terça-feira, 8 de março de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Freguesia de Poçacos (Possacos)

Padre João Parente (trancrição)
I
Cruzeiro no Largo do Cruzeiro, Poçacos
Foto base: asnascimento, in http://pelourinhos.blogs.sapo.pt/89343.html
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Número: 12.12. 227

Local: Poçacos, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4 metros
Descrição: Base cuboide abaulada na face superior para reforçar o encaixe do fuste, que é de secção quadrangular, nos extremos, e oitavado na parte central; no topo do fuste, um globo, um tanto alongado na parte superior, onde encaixa a cruz de braços cilíndricos e boleados nas pontas.
Data: 1940

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd, p. 283.

II
Cruzeiro em alpendre no Largo do Curzeiro, Poçacos
Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Número: 12.11.226

Local: Poçacos, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito alumínio e madeira
Altura: 2,15 m, base e cruz
Descrição: Dentro de alpendre de granito, com telhado de madeira e telhados de alumínio com vidraças, aconchega-se o singelo cruzeiro, com pequena base cuboide e um belo crucifixo de madeira policromada.
Data: Século XIX

Fonte: Id. p.284.

8 de Março: Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher é comemorado actualmente em 65 países espalhados pelos vários continentes. A 11 de Março de 2010 publicámos um artigo composto por algumas notas elucidativas sobre a origem e o significado comemorativo desta data, bem como a sua tardia formalização (em Dezembro de 1977!) por parte da ONU. A 13 de Março publicámos uma resenha história e uma relação cronológica sobre o longo e penoso processo de afirmação da mulher em Portugal, desde a Pré-História até à abundante obra legislativa e outras iniciativas que marcaram o ano de 1997 com vista a assegurar a garantia plena da igualdade entre os cidadãos de ambos os sexos nas diferentes áreas da vida portuguesa.

Para rever cada uma destas publicações, clique sobre os respectivos ícones.

                                 
       Dia Internacional da Mulher                            Afirmação da Mulher em Portugal

Fonte da imagem do cabeçalho: http://buritydigital.blogspot.com

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mais uma raridade do Património Arquitectónico do concelho de Valpaços

Por Leonel Salvado
Actualizado em 13-02-2012
Capela de N.ª Sr.ª da Conceição ou da Fonte, Friões, Valpaços
| Fonte: Wikipédia | Autor: Manuel Barreira (13-08-2007) | Permissão: Wikimédia Commons
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Trata-se de mais um belo exemplar da arquitectura religiosa do concelho de Valpaços situada na freguesia de Friões a que talvez ainda não se tenha dado a importância devida. É uma bela capela, atribuída ao estilo barroco, da invocação de Nossa Senhora da Conceição circundada por um adro rectangular em cujo limite frontal existe uma fonte de mergulho também de grande interesse arquitectónico, ladeada por dois nichos, sendo por essa razão que a o templo é também conhecida por capela de N.ª Sr.ª da Fonte. Na opinião do D. Adérito Freitas (“Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…”, Vol I, p. 222-223), o muro do adro deve ser de construção posterior à fonte, sendo que esta poderá ter sido construída em 1829, com base numa gravação com esta data que é visível no lado esquerdo do nicho da direita e à direita da padieira da porta. A fonte encontra-se actualmente um pouco descaracterizada, mas segundo o mesmo investigador, devia ter sido outrora, do ponto de vista arquitectónico uma fonte monumental, independente do resto da estrutura que lhe foi adoçada e com elementos estruturais que sugerem a sua “santificação”. Porém, sem prejuízo do julgamento de Adérito Medeiros Freitas de que a  actual estrutura da fonte haja sido efectivamente construída na data indicada e que o adro possa ter sido remodelado posteriormente, tanto a capela como o adro e a própria fonte já aparecem mencionadas num manuscrito das Memórias Paroquiais de 1758 assinada pelo pároco (reitor) de Friões nos seguintes termos:

«Neste lugar de Friões se acha uma capela da Senhora da Conceição, a qual dista poucos passos fora do lugar, outros reclamam a Senhora da Fonte por ter aí uma dentro da capela, em forma de poço [...] e outra fora do adro.»

Mais refere, no mesmo documento, o pároco-memorialista de Friões que esta era a única das várias capelas da freguesia a que acorria alguma gente em romaria nos meses de Junho, Julho e Agosto.
No interior do recinto que cerca esta capela existe um jardim denominado pelos paroquianos “Jardim da Imaculada”. Apesar da grande estima que esta raridade arquitectónica parece merecer da parte dos habitantes de Friões – o que se depreende da sua extraordinária preservação – estamos, infelizmente, perante mais um belo monumento não classificado do concelho de Valpaços.
O nosso contributo em homenagem a este curioso monumento é um ensaio idealizado da sua representação com base na foto de Manuel Barreira, sob a forma de painel de pseudo-azulejos que se segue, com os votos de que um dia alguém se atreva a representá-lo assim, na realidade, de modo a perpetuar este e outros exemplares do nosso património histórico arquitectónico.

A mesma capela de N.ª Sr.ª da Fonte | adaptação de Leonel Salvado
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domingo, 6 de março de 2011

536.º Aniversário do nascimento de Miguel Ângelo

Auto-Retrato de Miguel Ângelo, 1506, óleo sobre painel, Galeria Uffizi, Florença 
 http://valiteratura.blogspot.com

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nascido em Caprese, a 6 de Março de 1475 e falecido em Roma a 18 de Fevereiro de 1564, tratado pelos portugueses por Miguel Ângelo e pelos brasileiros por Michelangelo, é considerado um dos maiores criadores da História da Arte do Ocidente. Além de pintor e escultor de renome, foi também um admirável arquitecto e poeta. Um dos mais completos trabalhos sobre a sua vida e a sua obra jamais realizados em formato digital é, em nossa opinião, o que se encontra publicado na Wikipédia, enciclopédia livre universal, para o qual remetemos os nossos leitores.

Para conhecer esta notável figura da arte e cultura renascentistas clique sobre o ícone que se segue:

Assinatura de Miguel Ângelo 

Imaginário histórico ilustrado do concelho de Valpaços II – Os Suevos

Ilustração e montagem de Leonel Salvado | fotos escolhidas de Jorge Fernandes e João Azevedo

Não se trata desta vez de um imaginário histórico foto-ilustrado limitado ao concelho de Valpaços, mas alargado a toda a região de Trás-os-Montes e à antiga Galécia romana. O século V foi uma época obscura em que o colapso do Império Romano do Ocidente permitiu a entrada dos povos bárbaros, como os Suevos, e que assolaram estas regiões pela guerra, o saque e as pilhagens, perante o desespero dos povos já atormentados pela fome e pelas epidemias, como nos relata o cronista Idácio que foi bispo de Chaves entre os anos de 427 e 460. Nesta edição, uma só ilustração temática enquadrada em duas fotos, escolhidas com base nos mesmos critérios do “Imaginário I” publicado a 27 de Fevereiro último.

clique sobre as imagens para as aumentar
A chegada dos Suevos 
Foto escolhida: Jorge Fernandes, in http://saocousasdavida.blogspot.com

As depredações dos Suevos nos povoados rurais
Foto escolhida: João Azevedo, in http://www.pbase.com

sábado, 5 de março de 2011

Idácio, bispo de Chaves, e os Suevos


A invasão de Chaves pelos Suevos, 26 de Julho de 460
Ilustração e montagem de Leonel Salvado | foto de base http://rosinhamia.blogspot.com

Idácio foi bispo de Aquae Flaviae (Chaves) entre 427 e cerca de 460, sendo o único bispo que se conhece da diocese atribuída a esta cidade, o que permite supor que a diocese flaviense não lhe terá sobrevivido, já que após este prelado não se encontram mais referências ao bispado flaviense, na área correspondente grosso modo à actual diocese de Vila Real, falando-se contudo num bispado posterior, o de Bética (Boticas?).
Idácio nasceu ao redor do ano de 395 em Xinzo de Límia uma povoação da moderna província de Ourense situada junto do rio Lima, cujo nome se pronuncia agora em castelhano Ginço de Limia . Xinzo de Límia era a civitas romana de Forum Limicorum sendo essa a razão por que também é conhecido por Idácio de Límica. Nasceu numa família culta e romanizada e viveu, portanto, numa época, como se sabe, bastante conturbada pela instabilidade do império romano, pela fome, pelas epidemias e pelo temor inspirado pelas sucessivas hordas de povos bárbaros, como os Suevos, um povo de origem germânica aparentado aos anglos e saxões que desde o século II vinham rondando as fronteiras império decadente e no início do século V irromperam por todo o nordeste peninsular, espalhando a morte e a destruição entre populações hispano-romanas até se estabelecerem na província da Galécia e fundarem aqui um reino com a capital em Bracara Augusta (Braga). Desde então a expansão do reino suevo foi entendido como uma urgente necessidade e levada a cabo através de incursões de destruição, pilhagens e morticínio.
A Crónica de Idácio (também conhecido por Cronicão) é a mais importante fonte historiográfica para se conhecer este período obscuro da história do Ocidente peninsular no século V (entre 369 e 469) e é através dela que conhecemos a acção dos suevos e, em parte também dos visigodos, neste território. É uma obra em que o autor adquire uma aceitável credibilidade por ter aproveitado fontes escritas, testemunhas idóneas, e sobretudo os seus próprios conhecimentos. Outra particularidade curiosa de Idácio é que foi o primeiro cronista a indicar os dias da semana pela nomenclatura cristã. Nos seus escritos Idácio mostra-se um católico atormentado por uma visão apocalíptica que o colapso do império e o terror dos bárbaros confirmavam as respectivas profecias. Assumiu assim a função de descrever o “fim dos tempos”, mas sem deixar de procurar a paz e combater as heresias ariana e prisciliana.

Em 410, o bispo Idácio descrevia assim, na crónica, a sua visão apocalíptica dos tempos dos primeiros suevos que entram na Hispânia:

“Os Bárbaros, que penetraram nas Espanhas, pilham e massacram sem piedade. Por sua vez, a peste não causa menos devastações. Enquanto as Espanhas estão entregues aos excessos dos Bárbaros, e o mal da peste não faz menos estragos, as riquezas e os víveres armazenados nas cidades são extorquidos pelo despótico colector de impostos e exauridos pelos soldados. E eis que a temível fome ataca: os humanos devoram a carne humana, sob a pressão da fome, e as próprias mães se alimentam do corpo dos filhos, por elas mortos e cozinhados. Os animais ferozes, habituados aos cadáveres das vítimas da espada, da fome ou da peste, matam também os homens mais fortes e, cheios dessa carne, desencadeiam por todo o lado o aniquilamento do género humano.”
As primeiras fricções entre os suevos pagãos e as comunidades hispano-romanas autóctones não diminuíram, o que levou o Idácio, em 431, a deslocar-se à Gália, à frente de uma embaixada hispano-romana para requerer do vencedor dos Hunos, o General Flávio Aécio, o mais poderoso chefe militar do já moribundo Império Romano do Ocidente, uma intervenção militar contra a Galécia sueva. Não obstante ter regressado à Galécia no ano seguinte na companhia do conde Censório com instruções para que este negociasse a paz, o atrevimento do prelado originou a pronta retaliação dos suevos e o recrudescimento das suas acostumadas investidas sobre as indefesas populações hispano-romanas por toda a parte da Galécia, incluindo as desta região transmontana.

Não obstante ainda o rei suevo Requiário ter adoptado em 449 o catolicismo, a crueldade deste povo bárbaro não diminuiu. A propósito das depredações de Requiário para além dos limites da Galécia, conta Idácio:

Mas depois da sua vinda o rei dos suevos, Rechiário com numerosa tropa dos seus invade as regiões da província Tarraconense, fazendo ali grande motim e levando-se abundantes cativos a Galaecia.”

É ainda pelo bispo de Chaves, que sabemos que a sua cidade, Aquae Flaviael foi invadida em 26 de Julho de 460 pelos suevos de Frumário, depois de assolarem toda a região, sendo ele próprio aprisionado na respectiva catedral, afastado da cidade e restituído à liberdade em Novembro seguinte para regressar a Chaves onde viveu até ao fim dos seus dias. Por essa altura travava-se no reino suevo uma acesa disputa pelo trono entre aquele Frumário (459 - 463) e Remismundo (459 – 469) e é de crer, tendo em conta a prisão de Idácio, que o prelado flaviense desempenhou um papel importante nessa disputa, a qual, afinal, terminou com a vitória de Remismundo e com a reunificação do Reino, em 463. Mas com a agravante de a Galécia sueva ter voltado ao Arianismo por influência dos aliados visigodos de Remismundo, mantendo-se por várias décadas o habitual clima de tensão e desespero vividos pela população rural. Só no ano de 550, no reinado de Carriarico (550 – 559), os suevos se reconverteriam ao catolicismo.
Desconhece-se a data exacta da morte de Idácio, mas sabe-se que ela terá ocorrido depois de 468, havendo quem indique a data de 470. Apesar da sua interpretação apocalíptica dos factos que narrou na crónica, ironicamente, Idácio dedicou a sua vida à pacificação da Galécia sueva e ao combate às heresias, tanto na sua diocese como em todo o território peninsular, sobretudo os priscilianistas, a quem ele designava de maniqueus, não se escusando de encetar contactos com outros importantes bispos da Hispânia, tais como Toríbio de Astorga e Antonino de Mérida e a solicitar ao papa São Leão Magno - Leão I (440 – 461) toda a ajuda e conselho possíveis para lidar com as heresias que se alastravam por toda a Península, no que foi atendido: O Pontífice logo encarregou o bispo de Astorga a promover um concílio nacional na Península Ibérica contra o priscilianismo ou, se tal não se afigurasse possível, uma reunião dos prelados da Província da Galécia com a cooperação do bispo Idácio.

sexta-feira, 4 de março de 2011

617.º Aniversário do nascimento do infante D. Henrique

Por Leonel Salvado
Possível retrato do Infante D. Henrique, pormenor do políptico de S. Vicente, séc. XV, Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa | http://pt.wikipedia.org

Nascido na cidade do Porto a 4 de Março de 1394 e falecido na vila de Sagres a 13 de Novembro de 1460, o infante D. Henrique foi o 5.º dos 9 filhos legítimos (o 4.º varão) havidos de D. João I, fundador da dinastia de Avis, e D.ª Filipa de Lencastre, um dos seis que chegaram à vida adulta e foram eternizados com o sublimado epíteto colectivo de a “ínclita geração”. Uma nota curiosa acerca do seu nascimento é que sucedeu numa Quarta-Feira de Cinzas, dia pouco apropriado ao nascimento de uma criança, sendo baptizado alguns dias como nome de Henrique, diz-se que em honra ao seu tio-avô Henrique de Lencastre (futuro Henrique IV de Inglaterra) e recebendo por padrinho o bispo de Viseu, João Gomes de Abreu. Apesar de certamente ter sido na infância uma figura relativamente apagada, já que pouco se sabe da sua vida até aos catorze anos de idade, viria a afirmar-se como a mais importante figura do início da era dos Descobrimentos o que lhe valeu ter sido cognominado por “o Navegador” e “O Infante de Sagres”.
Parece ter sido ele quem em 1414 convenceu o pai a organizar uma armada com vista à bem sucedida conquista de Ceuta, em Agosto do ano seguinte, quando esta praça marroquina se afigurava de primordial importância estratégica para assegurar aos portugueses o controlo do comércio entre o Atlântico e o Levante. Saía assim do anonimato este jovem infante da ínclita geração que, em 1415, aos 21 anos de idade foi armado cavaleiro e recebeu os títulos de “duque de Viseu” e “senhor da Covilhã” e a 18 de Fevereiro do ano seguinte lhe foi confiada a responsabilidade de organizar no reino a manutenção da recém-conquistada Praça norte-africana. Depois de uma série de esforços, nem sempre bem sucedidos, para garantir a defesa de Ceuta face aos assédios de vinha sendo alvo da parte dos reis mouros de Fez e de Granada, começaram a vincar-se os principais traços da sua futura personalidade, caracterizadas pela temeridade e fervor anti-muçulmano e por uma desmesurada paixão pela exploração do Oceano Atlântico a que se dedicou até ao fim da sua vida. Nomeado a 25 de Maio de 1420 Grão-Mestre da Ordem de Cristo pôde, enfim transformar essa paixão em Cruzada, resultado dessa combinação a semente da epopeia dos Descobrimentos.
Recordemos mais algumas referências da grandeza desta fascinante figura da História de Portugal no retrato que dele se fez no programa promovido pela RTP, “Os Grandes Portugueses”, onde obteve o 7.º lugar.

Este homem desvendou os mistérios do oceano. Com extraordinária obstinação, o Infante D. Henrique foi o mentor da expansão ultramarina que, mais tarde, desencadeou os descobrimentos. Revelou-se muito hábil a farejar boas oportunidades de investida. Culto, empreendedor, prospectivo, o Infante D. Henrique preparou Portugal para aquela que foi a grande gesta nacional. Deu, na expressão de Camões, “novos mundos ao mundo”. “É o verdadeiro iniciador da expansão universal de Portugal e da Europa”, afirma Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas.
É um dos vultos mais brilhantes da Idade Média. É o homem que simboliza a glória dos descobrimentos. O Infante D. Henrique é um príncipe medieval obcecado pela ideia de cruzada que arrasta a Europa e o mundo para a modernidade da comunicação entre os povos. Foi um excêntrico para a sua época. “Tinha uma visão e conseguiu concretizá-la, à custa de muito esforço e trabalho. É esse o mérito de D. Henrique”, aponta Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas e seu profundo admirador. “Um visionário”, acrescenta o empresário Filipe de Botton, outro dos seus admiradores.
Nascido no Porto em 3 de Março [?] de 1394, o Infante foi o quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Em 1414 convenceu o pai a organizar a expedição a Ceuta, que foi conquistada em 1415, marcando o início da expansão portuguesa. Se não existisse “um Infante D. Henrique, planeador, estratega, com a noção do que pretendia e a insistir sistematicamente, esta expansão teria ficado a meio, como ficou noutros países”, assegura Ferreira do Amaral.
O sucesso deste feito valeu ao Infante, nesse ano, os títulos de duque de Viseu, desconhecido então em Portugal, e de senhor da Covilhã, o que aumentou largamente o seu património. Aos rendimentos da sua casa senhorial juntou os da Ordem de Cristo, da qual foi nomeado regedor em 1420. Foi este desafogo económico que o levou a organizar, primeiro, uma armada de corso e, mais tarde, a exploração do Atlântico. “É o único português que figura em todas as histórias da Europa”, afiança o jornalista Carlos Magno. O Infante D. Henrique queria enriquecer mas, acima de tudo, conhecer novos mundos. Tinha aquela lucidez forte e taxativa dos visionários com um objectivo traçado. “Era muito pragmático. Procurou sempre engrandecer a sua casa, ao mesmo tempo que perseguia um sonho: o da cruzada”, concretiza João Oliveira e Costa, director do Centro de História de Além-Mar, da Universidade Nova de Lisboa. “Os descobrimentos nasceram dessa combinação.”
De facto, navios ao seu serviço chegaram pela primeira vez à Madeira em 1419 e aos Açores em 1427, ilhas que foram povoadas por ordem do Infante. Mas este homem de espírito voluntarioso e extraordinária obstinação queria ir mais além. O reconhecimento da costa ocidental africana era um dos seus objectivos. A passagem do cabo Bojador por Gil Eanes em 1434 foi um grande êxito e terminou com os medos ancestrais relacionados com aquelas paragens longínquas. Já tinham sido feitas diversas tentativas para dobrar o cabo, mas os navegantes acabavam sempre por recuar. “Se a sociedade global em que vivemos tem uma origem remota e indiscutível, é a passagem do cabo Bojador por Gil Eanes”, garante João Oliveira e Costa. O Infante D. Henrique “é o primeiro marco da globalização”, confirma Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra.
O Infante não se dedicou à navegação por simples aventura, “dedicou-se de forma científica, mas também religiosa, porque queria propagar a fé cristã e combater o islamismo”, diz o cantor João Braga. “Discutiu-se muito sobre o seu objectivo, mas acho que, na verdade, o objectivo final era fazer um ‘bypass’ ao cordão islâmico do Norte de África”, clarifica Ferreira do Amaral.
A sua biografia não é feita só de êxitos. De facto, foi um dos principais proponentes da conquista de Tânger, que se tentou em 1437 e que terminou de forma trágica devido à prisão e posterior morte no cativeiro do seu irmão, o infante D. Fernando. As viagens de exploração foram retomadas em 1441, com Dinis Dias a chegar ao rio Senegal e a dobrar o cabo Verde três anos depois. A Guiné é ainda visitada no seu tempo. Até ao ano da morte do Infante D. Henrique, em 1460, a costa africana foi reconhecida até à Serra Leoa. “Um homem inteligente e com coragem”, diz o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio. O avanço nas explorações foi acompanhado pela criação de feitorias, através das quais se trocavam produtos europeus por ouro, escravos, malagueta, algodão e marfim.
Apesar de só ter sulcado as ondas do oceano para as suas expedições de conquista em Marrocos, ficou conhecido como “o Navegador”. Um cognome bastante merecido, pois é a ele que se deve o primeiro impulso e grande incitamento das navegações posteriores.
Segundo a lenda, o Infante D. Henrique fundou, como governador do Algarve, a mítica “Escola de Sagres”, com relevante importância, mas que nunca existiu no sentido físico, como explica João Oliveira e Costa: “É no Sudoeste algarvio que nasce a caravela dos descobrimentos e alguns dos instrumentos de orientação em alto-mar, que depois foram usados com sucesso. Nessa perspectiva, podemos dizer que houve uma ‘Escola de Sagres’. Não no sentido de um edifício.”
Apaixonado pelas ciências cosmográficas, o Infante foi o maior matemático do seu tempo, aplicou o astrolábio à navegação e inventou as cartas planas. Reuniu à sua volta os melhores cérebros internacionais no campo da ciência. “Trouxe o que de melhor havia na Europa em termos de navegadores, astrónomos, gente que conhecia o mar”, refere Filipe de Botton. “Foi buscá-los e deu-lhes todas as facilidades para poderem trabalhar”, explicita Teresa Lago, professora catedrática de Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Até 1400 o Atlântico era um oceano virgem de navegação. Um deserto de água e a barreira que faltava ultrapassar. Foi o Infante D. Henrique quem incentivou a façanha. Ajudou a construir o que hoje está no código genético de Portugal e da Europa. “É uma das grandes figuras da história da Humanidade”, remata Ferreira do Amaral.

In http://www.rtp.pt/gdesport/?article=90&visual=3&topic=1


A controvérsia sobre imagem do infante

quarta-feira, 2 de março de 2011

Efemérides - Manuel dos Reis Buiça

Foi no dia 01 de Fevereiro de 1908 que foi morto pela Guarda Real, em Lisboa, Manuel dos Reis Buiça. Tinha nascido em Bouçoães, Valpaços, no dia 30 de Dezembro de 1876. Foi segundo-sargento de cavalaria, destacando-se como bom atirador. Demitido do Exército, veio para Lisboa, onde se dedicou ao magistério no ensino secundário com assinalável êxito.
Era viúvo, cultivando poucas relações fora dos seus afazeres  profissionais. Militante de uma sociedade secreta anarquista ligada aos republicanos, nunca se soube quem planeou e contribuiu para o atentado no Terreiro do Paço, em Lisboa, que vitimou D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, e consumado por Manuel Buiça (que matou o príncipe) e Alfredo Costa, que de imediato foram abatidos.

Américo Brito
http://www.semanariotransmontano.com

Para informações mais detalhadas sobre Manuel Buíça e o Regicídio em postagens anteriores neste blogue clique nos ícones:

                  
O regicídio                         O regicida                          O mistério



terça-feira, 1 de março de 2011

364.º Aniversário do nascimento de S. João de Brito

São João de Brito | ordemfranciscanasecularcabofrio.blogspot.com

A vida de e a morte São João de Brito, segundo “Os Grande Portugueses”

Portugal vivia a Guerra da Restauração quando João de Brito nasceu em Lisboa em Março de 1647, perto da costa do Castelo. Filho do trincheiro-mor de D. João IV, já tinha entrado na adolescência quando foi vítima de uma grave doença. A cura marcou uma viragem na sua vida. Para dar cumprimento à promessa da mãe, vestiu o hábito de S. Francisco Xavier. Neste aspecto, João de Brito parece que tinha o destino traçado num caderno.
Entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em Lisboa, e fez estudos em Évora e Coimbra. Foi professor no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, mas o seu trânsito e influência no meio religioso não se resumiram ao território nacional. O seu sonho era a Índia. Passados alguns anos, e consolidada a vocação, foi ordenado padre e recebeu com alegria o mandato de partir em missão para a Índia. Partiu em 25 de Março de 1673, numa expedição em que seguiram 27 jesuítas, enviados para a Índia e a China.
“Ninguém conseguiu retê-lo. João de Brito foi efectivamente para a Índia, onde levou a sua preocupação evangélica em estado puro. Saiu dos territórios onde os portugueses já estavam para se aventurar em territórios onde nunca tinham estado”, explica D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa. São João de Brito parece que nasceu fadado para cumprir a missão de ser a principal pedra no sapato das atitudes derrotistas, do laxismo, da prepotência e da desesperança. A sua vida mostra um percurso feito de inspiração e competência.
Desembarcou em Goa, a grande capital do Oriente e, de imediato, foi visitar o túmulo de S. Francisco Xavier. Em Abril de 1674 entrou na missão do Maduré, na qual abraçou a vida austera e penitente dos pandarás-suamis, com o objectivo de evitar a repugnância dos indianos cultos pelos missionários, então associados à conversão dos párias, a casta mais desprezada da Índia. A sua figura foi emblemática do novo método de evangelização seguido na Índia pelos missionários. Em 12 anos de apostolado, atravessou os reinos de Ginja e de Travancor, cruzou a pé, muitas vezes descalço, o continente índico e percorreu a costa da Pescaria e de Travancor. Esteve prestes a perder a vida, em muitas situações.
Em 1685 foi nomeado superior da Missão de Maduré. Esperavam-no atribulações e sacrifícios. No território de Murava foi sujeito ao suplício da água e açoites. As autoridades interditaram-no de pregar por aquelas bandas. Em 1686 desencadeou-se uma violenta perseguição no Maravá. São João de Brito apressou-se a apoiar os cristãos e foi preso pelo chefe das milícias daquele reino, que o sujeitou a enormes torturas e condenou-o a ser empalado. Mas a sentença precisava de confirmação do rei. Depois de sujeitá-lo a interrogatório sobre a doutrina que pregava, o monarca restituiu-o à liberdade, impondo-lhe que não voltasse a entrar no Maravá. João de Brito partiu para o Malabar. O provincial mandou-o, então, como procurador à Europa, a fim de, em Lisboa e em Roma, informar o que se passava nas missões. Chegou a Lisboa em Setembro de 1687, mas por motivos políticos o novo soberano, D. Pedro II, não autorizou a viagem a Roma. João de Brito percorreu, então, as principais casas dos jesuítas em Portugal, procurando apoios para a missão no Oriente.
Voltou a partir para a Índia em 1690 com 25 novos missionários, dos quais 14 eram portugueses. Os convertidos ao catolicismo atingiam os 8000. Entre eles contava-se um príncipe da casa real, baptizado em 6 de Janeiro de 1693. Corria célere a fama do apóstolo do Malabar e os poderosos locais olhavam-no com desconfiança. A condenação não tardou. Bastou que João de Brito tivesse ido outra vez à terra de Maravá para que o governador o acusasse de desobediência e o condenasse à morte. O martírio fez-se no alto de um monte, à vista de Urgur. Decapitado, o cadáver foi amputado de pés e mãos, e os despojos dados às feras e aos abutres. Os cristãos puderam ainda recolher o crânio e alguns ossos. Conseguiram obter o cutelo da execução, mediante elevada soma de dinheiro. Foi trazido para Lisboa e oferecido a D. Pedro II, que o confiou à guarda da Companhia de Jesus.
O local do martírio começou de imediato a ser venerado pelos cristãos. Séculos mais tarde o Papa Pio XII canonizou o santo missionário português. “São João de Brito teve a capacidade de ir até ao fim levado por um sonho”, afirma D. Manuel Clemente. “Foi capaz de se adaptar, cultivar os hábitos locais sem perder os valores que também transportava. Isto faz dele uma figura de primeiro plano. De Portugal no seu melhor.”

In RTP, Os Grandes Portugueses | http://www.rtp.pt
Para conhecer outros pormenores sobre a vida de S. João de Brito, clique AQUI.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

1.º Aniversário do Clube de História de Valpaços

Celebramos hoje o primeiro aniversário do Clube de História de Valpaços. Pensamos ter vindo a cumprir com os objectivo a que nos propusémos que foram, e continuarão a ser os de contribuirmos para a divulgação do património histórico e cultural do concelho de Valpaços e fazer alguma luz sobre outros assuntos de relevância nacional e Universal nas várias categorias temáticas que criámos. Nesta data especial para o blogue, deixamos uma nota de agradecimento e homenagem a todos os que nele têm directa e indirectamente participado, desde os elementos da equipa, identificados no perfil, aos seguidores que diligentemente partilharam as suas publicações e participaram com os seus comentários de forma construtiva e total abnegação. Apraz-nos informar que nunca nos foi dirigido qualquer comentário depreciativo e com objectivos maliciosos ou suspeitos - todos os que aqui nos chegaram, incluindo os anónimos, foram tecidos com o claro objectivo de melhorar a qualidade das publicações a que se reportavam. Um agradecimento especial ao Sérgio Morais, que foi o mais assíduo e diligente colaborador, ao Sr. Manuel Medeiros, ao Sr. Carlos Terra, ao Reverendo Padre Jorge Fernandes, à Graça Gomes e a muitos outros "não valpacenses", seguidores deste blogue, nomedamente o Jorge Miguel e o incansável Micael Sousa que tem partilhado conosco algumas das suas interessantes publicações. Obrigado ainda aos responsáveis pelos vários blogues com os quais temos estado em contacto.

Leonel Salvado

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Imaginário histórico ilustrado do concelho de Valpaços I - célticos e romanos

A ocupação céltica, séc. III – II a. C. | Foto: Eugénio Borges, in http://retratosdevalpacos.blogspot.com | ilustração de Leonel Salvado
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A ocupação romana, séc. I a. C. | Foto: Ícones de Portugal - http://mjfs.wordpress.com | ilustração de Leonel Salvado
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Esta apresentação não obedeceu a qualquer fundamento histórico que justificasse a relação geográfica entre as ilustrações e as fotos a que se encontram ligadas. Trata-se de alegorias sobre dois dos povos que ao longo da História ocuparam o território peninsular e, especificamente, o território do concelho de Valpaços, neste caso com toda a verosimilhança. O nosso objectivo, com esta criação iconográfica é mesmo apenas o de proporcionar aos valpacenses uma forma menos maçadora e enfadonha a livre interpretação de realidade que está subjacente às imagens, sugerindo qual terá sido o aspecto e o papel desses povos na evolução histórica nacional e regional. Neste caso, os povos dos castros, os mesmos que eram tradicionalmente considerados rudes e primitivos mas que foram, afinal, exímios metalurgistas, capazes de fabricar utensílios de trabalho e instrumentos militares sólidos e eficazes, bem como refinadas obras de ourivesaria – veja-se o célebre “tesouro de Lebução”, por exemplo! E outros que se lhes seguiram, como os romanos, apostados na difícil tarefa de pacificar as belicosas comunidades castrejas do Norte de Portugal, acabando  por trazer a paz e a prosperidade a esta região, até à chegada dos suevos e visigodos. A escolha das fotos foi aleatória e para essa escolha só tivemos em conta a sua excelente qualidade e as características mais adequadas para obtermos melhor enquadramento das ilustrações alegóricas.


Fóssil de uma tartaruga de Torres Vedras com 145 milhões de anos surpreende cientistas

Escudo ventral do fóssil de tartaruga com 145 milhões de anos (DR)


Embora este achado, junto ao rio Acabrichel em Torres Vedras, de mais um fóssil de tartaruga com centena e meia de milhões de anos possa parecer insignificante, ele pode ajudar, segundo alguns paleontólogos espanhóis, a completar o puzzle geográfico dos continentes no Jurássico Superior, altura em que a Europa e a América do Norte começavam a afastar-se uma da outra. Vale a pena ler, na totalidade, mais esta “notícia com História”.

É a tartaruga de água doce mais antiga da Europa. E é de Torres Vedras
Por Teresa Firmino 23.02.2011
Vivia numa zona de pântanos e linhas de água sinuosas. O seu fóssil pertence a um género e a uma espécie novos para a ciência. Não muito longe do local onde nadava, o Atlântico Norte começava a formar-se e a separar a Europa da América do Norte.
Estavam a escavar os ossos de um dinossauro num morro junto à foz do rio Alcabrichel, perto de Torres Vedras, quando um deles, Bruno Teodoso, literalmente tropeçou numa tartaruga jurássica. Escorregou e, ao roçar com um braço por cima dos sedimentos, destapou acidentalmente o fóssil de uma tartaruga com 145 milhões de anos.
Nessa altura, em 2003, a Associação Leonel Trindade (ALT) - Sociedade de História Natural, de Torres Vedras, continuou por mais três anos a escavação do dinossauro que ficou encravado durante 145 milhões de anos na colina que agora dá para a praia de Santa Rita e para um Atlântico a perder de vista.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

142.º Aniversário da abolição da escravatura em todo o território português

A abolição da escravatura | http://gruponovosamigos.blogspot.com

Ainda que persistam outras formas de escravidão no mundo contemporâneo, foi pela Lei de 25 de Fevereiro de 1869 que se aboliu a escravatura em todo o Império Português. Porém, o seu termo definitivo só se verificaria 9 anos depois. Não podemos esquecer que foi no século XVIII que se atingiu o auge do comércio de escravos para o Brasil. No entanto, dentre os países que mais proveito tiravam dessa empresa, foi alegadamente Portugal, no reinado de D. José I e por iniciativa do Marquês de Pombal, a tomar a dianteira na abolição da escravatura decretando-se, a 12 de Fevereiro de 1761 a proibição desta prática na Metrópole e na Índia. Há quem recue mais no tempo em busca dos mais precoces exemplos manifestados pelos monarcas portugueses na repressão da escravatura, retirando as desejadas provas do manancial legislativo registado nas chancelarias régias. Assim se descobriram as provisões de 5 de Abril e 11 de Junho de 1492 e os alvarás de 18 de Julho e 10 de Dezembro de 1493, emanados no reinado de D. João II, e a provisão de 1570 ordenada pelo rei D. Sebastião, pela qual "Portugues algum nam possa resgatar nem catiuar Iapão; e sendo caso, que resgatem, ou catiuem alguns dos ditos Iapões, os que assim forem resgatados, ou catiuos, ficaram livres…". Outros exemplos são invocados, no mesmo sentido, tais como os alvarás de 5 de Junho de 1605 e de 3 de Julho de 1609, sob o domínio filipino em Portugal, bem como o alvará com força de lei de 8 de Maio de 1758, dois anos antes da data comemorativa em epígrafe. Uma nota curiosa: No primeiro aniversário desta data comemorativa para os portugueses, nos Estados Unidos da América, Hiram R. Revels, membro do Partido Republicano que representava o Estado de Mississipi era o primeiro negro a ser eleito para o Senado.

Sem prejuízo da propalada dianteira de Portugal no processo abolicionista, haja em vista o seguinte “ranking” representativo da consumação definitiva formal (legal) desse processo.

1º Chile – 1823
2.º Reino Unido – 1834
3.º França – 1848
4.º EUA – 1865
5.º Portugal  (1869)1878
6.º Espanha/Cuba/Porto Rico - 1886
7.º Brasil (Lei Áurea) - 1888

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Adeus, Napoleão!

A defesa mais eficaz da história é portuguesa

À força de braços, a população construiu 152 fortificações ao longo de uma centena de quilómetros. Tudo no mais absoluto sigilo e em tempo record. Objectivo cumprido: os franceses foram expulsos de vez.

Montes de terra, pedra, argamassa e alguma madeira. Aquele que é considerado o sistema de fortificações de campanha mais eficiente da história militar não impressiona à primeira vista. Não tem o ar imponente de São Julião da Barra, em Oeiras, ou de São João da Foz do Douro, no Porto. Na verdade, está mais perto do poeirento Forte Sedgwick, onde Kevin Costner assume o papel de capitão Dunbar, no filme Danças Com Lobos. As aparências iludem e as Linhas de Torres Vedras são um bom exemplo do dito popular. No Outono de 1809, perante a ameaça de uma nova invasão francesa, o general inglês Arthur Wellesley ordena o reconhecimento dos terrenos a Norte de Lisboa. A sua intenção é estabelecer um sistema defensivo para proteger a capital porque “é-lhe difícil prever por onde Napoleão irá invadir Portugal”, explica o historiador Carlos Guardado da Silva, director do Arquivo Municipal de Torres Vedras.
Wellesley decide cercar o Norte da cidade com três linhas, que reforçam os obstáculos naturais do terreno e permitem controlar os principais acessos. Os trabalhos de construção arrancam a 3 de Novembro de 1809 e, “num período inferior a um ano, constroem-se, no maior segredo, 126 obras, entre fortificações permanentes e outras de carácter temporário”, revela Ana Catarina Sousa, arqueóloga da Câmara Municipal de Mafra. Desde 2002 que a especialista se dedica ao estudo das Linhas de Torres Vedras e, por isso, sabe que o aperfeiçoamento do sistema continua até 1812, “pois esperam uma nova investida de Napoleão, o que não acontece”. No total, erguem 152 fortificações apetrechadas com 523 bocas de fogo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Monumentos que contam a História de Portugal

Este livro, editado pela Plátano Editora, onde o professor Carlos Rebelo conta a origem e a História de alguns dos mais emblemáticos monumentos portugueses e onde aparecem algumas ilustrações de Jorge Miguel, publicados no seu blogue Falta apagar o lápis já está à venda. Segundo este conceituado ilustrador, nosso conhecido no Clube de História de Valpaços, «alguns desses "Ex Libris" são bem conhecidos do "quidam" português, outros nem tanto
Vejamos, numa rápida espreitadela, uma dessas ilustrações, bem como algumas observações feitas pelo autor, numa fase ainda preparatória do livro, tal como foram publicadas no referido blogue


Uma ilustração alusiva ao Cromeleque de Almendres, inserido num livro que sairá nos próximos dias com textos de Carlos Rebelo e desenhos aqui do setubalense de serviço. O tema será a História de Portugal contada através dos seus monumentos. Alguns desses monumentos são bem conhecidos e outros nem tanto. Nas ilustrações tentei utilizar uma visão diferente do que se tem feito até agora. Um dos meus desenhos preferidos é o do "rinoceronte" da torre de Belém. Comecei por desenhá-lo tentando devolver a sua forma original mas acabei por deixá-lo como está, roído pelos rigores atmosféricos. Era como devolver o nariz à Esfinge egípcia. "Sacrilège, sacrebleu!"

Para informações comerciais sobre este livro consulte a Plátano Editora.

Professora da UTAD vai apresentar obra escrita há perto de 500 anos

Isilda Rodrigues, do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai apresentar, juntamente com o médico José Luís Dória, no dia 24 de Fevereiro, o livro “Centúrias de Curas Medicinais” da autoria de Amato Lusitano e escrito há perto de 500 anos.
A reedição da obra, assim como esta sessão de apresentação, que terá lugar pelas 18h30, na Sociedade de Geografia de Lisboa, são uma iniciativa da Ordem dos Médicos e inserem-se nas comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano, que se celebram em 2011.
Isilda Teixeira Rodrigues desenvolveu, no âmbito do seu doutoramento em História da Medicina, um estudo sobre a obra As Sete Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano, editadas em 1980, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Obra de grande impacto na sua época, foi traduzida em diversas línguas e inúmeras vezes reeditada. A sua presente reedição, pela Ordem dos Médicos, reveste-se de grande importância no panorama editorial português.

Fonte: http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=9988
Imagem: http://dererummundi.blogspot.com/2011/02/centurias-de-curas-medicinais-de-amato.htm

A propósito da palavra “testemunhar”

Numa separata da revista Super Interessante, na sua edição n.º 64, de Agosto de 2003, o Almanaque do Incrível (p. 18) pode ler-se:

À falta de Bíblia, os romanos juravam dizer a verdade apertando os testículos com a mão direita. É deste costume romano que provém a palavra testemunhar”.

Afinal, esta curiosa explicação do Almanaque do Incrível, suscita inúmeras objecções. Que o diga Micael Sousa, a quem se deve a pesquisa sobre "algumas visões etimológicas" relacionadas com esta questão, publicada no seu blogue, "A busca pela sabedoria", nas etiquetas Conceitos, História, Sexualidade e Sociedade e que entendemos partilhar aqui.

Os Testemunhos e os Testículos - algumas visões etimológicas
Por Micael Sousa

Hoje, pelo menos em Portugal, devido ao pretenso laicismo das nossas instituições públicas, para validar um “testemunho” não precisamos de jurar sobre ou por algo - um objecto por exemplo. No entanto, em alguns países ainda se jura, por exemplo, sobre um livro sagrado.

Composição nº61 - Alexander Rodchenko

Esquecendo para já este primeiro parágrafo, este texto pretende fazer uma pequena incursão sobre a etimologia dos termos relacionados com a acção de testemunhar. Existem várias teorias - um pouco para todos os gostos - sobre a origem desta acção. Helder Guégués (1) afirma que a palavra testemunha provém do latim, de "testis" que significa algo semelhante a teste, refere também, indo linguisticamente ainda mais ao passado, que este termo latino deriva por sua vez do termo Indo-europeu "tris", que se relaciona, por exemplo, com o "tree" do inglês actual, ou seja “árvore” - uma acepção com alguém de conduta sólida, com os "pés bem assentes na terra", imparcial e justo. Mas Helder Guégués vai ainda mais longe, afirma também que "testis" está na origem da palavra "testículo", e remete a origem do nome para o facto desse órgão atestar a masculinidade de um individuo - algo de extrema importância na antiguidade pelo facto das sociedades serem profundamente patriarcais.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

538.º Aniversário do nascimento de Copérnico

Copérnico conversa com Deus, de Jan Matejko, 1872 | http://ovelhaperdida.wordpress.com

Nicolau Copérnico ou, na sua língua materna, Nicolaj Kpernik, nasceu a 19 de Fevereiro de 1473 em Toruñ, cidade polaca situada junto do rio Vístula, na Pomerânia (aliás, na actual Pomerânia ocidental que faz parte do território polaco e confronta com a Pomerânia alemã ) foi destinado pela família para seguir a carreira eclesiástica, tendo tido a oportunidade de visitar os mais importantes centros de irradiação da cultura humanista e universidades do seu tempo, tais como Bolonha Pádua e Ferrara, onde estudou Direito, Medicina, Astronomia e Matemática, além do estudo do grego, língua que era então de grande importância para a leitura dos originais das grandes obras científicas da Antiguidade Clássica. Adquiriu uma sólida formação que o transformou num dos grandes precursores da revolução científica que o Renascimento representou.
A maior parte da sua vida foi passada em Frauemburgo, na Polónia, onde, desde 1501, assumiu as funções cónego, e a partir de 1512 se dedicou a observações astronómicas através de instrumentos criados por ele próprio.
O primeiro documento composto a partir das suas ideias e observações astronómicas foi um manuscrito na língua latina intitulado Nic. Copernici de Hypothesibus Motuum Coelestium a se Constitutis Commentariolus ("Pequenos Comentários de Nicolau Copérnico em Torno das Suas Hipóteses sobre os Movimentos Celestes") onde já apresentava a ideia do sistema heliocêntrico como uma possibilidade. Estas ideias foram percorrendo a Europa, chegando, em 1533, ao conhecimento do Papa Clemente VII que solicitou do cónego-astrónomo uma esposição sobre o assunto em Roma, o que não chegou a acontecer por entretanto Copérnico pretender aprofundar ainda mais as suas ideias de modo a refutar de forma superior o sistema geocêntrico de Ptolomeu. Tal só viria a suceder em 1543 quando o livro completo das ideias de Copérnico, levado a publicação três anos antes chegou, por fim, às suas mãos, já no leito de morte. Esse livro, intitulado De Revolutionibus (As Revoluções”), com um prefácio dedicado ao Papa III, seria depois adulterado por um pastor luterano que substituiu o prefácio original por um outro anónimo e modificou o seu título para De Revolutionibus Orbium Coelestium ("As Revoluções do Orbe Celeste"). Apesar disso, a obra revelou a teoria coperniciana que logo passou a ser reconhecida como uma das mais revolucionárias hipóteses científicas de sempre e depois de comprovada pelas observações de Galileu das fases de Venus e dos satélites de Jupiter foi ponto de partida da Astronomia Moderna. Além de astrónomo e matemático, este cónego da Igreja Católica foi ainda jurista e médico. Faleceu em Frauemburgo, a 24 de Maio de 1543.

Para uma biografia mais detalhada de Nicolau Copérnico, clique AQUI.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

142.º Aniversário do nascimento de Gago Coutinho

Gago Coutinhohttp://fernandomachado.blog.br
Carlos Viegas Gago Coutinho, oficial da Marinha portuguesa, foi um conceituado geógrafo, cartógrafo, historiador e navegador português, celebrizando-se acima de tudo nesta última área das suas actividades, por ter sido ele quem, juntamente com Sacadura Cabral, cometeu uma das mais arrojadas proezas da História da aeronáutica ao efectuar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, a 17 de Junho de 1922, o que o tornou num dos mais recordados pioneiros mundiais da aviação, não só em Portugal como também no Brasil onde em sua homenagem existem, pelo menos, cinco ruas, uma praça e uma avenida com o seu nome – um prémio devido sobretudo ao facto de aquela proeza ter sido efectuada no contexto das comemorações da independência desta Nação. A primeira travessia do Atlântico Sul foi recordada neste blogue por ocasião do seu 88.º Aniversário. Gago Coutinho nasceu em Lisboa a 17 de Fevereiro de 1869 no seio de uma família humilde, enveredando pela carreira militar, na Marinha, o que lhe proporcionou o apuramento e a confirmação de todas as suas potencialidades e vocação científica a partir do seu ingresso na Escola Naval e da conclusão do curso em 1888. Após uma intensa actividade como cartógrafo em Timor e em África, dedicou-se ao aperfeiçoamento de aparelhos de navegação aérea, já com a colaboração de Sacadura Cabral que conhecera neste continente numa das suas mais arriscadas expedições que se conta ter sido a travessia do mesmo (a pé!). Por todas estas acções, sobretudo pela travessia aérea do Atlântico Sul, foi Gago Coutinho promovido a contra-almirante e carregado de merecidas condecorações e distinções em Portugal e no Estrangeiro. Entretanto dedicou-se à História Náutica, produzindo importantes obras de carácter geográfico e histórico que ainda hoje são preciosas referências para um grande número de investigadores. Faleceu na mesma cidade de Lisboa, onde nascera a 18 de Fevereiro de 1959, a um dia do seu nonagésimo aniversário.

Para a consulta de mais datalhes biográficos de Gago Coutinho clique AQUI.
Para rever a nossa publicação sobre a Primeira travessia aérea do Atlântico Sul, clique AQUI.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

447.º Aniversário do nascimento de Galileu Galilei

 Retrato de Galileu Galilei pintado por Justus Sustermans em 1636. “National Maritime Museum”, Greenwich, Londres |http://www.nmm.ac.uk 
 
Galileu Galilei (em italiano: Galileo Galilei) (Pisa, 15 de fevereiro de 1564 — Florença, 8 de janeiro de 1642) foi um físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano que teve um papel preponderante na chamada revolução científica.
Galileu era o mais velho dos sete filhos do alaudista Vincenzo Galilei e de Giulia Ammannati. Viveu a maior parte de sua vida em Pisa e em Florença, na época integrantes do Grão-ducado da Toscana.
Galileu Galilei desenvolveu os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo. Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica newtoniana. Galileu melhorou significativamente o telescópio refrator e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno, as estrelas da Via Láctea. Estas descobertas contribuíram decisivamente na defesa do heliocentrismo. Contudo a principal contribuição de Galileu foi para o método científico, pois a ciência assentava numa metodologia aristotélica.
O físico desenvolveu ainda vários instrumentos como a balança hidrostática, um tipo de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, o termómetro de Galileu e o precursor do relógio de pêndulo. O método empírico, defendido por Galileu, constitui um corte com o método aristotélico mais abstrato utilizado nessa época, devido a este Galileu é considerado como o "pai da ciência moderna".

In http://pt.wikipedia.org

Para consultar o a biografia completa a partir da mesma, clique AQUI.

homens grandes: Martim Velho Barreto

Por Jorge Fernandes | 31 de Janeiro de 2011

Martim Velho Barreto

eis um nome praticamente desconhecido da totalidade dos habitantes do nosso concelho.
no entanto, o nome dum homem grande na história deste concelho de Valpaços; um nome que devia ficar escrito, gravado com letras de ouro.
Martim Velho Barreto, natural de Monção - como atesta a inscrição da lápide da sua sepultura na capela-mor da igreja de Santa Valha - foi, durante o século XVII pároco de Santa Valha, de Fornos do Pinhal e provavelmente da Bouça.
há vários documentos em que o seu nome figura:

estas duas pinturas encontram-se no arco cruzeiro da igreja de Fornos do Pinhal. pode ali ler-se que o arco e o tecto da capela-mor da igreja foram mandados fazer (à sua custa?) por Martim Velho Barreto, na era de 1682.

estoutras são imagens de Santa Valha. dois belos e preciosos documentos para a história desta freguesia e do concelho.

a primeira está incrustada no muro da residência paroquial (a que os nativos chamam significativamente Abadia), e, depois duma inscrição do Evangelho (em latim) e que se trata da recomendação de Jesus aos discípulos no decorrer da Última Ceia "tende sempre os pobres convosco!", afirma-se que foi o Padre Martim Velho Barreto que mandou construir aquela casa para pobres peregrinos em 1692.
a segunda é uma imagem da capela de S. Miguel, também chamada de S. Caetano, em que se diz que ela foi reedificada sendo Abade Martim Velho Barreto no ano de 1697.


já ouvi igualmente dizer que foi Martim Velho Barreto quem mandou construir a igreja da Bouça. por aqui se pode concluir e imaginar a grandeza deste homem e da sua obra (não apenas material, decerto) por estas terras.
a nossa homenagem, com o sentimento e a certeza de que há uma história por descobrir e escrever.
in http://saocousasdavida.blogspot.com

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

14 de Fevereiro: o Dia dos Namorados, de S. Valentim e de S. Cirilo e S. Metódio

Dia dos Namorados                S. Valentim                 S. Cirilo e S. Metódio    

A tradição pagã, favorecida durante quase 1500 anos pela tradição litúrgica, fez desta data de 14 de Fevereiro o Dia dos Namorados, associado à celebração de S. Valentim. Tal tradição radica na festa pagã da Lupercália realizada na Roma Antiga em Fevereiro durante cerca de 800 anos, e dedicada a Juno, a divindade romana pagã da fertilidade e do casamento. Essa festa consistia em fazer os rapazes tirar à sorte de uma caixa o nome da rapariga que iria a ser a sua companheira  nas festividades realizadas durante todo esse mês. Em 496 d. C., o Papa Gelásio I, empenhado em absorver para a tradição cristã essa prática muito concorrida do paganismo, instituiu o dia 14 do mesmo mês como da celebração de S. Valentim, um santo anunciado como tendo sido um dos primeiros bispos de Terni (actual província italiana da região da Úmbria), em cuja basílica se crê estarem depositadas as suas relíquias, e de que se diz ter sido decapitado a 14 de Fevereiro, por volta dos meados do século III, a mando do imperador Cláudio II. Com o tempo, foram-se criando, provavelmente em França ou na Inglaterra, algumas lendas a respeito de S. Valentim e da sua relação com a celebração da paixão amorosa, mas segundo as quais a identidade do Santo não é apresentada de forma clara.

Uma dessas lendas reza assim:
“O imperador proibiu os casamentos com o argumento de que os rapazes solteiros e sem laços familiares, eram melhores soldados. Valentim terá ignorado as ordens e continuado a fazer casamentos em segredo a jovens que o procuravam. Segundo a lenda, Valentim foi preso e executado no dia 14 de Fevereiro, por volta do ano 270 d.C.”
In http://www.scribd.com/doc/12606939/A-Historia-e-Lendas-de-S-Valentim

Uma outra lenda refere-se a S. Valentim como tendo sido um outro padre católico que teria sido assim tratado pelo mesmo imperador:
“[…] se recusou a converter à religião de Claudio II, e este mandou prendê-lo. Na prisão, Valentim apaixonou-se pela filha do carcereiro que o visitava regularmente, a quem terá deixado um bilhete assinando: «Do teu valentim» (em inglês, «from your Valentine»), antes da sua execução, também em meados do século III.”
In Id.

Uma terceira lenda parece conciliar as duas anteriores, explicando desta forma as razões do martírio do santo com o mesmo nome:
“[…] São Valentim, decapitado a 14 de Fevereiro por se ter recusado a renunciar ao Cristianismo e por, secretamente, ter celebrado o casamento entre uma jovem cristã e um pagão legionário, apesar da proibição de Cláudio II.”
In http://paroquiadecastelodoneiva.blogspot.com

Embora continue a ser celebrado em algumas paróquias, principalmente no Brasil, S. Valentim foi retirado do calendário litúrgico em 1969, por decisão do II Concílio do Vaticano, no âmbito da reforma então levada a cabo sobre as festas dos santos com origem em lendas que se afiguravam pouco credíveis. Convém salientar que, em contrapartida, a data de 14 de Fevereiro foi mantida para celebrar outros dois santos que são S. Cirilo e S. Metódio, tendo o primeiro falecido em Roma, também a 14 de Fevereiro, mas do ano de 869, após uma intensa e frutífera missão evangelizadora na Morávia (actual região oriental da República Checa), criando textos litúrgicos em língua eslava (conhecidos em sua memória como textos cirílicos). S. Metódio, seu irmão, feleceu a 6 de Abril de 885 na Morávia (hoje território oriental da Hungria e ocidental da Áustria), depois de desempenhar igual actividade na Panónia para onde fora enviado já ordenado bispo.
Na tradição pagã, por outro lado, a comemoração do dia de S. Valentim, com a conotação que todos conhecemos, mantém-se  firme, sobretudo nos países de expressão anglo-saxónica como nos Estados Unidos da América, para onde foi exportada pelos ingleses na segunda metade do século XIX.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

164.º Aniversário do nascimento de Thomas Edison

Thomas Alva Edison (11/2/1847 – 18/101931) | Louis Bachrach, Bachrach Studios, restored by Michel Vuijlsteke | in http://pt.wikipedia.org

Em Milan, Ohio, nos Estados Unidos da América, nascia, a 11 de Fevereiro de 1847, aquele que é considerado o maior inventor de todos os tempos, Thomas Alva Edison, ultrapassando o extraordinária marca do milhar de patentes registadas (ao todo 1093, entre inventos originais e aperfeiçoados).
De entre as suas principais invenções destacaram-se o fonógrafo, o gramofone e o cinetógrafo, isto é a mais completa e funcional câmara de filmar provida e equipamento de verificação das filmagens obtidas. Mas, enquanto activo representante na civilização industrial, o que o tornou no maior génio inventivo de todos os tempos, ao ponto de ser considerado o Homem que mais interferência teve no curso da revolução tecnológica e científica da humanidade – na passagem da “era do vapor” para a “era da electricidade” – foi a sua acção e, sobretudo, a sua convicção profética da exploração desta última enigmática fonte, em especial, a invenção da lâmpada eléctrica incandescente. Entre outros projectos inventivos, talvez menos conhecidos, deste “feiticeiro de Menlo Park”, como passou a ser chamado, contam-se um aparelho de raio X, uma solução de empacotamento industrial de produtos alimentares a vácuo e até um curioso e revolucionário sistema económico de construção civil em betão. Inventou ainda o cinetoscópio ou cinescópio, o cinefone e o vitascópio, invenções que se revelaram determinantes no progresso da indústria cinematográfica, e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. Importa observar que Thomas Edison foi o criador de uma série de filmes conhecidos da era do cinema mudo, produzidos entre 1895 e 1910, e de alguns dos primeiros filmes sonoros produzidos em 1913 e 1914.
Uma das mais curiosas e sugestivas provas da versatilidade inventiva de Edison foi o seu primeiro invento patenteado, em 1868 quando ainda residia em NewarK, Nova Jérsia - um contador automático de votos! Já em Menlo Park, em 1879, no mesmo Estado, onde tiveram lugar as suas mais conhecidas e bem sucedidas invenções, a “Edison Electric Light Campany”, que o inventor havia fundado em Newark, transforma-se na maior potência industrial eléctrica norte-americana. Em 1888 surge a Edison General Electric, uma das maiores concentrações industriais do planeta e logo a seguir transformada numa das maiores multinacionais. Mais tarde, durante a 1ª Guerra Mundial associa-se à metalurgia naval e entra no ramo da indústria química.
Thomas Edison faleceu a 18 de Outubro de 1931 em West Orange, Nova Jérsei.

Para obter dados biográficos mais detalhados a respeito de Thomas Edison clique AQUI.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Fiães e Fornos do Pinhal

Padre João Parente (trancrição)


I

Cruzeiro no Largo do Cruzeiro, Fiães | Foto base: Pe. João Parente
 Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)

Número: 12.10. 225

Local: Fiães, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 5,30 metros
Descrição: Plataforma de três degraus simples; base cuboide; fuste cilíndrico; atrágalo de um toro; colarinho liso; ábaco quadrangular constituído por molduras; cruz de cimento.
Data: Século XVII, com excepção da cruz, que é recente.

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd, p. 281.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

533.º Aniversário no nascimento de Thomas More

Retrato de Thomas More, tempera de Hans Holbein, o jovem, 1527, Frick Collection
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Thomas More foi um insigne humanista do Renascimento, homem de estado e de leis, diplomata e escritor que nasceu em Londres a 7 de Fevereiro de 1478 e se notabilizou no exercício de importantes cargos públicos designadamente na de “Lorde Chancellor”, no reinado de Henrique VIII. Foi condenado à morte por este mesmo rei que o favorecera na Corte, martirizado e decapitado na Torre de Londres, a 6 de Julho de 1535. Mais tarde foi canonizado e hoje é festejado a 22 de Junho como Santo da Igreja Católica. O essencial da sua biografia está publicado no “Memorial [Universal] ” deste blogue sob o título Thomas More – morte de um humanista, nascimento de um santo.