quarta-feira, 16 de março de 2011

186.º Aniversário do nascimento de Camilo de Castelo Branco

Retrato de Camilo Castelo Branco por João Duarte Freitas, 2008
http://anasarajulia.blogspot.com

Nesta data comemorativa do nascimento de Camilo, entendemos incluir aqui um resumo da sua biografia e da sua obra, bem como uma igualmente breve recensão crítica literária ao escritor, compiladas a partir de fontes distintas.

VIDA E OBRA

Biografia

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, num prédio da Rua da Rosa, no Bairro Alto. Filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, foi registado como filho de mãe incógnita, ao que se diz porque o pai e a avó paterna não queriam que o nome de Castelo Branco se associasse a outro de origem tão humilde.
Camilo ficou órfão de mãe quando tinha um ano e perdeu o pai aos dez, sendo enviado para Vila Real, para viver com uma tia. Posteriormente, foi viver com uma irmã mais velha, em Vilarinho de Samardã, onde recebeu uma educação irregular. Na adolescência, leu os clássicos portugueses e latinos e consumiu literatura eclesiástica.
Apaixonado e irrequieto por natureza, casou aos 16 anos com Joaquina Pereira, mas cedo abandonou a esposa para se envolver com outras mulheres, em relações sempre tumultuosas: Patrícia Emília, a freira Isabel Cândida... Para sobreviver, escrevia para jornais, embora as suas irreverentes crónicas lhe trouxessem, de vez em quando, dissabores, inclusivamente agressões físicas. Ainda tentou cursar medicina no Porto mas, a partir de 1848, entregou-se à vida boémia e passou a repartir o seu tempo entre os cafés, os salões burgueses e a escrita.
Na sequência do casamento de Ana Plácido, por quem estava apaixonado, Camilo sofreu – entre 1850 e 1852 – uma crise de misticismo, cursando o seminário e julgando-se capaz de entregar a sua vida a Deus. Mas mudou de ideias: abandonou os estudos teológicos, seduziu e raptou Ana Plácido e andou com ela a monte, até serem capturados pelas autoridades, julgados e presos na cadeia da relação do Porto. Aí, Camilo escreveria “Memórias do Cárcere” e conheceria o famoso Zé do Telhado.
Absolvidos do crime de adultério, Camilo e Ana Plácido foram viver juntos. Ana teve um filho, supostamente ainda do seu marido, Pinheiro Alves, e seguiram-se-lhe mais dois, de Camilo. Com uma família para sustentar, o literato passou a escrever a um ritmo alucinante: Camilo foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos.
Em 1863, na sequência da morte de Pinheiro Alves, Ana e Camilo foram viver para a casa dele, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Em 1885, Camilo obteve o título de visconde e três anos depois casou oficialmente com Ana Plácido. Incapaz de se manter emocionalmente estável, porém, e sempre preocupado com os filhos (Nuno era um vadio, Jorge era deficiente mental), e perante uma cegueira progressiva, Camilo acabou por sucumbir ao desespero, suicidando-se a 1 de Junho de 1890, aos 65 anos.

Obras


ALGUMAS OBRAS DO ESCRITOR: “Anátema” (1851), “Mistérios de Lisboa” (1854), “A Filha do Arcediago” (1854), “Livro Negro de Padre Dinis” (1855), “A Neta do Arcediago” (1856), “Onde Está a Felicidade?” (1856), “Um Homem de Brios” (1856), “Lágrimas Abençoadas”, “Cenas da Foz”, “Carlota Ângela”, “Vingança”, “O Que Fazem Mulheres” (1858), “Doze Casamentos Felizes” (1861), “O Romance de um Homem Rico” (1861), “As Três Irmãs” (1862), “Amor de Perdição” (1862), “Coisas Espantosas”, “O Irónico” (1862), “Coração, Cabeça e Estômago” (1862), “Estrelas Funestas”, “Anos de Prosa” (1862), “Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado” (1863), “O Bem e o Mal” (1863), “Estrelas Propícias” (1863), “Memórias de Guilherme do Amaral” (1863), “Agulha em Palheiro” (1863), “Amor de Salvação” (1864), “A Filha do Doutor Negro” (1864), “Vinte Horas de Liteira” (1864), “O Esqueleto” (1865), “A Sereia” (1865), “A Enjeitada” (1866), “O Judeu” (1866), “O Olho de Vidro” (1866), “A Queda de um Anjo” (1866), “O Santo da Montanha” (1866), “A Bruxa do Monte Córdova” (1867), “A Doida do Candal” “1867), “Os Mistérios de Fafe” (1868), “O Retrato de Ricardina” (1868), “Os Brilhantes do Brasileiro” (1869), “A Mulher Fatal” (1870), “O Regicida” (1874), “A Filha do Regicida” (1875), “A Caveira do Mártir” (1876), “Novelas do Minho” (1875-1877), “Eusébio Macário” (1879), “A Corja” (1880), “A Brasileira de Prazins” (1882).

TEATRO: “Agostinho de Ceuta”, “O Marquês de Torres Novas”, “Poesia ou Dinheiro?”, “Justiça”, “Espinhos e Flores”, “Purgatório e Paraíso”, “O Morgado de Fafe em Lisboa”, “O Morgado de Fafe Amoroso”, “O Último Acto”, “Abençoadas Lágrimas!”, “O Condenado”, “Como os Anjos se Vingam”, “Entre a Flauta e a Viola”, “O Lobisomem”, “A Morgadinha do Vale-de-Amores

http://www.teatro-dmaria.pt/Temporada/detalhe.aspx?idc=933


RECENSÃO CRÍTICA LITERÁRIA

Modelo da língua literária de sua época, Camilo Castelo Branco é fundamental na história da prosa de ficção do português, principalmente como romancista.
Camilo Castelo Branco representou em seu país diversas tendências da literatura européia do século XIX, mas tanto por convicções estéticas como por temperamento foi sobretudo um autor romântico. Versátil, de produção copiosa e que contemplou o romance, o teatro e a crítica literária, realizou-se como romancista de feição gótica, às vezes irrefreavelmente sentimental. Reconstituiu em suas obras o panorama dos costumes e dos caracteres do Portugal de seu tempo, quase sempre com uma profunda sintonia com as maneiras de ser e sentir do povo português. Daí a celebridade quase exclusivamente nacional, que deve à pureza da cepa de sua linguagem, capaz de abarcar todas as situações de seu universo cultural. Obras. Na primeira fase Camilo Castelo Branco deu a suas novelas caráter folhetinesco, entre o patético e o macabro. Marcadas pela leitura de Eugène Sue são Anátema (1851), Mistérios de Lisboa (1854), Duas épocas na vida (1854), O livro negro do padre Dinis (1855). Outra etapa, de influência balzaquiana, valoriza a realidade social em Vingança (1858), Carlota Ângela (1858), A morta (1860). Seus livros mais conhecidos refletem a experiência do cárcere, tratando em estilo conciso, mas brilhante, do amor reprimido e exacerbado: O romance de um homem rico (1861), o famoso Amor de perdição (1862), o Amor de salvação (1864), O olho de vidro (1866), A doida do Candal (1867), O retrato de Ricardina (1868), A mulher fatal (1870). De outra linha, Doze casamentos felizes (1861), Estrelas funestas (1861), Estrelas propícias (1863) veiculam intento moralizador. Em Coração, cabeça e estômago (1862), A queda dum anjo e outros, prevalecem toques de humorismo discreto. Camilo também fez romances históricos, como O judeu (1866), e satirizou o realismo com Eusébio Macário (1879) e A corja (1880), tornando-se ele próprio um realista convincente em Novelas do Minho (1875-1877) e A brasileira de Prazins (1882). Menos significativo como poeta, dramaturgo ou historiador literário, em seus últimos romances atingiu mestria extraordinária como observador e retratista dos tipos humanos e da sociedade de sua terra.

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1385.html

segunda-feira, 14 de março de 2011

132.º Aniversário do nascimento de Albert Einstein

Selo postal do Ano Internacional da Física | http://www.cezzan.com

Considerado, em 2009 por uma centena de colegas seus como o mais memorável físico de sempre, Albert Einstein foi um teórico judeu alemão, nascido a 14 de Março de 1879 em Ulm e falecido em Princeton, nos E.U.A., a 18 de Abril de 1955, que se celebrizou nesta área científica, surpreendendo o Mundo com a sua “teoria da relatividade” que foi apenas uma das suas teses de interesse científico, mas a que mais o popularizou e o elevou à categoria de “génio” pela opinião pública internacional. A verdade é que as suas concepções científicas revolucionaram a nossa visão do Universo e ao mesmo tempo, sem o ter previsto, permitiram o desenvolvimento da energia atómica. Em reconhecimento da sua correcta explicação do “efeito fotoeléctrico” recebeu em 1921 o Prémio Nobel da Física. Mais tarde foi eleito “A Personalidade do Século” pela revista “Time” e em 2005, no centenário do seu “Annus Mirabilis” celebrou-se, em homenagem ao seu trabalho, o “Ano Internacional da Física”. Também em sua homenagem se atribuiu o nome de “einstein” a uma unidade usada na fotoquímica e o nome de “einsténio” a um elemento químico. Deste mesmo génio cuja face é ainda uma das mais conhecidas na sociedade, em especial pelas suas divertidas “caretas” também se diz ter sido um grande humanista dotado da capacidade de sustentar com  séria transparência opiniões relativas às situações políticas e sociais do seu tempo.

Para consultar uma biografia bem concebida e fundamentada sobre Einstein, clique sobre o ícone.



domingo, 13 de março de 2011

81.º Aniversário da descoberta de Plutão


Não se trata, em rigor, do aniversário da descoberta do malogrado nono planeta e segundo maior planeta anão do Sistema Solar, como ele é agora considerado pela UAI (União Astronómica Internacional), depois das objecções que desde 1970 foram surgindo quanto à sua definição como planeta formal, até que a 24 de Agosto de 2006 a mesma UAI formalizou aquela nova denfinição.
Na realidade, na data de 13 de Março de 1930 sucedeu apenas a notícia telegrafada por Clyde Tombaugh para o Harvard College Observatory, confirmando o movimento de Plutão, com base nas suas observações efectuadas no Observatório Lowell. Era o planeta X, o nono planeta que desde 1906 e até à sua morte, em 1916, Percival Lowell, convicto da sua existência por ter constatado evidentes perturbações em Urano, perscrutou as várias possíveis coordenadas celestiais, sem lograr obter qualquer resultado afirmativo da sua descoberta. As primeiras fotos conseguidas por Tombaugh a 21, 23 e 29 de Janeiro de 1930 ajudaram nessa confirmação.


Formalmente designado 134340 Plutão, é também o décimo maior objecto que pode ser observado directamente na sua órbita solar. Possui três satélites naturais conhecidos: Caronte, descoberto em 1978 e outras duas luas menores, Nix e Hidra, ambas descobertas em 2005. É o maior membro do cinturão de Kuiper e, tal como os restantes membros, é composto principalmente por rocha e gelo. Tem cerca de 1/5 da massa da lua e 1/3 do seu volume.
Apesar de ficarmos reduzidos de novo a oito planetas, as condições de classificação impostas pela UAI em 2006 têm gerado uma onda de contestações, tanto por parte da comunidade de astrónomos como de uma larga margem do público internacional. O mais curioso é que a desclassificação de Plutão até já serviu de motivo para o aparecimento de mais um neologismo – o plutado”particípio passado do verbo plutar, com o significado de “rebaixar ou desvalorizar alguém ou alguma coisa”! Em Janeiro de 2007 a American Dialect Society escolheu-a como a sua “Palavra do Ano de 2006”! O que diriam Percy Lowel e Clyde Tombaugh de tudo isto?

Para mais alguns detalhes a respeito de Plutão consulte a Wiki, AQUI.

sábado, 12 de março de 2011

Fontes, chafarizes e marcos fontanários do concelho de Valpaços – Água Revés e Crasto 1

Transcrição de Adérito Medeiros Freitas | Recriação gráfica de Leonel Salvado

Estreamos mais uma iniciativa para divulgação do património artístico e arquitectónico do concelho de Valpaços, no caso as fontes, chafarizes e marcos fontanários. É com base no extraordinário trabalho de pesquisa e estudo levado a cabo pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas e que foi editado, em dois volumes pela Câmra Municipal de Valpaços em Outubro de 2005 que nos propomos fazer uma divulgação desse Património através de uma apresentação iconográfica mais aprazível e dirigida à sensibilidade dos nossos leitores para a preciosa, popular e diversificada tradição artística  que é a Faiança Portuguesa. Porque não imaginarmos as  fontes, os chafarizes e os marcos fontanários do nosso concelho representados nas mais variadas formas de objectos cerâmicos?!

FREGUESIA DE ÁGUA REVÉS E CRASTO - Água Revés 1

Tema: Quadra alusiva às fontes de Água Revés | Objecto: prato
Adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)


1 – Fonte de Mergulho

Tema: Fonte de S. Pedro, Água Revés | Objecto: Prato
Foto – base : Adérito M. Freitas | Adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Localização: Água Revés
Lugar: Largo do Prado. Muito mais amplo do que actualmente, aqui se realizava uma Feira, no dia 12 de cada mês. Existiam então numerosas árvores de grande porte, principalmente Negrilhos (olmos) e grandes mesas de pedra, algumas dispostas sob telheiros, utilizadas principalmente por taberneiros ambulantes que pagava, nesse dia, uma taxa pela sua ocupação.
Altitude: 414 metros Longitude: 7º 20’ 49,6’’ W Latitude: 41º 33’ 29,5’’ N
Ano de construção: C 1873 V.
Material de construção: Granito equigranular com tendência para porfiróide, de grão grosseiro, com moscovite e biotite e nítida alteração química deste último mineral.
Características gerais: A planta interna, rectangular, mede 2,60 m de comprimento e 1,58 de largura. A profundidade total do seu reservatório é de 2,04 m mas, quando recolhi estes dados possuía, apenas, 1,80 m de água. A nascente não é local. Existe uma mina com algumas dezenas de metros de comprimento e, antigamente, junto da primeira rua, à esquerda da rua principal para quem sobe, havia uma porta ao nível do solo que comunicava com a referida mina e se destinava a permitir, sempre que necessário, a sua limpeza.
No Verão, quando o caudal diminuía drasticamente, era necessário descer ao fundo do reservatório para recolher, numa cavidade existente numa rocha do seu pavimento e com um pequeno púcaro, a pouca água que ali ia chegando. Para o efeito existia uma escada. Outrora estavam ainda presentes, como estruturas anexas, uma pia bebedouro e um “tanque de lavar roupa”, de onde a água era aproveitada para rega dos terrenos de cultura.
Actualmente e devido ao arranjo de todo o espaço envolvente, esta fonte encontra-se, em média, 1,20 m abaixo do nível da rua, tendo sido eliminados do seu localde origem, as duas estruturas anexas descritas. […]
Externamente, esta fonte mede 3,40 m de comprimento, 2,83 m de lagura e 3,88 m de altura frontal.
A porta, hoje protegida por uma estrutura de ferro pintada de verde e munida de fechadura, mede 1,67 m de altura, 1,31 m de largura e termina, superiormente, por um arco de volta perfeita. É limitada por uma moldura com 15 cm de largura e 3 cm de espessura. A porção superior e frontal desta moldura possui gravado o ano da sua construção bem como as iniciais da entidade promotora, Câmara de Valpaços (C. 1873 V).
O tecto é em “abóbada de berço” e as suas aduelas da base assentam directamente sobre as paredes laterais onde, frontalmente, se encontram de um e outro lado duas pequenas impostas que servem para definir, com precisão, a posição da base da referida abóbada. Esta impostas situam-se a 1,26 m acima da soleira da porta. A cobertura da fonte é formada por lajes de granito e forma, externamente, duas águas simétricas.
Quatro pilastras incorporadas mas paredes limitantes e ocupando os quatro ângulos da estrutura da fonte, suportam o entablamento, formado por uma arquitrave com 14 cm de espessura e pela cornija emoldurada, também disposta a toda a volta da fonte, com 13 cm de espessura e saliente 10 cm.
Apoiados nas extremidades do troço horizontal da cornija frontal, dois pináculos talhados, cada um, num só bloco de granito, com 53 cm de altura total. Cada um destes pináculos possui uma base prismática quadrangular com 16 cm de altura e 31 cm de aresta basal. Acima desta base, cada pináculo possui forma cónica, mas com a superfície lateral levemente côncava.
A encimar toda a estrutura frontal e entre os dois pináculos referidos, existe uma outra cornija limitando, com a sua congénere horizontal, um bonito frontão triangular de vértice superior curvo e que mede 97 cm de altura e 1,8 m de base. No espaço triangular limitado pelas cornijas, o tímpano, podemos observar um nicho com 70 cm de altura e 30 cm de largura. Termina, superiormente, por uma ornamentação em forma de concha e possui, na base, uma peanha com 16 cm de altura e 20 cm de largura ântero-posterior. Lateralmente, esta peanha possui uma ornamentação gomada. Neste nicho encontra-se, actualmente, uma imagem de S. Pedro relativamente recente, pois que da primitiva já ninguém se lembra. Em volta deste nicho foi colocada, há poucos anos, uma moldura metálica, hoje enferrujada, suportando um vidro. […]
Finalmente, no topo do referido frontão, encontra-se mais um pináculo, formado por um bloco de granito, em forma de pinha alongada, com 65 cm de altura e 29 cm de diâmetro máximo.

Adérito M. Freitas, Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…, C.M.V., Vol. I, 2005, pp. 43-45.

sexta-feira, 11 de março de 2011

37.º insólito aniversário do fim da 2ª Guerra Mundial

Por Leonel Salvado
Hiroo Onoda, 1944-45 | http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Onoda-young.jpg

Fez ontem 37 anos que o último combatente japonês se rendeu aos Aliados na Segunda Guerra Mundial, isto é 29 anos após a rendição incondicional do Japão. *

Para o Segundo Tenente Hiroo Onoda, nascido a 19 de Março de 1922, oficial da inteligência do exército japonês posicionado em Lubang, uma ilha do arquipélado das Filipinas, durante a Segunda Guerra Mundial, a guerra contra os Estados Unidos da América só terminou a 10 de Março de 1974. Trata-se de um dos casos insólitos da história real de um militar que contra todas as probabilidades manteve a sua lealdade à nação imperial. É, portanto, um extraordinário exemplo de coragem e perseverança de um combatente. Comparável a Onoda, talvez só outro soldado japonês, que se refugiu numa improvisada caverna na densa selva de Guam e com uma história parecida, Shoici Yokoi. Este foi resgatado 27 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Quando em Fevereiro de 1945 a ilha foi tomada pelos Aliados, Onoda e três soldados sob as suas ordens escaparam à captura e à morte e refugiaram-se na densa floresta de Lubang. Acabou por perder os seus soldados, um dos quais por rendição ao exército filipino e os restantes por terem sido mortos em combate contra forças locais, em 1954 e 1972. Declarado morto no Japão desde 1960, Hiroo Onoda sobreviveu sozinho na floresta de Lubang, mantendo sua lealdade ao imperador que havia assinado a rendição 29 anos antes e recusando-se a acreditar nesta informação, até que foi  descoberto por um estudante seu compatriota. Finalmente, a 10 de Março de 1974 reconheceu a derrota nas condições que a seguir expomos, através de uma transcrição do resto desta insólita história real.

*Data indicada na Biblioteca Universal em Acontecimentos históricos

Até o último Homem
Curioso.Net, 17 Novembro 2007

Encontrado por um estudante japonês, Norio Suzuki, Onoda recusou-se ainda a aceitar que a guerra tinha acabado a menos que recebesse ordens para baixar armas diretamente de seu oficial superior. Suzuki se prontificou a ajudar e retornou ao Japão com as fotografias de si mesmo e de Onoda como a prova de seu encontro. Em 1974, o governo japonês encontrou o oficial comandante de Onoda, Taniguchi, que havia se tornado um livreiro. Taniguchi foi para Lubang e informou a Onoda da derrota do Japão na segunda Guerra e ordenou-lhe a depor armas. Assim, o tenente Onoda emergiu da selva 29 anos após o fim da segunda guerra mundial, e aceitou a ordem do oficial comandante da rendição vestindo seu uniforme e espada, com seu rifle Arisaka ainda em condições operacionais, com 500 cartuchos de munição e diversas grenadas de mão.

A rendição de Hiroo Onoda, 1974 | http://www.theage.com.au

Embora tivesse matado aproximadamente trinta habitantes Filipinos locais e engajado diversos tiroteios com a polícia, as circunstâncias destes eventos foram levadas em consideração da situação, e Onoda recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos.
Depois de sua rendição, Onoda se mudou para Brasil, onde se transformou um fazendeiro de gado. Publicou uma autobiografia: No Surrender: My Thirty-year war (no Brasil, publicado pela Empresa Jornalística S. Paulo Shimbum S.A. como "Os Trinta Anos de Minha Guerra"), logo após sua rendição, detalhando sua vida como um combatente de guerrilha em uma guerra há muito tempo terminada. Revisitou a Ilha de Lubang em 1996, doando $10.000 para a escola local em Lubang. Casou-se com uma japonesa e voltou para o Japão, para administrar um acampamento para crianças.
Encontram-se no Brasil ainda familiares de Hiroo
Um de seus irmãos Tadao Onoda faleceu no ano de 1991, em São Paulo, porém seus filhos ainda vivem e deixam netos que ainda carregam o sobrenome.

In Curioso.Net, 17 Novembro 2007
http://www.curiosonet.com/2007/11/at-o-ltimo-homem.html

quarta-feira, 9 de março de 2011

511.º Aniversário da partida da armada de Pedro Álvares Cabral


Partida de Pedro Álvares Cabral em 1500 | Faiança Portuguesa
Pormenor de prato da Fábrica de Alcântara, finais do século XIX, in http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.com

De acordo com a tradição e a importância e grandeza da missão, o dia que antecedia a partida era vivido em ambiente festivo e cerimonioso, fazendo-se uma despedida pública com missa e comemorações, onde se destacava a presença do rei e da corte entre a imensa multidão que se juntava em Belém. Tratou-se, neste caso em particular, de uma efeméride que pela sua importância se acham referências invocativas na literatura e nas artes ao longo dos séculos que se seguiram, particularmente na faiança portuguesa, a que nos reportaremos mais adiante.
Encontrámos uma curiosa descrição sobre a Partida de Pedro Álvares Cabral que entendemos partilhar aqui em primeiro lugar:


A PARTIDA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL
Por Maria Luísa

A partida das naus era precedida por cerimónias religiosas diante da Senhora de Belém (confissões, missa e procissão), na ermida do Restelo.
Depois, a dolorosa despedida dos embarcados e dos que ficavam em terra era muitas vezes feita já perto da barra, no alto da capela da Senhora da Boa Viagem. Tanto para os que partiam como para os que ficavam, a partida era sempre triste. As incertezas eram grandes, muitos poderiam não regressar. Tempestades, ataques dos corsários, incêndios dos navios e doenças eram uma ameaça real e a viagem poderia não ter regresso...

Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam
As mulheres c’um choro piadoso,
Os homens com suspiros que arrancavam.
Mães, Esposas, Irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo

Luís de Camões

A 8 de Março de 1500 a maior armada até então enviada numa missão oceânica estava pronta para partir. Era constituída por 13 navios, com o dobro do tamanho dos anteriores, um bom carregamento de armas e 1500 homens. Objectivo: Índia. O capitão escolhido foi Pedro Álvares Cabral, fidalgo da Corte. Na despedida esteve presente o rei D Manuel com a sua Corte, nobreza e muita gente do povo. No interior da capela de Belém esperavam por D. Manuel a maior hierarquia da armada: o capitão-mor Pedro Álvares Cabral, seus capitães, pilotos e os que exerciam funções de destaque na viagem. D. Diogo Ortiz, Bispo de Ceuta, celebrou a missa e, depois de terminada a missa, D. Diogo lançou sua benção a Cabral e à bandeira da Ordem de Cristo que lhe foi entregue. Em seguida, D. Manuel colocou na cabeça de Cabral o barrete que o papa lhe mandara. Antes de embarcar nos batéis, o capitão-mor e os seus comandos ouviram as últimas recomendações reais e beijaram a mão do monarca. A armada passou a noite fundeada para com bom tempo ultrapassar a barra e iniciar a partida. Era 9 de Março de 1500. A rota a seguir devia ser a de Vasco da Gama. No entanto, a certa altura, de propósito ou por acaso, a armada fez um grande desvio para sudoeste. A 22 de Abril de 1500 foi avistada terra, tendo-se efectuado o desembarque na zona onde hoje fica Porto Seguro. Estava descoberto, oficialmente, o Brasil!
In http://web.educom.pt/~pr2003/1999/decc/antes/partida_de_pedro_alvares_cabral.htm

Outro trabalho de divulgação bastante interessante referente à comemoração desta efeméride é o que descobrimos no blogue “A Memória dos Descobrimentos na Cerâmica Portuguesa”, que passamos a transcrever.

A MEMÓRIA DOS DESCOBRIMENTOS NA FAIANÇA PORTUGUESA
Por Mercador Veneziano, 15 de Julho de 2010

clique sobre a imagem para aumentá-la

Nº23.1: Prato Partida de Pedro Álvares Cabral em 1500 (Fábrica de Alcântara)

• Relativamente ao fabrico da peça em questão, trata-se então dum prato da Fábrica de Alcântara do final do século XIX, muito provavelmente do ano de 1899 ou 1900.
• Quanto à sua decoração, trata-se de uma peça com bastante policromia, representado o momento de partida da Armada de Pedro Álvares Cabral em que o destino seria a Índia, mas porque assim o destino quis, iria desembarcar no Brasil.
• Por baixo do desenho central apresenta a legenda: "Partida de Cabral de Lisboa em 9 de Março de 1500".
• Um pormenor que tenho vindo a reparar à medida que tenho adquirido peças relacionadas com a temática dos Descobrimentos Portugueses, é que foram produzidas muito poucas peças comemorativas do Centenário da Descoberta do Brasil, fazendo com que este e os próximos exemplares, tenham um destaque especial dentro da temática, além de apresentarem das decorações mais belas que tenho visto.
• Exemplares iguais estão patentes no catálogo do Palácio do Correio Velho "Colecção António Capucho, parte IV", pp. 117, itens 286, 287 e 288.

In http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.com

terça-feira, 8 de março de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Freguesia de Poçacos (Possacos)

Padre João Parente (trancrição)
I
Cruzeiro no Largo do Cruzeiro, Poçacos
Foto base: asnascimento, in http://pelourinhos.blogs.sapo.pt/89343.html
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
clique sobre a imagem para aumentá-la
Número: 12.12. 227

Local: Poçacos, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4 metros
Descrição: Base cuboide abaulada na face superior para reforçar o encaixe do fuste, que é de secção quadrangular, nos extremos, e oitavado na parte central; no topo do fuste, um globo, um tanto alongado na parte superior, onde encaixa a cruz de braços cilíndricos e boleados nas pontas.
Data: 1940

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd, p. 283.

II
Cruzeiro em alpendre no Largo do Curzeiro, Poçacos
Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
clique sobre a imagem para aumentá-la
Número: 12.11.226

Local: Poçacos, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito alumínio e madeira
Altura: 2,15 m, base e cruz
Descrição: Dentro de alpendre de granito, com telhado de madeira e telhados de alumínio com vidraças, aconchega-se o singelo cruzeiro, com pequena base cuboide e um belo crucifixo de madeira policromada.
Data: Século XIX

Fonte: Id. p.284.

8 de Março: Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher é comemorado actualmente em 65 países espalhados pelos vários continentes. A 11 de Março de 2010 publicámos um artigo composto por algumas notas elucidativas sobre a origem e o significado comemorativo desta data, bem como a sua tardia formalização (em Dezembro de 1977!) por parte da ONU. A 13 de Março publicámos uma resenha história e uma relação cronológica sobre o longo e penoso processo de afirmação da mulher em Portugal, desde a Pré-História até à abundante obra legislativa e outras iniciativas que marcaram o ano de 1997 com vista a assegurar a garantia plena da igualdade entre os cidadãos de ambos os sexos nas diferentes áreas da vida portuguesa.

Para rever cada uma destas publicações, clique sobre os respectivos ícones.

                                 
       Dia Internacional da Mulher                            Afirmação da Mulher em Portugal

Fonte da imagem do cabeçalho: http://buritydigital.blogspot.com

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mais uma raridade do Património Arquitectónico do concelho de Valpaços

Por Leonel Salvado
Actualizado em 13-02-2012
Capela de N.ª Sr.ª da Conceição ou da Fonte, Friões, Valpaços
| Fonte: Wikipédia | Autor: Manuel Barreira (13-08-2007) | Permissão: Wikimédia Commons
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Trata-se de mais um belo exemplar da arquitectura religiosa do concelho de Valpaços situada na freguesia de Friões a que talvez ainda não se tenha dado a importância devida. É uma bela capela, atribuída ao estilo barroco, da invocação de Nossa Senhora da Conceição circundada por um adro rectangular em cujo limite frontal existe uma fonte de mergulho também de grande interesse arquitectónico, ladeada por dois nichos, sendo por essa razão que a o templo é também conhecida por capela de N.ª Sr.ª da Fonte. Na opinião do D. Adérito Freitas (“Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…”, Vol I, p. 222-223), o muro do adro deve ser de construção posterior à fonte, sendo que esta poderá ter sido construída em 1829, com base numa gravação com esta data que é visível no lado esquerdo do nicho da direita e à direita da padieira da porta. A fonte encontra-se actualmente um pouco descaracterizada, mas segundo o mesmo investigador, devia ter sido outrora, do ponto de vista arquitectónico uma fonte monumental, independente do resto da estrutura que lhe foi adoçada e com elementos estruturais que sugerem a sua “santificação”. Porém, sem prejuízo do julgamento de Adérito Medeiros Freitas de que a  actual estrutura da fonte haja sido efectivamente construída na data indicada e que o adro possa ter sido remodelado posteriormente, tanto a capela como o adro e a própria fonte já aparecem mencionadas num manuscrito das Memórias Paroquiais de 1758 assinada pelo pároco (reitor) de Friões nos seguintes termos:

«Neste lugar de Friões se acha uma capela da Senhora da Conceição, a qual dista poucos passos fora do lugar, outros reclamam a Senhora da Fonte por ter aí uma dentro da capela, em forma de poço [...] e outra fora do adro.»

Mais refere, no mesmo documento, o pároco-memorialista de Friões que esta era a única das várias capelas da freguesia a que acorria alguma gente em romaria nos meses de Junho, Julho e Agosto.
No interior do recinto que cerca esta capela existe um jardim denominado pelos paroquianos “Jardim da Imaculada”. Apesar da grande estima que esta raridade arquitectónica parece merecer da parte dos habitantes de Friões – o que se depreende da sua extraordinária preservação – estamos, infelizmente, perante mais um belo monumento não classificado do concelho de Valpaços.
O nosso contributo em homenagem a este curioso monumento é um ensaio idealizado da sua representação com base na foto de Manuel Barreira, sob a forma de painel de pseudo-azulejos que se segue, com os votos de que um dia alguém se atreva a representá-lo assim, na realidade, de modo a perpetuar este e outros exemplares do nosso património histórico arquitectónico.

A mesma capela de N.ª Sr.ª da Fonte | adaptação de Leonel Salvado
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domingo, 6 de março de 2011

536.º Aniversário do nascimento de Miguel Ângelo

Auto-Retrato de Miguel Ângelo, 1506, óleo sobre painel, Galeria Uffizi, Florença 
 http://valiteratura.blogspot.com

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nascido em Caprese, a 6 de Março de 1475 e falecido em Roma a 18 de Fevereiro de 1564, tratado pelos portugueses por Miguel Ângelo e pelos brasileiros por Michelangelo, é considerado um dos maiores criadores da História da Arte do Ocidente. Além de pintor e escultor de renome, foi também um admirável arquitecto e poeta. Um dos mais completos trabalhos sobre a sua vida e a sua obra jamais realizados em formato digital é, em nossa opinião, o que se encontra publicado na Wikipédia, enciclopédia livre universal, para o qual remetemos os nossos leitores.

Para conhecer esta notável figura da arte e cultura renascentistas clique sobre o ícone que se segue:

Assinatura de Miguel Ângelo 

Imaginário histórico ilustrado do concelho de Valpaços II – Os Suevos

Ilustração e montagem de Leonel Salvado | fotos escolhidas de Jorge Fernandes e João Azevedo

Não se trata desta vez de um imaginário histórico foto-ilustrado limitado ao concelho de Valpaços, mas alargado a toda a região de Trás-os-Montes e à antiga Galécia romana. O século V foi uma época obscura em que o colapso do Império Romano do Ocidente permitiu a entrada dos povos bárbaros, como os Suevos, e que assolaram estas regiões pela guerra, o saque e as pilhagens, perante o desespero dos povos já atormentados pela fome e pelas epidemias, como nos relata o cronista Idácio que foi bispo de Chaves entre os anos de 427 e 460. Nesta edição, uma só ilustração temática enquadrada em duas fotos, escolhidas com base nos mesmos critérios do “Imaginário I” publicado a 27 de Fevereiro último.

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A chegada dos Suevos 
Foto escolhida: Jorge Fernandes, in http://saocousasdavida.blogspot.com

As depredações dos Suevos nos povoados rurais
Foto escolhida: João Azevedo, in http://www.pbase.com

sábado, 5 de março de 2011

Idácio, bispo de Chaves, e os Suevos


A invasão de Chaves pelos Suevos, 26 de Julho de 460
Ilustração e montagem de Leonel Salvado | foto de base http://rosinhamia.blogspot.com

Idácio foi bispo de Aquae Flaviae (Chaves) entre 427 e cerca de 460, sendo o único bispo que se conhece da diocese atribuída a esta cidade, o que permite supor que a diocese flaviense não lhe terá sobrevivido, já que após este prelado não se encontram mais referências ao bispado flaviense, na área correspondente grosso modo à actual diocese de Vila Real, falando-se contudo num bispado posterior, o de Bética (Boticas?).
Idácio nasceu ao redor do ano de 395 em Xinzo de Límia uma povoação da moderna província de Ourense situada junto do rio Lima, cujo nome se pronuncia agora em castelhano Ginço de Limia . Xinzo de Límia era a civitas romana de Forum Limicorum sendo essa a razão por que também é conhecido por Idácio de Límica. Nasceu numa família culta e romanizada e viveu, portanto, numa época, como se sabe, bastante conturbada pela instabilidade do império romano, pela fome, pelas epidemias e pelo temor inspirado pelas sucessivas hordas de povos bárbaros, como os Suevos, um povo de origem germânica aparentado aos anglos e saxões que desde o século II vinham rondando as fronteiras império decadente e no início do século V irromperam por todo o nordeste peninsular, espalhando a morte e a destruição entre populações hispano-romanas até se estabelecerem na província da Galécia e fundarem aqui um reino com a capital em Bracara Augusta (Braga). Desde então a expansão do reino suevo foi entendido como uma urgente necessidade e levada a cabo através de incursões de destruição, pilhagens e morticínio.
A Crónica de Idácio (também conhecido por Cronicão) é a mais importante fonte historiográfica para se conhecer este período obscuro da história do Ocidente peninsular no século V (entre 369 e 469) e é através dela que conhecemos a acção dos suevos e, em parte também dos visigodos, neste território. É uma obra em que o autor adquire uma aceitável credibilidade por ter aproveitado fontes escritas, testemunhas idóneas, e sobretudo os seus próprios conhecimentos. Outra particularidade curiosa de Idácio é que foi o primeiro cronista a indicar os dias da semana pela nomenclatura cristã. Nos seus escritos Idácio mostra-se um católico atormentado por uma visão apocalíptica que o colapso do império e o terror dos bárbaros confirmavam as respectivas profecias. Assumiu assim a função de descrever o “fim dos tempos”, mas sem deixar de procurar a paz e combater as heresias ariana e prisciliana.

Em 410, o bispo Idácio descrevia assim, na crónica, a sua visão apocalíptica dos tempos dos primeiros suevos que entram na Hispânia:

“Os Bárbaros, que penetraram nas Espanhas, pilham e massacram sem piedade. Por sua vez, a peste não causa menos devastações. Enquanto as Espanhas estão entregues aos excessos dos Bárbaros, e o mal da peste não faz menos estragos, as riquezas e os víveres armazenados nas cidades são extorquidos pelo despótico colector de impostos e exauridos pelos soldados. E eis que a temível fome ataca: os humanos devoram a carne humana, sob a pressão da fome, e as próprias mães se alimentam do corpo dos filhos, por elas mortos e cozinhados. Os animais ferozes, habituados aos cadáveres das vítimas da espada, da fome ou da peste, matam também os homens mais fortes e, cheios dessa carne, desencadeiam por todo o lado o aniquilamento do género humano.”
As primeiras fricções entre os suevos pagãos e as comunidades hispano-romanas autóctones não diminuíram, o que levou o Idácio, em 431, a deslocar-se à Gália, à frente de uma embaixada hispano-romana para requerer do vencedor dos Hunos, o General Flávio Aécio, o mais poderoso chefe militar do já moribundo Império Romano do Ocidente, uma intervenção militar contra a Galécia sueva. Não obstante ter regressado à Galécia no ano seguinte na companhia do conde Censório com instruções para que este negociasse a paz, o atrevimento do prelado originou a pronta retaliação dos suevos e o recrudescimento das suas acostumadas investidas sobre as indefesas populações hispano-romanas por toda a parte da Galécia, incluindo as desta região transmontana.

Não obstante ainda o rei suevo Requiário ter adoptado em 449 o catolicismo, a crueldade deste povo bárbaro não diminuiu. A propósito das depredações de Requiário para além dos limites da Galécia, conta Idácio:

Mas depois da sua vinda o rei dos suevos, Rechiário com numerosa tropa dos seus invade as regiões da província Tarraconense, fazendo ali grande motim e levando-se abundantes cativos a Galaecia.”

É ainda pelo bispo de Chaves, que sabemos que a sua cidade, Aquae Flaviael foi invadida em 26 de Julho de 460 pelos suevos de Frumário, depois de assolarem toda a região, sendo ele próprio aprisionado na respectiva catedral, afastado da cidade e restituído à liberdade em Novembro seguinte para regressar a Chaves onde viveu até ao fim dos seus dias. Por essa altura travava-se no reino suevo uma acesa disputa pelo trono entre aquele Frumário (459 - 463) e Remismundo (459 – 469) e é de crer, tendo em conta a prisão de Idácio, que o prelado flaviense desempenhou um papel importante nessa disputa, a qual, afinal, terminou com a vitória de Remismundo e com a reunificação do Reino, em 463. Mas com a agravante de a Galécia sueva ter voltado ao Arianismo por influência dos aliados visigodos de Remismundo, mantendo-se por várias décadas o habitual clima de tensão e desespero vividos pela população rural. Só no ano de 550, no reinado de Carriarico (550 – 559), os suevos se reconverteriam ao catolicismo.
Desconhece-se a data exacta da morte de Idácio, mas sabe-se que ela terá ocorrido depois de 468, havendo quem indique a data de 470. Apesar da sua interpretação apocalíptica dos factos que narrou na crónica, ironicamente, Idácio dedicou a sua vida à pacificação da Galécia sueva e ao combate às heresias, tanto na sua diocese como em todo o território peninsular, sobretudo os priscilianistas, a quem ele designava de maniqueus, não se escusando de encetar contactos com outros importantes bispos da Hispânia, tais como Toríbio de Astorga e Antonino de Mérida e a solicitar ao papa São Leão Magno - Leão I (440 – 461) toda a ajuda e conselho possíveis para lidar com as heresias que se alastravam por toda a Península, no que foi atendido: O Pontífice logo encarregou o bispo de Astorga a promover um concílio nacional na Península Ibérica contra o priscilianismo ou, se tal não se afigurasse possível, uma reunião dos prelados da Província da Galécia com a cooperação do bispo Idácio.

sexta-feira, 4 de março de 2011

617.º Aniversário do nascimento do infante D. Henrique

Por Leonel Salvado
Possível retrato do Infante D. Henrique, pormenor do políptico de S. Vicente, séc. XV, Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa | http://pt.wikipedia.org

Nascido na cidade do Porto a 4 de Março de 1394 e falecido na vila de Sagres a 13 de Novembro de 1460, o infante D. Henrique foi o 5.º dos 9 filhos legítimos (o 4.º varão) havidos de D. João I, fundador da dinastia de Avis, e D.ª Filipa de Lencastre, um dos seis que chegaram à vida adulta e foram eternizados com o sublimado epíteto colectivo de a “ínclita geração”. Uma nota curiosa acerca do seu nascimento é que sucedeu numa Quarta-Feira de Cinzas, dia pouco apropriado ao nascimento de uma criança, sendo baptizado alguns dias como nome de Henrique, diz-se que em honra ao seu tio-avô Henrique de Lencastre (futuro Henrique IV de Inglaterra) e recebendo por padrinho o bispo de Viseu, João Gomes de Abreu. Apesar de certamente ter sido na infância uma figura relativamente apagada, já que pouco se sabe da sua vida até aos catorze anos de idade, viria a afirmar-se como a mais importante figura do início da era dos Descobrimentos o que lhe valeu ter sido cognominado por “o Navegador” e “O Infante de Sagres”.
Parece ter sido ele quem em 1414 convenceu o pai a organizar uma armada com vista à bem sucedida conquista de Ceuta, em Agosto do ano seguinte, quando esta praça marroquina se afigurava de primordial importância estratégica para assegurar aos portugueses o controlo do comércio entre o Atlântico e o Levante. Saía assim do anonimato este jovem infante da ínclita geração que, em 1415, aos 21 anos de idade foi armado cavaleiro e recebeu os títulos de “duque de Viseu” e “senhor da Covilhã” e a 18 de Fevereiro do ano seguinte lhe foi confiada a responsabilidade de organizar no reino a manutenção da recém-conquistada Praça norte-africana. Depois de uma série de esforços, nem sempre bem sucedidos, para garantir a defesa de Ceuta face aos assédios de vinha sendo alvo da parte dos reis mouros de Fez e de Granada, começaram a vincar-se os principais traços da sua futura personalidade, caracterizadas pela temeridade e fervor anti-muçulmano e por uma desmesurada paixão pela exploração do Oceano Atlântico a que se dedicou até ao fim da sua vida. Nomeado a 25 de Maio de 1420 Grão-Mestre da Ordem de Cristo pôde, enfim transformar essa paixão em Cruzada, resultado dessa combinação a semente da epopeia dos Descobrimentos.
Recordemos mais algumas referências da grandeza desta fascinante figura da História de Portugal no retrato que dele se fez no programa promovido pela RTP, “Os Grandes Portugueses”, onde obteve o 7.º lugar.

Este homem desvendou os mistérios do oceano. Com extraordinária obstinação, o Infante D. Henrique foi o mentor da expansão ultramarina que, mais tarde, desencadeou os descobrimentos. Revelou-se muito hábil a farejar boas oportunidades de investida. Culto, empreendedor, prospectivo, o Infante D. Henrique preparou Portugal para aquela que foi a grande gesta nacional. Deu, na expressão de Camões, “novos mundos ao mundo”. “É o verdadeiro iniciador da expansão universal de Portugal e da Europa”, afirma Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas.
É um dos vultos mais brilhantes da Idade Média. É o homem que simboliza a glória dos descobrimentos. O Infante D. Henrique é um príncipe medieval obcecado pela ideia de cruzada que arrasta a Europa e o mundo para a modernidade da comunicação entre os povos. Foi um excêntrico para a sua época. “Tinha uma visão e conseguiu concretizá-la, à custa de muito esforço e trabalho. É esse o mérito de D. Henrique”, aponta Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas e seu profundo admirador. “Um visionário”, acrescenta o empresário Filipe de Botton, outro dos seus admiradores.
Nascido no Porto em 3 de Março [?] de 1394, o Infante foi o quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Em 1414 convenceu o pai a organizar a expedição a Ceuta, que foi conquistada em 1415, marcando o início da expansão portuguesa. Se não existisse “um Infante D. Henrique, planeador, estratega, com a noção do que pretendia e a insistir sistematicamente, esta expansão teria ficado a meio, como ficou noutros países”, assegura Ferreira do Amaral.
O sucesso deste feito valeu ao Infante, nesse ano, os títulos de duque de Viseu, desconhecido então em Portugal, e de senhor da Covilhã, o que aumentou largamente o seu património. Aos rendimentos da sua casa senhorial juntou os da Ordem de Cristo, da qual foi nomeado regedor em 1420. Foi este desafogo económico que o levou a organizar, primeiro, uma armada de corso e, mais tarde, a exploração do Atlântico. “É o único português que figura em todas as histórias da Europa”, afiança o jornalista Carlos Magno. O Infante D. Henrique queria enriquecer mas, acima de tudo, conhecer novos mundos. Tinha aquela lucidez forte e taxativa dos visionários com um objectivo traçado. “Era muito pragmático. Procurou sempre engrandecer a sua casa, ao mesmo tempo que perseguia um sonho: o da cruzada”, concretiza João Oliveira e Costa, director do Centro de História de Além-Mar, da Universidade Nova de Lisboa. “Os descobrimentos nasceram dessa combinação.”
De facto, navios ao seu serviço chegaram pela primeira vez à Madeira em 1419 e aos Açores em 1427, ilhas que foram povoadas por ordem do Infante. Mas este homem de espírito voluntarioso e extraordinária obstinação queria ir mais além. O reconhecimento da costa ocidental africana era um dos seus objectivos. A passagem do cabo Bojador por Gil Eanes em 1434 foi um grande êxito e terminou com os medos ancestrais relacionados com aquelas paragens longínquas. Já tinham sido feitas diversas tentativas para dobrar o cabo, mas os navegantes acabavam sempre por recuar. “Se a sociedade global em que vivemos tem uma origem remota e indiscutível, é a passagem do cabo Bojador por Gil Eanes”, garante João Oliveira e Costa. O Infante D. Henrique “é o primeiro marco da globalização”, confirma Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra.
O Infante não se dedicou à navegação por simples aventura, “dedicou-se de forma científica, mas também religiosa, porque queria propagar a fé cristã e combater o islamismo”, diz o cantor João Braga. “Discutiu-se muito sobre o seu objectivo, mas acho que, na verdade, o objectivo final era fazer um ‘bypass’ ao cordão islâmico do Norte de África”, clarifica Ferreira do Amaral.
A sua biografia não é feita só de êxitos. De facto, foi um dos principais proponentes da conquista de Tânger, que se tentou em 1437 e que terminou de forma trágica devido à prisão e posterior morte no cativeiro do seu irmão, o infante D. Fernando. As viagens de exploração foram retomadas em 1441, com Dinis Dias a chegar ao rio Senegal e a dobrar o cabo Verde três anos depois. A Guiné é ainda visitada no seu tempo. Até ao ano da morte do Infante D. Henrique, em 1460, a costa africana foi reconhecida até à Serra Leoa. “Um homem inteligente e com coragem”, diz o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio. O avanço nas explorações foi acompanhado pela criação de feitorias, através das quais se trocavam produtos europeus por ouro, escravos, malagueta, algodão e marfim.
Apesar de só ter sulcado as ondas do oceano para as suas expedições de conquista em Marrocos, ficou conhecido como “o Navegador”. Um cognome bastante merecido, pois é a ele que se deve o primeiro impulso e grande incitamento das navegações posteriores.
Segundo a lenda, o Infante D. Henrique fundou, como governador do Algarve, a mítica “Escola de Sagres”, com relevante importância, mas que nunca existiu no sentido físico, como explica João Oliveira e Costa: “É no Sudoeste algarvio que nasce a caravela dos descobrimentos e alguns dos instrumentos de orientação em alto-mar, que depois foram usados com sucesso. Nessa perspectiva, podemos dizer que houve uma ‘Escola de Sagres’. Não no sentido de um edifício.”
Apaixonado pelas ciências cosmográficas, o Infante foi o maior matemático do seu tempo, aplicou o astrolábio à navegação e inventou as cartas planas. Reuniu à sua volta os melhores cérebros internacionais no campo da ciência. “Trouxe o que de melhor havia na Europa em termos de navegadores, astrónomos, gente que conhecia o mar”, refere Filipe de Botton. “Foi buscá-los e deu-lhes todas as facilidades para poderem trabalhar”, explicita Teresa Lago, professora catedrática de Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Até 1400 o Atlântico era um oceano virgem de navegação. Um deserto de água e a barreira que faltava ultrapassar. Foi o Infante D. Henrique quem incentivou a façanha. Ajudou a construir o que hoje está no código genético de Portugal e da Europa. “É uma das grandes figuras da história da Humanidade”, remata Ferreira do Amaral.

In http://www.rtp.pt/gdesport/?article=90&visual=3&topic=1


A controvérsia sobre imagem do infante

quarta-feira, 2 de março de 2011

Efemérides - Manuel dos Reis Buiça

Foi no dia 01 de Fevereiro de 1908 que foi morto pela Guarda Real, em Lisboa, Manuel dos Reis Buiça. Tinha nascido em Bouçoães, Valpaços, no dia 30 de Dezembro de 1876. Foi segundo-sargento de cavalaria, destacando-se como bom atirador. Demitido do Exército, veio para Lisboa, onde se dedicou ao magistério no ensino secundário com assinalável êxito.
Era viúvo, cultivando poucas relações fora dos seus afazeres  profissionais. Militante de uma sociedade secreta anarquista ligada aos republicanos, nunca se soube quem planeou e contribuiu para o atentado no Terreiro do Paço, em Lisboa, que vitimou D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, e consumado por Manuel Buiça (que matou o príncipe) e Alfredo Costa, que de imediato foram abatidos.

Américo Brito
http://www.semanariotransmontano.com

Para informações mais detalhadas sobre Manuel Buíça e o Regicídio em postagens anteriores neste blogue clique nos ícones:

                  
O regicídio                         O regicida                          O mistério



terça-feira, 1 de março de 2011

364.º Aniversário do nascimento de S. João de Brito

São João de Brito | ordemfranciscanasecularcabofrio.blogspot.com

A vida de e a morte São João de Brito, segundo “Os Grande Portugueses”

Portugal vivia a Guerra da Restauração quando João de Brito nasceu em Lisboa em Março de 1647, perto da costa do Castelo. Filho do trincheiro-mor de D. João IV, já tinha entrado na adolescência quando foi vítima de uma grave doença. A cura marcou uma viragem na sua vida. Para dar cumprimento à promessa da mãe, vestiu o hábito de S. Francisco Xavier. Neste aspecto, João de Brito parece que tinha o destino traçado num caderno.
Entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em Lisboa, e fez estudos em Évora e Coimbra. Foi professor no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, mas o seu trânsito e influência no meio religioso não se resumiram ao território nacional. O seu sonho era a Índia. Passados alguns anos, e consolidada a vocação, foi ordenado padre e recebeu com alegria o mandato de partir em missão para a Índia. Partiu em 25 de Março de 1673, numa expedição em que seguiram 27 jesuítas, enviados para a Índia e a China.
“Ninguém conseguiu retê-lo. João de Brito foi efectivamente para a Índia, onde levou a sua preocupação evangélica em estado puro. Saiu dos territórios onde os portugueses já estavam para se aventurar em territórios onde nunca tinham estado”, explica D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa. São João de Brito parece que nasceu fadado para cumprir a missão de ser a principal pedra no sapato das atitudes derrotistas, do laxismo, da prepotência e da desesperança. A sua vida mostra um percurso feito de inspiração e competência.
Desembarcou em Goa, a grande capital do Oriente e, de imediato, foi visitar o túmulo de S. Francisco Xavier. Em Abril de 1674 entrou na missão do Maduré, na qual abraçou a vida austera e penitente dos pandarás-suamis, com o objectivo de evitar a repugnância dos indianos cultos pelos missionários, então associados à conversão dos párias, a casta mais desprezada da Índia. A sua figura foi emblemática do novo método de evangelização seguido na Índia pelos missionários. Em 12 anos de apostolado, atravessou os reinos de Ginja e de Travancor, cruzou a pé, muitas vezes descalço, o continente índico e percorreu a costa da Pescaria e de Travancor. Esteve prestes a perder a vida, em muitas situações.
Em 1685 foi nomeado superior da Missão de Maduré. Esperavam-no atribulações e sacrifícios. No território de Murava foi sujeito ao suplício da água e açoites. As autoridades interditaram-no de pregar por aquelas bandas. Em 1686 desencadeou-se uma violenta perseguição no Maravá. São João de Brito apressou-se a apoiar os cristãos e foi preso pelo chefe das milícias daquele reino, que o sujeitou a enormes torturas e condenou-o a ser empalado. Mas a sentença precisava de confirmação do rei. Depois de sujeitá-lo a interrogatório sobre a doutrina que pregava, o monarca restituiu-o à liberdade, impondo-lhe que não voltasse a entrar no Maravá. João de Brito partiu para o Malabar. O provincial mandou-o, então, como procurador à Europa, a fim de, em Lisboa e em Roma, informar o que se passava nas missões. Chegou a Lisboa em Setembro de 1687, mas por motivos políticos o novo soberano, D. Pedro II, não autorizou a viagem a Roma. João de Brito percorreu, então, as principais casas dos jesuítas em Portugal, procurando apoios para a missão no Oriente.
Voltou a partir para a Índia em 1690 com 25 novos missionários, dos quais 14 eram portugueses. Os convertidos ao catolicismo atingiam os 8000. Entre eles contava-se um príncipe da casa real, baptizado em 6 de Janeiro de 1693. Corria célere a fama do apóstolo do Malabar e os poderosos locais olhavam-no com desconfiança. A condenação não tardou. Bastou que João de Brito tivesse ido outra vez à terra de Maravá para que o governador o acusasse de desobediência e o condenasse à morte. O martírio fez-se no alto de um monte, à vista de Urgur. Decapitado, o cadáver foi amputado de pés e mãos, e os despojos dados às feras e aos abutres. Os cristãos puderam ainda recolher o crânio e alguns ossos. Conseguiram obter o cutelo da execução, mediante elevada soma de dinheiro. Foi trazido para Lisboa e oferecido a D. Pedro II, que o confiou à guarda da Companhia de Jesus.
O local do martírio começou de imediato a ser venerado pelos cristãos. Séculos mais tarde o Papa Pio XII canonizou o santo missionário português. “São João de Brito teve a capacidade de ir até ao fim levado por um sonho”, afirma D. Manuel Clemente. “Foi capaz de se adaptar, cultivar os hábitos locais sem perder os valores que também transportava. Isto faz dele uma figura de primeiro plano. De Portugal no seu melhor.”

In RTP, Os Grandes Portugueses | http://www.rtp.pt
Para conhecer outros pormenores sobre a vida de S. João de Brito, clique AQUI.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

1.º Aniversário do Clube de História de Valpaços

Celebramos hoje o primeiro aniversário do Clube de História de Valpaços. Pensamos ter vindo a cumprir com os objectivo a que nos propusémos que foram, e continuarão a ser os de contribuirmos para a divulgação do património histórico e cultural do concelho de Valpaços e fazer alguma luz sobre outros assuntos de relevância nacional e Universal nas várias categorias temáticas que criámos. Nesta data especial para o blogue, deixamos uma nota de agradecimento e homenagem a todos os que nele têm directa e indirectamente participado, desde os elementos da equipa, identificados no perfil, aos seguidores que diligentemente partilharam as suas publicações e participaram com os seus comentários de forma construtiva e total abnegação. Apraz-nos informar que nunca nos foi dirigido qualquer comentário depreciativo e com objectivos maliciosos ou suspeitos - todos os que aqui nos chegaram, incluindo os anónimos, foram tecidos com o claro objectivo de melhorar a qualidade das publicações a que se reportavam. Um agradecimento especial ao Sérgio Morais, que foi o mais assíduo e diligente colaborador, ao Sr. Manuel Medeiros, ao Sr. Carlos Terra, ao Reverendo Padre Jorge Fernandes, à Graça Gomes e a muitos outros "não valpacenses", seguidores deste blogue, nomedamente o Jorge Miguel e o incansável Micael Sousa que tem partilhado conosco algumas das suas interessantes publicações. Obrigado ainda aos responsáveis pelos vários blogues com os quais temos estado em contacto.

Leonel Salvado

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Imaginário histórico ilustrado do concelho de Valpaços I - célticos e romanos

A ocupação céltica, séc. III – II a. C. | Foto: Eugénio Borges, in http://retratosdevalpacos.blogspot.com | ilustração de Leonel Salvado
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A ocupação romana, séc. I a. C. | Foto: Ícones de Portugal - http://mjfs.wordpress.com | ilustração de Leonel Salvado
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Esta apresentação não obedeceu a qualquer fundamento histórico que justificasse a relação geográfica entre as ilustrações e as fotos a que se encontram ligadas. Trata-se de alegorias sobre dois dos povos que ao longo da História ocuparam o território peninsular e, especificamente, o território do concelho de Valpaços, neste caso com toda a verosimilhança. O nosso objectivo, com esta criação iconográfica é mesmo apenas o de proporcionar aos valpacenses uma forma menos maçadora e enfadonha a livre interpretação de realidade que está subjacente às imagens, sugerindo qual terá sido o aspecto e o papel desses povos na evolução histórica nacional e regional. Neste caso, os povos dos castros, os mesmos que eram tradicionalmente considerados rudes e primitivos mas que foram, afinal, exímios metalurgistas, capazes de fabricar utensílios de trabalho e instrumentos militares sólidos e eficazes, bem como refinadas obras de ourivesaria – veja-se o célebre “tesouro de Lebução”, por exemplo! E outros que se lhes seguiram, como os romanos, apostados na difícil tarefa de pacificar as belicosas comunidades castrejas do Norte de Portugal, acabando  por trazer a paz e a prosperidade a esta região, até à chegada dos suevos e visigodos. A escolha das fotos foi aleatória e para essa escolha só tivemos em conta a sua excelente qualidade e as características mais adequadas para obtermos melhor enquadramento das ilustrações alegóricas.


Fóssil de uma tartaruga de Torres Vedras com 145 milhões de anos surpreende cientistas

Escudo ventral do fóssil de tartaruga com 145 milhões de anos (DR)


Embora este achado, junto ao rio Acabrichel em Torres Vedras, de mais um fóssil de tartaruga com centena e meia de milhões de anos possa parecer insignificante, ele pode ajudar, segundo alguns paleontólogos espanhóis, a completar o puzzle geográfico dos continentes no Jurássico Superior, altura em que a Europa e a América do Norte começavam a afastar-se uma da outra. Vale a pena ler, na totalidade, mais esta “notícia com História”.

É a tartaruga de água doce mais antiga da Europa. E é de Torres Vedras
Por Teresa Firmino 23.02.2011
Vivia numa zona de pântanos e linhas de água sinuosas. O seu fóssil pertence a um género e a uma espécie novos para a ciência. Não muito longe do local onde nadava, o Atlântico Norte começava a formar-se e a separar a Europa da América do Norte.
Estavam a escavar os ossos de um dinossauro num morro junto à foz do rio Alcabrichel, perto de Torres Vedras, quando um deles, Bruno Teodoso, literalmente tropeçou numa tartaruga jurássica. Escorregou e, ao roçar com um braço por cima dos sedimentos, destapou acidentalmente o fóssil de uma tartaruga com 145 milhões de anos.
Nessa altura, em 2003, a Associação Leonel Trindade (ALT) - Sociedade de História Natural, de Torres Vedras, continuou por mais três anos a escavação do dinossauro que ficou encravado durante 145 milhões de anos na colina que agora dá para a praia de Santa Rita e para um Atlântico a perder de vista.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

142.º Aniversário da abolição da escravatura em todo o território português

A abolição da escravatura | http://gruponovosamigos.blogspot.com

Ainda que persistam outras formas de escravidão no mundo contemporâneo, foi pela Lei de 25 de Fevereiro de 1869 que se aboliu a escravatura em todo o Império Português. Porém, o seu termo definitivo só se verificaria 9 anos depois. Não podemos esquecer que foi no século XVIII que se atingiu o auge do comércio de escravos para o Brasil. No entanto, dentre os países que mais proveito tiravam dessa empresa, foi alegadamente Portugal, no reinado de D. José I e por iniciativa do Marquês de Pombal, a tomar a dianteira na abolição da escravatura decretando-se, a 12 de Fevereiro de 1761 a proibição desta prática na Metrópole e na Índia. Há quem recue mais no tempo em busca dos mais precoces exemplos manifestados pelos monarcas portugueses na repressão da escravatura, retirando as desejadas provas do manancial legislativo registado nas chancelarias régias. Assim se descobriram as provisões de 5 de Abril e 11 de Junho de 1492 e os alvarás de 18 de Julho e 10 de Dezembro de 1493, emanados no reinado de D. João II, e a provisão de 1570 ordenada pelo rei D. Sebastião, pela qual "Portugues algum nam possa resgatar nem catiuar Iapão; e sendo caso, que resgatem, ou catiuem alguns dos ditos Iapões, os que assim forem resgatados, ou catiuos, ficaram livres…". Outros exemplos são invocados, no mesmo sentido, tais como os alvarás de 5 de Junho de 1605 e de 3 de Julho de 1609, sob o domínio filipino em Portugal, bem como o alvará com força de lei de 8 de Maio de 1758, dois anos antes da data comemorativa em epígrafe. Uma nota curiosa: No primeiro aniversário desta data comemorativa para os portugueses, nos Estados Unidos da América, Hiram R. Revels, membro do Partido Republicano que representava o Estado de Mississipi era o primeiro negro a ser eleito para o Senado.

Sem prejuízo da propalada dianteira de Portugal no processo abolicionista, haja em vista o seguinte “ranking” representativo da consumação definitiva formal (legal) desse processo.

1º Chile – 1823
2.º Reino Unido – 1834
3.º França – 1848
4.º EUA – 1865
5.º Portugal  (1869)1878
6.º Espanha/Cuba/Porto Rico - 1886
7.º Brasil (Lei Áurea) - 1888

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Adeus, Napoleão!

A defesa mais eficaz da história é portuguesa

À força de braços, a população construiu 152 fortificações ao longo de uma centena de quilómetros. Tudo no mais absoluto sigilo e em tempo record. Objectivo cumprido: os franceses foram expulsos de vez.

Montes de terra, pedra, argamassa e alguma madeira. Aquele que é considerado o sistema de fortificações de campanha mais eficiente da história militar não impressiona à primeira vista. Não tem o ar imponente de São Julião da Barra, em Oeiras, ou de São João da Foz do Douro, no Porto. Na verdade, está mais perto do poeirento Forte Sedgwick, onde Kevin Costner assume o papel de capitão Dunbar, no filme Danças Com Lobos. As aparências iludem e as Linhas de Torres Vedras são um bom exemplo do dito popular. No Outono de 1809, perante a ameaça de uma nova invasão francesa, o general inglês Arthur Wellesley ordena o reconhecimento dos terrenos a Norte de Lisboa. A sua intenção é estabelecer um sistema defensivo para proteger a capital porque “é-lhe difícil prever por onde Napoleão irá invadir Portugal”, explica o historiador Carlos Guardado da Silva, director do Arquivo Municipal de Torres Vedras.
Wellesley decide cercar o Norte da cidade com três linhas, que reforçam os obstáculos naturais do terreno e permitem controlar os principais acessos. Os trabalhos de construção arrancam a 3 de Novembro de 1809 e, “num período inferior a um ano, constroem-se, no maior segredo, 126 obras, entre fortificações permanentes e outras de carácter temporário”, revela Ana Catarina Sousa, arqueóloga da Câmara Municipal de Mafra. Desde 2002 que a especialista se dedica ao estudo das Linhas de Torres Vedras e, por isso, sabe que o aperfeiçoamento do sistema continua até 1812, “pois esperam uma nova investida de Napoleão, o que não acontece”. No total, erguem 152 fortificações apetrechadas com 523 bocas de fogo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Monumentos que contam a História de Portugal

Este livro, editado pela Plátano Editora, onde o professor Carlos Rebelo conta a origem e a História de alguns dos mais emblemáticos monumentos portugueses e onde aparecem algumas ilustrações de Jorge Miguel, publicados no seu blogue Falta apagar o lápis já está à venda. Segundo este conceituado ilustrador, nosso conhecido no Clube de História de Valpaços, «alguns desses "Ex Libris" são bem conhecidos do "quidam" português, outros nem tanto
Vejamos, numa rápida espreitadela, uma dessas ilustrações, bem como algumas observações feitas pelo autor, numa fase ainda preparatória do livro, tal como foram publicadas no referido blogue


Uma ilustração alusiva ao Cromeleque de Almendres, inserido num livro que sairá nos próximos dias com textos de Carlos Rebelo e desenhos aqui do setubalense de serviço. O tema será a História de Portugal contada através dos seus monumentos. Alguns desses monumentos são bem conhecidos e outros nem tanto. Nas ilustrações tentei utilizar uma visão diferente do que se tem feito até agora. Um dos meus desenhos preferidos é o do "rinoceronte" da torre de Belém. Comecei por desenhá-lo tentando devolver a sua forma original mas acabei por deixá-lo como está, roído pelos rigores atmosféricos. Era como devolver o nariz à Esfinge egípcia. "Sacrilège, sacrebleu!"

Para informações comerciais sobre este livro consulte a Plátano Editora.

Professora da UTAD vai apresentar obra escrita há perto de 500 anos

Isilda Rodrigues, do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai apresentar, juntamente com o médico José Luís Dória, no dia 24 de Fevereiro, o livro “Centúrias de Curas Medicinais” da autoria de Amato Lusitano e escrito há perto de 500 anos.
A reedição da obra, assim como esta sessão de apresentação, que terá lugar pelas 18h30, na Sociedade de Geografia de Lisboa, são uma iniciativa da Ordem dos Médicos e inserem-se nas comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano, que se celebram em 2011.
Isilda Teixeira Rodrigues desenvolveu, no âmbito do seu doutoramento em História da Medicina, um estudo sobre a obra As Sete Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano, editadas em 1980, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Obra de grande impacto na sua época, foi traduzida em diversas línguas e inúmeras vezes reeditada. A sua presente reedição, pela Ordem dos Médicos, reveste-se de grande importância no panorama editorial português.

Fonte: http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=9988
Imagem: http://dererummundi.blogspot.com/2011/02/centurias-de-curas-medicinais-de-amato.htm

A propósito da palavra “testemunhar”

Numa separata da revista Super Interessante, na sua edição n.º 64, de Agosto de 2003, o Almanaque do Incrível (p. 18) pode ler-se:

À falta de Bíblia, os romanos juravam dizer a verdade apertando os testículos com a mão direita. É deste costume romano que provém a palavra testemunhar”.

Afinal, esta curiosa explicação do Almanaque do Incrível, suscita inúmeras objecções. Que o diga Micael Sousa, a quem se deve a pesquisa sobre "algumas visões etimológicas" relacionadas com esta questão, publicada no seu blogue, "A busca pela sabedoria", nas etiquetas Conceitos, História, Sexualidade e Sociedade e que entendemos partilhar aqui.

Os Testemunhos e os Testículos - algumas visões etimológicas
Por Micael Sousa

Hoje, pelo menos em Portugal, devido ao pretenso laicismo das nossas instituições públicas, para validar um “testemunho” não precisamos de jurar sobre ou por algo - um objecto por exemplo. No entanto, em alguns países ainda se jura, por exemplo, sobre um livro sagrado.

Composição nº61 - Alexander Rodchenko

Esquecendo para já este primeiro parágrafo, este texto pretende fazer uma pequena incursão sobre a etimologia dos termos relacionados com a acção de testemunhar. Existem várias teorias - um pouco para todos os gostos - sobre a origem desta acção. Helder Guégués (1) afirma que a palavra testemunha provém do latim, de "testis" que significa algo semelhante a teste, refere também, indo linguisticamente ainda mais ao passado, que este termo latino deriva por sua vez do termo Indo-europeu "tris", que se relaciona, por exemplo, com o "tree" do inglês actual, ou seja “árvore” - uma acepção com alguém de conduta sólida, com os "pés bem assentes na terra", imparcial e justo. Mas Helder Guégués vai ainda mais longe, afirma também que "testis" está na origem da palavra "testículo", e remete a origem do nome para o facto desse órgão atestar a masculinidade de um individuo - algo de extrema importância na antiguidade pelo facto das sociedades serem profundamente patriarcais.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

538.º Aniversário do nascimento de Copérnico

Copérnico conversa com Deus, de Jan Matejko, 1872 | http://ovelhaperdida.wordpress.com

Nicolau Copérnico ou, na sua língua materna, Nicolaj Kpernik, nasceu a 19 de Fevereiro de 1473 em Toruñ, cidade polaca situada junto do rio Vístula, na Pomerânia (aliás, na actual Pomerânia ocidental que faz parte do território polaco e confronta com a Pomerânia alemã ) foi destinado pela família para seguir a carreira eclesiástica, tendo tido a oportunidade de visitar os mais importantes centros de irradiação da cultura humanista e universidades do seu tempo, tais como Bolonha Pádua e Ferrara, onde estudou Direito, Medicina, Astronomia e Matemática, além do estudo do grego, língua que era então de grande importância para a leitura dos originais das grandes obras científicas da Antiguidade Clássica. Adquiriu uma sólida formação que o transformou num dos grandes precursores da revolução científica que o Renascimento representou.
A maior parte da sua vida foi passada em Frauemburgo, na Polónia, onde, desde 1501, assumiu as funções cónego, e a partir de 1512 se dedicou a observações astronómicas através de instrumentos criados por ele próprio.
O primeiro documento composto a partir das suas ideias e observações astronómicas foi um manuscrito na língua latina intitulado Nic. Copernici de Hypothesibus Motuum Coelestium a se Constitutis Commentariolus ("Pequenos Comentários de Nicolau Copérnico em Torno das Suas Hipóteses sobre os Movimentos Celestes") onde já apresentava a ideia do sistema heliocêntrico como uma possibilidade. Estas ideias foram percorrendo a Europa, chegando, em 1533, ao conhecimento do Papa Clemente VII que solicitou do cónego-astrónomo uma esposição sobre o assunto em Roma, o que não chegou a acontecer por entretanto Copérnico pretender aprofundar ainda mais as suas ideias de modo a refutar de forma superior o sistema geocêntrico de Ptolomeu. Tal só viria a suceder em 1543 quando o livro completo das ideias de Copérnico, levado a publicação três anos antes chegou, por fim, às suas mãos, já no leito de morte. Esse livro, intitulado De Revolutionibus (As Revoluções”), com um prefácio dedicado ao Papa III, seria depois adulterado por um pastor luterano que substituiu o prefácio original por um outro anónimo e modificou o seu título para De Revolutionibus Orbium Coelestium ("As Revoluções do Orbe Celeste"). Apesar disso, a obra revelou a teoria coperniciana que logo passou a ser reconhecida como uma das mais revolucionárias hipóteses científicas de sempre e depois de comprovada pelas observações de Galileu das fases de Venus e dos satélites de Jupiter foi ponto de partida da Astronomia Moderna. Além de astrónomo e matemático, este cónego da Igreja Católica foi ainda jurista e médico. Faleceu em Frauemburgo, a 24 de Maio de 1543.

Para uma biografia mais detalhada de Nicolau Copérnico, clique AQUI.