuo. È partir, chegar e voltar a partir. Não há pausas.
As ruas de Maputo, em pouco tempo, conhecem uma multidão numerosa e compacta. É gente que vende, gente que compra, gente que passeia, e gente que não dispensa um “bom dia” à prazenteira terra, mesmo que seja apenas para dedicar parte do seu tempo à “Bula Bula” (2).
Ao fim do dia, e com a noite instalada, olhava para a cidade a partir da varanda do hotel. Impressionante a velocidade a que a cidade se tinha despedido da sua gente. Não descortinava uma viva alma. Parecia mesmo que alguém tinha tirado o tampão da cidade e que por aí se tinha escoado a povoação. Puro engano! Na zona do Zambi e da Polana os restaurantes dignos desse nome estavam quase a rebentar pelas costuras. Nas mesas, gente de todos os feitios e cores parecia estar a começar o seu dia, tal era a vivacidade com que trocavam dois dedos (seriam mais) de conversa, enquanto davam ao marisco acompanhado duma Laurentina, preta ou dourada, o destino que lhe foi traçado, a partir do momento em que consultaram a ementa.
Claro que não se come só marisco, nem se serve de bebida apenas cerveja. Os amantes de uma boa carne também não ficam decepcionados, mesmo que queiram acompanhá-la com um bom vinho português. Neste caso, terão que puxar um pouco pelos cordões à bolsa. Há sempre a alternativa dos vinhos sul-africanos, que castigando menos a carteira, também apresentam uma apreciável qualidade.
Na zona da boa restauração, onde se vive com intensidade o último terço do dia, é sempre bom ver, a presença de forças de segurança, quer privadas quer públicas.
E no fim do dia, pensava para mim, que isto de se ser Africano (de nascença ou de coração) é uma forma muito própria de se estar na vida, mais do que o próprio facto de se ter nascido naquele continente.
Que bom foi reencontrar Maputo cheio de vida!

(1) mercado paralelo de transportes rodoviários semi-colectivos, em média com uma capacidade para 12 pessoas, explorados por privados
(2)do tsonga significa conversar

In http://terramagica-terra.blogspot.com/

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 1

Por Adérito Medeiros Freitas, Junho de 2001
Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgado através da Internet é dedicada a todos os valpacenses e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes.

FREGUESIA DE ÁGUA REVÉS E CRASTO

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO AUTORIZADAS PELO AUTOR
Transcrição e reprodução integral
(clique para aumentar)
“Povoação e freguesia do Concelho e comarca de Valpaços e diocese de Vila Real. 1047 h. em 253 fogos (1950).
Orago: S. Bartolomeu.
Foi Vila e tem foral concedido por D. Manuel em 12.11.1519”
Enciclopédia Verbo, Vol. 1, pág. 753

Compõem esta freguesia, as povoações de Água Revés (sede), Crasto, Fonte Mercê e Brunhais.

O significado e a importância da História

Por Micael Sousa, 28 de Outubro de 2009

A Escola de Atenas (Academia de Platão), por Rafael 
Desde há algum tempo que me questionava sobre o significado da palavra “História”, mas nunca tinha pensado seriamente nisso ao ponto de fazer uma pesquisa nesse sentido. Enquanto estava a folhear um atlas de História bem simpático e muito bem ilustrado, o livro “Grande Enciclopédia da História” da editora Livraria Civilização Editora, deparei-me com a explicação que sempre me suscitou curiosidade. Numa dessas páginas perdidas estava escrito que História em Grego arcaico significava “Investigação Racional”, dando assim uma dimensão muito mais abrangente ao que hoje se entende pelo estudo da História. Eu diria que o conceito original é quase comparado ao da “Ciência” actual. Terá sido então a História a precursora da ciência e não a Filosofia? Será por isso que existe uma Musa para a História (Clio) e não uma para a Filosofia (entendia-se que somente as grandes artes e ciências tinham uma musa em sua consagração)?
Na minha opinião, a ausência de musa para a filosofia talvez tenha acontecido pelo simples facto de a filosofia só se ter definido como “o gosto pela sabedoria” posteriormente à criação das 9 musas, não se devendo tirar daí grandes elações. Penso que a “Ciência” nasceu de uma série de conhecimentos e vontades humanas. Esta explicação que apresento é apenas uma especulação, sem grande investigação ou comprovação que a sustente. O principal objectivo é mesmo levantar questões.
Com este texto pretendia também tentar comprovar a importância da História, quer pela influência que teve na génese do saber Ocidental quer pela sua importância actual, embora por vezes imperceptível. Isto porque, sempre que fazemos uma qualquer investigação sobre um qualquer assunto ou tema, acabamos por recorrer à Historia na aquisição das bases desse próprio conhecimento. Ou seja, quando queremos aprender a somar temos, à partida, de ter o conhecimento da existência dos números, conhecimento este exclusivamente adquirido através do estudo da História da Matemática. Pois a invenção ou descoberta deles faz parte da História dessa Ciência, embora não o aprendamos conscientes de que estamos a recorrer da História. História não é só História Social, essa é simplesmente a mais famosa devido a muitos factores, por exemplo, devido às grandes individualidades e acontecimentos que ainda hoje influenciam e definem o modo como vivemos e nos comportamos.
Com isto, a História é ou não importante? Mesmo esquecendo aqueles chavões: “sem conhecer o Passado não podemos compreender o Presente e planear o Futuro”.

In http://abuscapelasabedoria.blogspot.com/2009/10/histori-qual-o-significado-e.html
Imagem: Id

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Homem das cavernas tinha sentimentos

Pesquisa revela que Neanderthal sentia compaixão por companheiros
Arqueologistas da Universidade de York desmentiram a reputação primitiva dos Neanderthais ao descobrir provas de que, na realidade, eles nutriam um profundo sentimento de compaixão.
Através de evidências arqueológicas, o pesquisadores examinaram primeiro o modo como as emoções emergiram em nossos antepassado seis milhões de anos atrás, quando o ancestral comum dos homens e dos chipanzés vivenciou o despertar dos primeiros sentimentos. Eram eles empatia em relação a outros animais e motivação para ajudá-los, ilustrados por gestos como, por exemplo, mover um galho para que passassem.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Carta Arqueológica do concelho de Valpaços – 0

O Património Arqueológico do concelho

A questão relativa à diversidade do património arqueológico do concelho de Valpaços, e do seu potencial valor com vista à obtenção de mais-valias por via de um adequado plano regional de exploração turística tem sido abordada, nos últimos tempos com grande optimismo, e muito bem, face à dura realidade conjuntural económica e financeira a que, a maior parte das pessoas se tem rendido. Perante o incontestável subaproveitamento de todo esse potencial, devo reconhecer que o Clube de História de Valpaços tem assumido uma postura meramente contemplativa, ao contrário de outros blogues locais que têm, com todo o mérito, favorecido válidas discussões de carácter interventivo, com sugestões que não serão de descartar, de modo a poder retirar-se todo o proveito possível do património histórico e arqueológico do concelho, como é o caso de “Lebução de Valpaços”.

De momento, o “Clube de História de Valpaços” manter-se-á fiel ao objectivo primordial para o qual foi criado que é o de contribuir, a muito custo acredite-se, para a divulgação desse património, com a maior objectividade e imparcialidade possíveis, divulgação essa dirigida prioritariamente aos valpacenses das várias gerações e das várias freguesias, por forma a obter da maior parte deles o necessário reconhecimento do real valor desse mesmo património que lhes pertence. Tenho a firme convicção, por constatação pessoal decorrente do exercício das minhas funções docentes, de que esse reconhecimento, por parte das gerações mais jovens que vivem no concelho se encontra muito aquém do que seria desejável e arrisco-me a insinuar que o mesmo deve passar-se com uma grande parte de valpacenses das gerações menos jovens, não obstante os esforços dispendidos pela autarquia em conjugação com notáveis trabalhos publicados por alguns investigadores acerca dessa matéria. Acresce ainda o facto de uma considerável porção dos nossos seguidores não valpacenses, igualmente interessados na realidade histórica e arqueológica do concelho desconhecerem ou não disporem das melhores condições para a aquisição dos recursos bibliográficos à disposição do público.

A Carta Arqueológica

É por essas razões que decidi divulgar, através do Clube de História de Valpaços, a Carta Arqueológica do concelho de Valpaços, da autoria do Dr. Adérito Medeiros Freitas, que continua a ser o melhor trabalho de pesquisa e divulgação do património arqueológico regional jamais publicado, apesar dos seus já perto de 10 anos de existência, desde a sua primeira edição; Esta obra foi antecedida por trabalhos de investigação arqueológica financiados, tal como ela própria, pela Câmara Municipal e realizados durante uma década, desde Junho de 1987. Apesar de o próprio autor tê-la considerado na data da sua publicação como «um trabalho ainda incompleto», tendo em conta, também na expressão do autor, que das 31 freguesias ainda não havia sido inventariada qualquer indício de interesse arqueológico em 10 delas, mantém-se, em minha opinião bastante actualizada. Não obstante as novas descobertas, pesquisas e estudos realizadas pelo mesmo autor e por outros entusiastas investigadores durante a última década, ela continua a ser um referencial indispensável na matéria que contempla. Aos valpacenses que ainda não a tenham lido ou adquirido, recomendamos que o façam. Pensando em todos os portugueses, e particularmente nos que vivem noutras regiões do país, em outros países ou continentes e estejam interessados em conhecer a Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços, vamos fazer, a partir desta data, uma transcrição e reprodução do seu teor, obedecendo ao mesmo critério de descrição por freguesias e por ordem alfabética, já a partir da próxima publicação. Hoje limitar-nos-emos a apresentar o mapa geral que tem servido de sinopse (certamente incompleto) dos monumentos histórico-arqueológicos do concelho que o autor optou por colocar no final da obra.

Clique sobre o mapa para o aumentar

Fonte: FREITAS, Adérito Medeiros, Concelho de Valpaços, Carta Arqueológica, C.M. de Valpaços, Julho 2001

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um português na Tailândia na investigação histórica sobre a presença portuguesa

José Gomes Martins é português e vive na Tailândia há 15 anos. É representante do ICEP, funcionário da Embaixada de Portugal em Bangkok e correspondente da Agência Lusa.

Autor de várias reportagens para diversos órgãos de comunicação social e colaborador na realização de filmes sobre Portugal na Ásia, José Gomes Martins tem uma vastíssima biblioteca sobre a presença de Portugal na Ásia, referência incontornável para quem deseje realizar um trabalho sério na Tailândia e tem dispensado grande parte da sua vida na investigação histórica da presença dos portugueses na Ásia.

In “Portugal em linha, Legado Português, VARANDA do ORIENTE”,
http://www.portugal-linha.pt/legado/voriente/gmartins.html

Para analisar e comentar um dos trabalhos historiográficos deste autor sobre a presença portuguesa na Tailândia e a Ligação do Reino de Sião com o Ocidente clique AQUI:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A devida cerimónia em homenagem ao Dr. Olímpio Seca, no I Centenário do seu nascimento

Só há algumas horas tivemos conhecimento, através da notícia de José Doutel Coroado publicada ontem, dia 25 de Outubro, no seu blogue Vilarandelo – um dia uma imagem, de que a Junta de Freguesia de Vilarandelo realizou uma cerimónia junto ao busto do Dr. Olímpio dos Santos Seca para comemorar o primeiro centenário do seu nascimento. A cerimónia contou com um comovente discurso proferido pelo Secretário da Junta, António José Garcia Ferreira, em memória da Grandeza deste saudoso conterrâneo dos vilarandelenses. Esta cerimónia contou ainda com a a honrosa presença da esposa, viúva, do homenageado, a Dra. Maria Fernanda da Mota e Castro que foi também, legitimamente, contemplada com sentidas palavras de homenagem da parte do mesmo orador, António José Garcia Ferreira. Apresentamos, de seguida, um breve documentário em vídeo, tal como foi publicado no blogue já mencionado:




Aos leitores eventualmente interessados em visualizar algumas fotos relativas ao mesmo evento sugerimos uma visita ao referido blogue, AQUI.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Memorial da “Terra Mágica”- L.M., Moçambique - I

Alto-Maé
Por Manuel Terra, 19 de Abril de 2010




Na persecução mordaz da nostalgia dos bons velhos tempos, assalta-me a memória um spot publicitário da Rádio Clube de Moçambique que propalava: O Ponto Final é, onde acaba a Central (outra zona da cidade) e começa o Alto-Maé. Sem qualquer alusão gramatical, tratava-se de uma afamada marisqueira localizada no cruzamento da Av. Pinheiro Chagas (Eduardo Mondlane) com a Av. General Machado (Guerra Popular) onde os crustáceos eram cozinhados com mestria e regados com cerveja de palato requintado ou do melhor vinho verde importado. Junto à sua entrada, o olhar espraiava-se pela longa artéria de três faixas de rodagem até ao buliçoso bairro do Alto-Maé, zona de transição das áreas suburbanas para a urbe de cimento. Era um verdadeiro marco no dia-a-dia de LM, dormitório de gente simples, trabalhadora e de sorriso nos lábios. Por algum tempo, os meus pais lá residiram, junto à Casa Bem-Fica, mesmo defronte de um dos mais antigos estabelecimentos de modas, a Casa Fabião (hoje uma dependência bancária). Naquela linha onde fervilhava o comércio, em que tudo se vendia a preços mais acessíveis, crescia a azáfama de um formigueiro humano aparentemente sem destino, mas que rapidamente se descortinava nos mais diversos estabelecimentos e repartições. Gente multicor, que se cruzava ao virar de cada esquina e se movia ao ritmo que aquela terra reclamava. A maioria dos prédios mais altos, apresentavam nas alas laterais, a mais variada publicidade projectada, de inteiro agrado dos seus moradores. Nos seus baixos comerciais, quem já não se lembra da Saratoga, Papelaria Folques, Foto Coimbra desse grande profissional Armindo Afonso, do Cinema Infante (Charlot), passando pelo Restaurante 2024 (ricas bifanas), Pastelaria Paris, as instalações do B.N.U. e da escola primária do bairro. Afinal nada se perdeu, apenas tudo se transformou. O Restaurante Imperial que eu frequentei em comemorações festivas de amigos, era conhecido pelo seu arroz branco acompanhado de longos lagostins, grelhados no melhor carvão do interior e pincelados de um molho especial. Como é agradável citar o Restaurante o Leão d’Ouro que se orgulhava de ser o melhor em todos os pratos onde entrasse o fiel amigo. Na sua explanada encontravam-se instaladas colunas de som, que nos proporcionavam ouvir aos domingos os relatos de futebol, difundidos pela Emissora Nacional, com os golos do Eusébio a serem festejados efusivamente. No término do bairro, ficava o edifício dos correios e no virar para o Largo Albasini o carismático Bazar Rajá, comércio hindu onde vendedores de cofiós na cabeça e mulheres trajando vestes de sari, excediam-se na simpatia acrescentando à venda dos produtos, um “saguate”(pequena lembrança) na sua tradicional sagacidade e arte de bem vender. Era assim o Alto-Maé de outrora, que encantou gerações do meu tempo e que certamente residirá no imaginário de todos aqueles, que nunca puderam voltar.

In http://terramagica-terra.blogspot.com/

domingo, 24 de outubro de 2010

Ciência procura explicar o “milagre de Moisés” descrito no “Livro do Êxodo”


O Diário de Notícias na sua edição de 22 de Setembro de 2010, no Tag Ciência, trouxe a lume uma reportagem sobre uma possível interpretação científica acerca do fenómeno descrito na Bíblia, no Livro do Êxodo, e religiosamente designado como o “milagre da separação das águas” do Mar Vermelho. Trata-se de uma investigação publicada no dia anterior à edição no DN por uma equipa de investigadores do NCARCentro norte-americano para a Pesquisa Atmosférica, baseada em ponderações científicas sobre as probabilidades de ocorrências naturais condizentes com as descrições bíblicas nessa região específica do Mediterrâneo, em testes de simulações por computador e em relatos de fenómenos semelhantes ocorridos no século XIX. A notícia já suscitou acesa polémica da parte dos seus vários comentadores que se dividem entre o incondicional apego à veracidade da interpretação da mensagem religiosa e a absoluta defesa desta novidade científica. Ao que parece, a controvérsia mantém-se acesa e promete, compreeensivelmente, continuar assim. Para uma reflexão com a maior objectividade possível por parte dos nossos leitores (que optarem por continuar a ler este artigo), propus-me contrapor aqui duas interpretações distintas acerca do mesmo fenómeno: a primeira, escolhida aleatoriamente, foi publicada no blogue Igreja Evangelista, Avivamento da Fé, a 5 de Maio de 2010, e a segunda, é a da notícia mencionada em epígrafe.

863.º Aniversário da conquista de Lisboa


O cerco e conquista de Lisboa, por Roque Gameiro
Comemora-se amanhã, dia 25 de Outubro! É geralmente aceite entre os historiadores que a (re)conquista de Lisboa aos mouros por D. Afonso Henriques se consumou na data de 25 de Outubro de 1147, por ter sido então que, após um cerco de três meses, as forças cristãs lograram entrar vitoriosamente nesta cidade, até aí considerada inexpugnável, que em 1255 viria formalmente a tornar-se na capital do reino de Portugal, representando aquela conquista, portanto, uma das datas comemorativas inolvidáveis da História Nacional. As circunstâncias que pesaram sobre a decisão da conquista de Lisboa e os sucessos que são conhecidos acerca do cerco que o tornou possível, constituem um dos episódios mais curiosos de entre os vários gloriosos cometimentos conhecidos de “O Conquistador”.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O “Tesouro de Lebução”


O Tesouro de Lebução é o nome por que ficou conhecido um dos mais valiosos achados arqueológicos ocorridos no concelho de Valpaços e que muito contribuiu para tornar conhecido a nível nacional e internacional o nome da localidade de Lebução, freguesia deste concelho onde por feliz acaso teve lugar esse acontecimento. Trata-se de um valioso espólio da arte metalúrgica proto-histórica, composto por cinco peças em ouro, de extraordinário estado de conservação que formariam um total de cinco exemplares da joalharia dessa época datáveis, com alguma relatividade, da Idade do Bronze. Os objectos encontram-se actualmente expostos na Casa de Sarmento, em Guimarães, que é uma unidade Cultural da Universidade do Minho, criada em 28 de Janeiro de 2002, resultante de uma parceria com a Sociedade Martins Sarmento, fundada em 1881, e a Câmara Municipal de Guimarães e, portanto, esses objectos estão bem longe dos valpacenses e lebuçanenses desde há cerca de 53 anos em resultado de uma doação àquela sociedade instituída pelo eminente arqueólogo que lhe legou a obra e o nome.

O Tesouro de Lebução continua no entanto a ser uma referência patrimonial ciosa e orgulhosamente invocada pelos seus principais legítimos herdeiros, que são os que constituem a comunidade lebuçanense. Parece ter sido com esse justificado sentido de orgulho, mas também com alguma tristeza que, a 25 de Outubro de 2009, Graça Gomes abordou assim este assunto no seu blogue Lebução de Valpaços:

Nos finais do século XIX o nome de Lebução apareceu, subitamente, nas páginas dos jornais. Um achado invulgar (Tesouro de Lebução), veio agitar esta aldeia e transportou o seu nome para o mundo da arte e da cultura. Este «Tesouro», um conjunto de peças de ourivesaria pré-históricas, valiosíssimas sob o ponto de vista artístico e como testemunho de um passado remoto, é constituído por dois torques, duas extremidades de torques e uma armila, esta a mais valiosa.Foi encontrado num terreno de Lebução, quando andavam a prepará-lo para o plantio de uma vinha.O Tesouro de Lebução foi doado à Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, em 1957, que o possui guardado em cofre bancário, junto com outras jóias de ouro e prata e diversas peças de arte.Lamento, imenso, que à população da minha terra nunca tenha sido dada oportunidade para poder olhar e guardar na memória, uma Jóia que afinal é sua...

In http://lebucaodevalpacos.blogspot.com


Na Casa de Sarmento

Para os valpacenses em geral e a comunidade de Lebução em particular, vamos deixar aqui o conteúdo do catálogo exibido pelo Núcleo de Estudos de Arqueologia e História Local, com as imagens e as informações relativas a cada uma das peças do Tesouro de Lebução que se encontram em exposição na Casa de Sarmento.

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Peça: Torques
Dimensões: [Alt. c. 25 m/m; diâm. c. 150 m/m; desenv. c. 310 m/m, peso c. 150 g.]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Torques de ouro batido, da Idade de Bronze (?). Torques suboval aberto, ligeiramente torto, formado por haste maciça de secção losangular, decorado ao centro com motivos decorativos estilizados em forma de x e v, inseridos num quadrado. Uma das extremidades ainda possui um motivo decorativo em forma de disco muito alongado. Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957.

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Peça: Pulseira (armila)
Dimensões: [Alt. c. 75 m/m; diâm. c. 110 m/m; desenv. c. 350 m/m; peso c. 110 g (c. 107,5 g)]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Pulseira (armila) - bracelete mais 10 pedaços, em ouro, da Idade do Bronze (?).Bracelete cilíndrico, canelado horizontalmente e com falhas num dos lados. Tem cinco caneladuras decorados com trabalho cinzelado com motivos geométricos e florais estilizados em diferentes secções. Existem ainda 4 fragmentos, dois grandes (com cerca de 45 mm de comprimento) e dois pequenos (com cerca de 10 mm de comprimento), sendo três decorados com motivos geométricos gravados e outro com o remate do bordo do bracelete. Têm cerca de 0,5 g. Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957.

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Peça: Extremidades de torques
Dimensões: [1) Alt. c. 30 m/m; diâm. c. 17 m/m; c. 5 g.; 2) Alt. c. 32 m/m; diâm. c. 20 m/m; c. 5 g. Ligeiramente rachado na carena.]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Extremidades de torques em ouro, da Idade do Bronze (?).Decoração da extremidade de torques, com forma de urna ligeiramente carenada, com decoração no bordo, junto à haste do torques.
Ocos, com um guiso no interior, um som fraco (1) outro com som mais grave (2). Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957.



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Peça: Torques
Dimensões: [Alt. c. 35 m/m; comp. c. 165 m/m; larg. c. 125 m/m; desenv. c. 330 m/m; (199 g)]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Torques em ouro, Idade do Bronze (?).Torques com aro semi-circular aberto, aberto, maciço e de secção losangular. Extremidades decoradas com motivo cilíndrico de três arestas, cuja base é decorada com motivos incisos em forma de flor estilizada com cercadura de óvulos. Partido. Talvez já restaurado anteriormente noutros pontos, por soldadura. Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957

In http://www.csarmento.uminho.pt

321.º Aniversário do nascimento de D. João V, rei de Portugal


Nasceu a 22 de Outubro de 1689, no Palácio da Ribeira, em Lisboa, sendo baptizado com o nome de João Francisco António José Bento Bernardo de Bragança, e foi o terceiro filho (segundo varão) dos oito filhos legítimos de D. Pedro II e D. Maria Sofia de Neuburgo. Foi jurado príncipe herdeiro no dia 1 de Dezembro de 1697 devido à morte de seu irmão, João de Bragança e Príncipe do Brasil com apenas 17 dias de idade. A 9 de Dezembro de 1706 tornou-se o 25.º rei de Portugal (o 4º da dinastia de Bragança), subindo solenemente ao trono em Dezembro do ano seguinte. Recebeu o cognome de  O Magnânimo ou de O Rei-Sol Português devido à ostentação e luxo que rodeou a corte durante o seu reinado. É por vezes também cognominado de o freirático em atenção à sua apetência sexual por determinadas freiras de cuja relação com duas delas, Madre Paula e Dona Madalena de Miranda resultaram os nascimentos de dois, dos seus seis filhos naturais, D. José de Bragança e D. Gaspar de Bragança, respectivamente, que foram dois dos três “meninos de Palhavã”. Foi detentor de uma vasta cultura obtida desde a sua infância sob a orientação das maiores sumidades culturais da época pertencentes à Companhia de Jesus. Casou a 9 de Julho de 1708 com Maria Ana Joseja, arquiduquesa de Áustria, na catedral de Santo Estevão, em Viena, de quem teve seis filhos, de entre os quais D. José que viria a ser o seiusucessor. D. João V faleceu em Lisboa em 31 de Julho de 1750 e está sepultado no mosteiro de São Vicente de Fora.

Imagem: in http://www.bemhaja.com


Para mais detalhes relacionados com D. João V, consulte a Wikipédia, AQUI.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A respeito dos lagares cavados nas rochas



A 9 de Fevereiro de 2010, Graça Gomes publicava no seu blogue, Lebução de Valpaços, a interessante informação acerca do tema em epígrafe, que é um dos exemplos da profusão de importantes recursos histórico-arqueológicos existentes nas várias freguesias do concelho e estavam a ser estudados por Adérito Medeiros Freitas e integrado na obra que este incansável arqueólogo editou sob o patrocínio da Câmara Municipal de Valpaços com o título “Lagares cavados na Rocha” (a sua décima publicação no concelho de Valpaços). Esta obra foi apresentada no dia 27 de Março, como Sérgio Morais teve o cuidado de anunciar aqui no Clube de História no dia 1 de Abril, um dia depois da data que fora agendada.
No passado Domingo, 17 de Outubro, a mesma Graça Gomes, que nos concedeu a honra de podermos partilhar aqui no Clube de História das suas publicações no Lebução de Valpaços, informava neste blogue que os lagares cavados na rocha foram mais uma vez objecto do interesses e curiosidade de uma equipa científica que em sua companhia de deslocou a uma quinta localizada na freguesia de Santa Valha onde se assinala um considerável repositório desses vestígios arqueológicos.
Passamos a transcrever as duas publicações que se nos afiguram como importantes provas documentais a respeito da representatividade deste “património oculto” do concelho de Valpaços.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A “Noite Sangrenta” e o trágico assassinato de um ilustre Transmontano


Três das vítimas da Noite Sangrenta, Ilustração Portuguesa, in http://litfil.blogspot.com/
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Perfizeram-se ontem, dia 19 de Outubro, 89 anos sobre a ocorrência deste triste episódio vergonhosamente designado na opinião pública de além-fronteiras da época como uma das «revoluções à portuguesa». Trata-se, para nós, de um acontecimento de relevância histórica, tanto a nível nacional como regional. Surgiu em consequência das fraquezas dos finais da 1ª República, entrecortadas pelas falhadas ditaduras militares de Pimenta de Castro (1915-1917) e de Sidónio Pais (1917-1918), e agravadas pela desastrosa participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial, em que os políticos da “República Velha”, regressando ao funcionamento das instituições democráticas, não foram capazes de evitar a visivelmente crónica instabilidade política, as dificuldades económicas e a agitação social. Da intensificação desta se aproveitou a oposição, solidamente reforçada pela Igreja e pelos grandes proprietários e capitalistas, que favoreceram o recrudescimento de actos de violência para desferir o golpe de misericórdia à agonizante 1ª República. Assim, de um movimento de revolta emergido em Lisboa na manhã do dia 19 de Outubro de 1921 resultou ao fim desse dia um autêntico massacre de eminentes políticos, designadamente António Granjo, que havia sido demitido do cargo de Presidente do Ministério, Machado Santos e José Carlos da Maia, dois históricos da Proclamação da República, o comandante Freitas da Silva, secretário do Ministro da Marinha, e o coronel Botelho de Vasconcelos, antigo apoiante de Sidónio Pais.

Entendemos ser nosso dever recordar este acontecimento justamente em memória de António Granjo, um carismático político de origem flaviense que nele perdeu a vida. Para quem desejar uma Biografia detalhada deste ilustre transmontano que, ao que parece, nunca quebrou os laços que o prediam à sua amada terra natal, Chaves, sugerimos a leitura da que foi publicada por Fernando Ribeiro no seu blogue Chaves, olhares sobre a cidade, bastando clicar AQUI.  

Coube à Produtora David & Golias, no âmbito das Comemorações do Centenário da República, desenvolver um projecto de mini-série para a RTP, confiado ao Realizador Tiago Guedes, com base num guião de Tiago Rodrigues, do qual resultou o filme que visa imortalizar a memória deste triste acontecimento, centrado na viúva de Carlos da Maia. Existe uma sinopse desta mini-série em “ http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/”, que julgamos ter sido emitido por aquele canal nos dias 16 e 17 do corrente mês e do qual apresentamos o seguinte Trailer:

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Trás-os-Montes” um filme super-premiado há 33 anos


Trás-os-Montes é um filme português estreado em 1976, premiado em 5 festivais europeus de Cinema e que a 18 de Outubro de 1977 conquistou aquele que foi considerado o seu maior galardão, o “Grande Prémio da XXVI Semana Internacional de Manheim”.

Trata-se de um documentário ficcionado (docuficção) com uma escrita acentuadamente poética e não narrativa. Especificamente, é uma etnoficção: retrata personagens típicas da “Terra Fria”, o nordeste montanhoso de Portugal, inventariando hábitos seculares, num ambiente rural majestoso. É uma das obras representativas do movimento do Novo Cinema e uma das primeiras docuficções portuguesas.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A1s-os-Montes_(filme)

Para mais pormenores sobre este filme Clique Aqui.