terça-feira, 21 de dezembro de 2010

História do Natal digital

Trata-se da “História da Natividade contada no século XXI”, isto é que alguém resolveu contar de uma forma inédita e divertida, utilizando os recursos da Internet, redes sociais e smartphones. Já foi publicada por Sérgio Morais, no passado dia 10 de Dezembro, nos blogues Notícias de Valpaços e Histórico-filosóficas. VALE A PENA Ver!

Carregado por ExcentricPT, a 6-12-2010

Para quem aprecie mais as curiosidades sobre o Natal contadas pela forma tradicional, sugerimos que clique sobre a imagem seguinte.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Há 64 anos – As escaramuças entre as forças do regime em Portugal e os anti-franquistas na raia transmontana


lápide em homenagem aos heróis de Cambedo da Raia
http://caminhosdamemoria.wordpress.com
Fez esta madrugada de 20 de Dezembro, 64 anos, que iniciaram os violentos confrontos entre as forças da PIDE e da GNR e os opositores espanhóis à ditadura franquista de que resultaram várias mortes e prisões de transmontanos de várias idades, incluindo crianças de 8 e 9 anos em várias localidades da raia transmontana.

O trágico evento tem sido designado por “escaramuças de Candedo”, por alguns autores e por “combate de cambedo”, por outros. Candedo e Cambedo são duas localidades distintas, aquela uma das mais ocidentais freguesias do concelho de Vinhais e esta uma pequena aldeia da freguesia de Vilarelho da Raia, do concelho e proximidade de Chaves e mesmo no limite da fronteira com a Galiza. Correndo o risco de sermos apontados como sectários, parece-nos justo reconhecer, fazendo fé nos relatos oficiais e na memória colectiva dos transmontanos, que o epicentro desta tragédia, foi a pequena aldeia de Cambedo da Raia, sem prejuízo para o devido reconhecimento do sofrimento dos habitantes das várias aldeias do concelho de Vinhais nos dias que antecederam tal tragédia – as denúncias relativas a assaltos cometidos pelos acossados refugiados, registados nos relatórios da GNR, referem-se de facto ao concelho de Vinhais. Mas, de acordo com as mesmas fontes, o plano de intervenção da GNR, gizado em conluio com inspectores oficiais da PIDE, apontava como alvos de intervenção prioritária, não Candedo mas Cambedo da Raia, a par de outras povoações do concelho de Chaves. O ataque a Cambedo, por Vilarelho da Raia, foi de facto o mais aceso e foi nesta aldeia, e não na de Candedo, que os ocupantes das casas da Engrácia, da Escolástica, do Mestre, do Adolfo e do Silvino, acordaram estremunhados com todos os cães da aldeia a ladrar a rebate e se iniciaram os primeiros tiros que levaram à famigerada escaramuça e  às suas dramáticas consequências. De resto, escusado seria lembrar, a coragem revelada, por largos anos, por estes “pobres” habitantes do Cambedo em valer aos desgraçados “guerrilheiros” que poucos esforços tiveram de dispender para que nisso se vissem contemplados, fazem parte da memória colectiva destes povos, espanhóis ou portugueses, como é atestado pelo monumento que foi erguido em sua homenagem e que encabeça este post. 

Para conhecer um relato detalhado e exaustivo deste memorável acontecimento, publicado hoje mesmo por José João da Costa Couto, com base em informações colhidas de outras fontes, consulte o seu blogue, O ABACIENTE.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Tragédia do World Trade Center revela achado arqueológico


World Trade Center «escondia» navio do século XVIII

Maior descoberta arqueológica em Nova Iorque desde 1982
Ciência hoje, 2010-07-16

No local onde, até 11 de Setembro de 2001, estava edificado o World Trade Center (WTC), foram encontrados vestígios de um navio de quase dez metros de comprimento que os especialistas pensam ser do século XVIII e que deverá ter afundado nesse local de Nova Iorque, antes de a cidade ter sido ampliada em direcção ao rio Hudson.
Os vestígios da embarcação foram descobertos na terça-feira pelos trabalhadores que retiravam os escombros do Ground Zero e estavam enterrados a uma profundidade entre seis e nove metros abaixo do nível do chão.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A crise monetária do fim da Guerra de 1914-1918 e as cédulas fiduciárias da Câmara Municipal de Valpaços

Por Leonel Salvado


O significado de cédulas
Como é, provavelmente do conhecimento geral, e com toda a certeza do conhecimento mais apurado de numismatas, coleccionadores ou simples adeptos da “notafilia”, os nomes “cédula fiduciária” ou, simplesmente “cédula”, servem para designar as formas de “dinheiro de emergência” ou “de recurso”, expressões de existem nas línguas francesa, inglesa e alemã, utilizadas em ocasiões de falta de metal e de moeda oficial, impressas em papel, postas em circulação, tanto pelo Estado como por outras entidades públicas e privadas. Trata-se,portanto, de “dinheiro divisionário” que pelo seu baixo valor e validade temporária se justificava a cunhagem sob a forma de papel, de fraca resistência e mais rápida deterioração.

Numa interpretação mais erudita, como a que nos é apresentada por Mário S. de Almeida, no Prefacio ao Catálogo Geral das Cédulas de Portugal, de sua autoria, editado pela Sociedade Portuguesa de Numismática (Porto, 1980), a palavra «cédula» deriva do latim «schedula» que significa «pequena folha de papel». Ainda segundo Mário S. de Almeida, na definição técnica de Pedro Batalha Reis (“Cartilha da Numismática Portuguesa” – Vol I, pp. 473-479, Lx, 1946) entende-se por cédula “a moeda divisionária de papel, cuja conversão é mencionada no cobre, em oposição a «nota», «moeda principal de papel, convertível numa circulação fiduciária em ouro ou em prata»”. Diz-se «fiduciária» por representar um valor que na realidade não possui e que é aceite apenas pela confiança («fiducia») “na garantia dada por quem a emite de que, quando se desejar, se poderá trocar por metal desse valor”. (M. S. de Almeida, Id.).

Resenha história das cédulas em Portugal
Segundo o mencionado autor do “Catálogo Geral”, houve três períodos distintos em Portugal que suscitaram a emissão de cédulas:

1. A crise resultante das guerras liberais e das dificuldades dos constitucionais em aprimorar o controlo da administração em todo o país. Os partidários de D. Pedro que vinham sendo perseguidos no Continente, encontraram refúgio na ilha Terceira, nos Açores aonde nem sequer aquele, afundado em dificuldades de vária ordem no Brasil, lhes podia valer. Este grupo de refugiados liberais chegava aí cada vez em maior número, apesar do bloqueio imposto pela Inglaterra aos desembarques nas ilhas. Assim a 14 de Maio de 1830, obtiveram os liberais refugiados da ilha Terceira, a formalização do Decreto pela Regência, com essa data, com a autorização para a emissão de três cédulas impressas, no valor de 500 réis, 250 réis e 100 réis. Foram as primeiras referências que se encontram acerca de cédulas no nosso país. Mas esta primeira experiência não parece ter passado do projecto, visto que nunca foram vistas, nem se sabe de ninguém que tenha visto as referidas cédulas.

2. A crise económica de 1891, durante a qual se verificou um desaparecimento do metal em circulação, sendo emitidas pela Casa da Moeda cédulas designadas como representativas das moedas de bronze, embora, o facto de só existirem exemplares com os valores entre 50 a 400 réis, representativas das cunhagens correntes em prata conduza à sugestão de que era este metal, tal como o ouro, o que se encontrava em falta nessa conjuntura de crise que assolou o país e obrigou o Banco de Portugal e alguns particulares a recolhê-los  à pressa, sob pressão constante dos credores estrangeiros ou sob receio de uma bancarrota. É nestas circunstâncias que, no início do mês de Maio de 1891 se verificou a falência de dois importantes bancos portugueses, o Banco do Povo e o Banco Lusitano o que originou uma desenfreada corrida aos depositários do Banco de Portugal com o propósito de salvar as suas contas ou, na pior das hipóteses, trocar as suas notas por ouro, no que foram impedidos pelo decreto de 7 de Maio, que determinava a suspensão dessa convertibilidade. Em todo o caso, foram levantados 1200 contos de depósitos e trocados mais de 500 contos de notas por prata, todos estes valores depois açambarcados. Perante a suspensão de pagamentos pelo Banco de Portugal e a ruína de toda a estrutura económica portuguesa, ainda tentou o Governo evitar o pior, decretando, a 10 de Maio, uma moratória de 60 dias nas transacções bancárias. Debalde porém, já que o açambarcamento do ouro e da prata acentuou-se de forma mais célere, ao ponto de terem desaparecido completamente de circulação. É então que por todo o país se generaliza o acto de emissão de senhas ou vales por parte das entidades ou organizações comerciais, bem como os talões designados de “bonds” pela Câmara Municipal do Porto, com autorização oficial, que eram autênticas cédulas com aceitação geral por todo o país. Seguiu-se e emissão pelo Banco de Portugal, decretada a 9 de Julho, de notas de 500 e 1.000 réis, e pela Casa da Moeda, decretada a 6 de Agosto, de cédulas de 100 réis e 50 réis equivalentes, correspondentes, respectivamente, às moedas de bronze de 10.000 réis e 5.000 réis. Contando com a normalização da estrutura financeira, decretou-se a 13 de Agosto a proibição de emissões de cédulas e a recolha, no prazo de 8 dias das que se encontravam em circulação, com excepção da Câmara Municipal do Porto, que foi contemplada com o prazo de dois meses, prorrogado depois para o termo do ano civil. Também no Ultramar, segundo fontes oficiais, houve o Governo que proceder à emissão de cédulas oficiais, como aconteceu em Angola com as de 100, 200 e 500 réis que circularam em substituição das notas que eram correntes com mais alto valor, emitidas pela respectiva Junta da Fazenda. Não se conhece, todavia, nenhuma dessas cédulas.

3. A crise do Fim da Guerra de 1914-1918. Devem saber os mais assíduos visitantes do “Clube de História de Valpaços” que os assuntos relativos aos nefastos efeitos imediatos desta guerra e a impotência revelada pelas instituições democráticas da 1ª República e da chamada “República Nova” que foi um prelúdio do regime ditatorial do “Estado Novo”, já foram aqui objectivamente ventilados na categoria “Memorial [local/regional]. Este terceiro período da emissão de cédulas em Portugal assumiu proporções que nos autorizam a encará-lo como um período bem diferente dos dois anteriores. Como observa Mário S. de Almeida (Id., p. XVII), “voltaram a aparecer cédulas no nosso país, mas então, como de resto por toda a Europa, foi pela medida grande.” Estando a prata efectivamente já afastada de circulação (e do ouro nem se fala!), o problema que agora se punha era o da falta de a circulação das moedas de baixo valor, devido à escassez de cobre, bronze e cupro-níquel, açambarcadas com vista à sua utilização para fins industriais, para proverem às necessidades impostas pela máquina de guerra dos aliados e das mais prematuras campanhas de África. Segundo o autor do Catálogo Geral das Cédulas em Portugal, as cédulas que aparecem então são de valores muito mais baixos, na sua maioria de 1 a 5 centavos e com menos representatividade de 1/2 centavos a 10 centavos, sendo que as de 20 centavos e, excepcionalmente, as de de valores superiores, só apareceram após a grande inflacção de 1922. Mas até então, as cédulas passaram a ser emitidas por um grande número de Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Associações Comerciais e outras instituições, com a particularidade de essas emissões terem sido deliberadas à revelia do Governo, já que não se conhece qualquer referência a legislação que a autorizasse, sendo, muito pelo contrário e à luz da legislação precedente, consideradas proibidas as emissões que não fossem as da Casa da Moeda.


As cédulas da Câmara Municipal de Valpaços
É no contexto do terceiro dos períodos mencionados que podemos enquadrar as cédulas fiduciárias emitidas pela Câmara Municipal de Valpaços, por deliberação datada de 1 de Abril de 1921 sob a presidência de José Joaquim Pereira Miranda Branco, um dos históricos do Partido Progressista em Valpaços que chegou a ser o Vice-presidente da respectiva Comissão executiva criada em 1897, o que se extrai do excelente trabalho da autoria de José António Soares da Silva, “O Partido Progressista de Valpaços”, editado em 2006 pela Câmara Municipal. As cédulas foram produzidas pela Litografia Nacional, no Porto.
É pena que as cédulas da Câmara Municipal de Valpaços de 1921 não pareçam ter merecido ainda a atenção devida e continuem a ser pouco conhecidas do público mais jovem do município, apesar de se saber da existência de algumas colecções particulares, como esta que iremos divulgar. Faço votos para que a Câmara Municipal considere a possibilidade de adquirir uma destas colecções e integrá-la no seu promissor projecto museológico para a cidade, sendo sabido que nas divulgadas "Opções do Plano do Município para 2010" já se anunciava que a cidade iria contar com um Museu Arqueológico e Etnográfico e um Museu do Vinho, e sendo de presumir que as obras para a construção da Biblioteca e Arquivo se encontram em fase de conclusão.
A colecção que aqui expomos é composta por cinco cédulas, consideradas “Comuns” ou “Vulgares” (três das quais foram depois sobrevalorizadas e são mais escassas). São cópias digitalizadas dos originais autênticos, dispostas pela ordem do seu valor primitivo. A face reversa é a mesma e é a que se encontra a encabeçar este post. Para as visualizar mais pormenorizadamente basta clicar sobre cada uma delas. As suas características são as que se seguem:

Grau de Raridade – cotações: C – Comuns ou vulgares (que quase todos os coleccionadores possuem e muitos as têm repetidas); E – Escassas (que muitos coleccionadores possuem, mas já faltam a bastantes).
Fonte: ALMEIDA, Mário S. de, Catálogo Geral das Cédulas de Portugal, S.P. de Numismática, Porto 1980, p.222.







Originais: Colecção particular de Manuel Medeiros

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A recuperação da cabeça perdida de Henrique IV – um embuste ou vingança efectiva dos Bourbom?

A Ciência reconhece caveira de Henrique IV
in http://pt.euronews.net/tag/arqueologia , 16/12/2010

Espécie de hominídeo nunca antes identificado terá vivido na Sibéria há 40 mil anos

Investigadores dizem que serão necessários mais estudos para confirmar a descoberta deste ser
Ciência Hoje 2010-03-25

Na Gruta Denisova, na Sibéria, uma equipa de investigadores russos encontrou, durante uma escavação, o osso de um dedo. Foi no Verão de 2005 e na altura os cientistas puseram de parte o achado para o estudarem mais tarde por pensarem tratar-se de o osso de um Neandertal, comum naquela zona e, nomeadamente, naquela caverna.
Svante Pääbo, do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology »

Finalmente, o osso foi analisado e está a surpreender a comunidade científica. Na revista «Nature» está agora publicado o estudo que revela que, provavelmente, se está perante uma espécie de hominídeo com 30 mil anos até agora desconhecido.

Uma equipa de investigadores do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology extraíram e sequenciaram o DNA do fóssil. De facto, este não coincidia com o do Homo neanderthalensis nem com o homem moderno, que naquela época habitavam aquele espaço.
Os investigadores acreditam que se trata de uma espécie anterior não identificada que saiu de África muito antes dos seus “parentes” conhecidos. Pensa-se que será 500 mil anos mais velha do que os Neandertais.

Svante Pääbo, um dos autores deste estudo de âmbito internacional, confessa-se surpreendido por este “resultado inesperado”.

No entanto, este é apenas um estudo preliminar. O cientista Eske Willerslev, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhaga, não envolvido no estudo, aplaude a descoberta mas sublinha que é necessário guardar algumas reservas, pois só com mais estudos se pode confirmar este estudo inicial.
Ainda há muitas perguntas para responder. Na gruta onde se encontrou este ser, designado para já de «Mulher X», foram também encontrados artefactos e ferramentas de pedra e de osso bastante sofisticados. Nas primeiras análises estes objectos não parecem pertencer à cultura mustierense, associada aos Neandertais. Gruta Denisova, Sibéria»

 A Caverna Denisova, nos Montes Altai, Sibéria, Rússia, próximo da vila Tchyorny Anui, era já conhecida como uma fonte rica em artefactos mustierenses, de técnica Levallois. Há mais de uma década que investigadores russos do Instituto de Arqueologia e Etnologia de Novosibirsk procuram os autores destes artefactos. Esta descoberta vem enriquecer ainda mais este local.
Agora, os investigadores estão agora a tentar sequenciar o genoma por completo. Se forem bem sucedidos, serão mais antigo genoma humano a ser sequenciado.

Artigo: The complete mitochondrial DNA genome of an unknown hominin from southern Siberia
In http://www.cienciahoje.pt

Novo australopiteco identificado é candidato a antepassado directo do «Homo»

Dois esqueletos descobertos na África do Sul revelam nova espécie baptizada como «Australopithecus sediba»
Ciência hoje, 2010-04-08
Restos dos dois exemplares encontrados

A descoberta de uma nova espécie de Australopithecus foi hoje anunciada na revista «Science». Baptizada como Australopithecus sediba, foi revelada através da análise de esqueletos de uma mulher e de uma criança com dois milhões de anos encontrados na África do Sul.

276.º Aniversário do nascimento de D. Maria I, rainha de Portugal

D. Maria I de Portugal, óleo sobre tela
Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, Brasil

Maria Francisca Isabel Josefa António Gertrudes Rita Joana de Bragança, nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816. Foi rainha de Portugal, considerada aliás a primeira rainha reinante de Portugal, entre 24 de Março de 1777 e 20 de Março de 1816, sucedendo ao pai, D. José I. É apontada como o 27.º monarca de Portugal, a 28ª rainha e a 6ª da 4.ª dinastia. A 16 de Dezembro de 1815 foi proclamada Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Foi princesa do Brasil, princesa da Beira e duquesa de Bragança, Casa a que deu continuidade pelo seu casamento com o tio, Pedro de Bragança. Foram-lhe atribuídos os cognomes de “A Piedosa” ou a “Pia” e “a Louca”. Está sepultada na Basílica da Estrela, por ela mandada construir, para onde foi trasladado o seu corpo da Igreja de S. Francisco de Paula, do Rio de Janeiro.

Para mais detalhes biográficos sobre D. Maria I de Portugal, clique AQUI.
Imagem: http://pt.wikipedia.org

O rosto de Myrtis, uma jovem ateniense desaparecida há 2400 anos


in http://pt.euronews.net/tag/arqueologia , 22/9/2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O assassinato de Sidónio Pais e suas repercussões no concelho de Valpaços

Fez ontem 92 anos que Sidónio Pais foi assassinado. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, foi influente figura militar e política da 1ª República em Portugal e considerado como o protagonista da primeira grande insinuação ditatorial do republicanismo português. Em Dezembro de 1917 presidia a Junta Militar Revolucionária, de cuja insurreição resultou queda do Governo de Afonso Costa e a destituição de Bernardino Machado do cargo de Presidente da República. Tomou posse como Presidente do subsequente Ministério e a 27 Dezembro assumiu as funções de Presidente da República até novas eleições. Os actos presidencialistas que depois veio a praticar, emitindo decretos anti-constitucionais, (em relação à Constituição de 1911 que ele próprio ajudara a redigir!) sem consultar o Congresso da República, em abono das competências que caberiam ao Presidente da República – chefe de Estado e líder do Governo -  valeu-lhe de imediato o epíteto de “Presidente-Rei”, ao que os seus mais fiéis defensores opunham o conceito apaziguador de Presidente da “República Nova”. Debalde, porém! De nada lhe valeu a alteração da “Lei da separação da Igrejas e o Estado” efectuado a 23 de Fevereiro de 1918 e do reatamento das relações diplomáticas com o Vaticano, nem a votação sem precedentes que, a 28 de Abril de 1918, resultou na sua eleição como Presidente da República, em resultado do decreto de 11 de Março de 1918, premeditadamente urdido por ele, para, garantindo o sufrágio directo e universal e usando da legitimidade democrática daí decorrente, assegurar igual legitimidade no esmagamento de qualquer tentativa de reacção oposicionista. Os dramáticos resultados da Corpo Expedicionário Português em La Lys, na frente da 1ª guerra Mundial, a fama de germanófilo de Sidónio Pais e a incapacidade revelada pelo Governo em trazer de volta de imediato, ao menos, o que restava dessas forças ao país, geraram uma tal onda de contestação que viria a terminar com o seu assassinato, a 14 de Dezembro, na Estação do Rossio por José Júlio da Costa, um militante do Partido Republicano, após um exercício presidencialista de menos de uma ano, que foi um evidente prenúncio do chamado Estado Novo instaurado por António de Oliveira Salazar.


Por todo o país, durante cerca de 8 anos, a esperança de estabilidade parecia seriamente comprometida, o que levou em algumas localidades a actos de insurgência violenta contra as autoridades instituídas e a falta de metal amoedável obrigou inúmeras autarquias à edição ilegal de cédulas fiduciárias, como já havia acontecido, mais esporadicamente, imediatamente a seguir à implantação da República. São casos  paradigmáticos destas reacções desesperadas os que sucederam em Valpaços: A 4 de Julho de 1921, deu-se o famigerado assalto ao administrador do Concelho, Padre António Borges, Reitor de Vilarandelo, que no alto de Mempaz foi surpreendido por um grupo reminiscente do antigo Partido Democrático e ameaçado de morte, numa simples, mas clara, intenção de amedrontamento e admoestação pela sua habitual orientação política (o insigne monografista de Valpaços, A Veloso Martins que descreve o acontecimento, enganou-se quanto à data do assassinato de Sidónio Pais e quanto à vaga referência cronológica do mesmo acontecimento ao referir-se-lhe como tendo ocorrido "numa manhã de Outono").  Não esqueçamos que o cargo de administrador do concelho, desde a sua remota criação, por decreto de 18 de Julho de 1835, conferia aos administradores elevadas competências executivas sob exclusiva tutela dos Governadores Civis dos respectivos distritos, cabendo àqueles nos concelhos a superintendência da acção policial, da fiscalização das contribuições, das escolas, dos serviços de saúde, do registo civil e do recrutamento militar, competências essas entretanto reforçadas pela Lei de 20 de Outubro de 1840 e pelo código administrativo de 1842, que não sofreu alterações até 1927. Não admira, portanto, que o administrador do Concelho fosse o principal alvo na espiral de violência que se foi avolumando paralelamente à progressiva falência das instituições democráticas. Alguns meses antes haviam surgido as várias cédulas fiduciárias emitidas pela Câmara Municipal de Valpaços que hoje fazem as maravilhas de alguns, raros, coleccionadores valpacenses às quais dedicámos um post no presente blog.  

Imagem: http://restosdecoleccao.blogspot.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

99.º Aniversário da conquista do Pólo Sul

Comemora-se hoje o 99º Aniversário da chegada ao Pólo Sul da expedição norueguesa conduzida por Roald Amundsen,a 14 de Dezembro de 1911. Este célebre explorador norueguês das regiões polares de nome completo Roald Engelbregt Gravning Amundsen, já se havia destacado em expedições anteriores, nomeadamente a que, em 1905 conseguiu a 1ª passagem Noroeste entre os oceanos Atlântico e Pacífico, a Norte do Canadá. Por ter sobrevoado o Polo Norte em 1926, a bordo do dirigível Norge, é considerada a primeira pessoa a chegar a ambos os Pólos.

História do ser humano ganha espaço próprio em Burgos

Inaugurado «Museo de la Evolución Humana»

CiênciaHoje, 2010-07-15

Difundir conhecimento sobre a evolução da espécie humana é o objectivo principal do museu inaugurado terça-feira [13 de Julho de 2010] em Burgos (província de Castela e Leão, Espanha). Foi a partir dos achados e da investigação que se realiza há várias décadas na Serra de Atapuerca, que nasceu Museu da Evolução Humana (MEH). O Museu quer ser uma referência mundial nesta matéria, até porque Atapuerca (situada na província de Burgos), sítio declarado património da Humanidade pela Unesco, em 2000, constitui o maior conjunto de achados sobre a história humana.
Organizado a partir de um guião científico elaborado por José María Bermúdez de Castro, Eudald Carbonell e Juan Luis Arsuaga, os três directores do projecto de Investigação da serra de Atapuerca, que fazem agora parte do comité científico do MEH, o espaço, de 12 mil metros quadrados, divide-se em vários pisos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

13 de Dezembro – Santa Luzia

Santa Luzia é o nome consagrado pela tradição, em língua portuguesa, para Santa Lúcia, cuja festividade popular e religiosa se faz no dia 13 de Dezembro. A festa de Santa Luzia é uma festa religiosa católica com raízes pagãs, celebrada em vários continentes, com grande tradição na Escandinávia, em alguns países da Europa do Sul, como Portugal, e no Brasil.

Nascida no seio de uma família rica de Siracusa, na ilha da Sicília, por volta do ano 280 d.C, abraçou o Cristianismo, com voto perpétuo de virgindade, despojando-se de todos os valores materiais que os pais lhe ofereceram, dedicando-se em absoluto a Cristo. Foi decapitada na sua terra natal no dia 13 de Dezembro de 304 vítima das perseguições de Diocleciano aos cristãos sendo sepultada no local onde pouco depois se ergueu um santuário em sua dedicação. Este acontecimento transmitido pela tradição oral cristã, foi confirmada pela descoberta em 1894, em Siracusa, de uma inscrição tumular escrita em grego clássico que trazia o seu nome e a referência ao martírio no início do século IV. A devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Daí que ela seja invocada em orações populares para a obtenção da cura em casos doenças dos olhos ou da cegueira. Esta crença neste acto radica também na tradição oral cristã, segundo a qual Luzia teria arrancado os próprios olhos entregando-os ao seu carrasco, em sinal de confirmação da fé em Cristo, crença que chegou até aos nossos dias através da literatura, da arte e da representação simbólica desse mesmo acto nas festas religiosas e pagãs a ela dedicadas. O seu corpo e maior parte das suas relíquias estão guardadas na Catedral de Veneza desde 1204, ano em que regressaram ao Ocidente, resgatados de Constantinopla pelos cavaleiros da Cruzada de 1204, sob pedido do dogge daquela república italiana. É, portanto, muito antigo o culto a Santa Luzia no Ocidente.

No concelho de Valpaços também existem manifestações de culto a Santa Luzia. Na localidade de Sá, freguesia de Ervões, por exemplo, celebra-se a Festa de Santa Luzia realizada em torno do elegante templo sob sua invocação que aí existe. Também se assinala a devoção a esta mesma santa em Carrazedo de Montenegro, dada a existência de uma capela de Santa Luzia na relação do património edificado dessa freguesia. A imagem da mesma santa surge mencionada noutras épocas, como em 1758, nos altares de algumas igrejas deste concelho, como na de Santa Maria de Valpaços e na da freguesia extinta de São Salvador de Nozedo, hoje anexa de São Joao da Corveira. Num pequeno povoado do concelho de Chaves, outrora termo da freguesia de Águas Frias, também se comemora (comemorava?) o dia de Santa Luzia. As Nogueirinhas, dessa pequena aldeia se trata, concitava as atenções com a que constituia a última festa do concelho em cada ano.

imagem: http://evangelhoquotidiano.org
Para conhecer mais detalhes sobre Santa Luzia, clique AQUI.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O princípio do fim do polémico mistério sobre a tragédia do “Struma”?

Segundo o canal digital Euronews / Arqueologia, parece ter sido dado um passo importante no esclarecimento de um dos enigmas da 2ª Guerra Mundial, a tragédia do Struma, o cargueiro búlgaro que a 23 de Fevereiro de 1942 explodiu sobre o Mar Negro, em circunstâncias misteriosas, vitimando cerca de 400 famílias de judeus romenos, incluindo centenas de mulheres e crianças, que procuravam fugir da Europa e refugiar-se em Eretz Israel, através da Turquia, após dois meses de angustiante espera, em condições extremas de sobreivência, que fosse superado o impasse diplomático então instalado entre as autoridades britânicas e turcas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Uma espreitadela ao Museu Militar de Bragança

O trabalho publicado por Euroluso em 2008, no Dia Internacional dos Museus, serve-nos de referência para uma agradável espreitadela guiada ao interessante espólio do Museu Militar de Bragança, graças às imagens de excelente qualidade que o autor anexou nesse trabalho em homenagem àquela instituição, e é por isso que entendemos reeditá-lo aqui, pensando nos nossos leitores que ainda não tiveram oportunidade de o visitar. Aprecie, nesta breve visita guiada pelos comentários de Lusomundo, algumas dessas imagens (recomendamos que clique sobre elas para as aumentar!).

O Museu Militar de Bragança
O interessante Museu Militar de Bragança, criado em 1928 pelo comandante do Regimento de Infantaria nº 10, foi extinto em 1958 e reactivado em 1983. Está instalado no castelo de Bragança, na mais bela e elegante Torre de Menagem do país. O seu recheio tem um elevado valor histórico e cultural, tanto em antiguidade como em riqueza patrimonial. A nível nacional, é o segundo mais visitado.

Janela ogival, geminada e pedra de armas da casa de Avis. O gótico refinado sugere que a torre de Menagem foi habitada com um certo conforto e requinte.

Novo dinossauro descoberto na Coreia do Sul

Koreaceratops, Museu de História Natural de Cleveland
clique sobre a imagem para aumentar

A descoberta deste espécime "é importante na medida em que vem preencher um vazio de 20 milhões de anos", do ponto de vista do registo fóssil nesta região e porque permite documentar agora o período "entre a origem destes dinossauros na Ásia e a sua primeira aparição na América do Norte"
O 'Koreaceratops' vem preencher um vazio de registos fósseis na região.
Havia traços e vestígios, como ovos fossilizados e pegadas, mas nunca até agora tinham sido encontradas partes de esqueleto fossilizadas de dinossauros na península da Coreia. Logo à primeira, a equipa internacional que fez o achado descobriu também uma nova espécie de dinossauro, um ceratópode, que significa que tinha cornos ou saliências ósseas na cabeça.
O Koreaceratops hwaseonengis, como foi designado pelos seus descobridores, viveu há 103 milhões de anos, no período Cretáceo, e foi ontem anunciado pelos seus descobridores na revista científica de língua alemã Naturwissenchaften.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dia dos Direitos Humanos

A Declaração dos Direitos Humanos resurgiu a 10 de Dezembro de 1948 como um alerta à consciência humana contra as atrocidades cometidas durante a II Guerra Mundial. Desta forma, inscrevia-se no objectivo da ONU, a luta pela paz e pela convivência entre as diferentes nações, credos, ideologias, etc.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

8 de Dezembro: Imaculada Conceição da Virgem Maria


É doutrina cristã, solenemente proclamada - seguindo e respeitando o sentimento geral do povo cristão desde sempre - pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1854, que a Virgem Maria, em virtude da sua função futura de vir a ser a mãe de Jesus (= Mãe de Deus), foi preservada do pecado original desde o momento da sua concepção (ou conceição) no seio de Santa Ana.
Hoje celebramos este privilégio de Maria.
Esta invocação da Mãe de Jesus como Senhora da Conceição é daquelas que mais ecos encontram e sempre encontraram no coração e no afecto do povo cristão, não só em Portugal.
No entanto Ela é de facto, Padroeira de Portugal, este país que, desde a sua fundação se apresentou como Terra de Santa Maria.
Esta nomeação (padroeira, madrinha) e a devoção à Senhora da Conceição foi oficializada pelo nosso Rei D. João IV em 1646, depois da restauração do nosso País como nação independente, quando aquele Rei declarou a Senhora da Conceição Padroeira de Portugal, e acrescentou:
"... e prometemos e juramos com o Príncipe e Estados de confessar e defender sempre (até dar a vida, sendo necessário) que a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem pecado original."

Interessante é notar que no ano de 1954, para celebrar os 100 anos do Dogma da Imaculada Conceição foram colocados no exterior de muitas das nossas igrejas uns azulejos, dizendo:
A Virgem Maria, Senhora Nossa, foi concebida sem pecado original.
Já agora fica o convite a estarem atentos a esse detalhe na frontaria dalgumas igrejas do nosso concelho (Fornos do Pinhal, Sonim, Carrazedo de Montenegro, entre outras possíveis).

Pe Jorge Fernandes, 8-12-2010
http://saocousasdavida.blogspot.com

7 de Dezembro: Santo Ambrósio de Milão


É dia de Santo Ambrósio. Sim, o daquele santuário conhecido perto de Macedo de Cavaleiros.
Mas ele não era de Macedo...
Eis alguns dados biográficos:
Nasceu em 339, portanto, viveu no século IV, imaginem... movimentou-se em territórios hoje constitutivos da França e da Itália. Depois de ter desempenhado diversos cargos públicos, ele, que era filho de um governador romano da Gália, foi aclamado Bispo de Milão, no Norte de Itália, por uma criança, seguida imediatamente por toda a voz popular. E assim se tornou bispo. Isto em 7 de Dezembro de 374.
Exerceu o seu múnus com firmeza, eloquência, caridade pelos pobres, coragem e sensibilidade artística (foi um excelente poeta).
Um episódio muito interessante da sua vida e acção, que nos revela a têmpera deste homem, aconteceu no ano 390:
O Bispo Ambrósio, à porta da Igreja de Milão, proibiu o Imperador Teodósio (de quem era conselheiro) de entrar na igreja e obrigou-o a fazer penitência pública durante longo tempo, por causa do massacre geral que este havia ordenado contra o povo da cidade de Tessalónica.
(a imagem anexa representa esse facto).
Morreu no ano 397.
É considerado um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente (Ambrósio, Jerónimo, Agostinho e Gregório Magno)

Pe Jorge Fernandes, 8-12-2010
http://saocousasdavida.blogspot.com

O holocausto secreto de Mr. Churchill

Sir Winston Churchill, in https://wiki-land.wikispaces.com

É comummente aceite que os nazis mataram cerca de 6 milhões de judeus.
É sabido que os comunistas assassinaram, só no período estalinista, entre 25 e 27 milhões de pessoas.
O que se desconhecia - e para mim foi uma completa surpresa - é que Winston Churchill, um dos mais venerados estadistas do século passado, também tem a sua quota-parte de mortos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Holodomor - o holocausto Ucraniano


http://ucrania-mozambique.blogspot.com
Quando se fala dos grandes massacres e extermínios do século XX o holocausto Judeu, executado pelos Nazis, é quase sempre lugar-comum e tido como o evento mais negro e que centraliza mais atenções; quando muito refere-se as recentes “limpezas étnicas” nos Balcãs.
Já os casos mais a Leste, aqueles actos desumanos de extermínio que foram levados a cabo pela União Soviética, a mando de Estaline durante o seu regime de terror, nem sempre são citados, até porque não temos muita informação precisa e objectiva à mão e porque os Media pouco falam disto - é usual referir-se apenas que Estaline matou e condenou muitos russos aos Gulags na Sibéria. Mas hoje começa-se a investigar cada vez mais a fundo as obras de assassinato em grande escala praticadas ao longo do século XX pelo regime Soviético. Sabe-se agora que Estaline foi responsável por um dos maiores extermínios e assassinatos em larga escala da História da Humanidade. Os seus alvos não era étnicos como as vítimas do regime Nazi, as suas vítimas eram inimigos políticos – reais ou inventados. Um dos maiores extermínios que levou a cabo foi na Ucrânia.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Hoje é dia de Santa Bárbara, virgem e mártir

 Santa Bárbara, virgem mártir, iconografia bizantina in http://www.ecclesia.com.br

Santa Bárbara é uma santa cristã comemorada na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa em virtude de ter sido, segundo a tradição, uma virgem martirizada no século III a. C., juntamente com Santa Juliana, em Nicomédia, localidade hoje designada de Izmit, capital da antiga província romana da Bitínia (território actualmente integrado na Turquia), onde ela nasceu e viveu. Segundo a mesma tradição, o martírio ocorreu a 4 de Dezembro (provavelmente no ano de 235), razão pela qual a virgem mártir começou por ser comemorada nesta data. Não tardou que o culto a esta santa do Oriente passasse para o Ocidente, sobretudo para a capital do Império Romano do Ocidente, Roma, onde se erigiram igrejas e oratórios em sua dedicação. No século VI as suas relíquias foram trasladadas para Constantinopla, centro do Império Romano do Oriente e seis séculos mais tarde para Kiev, que é hoje a capital da Ucrânia, na época integrada no Império Russo, e é ali que elas se encontram depositadas, na catedral de S. Valdomiro. Paralelamente, a forma como, segundo a tradição cristã, se manifestou a ira divina sobre os seus executores que foram subitamente fulminados por raios e relâmpagos esteve na origem da sua primitiva veneração por sírios, gregos e latinos, como protectora das obras e torres fortificadas, tornando-se padroeira dos militares nos vários ramos ligados à utilização de recursos pirotécnicos, até se vulgarizarem outros atributos que começaram por lhe ser associados, e são hoje vulgarmente mais recorrentes na sociedade em geral, como santa protectora contra tempestades, raios e trovões.

A Devoção a Santa Bárbara no concelho de Valpaços
Convém, no entanto, observar que a propagação do culto a Santa Bárbara no Ocidente Peninsular e, em particular, no norte de Portugal, foi extremamente tardia e à revelia do calendário hagiológico consagrado pela tradição cristã a esta santa. E um dos mais representativos paradigmas desta realidade poderá mesmo ser o caso da veneração a Santa Bárbara no concelho de Valpaços.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

370.º Aniversário da Restauração da Independência comemorado no Agrupamento de Escolas de Valpaços

Monumento da Praça dos Restauradores, em Lisboa
in http://media-cdn.tripadvisor.com
Este sucesso de grande relevância nos anais da História da Nacionalidade foi comemorado pelo Grupo de História do Agrupamento de Escolas de Valpaços nos dois dias que antecederam e sucederam ao feriado nacional, não obstante as contrariedades impostas pelas condições atmosféricas.
A comemoração contou com a participação dos docentes da Escola Secundária e da Escola sede do Agrupamento, em cumprimento do que ficou definido no plano de actividades aprovado para o corrente ano lectivo. Foram editados prospectos de divulgação sumária acerca do significado histórico do evento em ambas as escolas sob orientação dos respectivos docentes, nomeadamente do subcoordenador para o Grupo de História, Sebastião Santos e das docente Fátima Caetano e Alice Rodrigues.
Foi ainda realizada uma exposição na Biblioteca da Escola Secundária de trabalhos, objectos e arranjos simbolizadores da Restauração, um conjunto cénico composto por bandeiras das dinastias filipina e brigantina, exposição essa que contou com a preciosa colaboração da respectiva bibliotecária, Rosa Galvão. Integraram ainda a exposição, além de outros materiais, três curiosos cartazes dispostos de forma original e criativa sob a orientação da docente Cynthia Coelho, com a colaboração da docente Margarida Moura. Na Escola Sede de Agrupamento foi exposto também um interessante trabalho invocando o mesmo tema. 


Pormenores das exposições realizadas na Escola Secundária e E.B. 2,3 Júlio do Carvalhal
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Rostos dos prospectos divulgados pela Escola Secundária  e pela Escola EB 2,3 Júlio do Carvalhal do Agrupamento de Escolas de Valpaços
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Vale a pena conhecer o teor destes prospectos singelos, mas de grande valor para a divulgação dos acontecimentos que fizeram o feriado nacional de 1 de Dezembro. Tratando-se de uma actividade para continuar optamos por revelar, desta vez, apenas o conteúdo de um deles:

A CRISE DINÁSTICA
Em 1578 o rei D. Sebastião morreu bastante novo na batalha de Alcácer Quibir, sem deixar descendentes. Entretanto, o seu tio, cardeal D. Henrique subiu ao trono, mas sendo já bastante idoso, faleceu pouco depois, em 1580, também sem descendentes, surgindo, assim, uma crise dinástica.

D. Sebastião  e o Cardeal D. Henrique

Uma vez que não existiam descendentes directos, quem devia suceder-lhe no trono de Portugal?
O rei Filipe II de Espanha surgiu como o mais forte candidato ao trono, graças ao seu grande poder militar e económico. Conseguiu, nas Cortes de Tomar de 1581, convencer os portugueses a fazerem a sua aclamação como rei de Portugal, aceitando as condições que eles lhe apresentaram para o futuro da nação portuguesa: A continuação da língua portuguesa como língua oficial, a existência de moeda própria e a nomeação de portugueses para os mais importantes cargos administrativos. Assim se consumou a União Ibérica.

Filipe I de Portugal (II de Espanha), Filipe II de Portugal (III de Espanha), Filipe III de Portugal (IV de Espanha)

Durante cinquenta e nove anos Portugal esteve sob o domínio dos reis de Espanha.
No reinado de Filipe I (II de Espanha), houve paz e prosperidade e os portugueses contentaram-se com essa situação. Mas durante os reinados de Filipe II e Filipe III, de Portugal, gerou-se o descontentamento dos portugueses, porque aqueles monarcas deixaram de respeitar as promessas feitas nas Cortes de Tomar, de que falámos, além de arrastarem o nosso país para as guerras que levaram a cabo contra os seus inimigos e de lançarem pesados impostos sobre os portugueses. Os inimigos de Espanha passam a ser os inimigos de Portugal. Por todo o nosso país, a contestação ao domínio espanhol originou motins populares como o que eclodiu em Évora em 1637, conhecido por Revolta do Manuelinho ou Alterações de Évora, que foi violentamente reprimido pelas autoridades.


A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
Aproveitando a situação complicada em que a Espanha se encontrava (guerra com a França, revoltas populares na Catalunha...), alguns nobres portugueses reuniram-se em torno de D. João, duque de Bragança, e organizaram uma conspiração com vista à sua aclamação como rei de Portugal.
Assim, no dia 1 de Dezembro de 1640, em Lisboa, os conspiradores dirigiram-se ao Paço e, na companhia do duque de Bragança, assassinaram o secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos e obrigaram a duquesa de Mântua, que era então a vice-rainha, à renúncia do cargo e à submissão.

Os conspiradores perante a duquesa de Mântua

Só depois de concluído o golpe foi pedida a intervenção do Povo. Quinze dias depois, o duque de Bragança era aclamado no Paço da Ribeira, com a designação de D. João IV de Portugal. A independência era restaurada e nascia uma nova dinastia: a dinastia de Bragança.

Escola Secundária de Valpaços - Plano de Actividades do A. E. V. 2010-2011: Acções de divulgação do significado histórico de datas comemorativas

terça-feira, 30 de novembro de 2010

CARTA DE D. CATARINA DE BRAGANÇA AO SEU ESPOSO

Na exposição sobre os portugueses na Royal Society (fundada em 1660 e com carta régia desde 1662), que está patente na Biblioteca Joanina em Coimbra é exibido o original de uma carta da rainha Catarina de Bragança ao seu esposo, Carlos II de Inglaterra, datado de 1661, quando a rainha, casada à distância, ainda não tinha ido para Inglaterra.
Curiosamente, a jornalista e escritora Isabel Stilwell, incorpora parte do texto dessa carta na sua biografia romanceada "Catarina de Bragança. A coragem de uma infanta portuguesa que se tornou rainha de Inglaterra", Esfera dos Livros, 1ª edição, 2008. Lê-se na p. 257:

"Meu caro marido e senhor meu,
Se o contentamento de me ver com carta de Vossa Magestade pudesse ser satisfação igual da pena que me havia custado a falta dela, não seria necessário dizer-lhe a estimação que dela fiz, bem como a alegria com que festejei a chegada de quem ma trouxe.

(...) Mas quererá Deus trazer a armada breve e levar-me à vossa presença, pois só ver-vos apaziguará as minhas saudades. Entretanto, rogo que Ele vos dê prosperidade, como aquela de que depende toda a minha felicidade.
De Vossa Magestade
Sua mulher que mais o ama e sua mãos beija
Catarina R."


A carta foi escrita pela mão da rainha em português porque ela não sabia inglês assim como o marido não sabia português. A armada inglesa veio buscá-la a Lisboa (uma magnífica gravura mostra, na exposição, a exuberância do cortejo), mas o marido não foi recebê-la a Portsmouth, mandando antes o irmão. O casamento, como é sabido, correu mal...

Fonte: http://dererummundi.blogspot.com/

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Douro: Narradores de histórias recebem sexta feira diploma inédito no país

Vila Real, (Lusa)
Dezassete contadores de histórias recebem sexta feira, no Peso da Régua, o diploma de "Narrador da Memória", atribuído pelo Museu do Douro no âmbito de um projeto de inventariação do património imaterial da região duriense.
A entrega destes certificados, iniciativa inédita no país, pretende reconhecer o papel importante destes contadores, a maior parte dos quais idosos, na "transmissão às novas gerações da memória cultural da sua comunidade".
Em 2007, foram atribuídos pela primeira vez diplomas a nove narradores de Tabuaço.
Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.
DN, 24-11-2010