quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Uma inesquecível história de Natal – “Noite Feliz na terra de ninguém”

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Quem já viu o filme “Joyeux Noel” conhece esta história. Os factos reais que aqui vamos recordar, citando Bruno Leuzinger, inspiraram a realização do filme assim intitulado, uma produção francesa, germânica, britânica, belga e romena dirigida e roteirizada em 2005 por Christian Carion, que foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro no 78.º Academy Awards. Dele apresentamos um trailer no final deste post.

Noite feliz na terra de ninguém: Natal de 1914
por Bruno Leuzinger

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, soldados ingleses e alemães deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias, eles enterraram seus mortos, trocaram presentes e jogaram futebol.
Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no máximo. Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas pelas explosões de granadas. O barulho delas é ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando por socorro ou chamando pela mãe. Nada.
E de repente o silêncio é quebrado. Das trincheiras alemãs, ouve-se alguém cantando. Os companheiros fazem coro e logo há dezenas, talvez centenas de vozes no escuro. Cantam “Stille Nacht, Heilige Nacht”. Atônitos, os britânicos escutam a melodia sem compreender o que diz a letra. Mas nem precisam: mesmo quem jamais a tivesse escutado descobriria que a música fala de paz. Em inglês, ela é conhecida como “Silent Night”; em português, foi batizada de “Noite Feliz”. Quando a música acaba, o silêncio retorna. Por pouco tempo.
“Good, old Fritz!”, gritam os britânicos. Os “Fritz” respondem com “Merry Christmas, Englishmen!”, seguido de palavras num inglês arrastado: “We not shoot, you not shoot!”(“Nós não atiramos, vocês também não”).
Estamos em algum lugar de Flandres, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1914. E esta história faz parte de um dos mais surpreendentes e esquecidos capítulos da Primeira Guerra Mundial: as confraternizações entre soldados inimigos no Natal daquele ano. Ao longo de toda a frente ocidental – que se estendia do mar do Norte aos Alpes suíços, cruzando a França –, soldados cessaram fogo e deixaram por alguns dias as diferenças para trás. A paz não havia sido acertada nos gabinetes dos generais; ela surgiu ali mesmo nas trincheiras, de forma espontânea. Jamais acontecera algo igual antes. É o que diz o jornalista alemão Michael Jürgs em seu livro Der Kleine Frieden im Grossen Krieg – Westfront 1914: Als Deutsche, Franzosen und Briten Gemeinsam Weihnachten Feierten (“A Pequena Paz na Grande Guerra – Frente Ocidental 1914: Quando Alemães, Franceses e Britânicos Celebraram Juntos o Natal”, inédito no Brasil).
Conhecido então como Grande Guerra (pouca gente imaginava que uma segunda como aquela seria possível), o conflito estourou após a morte do arquiduque Francisco Ferdinando. Herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, ele e sua esposa Sofia foram assassinados em Sarajevo, na Sérvia, no dia 28 de junho. O atentado, cometido por um estudante, fora tramado por um membro do governo sérvio. Um mês mais tarde, em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. As nações européias se dividiram. Grã-Bretanha, França e Rússia se aliaram aos sérvios; a Alemanha, aos austro-húngaros. Nas semanas seguintes, os alemães invadiram a Bélgica, que até então se mantivera neutra, e, ainda em agosto, atravessaram a fronteira com a França. Chegaram perto de tomar Paris, mas os franceses os detiveram, em setembro.
Nos primeiros meses, a propaganda militar conseguiu inflar o orgulho dos soldados – de lado a lado. O fervor patriótico crescia paralelamente ao ódio pelos inimigos. Entretanto, em dezembro o moral das tropas já despencara. A guerra se arrastava havia quase um semestre. Os britânicos haviam perdido 160 mil homens até então; Alemanha e França, 300 mil cada. Para piorar, as condições nas trincheiras eram péssimas. O odor beirava o insuportável, devido às latrinas descobertas e aos corpos em decomposição. Estirados pela terra de ninguém, cadáveres atraíam ratazanas aos milhares. Era um verdadeiro banquete. Com tanta carne, elas engordavam tanto que algumas eram confundidas com gatos. Pior que as ratazanas, só os piolhos. Milhões deles, nos cabelos, barbas, uniformes. Em toda parte.
Quando chovia forte, a água batia na altura dos joelhos. Dormia-se em buracos escavados na parede e era comum acordar assustado no meio da noite, por causa das explosões ou de uma ratazana mordiscando seu rosto. Durante o dia, quem levantasse a cabeça sobre o parapeito era um homem morto. Os franco-atiradores estavam sempre à espreita (no final da tarde, praticavam tiro ao alvo no inimigo e, quando acertavam, diziam que era um “beijo de boa-noite”). O soldado entrincheirado passava longos períodos sem ter o que fazer. Horas e horas de tédio sentado no inferno. Só restava esperar e olhar para céu – onde não havia ratazanas nem cadáveres.
O cotidiano de horrores foi minando a vontade de lutar. Uma semana antes do Natal já havia sinais disso. Foi assim em Armentières, na França, perto da fronteira com a Bélgica. Soldados alemães arremessaram um pacote para a trincheira britânica. Cuidadosamente embalado, trazia um bolo de chocolate e dentro, escondido, um bilhete. Os alemães pediam um cessar-fogo naquela noite, entre 19h30 e 20h30. Era aniversário do capitão deles e queriam surpreendê-lo com uma serenata. O bolo era uma demonstração de boa vontade. Os britânicos concordaram e, na hora da festa inimiga, sentaram no parapeito para apreciar a música. Aplaudidos pelos rivais, os alemães anunciaram o encerramento da serenata – e da trégua – com tiros para cima. Em meio à barbárie, esses pequenos gestos de cordialidade significavam muito.
Ainda assim, era difícil imaginar o que estava por vir. Na noite do dia 24, em Fleurbaix, na França, uma visão deixou os britânicos intrigados: iluminadas por velas, pequenas árvores de Natal enfeitavam as trincheiras inimigas. A surpresa aumentou quando um tenente alemão gritou em inglês perfeito: “Senhores, minha vida está em suas mãos. Estou caminhando na direção de vocês. Algum oficial poderia me encontrar no meio do caminho?” Silêncio. Seria uma armadilha? Ele prosseguiu: “Estou sozinho e desarmado. Trinta de seus homens estão mortos perto das nossas trincheiras. Gostaria de providenciar o enterro”. Dezenas de armas estavam apontadas para ele. Mas, antes que disparassem, um sargento inglês, contrariando ordens, foi ao seu encontro. Após minutos de conversa, combinaram de se reunir no dia seguinte, às 9 horas da manhã.
No dia seguinte, 25 de dezembro, ao longo de toda a frente ocidental, soldados armados apenas com pás escalaram suas trincheiras e encontraram os inimigos no meio da terra de ninguém. Era hora de enterrar os companheiros, mostrar respeito por eles – ainda que a morte ali fosse um acontecimento banal. O capelão escocês J. Esslemont Adams organizou um funeral coletivo para mais de 100 vítimas. Os corpos foram divididos por nacionalidade, mas a separação acabou aí: na hora de cavar, todos se ajudaram. O capelão abriu a cerimônia recitando o salmo 23. “O senhor é meu pastor, nada me faltará”, disse. Depois, um soldado alemão, ex-seminarista, repetiu tudo em seu idioma. No fim, acompanhado pelos soldados dos dois países, Adams rezou o pai-nosso. Outros enterros semelhantes foram realizados naquele dia, mas o de Fleurbaix foi o maior de todos.
Aquela situação por si só já era inusitada: alemães e britânicos cavando e rezando juntos. Mas o que se viu depois foi um desfile de cenas surreais. Em Wez Macquart, França, um britânico cortava os cabelos de qualquer um – aliado ou inimigo – em troca de alguns cigarros. Em Neuve Chapelle, também na França, os soldados indicavam discretamente para seus novos amigos a localização das minas subterrâneas. Em Pervize, na Bélgica, homens que na véspera tentavam se matar agora trocavam presentes: tabaco, vinho, carne enlatada, sabonete. Uns disputavam corridas de bicicleta, outros caçavam coelhos. Uma luta de boxe entre um escocês e um alemão foi interrompida antes que os dois se matassem. Alguém sugeriu um duelo de pistolas entre um alemão e um inglês, mas a idéia foi rechaçada – afinal, aquilo era um cessar-fogo.
Porém, o melhor estava por vir. Nos dias 25 e 26, foram organizadas animadas partidas de futebol. Centenas jogaram bola nos campos de batalha. “Bola” em muitos casos era força de expressão; podia ser apenas um monte de palha amarrado com arame, ou uma lata de conserva vazia. E, no lugar de traves, capacetes, tocos de madeira ou o que estivesse à mão. Foi assim em Wulvergem, na Bélgica, onde o jogo foi só pelo prazer da brincadeira, ninguém prestou atenção no resultado. Mas houve também partidas “sérias”, com direito a juiz e a troca de campo depois do intervalo. Numa delas, que se tornou lendária, os alemães derrotaram os britânicos por 3 a 2. A vitória suada foi cercada de polêmica: o terceiro gol alemão teria sido marcado em posição irregular (o atacante estava impedido) e a partida, encerrada depois que a bola – esta de verdade, feita de couro – furou ao cair no arame farpado.
A maioria das confraternizações se deu nos 50 quilômetros entre Diksmuide (Bélgica) e Neuve Chapelle. Os soldados britânicos e alemães descobriam ter mais em comum entre si que com seus superiores – instalados confortavelmente bem longe da frente de batalha. O medo da morte e a saudade de casa eram compartilhados por todos. Já franceses e belgas eram menos afeitos a tomar parte no clima festivo. Seus países haviam sido invadidos (no caso da Bélgica, 90 por cento de seu território estava ocupado), para eles era mais difícil apertar a mão do inimigo. Em Wijtschate, na Bélgica, uma pessoa em particular também ficou muito irritada com a situação. Lutando ao lado dos alemães, o jovem cabo austríaco Adolf Hitler queixava-se do fato de seus companheiros cantarem com os britânicos, em vez de atirarem neles.
Naquele tempo, Hitler ainda não apitava nada. Entretanto, os homens que davam as cartas também não estavam nem um pouco felizes. Dos quartéis-generais, os senhores da guerra mandaram ordens contra qualquer tipo de confraternização. Quem desrespeitasse se arriscava a ir à corte marcial. A ameaça fez os soldados voltarem para as trincheiras. Durante os dias seguintes, muitos ainda se recusavam a matar os adversários. Para manter as aparências, continuavam atirando, mas sempre longe do alvo. Na noite do dia 31, em La Boutillerie, na França, o fuzileiro britânico W.A. Quinton e mais dois homens transportavam sua metralhadora para um novo local, quando de repente ouviram disparos da trincheira alemã. Os três se jogaram no chão, até perceberem que os tiros eram para o alto: os alemães comemoravam a virada do ano.
A trégua velada resistiu ainda por um tempo. Até março de 1915, alemães e britânicos entrincheirados em Festubert, na França, faziam de conta que a guerra não existia – ficava cada um na sua. Mas a lembrança das confraternizações foi aos poucos cedendo espaço para o ódio. A carnificina recrudesceu, prosseguindo até a rendição da Alemanha, em novembro de 1918, arrasando a Europa e deixando cerca de 10 milhões de mortos. Talvez a matança até valesse a pena, se a profecia do escritor de ficção científica H.G. Wells tivesse dado certo. O autor de A Máquina do Tempo escrevera em um ensaio que aquela seria “a guerra que acabaria com todas as guerras”. Wells, é claro, estava enganado. Os momentos de paz, como os do Natal de 1914, seriam escassos também ao longo de todo o século 20. A Grande Guerra tinha sido só o começo.

In Aventuras da História - http://historia.abril.com.br
Reedição de 22-12-2009 in http://www.historiadigital.org

Joyeux Noel

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Faleceu Jacqueline de Romilly, especialista na civilização e língua gregas

A académica francesa Jacqueline de Romilly, 97 anos, especialista na civilização e língua gregas, que foi a primeira mulher docente do Collège de France, morreu, ontem, sábado, disse hoje o seu editor, Bernard de Fallois.
A agência noticiosa France Presse afirma que Jacqueline de Romilly encarnava os estudos gregos e clássicos em França assim como uma conceção exigente e humanista da cultura, tendo em 60 anos escrito numerosas obras.
Em 1988 tornou-se a segunda mulher eleita para a Academia Francesa, depois da escritora Marguerite Yourcenar.
Membro correspondente estrangeiro da Academia de Atenas, Jacqueline de Romilly obteve a nacionalidade grega em 1995 e foi nomeada embaixadora do helenismo em 2000.
"É uma perda para o nosso país", disse à imprensa a secretária perpétua da Academia, Hélène Carrère d'Encausse.
"Era uma mulher que dedicou toda a sua vida à língua e cultura gregas porque considerava que era uma educação para a compreensão da liberdade e do indivíduo, e de empenho na democracia", sublinhou.

Fonte e foto: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1738713

Os últimos avanços da ciência sobre Tutankhamon

Tutankhamon, o 10.º faraó da XVIII dinastia do império egípcio, filho de Akhenaton e de uma esposa secundária deste, o que se presume, nasceu cerca 1341 a. C. e faleceu em 1324 da mesma era. Governou apenas 9 anos, desde 1333 até à sua morte, na adolescência. A descoberta da sua câmara funerária, em Novembro de 1922, por Howard Carter em 1922, praticamente intacta, o que é considerado ainda hoje um caso raro entre as sepulturas reais encontradas, logo se afigurou como uma das mais extraordinárias descobertas arqueológicas do século XX, quiçá de todos os tempos, transformando a sua figura numa das mais fascinantes na imaginação moderna. Para este fascínio, ainda vigoroso, concorre evidentemente o facto de ele ter morrido tão precocemente. Durante cerca de 85 anos, preocupação de arqueólogos e cientistas foi desvendar o mistério da sua morte. Aventaram-se, através de autópsias e raio-X, as mais variadas explicações, desde a hipótese de ter sido vitimado por uma tuberculose, de um homicídio ou de um acidente. Contudo, a mais corrente explicação era a que se referia a uma queda fatal de uma carruagem enquanto caçava no deserto. Apesar de todas as experiências nela efectuadas ao longo desses anos a múmia de Tutankhamon foi mantida à distância dos olhares do público, até que em 2007 ela foi, finalmente exposta em tudo o que restava da sua constituição orgânica no Vale dos Reis, no Egipto. Entretanto a Ciência já vinha podendo finalmente avançar com novas investigações e procurar responder a duas das questões que se podem colocar a respeito deste enigmático faraó que faleceu aos dezassete anos de idade: Qual foi a causa da sua morte? Qual teria sido o seu aspecto, o seu rosto em vida? São as propostas avançadas pela investigação científica mais recente a essas questões que vamos submeter ao juízo dos leitores com base nas “Notícias com História” que se seguem.
Imagem: http://www.ideiasolta.net/blog/?p=290

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

História do Natal digital

Trata-se da “História da Natividade contada no século XXI”, isto é que alguém resolveu contar de uma forma inédita e divertida, utilizando os recursos da Internet, redes sociais e smartphones. Já foi publicada por Sérgio Morais, no passado dia 10 de Dezembro, nos blogues Notícias de Valpaços e Histórico-filosóficas. VALE A PENA Ver!

Carregado por ExcentricPT, a 6-12-2010

Para quem aprecie mais as curiosidades sobre o Natal contadas pela forma tradicional, sugerimos que clique sobre a imagem seguinte.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Há 64 anos – As escaramuças entre as forças do regime em Portugal e os anti-franquistas na raia transmontana


lápide em homenagem aos heróis de Cambedo da Raia
http://caminhosdamemoria.wordpress.com
Fez esta madrugada de 20 de Dezembro, 64 anos, que iniciaram os violentos confrontos entre as forças da PIDE e da GNR e os opositores espanhóis à ditadura franquista de que resultaram várias mortes e prisões de transmontanos de várias idades, incluindo crianças de 8 e 9 anos em várias localidades da raia transmontana.

O trágico evento tem sido designado por “escaramuças de Candedo”, por alguns autores e por “combate de cambedo”, por outros. Candedo e Cambedo são duas localidades distintas, aquela uma das mais ocidentais freguesias do concelho de Vinhais e esta uma pequena aldeia da freguesia de Vilarelho da Raia, do concelho e proximidade de Chaves e mesmo no limite da fronteira com a Galiza. Correndo o risco de sermos apontados como sectários, parece-nos justo reconhecer, fazendo fé nos relatos oficiais e na memória colectiva dos transmontanos, que o epicentro desta tragédia, foi a pequena aldeia de Cambedo da Raia, sem prejuízo para o devido reconhecimento do sofrimento dos habitantes das várias aldeias do concelho de Vinhais nos dias que antecederam tal tragédia – as denúncias relativas a assaltos cometidos pelos acossados refugiados, registados nos relatórios da GNR, referem-se de facto ao concelho de Vinhais. Mas, de acordo com as mesmas fontes, o plano de intervenção da GNR, gizado em conluio com inspectores oficiais da PIDE, apontava como alvos de intervenção prioritária, não Candedo mas Cambedo da Raia, a par de outras povoações do concelho de Chaves. O ataque a Cambedo, por Vilarelho da Raia, foi de facto o mais aceso e foi nesta aldeia, e não na de Candedo, que os ocupantes das casas da Engrácia, da Escolástica, do Mestre, do Adolfo e do Silvino, acordaram estremunhados com todos os cães da aldeia a ladrar a rebate e se iniciaram os primeiros tiros que levaram à famigerada escaramuça e  às suas dramáticas consequências. De resto, escusado seria lembrar, a coragem revelada, por largos anos, por estes “pobres” habitantes do Cambedo em valer aos desgraçados “guerrilheiros” que poucos esforços tiveram de dispender para que nisso se vissem contemplados, fazem parte da memória colectiva destes povos, espanhóis ou portugueses, como é atestado pelo monumento que foi erguido em sua homenagem e que encabeça este post. 

Para conhecer um relato detalhado e exaustivo deste memorável acontecimento, publicado hoje mesmo por José João da Costa Couto, com base em informações colhidas de outras fontes, consulte o seu blogue, O ABACIENTE.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Tragédia do World Trade Center revela achado arqueológico


World Trade Center «escondia» navio do século XVIII

Maior descoberta arqueológica em Nova Iorque desde 1982
Ciência hoje, 2010-07-16

No local onde, até 11 de Setembro de 2001, estava edificado o World Trade Center (WTC), foram encontrados vestígios de um navio de quase dez metros de comprimento que os especialistas pensam ser do século XVIII e que deverá ter afundado nesse local de Nova Iorque, antes de a cidade ter sido ampliada em direcção ao rio Hudson.
Os vestígios da embarcação foram descobertos na terça-feira pelos trabalhadores que retiravam os escombros do Ground Zero e estavam enterrados a uma profundidade entre seis e nove metros abaixo do nível do chão.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A crise monetária do fim da Guerra de 1914-1918 e as cédulas fiduciárias da Câmara Municipal de Valpaços

Por Leonel Salvado


O significado de cédulas
Como é, provavelmente do conhecimento geral, e com toda a certeza do conhecimento mais apurado de numismatas, coleccionadores ou simples adeptos da “notafilia”, os nomes “cédula fiduciária” ou, simplesmente “cédula”, servem para designar as formas de “dinheiro de emergência” ou “de recurso”, expressões de existem nas línguas francesa, inglesa e alemã, utilizadas em ocasiões de falta de metal e de moeda oficial, impressas em papel, postas em circulação, tanto pelo Estado como por outras entidades públicas e privadas. Trata-se,portanto, de “dinheiro divisionário” que pelo seu baixo valor e validade temporária se justificava a cunhagem sob a forma de papel, de fraca resistência e mais rápida deterioração.

Numa interpretação mais erudita, como a que nos é apresentada por Mário S. de Almeida, no Prefacio ao Catálogo Geral das Cédulas de Portugal, de sua autoria, editado pela Sociedade Portuguesa de Numismática (Porto, 1980), a palavra «cédula» deriva do latim «schedula» que significa «pequena folha de papel». Ainda segundo Mário S. de Almeida, na definição técnica de Pedro Batalha Reis (“Cartilha da Numismática Portuguesa” – Vol I, pp. 473-479, Lx, 1946) entende-se por cédula “a moeda divisionária de papel, cuja conversão é mencionada no cobre, em oposição a «nota», «moeda principal de papel, convertível numa circulação fiduciária em ouro ou em prata»”. Diz-se «fiduciária» por representar um valor que na realidade não possui e que é aceite apenas pela confiança («fiducia») “na garantia dada por quem a emite de que, quando se desejar, se poderá trocar por metal desse valor”. (M. S. de Almeida, Id.).

Resenha história das cédulas em Portugal
Segundo o mencionado autor do “Catálogo Geral”, houve três períodos distintos em Portugal que suscitaram a emissão de cédulas:

1. A crise resultante das guerras liberais e das dificuldades dos constitucionais em aprimorar o controlo da administração em todo o país. Os partidários de D. Pedro que vinham sendo perseguidos no Continente, encontraram refúgio na ilha Terceira, nos Açores aonde nem sequer aquele, afundado em dificuldades de vária ordem no Brasil, lhes podia valer. Este grupo de refugiados liberais chegava aí cada vez em maior número, apesar do bloqueio imposto pela Inglaterra aos desembarques nas ilhas. Assim a 14 de Maio de 1830, obtiveram os liberais refugiados da ilha Terceira, a formalização do Decreto pela Regência, com essa data, com a autorização para a emissão de três cédulas impressas, no valor de 500 réis, 250 réis e 100 réis. Foram as primeiras referências que se encontram acerca de cédulas no nosso país. Mas esta primeira experiência não parece ter passado do projecto, visto que nunca foram vistas, nem se sabe de ninguém que tenha visto as referidas cédulas.

2. A crise económica de 1891, durante a qual se verificou um desaparecimento do metal em circulação, sendo emitidas pela Casa da Moeda cédulas designadas como representativas das moedas de bronze, embora, o facto de só existirem exemplares com os valores entre 50 a 400 réis, representativas das cunhagens correntes em prata conduza à sugestão de que era este metal, tal como o ouro, o que se encontrava em falta nessa conjuntura de crise que assolou o país e obrigou o Banco de Portugal e alguns particulares a recolhê-los  à pressa, sob pressão constante dos credores estrangeiros ou sob receio de uma bancarrota. É nestas circunstâncias que, no início do mês de Maio de 1891 se verificou a falência de dois importantes bancos portugueses, o Banco do Povo e o Banco Lusitano o que originou uma desenfreada corrida aos depositários do Banco de Portugal com o propósito de salvar as suas contas ou, na pior das hipóteses, trocar as suas notas por ouro, no que foram impedidos pelo decreto de 7 de Maio, que determinava a suspensão dessa convertibilidade. Em todo o caso, foram levantados 1200 contos de depósitos e trocados mais de 500 contos de notas por prata, todos estes valores depois açambarcados. Perante a suspensão de pagamentos pelo Banco de Portugal e a ruína de toda a estrutura económica portuguesa, ainda tentou o Governo evitar o pior, decretando, a 10 de Maio, uma moratória de 60 dias nas transacções bancárias. Debalde porém, já que o açambarcamento do ouro e da prata acentuou-se de forma mais célere, ao ponto de terem desaparecido completamente de circulação. É então que por todo o país se generaliza o acto de emissão de senhas ou vales por parte das entidades ou organizações comerciais, bem como os talões designados de “bonds” pela Câmara Municipal do Porto, com autorização oficial, que eram autênticas cédulas com aceitação geral por todo o país. Seguiu-se e emissão pelo Banco de Portugal, decretada a 9 de Julho, de notas de 500 e 1.000 réis, e pela Casa da Moeda, decretada a 6 de Agosto, de cédulas de 100 réis e 50 réis equivalentes, correspondentes, respectivamente, às moedas de bronze de 10.000 réis e 5.000 réis. Contando com a normalização da estrutura financeira, decretou-se a 13 de Agosto a proibição de emissões de cédulas e a recolha, no prazo de 8 dias das que se encontravam em circulação, com excepção da Câmara Municipal do Porto, que foi contemplada com o prazo de dois meses, prorrogado depois para o termo do ano civil. Também no Ultramar, segundo fontes oficiais, houve o Governo que proceder à emissão de cédulas oficiais, como aconteceu em Angola com as de 100, 200 e 500 réis que circularam em substituição das notas que eram correntes com mais alto valor, emitidas pela respectiva Junta da Fazenda. Não se conhece, todavia, nenhuma dessas cédulas.

3. A crise do Fim da Guerra de 1914-1918. Devem saber os mais assíduos visitantes do “Clube de História de Valpaços” que os assuntos relativos aos nefastos efeitos imediatos desta guerra e a impotência revelada pelas instituições democráticas da 1ª República e da chamada “República Nova” que foi um prelúdio do regime ditatorial do “Estado Novo”, já foram aqui objectivamente ventilados na categoria “Memorial [local/regional]. Este terceiro período da emissão de cédulas em Portugal assumiu proporções que nos autorizam a encará-lo como um período bem diferente dos dois anteriores. Como observa Mário S. de Almeida (Id., p. XVII), “voltaram a aparecer cédulas no nosso país, mas então, como de resto por toda a Europa, foi pela medida grande.” Estando a prata efectivamente já afastada de circulação (e do ouro nem se fala!), o problema que agora se punha era o da falta de a circulação das moedas de baixo valor, devido à escassez de cobre, bronze e cupro-níquel, açambarcadas com vista à sua utilização para fins industriais, para proverem às necessidades impostas pela máquina de guerra dos aliados e das mais prematuras campanhas de África. Segundo o autor do Catálogo Geral das Cédulas em Portugal, as cédulas que aparecem então são de valores muito mais baixos, na sua maioria de 1 a 5 centavos e com menos representatividade de 1/2 centavos a 10 centavos, sendo que as de 20 centavos e, excepcionalmente, as de de valores superiores, só apareceram após a grande inflacção de 1922. Mas até então, as cédulas passaram a ser emitidas por um grande número de Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Associações Comerciais e outras instituições, com a particularidade de essas emissões terem sido deliberadas à revelia do Governo, já que não se conhece qualquer referência a legislação que a autorizasse, sendo, muito pelo contrário e à luz da legislação precedente, consideradas proibidas as emissões que não fossem as da Casa da Moeda.


As cédulas da Câmara Municipal de Valpaços
É no contexto do terceiro dos períodos mencionados que podemos enquadrar as cédulas fiduciárias emitidas pela Câmara Municipal de Valpaços, por deliberação datada de 1 de Abril de 1921 sob a presidência de José Joaquim Pereira Miranda Branco, um dos históricos do Partido Progressista em Valpaços que chegou a ser o Vice-presidente da respectiva Comissão executiva criada em 1897, o que se extrai do excelente trabalho da autoria de José António Soares da Silva, “O Partido Progressista de Valpaços”, editado em 2006 pela Câmara Municipal. As cédulas foram produzidas pela Litografia Nacional, no Porto.
É pena que as cédulas da Câmara Municipal de Valpaços de 1921 não pareçam ter merecido ainda a atenção devida e continuem a ser pouco conhecidas do público mais jovem do município, apesar de se saber da existência de algumas colecções particulares, como esta que iremos divulgar. Faço votos para que a Câmara Municipal considere a possibilidade de adquirir uma destas colecções e integrá-la no seu promissor projecto museológico para a cidade, sendo sabido que nas divulgadas "Opções do Plano do Município para 2010" já se anunciava que a cidade iria contar com um Museu Arqueológico e Etnográfico e um Museu do Vinho, e sendo de presumir que as obras para a construção da Biblioteca e Arquivo se encontram em fase de conclusão.
A colecção que aqui expomos é composta por cinco cédulas, consideradas “Comuns” ou “Vulgares” (três das quais foram depois sobrevalorizadas e são mais escassas). São cópias digitalizadas dos originais autênticos, dispostas pela ordem do seu valor primitivo. A face reversa é a mesma e é a que se encontra a encabeçar este post. Para as visualizar mais pormenorizadamente basta clicar sobre cada uma delas. As suas características são as que se seguem:

Grau de Raridade – cotações: C – Comuns ou vulgares (que quase todos os coleccionadores possuem e muitos as têm repetidas); E – Escassas (que muitos coleccionadores possuem, mas já faltam a bastantes).
Fonte: ALMEIDA, Mário S. de, Catálogo Geral das Cédulas de Portugal, S.P. de Numismática, Porto 1980, p.222.







Originais: Colecção particular de Manuel Medeiros

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A recuperação da cabeça perdida de Henrique IV – um embuste ou vingança efectiva dos Bourbom?

A Ciência reconhece caveira de Henrique IV
in http://pt.euronews.net/tag/arqueologia , 16/12/2010

Espécie de hominídeo nunca antes identificado terá vivido na Sibéria há 40 mil anos

Investigadores dizem que serão necessários mais estudos para confirmar a descoberta deste ser
Ciência Hoje 2010-03-25

Na Gruta Denisova, na Sibéria, uma equipa de investigadores russos encontrou, durante uma escavação, o osso de um dedo. Foi no Verão de 2005 e na altura os cientistas puseram de parte o achado para o estudarem mais tarde por pensarem tratar-se de o osso de um Neandertal, comum naquela zona e, nomeadamente, naquela caverna.
Svante Pääbo, do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology »

Finalmente, o osso foi analisado e está a surpreender a comunidade científica. Na revista «Nature» está agora publicado o estudo que revela que, provavelmente, se está perante uma espécie de hominídeo com 30 mil anos até agora desconhecido.

Uma equipa de investigadores do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology extraíram e sequenciaram o DNA do fóssil. De facto, este não coincidia com o do Homo neanderthalensis nem com o homem moderno, que naquela época habitavam aquele espaço.
Os investigadores acreditam que se trata de uma espécie anterior não identificada que saiu de África muito antes dos seus “parentes” conhecidos. Pensa-se que será 500 mil anos mais velha do que os Neandertais.

Svante Pääbo, um dos autores deste estudo de âmbito internacional, confessa-se surpreendido por este “resultado inesperado”.

No entanto, este é apenas um estudo preliminar. O cientista Eske Willerslev, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhaga, não envolvido no estudo, aplaude a descoberta mas sublinha que é necessário guardar algumas reservas, pois só com mais estudos se pode confirmar este estudo inicial.
Ainda há muitas perguntas para responder. Na gruta onde se encontrou este ser, designado para já de «Mulher X», foram também encontrados artefactos e ferramentas de pedra e de osso bastante sofisticados. Nas primeiras análises estes objectos não parecem pertencer à cultura mustierense, associada aos Neandertais. Gruta Denisova, Sibéria»

 A Caverna Denisova, nos Montes Altai, Sibéria, Rússia, próximo da vila Tchyorny Anui, era já conhecida como uma fonte rica em artefactos mustierenses, de técnica Levallois. Há mais de uma década que investigadores russos do Instituto de Arqueologia e Etnologia de Novosibirsk procuram os autores destes artefactos. Esta descoberta vem enriquecer ainda mais este local.
Agora, os investigadores estão agora a tentar sequenciar o genoma por completo. Se forem bem sucedidos, serão mais antigo genoma humano a ser sequenciado.

Artigo: The complete mitochondrial DNA genome of an unknown hominin from southern Siberia
In http://www.cienciahoje.pt

Novo australopiteco identificado é candidato a antepassado directo do «Homo»

Dois esqueletos descobertos na África do Sul revelam nova espécie baptizada como «Australopithecus sediba»
Ciência hoje, 2010-04-08
Restos dos dois exemplares encontrados

A descoberta de uma nova espécie de Australopithecus foi hoje anunciada na revista «Science». Baptizada como Australopithecus sediba, foi revelada através da análise de esqueletos de uma mulher e de uma criança com dois milhões de anos encontrados na África do Sul.

276.º Aniversário do nascimento de D. Maria I, rainha de Portugal

D. Maria I de Portugal, óleo sobre tela
Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, Brasil

Maria Francisca Isabel Josefa António Gertrudes Rita Joana de Bragança, nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816. Foi rainha de Portugal, considerada aliás a primeira rainha reinante de Portugal, entre 24 de Março de 1777 e 20 de Março de 1816, sucedendo ao pai, D. José I. É apontada como o 27.º monarca de Portugal, a 28ª rainha e a 6ª da 4.ª dinastia. A 16 de Dezembro de 1815 foi proclamada Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Foi princesa do Brasil, princesa da Beira e duquesa de Bragança, Casa a que deu continuidade pelo seu casamento com o tio, Pedro de Bragança. Foram-lhe atribuídos os cognomes de “A Piedosa” ou a “Pia” e “a Louca”. Está sepultada na Basílica da Estrela, por ela mandada construir, para onde foi trasladado o seu corpo da Igreja de S. Francisco de Paula, do Rio de Janeiro.

Para mais detalhes biográficos sobre D. Maria I de Portugal, clique AQUI.
Imagem: http://pt.wikipedia.org

O rosto de Myrtis, uma jovem ateniense desaparecida há 2400 anos


in http://pt.euronews.net/tag/arqueologia , 22/9/2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O assassinato de Sidónio Pais e suas repercussões no concelho de Valpaços

Fez ontem 92 anos que Sidónio Pais foi assassinado. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, foi influente figura militar e política da 1ª República em Portugal e considerado como o protagonista da primeira grande insinuação ditatorial do republicanismo português. Em Dezembro de 1917 presidia a Junta Militar Revolucionária, de cuja insurreição resultou queda do Governo de Afonso Costa e a destituição de Bernardino Machado do cargo de Presidente da República. Tomou posse como Presidente do subsequente Ministério e a 27 Dezembro assumiu as funções de Presidente da República até novas eleições. Os actos presidencialistas que depois veio a praticar, emitindo decretos anti-constitucionais, (em relação à Constituição de 1911 que ele próprio ajudara a redigir!) sem consultar o Congresso da República, em abono das competências que caberiam ao Presidente da República – chefe de Estado e líder do Governo -  valeu-lhe de imediato o epíteto de “Presidente-Rei”, ao que os seus mais fiéis defensores opunham o conceito apaziguador de Presidente da “República Nova”. Debalde, porém! De nada lhe valeu a alteração da “Lei da separação da Igrejas e o Estado” efectuado a 23 de Fevereiro de 1918 e do reatamento das relações diplomáticas com o Vaticano, nem a votação sem precedentes que, a 28 de Abril de 1918, resultou na sua eleição como Presidente da República, em resultado do decreto de 11 de Março de 1918, premeditadamente urdido por ele, para, garantindo o sufrágio directo e universal e usando da legitimidade democrática daí decorrente, assegurar igual legitimidade no esmagamento de qualquer tentativa de reacção oposicionista. Os dramáticos resultados da Corpo Expedicionário Português em La Lys, na frente da 1ª guerra Mundial, a fama de germanófilo de Sidónio Pais e a incapacidade revelada pelo Governo em trazer de volta de imediato, ao menos, o que restava dessas forças ao país, geraram uma tal onda de contestação que viria a terminar com o seu assassinato, a 14 de Dezembro, na Estação do Rossio por José Júlio da Costa, um militante do Partido Republicano, após um exercício presidencialista de menos de uma ano, que foi um evidente prenúncio do chamado Estado Novo instaurado por António de Oliveira Salazar.


Por todo o país, durante cerca de 8 anos, a esperança de estabilidade parecia seriamente comprometida, o que levou em algumas localidades a actos de insurgência violenta contra as autoridades instituídas e a falta de metal amoedável obrigou inúmeras autarquias à edição ilegal de cédulas fiduciárias, como já havia acontecido, mais esporadicamente, imediatamente a seguir à implantação da República. São casos  paradigmáticos destas reacções desesperadas os que sucederam em Valpaços: A 4 de Julho de 1921, deu-se o famigerado assalto ao administrador do Concelho, Padre António Borges, Reitor de Vilarandelo, que no alto de Mempaz foi surpreendido por um grupo reminiscente do antigo Partido Democrático e ameaçado de morte, numa simples, mas clara, intenção de amedrontamento e admoestação pela sua habitual orientação política (o insigne monografista de Valpaços, A Veloso Martins que descreve o acontecimento, enganou-se quanto à data do assassinato de Sidónio Pais e quanto à vaga referência cronológica do mesmo acontecimento ao referir-se-lhe como tendo ocorrido "numa manhã de Outono").  Não esqueçamos que o cargo de administrador do concelho, desde a sua remota criação, por decreto de 18 de Julho de 1835, conferia aos administradores elevadas competências executivas sob exclusiva tutela dos Governadores Civis dos respectivos distritos, cabendo àqueles nos concelhos a superintendência da acção policial, da fiscalização das contribuições, das escolas, dos serviços de saúde, do registo civil e do recrutamento militar, competências essas entretanto reforçadas pela Lei de 20 de Outubro de 1840 e pelo código administrativo de 1842, que não sofreu alterações até 1927. Não admira, portanto, que o administrador do Concelho fosse o principal alvo na espiral de violência que se foi avolumando paralelamente à progressiva falência das instituições democráticas. Alguns meses antes haviam surgido as várias cédulas fiduciárias emitidas pela Câmara Municipal de Valpaços que hoje fazem as maravilhas de alguns, raros, coleccionadores valpacenses às quais dedicámos um post no presente blog.  

Imagem: http://restosdecoleccao.blogspot.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

99.º Aniversário da conquista do Pólo Sul

Comemora-se hoje o 99º Aniversário da chegada ao Pólo Sul da expedição norueguesa conduzida por Roald Amundsen,a 14 de Dezembro de 1911. Este célebre explorador norueguês das regiões polares de nome completo Roald Engelbregt Gravning Amundsen, já se havia destacado em expedições anteriores, nomeadamente a que, em 1905 conseguiu a 1ª passagem Noroeste entre os oceanos Atlântico e Pacífico, a Norte do Canadá. Por ter sobrevoado o Polo Norte em 1926, a bordo do dirigível Norge, é considerada a primeira pessoa a chegar a ambos os Pólos.

História do ser humano ganha espaço próprio em Burgos

Inaugurado «Museo de la Evolución Humana»

CiênciaHoje, 2010-07-15

Difundir conhecimento sobre a evolução da espécie humana é o objectivo principal do museu inaugurado terça-feira [13 de Julho de 2010] em Burgos (província de Castela e Leão, Espanha). Foi a partir dos achados e da investigação que se realiza há várias décadas na Serra de Atapuerca, que nasceu Museu da Evolução Humana (MEH). O Museu quer ser uma referência mundial nesta matéria, até porque Atapuerca (situada na província de Burgos), sítio declarado património da Humanidade pela Unesco, em 2000, constitui o maior conjunto de achados sobre a história humana.
Organizado a partir de um guião científico elaborado por José María Bermúdez de Castro, Eudald Carbonell e Juan Luis Arsuaga, os três directores do projecto de Investigação da serra de Atapuerca, que fazem agora parte do comité científico do MEH, o espaço, de 12 mil metros quadrados, divide-se em vários pisos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

13 de Dezembro – Santa Luzia

Santa Luzia é o nome consagrado pela tradição, em língua portuguesa, para Santa Lúcia, cuja festividade popular e religiosa se faz no dia 13 de Dezembro. A festa de Santa Luzia é uma festa religiosa católica com raízes pagãs, celebrada em vários continentes, com grande tradição na Escandinávia, em alguns países da Europa do Sul, como Portugal, e no Brasil.

Nascida no seio de uma família rica de Siracusa, na ilha da Sicília, por volta do ano 280 d.C, abraçou o Cristianismo, com voto perpétuo de virgindade, despojando-se de todos os valores materiais que os pais lhe ofereceram, dedicando-se em absoluto a Cristo. Foi decapitada na sua terra natal no dia 13 de Dezembro de 304 vítima das perseguições de Diocleciano aos cristãos sendo sepultada no local onde pouco depois se ergueu um santuário em sua dedicação. Este acontecimento transmitido pela tradição oral cristã, foi confirmada pela descoberta em 1894, em Siracusa, de uma inscrição tumular escrita em grego clássico que trazia o seu nome e a referência ao martírio no início do século IV. A devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Daí que ela seja invocada em orações populares para a obtenção da cura em casos doenças dos olhos ou da cegueira. Esta crença neste acto radica também na tradição oral cristã, segundo a qual Luzia teria arrancado os próprios olhos entregando-os ao seu carrasco, em sinal de confirmação da fé em Cristo, crença que chegou até aos nossos dias através da literatura, da arte e da representação simbólica desse mesmo acto nas festas religiosas e pagãs a ela dedicadas. O seu corpo e maior parte das suas relíquias estão guardadas na Catedral de Veneza desde 1204, ano em que regressaram ao Ocidente, resgatados de Constantinopla pelos cavaleiros da Cruzada de 1204, sob pedido do dogge daquela república italiana. É, portanto, muito antigo o culto a Santa Luzia no Ocidente.

No concelho de Valpaços também existem manifestações de culto a Santa Luzia. Na localidade de Sá, freguesia de Ervões, por exemplo, celebra-se a Festa de Santa Luzia realizada em torno do elegante templo sob sua invocação que aí existe. Também se assinala a devoção a esta mesma santa em Carrazedo de Montenegro, dada a existência de uma capela de Santa Luzia na relação do património edificado dessa freguesia. A imagem da mesma santa surge mencionada noutras épocas, como em 1758, nos altares de algumas igrejas deste concelho, como na de Santa Maria de Valpaços e na da freguesia extinta de São Salvador de Nozedo, hoje anexa de São Joao da Corveira. Num pequeno povoado do concelho de Chaves, outrora termo da freguesia de Águas Frias, também se comemora (comemorava?) o dia de Santa Luzia. As Nogueirinhas, dessa pequena aldeia se trata, concitava as atenções com a que constituia a última festa do concelho em cada ano.

imagem: http://evangelhoquotidiano.org
Para conhecer mais detalhes sobre Santa Luzia, clique AQUI.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O princípio do fim do polémico mistério sobre a tragédia do “Struma”?

Segundo o canal digital Euronews / Arqueologia, parece ter sido dado um passo importante no esclarecimento de um dos enigmas da 2ª Guerra Mundial, a tragédia do Struma, o cargueiro búlgaro que a 23 de Fevereiro de 1942 explodiu sobre o Mar Negro, em circunstâncias misteriosas, vitimando cerca de 400 famílias de judeus romenos, incluindo centenas de mulheres e crianças, que procuravam fugir da Europa e refugiar-se em Eretz Israel, através da Turquia, após dois meses de angustiante espera, em condições extremas de sobreivência, que fosse superado o impasse diplomático então instalado entre as autoridades britânicas e turcas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Uma espreitadela ao Museu Militar de Bragança

O trabalho publicado por Euroluso em 2008, no Dia Internacional dos Museus, serve-nos de referência para uma agradável espreitadela guiada ao interessante espólio do Museu Militar de Bragança, graças às imagens de excelente qualidade que o autor anexou nesse trabalho em homenagem àquela instituição, e é por isso que entendemos reeditá-lo aqui, pensando nos nossos leitores que ainda não tiveram oportunidade de o visitar. Aprecie, nesta breve visita guiada pelos comentários de Lusomundo, algumas dessas imagens (recomendamos que clique sobre elas para as aumentar!).

O Museu Militar de Bragança
O interessante Museu Militar de Bragança, criado em 1928 pelo comandante do Regimento de Infantaria nº 10, foi extinto em 1958 e reactivado em 1983. Está instalado no castelo de Bragança, na mais bela e elegante Torre de Menagem do país. O seu recheio tem um elevado valor histórico e cultural, tanto em antiguidade como em riqueza patrimonial. A nível nacional, é o segundo mais visitado.

Janela ogival, geminada e pedra de armas da casa de Avis. O gótico refinado sugere que a torre de Menagem foi habitada com um certo conforto e requinte.

Novo dinossauro descoberto na Coreia do Sul

Koreaceratops, Museu de História Natural de Cleveland
clique sobre a imagem para aumentar

A descoberta deste espécime "é importante na medida em que vem preencher um vazio de 20 milhões de anos", do ponto de vista do registo fóssil nesta região e porque permite documentar agora o período "entre a origem destes dinossauros na Ásia e a sua primeira aparição na América do Norte"
O 'Koreaceratops' vem preencher um vazio de registos fósseis na região.
Havia traços e vestígios, como ovos fossilizados e pegadas, mas nunca até agora tinham sido encontradas partes de esqueleto fossilizadas de dinossauros na península da Coreia. Logo à primeira, a equipa internacional que fez o achado descobriu também uma nova espécie de dinossauro, um ceratópode, que significa que tinha cornos ou saliências ósseas na cabeça.
O Koreaceratops hwaseonengis, como foi designado pelos seus descobridores, viveu há 103 milhões de anos, no período Cretáceo, e foi ontem anunciado pelos seus descobridores na revista científica de língua alemã Naturwissenchaften.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dia dos Direitos Humanos

A Declaração dos Direitos Humanos resurgiu a 10 de Dezembro de 1948 como um alerta à consciência humana contra as atrocidades cometidas durante a II Guerra Mundial. Desta forma, inscrevia-se no objectivo da ONU, a luta pela paz e pela convivência entre as diferentes nações, credos, ideologias, etc.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

8 de Dezembro: Imaculada Conceição da Virgem Maria


É doutrina cristã, solenemente proclamada - seguindo e respeitando o sentimento geral do povo cristão desde sempre - pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1854, que a Virgem Maria, em virtude da sua função futura de vir a ser a mãe de Jesus (= Mãe de Deus), foi preservada do pecado original desde o momento da sua concepção (ou conceição) no seio de Santa Ana.
Hoje celebramos este privilégio de Maria.
Esta invocação da Mãe de Jesus como Senhora da Conceição é daquelas que mais ecos encontram e sempre encontraram no coração e no afecto do povo cristão, não só em Portugal.
No entanto Ela é de facto, Padroeira de Portugal, este país que, desde a sua fundação se apresentou como Terra de Santa Maria.
Esta nomeação (padroeira, madrinha) e a devoção à Senhora da Conceição foi oficializada pelo nosso Rei D. João IV em 1646, depois da restauração do nosso País como nação independente, quando aquele Rei declarou a Senhora da Conceição Padroeira de Portugal, e acrescentou:
"... e prometemos e juramos com o Príncipe e Estados de confessar e defender sempre (até dar a vida, sendo necessário) que a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem pecado original."

Interessante é notar que no ano de 1954, para celebrar os 100 anos do Dogma da Imaculada Conceição foram colocados no exterior de muitas das nossas igrejas uns azulejos, dizendo:
A Virgem Maria, Senhora Nossa, foi concebida sem pecado original.
Já agora fica o convite a estarem atentos a esse detalhe na frontaria dalgumas igrejas do nosso concelho (Fornos do Pinhal, Sonim, Carrazedo de Montenegro, entre outras possíveis).

Pe Jorge Fernandes, 8-12-2010
http://saocousasdavida.blogspot.com

7 de Dezembro: Santo Ambrósio de Milão


É dia de Santo Ambrósio. Sim, o daquele santuário conhecido perto de Macedo de Cavaleiros.
Mas ele não era de Macedo...
Eis alguns dados biográficos:
Nasceu em 339, portanto, viveu no século IV, imaginem... movimentou-se em territórios hoje constitutivos da França e da Itália. Depois de ter desempenhado diversos cargos públicos, ele, que era filho de um governador romano da Gália, foi aclamado Bispo de Milão, no Norte de Itália, por uma criança, seguida imediatamente por toda a voz popular. E assim se tornou bispo. Isto em 7 de Dezembro de 374.
Exerceu o seu múnus com firmeza, eloquência, caridade pelos pobres, coragem e sensibilidade artística (foi um excelente poeta).
Um episódio muito interessante da sua vida e acção, que nos revela a têmpera deste homem, aconteceu no ano 390:
O Bispo Ambrósio, à porta da Igreja de Milão, proibiu o Imperador Teodósio (de quem era conselheiro) de entrar na igreja e obrigou-o a fazer penitência pública durante longo tempo, por causa do massacre geral que este havia ordenado contra o povo da cidade de Tessalónica.
(a imagem anexa representa esse facto).
Morreu no ano 397.
É considerado um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente (Ambrósio, Jerónimo, Agostinho e Gregório Magno)

Pe Jorge Fernandes, 8-12-2010
http://saocousasdavida.blogspot.com

O holocausto secreto de Mr. Churchill

Sir Winston Churchill, in https://wiki-land.wikispaces.com

É comummente aceite que os nazis mataram cerca de 6 milhões de judeus.
É sabido que os comunistas assassinaram, só no período estalinista, entre 25 e 27 milhões de pessoas.
O que se desconhecia - e para mim foi uma completa surpresa - é que Winston Churchill, um dos mais venerados estadistas do século passado, também tem a sua quota-parte de mortos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Holodomor - o holocausto Ucraniano


http://ucrania-mozambique.blogspot.com
Quando se fala dos grandes massacres e extermínios do século XX o holocausto Judeu, executado pelos Nazis, é quase sempre lugar-comum e tido como o evento mais negro e que centraliza mais atenções; quando muito refere-se as recentes “limpezas étnicas” nos Balcãs.
Já os casos mais a Leste, aqueles actos desumanos de extermínio que foram levados a cabo pela União Soviética, a mando de Estaline durante o seu regime de terror, nem sempre são citados, até porque não temos muita informação precisa e objectiva à mão e porque os Media pouco falam disto - é usual referir-se apenas que Estaline matou e condenou muitos russos aos Gulags na Sibéria. Mas hoje começa-se a investigar cada vez mais a fundo as obras de assassinato em grande escala praticadas ao longo do século XX pelo regime Soviético. Sabe-se agora que Estaline foi responsável por um dos maiores extermínios e assassinatos em larga escala da História da Humanidade. Os seus alvos não era étnicos como as vítimas do regime Nazi, as suas vítimas eram inimigos políticos – reais ou inventados. Um dos maiores extermínios que levou a cabo foi na Ucrânia.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Hoje é dia de Santa Bárbara, virgem e mártir

 Santa Bárbara, virgem mártir, iconografia bizantina in http://www.ecclesia.com.br

Santa Bárbara é uma santa cristã comemorada na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa em virtude de ter sido, segundo a tradição, uma virgem martirizada no século III a. C., juntamente com Santa Juliana, em Nicomédia, localidade hoje designada de Izmit, capital da antiga província romana da Bitínia (território actualmente integrado na Turquia), onde ela nasceu e viveu. Segundo a mesma tradição, o martírio ocorreu a 4 de Dezembro (provavelmente no ano de 235), razão pela qual a virgem mártir começou por ser comemorada nesta data. Não tardou que o culto a esta santa do Oriente passasse para o Ocidente, sobretudo para a capital do Império Romano do Ocidente, Roma, onde se erigiram igrejas e oratórios em sua dedicação. No século VI as suas relíquias foram trasladadas para Constantinopla, centro do Império Romano do Oriente e seis séculos mais tarde para Kiev, que é hoje a capital da Ucrânia, na época integrada no Império Russo, e é ali que elas se encontram depositadas, na catedral de S. Valdomiro. Paralelamente, a forma como, segundo a tradição cristã, se manifestou a ira divina sobre os seus executores que foram subitamente fulminados por raios e relâmpagos esteve na origem da sua primitiva veneração por sírios, gregos e latinos, como protectora das obras e torres fortificadas, tornando-se padroeira dos militares nos vários ramos ligados à utilização de recursos pirotécnicos, até se vulgarizarem outros atributos que começaram por lhe ser associados, e são hoje vulgarmente mais recorrentes na sociedade em geral, como santa protectora contra tempestades, raios e trovões.

A Devoção a Santa Bárbara no concelho de Valpaços
Convém, no entanto, observar que a propagação do culto a Santa Bárbara no Ocidente Peninsular e, em particular, no norte de Portugal, foi extremamente tardia e à revelia do calendário hagiológico consagrado pela tradição cristã a esta santa. E um dos mais representativos paradigmas desta realidade poderá mesmo ser o caso da veneração a Santa Bárbara no concelho de Valpaços.