sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Alterações climáticas na origem da queda do Império Romano

Um estudo intensivo aos anéis de crescimento das árvores, nomeadamente carvalhos, publicado na revista Science, revelou que pode haver uma ligação entre a ascensão e queda de civilizações e as súbitas alterações climáticas.
O estudo, divulgado pela BBC, foi realizado por uma equipa de investigadores que baseou as suas pesquisas em nove mil artefactos de madeira dos últimos 2500 anos.
De acordo com a BBC, os investigadores descobriram que os períodos quentes e húmidos coincidiram com épocas de prosperidade, enquanto os períodos de tumulto político ocorreram em fases de instabilidade climática.
“Olhando 2500 anos para trás, há exemplos de mudanças climáticas que tiveram impacto na história humana”, disse à Science o co-autor do estudo, Ulf Buntgen, paleoclimatólogo do Instituto Federal Suíço de Investigação em floresta, neve e paisagem.

Extraído de http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1475639

Mais:

http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-12186245

http://www.sciencemag.org/content/early/2011/01/12/science.1197175

http://www.buentgen.com/

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

167.º Aniversário do nascimento de Álvaro do Carvalhal

Por Leonel Salvado


Retrato fidedigno de Álvaro do Carvalhal, réplica de outro existente na sala da casa de habitação de sua neta Dra. Mariberta Carvalhal | in http://guitarradecoimbra.blogspot.com

Nascido a 3 de Fevereiro de 1844 no seio de uma ilustre e culta família estabelecida no concelho de Valpaços, Álvaro Carvalhal de Sousa Silveira e Telles a quem, lamentavelmente, o destino reservou um curta passagem pela vida continua, apesar disso, a ser considerada como um caso ímpar na história da literatura portuguesa onde ainda se denota uma clara ausência do género fantástico que Carvalhal cultivou com extraordinária determinação até mesmo nos momentos mais agonizantes do mal de que padecia (um aneurisma) e quando já tinha por certa e breve e a sua morte que veio a acontecer, aos 24 anos, em Coimbra no dia 14 de Março de 1868, sem terminar o curso de Direito em que se havia matriculado quatro anos antes.

Da infância por terras transmontanas à maturidade cultural e à sua morte na cidade universitária

Vem sendo costume dividirem-se seus biógrafos quanto ao local exacto do seu nascimento, em Argeriz, asseveram uns, em Padrela (ou “S. Pedro de Padrela”), sustentam outros. Álvaro nasceu efectivamente na data acima indicada e na freguesia de S. Pedro de Padrela que já então se designava formal e administrativamente por freguesia de Padrela e Tazém em virtude da fusão, em 1834, daquela com esta, outrora paróquias vizinhas mas independentes no termo de Chaves. A verdade, porém, tal como nos surge atestada pelos seus descendentes e confirmada pela documentaçao paroquial, é que Álvaro do Carvalhal foi um dos filhos de António do Carvalhal Silveira Telles e de Teresa Teixeira Vaz Barroso Guerra, um conceituado casal que por mais de uma década após a morte do jovem escritor podia ser visitado no aconchego de sua casa de Argeriz. A casa dos Carvalhais em Argeriz foi-lhes legado pelo avô paterno de Àlvaro do Carvalhal, Alexandre Manuel Carvalhal e Sousa  Silveira Telles Noronha Bettencourt que aí nasceu. Convém observar que ambas as freguesias de Padrela-Tazém e Argeriz pertenceram ao concelho de Carrazedo de Montenegro mas, à data do nascimento do escritor, Argeriz já integrava desde 1837, por Carta de lei, o recém-criado concelho de Valpaços, ao passo que Padrela só passou a este concelho em 1853, pelo Decreto desta data que extinguia o de Carrazedo de Montenegro.
Segundo uma nota publicada por Maria do Nascimento Oliveira Carneiro,  em “O Fantásticos dos Contos de Álvaro do Carvalhal”, ele terá sido provavelmente desde a infância «muito favorecido e incentivado pelo próprio meio familiar que o cercou» salientando que «tanto seu pai, António do Carvalhal, autor de um “Romance” inédito, como sua prima e companheira de infância, Ifigénia do Carvalhal, amante da poesia romântica e futura colaboradora do Almanaque das Senhoras poderão ter marcado eficazmente o destino literário do jovem Carvalhal.» Convém já observar que aquele António do Carvalhal (aliás António do Carvalhal da Silveira Telles Pereira Noronha), pai de Álvaro do Carvalhal, foi o mais novo dos irmãos do ilustre Júlio do Carvalhal da Silveira Betencourt de Noronha já por nós biografado neste blogue e que esta Ifigénia do Carvalhal (ou Efigénia do Carvalhal de Sousa Silveira e Telles Pimentel), prima de Álvaro do Carvalhal, foi a primeira de quatro filhos daquele Júlio do Carvalhal e quem mais tarde viria a casar com Francisco de Moraes Teixeira Pimentel, conhecido como o “morgado de Rio Torto”, oriundo de Vila Flor. Após a aprimorada instrução primária recebida no seio da família, o jovem Álvaro mudou-se para Braga em cujo liceu iniciou os seus estudos secundários, passando depois aos liceus de Viseu e Coimbra. Aqui matriculou-se na Faculdade de Direito em 11 de Outubro de 1864.
Foi em Coimbra que Álvaro do Carvalhal definiu o seu irreverente pendor literário, incompreendido pelos paladinos da literatura oitocentista mas reabilitado pela modernidade, nas seis admiráveis narrativas que produziu, em evidente sofrimento físico, onde, segundo o resumo sinóptico divulgado pela editora Almedina relativo aos seus contos se «sobressai o cuidadoso encadeamento da intriga e uma linguagem inconfundível» que «são uma das experiências mais notáveis do romantismo português» e nelas «o fantástico, expressão do lado obscuro e inquietante da mente, entrecruza-se de forma inesperada e surpreendente com o exótico, a ironia e o humor negro.» Uma das maiores e mais conhecidas referências da sua obra foi o livro “Os canibais”, em grande parte graças à sua adaptação ao cinema por Manoel de Oliveira. O reconhecimento póstumo da sua invulgar elevação cultural em Coimbra já mereceu da parte de alguns biógrafos seus conterrâneos, na actualidade, alguns elogios como é o caso de António Cândido Gavaia, o qual, numa edição do “Semanário Transmontano” de 15 de Maio de 2009, disse sobre ele que «a superior e invejável cultura deste jovem estudante que estudava em Coimbra, ia de um Shakespeare, perfeitamente conhecido, a um A. Dumas, a um Dante, a um Voltaire e a um Cervantes, citado com conhecimento, aos românticos espanhóis como Espronceda (1808-1842), até aos escribas de “faca e alguidar” e folhetinistas frenéticos, não só franceses como alemães», acrescentando que «Álvaro do carvalhal representava, indubitavelmente, a esperança de se tornar o “Alan Poe” dos enredos melodramáticos de terror de certo tipo de literatura portuguesa.»
Pelo que consegui apurar, a partir do post publicado por A. M. Nunes no Blogue “Guitarra de Coimbra”, dedicado a Álvaro do Carvalhal em Março de 2006, as suas obras conhecidas são: "O castigo da vingança", que é um drama em 3 actos, editado em Braga, quando ali era aluno do Liceu, e os "Contos", que são uma «edição póstuma, ainda no decurso de 1868, pelo seu grande amigo e biógrafo José Simões Dias». Segundo a mesma fonte, «esta obra inclui os contos frenético-fantásticos J. Moreno, O Punhal de Rosaura, Os Canibais [de que já falámos], A Febre do Jogo, A Vestal e Honra Antiga. Da 1ª edição de 1868 se tiraram pelo menos mais duas, sempre com os reeditores na mais firme convicção [errada como veremos] quanto à inexistência de herdeiros directos do escritor: "Seis contos frenéticos escritos por Álvaro do Carvalhal", Lisboa, Arcádia, 1978, com prefácio e notas de Manuel João Gomes; "Contos", Lisboa, Assírio & Alvim, ISBN 972-37-089-1, Agosto de 2004.»

Este promissor mestre da prosa oitocentista, que Alberto Ferreira distinguiu na sua obra Questão Coimbrã", Volumes I e II, Lisboa, Portugália, 1968 (I, pág. 416; II, págs. 233-246), como pioneiro no lançamento da polémica que haveria de catapultar a Questão Coimbrã, segundo a mesma fonte de A. M Nunes, veio a falecer de aneurisma, na data e cidade que já indicámos, pelas 21 horas no prédio n.º 46 da couraça de Lisboa. Foi sepultado no Cemitério da Conchada, em Coimbra.

A família

Como foi dito atrás, Álvaro do Carvalhal nasceu a 3 de Fevereiro de 1844 numa das casas da numerosa família dos carvalhais em Argeriz ou em Padrela. Foi o segundo filho de António do Carvalhal da Silveira Telles Pereira Noronha, fidalgo e cavaleiro da Casa Real, e de sua esposa, D. Thereza Barroso Guerra e irmão de Alexandre Carvalhal de Sousa Silveira Teles que também iniciou estudos de Direito em Coimbra, abandonando-os e mudando-se para Lisboa para se matricular em Agronomia, curso que também não chegou a concluir devido à morte do pai.


Álvaro do Carvalhal foi neto paterno de Alexandre Manoel do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Noronha Betencourt, fidalgo e Cavaleiro da Casa Real e herdeiro da casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, em Veiga de Lila, e de sua mulher D. Rosália Vicencia de Meneses Faria e bisneto paterno de Francisco José de Carvalhal Telles da Silveira Betencourt. Aquele seu avô, Alexandre Manoel do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Noronha Betencourt, nasceu em 1783 em Argeriz e foi vereador na Câmara Municipal de Chaves durante três mandatos entre 1819 e 1929, e foi filho do terceiro casamento deste seu bisavô Francisco José do Carvalhal Telles da Silveira Betencourt, também Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real, casado com Isabel Osório. Ainda por via paterna, Álvaro do Carvalhal foi trineto de Alexandre Manoel de Carvalhal e Silveira Noronha Betencourt, fidalgo da Casa Real, e de sua mulher Clara Costa Pereira e tatraneto de Francisco do Carvalhal Borges da Silveira Betencout, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, que casou em Lisboa com D. Maria Magdalena Telles e Távora e morreu em Chaves onde foi Governador de S. Neutel. Álvaro de Carvalhal, como os restantes Carvalhais dos vários ramos transmontanos, descende de uma ilustre linhagem que remonta ao inínio do século XV, radicando em João de Betencourt, Cavaleiro e General francês que em 1417 conquistou as ilhas Canárias, chegando a exercer o seu domínio pessoal sobre elas durante dois anos, após o que passou às ilhas Terceira e Madeira onde acumulou bastantes doações do rei D. João I e casou com D. Maria de Carvalhal e Silveira e através do filho de ambos, Francisco Betencourt de Carvalhal e Silveira deu início esta linhagem portuguesa.


Outro assunto curioso sobre de Álvaro do Carvalhal é o que tem vindo a ser colocado a respeito da sua descendência. Face à sua prematura morte, julgou-se durante muitos anos, fora do círculo mais restito da família do escritor, que Álvaro do Carvalhal não deixara descendência. Para isso contribuiu decerto, e segundo o já mencionado autor do “Guitarra de Coimbra”, o que se extrai do “Livro de Óbitos de S. Cristóvão” de Coimbra para o ano de 1869, onde o padre Manuel da Cruz Pereira Coutinho anotou – “não consta que tivesse filhos” (sic). Ao que parece, o próprio Álvaro do Carvalhal não chegou a saber que isso não era verdade! Soube-se depois que da sua relação amorosa com uma jovem natural de Braga que exerceu o magistério primário na sua cidade natal e em Esposende, Genoveva da Silva, durante os anos da  passagem de Álvaro pelo Liceu desta cidade, haveria de nascer uma criança do sexo masculino, a qual foi dada pela mãe a criar em Celeirós (Braga) a uma doceira de ofício, no meio da maior discrição, talvez para a proteger de uma eventual reacção de indignação da parte da ilustre família do pai, já que se tratava de um nascimento ilegítimo. Foi a criança, nascida quatro anos antes da morte do pai, baptizada com o nome de Álvaro da Silva Carvalhal. São apresentadas outras possíveis justificações para o silêncio de Genoveva relativamente à existência deste filho, designadamente os receios de que visse retirada a sua licença no Ensino, por ser mãe solteira, o simples estigma que há época pendia sobre esta condição ou até o temor de que a notícia pudesse agravar o estado de saúde de Álvaro, posto que a doença já lhe havia sido diagnosticada durante a sua frequência no Liceu de Braga. Quando a criança atingiu a idade de nove anos entendeu Genoveva enviá-la para o Brasil, confiando-a aos cuidados de um irmão solteiro, para que ela pudesse retomar a sua vida sem maiores embaraços, o que de facto se viria a verificar – casou em Esposende e constituiu nova família. Mas antes que a criança partisse, achou a mãe que era tempo de quebrar o silêncio, tanto perante o próprio filho como a família paterna. O excerto que passamos é uma narrativa interessante do processo subsequente relativo à descendência de Álvaro do Carvalhal.


Antes do embarque, Genoveva inteirou o filho da identidade do progenitor e da existência de familiares em Trás-os-Montes. Viajou com a criança até Algeriz e em chegando à porta de António Teles deu-se a conhecer e disse ao que ia. O idoso António Teles veio receber comovidamente o neto, abraçou-o e gritou para dentro: "Ó Teresa anda cá ver o filho do nosso Álvaro!". Teresa Guerra, mordida pela peçonha da vergonha de um neto "apanhadiço" resmungou e não se deu a ver. O pequeno Álvaro jamais esqueceria as falas secas e duras daquela avó que não se quis dar a conhecer.
Genoveva da Silva, professora de instrução primária, veio a casar em Esposende e ali trabalhou duradouramente. Não ocultou ao marido a existência do filho "ilegítimo". Nascido quatro anos antes da morte do pai (1864-1935), Álvaro da Silva Carvalhal emigrou para o Brasil. Ali se fez "brasileiro milionário", republicano amigo e simpatizante de Bernardino Machado, maçon, ateu e cultivado autodidacta. Regressado a Portugal com 43 anos, o endinheirado filho de Álvaro do Carvalhal estabeleceu-se em Esposende na casa da mãe e do padrasto.
Desembarcado em Lisboa, no seu périplo terrestre para norte percorreu alfarrabistas e livrarias de Lisboa, Coimbra e Porto, com o fito de encontrar um exemplar do livro do pai ("Contos", 1868). Finalmente, por intermédio de uma professora amiga e conviva do futuro sogro, logrou obter um exemplar da obra. Foi mais ou menos nesta altura que o "brasileiro" conheceu Eugénia Abreu, uma burgesinha esposendense, católica, conservadora, com menos 23 anos do que o futuro marido (1887-1958), filha do professor régio de Esposende. O casamento realizou-se no ano de 1907 na Igreja de São Lázaro, Braga. Na época a que nos reportamos eram corriqueiros os casamentos entre noiva provinciana católica e noivo positivista, ateu, maçónico e republicano. As esposas não interferiam na actividade política/ou partidária dos esposos e estes davam carta branca às esposas quanto a baptizados, comunhões e crismas dos filhos.
O casal Carvalhal domiciliou-se em Esposende, local onde foram sucessivamente gerados António Carvalhal (1909-1982), Álvaro Carvalhal (1911-1950), Luís Carvalhal (1913-1995), Joaquim Carvalhal (1915-1995) e Mariberta Carvalhal (1918...).
Na segunda metade da década de vinte, o casal Carvalhal acompanhou o filho António, primeiro no Liceu de Viana do Castelo (até ao 5º ano), depois no Liceu de Braga (até ao 7º ano). No Verão de 1931 toda a família Carvalhal se estabeleceu em Coimbra, com o filho António a iniciar os estudos de Direito. Habitaram sucessivamente em Montes Claros, Ladeira do Seminário, Rua António José de Almeida e Largo da Matemática (actual República dos Inkas). À excepção do aluno de Direito e guitarrista António Carvalhal, os restantes irmãos frequentaram o Liceu D. João III. Mariberta matriculou-se no Infanta D. Maria, tendo ingressado na Faculdade de Letras da UC no ano lectivo de 1937/1938. Integrou a primeira geração do jovem TEUC, foi colega e amiga do estudante escritor Vergílio Ferreira, tendo concluído o curso de "germânicas" em 1944.
O folgado estado financeiro da família Carvalhal, conseguido graças aos lucros obtidos numa fábrica de refinação de açúcar do Brasil, alterou-se em meados da década de trinta. O regime brasileiro congelou fortunas e rendimentos de antigos emigrantes portugueses. As poupanças de Álvaro da Silva Carvalhal não escaparam a este processo. A agravar a situação, Álvaro da Silva Carvalhal faleceu em Coimbra, a 30 de Maio de 1935, balbuciando apenas um insólito "Deus seja comigo".
Sendo a viúva Eugénia Abreu doméstica e inábil para os negócios, o filho mais velho, António Carvalhal, tentou assumir-se como "chefe de família". Abandonou Direito no 3º ano e ingressou em Histórico-Filosóficas, trabalhando ainda na Biblioteca Geral da UC. Os manos Luís, Joaquim e Mariberta matricularam-se em cursos da UC. O mano Álvaro tirou o diploma de ensino primário, após o que fundou e dirigiu em Esposende o Colégio Infante Sagres. Luís, terminado o curso de Histórico-Filosóficas, refugiou-se a partir de 1950 no Rio de Janeiro. Joaquim deixou o curso de Direito por concluir em Coimbra. Por 1950-1951 asilou-se no Brasil, ali tendo concluído Direito e exercido advocacia. António trabalhou como professor no Colégio Alexandre Herculano, Coimbra, mas a partir de 1944 percorreu estabelecimentos de ensino na Covilhã e no Porto, como professor de História e de Português. Mariberta, após passagem por Ilhavo e Porto, radicou-se com a família em Luanda no ano de 1958. Exceptuando António, personalidade muito conservadora e simpatizante do Estado Novo, os restantos manos Carvalhal eram assumidamente do "reviralho".


Álvaro do Carvalhal (neto), faleceu em 16 de Agosto de 1950 em Esposende, solteiro e sem filhos, vitimado por fulminante cancro de estômago.
Luís Carvalhal faleceu no Rio de Janeiro, em 18 de Novembro de 1995, casado, pai de uma filha e de um filho.
Joaquim Carvalhal faleceu no Rio de Janeiro em 5 de Novembro de 1995, solteiro e sem filhos, vítima de traumatismo craniano resultante de atropelamento de bicicleta na via pública.
Mariberta Carvalhal, viúva, é mãe de duas filhas.

In http://guitarradecoimbra.blogspot.com

Bibliografia e outros recursos

cvc.instituto-camoes.pt/.../78-o-fantastico-nos-contos-de-alvaro-do-carvalhal-.html -
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=5890
http://guitarradecoimbra.blogspot.com
http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pedido URGENTE

Pedido URGENTE

Ajuda com carinho se puderes, pois basta pelo menos partilhares com os teus contactos, pois logo chegará a uns milhares de pessoas, e quem sabe, conseguiremos ajudar?

Ana Patrícia Ribeiro Fernandes, de 4 anos, reside em Murça, Trás-os-Montes, está neste momento internada no IPO do Porto e precisa urgentemente de encontrar um doador de medula.

Para tipagem de doador dirijam-se ao Hospital Pulido Valente ou ao Centro de Histocompatibilidade do Porto no Hospital de S. João de segunda a quinta das 8h às 16h e sextas das 8h às 15h. Vamos tentar ajudar a encontrar um doador compatível. Se não puderes ser doador basta passares esta mensagem ao maior número de pessoas possível. Obrigada!

De: Eduardo Amarante, via Fernanda Valadares

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Há 103 anos – o Regicídio de 1908

O Regicídio de 1908, segundo o “Petit Journal Ilustré” na edição de 16 de Favereiro de 1908 in http://giracomletras.blogspot.com

Este trágico acontecimento já foi por várias vezes aqui recordado em categorias temáticas com ele relacionadas, onde procurámos abordar alguns factos que têm sido entendidos como as suas causas mais ou menos remotas, bem como os seus mais conhecidos e incontestáveis autores materiais, de que Manuel Buíça foi especialmente focado, por se tratar de uma personalidade de relevância local e regional nesta região de Trás-os-Montes. No memorial que hoje dedicamos às vítimas desse sangrento evento ocorrido há exactamente 103 anos, vamos limitar-nos a indicar dois documentos que se reportam aos respectivos factos observados de perto por duas personalidades ligadas às vítimas por laços distintos: D. Manuel II e João Franco. Clique sobre as imagens para consultar esses documentos

        

O Regicídio visto por D. Manuel II             O Regicídio visto por João Franco

Viagem ao dia do Regicídio


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

499.º Aniversário do cardeal-rei D. Henrique


D. Herique, o cardeal-rei | in http://pt.wikipedia.org

O Cardeal - Rei

Henrique nasceu em Lisboa a 31 de Janeiro de 1512 e faleceu em Almeirim, curiosamente, no mesmo dia e mês do ano de 1580. Estamos, portanto, a um ano do dos 500 anos do seu nascimeto. Foi o quinto filho varão de D. Manuel I e de sua segunda mulher, D. Maria de Aragão, manifestando desde infância a sua vocação pela vida religiosa em detrimento da vida política, acabando a sucessão do trono por ser assegurada, mais tarde, por seu irmão mais novo, D. João III. Mas as circunstâncias que se seguiram ao falecimento do monarca na menoridade do neto deste, D. Sebastião (filho póstumo do Príncipe João de Portugal e da Princesa D. Joana) e a crise dinástica advinda mais tarde com a morte d’o Desejado fizeram com que o já então cardeal D. Henrique se visse na obrigação de assumir a governação do País: Primeiro como Regente, em 1562 dada a menoridade do seu sobrinho de segundo grau e a abdicação da cunhada D. Catarina de Áustria que, após 5 anos de desgostosos serviços nessa função, decidiu recolher-se ao Paço de Xabregas, profundamente agastada com o neto; depois como rei, tendo sido assim aclamado em Lisboa em 1578, logo que foi confirmada a morte de D. Sebastião, reinando Portugal até ao fim da sua vida.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mamute poderá ser criado por clonagem em cinco anos

por FILOMENA NAVES, 18 Janeiro 2011


Mamutes, segundo a Scientific America – Fev. 2008 | in http://blacksmoker.wordpress.com
Clique sobre a imagem para aumentá-la

Projecto coordenado por investigadores japoneses propõe-se utilizar a informação genética retirada de tecidos congelados do animal extinto e uma célula de elefante sem ADN.

Investigadores japoneses preparam-se para tentar trazer à vida um animal extinto há milhares de anos. Trata-se de um mamute, que a equipa do cientista Akira Iritani, da Universidade de Quioto, pretende criar por clonagem a partir de material genético recuperado de um mamute e de uma célula de um elefante.
"Os preparativos estão feitos", afirmou Akira Iritani ao jornal japonês Yomiuri Shimbun, adiantando que vai em breve iniciar todo o trabalho no laboratório.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Primeiras viagens marítimas dos humanos podem ter acontecido há 130 mil anos atrás

Por Natasha Romanzoti em 4.01.2011

Os achados encontrados por arqueólogos gregos e americanos nas grutas de Plakias

Arqueólogos descobriram o que pode ser evidência de uma das primeiras viagens através do mar feitas por ancestrais humanos na ilha de Creta.
Creta está separada do continente há cerca de cinco milhões de anos. Quando especialistas gregos e americanos encontraram machados e outras ferramentas brutas, provavelmente com 130.000 a 700.000 anos de idade, próximas a abrigos na costa sul da ilha, isso sugere que quem fez essas ferramentas deve ter viajado para lá via marítima (uma distância de pelo menos 65 quilômetros).

Primeiros Homo sapiens e Neandertais tinham a mesma esperança de vida

Ciência Hoje, 2011-01-12


Neandertais e Homo sapiens teriam a mesma experiência de vida

Estudo contradiz teoria que defendia extinção dos Neandertais por morrerem mais cedo

“A esperança média de vida dos primeiros Homo sapiens e dos Neandertais era semelhante, revela um estudo dirigido por Erik Trinkaus, da Universidade de Washington (EUA) e publicado agora na «Proceedings of National Academy of Science». Os investigadores fizeram um estudo comparativo de fósseis de ambas as espécies que coexistiram durante 150 mil anos em várias regiões da Europa e da Ásia e que, segundo as mais recentes investigações chegaram a cruzar-se.
A equipa não teve muito material para analisar, mas foi o suficiente para perceber que existiam quase os mesmos números de fósseis de adultos entre 20 e 40 anos e de maiores de 40, tanto entre os Homo sapiens como entre os Neandertais.”

126.º Aniversário do nascimento do “automóvel moderno”

Réplica do Benz Patent Motorwagen, de 1885, de dois lugares, três rodas e velocidade máxima de 13 km/h, foi o primeiro automóvel a gasolina. In http://soulonphire.blogspot.com


Como já tínhamos referido neste blogue em “Os primórdios da História do Automóvel”, a 24 de Abril de 2010 na mesma categoria “Automóveis na História [Universal]”, foi a 29 de Janeiro de 1885 que surgiu o primeiro automóvel com cabimento no âmbito do conceito de “automóvel moderno”, isto é dotado de um motor de explosão interna a gasolina e de quatro tempos. Embora este tipo de motor tenha sido concebido também com sucesso nesse mesmo ano pelo alemão Gottlieb Daimler, foi na realidade o seu compatriota Karl Benz, outro grande génio inventivo desse tempo que mais tarde se associou ao primeiro para a criação da bem reputada marca actual, Mercedes Benz (aliás Daimler–Benz), quem, em Manheim, se antecipou em patentear a invenção patente essa conhecida por “Benz Patent Motorwagen” e representativa do nascimento do “primeiro automóvel moderno”. O próprio tipo de conbustível (gasolina), começou por ser designado de benzina, em homenagem ao oficial criador do engenho e certas marcas históricas, como a Fiat por exemplo,  mativeram esta designação por várias décadas. Uma data comemorativa para os amantes da História do automóvel e particularmente para os aficionados da Marcedes!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

113.º Aniversário do nascimento de Vasco Santana

Vasco Santana, in http://clubevinhosportugueses.wordpress.com

Vasco António Rodrigues Santana nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1898 e faleceu na mesma cidade a 13 de Junho de 1958, sendo hoje recordado como um dos maiores actores portugueses de sempre. É um daqueles actores, a par de outros da sua época como António Silva e Beatriz Costa, para nos cingirmos apenas aos que sempre se afiguraram como os mais populares, cujo encanto, na “sétima arte” parece imortal, como tenho visto pela sentida confissão de muitos portugueses, sobretudo das gerações menos jovens, de que não se cansam de rever os seus filmes e que quando revêem, vezes sem conta, algumas das suas cenas clássicas mais conhecidas, reencontram o mesmo entusiasmo com que as viram pela primeira vez.

Azares, esquecimentos ou batotices?

A história e da busca do conhecimento nem sempre é tão linear como parece. Por vezes a atribuição correcta dos louros das descobertas é algo obscuro, digno de uma investigação de Sherlock Holmes.
Encontramos personagens injustamente atropeladas pela História ou pela mera sombra dos génios dos seus tempos, desencontros nebulosos de cronologias e até mesmo trapaceiros que reclamaram a glória indevidamente.
Eis um caso curioso, o de Simon Marius, astrónomo alemão que nasceu há precisamente 438 anos. No final de 1608 soube através de um oficial de artilharia que na Feira de Frankfurt um holandês lhe tinha tentado vender o que viria a ser o modelo mais primitivo do telescópio. A partir dos detalhes revelados rapidamente construiu um e, provavelmente a partir de 1609, observou todo um universo que até então estava escondido. Foi um dos primeiros a observar a galáxia de Andrómeda e possivelmente as luas de Júpiter. Possivelmente - porque não publicou tal descoberta, apenas a proclamou na altura!
Galileu, inteligentemente, fê-lo, reclamando para si a descoberta das luas a 7 de Janeiro de 1610. Marius tinha fama de batoteiro e por isso foi esquecido. De facto, os seus registos da "descoberta" datam de 1613. Ironicamente, ao lado do seu registo anotou nomes para as luas: Io, Europa, Ganimedes e Calisto. E foram esses os nomes eternizados pela História. A descoberta é do imortalizado Galileu, a toponímia do esquecido Marius.

por Miguel Gonçalves
http://www.ionline.pt/conteudo/97671-azares-esquecimentos-ou-batotices

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Sá, Ervões

Padre João Parente (trancrição)


Cruzeiro junto da estrada principal, Sá, freguesia de Ervões
Foto base: Pe. João Parente | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
Clique sobre a imagem para aumentá-la


Número: 12.8.223

Local: Sé, freguesia de Ervões, junto da estrada principal
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 5, 50m
Descrição: Plataforma quadrangular de cinco degraus simples e outro com uma espécie de focinho inacabado, base cuboide, com caveto nas arestas superiores; o fuste, que é cilíndrivo, encaixa num pequeno plinto e termina num também pequeno toro, que lhe serve de astrágalo; tem colarinho de secção quadrangular, liso, dividido por um filete e um toro; a cruz, de braços cilíndricos, encaixa num globo ornado com triângulos e linhas horizontais.
Data: Século XVII – XVIII. Plataforma recente.

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.279.

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Cabanas, Curros

Padre João Parente (trancrição)


Cruzeiro do Largo do Cruzeiro, Cabanas, freguesia de Curros
 Foto base: Pe. João Parente | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
clique sobre a imagem para aumentá-la

Número: 12.7. 222

Local: Cabanas, freguesia de Curros, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4,50 metros
Descrição: Plataforma quadrangular de três degraus simples, pequena base começada por uma secção quadrangular que logo passa a tronco-cónica, onde encaixa o fuste levemente fusiforme, com uma divisória de secção quadrangular no primeiro terço; à laia de capitel, um bolbo dividido ao meio, horizontalmente, por um sulco e com as duas metades adornadas de arcos torcidos; a cruz de secção quadrangular, é ligeiramente patada.
Data: Século XVII - XVIII

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.278.

Valpaços - “Memorial aos Mortos pela Pátria” em construção

Notícias de Vila Real, 09-01-2011

Já está em andamento a obra de construção e implementação do Memorial aos Mortos pela Pátria, monumento que embelezará a rotunda em que desemboca a Avenida 25 de Abril, na cidade valpacense.
Tendo como base a ideia de que “os valores que garantem a imortalidade da Nação são valores superiores que devemos defender em permanência. Porventura os gestos mais nobres que cumprem a uma Nação estão em homenagear aqueles que contribuem com o seu sangue e a sua coragem para a defesa desses valores. Relembrar estes feitos e os seus protagonistas é honrar a história e garantir que este legado se perpetue na memória”, desta forma foi lançado o desafio para projectar o Memorial aos Mortos pela Pátria.
O escultor escolhido para desenvolver o projecto foi Hélder José Teixeira de Carvalho, pelo valor de 74.500 euros. O mesmo será implementado numa rotunda, que representa também uma das portas de entrada na cidade. A escultura que será implementada pretende interpretar o Homem consciente do cumprimento do seu dever para com a Pátria. A atitude de dignidade e nobreza é sublinhada pela postura em sentido, com a mão direita dobrada junto ao peito e segurando a ponta de uma bandeira que se desfralda em sua volta.
Pela elevação do seu olhar dirigido ao alto, a figura propõe conduzir-nos a uma interpretação de oferenda ao céu. Também a bandeira arvorada e suspensa no ar reforça com o seu real significado de símbolo nacional o ideal patriótico que se promove.

In http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=9705
Foto: http://www.imprensaregional.com.pt/jornal_terra_quente

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Há 11 anos faleceu Matateu

Sebastião Lucas da Fonseca, Matateu,
in http://belenensesilustrado.blogspot.com

Dois dias após o 58.º Aniversário de Eusébio, a 27 de Janeiro de 2000, falecia no Canadá, aos 72 anos, esta outra grande “lenda” do futebol português de origem moçambicana que foi Sebastião Lucas da Fonseca (ou Lucas Sebastião da Fonseca), conhecido como Matateu, alcunha que, a crer no que foi publicado a 27 de Maio de 2009 no blogue “Os Belenenses”, deriva da expressão em landim “Ma’ Tateu” cujo significado literal é “crosta de pele” e que talvez lhe tenha sido atribuída devido às marcas que costumava ter em consequência dos “pelados da bola”, as suas “primeiras “medalhas” nos desafios do bairro. Matateu foi, na verdade o primeiro grande jogador português nascido em Moçambique, aliás na mesma cidade de “o Pantera Negra” – Lourenço Marques (Maputo), a 26 de Julho de 1927, e é considerado como um dos maiores jogadores de topo de sempre, quer ao serviço do Belenenses, quer da Selecção Portuguesa de Futebol, com a curiosa particularidade de ser comparado ao legendário futebolista britânico Stanley Matthews, devido à sua longevidade – jogou até aos 50 anos de idade. Foi um dos quatro filhos de Lucas Matambo, tipógrafo, e de Margarida Heliodoro, nascidos no bairro pobre do Alto Mahé. Do seu sangue, destacou-se ainda no futebol do Belenenses o também conhecido Vicente, o mais novo dos seus irmão, que ingressou no mesmo clube com o epíteto de ”Matateu II”, a 30 de Junho de 1954 e, com apenas 19 se estreou, juntando-se ao irmão e honrando a estirpe familiar, encantando com ele “os Belenenses, o País e o Mundo”, mas insistindo junto dos seus fãs que o tratassem por Vicente e não por "Matateu II".
Matateu, menino-prodígio do futebol português dos anos 50, recordado com saudade pelos portugueses e em especial pelos adeptos do Belenenses, quando esta era então a terceira maior equipa da capital, foi descoberto por um antigo jogador desta equipa nacional e campeão de Portugal em 1932, João Belo, quando Matateu jogava no 1º de Maio, a equipa local laurentina que viria a transformar-se na filial africana do Belenenses, e logo em 1951, com 24 anos, a jovem promessa moçambicana assinou e passou a jogar na equipa de Belém. Foi nesta fase áurea da sua carreira que adquiriu a reputação, que ainda hoje perdura entre os mais orgulhosos adeptos do clube azulado, de ter sido, talvez, “o melhor ponta-de-lança português de sempre”. No decurso dos anos 60, numa fase descendente da sua carreira, passou por diversos clubes de menor importância, tais como o Atlético Clube de Portugal que foi, segundo se conta, graças a ele que ascendeu à I Divisão, e o Amora que com a sua participação logrou chegar a campeão distrital e chegar à III divisão. Em 1970 partiu para o Canadá, onde continuou a jogar até à idade de 50 anos. Entretanto de 1953 a 1960, serviu na Selecção Nacional em vários jogos amigáveis e de qualificação para as taças do mundo e europeias, designadamente para a Copa do Mundo de 1958, em que a Itália foi batida por 3 – 0, no Estádio do Jamor, e nas Qualificações para o Euro 1960, contra a Alemanha Oriental (em Berlim-leste) e a Jugoslávia (no Jamor), a 21 de Junho de 1959 e a 8 de Maio de 1960, respectivamente. Este foi o seu último jogo ao serviço da Selecção, aos 32 anos de idade.

Existe uma biografia, em 110 páginas da autoria de Fernando Correia editada em 2006 pela Sete Caminhos. Para conhecer a ficha técnica, sinopse ou as condições para aquisição desta obra, clique AQUI.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

106.º Aniversário do achado do(s) Cullinan

A segunda e a terceira gemas de diamantes mais valiosas do mundo,
in http://www.portalentretextos.com.br

O diamante cullinan é o maior diamante em bruto alguma vez descoberto. A sua descoberta ocorreu a 26 de Janeiro de 1905 por Frederik Wells, gerente da mina de Premier, na África do Sul de que era proprietário Thomas Cullinan, em homenagem ao qual esse extraordinário achado passou a ser conhecido. A pedra, pesando cerca de 3.106 quilates (aproximadamente 621 g), segundo dados publicados na Wikipédia.org, foi comprada pelo governo do Transvaal que a ofereceu ao rei Eduardo VII por ocasião do seu 66.º aniversário. A coroa britânica encarregou um famoso lapidador holandês, Joseph Asscher, de estudar a pedra e de a cortar. Depois de vários meses de estudo, ela foi finalmente dividida em 9 diamantes grandes e 100 jóias menores durante um moroso processo de lapidação no decurso do qual se diz que o experimentado Asscher desmaiou, tendo sido despertado com a notícia do sucesso da sua pesada responsabilidade. Do resultado desse trabalho detacaram-se duas gemas, a mais pesada das quais, com 530,2 quilates (106,4 g), designada de Cullinan I ou “grande estrela de África” foi engastada no ceptro real e a menos pesada, com 317,4 quilates (63,48 g) conhecida por Cullinan II ou “pequena estrela de África” passou a enfeitar a coroa real britânica e é usada nas cerimónias de coroação. Embora não sejam as maiores gemas lapidadas da actualidade, uma vez que em 1985 um exemplar também encontrado na mina Premier proporcinou a lapidação do “Jubileu Dourado” que é efectivamente a maior peça de diamante jamais conseguida, os Cullinan são, contudo, as mais conhecidas e apreciadas. Encontram-se expostas na Torre de Londres e são ainda um grande motivo de orgulho da família real britânica.

Para mais curiosidades sobre estes e outros diamantes famosos clique AQUI.


O terramoto de 1531 – faz hoje 480 anos

Por Carlos Loures, 26 de Janeiro de 2010*


Lisboa quinhentista. Duarte Galvão, na Crónica d’el Rei Dom Afonso Henriques, c. 1520.
 In http://lisboario200anos.cm-lisboa.pt

Com um epicentro algures entre Azambuja e Vila Franca de Xira, no dia 26 de Janeiro de 1531, faz hoje 479 anos, um terramoto destruiu parcialmente Lisboa. Sismo que, segundo se julga, pouco terá ficado a dever ao de 1755. No entanto, a cidade não era tão grande, nem tão populosa, embora para a época, fosse considerada de enorme dimensão – teria cerca de 100 mil habitantes (contra os 275 mil de 1755).
As zonas da cidade que foram atingidas não terão também sido as mesmas. Como exemplo desta afirmação, o Hospital de Todos os Santos, no Rossio, não ficou significativamente danificado, vindo porém a desaparecer no sismo de 1755. Sabe-se também que, embora com menos danos registados, o Ribatejo e o Alentejo foram regiões duramente atingidas. Desde o dia 7 que se verificavam abalos, mas o mais grave foi o de 26 quando, ao princípio da madrugada, a terra tremeu por três vezes.
Não há registo de maremoto, tsunami ou grandes incêndios, como na catástrofe de 224 anos depois. Em todo o caso, o número de vítimas que a tradição consagra é o de 30 mil. Tendo em conta a população da cidade, foi igualmente uma tragédia de grandes dimensões.
Por outro lado, as fontes de informação disponíveis para estudar o terramoto de 1755, não são tão copiosas para o de 1531. Sabemos, no entanto, que houve danos muito consideráveis. Na principal rua de Lisboa, a Rua Nova, tombaram varandas e muitos dos edifícios abriram enormes fendas. Uma parte do palácio real, o Paço da Ribeira, sofreu grandes estragos. A Torre de Belém e o Mosteiro de Belém (Jerónimos) foram também duramente atingidos.
António de Castilho, filho do arquitecto João de Castilho, descreveu os estragos em Lisboa, particularmente no Rossio, onde caiu a Igreja de Nossa Senhora da Escada., uma parte do Paço dos Estaus (onde se acolhiam os altos dignitários estrangeiros), parte das naves do Convento de São Domingos (onde está hoje o Teatro de D. Maria II). Houve danos na Sé, no Convento do Carmo, na Igreja de São João da Praça e, como já, disse, numa ala do Paço da Ribeira.
De notar que o Bairro Alto, um dos primeiros bairros europeus a ser construído com planta em quadrícula, foi edificado para responder à destruição provocada pelo terramoto de 1531. Especulação sobre os terrenos, comprando quase de graça e vendendo depois por preço elevado, foi o negócio de um tal Duarte Belo (de que ainda existe memória numa Rua da Bica Duarte Belo, aquela que é percorrida pelo elevador da Bica). Era um armador e negociante que possuía na Boavista (onde fica hoje a rua do mesmo nome) umas casas e um terreno no qual existia uma bica, designada pelos seus utentes como «Bica dos Olhos ». Em 1726, publicava-se em Lisboa no «Arquipégio Medicinal» um anúncio recomendando, como remédio infalível para terçolhos e outros males da vista, a lavagem dos olhos na «Bica do Duarte Belo ». Tinha de ser antes do Sol nascer, para garantir a cura.
O rei D.João III que estava no Paço de Benavente, teve ir para Alhos Vedros e depois para Azeitão, porque os seus aposentos de Benavente ficaram destruídos. Em Santarém, na Castanheira, em Vila Franca de Xira, na Azambuja, onde sacudidos pelo sismo os sinos tocaram sozinhos, no Lavradio, em Setúbal. Digamos que o terramoto de 1531 afectou toda a região de Lisboa e o vale do Tejo.
Os testemunhos, muito mais escassos do que os de 1755, existem, no entanto: Além do já citado António de Castilho, há uma carta de um anónimo castelhano ao marquês de Tarifa, Fradique Enríquez de Ribera, descrevendo as destruições em Lisboa, nomeadamente na Rua dos Fornos, onde ruíram numerosas casas e as da Rua Nova. Na carta, descrevia-se também o pavor da população lisboeta que dormia vestida para poder fugir ao primeiro sinal de novo sismo. Como disse Garcia de Resende na sua »Miscelânea», referindo-se também a este terramoto:

«Todos com medo que haviam
deixaram casas, fazendas;
nos campos, praças dormiam
em tendilhões e em tendas,
casas de ramas faziam;
as mais noites velando,
temendo e receando;
porque tremor não cessava;
a gente pasmada andava
com medo, morte esperando».

Em 1755, a par com as «explicações» tradicionais – castigo divino pelos desmandos humanos – surgiram abordagens diferentes, científicas umas (com os naturais limites da ciência contemporânea) e outras procurando explicar racionalmente o que sucedera. Em 1531, o estado dos conhecimentos sobre o mosaico multidisciplinar que permite compreender fenómenos naturais desta natureza, era mais do que incipiente.
No entanto, quando frades de Santarém relacionaram os danos verificados na cidade pela presença de judeus, ou melhor, de «cristãos novos», visto que os judeus haviam sido expulsos no reinado de D. Manuel, Gil Vicente combateu esta tentativa de culpabilizar os hebreus, numa carta que leu perante os próprios frades, atacou as prédicas dos clérigos que aterrorizavam os fiéis anunciando-lhes que os cataclismos eram resultado da ira divina contra os pecados dos homens.
Com o mesmo esclarecedor objectivo, escreveu uma carta a D. João III condenando a perseguição aos judeus. Curioso o facto de, em 1755, uma das tais «explicações» encontradas para o sismo, tenha sido a das perseguições feitas aos judeus, a par com hábitos debochados importados de França e de Itália e com a proibição de os crentes lerem a Bíblia.
Como ficou Lisboa depois deste terramoto, sabêmo-lo cruzando os dados que nos proporcionam as obras de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, «Lisboa em 1551» («Em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa», «Grandeza e Abastança de Lisboa em 1552», de João Brandão (de Buarcos) e na «Descrição da Cidade de Lisboa», de Damião de Góis. Uma gravura de Georgius Braun Agrippinensis, pertencente ao volume I de «Civitates Orbis Terrarum», publicada em 1593, permite compreender melhor aqueles livros, todos eles publicados em edições recentes prefaciadas e anotadas por José da Felicidade Alves. Um livro de António Borges Coelho, «Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista», muito ilustrado, mostra também a cidade entre os terramotos de 1531 e 1755.

* "O Terramoto de 1531 - faz hoje 479 anos" in http://www.aventar.eu/2010/01/26/o-terramoto-de-1531-%E2%80%93-faz-hoje-479-anos/

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Carrazedo de Montenegro

Padre João Parente (trancrição)


I

Cruzeiro do Largo de S. Sebastião, Carrazedo de Montenegro, Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado). Clique sobre a imagem para aumentá-la.

Número: 12.4. 219

Local: Carrazedo de Montenegro, no Largo de S. Sebastião
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 6,10 metros
Descrição: Sobre um plinto de nivelamento oitavado e com focinho, assenta a plataforma octogonal, constituída por dois degraus, também de focinho e também octogonais; a base, ainda octogonal, tem leve soco, breve cornija, orna-se de um escudete em cada lado e toma a forma abaulada na face superior, para robustecer o encaixe do fuste; este começa por uma secção cilíndrica e transforma-se num bolbo alongado, constituído por gomos de secção semicircular, que adelgaçam para o topo; à laia de capitel, tem um filete e um toro a servir-lhe de astrágalo, um largo caveto como colarinho, e outro bolbo, também com gomos, imitando a semente da papoila, no lugar do ábaco; a cruz de braços cilíndricos e com as pontas rematadas em bico envolto por toro, sustenta um belo crucifixo. O fuste e o capitel, no seu conjunto, lembram o pistilo de uma flor.
Data: Século XVII - XVIII

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.275.

II

Cruzeiro do Largo do Cruzeiro, Carrazedo de Montenegro, Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado). Clique sobre a imagem para aumentá-la.


Número: 12.5.220

Local: Carrazedo de Montenegro, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 5, 70m
Descrição: Plataforma octogonal de quatro degraus com focinho; pedestal também octogonal, ornado de rectângulos, um em cada face, que adelgaça para o encaixe do fuste, fusiforme e estriado; o capitel enquadra-se na ordem coríntia, com um toro por astrágalo; o ábaco é constituído por folhas de acanto e quatro volutas; a cruz tem braços cilíndricos, terminados em círculos concêntricos; do lado poente, pende o crucifixo; do lado nascente, a Virgem coroada com cabeça de anjo aos pés.
Data: “1770”, como se lê no fuste.

Fonte: Idp.276

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eusébio, “o Pantera Negra” faz hoje 69 anos


Eusébio da Silva Ferreira, nascido a 25 de Janeiro de 1942 numa casa pobre do bairro de Mafalala, em Loureço Marques (Maputo), filho de pai angolano (da Província de Malanje) e de mãe presumivelmente moçambicana, Elisa Anissabana, é um ex-futebolista português que se viu transformado numa lenda viva do desporto-rei em todo o mundo. Cognominado de “a Pantera Negra”, é considerado como um dos melhores futebolistas de todos os tempos. As referências mais elucidativas do extraordinário palmarés deste talentoso futebolista são os 733 golos marcados em jogos oficiais e 1137 em toda a sua carreira.

sábado, 22 de janeiro de 2011

22 de Janeiro: S. Vicente, diácono mártir

S. Vicente de Saragoça na prisão, autor anónimo, Escola Francisco Ribalta, séc. XVII, 
in http://es.wikipedia.org

S. Vicente Mártir ou São Vicente de Saragoça, também conhecido por São Vicente de Fora, foi martirizado em Valência no início do século IV (crê-se que no ano de 304) durante as perseguições do Imperador romano Diocleciano contra os cristãos da Península Ibérica, que ficou a cargo do delegado imperial, Daciano. O seu cruel martírio até à morte foi devido, segundo a tradição, à sua recusa em oferecer sacrifícios aos deuses do panteão romano. É orago da Diocese do Algarve e da Sé Patriarcal de Lisboa, onde se guardam algumas das suas relíquias sendo o Padroeiro da cidade de Lisboa, onde a sua imagem é representada com uma barca e um corvo, mas também em outras povoações portuguesas, representação essa baseada na tradição de que em 1173 as suas relíquias foram conduzidas numa barca desde o Cabo de S. Vicente, no Algarve, para Lisboa, a mando de D. Afonso Henriques, e veladas durante todo o trajecto por dois corvos. Também aparece representado com palma (que simboliza o martírio) e evangeliário. É comemorado a 22 de Janeiro pela Igreja Católica e a 11 de Novembro pela Igreja Ortodoxa. Em Portugal é ainda o santo protector e advogado das crianças.

No concelho de Valpaços, é orago das Paróquias de Barreiros e Vilarandelo, sendo celebrado na data própria: 22 de Janeiro. É ainda padroeiro da povoação de Vilela, freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz.

Para ver um resumo biográfico de S. Vicente, diácono e mártir visite no Acidigital  a página SANTORAL.

Uma raridade arquitectónica num lugar idílico – Zibreiro

Fonte Chafariz do lugar do Zibreiro, observação frontal, foto de Adérito Medeiros Freitas,
in Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII, C.Mv:, 2005

A pouca distância da localidade de Possacos, subindo pela “Rua do Zibeiro”, localiza-se um espaço de extraordinária beleza natural e arquitectónica que tem encantado toda a sorte de visitantes, desde os mais comuns aos mais eruditos em diversas áreas de investigação do património natural, histórico e artístico – A Fonte Chafariz da Quinta do Zibeiro, para adoptarmos a designação mais comum. Faz parte de uma grande quinta agrícola de que é proprietária a Sra. Ana Ribeiro Terra Calçada, segundo dados publicados por Adérito Medeiros Ferreira no 2º volume da sua obra “Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII.
Passamos as transcrever o que este investigador publicou nesta sua obra acerca do local e da respectiva fonte.

Localização: Possacos

Lugar: Zibreiro

Altitude: 443 m       Longitude: 7º 16’ 41,1’’ W     Latitude: 41º 37’ 11,5’’

Ano de construção: Desconhecido
Material de construção: granito equigranular de grão fino a médio, com moscovite e biotite e leve alteração química deste último material secundário.
Características gerais: Do ponto de vista arquitectónico esta é, na minha opinião, a mais rica “Fonte Chafariz” do concelho de Valpaços. Encontra-se fazendo parte de uma grande Quinta, hoje parcialmente abandonada, num meio envolvente de rara beleza possuindo, como seu prolongamento para um e outro lado, um extenso muro em granito, também ele de óptimo aparelho, com 1,60 m de altura. Tanques de granito e plantas ornamentais de várias espécies, envolvidos por vinhedos, pomares e outros terrenos de cultura, completam este quadro maravilhoso.
A planta interna, em forma de ferradura, mede 3,70 m de comprimento e 3,10 m de largura. De um e outro lado dois bancos de granito, simétricos, acompanhando a curvatura dos limites laterais internos da fonte, com 40 cm de largura e 42 cm de altura. Cada um destes bancos é formado por duas lajes de granito, suportadas por três apoios do mesmo material litológico. Todo o espaço ocupado pela fonte se encontra lajeado.
Na zona de maior curvatura deste espaço, 79 cm acima do pavimento, encontra-se uma abertura que comunica com a nascente, possivelmente através de uma mina. Por cima desta abertura, um cachorro de granito saliente do muro limitante posterior, constitui o apoio para um tosco recipiente contendo uma planta ornamental (“begónia”). A água que sai da nascente corre por uma caleira também de granito, com 1,34 m de comprimento que possui, mais ou menos a meio, uma porção dilatada com uma cavidade com a mesma morfologia. A suportar esta caleira, com sinais evidentes de já ter sido partida em dois locais, uma elegante coluna apoiada no pavimento com 69 cm de altura. Da caleira referida, a água cai numa bonita pia de granito em forma de concha com 36 cm de profundidade e cujos dois diâmetros, perpendiculares entre si, medem 1,10 m. Esta pia é suportada por uma base cilíndrica com 20 cm de altura e 24 cm de diâmetro. Da pia, a água cai numa caleira existente no pavimento lajeado, que mede 5,85 m de comprimento, 7 cm de largura e 3 cm de profundidade e termina num tanque de lavar roupa.
O muro que limita o espaço interno, em forma de ferradura, possui 2,43 m de altura e é coroado por uma cornija, saliente 18 cm e com 18 cm de espessura. Frontalmente e como a fotografia muito bem documenta existem, de um e outro lado, a flanquear a entrada, duas bonitas e muito bem trabalhadas “pilastras”. A cobrir todo o espaço podemos ver três arcos em ferro forjado que se destinavam, informaram-me, a servir de apoio a uma ramada de videiras que, por sua vez, proporcionavam uma agradável sombra, no Verão.

Adérito Medeiros Freitas, Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água (…), CMV, 2005, vol. II, pp. 23-24




Pseudo-painel de azulejos | adaptação de Leonel Salvado com base na foto  inserida acima
clique na imagem para aumentar

Uma raridade arquitectónica numa aldeia abandonada – Picões

Capela de Santo António em Picões, freguesia de Bouçoais, concelho de Valpaços – século XVIII in http://www.boucoaes.com | autorizada pelos editores  [Copyright © 2011 Junta de Freguesia de Bouçoães]
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Esta imagem representa o que há de mais encantador no vasto conjunto do património arquitectónico do concelho de Valpaços, longe da vista da maioria dos valpacenses e ainda resguardada da “invasão” turística, apesar do excelente trabalho de divulgação realizado pelos administradores do site da Freguesia de Bouçoais e outros “desafios” particulares como o que se pode ver no blogue do Reverendo Pe. Jorge Fernandes, são cousas da vida. Esta capela da invocação de Santo António que o Pe. Jorge Fernandes considera, e muito bem, tratar-se de “uma das jóias arquitectónicas do nosso concelho” esquecida e abandonada, localiza-se na freguesia de Bouçoais, em local afastado no núcleo central da aldeia abandonada de Picões no caminho que daqui prossegue em direcção às aldeias de Lampaça e Vilartão integradas na mesma freguesia. Em razoável estado de conservação, esta raridade da arquitectura religiosa é um monumento de construção barroca datada do século XVIII, integrada nos domínios do extinto morgadio de Vilartão e mandada edificar por um dos respectivos titulares, a cuja família pertenceu o ilustre transmontano Álvaro de Morais Soares, coronel do exército português que se notabilizou na Guerra Peninsular, juntamente com seu irmão Eusébio de Morais Soares e veio a falecer em combate nos arredores de Madrid em Agosto de 1812, deixando descendência. No que respeita à sua mais remota construção atesta-o uma destacada referência da parte do Abade de Bouçoais, António Xavier Fernandes nas Memórias Paroquiais de 1758 nos seguintes termos:

"Tem quinta de Picões uma capela de cantaria construída à moderna com a invocação de Santo António, mandada fazer pelo Sargento-mor de Cavalaria António de Sá Pereira do Lago [de Morais Soares], da Casa dos Morgados de Vilartão, o qual a deu aos moradores da dita quinta."

Em nossa opinião trata-se de um dos mais belos monumentos do concelhos de Valpaços ainda por classificar!

Pseudo-painel de azulejos  - adaptação virtual de Leonel Salvado com base na foto acima exposta.
clique na imagem para aumentar

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Há 218 anos: Execução de Luís XVI na guilhotina – uma infeliz ironia da história?

Luís XVI sobe ao cadafalso – autor desconhecido,
in http://www.pliniocorreadeoliveira.info
No dia 21 de Janeiro de 1793, no contexto da Revolução Francesa, Luís XVI, rei de França era executado pela guilhotina na Praça da Revolução depois de ter sido acusado de traição pelo Comité de Segurança Pública e Tribunal Revolucionário por ter liderado um movimento de contra-revolução que obrigou os revolucionários da ala mais radical a preparar uma nova Assembleia Nacional Constituinte, dando origem a um regime de terror conhecido como a Convenção cujos instrumentos de auto-defesa do governo contra a oposição foram as referidas instituições que determinaram aquela execução. Este acontecimento, apenas mais um de muitos exemplos da acção do terror da Convenção, tem sido classificado por alguns historiadores sensacionalistas como uma das mais “incríveis” ironias da História. Numa separata da revista portuguesa “Super Interessante” (nº64 de Agosto de 2003), por exemplo, pode ler-se:


Mal Pensado

Luís XVI sugeriu dar uma forma triangular à lâmina da guilhotina, para torná-la mais eficaz. O próprio soberano teve, mais tarde, oportunidade de a testar no seu real pescoço.”
Almanaque do Incrível, p. 18

É verdade que uma das preocupações mais urgentes da Assembleia Nacional Constituinte, ainda durante a vigência da monarquia, chegou a ser a de se achar um método mais rápido e menos aflitivo de execução do grande número de condenados à pena capital. Não é verdade porém, que a solução encontrada - o engenho que passou a ser designado de Guilhotina – tenha sido uma invenção do Doutor Joseph-Ignace Guillotin. A única relação que é historicamente possível estabelecer entre este influente médico, a que o referido engenho deve impropriamente o nome, foi o de ele ter sido a primeira pessoa a chamar a atenção para a urgente necessidade de se procurar a solução mais indicada para o efeito pretendido e de ter recomedado a utilização de uma máquina que havia sido construída pelo seu amigo Antoine Louis, sendo esta a razão por que o engenho ganhou inicialmente o apelido de louisette ou louison e não de guillotine. Desconheço a existência de provas irrefutáveis de que Luís XVI tenha, na verdade, intervindo neste assunto pela forma como se diz. A comprovar-se tal alegação, poderá tratar-se efectivamente de uma das mais insólitas e infelizes ironias da História.

20 de Janeiro: São Sebastião, mártir

São Sebastião, mártir, óleo sobre madeira de Marco Palmezzano,
Museu de Belas Artes, Budapeste, Hungria, in http://pt.wikipedia.org

São Sebastião, mártir

É um dos mais antigos santos venerados na Igreja Católica e Ortodoxa e pela religião “Unbanda” que é uma religião especificamente brasileira que propõe a combinação de elementos católicos, do espiritismo e das crenças afro-brasileiras. O culto a S. Sebastião, mártir nasceu no século IV e atingiu o apogeu na Baixa Idade média, em particular nos séculos XIV e XV. Apesar de a sua popularidade ser incontestável pelo grande número de povoações portuguesas de que é padroeiro, nunca foi possível determinar com propriedade a época em que o culto a D. Sebastião se propagou e se intensificou em Portugal. Contudo, por aquilo que verificámos através de variadas fontes, parece que tal aconteceu ao redor do século XVI, ligado ao fenómeno da terrível calamidade que foi a grande mortandade devida à peste negra, para cuja erradicação contribuiu, segundo a crença, o facto de o rei D. Sebastião (cujo nome, por ter nascido a 20 de Janeiro, se deveu alegadamente à popularidade do santo) ter, segundo a “Crónica do Padre Amador Rebelo”, herdado de D. João II a relíquia do santo que foi o seu braço, que este rei recebeu por oferenda de Carlos V e o mandou depositar no Mosteiro de S. Vicente de Fora, e de, em 1573, o mesmo D. Sebastião ter obtido do papa o envio de duas das setas que tinham sido utilizadas no martírio do mesmo santo, tal era a adoração da dinastia de Avis e d’o Desejado pelo santo seu propositado homónimo. É invocado desde então como o padroeiro contra a fome, a peste e a guerra ou, mais simplesmente, contra as epidemias. Crê-se que os restos das suas relíquias ainda se guardam na igreja de S. Sebastião da Pedreira, juntamente com as de S. Lourenço. 





O culto de São Sebastião no concelho de Valpaços

Em nenhuma das freguesias do concelho de Valpaços ele é actualmente Santo padroeiro, ao contrário do que acontece em pelo menos 78 outras aldeias portuguesas mas convém referir, como nos revelou o Reverendo Padre Jorge Fernandes, que frequentemente o culto a determinado santo é influenciado por diversos factores socio-económico e políticos, tendo havido épocas de maior relevância de certas devoções ao culto de S. Sebastião no nosso concelho como o atestam as dezenas de imagens do santo pelas igrejas e capelas do nosso concelho, sinal evidente do culto que este santo ainda persiste por estas terras, como também o atesta a existência da capela de São Sebastião de Vilarandelo (classificada como imóvel de interesse público), cuja construção terminou em 1583 - como se vê na inscrição presente no campanário da mesma (escassos anos após Alcácer Quibir), o que nos permite fazer uma leitura claramente sebastianista daquela construção, bem como do orago da mesma. Em Carrazedo de Montenegro também existe a lindíssima “capela do mártir D. Sebastião”, um largo e um cruzeiro conhecido pelo mesmo nome. Na freguesia de Rio Torto (onde a sua festa se realiza na data própria de 20 de Janeiro) existe igualmente uma capela da sua invocação, o mesmo acontecendo em Ervões, no centro da aldeia, segundo indicação de Padre Jorge Fernandes. Como mais um sinal confirmativo da primeira observação deste sacerdote, que subscrevemos atrás, convém acrescentar que também existiu uma capela da invocação de S. Sebastião na vila de Valpaços, aonde, segundo Francisco Pereira de Aial, vigário de “Santa Maria de Valpaços” nas suas “Memórias Paroquiais” de 1758, acorria grande número de populares em festas e procissões, com a sua milagrosa imagem e por duas vezes o santo livrou gentes e gados de males contagiosos que haviam caído sobre eles. Foi esta capela mandada demolir pela Câmara Municipal em 1914 - haja em revista neste blogue A desaparecida capela de S. Sebastião.

Existe um excelente artigo sobre S. Sebastião, mártir, no site da freguesia de S. Sebastião da Pedreira, que recomendamos a consulta.

457.º Aniversário do nascimento de D. Sebastião

D. Sebastião, pintura a óleo de Cristóvão de Morais, 1571,
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, in http://pt.wikipedia.org

Completaram-se ontem, 20 de Janeiro de 2011, 457 anos sobre o nascimento de D. Sebastião, último rei da dinastia de Avis que ficou para a História como uma das mais controversas figuras da monarquia portuguesa. No resumo biográfico que a seguir inserimos,  transcrito de O Portal da História, estão algumas hiperligações a temas relacionados com esta personagem anteriormente publicados neste blog.

Resumo biográfico

Décimo sexto rei de Portugal, filho do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria, nasceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1554, e morreu em Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578. Sucedeu a seu avô D. João III sendo o seu nascimento esperado com ansiedade, enchendo de júbilo o povo, pois a coroa corria o perigo de vir a ser herdada por outro neto de D. João III, o príncipe D. Carlos, filho de Filipe II de Espanha.
De saúde precária, D. Sebastião mostrou desde muito cedo duas grandes paixões: a guerra e o zelo religioso. Cresceu na convicção de que Deus o criara para grandes feitos, e, educado entre dois partidos palacianos de interesses opostos - o de sua avó que pendia para a Espanha, e o do seu tio-avô o cardeal D. Henrique favorável a uma orientação nacional -, D. Sebastião, desde a sua maioridade, afastou-se abertamente dum e doutro, aderindo ao partido dos validos, homens da sua idade, temerários a exaltados, que estavam sempre prontos a seguir as suas determinações.
Nunca ouviu conselhos de ninguém, e entregue ao sonho anacrónico de sujeitar a si toda a Berbéria e trazer à sua soberania a veneranda Palestina, nunca se interessou pelo povo, nunca reuniu cortes nem visitou o País, só pensando em recrutar um exército e armá-lo, pedindo auxílio a Estados estrangeiros, contraindo empréstimos a arruinando os cofres do reino, tendo o único fito de ir a África combater os mouros.
Chefe de um numeroso exército, na sua maioria aventureiros e miseráveis, parte para a África em Junho de 1578; chega perto de Alcácer Quibir a 3 de Agosto e a 4, o exército português esfomeado e estafado pela marcha e pelo calor, e dirigido por um rei incapaz, foi completamente destroçado, figurando o próprio rei entre os mortos.

Ficha genealógica
D. Sebastião, nasceu em Lisboa, a 20 de Janeiro de1554; faleceu em Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578; sepultado em 1582 no Mosteiro dos Jerónimos. Morreu solteiro e sem descendência.

Fontes:
Joel Serrão (dir.)
Pequeno Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão
História de Portugal, Volume III: O Século de Ouro (1495-1580),
Lisboa, Verbo, 1978

in http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/sebastiao.html