segunda-feira, 28 de março de 2011

150.º Aniversário da elevação de Valpaços à categoria de Vila

A foto foi gentilmente cedida pelo Dr. José António Soares da Silva

Foram precisos mais de 24 anos depois do feliz Decreto de Passos Manuel que elevou Valpaços à categoria de sede de concelho, a 6 de Novembro de 1836, data que é celebrada anualmente como feriado municipal, para que a aldeia fosse contemplada com a elevação à categoria de Vila! Durante esse tempo Valpaços foi engrandecendo com o próprio engrandecimento do seu modesto termo municipal inicial e à custa sobretudo da integração das freguesias, que para ele foram passando, dos extintos concelhos de Monforte do Rio Livre e de Carrazedo de Montenegro, como tivemos oportunidade de recordar na nossa publicação de 6 de Novembro de 2010 dedicado ao feriado municipal.  

Como se sabe, esta situação não foi inédita pois verificou-se um pouco por todo o país, em consequência da gigantesco movimento reformista que varreu para sempre as seculares estruturas administrativas típicas da monarquia conservadora, movimento esse inspirado no espírito legislador reformista de Mouzinho da Silveira (um Cartista reformador), materializado pelos subsequentes políticos Setembristas, em especial por Manuel da Silva Passos e prosseguido durante a Regeneração e do Partido Reformista até à implantação da República.  O que equivale a dizer que a elevação de Valpaços a Vila seria em grande parte uma questão de tempo. No entanto, tal só foi possível graças à enérgica insistência de uma ilustre figura política e militar valpacense, Júlio do Carvalhal, que enquanto Deputado pelo círculo de Valpaços entre 1860 e 1862, obteve a anuência  do acto que foi referendado pelo Marquês de Loulé a 27 de Março de 1861 e confirmado por Decreto Real ( carta de mercê), assinado por D. Pedro V  a 4 de Abril do mesmo ano. Vila durante quase 138 anos, Valpaços viria, finalmente a ser elevada a categoria de cidade em 13 de Maio de 1999.

A data de ontem, 27 de Março foi, portanto, uma data comemorativa de reconhecida importância para a localidade. Pelo seu envolvimento no significado histórico que essa data representa, Júlio do Carvalhal é uma personagem histórica do concelho, de quem já publicámos uma breve biografia neste blogue, que merece também algumas notas em sua homenagem.


Passamos a transcrever o referido documento, tal como foi publicado por A. Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços.


Carta de mercê da Vila
D. Pedro V, por Graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves, etç.
Faço saber aos que esta minha carta virem que, atendendo a que a povoação de Valpaços no distrito de Vila Real, além de ser a cabeça de concelho e comarca daquela designação, possui os requisitos necessários para poder gozar convenientemente da consideração de vila, assim pela sua população e riqueza como pelo grande merecimento que ali tem tido ultimamente várias obras de utilidade pública sob a inteligente direcção e eficaz impulso da respectiva municipalidade, tem outrossim em contemplação os testemunhos que o povo daquele lugar tem constantemente dado de nobre homenagem e devoção ao trono e as instituições constitucionais da monarquia: hei por bem anuindo à representação da Câmara Municipal e demais autoridades judiciais e administrativas do concelho de Valpaços, em vista da informação do Governador Civil de Vila Real e resposta fiscal do Ajudante do Procurador Geral da Coroa junto do Ministério do Reino, fazer mercê à povoação de Valpaços e de a elevar à categoria de vila com denominação de Vila de Valpaços, e me praz que nesta qualidade goze de todas as perrogativas, liberdades e franquezas que direitamente lhe pertenceram. Pelo que mando a todos os tribunais, autoridades, oficiais e mais pessoas a quem esta minha carta for mostrada que, indo assinada por mim, referendada pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino e selado com o selo pendente das armas reais, hajam a sobredita povoação por vila e assim a nomeiem sem dúvida ou embargo algum. Pagou de direitos de mercê e adicionais a quantia de setenta e sete mil réis, como consta de um recibo de talão número setecentos sessenta e nove, passado em três de Abril corrente na Direcção Geral de Tesouraria do Ministério da Fazenda, e de um conhecimento em forma, número mil oitocentos e cinco, passado na mesma data, na Administração Geral da Casa da Moeda e Papel Selado; e esta carta é passada em dois exemplares um dos quais, depois de registado nos livros da Câmara Municipal de Valpaços, e no Governo Civil do distrito de Vila Real, servirá para título daquela corporação, e outro será depositado no real arquivo da Torre do Tombo. Dada no Paço das Necessidades em quatro de Abril de mil oitocentos sessenta e um, (1861). El-Rei P.
Carta pela qual Vossa Majestade há por bem fazer mercê à povoação de Valpaços de a elevar à categoria de Vila com a denominação de Vila de Valpaços pela forma retrodeclarada.
Para Vossa Majestade ver.
João Correia de Oliveira Caufers, a fez.


in Valpaços, Monografia, A. Veloso Martins, C.M. Valpaços, 1990, 2.ª ed. pp. 102-103

domingo, 27 de março de 2011

Carta arqueológica do Concelho de Valpaços - 2

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001
Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgado através da Internet é dedicada a todos os valpacenses e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes. 

FREGUESIA DE ALVARELHOS

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

“Freguesia do concelho e concelho e comarca de Valpaços, distrito e dioceses de Vila real. 392 h. em 92 fogos (estimativa de 1960); 302 h. em 79 fogos (1970). Orago: Nossa Senhora da Expectação.”
Enciclopédia Verbo,Vols. 1 e 19, pág. 1541

Compõem esta freguesia, as povoações de Alvarelhos (sede) e Lama de Ouriço.
Sob o ponto de vista geológico, toda a área desta freguesia é formada por rochas antigas, paleozóicas, granito e xistos, com nítido predomínio da primeira.

sexta-feira, 25 de março de 2011

27.º e 26.º Aniversários das vitórias de Carlos Lopes nos Campeonatos Mundiais de corta- mato nos EUA e em Lisboa

Carlos Lopes | http://omocho.info/mocho3/?p=1035

Cabe-nos nestas duas datas comemorativas consecutivas do desporto nacional, em que o mesmo atleta, Carlos Alberto de Sousa Lopes dignificou o nome de Portugal, a 24 de Março de 1984, e a 25 de Março de 1985, ao vencer os Campeonatos do Mundiais de Corta-Mato, em East Rutheeford, nos EUA, e em Lisboa, respectivamente, reservar-lhe a devida homenagem. Este atleta, que representou o Sporting Clube de Portugal desde 1967, é considerado um dos melhores mundiais da sua geração no atletismo de longa distância e também um dos mais versáteis nesta categoria, uma vez que se destacou tanto em provas de corta-mato como nas de pista e nas de estrada. A sua primeira vitória no Campeonato Mundial de corta-mato foi conseguida em 1976 em Chepstown, no País de Gales. Outras importantes vitórias que constam do invejável palmarés deste extraordinário atleta português foram os seguintes:

• 1982 - as 10000 metros de Bislett Games em Oslo
• 1982 - a Corrida de São Silvestre de São Paulo, Brasil.
• 1984 - venceu a maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, estabelecendo o recorde olímpico da prova (no mesmo ano havia alcançado o 2.º Lugar no Meeting de Estocolmo, em 1º lugar ficou outro português, Fernando Mamede).
• 1984 - a tradicional Corrida de São Silvestre de São Paulo, no Brasil,
• 1985 - a maratona de Roterdão e quebrou o recorde mundial da prova.

(Dados de http://pt.wikipedia.org)

Tudo isto, sem levarmos em cosideração outras participações e classificações honrosas alcançadas por Carlos Lopes em outros importantes eventos desportivos (medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, em 1976, o mesmo prémio no Campeonato do Mundo de Dusseldorf, em 1977, em Gateshead, Inglaterra em 1984 …
Foi por estes gloriosos serviços prestados ao País, agraciado com três medalhas honoríficas da Ordem do Infante D. Henrique, a de Oficial, Grande Oficial e a Grã Cruz.

Tendo em especial consideração as duas efemérides que indicámos em epígrafe, Carlos Lopes é o nosso atleta do mês e assim figurará na barra lateral do Clube de História de Valpaços.

Para recordar da TV…

25 de Março : Dia da Anunciação do Senhor

Texto de José Maria Melo, 25 de Março de 2009, Blogue da Sagrada Família

A Anunciação, pintura de Francesco Albani, c. 1645,
Hermitage Museum, Saint Peterbourg,
 in http://pt.wikipedia.org/

Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço. Hoje é o dia em que a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno: "A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade."Com alegria contemplamos o Mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do Mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas, Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’" Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: "Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade" (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima. Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Connosco" (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:"Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

http://blogdasagradafamilia.blogspot.com/2009/03/santo-do-dia-anunciacao-do-senhor.html

As bizarras "baixelas" dos primeiros britânicos

Primeiros britânicos usavam crânios de mortos como taça

CiênciaHoje, 2011-02-17

Primeira evidência de crânio-chávenas no Reino Unido

“Uma recente descoberta numa caverna – Gruta do Gough, em Cheddar Gorge, Somerset (Reino Unido) –, indica que os britânicos primitivos usavam os crânios das suas vítimas como taça.
Os cientistas do Museu de História Natural de Londres analisaram os restos de três pessoas encontradas, entre elas, uma criança de três anos que supostamente foi morta por práticas de canibalismo. O estudo foi publicado na edição online da PLoS One."
As três taças datam de há 14 700 anos e estima-se que tenham sido usadas após a última Idade do Gelo. “Esta é a primeira evidência da existência de crânio-chávena manufacturados no Reino Unido, já que exemplos arqueológicos dos detalhes desta prática são extremamente raros. O diário «The Daily Telegraph» aponta, na edição de hoje, a descoberta como “a primeira evidência de massacres ritualísticos no país”.
Uma das chávenas adultas fará parte de uma exibição no museu londrino, a partir do próximo dia 1 de Março. Fazer recipientes a partir de crânios humanos pode parecer horrível, mas a prática já era conhecida e documentada do tempo dos Vikings e Citas.
No entanto, segundo os avanços dos paleontólogos do museu, o canibalismo não parece ter sido o propósito principal para a transformação dos crânios. Os ossos mostram cortes precisos com o objectivo de extrair a máxima quantidade de carne das vítimas.
Naquela época, os humanos já tinham aprendido a enterrar os mortos, o que significa que os restos descobertos são resultado de práticas canibais. Segundo Chris Stringer, investigador da instituição que se dedica ao estudo dos crânios, “o canibalismo era seguramente um bom método para eliminar grupos rivais e conseguir comida". "O mais sinistro é que essas pessoas eram caçadoras parecidas com seres humanos actuais. Fazer ferramentas e pintavam nas cavernas. Sepultavam os mais chegados, não os devoravam e tratavam os seus mortos com reverência", acrescentou Stringer.
Os investigadores ressalvam que os ossos humanos mostram claros sinais de carnificina, implicando que foram limpos pela sua carne. A medula foi esmagada antes de as cabeças serem transformadas em louça e não há nenhuma sugestão que indique que as chávenas são troféus feitos dos restos de inimigos mortos.

In http://www.cienciahoje.pt

quinta-feira, 24 de março de 2011

Descoberto navio do capitão que inspirou o romance «Moby Dick»

CiênciaHoje , 2011-02-14


Two Brothers é o primeiro baleeiro norte-americano de Nantucket encontrado no fundo do mar
Arqueólogos encontraram âncora e diversos objectos do navio Two Brothers (créditos: NOAA)
(imagem: adaptação de Leonel Salvado)

Numa investigação rara, uma equipa de arqueólogos subaquáticos norte-americanos descobriu o baleeiro Two Brothers, cujo capitão George Pollard Jr. inspirou o famoso romance «Moby Dick», de Herman Melville. Os arqueólogos da agência governamental National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) encontraram o navio de Nantucket (histórico porto baleeirodos EUA, em Massachusetts), ao largo do recife French Frigate Shoals, em águas pouco profundas, a 965 quilómetros de Honolulu.

De referir que todos os navios baleeiros de Nantucket desaparecem – afundados ou destruídos – excepto o Charles W. Morgan, que pode ser visto no Museu Mystic Seaport, em Connecticut.
Antes de ser capitão do Two Brothers, George Pollard Jr. tinha capitaneado o baleeiro Essex, abalroado e afundado por uma baleia no Pacífico Sul, em 1820. Essa famosa história inspirou o escritor Herman Melville, que conhecia bem a caça à baleia, tendo percorrido o Pacífico a bordo do baleeiro Acushet, a escrever o «Moby Dick», em 1851.
A NOAA afirmou já que esta é a primeira descoberta de um baleeiro de Nantucket afundado. Entre os artefactos achados encontram-se duas âncoras, três panelas de ferro usado para derreter a gordura da baleia, restos de armamento, pontos de arpões, lanças de caça e utensílios de cozinha.
Os artefactos encontram-se na área protegida intitulada Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea, facto importante para o material se ter preservado até agora, como afirmou o arqueólogo marinho líder da expedição Kelly Gleason.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=47429&op=all

Cruzeiros do concelho de Valpaços – Freguesias de Sanfins e Santa Maria de Emeres

Padre João Parente (trancrição)
I

Cruzeiro em alpendre no Largo do Cruzeiro, Sanfins
| Foto base: Padre João Parente | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Número: 12.14.229

Local: Sanfins, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito, cimento, ferro e telha
Altura: 2,80 m, base e cruz
Descrição: Dentro de alpendre feito com colunas de granito, de secção quadrangular, biseladas, grades de ferro e cobertura de cimento, encontra-se o moderno cruzeiro de granito, com base constituída por blocos laterais, escalonados, e cruz de secção quadrangular, que sustenta uma segunda pequena cruz de mármore preto com um crucifixo de mármore branco.
Data: Colunas de alpendre, do século XIX, o resto é recente.

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd, p. 285.

II

Cruzeiro no Largo do Curzeiro, Santa Maria de Émeres
 | Foto base: Freguesia de Santa Maria de Émeres, Valpaços, in http://www.freguesias.pt
 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Número: 12.15.230

Local: Santa Maria de Émeres, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4 m
Descrição: Plataforma quadrangular de três degraus simples; base também quadrangular, constituída por dois blocos escalonados, e um conjunto que se adelgaça por meio de toro, filete e Escócia, para receber o fuste cilíndrico; o capitel é quadrangular, com um filete por astrágalo, colarinho liso e ábaco formado por um junquilho e três filetes; a cruz é de cimento, porque a original foi partida recentemente, por ocasião de uma festa, quando colocavam uma instalação sonora.
Data: Século XVII - XVIII

Fonte: Id. p.286.

quarta-feira, 23 de março de 2011

144.º Aniversário do nascimento de Norton de Matos

Por Leonel Salvado

Norton de Matos, foto do Arquivo Histórico Ultramarino | http://www2.iict.pt

José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos nasceu em Ponte de Lima, no Distrito de Viana do Castelo, no dia 23 de Março de 1867 e faleceu na mesma Vila no dia 3 de Janeiro de 1955. Da sua admirável biografia extrai-se que foi um militar de grande prestígio que ascendeu ao posto de General e um influente político que desempenhou importantes cargos administrativos e diplomáticos na parte oriental do império colonial durante os últimos anos da Monarquia Constitucional e durante a instável conjuntura que se viveu em Portugal durante a 1.ª República, filiando-se no Partido Republicado Democrático de Afonso Costa. Foi Norton de Matos enquanto Ministro da Guerra do Governo de Afonso Costa o preparador da intervenção de Portugal na 1ª Grande Guerra cujos desastrosos resultados imediatos conduziram ao golpe sidonista de 1917 e o obrigaram a exilar-se na capital britânica. Iniciado na Maçonaria em 1912 veio a ser um acérrimo opositor a todas as formas de ditadura militar e, desde 1948, um dos mais activos membros da oposição ao regime salazarista. Admirável foi ainda, em particular, o seu percurso maçónico que iremos também expor aqui. Apesar da sua posição pró-belicista e das nefastas consequências que dela decorreram para o país, Norton de Matos lutou até à sua morte pela liberdade e pela democracia em Portugal.
Síntese biográfica

Depois de frequentar o colégio em Braga foi, em 1880, para a Escola Académica, em Lisboa. Quatro anos depois iniciou o seu curso na Faculdade de Matemática em Coimbra. Fez o curso da Escola do Exército e, em 1898, partiu para a Índia Portuguesa, onde organizou os cadastros das terras. Começou aí a sua carreira na administração colonial, como director dos Serviços de Agrimensura. Acabada a sua comissão, viajou por Macau e pela China em missão diplomática.
O seu regresso a Portugal coincidiu com a proclamação da República. Dispondo-se a servir o novo regime, Norton de Matos foi chefe do estado-maior da 5ª divisão militar. Em 1912 tomou posse como governador-geral de Angola. A sua actuação na colónia revelou-se extremamente importante, na medida em que impulsionou fortemente o seu desenvolvimento, protegendo-a, de certa forma, da ameaça contínua que pairava sobre o domínio colonial português, por parte de potências como a Inglaterra, a Alemanha e a França. Fundou a cidade do Huambo.
Foi demitido do cargo em 1915, como consequência da nova situação política que se vivia em Portugal durante a Primeira Guerra Mundial. Foi depois chamado, de novo, ao Governo, ocupando o cargo de ministro das Colónias, embora por pouco tempo. Em 1917, um novo golpe revolucionário obrigou-o a exilar-se em Londres, por divergências com o novo governo. Regressou à pátria e foi delegado de Portugal à Conferência da Paz, em 1919. Mais tarde, foi promovido a general por distinção e nomeado Alto-comissário da República em Angola. Na Primavera de 1919, foi delegado português à Conferência da Paz. Em Junho de 1924, exerceu as funções de embaixador de Portugal em Londres, cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar.
Foi, em 1929, eleito grão-mestre da maçonaria portuguesa.
Em 1948, participou nas eleições presidenciais de 1949, reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos. O regime de Salazar recusou-se a satisfazer estas exigências. Obteve vastos apoios populares e apoio de membros da oposição. Devido à falta de liberdade no acto eleitoral, e prevendo fraudes eleitorais, ele acabou por desistir depois de participar em comícios e outras manifestações de massas.”

In http://pt.wikipedia.org/

Percurso maçónico


1867
23 de Março - Nasce em Ponte de Lima (Distrito de Viana do Castelo), na Rua do Pinheiro, filho de Tomás Mendes Norton, comerciante e cônsul da Inglaterra em Viana (afilhado de baptismo de Rodrigo da Fonseca Magalhães) e de Emília de Matos Prego e Sousa, neto paterno de José Mendes Ribeiro, da burguesia de Viana do Castelo, e materno de Manuel José Matos Prego e Sousa, doutor em Direito, da fidalguia de Ponte de Lima (casa do Bárrio).

1912
17 de Maio - É iniciado Maçon na Loja "Pátria e Liberdade", nº 332, de Lisboa (Rito Escocês Antigo e Aceite), sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de Danton.

1913
27 de Janeiro - É elevado ao grau 2 (Companheiro).

1914
«18 de Abril - É elevado ao grau 3 (Mestre).
«Outubro - Cisão da Maçonaria Portuguesa: a Loja "Pátria e Liberdade" desliga-se da obediência do “Grande Oriente Lusitano Unido”.

1916
12 de Maio - Reentra na obediência do Grande Oriente Lusitano Unido, filiando-se na Loja "Acácia", de Lisboa (Rito Francês).
19 de Setembro - É elevado ao grau 4 (Eleito) do Rito Francês.

1918
16 de Fevereiro - É elevado ao grau 5 (Escocês) do Rito Francês.
31 de Outubro - É elevado ao grau 6 (Cavaleiro do Oriente ou da Espada) do Rito Francês.

1919
31 de Outubro - É elevado ao grau 7 e último (Príncipe Rosa Cruz) do Rito Francês.

1928
6 de Novembro - A Loja "Acácia", de que é membro, propõe, pela primeira vez, a sua candidatura ao cargo de Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano Unido.
7 de Dezembro - Morte de Magalhães Lima, Grão-Mestre do “Grande Oriente Lusitano Unido”.

1929
31 de Outubro - Morte de António José de Almeida, Grão-Mestre eleito do “Grande Oriente Lusitano Unido”.
31 de Dezembro - É eleito Grão-Mestre do “Grande Oriente Lusitano Unido” para os anos de 1930 e 1931.

1930
30 de Abril - Toma posse do cargo de Grão-Mestre, dirigindo uma mensagem aos maçons portugueses.
17 de Setembro - Parte para Antuérpia, a fim de participar na Semana Portuguesa e na Convenção Maçónica Internacional.
25 a 30 de Setembro - Toma parte na convenção da “Association Maçonnique Internationale” (A.M.I.), reunida em Bruxelas.
Dezembro - Devido ao período decrescente em que decorrem os trabalhos maçónicos em Portugal, é decidido suspendê-los nas lojas de Lisboa, convidando estas à imediata triangulação.

1931
Março - Dirige uma importante mensagem à Grande Dieta.
Dezembro - é reeleito Grão-Mestre.
1932
5 de Julho - Salazar ascende a Presidente do Conselho.

1935
31 de Janeiro - Protesta, junto do Presidente da Assembleia Nacional, José Alberto dos Reis, contra o projecto de lei que proíbe as associações secretas.
14 de Maio - Resolução do Conselho de Ministros exonerando e/ou passando à reforma uma série de funcionários que oferecem poucas garantias de fidelidade ao regime, entre os quais Norton de Matos.
21 de Maio - Publicação da Lei nº 1 091 que proíbe as associações secretas. Norton de Matos demite-se do cargo de Grão-Mestre, para que pudesse ser eleito alguém desconhecido do Governo.

1955
2 de Janeiro - Morre, na sua casa de família de Ponte de Lima.

In http://gremio_fenix.tripod.com/norton_matos.html

terça-feira, 22 de março de 2011

51.º Aniversário do nascimento de Ayrton Senna

Ayrton Senna da Silva, o Herói Revelado | http://armazemgerallivros.blogspot.com

Fez ontem, dia 21 de Março, 51 anos que nasceu na cidade de S. Paulo, Brasil, Ayrton Senna da Silva, piloto que se notabilizou na Fórmula 1 e foi três vezes campeão mundial nesta modalidade. Faleceu em Bolonha, Itália, a 1 de Maio de 1994, aos 34 anos em consequência do trágico e estranho acidente ocorrido no “Autódromo Enzo e Dino Ferrari” em Ímola, durante o “Grande Prémio de San Marino”. É considerado um dos maiores nomes do desporto brasileiro e um dos maiores pilotos da história do automobilismo. Ainda que a dramática e inesperada interrupção da sua extraordinária carreira o tenha impedido de igualar ou bater um maior número de recordes, foi eleito pela revista britânica “Autosport”, em Dezembro de 2009, o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos, entre os 217 candidatos que passaram por esta categoria desportiva. O seu palmarés, abruptamente interrompido em 2004, é na verdade impressionante. A data do seu nascimento é uma data comemorativa de relevância universal.

A História de Ayrton Senna, um exemplo de Superação


Se estiver interessado em conhecer mais detalhes sobre a carreira de Ayrton Senna clique AQUI.

domingo, 20 de março de 2011

Fontes, chafarizes e marcos fontanários do concelho de Valpaços – Água Revés e Crasto 2

Transcrição do texto de Adérito Medeiros Freitas

Recriação gráfica pseudo-faiança de Leonel Salvado

Tema: Observações relativas à Fonte de S. João, Água Revés | Objecto: prato
criação digital e adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Dando continuidade, por ordem alfabética do nome das freguesias, a esta iniciativa para divulgação do património artístico e arquitectónico do concelho de Valpaços, no caso as fontes, chafarizes e marcos fontanários que vieram a público na forma de um extraordinário trabalho de pesquisa e estudo levado a cabo pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas publicado em 2005 em dois volumes, uma edição da Câmara Municipal de Valpaços na mesma forma de divulgação diferente com uma apresentação iconográfica pouco usual e destinada aproveitar a sensibilidade dos nossos leitores para a bela e diversificada tradição artística portuguesa que é a Faiança é chegada a vez de apresentarmos mais uma jóia da arquitectura edificada na freguesia de Água Revés e Castro.

FREGUESIA DE ÁGUA REVÉS E CRASTO – Água Revés 2

2 – Fonte de Mergulho

Tema: Fonte de S. João, Água Revés | Objecto: prato
Foto – base: Adérito M. Freitas | criação digital e adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Localização: Água Revés

Lugar: Fonte de S. João.
Altitude: 437 metros Longitude: 7º 21’ 09,3’’ W Latitude: 41º 33’ 21,7’’ N
Ano de construção: Desconhecido
Material de construção: Granito equigranular de grão médio a fino, com moscovite e biotite.
Características gerais: Apesar de nos encontramos numa zona de rochas metamórficas, xistosa, esta fonte, tal como acontece com muitas outras construções de Água Revés, é toda construída em granito. É uma fonte de raro interesse que merece ser preservada e divulgada, pois que possui algumas características arquitectónicas de grande beleza e únicas entre todas as fontes do Concelho de Valpaços como, por exemplo, o nicho destinado a conter a imagem de S. João.
Quem visita a Fonte de S. João reconhece imediatamente que, ao longo dos anos e ainda recentemente, profundas alterações ao ambiente envolvente foram introduzidas e nem todas, infelizmente as mais aconselhadas. Uma das fachadas laterais e a fachada posterior desta fonte estão, hoje, totalmente tapadas por altos muros de uma propriedade vivinha. Na minha opinião esta fonte estaria, inicialmente, totalmente livre e, os muros referidos, teriam sido construídos posteriormente, como parece ficar demonstrado pela existência, ao nível da cobertura, de uma cornija emoldurada no topo das suas quatro fachadas. Acredito que, se a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Valpaços se interessarem, o proprietário do terreno não se oporá a que o referido muro seja recuado cerca de 1,50 m valorizando assim, e muito, a fonte de S. João.
A planta interna, rectangular, mede 1,60 m de comprimento e 1,27 m de largura. A nascente não é local, situa-se do lado esquerdo do caminho a alguns metros acima da fonte. O fundo do reservatório foi cavado directamente na rocha metamórfica natural e está fortemente inclinado para a região posterior. Como resultado desta irregularidade da base do depósito, a sua profundidade anterior não excede os 70 cm, enquanto que, posteriormente, atinge 1,50 m.
A porta mede 1,67 m de altura máxima e 1,31 m de largura. Termina em arco de volta perfeita. […]
O tecto, em “abóbada de berço”, é formado por quatro “aduelas” longitudinais justapostas, cada uma das quais mede 45 cm de largura, magnificamente trabalhadas. As duas aduelas basais da abóbada assentam, uma de cada lado, numa saliência longitudinal emoldurada, a “imposta”, com 15 cm de espessura, saliente 5 cm e que se posiciona 1,04 m acima da soleira da porta. A fim de formarem um arco perfeito, cada uma destas aduelas possui a sua superfície interna longitudinal deprimida e em forma de caleira, larga mas pouco profunda, o que abona em favor dos magníficos canteiros responsáveis por esta fonte. São, para todos nós, pessoas anónimas mas, já que não sabemos os seus nomes cumpre-nos agradecer-lhes, admirando, preservando e divulgando a obra magnífica que nos deixaram.
Externamente, a cobertura é plana horizontal e formada por dez lajes de granito de diferentes dimensões. As lajes desta coberta formam, a toda a volta da fonte, uma cornija horizontal emoldurada, com 17 cm de espessura e saliente 15 cm. Esta cornija dista, do topo da porta, 43,5 cm.
Frontal e superiormente, assente sobre a cornija descrita, existe uma estrutura magnificamente trabalhada, uma espécie de altar para receber a imagem de S. João e possuindo, para o efeito, um nicho com 67 cm de altura, 30 cm de largura e 16 cm de profundidade. Com 1,20 m de altura, esta estrutura é formada por três blocos de granito sobrepostos. O bloco basal mede 1,48 m de comprimento, 23 cm de altura, 40 cm de largura e possui esculpida uma bonita peanha limitada, superiormente, por três estreitas faces, uma frontal e duas laterais, simétricas e cuja superfície horizontal superior mede 30 cm de largura e 34 cm de profundidade. Abaixo de cada uma destas faces existe uma ornamentação em relevo e em forma de pétala. O segundo bloco assenta sobre o anterior, contém a maior parte do nicho e mede 50 cm de altura. O terceiro bloco assenta sobre o anterior e possui, a completar o limite superior do nicho, uma bem esculpida concha. De um e outro lado da base do nicho existem, em posição simétrica, duas volutas em S. A encimar toda esta estrutura, mais duas volutas em S, simétricas. Finalmente, no topo entre estas volutas, podemos observar, cravado e em posição vertical, um ferro de secção circular e que se destinava, certamente, a suportar mais um ornamento em granito, cuja forma, dimensões e destino hoje desconhecemos.
De um e outro lado da estrutura que possui o nicho descrito está presente um pináculo de granito, com base quadrangular e a porção superior em forma de tronco de pirâmide de faces laterais curvas. Cada uma destas estruturas ornamentais mede 51 cm de altura e é formada por duas partes constituintes: uma porção basal, o plinto, que forma um cubo com 31 cm de aresta, e uma porção superior assente sobre aquela, em forma de tronco de pirâmide, com 20 cm de altura. Em três das faces laterais do plinto da esquerda e duas do plinto da direita, um sulco paralelo às quatro arestas limita uma superfície quadrangular com 25 cm de lado. Dentro deste quadrado foi esculpido outro de menores dimensões, cujos quatro vértices coincidem com o entro dos lados do quadrado anterior, formando um losango de ângulos iguais ou pouco diferentes.

Quando a fonte enche e transborda, a água corre por uma caleira de granito com 2,60 m de comprimento, 10 cm de largura e 4 cm de profundidade, directamente para uma pia rectangular também de granito, pia bebedouro, com 1,58 m de comprimento, 45 cm de largura e 35 cm de profundidade. Daqui, e através de uma curta caleira de, apenas, 35 cm de comprimento, corre para um tanque de lavar roupa de grandes dimensões, pois mede 4, 00 metros de comprimento, 2,64 m de largura e 60 cm de profundidade. Este tanque possui lavadouros originais de granito, corridos, com 50 cm de largura, nas duas faces maiores e na face menor em posição distal relativamente à fonte perfazendo, no conjunto, um comprimento de 10,64 m. Todo este conjunto está, actualmente, protegido por uma cobertura de telha tipo Marselha e vigamento de eucalipto, tudo suportado por duas colunas e um muto de blocos de cimento.

Adérito M. Freitas, Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…, C.M.V., Vol. I, 2005, pp. 46-49.



Homenagem virtual às 7 maravilhas do concelho de Valpaços


Bule (duplicado) + açucareiro + xícara/pires | criação e adaptação fotográfica: Leonel Salvado
(clique na imagem para aumentá-la)

A iniciativa levada a cabo por Sérgio Morais no “Notícias de Valpaços” em promover em 2009 um concurso destinado a oferecer ao público valpacense a oportunidade de escolher democraticamente as sete maravilhas históricas, arquitectónicas ou naturais que constituem o seu vasto Património foi algo que mereceu a adesão do mesmo público que se mobilizou de uma forma notável e demonstrativa do seu interesse e da sua dedicação aos valores que fazem parte desse Património. Essa bem-aventurada iniciativa que se estendeu por esta época, há dois anos, desde as 20 nomeações pré-seleccionadas, a 16 de Fevereiro, até ao apuramento dos resultados finais, divulgados a 18 de Maio, foram de tal forma mediatizadas que não se ouvia outra coisa entre as conversas de café (passo a hipérbole!) e, de facto, convém, decorridos estes dois anos recordar as próprias palavras de Sérgio Morais

os objectivos a atingir com este concurso eram outros e, muito humildemente, pelas informações que fui recebendo pelos emails…, penso que foram conseguidos. Os valpacenses viajaram mais pelo seu concelho; passaram a conhecer melhor o seu concelho, o seu património e como é importante preservar toda a nossa riqueza!! (…) Esperemos que outros aproveitem esta ideia e possam realizar outras actividades (oficiais?!) e, porque possuem outros meios, publicitar e preservar mais e melhor o nosso concelho.”

4 xícaras + 4 pires (4 duplicados vertical) | criação e adaptação fotográfica: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

É tempo de atender a este repto, isto é, procurar ajudar a publicitar e a preservar, cada um com os meios que possua ao seu alcance (mesmo que não oficiais!). Porque não transformar as capacidades artísticas criativas que existem pelo concelho num meio de divulgação das 7 maravilhas ou outras referências patrimoniais do concelho?


3 xícaras + 3 pires (3 duplicados verticar) | criação e adaptação fotográfica: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

A presente demonstração - um serviço de chá em porcelana - pretende ao mesmo tempo ser uma homenagem ao êxito alcançado no excelente trabalho que foi o concurso para a eleição das sete maravilhas e uma sugestão virtual dos meios que podem ser explorados para atingir o objectivo primordial – conhecer, divulgar, preservar… o nosso Património – a olaria, a arte cerâmica por pintura ou estampagem.
Pois quem não gostaria de ter em sua casa um completo jogo assim de chá, com as sete representações iconográficas eleitas como as maravilhas do concelho?!

sábado, 19 de março de 2011

407.º Aniversário do nascimento de D. João IV

Retrato de D. João IV | http://freamundense.blogspot.com
 
Nascido no Paço ducal de Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604, D. João IV foi o 22.º rei de Portugal e o fundador da 4ª dinastia, a dinastia da Bragança, que só viria a terminar em 1889 no Brasil e em 1910 em Portugal, ali em resultado do golpe republicano de 15 de Novembro de 1889, que pôs termo à família imperial brasileira dos ramos e Patrópolis e de Vassouras, os ramos de Orleães e Bragança em disputa, reinando a princesa Isabel de Bragança e Bourbon e aqui em resultado do golpe republicano de 5 de Outibro 1910 que pôs termo à monarquia da Casa de Bragança, reinando D. Manuel II da Casa de Bragança - Saxe - Coburgo e Gota. Nascido de Teodósio II, sétimo duque de Bragança, e de sua mulher, a duquesa Ana de Velasco y Girón, nobre castelhana, D. João IV era o herdeiro do senhorio da casa ducal de Bragança, 8.º duque de Bragança, 5.º duque de Guimarães. 3.º duque de Barcelos, 7.º marquês de Vila Viçosa e conde de Barcelos, Guimarães, Arraiolos, Ourém e Neiva, quando subiu ao trono de Portugal após a Restauração da Independência de Portugal na qualidade de trineto do rei D. Manuel I, por via de D. Catarina duquesa de Bragança que era sua avó paterna. Recebeu o cognome de” O Restaurador”, por conseguir obter Restauração da independência do Reino relativamente ao domínio da Casa real estrangeira dos Habsburgos (a dinastia filipina) e também o cognome de “ O Afortunado” em virtude de a coroa lhe ter tocado não por intervenção e vontade própria, mas da própria esposa, D. Luísa de Gusmão.

Foi rei de Portugal entre 1 de Dezembro de 1640, por golpe de estado seguido de aclamação, e 6 de Novembro de 1656, data da sua morte no Palácio da Ribeira, em Lisboa, sendo sucedido no trono por D. Afonso VI devido à morte acidental prematura do herdeiro presuntivo e primeiro filho Varão, D. Teodósio em 1653. D. João IV sucumbiu ao “mal de gota e da pedra” que o atormentava desde 1648, cedendo a regência à esposa, D. Luísa de Gusmão.
O consagrado historiador Joaquim Veríssimo Serrão, reagindo às intenções depreciativas da historiografia liberal relativamente à actuação deste monarca, saiu em sua defesa, salientando a sua energética acção na defesa das fronteiras do reino e os esforços diplomáticos por ele instruídos nas cortes adversas, no sentido de garantir os melhores tratados de paz ou de tréguas, e noutras cortes, no sentido de garantir auxílio militar e financeiro, bem como o reconhecimento da legitimação formal da independência da monarquia portuguesa face à usurpação dos Habsburgos. Além disso têm sido salientados no seu governo importantes iniciativas e reformas ao nível da defesa e administração interna, tais como a criação do Conselho de Guerra, logo em 1640, da reforma do Conselho da Fazenda, em 1642 e da Junta dos Três Estados e do Conselho Ultramarino, em 1643, e da criação da Companhia da Junta do Comércio em 1649. Importa acrescentar ainda uma abundante legislação despachada do seu conselho no sentido de responder às carências do seu governo na Metrópole e no Ultramar. No curto espaço de 16 anos teve ainda o fundador da dinastia brigantina engenho e alma para revelar a sua apurada sensibilidade artística e cultural devido à sua natural e indesmentível dedicação pela literatura e gosto pela música. Está sepultado no Panteão dos Braganças do Mosteiro de S. Vicente de Fora em Lisboa.

Para conhecer mais pormenores sobre D. João IV clique AQUI.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Paleontólogo português descobre primeiro fóssil de dinossauro em Angola

O paleontólogo português Octávio Mateus foi o responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro em Angola. O "saurópode", reconhecido esta semana pela comunidade internacional de paleontologia, foi baptizado de " Angolatitan adamastor", em homenagem às expedições portuguesas no continente africano.
A investigação, que vem desde 2005 e culminou com a importante descoberta, foi a primeira deste tipo em Angola em mais de 50 anos, já que o país sofreu durante muito tempo com a guerra civil.
A espécie encontrada, um "saurópode", viveu há mais de 90 milhões de anos na África subsariana. Conhecido pelo porte físico imponente, chegando a medir mais de 13 metros de comprimento, este gigante herbívoro foi encontrado ao lado de dentes de peixes e tubarões, no que seria o leito de um mar, levando a crer que o animal terá sido arrastado para as águas e dilacerado por tubarões primitivos.
Octávio Mateus, líder do projecto "PaleoAngola", investigador da Universidade Nova de Lisboa e responsável pelo museu da Lourinhã, afirmou que a maior dificuldade que a sua equipa de investigadores enfrentou durante as expedições foi na obtenção de recursos. "Não tivemos problemas com minas terrestres nem com segurança", disse com alguma ironia, uma vez que não recebeu apoio financeiro de Portugal para a sua investigação.
O especialista em "saurópodes", Matthew F. Bonnan, da Universidade de Western Illinois, não esteve envolvido na expedição, mas ficou "radiante" com a descoberta do grupo "PaleoAngola", acrescentando que a descoberta poderá ser útil para os cientistas perceberem como os saurópodes se adaptavam a diferentes ambientes.
"A paleontologia está cada vez mais global", disse Matthew F. Bonnan. "Isso dá aos cientistas uma melhor perspectiva da evolução dos dinossauros", acrescentou.

Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1808280

quarta-feira, 16 de março de 2011

186.º Aniversário do nascimento de Camilo de Castelo Branco

Retrato de Camilo Castelo Branco por João Duarte Freitas, 2008
http://anasarajulia.blogspot.com

Nesta data comemorativa do nascimento de Camilo, entendemos incluir aqui um resumo da sua biografia e da sua obra, bem como uma igualmente breve recensão crítica literária ao escritor, compiladas a partir de fontes distintas.

VIDA E OBRA

Biografia

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, num prédio da Rua da Rosa, no Bairro Alto. Filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, foi registado como filho de mãe incógnita, ao que se diz porque o pai e a avó paterna não queriam que o nome de Castelo Branco se associasse a outro de origem tão humilde.
Camilo ficou órfão de mãe quando tinha um ano e perdeu o pai aos dez, sendo enviado para Vila Real, para viver com uma tia. Posteriormente, foi viver com uma irmã mais velha, em Vilarinho de Samardã, onde recebeu uma educação irregular. Na adolescência, leu os clássicos portugueses e latinos e consumiu literatura eclesiástica.
Apaixonado e irrequieto por natureza, casou aos 16 anos com Joaquina Pereira, mas cedo abandonou a esposa para se envolver com outras mulheres, em relações sempre tumultuosas: Patrícia Emília, a freira Isabel Cândida... Para sobreviver, escrevia para jornais, embora as suas irreverentes crónicas lhe trouxessem, de vez em quando, dissabores, inclusivamente agressões físicas. Ainda tentou cursar medicina no Porto mas, a partir de 1848, entregou-se à vida boémia e passou a repartir o seu tempo entre os cafés, os salões burgueses e a escrita.
Na sequência do casamento de Ana Plácido, por quem estava apaixonado, Camilo sofreu – entre 1850 e 1852 – uma crise de misticismo, cursando o seminário e julgando-se capaz de entregar a sua vida a Deus. Mas mudou de ideias: abandonou os estudos teológicos, seduziu e raptou Ana Plácido e andou com ela a monte, até serem capturados pelas autoridades, julgados e presos na cadeia da relação do Porto. Aí, Camilo escreveria “Memórias do Cárcere” e conheceria o famoso Zé do Telhado.
Absolvidos do crime de adultério, Camilo e Ana Plácido foram viver juntos. Ana teve um filho, supostamente ainda do seu marido, Pinheiro Alves, e seguiram-se-lhe mais dois, de Camilo. Com uma família para sustentar, o literato passou a escrever a um ritmo alucinante: Camilo foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos.
Em 1863, na sequência da morte de Pinheiro Alves, Ana e Camilo foram viver para a casa dele, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Em 1885, Camilo obteve o título de visconde e três anos depois casou oficialmente com Ana Plácido. Incapaz de se manter emocionalmente estável, porém, e sempre preocupado com os filhos (Nuno era um vadio, Jorge era deficiente mental), e perante uma cegueira progressiva, Camilo acabou por sucumbir ao desespero, suicidando-se a 1 de Junho de 1890, aos 65 anos.

Obras


ALGUMAS OBRAS DO ESCRITOR: “Anátema” (1851), “Mistérios de Lisboa” (1854), “A Filha do Arcediago” (1854), “Livro Negro de Padre Dinis” (1855), “A Neta do Arcediago” (1856), “Onde Está a Felicidade?” (1856), “Um Homem de Brios” (1856), “Lágrimas Abençoadas”, “Cenas da Foz”, “Carlota Ângela”, “Vingança”, “O Que Fazem Mulheres” (1858), “Doze Casamentos Felizes” (1861), “O Romance de um Homem Rico” (1861), “As Três Irmãs” (1862), “Amor de Perdição” (1862), “Coisas Espantosas”, “O Irónico” (1862), “Coração, Cabeça e Estômago” (1862), “Estrelas Funestas”, “Anos de Prosa” (1862), “Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado” (1863), “O Bem e o Mal” (1863), “Estrelas Propícias” (1863), “Memórias de Guilherme do Amaral” (1863), “Agulha em Palheiro” (1863), “Amor de Salvação” (1864), “A Filha do Doutor Negro” (1864), “Vinte Horas de Liteira” (1864), “O Esqueleto” (1865), “A Sereia” (1865), “A Enjeitada” (1866), “O Judeu” (1866), “O Olho de Vidro” (1866), “A Queda de um Anjo” (1866), “O Santo da Montanha” (1866), “A Bruxa do Monte Córdova” (1867), “A Doida do Candal” “1867), “Os Mistérios de Fafe” (1868), “O Retrato de Ricardina” (1868), “Os Brilhantes do Brasileiro” (1869), “A Mulher Fatal” (1870), “O Regicida” (1874), “A Filha do Regicida” (1875), “A Caveira do Mártir” (1876), “Novelas do Minho” (1875-1877), “Eusébio Macário” (1879), “A Corja” (1880), “A Brasileira de Prazins” (1882).

TEATRO: “Agostinho de Ceuta”, “O Marquês de Torres Novas”, “Poesia ou Dinheiro?”, “Justiça”, “Espinhos e Flores”, “Purgatório e Paraíso”, “O Morgado de Fafe em Lisboa”, “O Morgado de Fafe Amoroso”, “O Último Acto”, “Abençoadas Lágrimas!”, “O Condenado”, “Como os Anjos se Vingam”, “Entre a Flauta e a Viola”, “O Lobisomem”, “A Morgadinha do Vale-de-Amores

http://www.teatro-dmaria.pt/Temporada/detalhe.aspx?idc=933


RECENSÃO CRÍTICA LITERÁRIA

Modelo da língua literária de sua época, Camilo Castelo Branco é fundamental na história da prosa de ficção do português, principalmente como romancista.
Camilo Castelo Branco representou em seu país diversas tendências da literatura européia do século XIX, mas tanto por convicções estéticas como por temperamento foi sobretudo um autor romântico. Versátil, de produção copiosa e que contemplou o romance, o teatro e a crítica literária, realizou-se como romancista de feição gótica, às vezes irrefreavelmente sentimental. Reconstituiu em suas obras o panorama dos costumes e dos caracteres do Portugal de seu tempo, quase sempre com uma profunda sintonia com as maneiras de ser e sentir do povo português. Daí a celebridade quase exclusivamente nacional, que deve à pureza da cepa de sua linguagem, capaz de abarcar todas as situações de seu universo cultural. Obras. Na primeira fase Camilo Castelo Branco deu a suas novelas caráter folhetinesco, entre o patético e o macabro. Marcadas pela leitura de Eugène Sue são Anátema (1851), Mistérios de Lisboa (1854), Duas épocas na vida (1854), O livro negro do padre Dinis (1855). Outra etapa, de influência balzaquiana, valoriza a realidade social em Vingança (1858), Carlota Ângela (1858), A morta (1860). Seus livros mais conhecidos refletem a experiência do cárcere, tratando em estilo conciso, mas brilhante, do amor reprimido e exacerbado: O romance de um homem rico (1861), o famoso Amor de perdição (1862), o Amor de salvação (1864), O olho de vidro (1866), A doida do Candal (1867), O retrato de Ricardina (1868), A mulher fatal (1870). De outra linha, Doze casamentos felizes (1861), Estrelas funestas (1861), Estrelas propícias (1863) veiculam intento moralizador. Em Coração, cabeça e estômago (1862), A queda dum anjo e outros, prevalecem toques de humorismo discreto. Camilo também fez romances históricos, como O judeu (1866), e satirizou o realismo com Eusébio Macário (1879) e A corja (1880), tornando-se ele próprio um realista convincente em Novelas do Minho (1875-1877) e A brasileira de Prazins (1882). Menos significativo como poeta, dramaturgo ou historiador literário, em seus últimos romances atingiu mestria extraordinária como observador e retratista dos tipos humanos e da sociedade de sua terra.

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1385.html

segunda-feira, 14 de março de 2011

132.º Aniversário do nascimento de Albert Einstein

Selo postal do Ano Internacional da Física | http://www.cezzan.com

Considerado, em 2009 por uma centena de colegas seus como o mais memorável físico de sempre, Albert Einstein foi um teórico judeu alemão, nascido a 14 de Março de 1879 em Ulm e falecido em Princeton, nos E.U.A., a 18 de Abril de 1955, que se celebrizou nesta área científica, surpreendendo o Mundo com a sua “teoria da relatividade” que foi apenas uma das suas teses de interesse científico, mas a que mais o popularizou e o elevou à categoria de “génio” pela opinião pública internacional. A verdade é que as suas concepções científicas revolucionaram a nossa visão do Universo e ao mesmo tempo, sem o ter previsto, permitiram o desenvolvimento da energia atómica. Em reconhecimento da sua correcta explicação do “efeito fotoeléctrico” recebeu em 1921 o Prémio Nobel da Física. Mais tarde foi eleito “A Personalidade do Século” pela revista “Time” e em 2005, no centenário do seu “Annus Mirabilis” celebrou-se, em homenagem ao seu trabalho, o “Ano Internacional da Física”. Também em sua homenagem se atribuiu o nome de “einstein” a uma unidade usada na fotoquímica e o nome de “einsténio” a um elemento químico. Deste mesmo génio cuja face é ainda uma das mais conhecidas na sociedade, em especial pelas suas divertidas “caretas” também se diz ter sido um grande humanista dotado da capacidade de sustentar com  séria transparência opiniões relativas às situações políticas e sociais do seu tempo.

Para consultar uma biografia bem concebida e fundamentada sobre Einstein, clique sobre o ícone.



domingo, 13 de março de 2011

81.º Aniversário da descoberta de Plutão


Não se trata, em rigor, do aniversário da descoberta do malogrado nono planeta e segundo maior planeta anão do Sistema Solar, como ele é agora considerado pela UAI (União Astronómica Internacional), depois das objecções que desde 1970 foram surgindo quanto à sua definição como planeta formal, até que a 24 de Agosto de 2006 a mesma UAI formalizou aquela nova denfinição.
Na realidade, na data de 13 de Março de 1930 sucedeu apenas a notícia telegrafada por Clyde Tombaugh para o Harvard College Observatory, confirmando o movimento de Plutão, com base nas suas observações efectuadas no Observatório Lowell. Era o planeta X, o nono planeta que desde 1906 e até à sua morte, em 1916, Percival Lowell, convicto da sua existência por ter constatado evidentes perturbações em Urano, perscrutou as várias possíveis coordenadas celestiais, sem lograr obter qualquer resultado afirmativo da sua descoberta. As primeiras fotos conseguidas por Tombaugh a 21, 23 e 29 de Janeiro de 1930 ajudaram nessa confirmação.


Formalmente designado 134340 Plutão, é também o décimo maior objecto que pode ser observado directamente na sua órbita solar. Possui três satélites naturais conhecidos: Caronte, descoberto em 1978 e outras duas luas menores, Nix e Hidra, ambas descobertas em 2005. É o maior membro do cinturão de Kuiper e, tal como os restantes membros, é composto principalmente por rocha e gelo. Tem cerca de 1/5 da massa da lua e 1/3 do seu volume.
Apesar de ficarmos reduzidos de novo a oito planetas, as condições de classificação impostas pela UAI em 2006 têm gerado uma onda de contestações, tanto por parte da comunidade de astrónomos como de uma larga margem do público internacional. O mais curioso é que a desclassificação de Plutão até já serviu de motivo para o aparecimento de mais um neologismo – o plutado”particípio passado do verbo plutar, com o significado de “rebaixar ou desvalorizar alguém ou alguma coisa”! Em Janeiro de 2007 a American Dialect Society escolheu-a como a sua “Palavra do Ano de 2006”! O que diriam Percy Lowel e Clyde Tombaugh de tudo isto?

Para mais alguns detalhes a respeito de Plutão consulte a Wiki, AQUI.

sábado, 12 de março de 2011

Fontes, chafarizes e marcos fontanários do concelho de Valpaços – Água Revés e Crasto 1

Transcrição de Adérito Medeiros Freitas | Recriação gráfica de Leonel Salvado

Estreamos mais uma iniciativa para divulgação do património artístico e arquitectónico do concelho de Valpaços, no caso as fontes, chafarizes e marcos fontanários. É com base no extraordinário trabalho de pesquisa e estudo levado a cabo pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas e que foi editado, em dois volumes pela Câmra Municipal de Valpaços em Outubro de 2005 que nos propomos fazer uma divulgação desse Património através de uma apresentação iconográfica mais aprazível e dirigida à sensibilidade dos nossos leitores para a preciosa, popular e diversificada tradição artística  que é a Faiança Portuguesa. Porque não imaginarmos as  fontes, os chafarizes e os marcos fontanários do nosso concelho representados nas mais variadas formas de objectos cerâmicos?!

FREGUESIA DE ÁGUA REVÉS E CRASTO - Água Revés 1

Tema: Quadra alusiva às fontes de Água Revés | Objecto: prato
Adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)


1 – Fonte de Mergulho

Tema: Fonte de S. Pedro, Água Revés | Objecto: Prato
Foto – base : Adérito M. Freitas | Adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Localização: Água Revés
Lugar: Largo do Prado. Muito mais amplo do que actualmente, aqui se realizava uma Feira, no dia 12 de cada mês. Existiam então numerosas árvores de grande porte, principalmente Negrilhos (olmos) e grandes mesas de pedra, algumas dispostas sob telheiros, utilizadas principalmente por taberneiros ambulantes que pagava, nesse dia, uma taxa pela sua ocupação.
Altitude: 414 metros Longitude: 7º 20’ 49,6’’ W Latitude: 41º 33’ 29,5’’ N
Ano de construção: C 1873 V.
Material de construção: Granito equigranular com tendência para porfiróide, de grão grosseiro, com moscovite e biotite e nítida alteração química deste último mineral.
Características gerais: A planta interna, rectangular, mede 2,60 m de comprimento e 1,58 de largura. A profundidade total do seu reservatório é de 2,04 m mas, quando recolhi estes dados possuía, apenas, 1,80 m de água. A nascente não é local. Existe uma mina com algumas dezenas de metros de comprimento e, antigamente, junto da primeira rua, à esquerda da rua principal para quem sobe, havia uma porta ao nível do solo que comunicava com a referida mina e se destinava a permitir, sempre que necessário, a sua limpeza.
No Verão, quando o caudal diminuía drasticamente, era necessário descer ao fundo do reservatório para recolher, numa cavidade existente numa rocha do seu pavimento e com um pequeno púcaro, a pouca água que ali ia chegando. Para o efeito existia uma escada. Outrora estavam ainda presentes, como estruturas anexas, uma pia bebedouro e um “tanque de lavar roupa”, de onde a água era aproveitada para rega dos terrenos de cultura.
Actualmente e devido ao arranjo de todo o espaço envolvente, esta fonte encontra-se, em média, 1,20 m abaixo do nível da rua, tendo sido eliminados do seu localde origem, as duas estruturas anexas descritas. […]
Externamente, esta fonte mede 3,40 m de comprimento, 2,83 m de lagura e 3,88 m de altura frontal.
A porta, hoje protegida por uma estrutura de ferro pintada de verde e munida de fechadura, mede 1,67 m de altura, 1,31 m de largura e termina, superiormente, por um arco de volta perfeita. É limitada por uma moldura com 15 cm de largura e 3 cm de espessura. A porção superior e frontal desta moldura possui gravado o ano da sua construção bem como as iniciais da entidade promotora, Câmara de Valpaços (C. 1873 V).
O tecto é em “abóbada de berço” e as suas aduelas da base assentam directamente sobre as paredes laterais onde, frontalmente, se encontram de um e outro lado duas pequenas impostas que servem para definir, com precisão, a posição da base da referida abóbada. Esta impostas situam-se a 1,26 m acima da soleira da porta. A cobertura da fonte é formada por lajes de granito e forma, externamente, duas águas simétricas.
Quatro pilastras incorporadas mas paredes limitantes e ocupando os quatro ângulos da estrutura da fonte, suportam o entablamento, formado por uma arquitrave com 14 cm de espessura e pela cornija emoldurada, também disposta a toda a volta da fonte, com 13 cm de espessura e saliente 10 cm.
Apoiados nas extremidades do troço horizontal da cornija frontal, dois pináculos talhados, cada um, num só bloco de granito, com 53 cm de altura total. Cada um destes pináculos possui uma base prismática quadrangular com 16 cm de altura e 31 cm de aresta basal. Acima desta base, cada pináculo possui forma cónica, mas com a superfície lateral levemente côncava.
A encimar toda a estrutura frontal e entre os dois pináculos referidos, existe uma outra cornija limitando, com a sua congénere horizontal, um bonito frontão triangular de vértice superior curvo e que mede 97 cm de altura e 1,8 m de base. No espaço triangular limitado pelas cornijas, o tímpano, podemos observar um nicho com 70 cm de altura e 30 cm de largura. Termina, superiormente, por uma ornamentação em forma de concha e possui, na base, uma peanha com 16 cm de altura e 20 cm de largura ântero-posterior. Lateralmente, esta peanha possui uma ornamentação gomada. Neste nicho encontra-se, actualmente, uma imagem de S. Pedro relativamente recente, pois que da primitiva já ninguém se lembra. Em volta deste nicho foi colocada, há poucos anos, uma moldura metálica, hoje enferrujada, suportando um vidro. […]
Finalmente, no topo do referido frontão, encontra-se mais um pináculo, formado por um bloco de granito, em forma de pinha alongada, com 65 cm de altura e 29 cm de diâmetro máximo.

Adérito M. Freitas, Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…, C.M.V., Vol. I, 2005, pp. 43-45.

sexta-feira, 11 de março de 2011

37.º insólito aniversário do fim da 2ª Guerra Mundial

Por Leonel Salvado
Hiroo Onoda, 1944-45 | http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Onoda-young.jpg

Fez ontem 37 anos que o último combatente japonês se rendeu aos Aliados na Segunda Guerra Mundial, isto é 29 anos após a rendição incondicional do Japão. *

Para o Segundo Tenente Hiroo Onoda, nascido a 19 de Março de 1922, oficial da inteligência do exército japonês posicionado em Lubang, uma ilha do arquipélado das Filipinas, durante a Segunda Guerra Mundial, a guerra contra os Estados Unidos da América só terminou a 10 de Março de 1974. Trata-se de um dos casos insólitos da história real de um militar que contra todas as probabilidades manteve a sua lealdade à nação imperial. É, portanto, um extraordinário exemplo de coragem e perseverança de um combatente. Comparável a Onoda, talvez só outro soldado japonês, que se refugiu numa improvisada caverna na densa selva de Guam e com uma história parecida, Shoici Yokoi. Este foi resgatado 27 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Quando em Fevereiro de 1945 a ilha foi tomada pelos Aliados, Onoda e três soldados sob as suas ordens escaparam à captura e à morte e refugiaram-se na densa floresta de Lubang. Acabou por perder os seus soldados, um dos quais por rendição ao exército filipino e os restantes por terem sido mortos em combate contra forças locais, em 1954 e 1972. Declarado morto no Japão desde 1960, Hiroo Onoda sobreviveu sozinho na floresta de Lubang, mantendo sua lealdade ao imperador que havia assinado a rendição 29 anos antes e recusando-se a acreditar nesta informação, até que foi  descoberto por um estudante seu compatriota. Finalmente, a 10 de Março de 1974 reconheceu a derrota nas condições que a seguir expomos, através de uma transcrição do resto desta insólita história real.

*Data indicada na Biblioteca Universal em Acontecimentos históricos

Até o último Homem
Curioso.Net, 17 Novembro 2007

Encontrado por um estudante japonês, Norio Suzuki, Onoda recusou-se ainda a aceitar que a guerra tinha acabado a menos que recebesse ordens para baixar armas diretamente de seu oficial superior. Suzuki se prontificou a ajudar e retornou ao Japão com as fotografias de si mesmo e de Onoda como a prova de seu encontro. Em 1974, o governo japonês encontrou o oficial comandante de Onoda, Taniguchi, que havia se tornado um livreiro. Taniguchi foi para Lubang e informou a Onoda da derrota do Japão na segunda Guerra e ordenou-lhe a depor armas. Assim, o tenente Onoda emergiu da selva 29 anos após o fim da segunda guerra mundial, e aceitou a ordem do oficial comandante da rendição vestindo seu uniforme e espada, com seu rifle Arisaka ainda em condições operacionais, com 500 cartuchos de munição e diversas grenadas de mão.

A rendição de Hiroo Onoda, 1974 | http://www.theage.com.au

Embora tivesse matado aproximadamente trinta habitantes Filipinos locais e engajado diversos tiroteios com a polícia, as circunstâncias destes eventos foram levadas em consideração da situação, e Onoda recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos.
Depois de sua rendição, Onoda se mudou para Brasil, onde se transformou um fazendeiro de gado. Publicou uma autobiografia: No Surrender: My Thirty-year war (no Brasil, publicado pela Empresa Jornalística S. Paulo Shimbum S.A. como "Os Trinta Anos de Minha Guerra"), logo após sua rendição, detalhando sua vida como um combatente de guerrilha em uma guerra há muito tempo terminada. Revisitou a Ilha de Lubang em 1996, doando $10.000 para a escola local em Lubang. Casou-se com uma japonesa e voltou para o Japão, para administrar um acampamento para crianças.
Encontram-se no Brasil ainda familiares de Hiroo
Um de seus irmãos Tadao Onoda faleceu no ano de 1991, em São Paulo, porém seus filhos ainda vivem e deixam netos que ainda carregam o sobrenome.

In Curioso.Net, 17 Novembro 2007
http://www.curiosonet.com/2007/11/at-o-ltimo-homem.html

quarta-feira, 9 de março de 2011

511.º Aniversário da partida da armada de Pedro Álvares Cabral


Partida de Pedro Álvares Cabral em 1500 | Faiança Portuguesa
Pormenor de prato da Fábrica de Alcântara, finais do século XIX, in http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.com

De acordo com a tradição e a importância e grandeza da missão, o dia que antecedia a partida era vivido em ambiente festivo e cerimonioso, fazendo-se uma despedida pública com missa e comemorações, onde se destacava a presença do rei e da corte entre a imensa multidão que se juntava em Belém. Tratou-se, neste caso em particular, de uma efeméride que pela sua importância se acham referências invocativas na literatura e nas artes ao longo dos séculos que se seguiram, particularmente na faiança portuguesa, a que nos reportaremos mais adiante.
Encontrámos uma curiosa descrição sobre a Partida de Pedro Álvares Cabral que entendemos partilhar aqui em primeiro lugar:


A PARTIDA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL
Por Maria Luísa

A partida das naus era precedida por cerimónias religiosas diante da Senhora de Belém (confissões, missa e procissão), na ermida do Restelo.
Depois, a dolorosa despedida dos embarcados e dos que ficavam em terra era muitas vezes feita já perto da barra, no alto da capela da Senhora da Boa Viagem. Tanto para os que partiam como para os que ficavam, a partida era sempre triste. As incertezas eram grandes, muitos poderiam não regressar. Tempestades, ataques dos corsários, incêndios dos navios e doenças eram uma ameaça real e a viagem poderia não ter regresso...

Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam
As mulheres c’um choro piadoso,
Os homens com suspiros que arrancavam.
Mães, Esposas, Irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo

Luís de Camões

A 8 de Março de 1500 a maior armada até então enviada numa missão oceânica estava pronta para partir. Era constituída por 13 navios, com o dobro do tamanho dos anteriores, um bom carregamento de armas e 1500 homens. Objectivo: Índia. O capitão escolhido foi Pedro Álvares Cabral, fidalgo da Corte. Na despedida esteve presente o rei D Manuel com a sua Corte, nobreza e muita gente do povo. No interior da capela de Belém esperavam por D. Manuel a maior hierarquia da armada: o capitão-mor Pedro Álvares Cabral, seus capitães, pilotos e os que exerciam funções de destaque na viagem. D. Diogo Ortiz, Bispo de Ceuta, celebrou a missa e, depois de terminada a missa, D. Diogo lançou sua benção a Cabral e à bandeira da Ordem de Cristo que lhe foi entregue. Em seguida, D. Manuel colocou na cabeça de Cabral o barrete que o papa lhe mandara. Antes de embarcar nos batéis, o capitão-mor e os seus comandos ouviram as últimas recomendações reais e beijaram a mão do monarca. A armada passou a noite fundeada para com bom tempo ultrapassar a barra e iniciar a partida. Era 9 de Março de 1500. A rota a seguir devia ser a de Vasco da Gama. No entanto, a certa altura, de propósito ou por acaso, a armada fez um grande desvio para sudoeste. A 22 de Abril de 1500 foi avistada terra, tendo-se efectuado o desembarque na zona onde hoje fica Porto Seguro. Estava descoberto, oficialmente, o Brasil!
In http://web.educom.pt/~pr2003/1999/decc/antes/partida_de_pedro_alvares_cabral.htm

Outro trabalho de divulgação bastante interessante referente à comemoração desta efeméride é o que descobrimos no blogue “A Memória dos Descobrimentos na Cerâmica Portuguesa”, que passamos a transcrever.

A MEMÓRIA DOS DESCOBRIMENTOS NA FAIANÇA PORTUGUESA
Por Mercador Veneziano, 15 de Julho de 2010

clique sobre a imagem para aumentá-la

Nº23.1: Prato Partida de Pedro Álvares Cabral em 1500 (Fábrica de Alcântara)

• Relativamente ao fabrico da peça em questão, trata-se então dum prato da Fábrica de Alcântara do final do século XIX, muito provavelmente do ano de 1899 ou 1900.
• Quanto à sua decoração, trata-se de uma peça com bastante policromia, representado o momento de partida da Armada de Pedro Álvares Cabral em que o destino seria a Índia, mas porque assim o destino quis, iria desembarcar no Brasil.
• Por baixo do desenho central apresenta a legenda: "Partida de Cabral de Lisboa em 9 de Março de 1500".
• Um pormenor que tenho vindo a reparar à medida que tenho adquirido peças relacionadas com a temática dos Descobrimentos Portugueses, é que foram produzidas muito poucas peças comemorativas do Centenário da Descoberta do Brasil, fazendo com que este e os próximos exemplares, tenham um destaque especial dentro da temática, além de apresentarem das decorações mais belas que tenho visto.
• Exemplares iguais estão patentes no catálogo do Palácio do Correio Velho "Colecção António Capucho, parte IV", pp. 117, itens 286, 287 e 288.

In http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.com

terça-feira, 8 de março de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Freguesia de Poçacos (Possacos)

Padre João Parente (trancrição)
I
Cruzeiro no Largo do Cruzeiro, Poçacos
Foto base: asnascimento, in http://pelourinhos.blogs.sapo.pt/89343.html
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
clique sobre a imagem para aumentá-la
Número: 12.12. 227

Local: Poçacos, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4 metros
Descrição: Base cuboide abaulada na face superior para reforçar o encaixe do fuste, que é de secção quadrangular, nos extremos, e oitavado na parte central; no topo do fuste, um globo, um tanto alongado na parte superior, onde encaixa a cruz de braços cilíndricos e boleados nas pontas.
Data: 1940

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd, p. 283.

II
Cruzeiro em alpendre no Largo do Curzeiro, Poçacos
Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Número: 12.11.226

Local: Poçacos, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito alumínio e madeira
Altura: 2,15 m, base e cruz
Descrição: Dentro de alpendre de granito, com telhado de madeira e telhados de alumínio com vidraças, aconchega-se o singelo cruzeiro, com pequena base cuboide e um belo crucifixo de madeira policromada.
Data: Século XIX

Fonte: Id. p.284.

8 de Março: Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher é comemorado actualmente em 65 países espalhados pelos vários continentes. A 11 de Março de 2010 publicámos um artigo composto por algumas notas elucidativas sobre a origem e o significado comemorativo desta data, bem como a sua tardia formalização (em Dezembro de 1977!) por parte da ONU. A 13 de Março publicámos uma resenha história e uma relação cronológica sobre o longo e penoso processo de afirmação da mulher em Portugal, desde a Pré-História até à abundante obra legislativa e outras iniciativas que marcaram o ano de 1997 com vista a assegurar a garantia plena da igualdade entre os cidadãos de ambos os sexos nas diferentes áreas da vida portuguesa.

Para rever cada uma destas publicações, clique sobre os respectivos ícones.

                                 
       Dia Internacional da Mulher                            Afirmação da Mulher em Portugal

Fonte da imagem do cabeçalho: http://buritydigital.blogspot.com