quarta-feira, 15 de junho de 2011

Memorial da “Terra Mágica” – LM, Moçambique IV

Bairro S. José
Por Manuel Terra, 14 de Abril de 2011

São sempre momentos de imenso prazer, imbuídos de grande sensibilidade referenciar espaços que representaram um ponto de encontro da minha juventude, com aquela Lourenço Marques de que todos falam com brilhante entusiasmo. É verdade que  a cidade era a expressão própria de um paraíso prometido que se estendia desde o núcleo central até às zonas periféricas,   dormitório de gente simples que muito cedo, ainda a noite celeste cobria a urbe, já se avistava de sorriso nos lábios a dirigir-se para as paragens dos machimbombos, procurando chegar bem rápido aos locais de emprego para garantir o pão-nosso quotidiano. Eram exemplo disso os moradores do Bairro de S. José que nasceu nos primórdios do século XX, caraterizado  por casas típicas  térreas meias escondidas por árvores frondosas já com alguma longevidade. Por ali passava a Av. do Trabalho e de lá desembocavam saídas para a Matola, Bairro do Jardim, Vale do Influene , Choupal e o jovem Bairro de Benfica. Os primeiros habitantes do Bairro de S. José, criaram porventura por devoção ao Santo um vasto espaço  para ação eclesiástica mandando construir uma igreja  a preceito e uma missão católica para a difusão do ensino, por onde passaram milhares de alunos de todas as raças, com o lema de formarem homens que se tornaram amigos para sempre. Bem me lembro que ao lado do templo, se situava o campo de Futebol em terra batida, vedado com traves de madeira onde o Grupo Desportivo de S. José se treinava, no tempo em que se jogava por amor à camisola. Tratava-se de uma equipa popular que atuava no escalão secundário, do Campeonato Distrital. Aos domingos a mocidade irrequieta, com  grande aprazimento jogava futebol desde o romper da aurora até ao pôr-do-sol, regressando a casa ofegantes e a suar. Alguns deles vieram a fazer carreira em clubes portugueses, casos de Calton e Zeferino. Nos meados da década 60 foi inaugurado muito próximo das instalações da Missão, com pompa e circunstância o moderno Colégio D. Bosco dirigido por padres salesianos, que colocavam quase pelos modos a educação e o desporto no mesmo patamar, nutrindo pela prática do hóquei em patins um carinho muito especial. Criaram um ringue de patinagem e inscreveram o colégio nas provas federadas, gesto de incondicional apoio à modalidade. Dava gosto ver a organização daquele grupo, que desenhavam em campo rendadas jogadas de fazer furor junto dos simpatizantes e eram incondicionalmente na década 70, os dignos sucessores dos grandes hoquistas moçambicanos que 1958, deslumbraram Montreux. Ainda recordo da equipa do Colégio D. Bosco  os jovens promissores  Araújo, Afonso e o meu amigo Anselmo (Infelizmente já falecido). Tenho presente o Bairro de S. José pelos melhores motivos, onde contava com alguns amigos e não esqueço que os adolescentes, tinham como prática comum naquelas cálidas noites de verão sentarem-se nos muros das casas entoando músicas da moda, fazendo soltar das violas sons musicais que indiciavam vocações perdidas, em entretimentos que tardavam acabar. São estas memórias que fizeram parte de muitos dias da minha vida, que criaram laços de afeição aquela terra tropical. É natural que depois da separação, sempre assim aconteça.

In http://terramagica-terra.blogspot.com

terça-feira, 14 de junho de 2011

83.º Aniversário do nascimento de Che Guevara

Por Leonel Salvado
Che Guevara, fotografia de Alberto Korda
 | em domínio público | Wikimédia Commons

No dia 14 de Junho de 1928 nascia em Rosário, Argentina, aquele que foi considerado pela revista norte-americanaTime Magazine como uma das cem personalidades mais importantes do século XX – Ernesto Guevara de la Cerna, mais conhecido por Che Guevara ou El Che, devido ao seu constante uso do vocativo gaúcho “che”. Oriundo de uma família da classe média-alta “anti-peronista”, detentora de uma biblioteca com cerca de três mil volumes, começou desde cedo a desenvolver, em casa, o gosto pela leitura, incluindo obras de Julio Verne, Alexandre Dumas, Baudelaire, Neruda e Freud, mas também de Marx, Engels e Lenine que iriam moldar a sua personalidade e  as suas convicções político-ideológicas.

De saúde débil, propenso a ataques de asma que o atormentariam durante o resto da sua vida, em 1932, com apenas 4 anos, Che Guevara mudou-se com a família, a conselho dos médicos, para Altagracía, uma localidade da região de Córdoba, onde iniciou e terminou os estudos liceais, e mais tarde para Buenos Aires, ingressando em 1946 na Universidade, no curso de Medicina que viria a terminar no ano de 1951. Entretanto, através de viagens empreendidas a outros países da América latina no exercício de uma das suas profissões temporárias de repórter fotográfico ou por iniciativa própria, o jovem médico foi reforçando as suas convicções ideológicas revolucionárias à medida que se ia inteirando das situações de miséria e sofrimento em que o continente se via mergulhado, sobretudo a Guatemala, onde em 1954, Guevara assistiu à luta e ao triunfo de Guzmán, eleito presidente desse Estado à frente de um partido de cariz popular. Definindo-se, a partir daí, como um sério opositor ao imperialismo norte-americano, no ano seguinte estava no México, onde conheceu os irmãos Castro, Raúl e Fidel, e veio a participar em todo o processo revolucionário cubano durante o qual logrou granjear a maior quota-parte da fama que o imortalizou em toda a sua épica Cruzada contra a opressão e a favor da liberdade dos povos. Após o triunfo da revolução cubana, e garantida a sua estabilidade após novo triunfo contra o imperialismo dos EUA e os anti-castristas na Baía dos Porcos, sentiu o revolucionário errante o chamamento de novas missões pelo que, em 1965, com a anuência de Fidel, partiu para o Congo com um destacamento de cem”internacionalistas” cubanos, onde, por razões que são imputadas à sua própria imprudência pela falta do necessário reconhecimento prévio da realidade cultural e sociológica africana, conheceu a sua primeira grande decepção. 

Em seguida parte para as montanhas da Bolívia, onde julga, a partir daí, poder estabelecer uma base de guerrilha unificada dos países da América Latina com vista à invasão da Argentina. Aí conhece nova desilusão, não consegue o esperado apoio do Partido Comunista boliviano nem a simpatia da escassa população rural e, em estado de extremo desgaste físico e moral, é capturado no dia 8 de Outubro de 1967, conduzido à aldeia de La Higuera  e, aí, ingloriamente abatido, no dia seguinte, por um simples soldado boliviano. 


Os seus restos mortais, descobertos, em 1997, numa vala comum na cidade de Vallegrande, que fica a cerca de 50 Km de La Higuera, foram trasladados para Cuba e enterrados com honras de chefe de Estado, na presença de membros da família e de Fidel Castro. Também em Cuba foi erigido um monumento em sua homenagem, com base na célebre foto de Alberto Korda, d’oGerillero Heroico.

Para conhecer mais pormenores a respeito de Che Guevara clik AQUI.

Para conhecer uma versão mais pormenorizada acerca das circunstâncias da morte de Che Guevara, clik AQUI.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dia de Santo António

Santo António de Pádua com o menino, de Guercino, 1656 
| imagem em domínio público | wikimedia Commons | in Wikipédia.org

Um dos Santos portugueses mais populares, dos mais queridos e festejados é celebrado a 13 de Junho na Itália, em Portugal e no Brasil.

É dia para recordarmos algumas notas que lhe dedicámos, neste mesmo dia, em 2010,

domingo, 12 de junho de 2011

82.º Aniversário do nascimento de Anne Frank

Annelisse Maria Frank, mais conhecida como Anne Frank, nasceu em Frankfurt am Main, a 12 de Junho de 1929, e faleceu em Bergen-Belsen, no início de Março de 1945. Foi uma adolescente alemã de origem judaica, que morreu aos 15 anos num campo de concentração. O seu diário foi publicado pela primeira vez em 1947 e é actualmente um dos livros mais traduzidos em todo o mundo.
Imagem: Anne Frank em selo comemorativo dos Correiros alemães, 1979 | imagem do domínio público | Wikimédia Commons
Para rever o que publicámos em homenagem a Anne Frank por ocasião do 81.º Aniversário do seu nascimento

Clik AQUI.

As “Alminhas” do concelho de Valpaços: Freguesia de Ervões

Por Leonel Salvado
Tema:  Citações acerca da freguesia de Ervões | Objecto: Covilhete | Criação digital:  Leonel Salvado | Outros recursos:  http://www.iromababy.com (fundo superior);    http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
(clique sobre a imagem para aumentar)

Tema:   “Alminhas” em ruínas, Ervões | Foto base: Leonel Salvado | Objecto:  Covilhete | Criação digital:  Leonel Salvado | Outros recursos:  http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
(clique sobre a imagem para aumentar)

 Tema:  Alminhas N. Senhora do Carmo, Sá, Ervões Foto base: Leonel Salvado | Criação digital:  Leonel Salvado | Outros recursos:  http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
(clique sobre a imagem para aumentar)

sábado, 11 de junho de 2011

homens grandes: Padre Mesquita


Por Jorge Fernandes, 21 de Outubro de 2010


se fosse vivo, teria hoje 99 anos.
mas morreu há 28,
a 20 d'Outubro de 1982.  Padre Manuel Torrão Mesquita, natural de Vilarandelo, pároco, em tempos passados, de Valpaços, Poçacos, Chaves, Vilarandelo, Fornos do Pinhal, Barreiros... dele se pode dizer com toda a justiça e categoria: "Homem de Deus em favor dos Homens"por tudo o que foi, a 
nossa homenagem.


Nota editorial: Tivemos conhecimento através do blogue “Vilarandelo – Cousas de antanho e de agora, que já está on line a edição de Junho do Arauto de Vilarandelo onde podemos ver um interessante artigo em homenagem ao Padre Manuel Torrão Mesquita, nas páginas 8 a 10. Ver AQUI.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

431.º Aniversário da Morte de Luís Vaz de Camões

Por Leonel Salvado
Retrato de Luís de Camões, por Fernão Gomes, c. 1577cópia de
 Luís de Resende | imagem em domínio público | victorcouto
 | fonte:  Wikimeda Commons | Wikipédia. org

Na data que mais uma vez hoje se celebra, também em homenagem a Luís de Camões, figura que personifica o que de mais precioso se acha na língua e literatura portuguesas, e é considerada como uma das mais importantes referências históricas no imenso legado da poesia ocidental, sugerimos aos nossos visitantes a leitura de um excelente artigo que entendemos conter tudo ou quase tudo o que até hoje foi possível saber sobre o imortal poeta. Trata-se de um artigo publicado na Wikipédia, a enciclopédia livre, cuja comunidade lusófona avaliou e identificou como um dos 367 artigos de excelente qualidade até hoje destacados.

Pode consultar o artigo

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2011


No dia 10 de Junho celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Mas como nasceu este feriado e como evolui até hoje?

Clik na imagem para rever o que publicámos em 2010 acerca do triplo sentido comemorativo que esta data foi adquirindo ao longo da História.

Um bom feriado nacional para todos!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Recordando Júlio do Carvalhal, no 139.º aniversário da sua morte

Por Leonel Salvado
Galeria de Notáveis do Clube de História de Valpaços  | Arranjo gráfico: Leonel Salvado

Júlio do Carvalhal de Sousa Teles Pereira e Meneses ou da Silveira Betencourt de Noronha, nascido em 1810 em Alanhosa, Nogueira da Montanha, Chaves e falecido em Vilar de Nantes,id,em 1872, foi um digno representante da aristocracia do Norte de Portugal cuja linhagem remonta uma dezena de gerações e passou, com distinção por alguns dos momentos decisivos da História portuguesa. Homem de firmes convicções liberais, foi um dos “bravos do Mindelo” e, a par da sua vocação militar, destacou-se em importantes cargos administrativos durante a monarquia constitucional, chegando a ser Governador Civil de Bragança. A sua relação com as terras do concelho de Valpaços passou pela herança paterna que lhe coube em Veiga de Lila, a Casa e Vínculo de Nª Srª dos Remédios, aldeia deste mesmo concelho para onde foram trasladados os seus restos mortais.

Clique na imagem para rever o que publicámos em sua homenagem

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Reportagem da TSF vence prémio Direitos Humanos e Integração, da UNESCO

A jornalista Joana de Sousa Dias, da TSF, venceu o prémio de jornalismo Direitos Humanos e Integração, da UNESCO, na categoria de rádio, com a reportagem "Pretérito mais que Presente".


Este trabalho, com sonorização de Herlander Rui, fala sobre a visita de 15 alunos da Escola Secundária de Valpaços a Auschwitz, para compreenderem o que era viver neste campo de concentração durante a II Guerra Mundial.

Joana de Sousa Dias, da TSF, ganhou o prémio Direitos Humanos e Integração, da UNESCO, na categoria de rádio com o trabalho "Pretérito mais que Presente", sonorizado por Herlander Rui.

Texto de Vítor Loureiro, in Valpassos D’Oje, 7 de Junho de 2011

Para rever o que já havíamos publicado sobre o projecto que foi objecto desta reportagem premiada, bem como sobre a própria reportagem, clik nas opções seguintes que se seguem:




        



terça-feira, 7 de junho de 2011

Trás-os-Montes e alguns dos grandes nomes da expansão ultramarina - III

Por Leonel Salvado


A relação entre a epopeia dos descobrimentos, a exploração do “novo Mundo” e a Província de Trás-os-Montes há muito sustentada pela tradição em algumas regiões, parece subsistir em diversas publicações recentes, sendo, conforme os casos, admitida por, alguns autores como uma mera possibilidade e defendida por outros como uma realidade cientificamente fundamentada. A questão prende-se com a propalada naturalidade transmontana de algumas das grandes figuras da História da Expansão ultramarina da Península Ibérica: Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães e, talvez o menos conhecido, João Rodrigues Cabrilho, navegador e explorador do continente americano.

Pela grandeza e mediatização universal do seu maior feito, este navegador português, nascido ao redor de 1480, talvez o mais conhecido internacionalmente dentre os demais navegadores das demais nacionalidades, depois de Colombo, não me parece que careça de grandes apresentações.

Limitar-me-ei, pois, a destacar que foi ele quem, já com apurada experiência na arte de marear e guerrear - adquirida nos mares da Índia ao serviço dos esforçados vice-reis D. Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque - bem como no estudo da mais avançada cartografia do seu tempo, tendo-se visto agastado com o abandono a que se vira votado pela corte portuguesa que o acolhera desde menino, entendeu mudar-se para o reino vizinho onde logrou obter de Carlos V tudo o que necessitou para levar a cabo o seu arrojado plano daquela que é conhecida como a primeira viagem de circum-navegação do globo. Coube-lhe assim, ao comando de cinco navios com uma tripulação de 234 homens, entre os quais 40 portugueses, ser o primeiro europeu a chegar à “Terra do Fogo” no extremo sul do continente americano, a atravessar o estreito que hoje tem o seu nome e a navegar no Oceano Pacífico, assim por ele próprio designado, até encontrar a morte num confronto com alguns nativos da ilha de Cebu, nas Filipinas a 27 de Abril de 1521. A viagem prosseguiu no mês seguinte sob o comando de João Lopes de Carvalho, sucedido dois meses mais tarde por Juan Sebastián Elcano que depois de contornar o Cabo da Boa Esperança e fazer uma breve e arriscada escala em Cabo Verde aportou finalmente a S. Lúcar de Barrameda, Cádis, de onde tinha partido dois anos antes, com o que restava da expedição – uma nau apenas, a Victória, e uma tripulação constituída por 16 homens. Morreu o grande capitão mas ficou a inabalável prova da esfericidade da Terra.

Mas, tal como sucede a propósito da maioria de outras grandes figuras quatrocentistas e quinhentistas de cujo papel de relevo na gloriosa epopeia ultramarina portuguesa se fazem eco os manuais escolares e as mais consagradas obras de divulgação, não é possível chegar-se a uma indicação inequívoca sobre o local de nascimento de Fernão de Magalhães. A falta de registos precisos e a natureza de determinados documentos que têm servido de indicadores nesse sentido vêm alimentado uma acesa polémica entre os historiadores. No estado actual deste velho debate persistem ainda quatro teses alternativas, todas elas aparentemente acertadas com base em alegadas provas documentais, quanto ao seu local de nascimento, com maior relevância para o Norte de Portugal:

·            - a vila de Sabrosa, no distrito de Vila Real (antiga Província de Trás-os-Montes e Alto Douro)

·         - a vila de Figueiró dos Vinhos, sede de município do distrito de Leiria, região Centro (antiga Província da Beira Litoral) 

·           - a freguesia da Sé, no Município do Porto.

·       - a vila de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo, sub-região do Minho – Lima (antiga Província do Minho)   


A tese da vila de Sabrosa face às de Figueiró, Porto (freguesia da Sé) e Ponte da Barca

Pelo que se pode deduzir das palavras do conceituado historiador Damião Peres (1889 – 1976), autor, dentre outras obras muito conhecidas, da “História dos Descobrimentos Portugueses” e colaborador da “Verbo, Enciclopédia Luso-Brasileira da cultura”, em especial do que refere sobre Magalhães nesta última obra colectiva, as teses da sua naturalidade transmontana,com expressa indicação da vila de  Sabrosa, em Trás-os-Montes, bem como da de Figueiró dos Vinhos, na Beira Litoral, amplamente difundidas no século XIX em artigos da “Nouvelle Biographie Universelle” - uma publicação geral coordenada por Johann Hoefer e publicada em 1854 - viram-se confrontadas por uma nova tese, a da naturalidade portuense, logo em 1864 por Barros Araña,  por Pereira e Sampaio, em 1907 e, com maior vigor argumentativo, por Toríbio Medina, em 1920. Em 1921 D. José Manuel de Noronha e António Baião (este em favor da tese de Figueiró que, até ver, afigura-se-me como a menos crdível) procuraram impugnar a tese de Sabrosa «demonstrando a apocrifocidade do documento em que se baseava». A tese de Sabrosa voltaria, ainda segundo Damião Peres, a ser refutada pelo visconde da Lagoa, em 1933 e 1938, com base em frases proferidas pelo próprio Fernão de Magalhães que, em seu entender, autorizam a defender a naturalidade portuense, e por Queiróz Veloso ainda pela mesma época [1].

Porém, fazendo fé no que foi publicado na Wikipédia, a enciclopédia livre, em vez de um documento que tem servido de base à tese de Sabrosa existem dois, efectivamente apócrifos (cópias de dois testamentos, um firmado pelo próprio navegador em 1504 identificando bens inequivocamente situados em Sabrosa e um outro de um seu descendente exilado no Brasil em 1580), mas devidamente autenticados por um terceiro documento - um auto oficial de 1798 no qual seis escrivães confirmam a relação genealógica de Magalhães com esta vila – voltaremos a este assunto. Convém que se diga, de acordo com a mesma fonte, que os defensores da tese da origem portuense de Fernão de Magalhães, mais concretamente da sua naturalidade na freguesia da Sé, na cidade do Porto, fundamentam-se num documento de matrícula de um tal Aires de Magalhães na sé de Braga datada de 1509, onde se menciona que seus pais, Rui de Magalhães e Inês Vaz Moutinho, eram moradores na Sé do Porto. Ora, este mesmo Aires de Magalhães é dado por alguns genealogistas como tendo sido um dos irmãos do navegador, tal como Duarte de Sousa, Diogo de Sousa, Isabel Magalhães e Genebra Magalhães, todos eles filhos do dito Rui de Magalhães - que foi fidalgo da casa real, conde de Faro, senhor de Aveiro, alcaide-mor de Estremoz, mais tarde alcaide-mor de Aveiro e que terá exercido, ainda na cidade do Porto, os cargos de juiz ordinário, procurador da Câmara e vereador [2]. Mas estes dados genealógicos relativos ao alcaide-mor de Aveiro, sua(s) esposa(s) e seus filhos permanece envolto em mistério. Felgueiras Gayo, por exemplo, no “Nobiliário das Famílias em Portugal” obra que serve, entre outras, de base à Geneall.net, um importante recurso on line (mas de acesso condicionado) confirma, de facto, a paternidade de Fernão em Rodrigo (ou Rui) de Magalhães que foi alcaide-mor de Aveiro, mas não nomeia a esposa deste, e mãe daquele, como Inês Vaz Moutinho, tomando-a antes pelo nome de Alda de Mesquita. Além disso, apenas indica uma irmã de Fernão de Magalhães, de nome Leonor ou Genebra de Magalhães [3]. Teriam os restantes filhos, Duarte, Diogo e Isabel, nascido de um segundo casamento de Rui de Magalhães com Inês Moutinho? Ou seria este um outro casal sem qualquer relação com Fernão de Magalhães? Em qualquer dos casos, parece-me que tal mistério não basta para invalidar a tese da naturalidade portuense do circum - navegador.

Quanto às frases do próprio Fernão de Magalhães invocadas pelo visconde de Lagoa para servirem de prova da mesma tese que atribui o Porto como local de nascimento daquele, elas nunca foram levadas em grande conta pelos mais conhecidos historiadores, quer pelos que pretendem reabilitar a tese transmontana de Sabrosa, quer ainda pelos que se têm proposto a apontar novas alternativas.

Haja em vista, por exemplo, a posição de Luís de Albuquerque, conceituado Professor Universitário historiador dos descobrimentos portugueses (1917 – 1992) que a um ano da sua morte ainda se referia, peremptoriamente, a Fernão de Magalhães como «Transmontano, segundo as melhores informações de que se dispõe» [4], posição esta que já deixara bem claro na sua colaboração no Dicionário de História de Portugal, dirigida por Joel Serrão, apontando-o como tendo «nascido em Trás-os-Montes em ano à volta de 1480» e definindo-o como «fidalgo de segundo plano», oferecendo-se-lhe «como meio de ascensão social, o caminho das armas no Oriente ou em África, em que se lançou com cerca de 25 anos de idade, ao alistar-se na armada de D. Francisco de Almeida, que largou para a Índia em 1505.» [5].

Veja-se ainda o caso do, não menos conceituado, historiador Joaquim Veríssimo Serrão, que sem deixar de aconselhar a leitura das obras do Visconde da Lagoa (tese do Porto), Queirós Veloso e António Baião (tese de Figueiró) a que atrás nos reportámos, conclui com a maior simplicidade que «Magalhães nascera à volta de 1480, crê-se com razões de acerto que em Ponte da Barca.» [6].
O historiador Amândio Barros, investigador da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e especialista em história marítima dos séculos XV e XVI saiu em defesa desta mesma tese no livro que apresentou  no dia 23 de Maio de 2009 em Ponte da Barca, "A naturalidade de Fernão de Magalhães Revisitada", apresentação essa que foi alvo de uma reportagem pela Lusa publicada no jornal o Expresso [7] de que passarei a transcrever um trecho que resume os mais destacados comentários argumentativos do autor:



«Amândio Barros, […] apresenta no livro "A naturalidade de Fernão de Magalhães revisitada" documentos inéditos que, na sua opinião, indicam que o navegador era oriundo de Ponte da Barca.
Curiosamente, o historiador começou o seu trabalho de investigação deste tema a convite da Câmara de Sabrosa, em Trás-os-Montes, mas rapidamente viu que não podia seguir esse caminho.
A "solução transmontana" pareceu ter poucas pernas para andar a Amândio Barros, que na sua obra classifica a hipótese de "muito débil".
Na "posse de todos os dados disponíveis, e após estudo aturado de todos os elementos conhecidos (...) reafirma-se, por completo, a impossibilidade dessa origem transmontana", tudo porque a tese se baseia em "fontes muito pouco fiáveis", nomeadamente um "alegado testamento ditado por Magalhães em 1504" e um outro, "de 1580, que teria sido mandado lavrar por um sobrinho-neto do navegador chamado Francisco da Silva Teles", defende em declarações à agência Lusa.
"São estes os documentos que sustentaram a tese da naturalidade transmontana, mas que há muito que a investigação histórica os classificou como falsos", conclui o historiador, no livro que apresenta sábado.
Arrumada a hipótese de Sabrosa, havia que averiguar a do Porto, que se baseia, como Amândio Barros explica, "nos termos do contrato celebrado entre Magalhães e Carlos V" para a expedição.
Segundo o investigador, nesse contrato, Fernão de Magalhães intitulava-se 'vizinho' do Porto. "Ora, palavras como vizinho, cidadão, morador, exprimem uma condição num dado momento e em diversas circunstâncias e não traduzem obrigatoriamente o conceito de naturalidade".
Por outro lado, acrescenta o historiador, a tese da naturalidade portuense não procede porque "no tempo em que Magalhães nasceu - (...) 1480 - a cidade [do Porto] vivia um período tenso (...) e posicionava-se frontalmente contra a permanência dos nobres dentro dos seus muros; portanto, não é crível que tal ambiente fosse favorável ao nascimento de um fidalgo no interior do seu perímetro amuralhado".
"Na altura do contrato com Carlos V, o navegador estaria a preparar a expedição a partir do Porto, de onde aliás levou elementos para a tripulação, nomeadamente o piloto Estêvão Gomes. Terá assim assumido que era vizinho da cidade", referiu o historiador à Lusa.
Amândio Barros desmontou outro argumento utilizado para tentar provar que o navegador era do Porto, o da doação de bens, em testamento, ao Mosteiro de S. Domingos do Porto, que existia ali perto do actual Mercado Ferreira Borges.
"Na realidade, a doação é não a esse mosteiro, mas ao de D. Domingo das Donas do Porto, o actual convento Corpus Christi, em Gaia, onde eram freiras umas primas de Fernão de Magalhães", referiu.
Excluídas estas hipóteses, Amândio Barros explorou a de Ponta da Barca, sustentando nos vínculos genealógicos do navegador a sua convicção de que nasceu naquele concelho.
As famílias Sousas, Meneses e Magalhães terão tido, segundo o autor, uma "forte implantação (...) no Entre Douro e Minho e, em concreto, nas terras minhotas da Ribeira do Lima". Mais: existe "um lugar (hoje freguesia) chamado Paço Vedro de Magalhães, isto é, 'Paço Velho de Magalhães' que reforça essa convicção".
Há vários documentos, como heranças e provisões régias, relativos à tia de Fernão de Magalhães, D. Isabel de Meneses, e ao próprio navegador que demonstram a ligação deste a Ponte da Barca.
Mas, para o historiador, "o documento mais esclarecedor, "aquele que depois de devidamente analisado e contextualizado deixa muito poucas, ou nenhumas dúvidas acerca da naturalidade barquense de Magalhães é o requerimento de 1567, apresentado por Lourenço de Magalhães ao Conselho das Índias, pelo qual reclamava a herança do navegador".
O processo, garante, "apresentava um rol de inquirições de testemunhas que decorreu no mês de Abril de 1567, em Ponte da Barca, Ponte de Lima e Braga. Trata-se de testemunhos decisivos para determinar a naturalidade de Magalhães".
A este propósito, o historiador acrescenta que "as inquirições demonstravam ainda que o glorioso iniciador da primeira viagem de circum-navegação pertencia à estirpe dos Magalhães, senhores da Terra da Nóbrega, fidalgos de cota de armas e solar. O mais velho dos depoentes, João Garcia Belo, de Ponte da Barca, conhecera-o perfeitamente, assim como ao pai"».
MSP.
Lusa/Fim

Com efeito, os habitantes de Ponte da Barca reclamam a naturalidade de Fernão de Magalhães para a sua vila minhota, ligando-o à «nobre família do Paço Vedro (freguesia de Magalhães).» [8].

Mas a mesma convicção acontece também em Sabrosa onde, em memória do Grande Navegador, o Município tem promovido interessantes contactos culturais com regiões e países relacionados com as viagens e companheiros de Magalhães [9].

Tem-se verificado nos últimos anos a uma vigorosa reabilitação da tese transmontana de Sabrosa o que  vem agudizando a secular controvérsia gerada em torno da terra de origem de Fernão de Magalhães.
Salvaguardada a “tese transmontana”  de forma vaga por conhecidos autores (vimos o caso de Luís de Albuquerque), tem cabido finalmente à imprensa nacional e regional um papel fundamental na sua discussão científica, outrora reservada a um ciclo muito restrito de enciclopedistas e académicos, e no reavivar da larga possibilidade de Fernão de Magalhães ter sido oriundo de Trás-os-Montes e, particularmente, da vila de Sabrosa. Na linha da frente deste movimento cabe-me realçar o Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses, uma obra dirigida por Barroso da Fonte, e o elucidativo artigo do escritor Alexandre Parafita publicado em Setembro de 2009 num suplemento do Jornal de Notícias[10], do qual passo a transcrever o seguinte excerto:

«Desde tempos imemoriais, a naturalidade de Magalhães foi dada, como inequívoca, na vila de Sabrosa. Contribuiu para isso a existência de dois testamentos, um de 1504 (quando o navegador partiu para os oceanos) e outro de 1580 (de um seu sobrinho-neto exilado no Brasil), reforçados por um auto oficial de 1798 em que seis escrivães e quatro testemunhas confirmavam a genealogia do navegador ligada a esta vila. Nestes documentos são identificados bens efectivamente localizados em Sabrosa, tais como uma casa (a Casa da Pereira), a quinta da Souta (ainda hoje existente em frente ao Vale da Porca) e o legado de missas anuais no altar do Senhor Jesus da Igreja de São Salvador do qual ainda existem vestígios na actual Igreja Matriz da vila. A existência, na referida casa, do brasão da família Magalhães com as armas picadas e arrasadas, traduzindo um castigo que, no tempo de D. Manuel I, era corrente aplicar sobre quem praticasse actos considerados de traição à Pátria, assim tendo sido entendida a missão de Magalhães ao serviço da coroa de Espanha, corroboravam a mesma tese. Entretanto, há muitas décadas atrás, a veracidade destes documentos começou a ser posta em causa. Desde logo por o primeiro testamento referir a expressão “sua majestade” em relação a D. Manuel I, quando se sabe que, ao tempo, não havia esse tratamento, mas sim “sua alteza”. Ainda que no documento notarial de 1798 esteja dito que foi “fielmente copiado menos algumas palavras que por estarem mal escritas em letra gótica e o papel carcomido do tempo não foi possível poder ler”, não tem faltado quem procure todos os pretextos para desvalorizar o teor dos testamentos, como não falta também quem tal tenha rebatido, a exemplo do Abade de Baçal, que o fez minuciosamente. Estas dúvidas permitiram que outras hipóteses de naturalidade fossem sendo entretanto equacionadas. Por exemplo, do Porto se diz existir uma declaração que alude à expressão “Vecino de la cidade del puerto” e que isso indicaria ser dali natural. Contudo, sabe-se também que, num testamento feito mais tarde em Espanha, se declara do mesmo jeito: “vesino q soy desta muy noble e muy leal çibdad de Sevylha”. O que vale então esta palavra “vecino” em tais documentos? Nada de mais relevante. Apenas que Magalhães pode ter vivido nessas cidades. (…). Importa ter presente que as questões divergentes da naturalidade de Magalhães foram sendo geradas muito depois da sua morte, quando se percebeu que haveria uma notável fortuna a reivindicar da coroa de Espanha, por ser devida ao Navegador uma parte dos territórios descobertos mundo além. Foi então que vários supostos parentes foram surgindo em diversas localidades do País (incluindo Ponte da Barca), uns e outros logo impugnados e desacreditados nas suas pretensões pelo poder castelhano, que dessa forma assegurava a intocabilidade do seu património. (…)».


Estátua de Fernão de Magalhães, em Sabrosa 

  Fonte: O serrano, Comunidade Sol | http://comunidade.sol.pt

Referências

[1] PERES, Damião, Magalhães (Fernão de) in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Editorial Verbo, Lx, 1971, Vol. 12, pp. 1015-1016.
[2] Link
[3] Link
[4] ALBUQUERQUE, Luís de, Magalhães (Fernão de) in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1991, Vol 1, p. 415.
[5] Id. Ibid., in Dicionário de História de Portugal, Liv. Figueirinhas, Porto, 1990, Vol. IV, p. 136.
[6] SERRÃO, Joaquim Veríssimo, História de Portugal, Vol. III, 2ª ed. revista, Lx, 1980, p. 28.
[7] Link
[8] Link
[9] Link
[10] Alexandre Parafita “Fernão Magalhães: símbolo inequívoco da tradição de Sabrosa”, in Jornal de Notícias, Suplemento “Terra de Fernão de Magalhães”, edição de 5 de Setembro de 2009.

sábado, 4 de junho de 2011

as nossas casas



na Póvoa de Lila.

xisto sobre xisto..........
castanho e pinho...
mais umas telhas...
um palheiro?
 uma corte?
um curral?
um lar?



 Autor: Jorge Fernandes
 (via http://saocousasdavida.blogspot.com)

Hoje comemora-se o Dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressão

Por Leonel Salvado
Foto do domínio público| autor: Xmastree | 2006
 | origem: wikimédia commons |adaptada

«A 19 de Agosto de 1982, na sua sessão extraordinária de emergência sobre a questão da Palestina, “consternada perante o grande número de crianças palestinas e libanesas que foram vítimas inocentes dos atos de agressão de Israel”, a Assembleia Geral da ONU decidiu comemorar a 4 de Junho, todos os anos, o Dia Internacional das Crianças Vítimas Inocentes de Agressão (resolução ES-7/8).»

In http://emiliaeiko.wordpress.com

Esta data é comemorada há 28 anos e, no entanto, em alguns países ditos civilizados, os números sobre a violência contra jovens e crianças (em actos que envolvem espancamento, encarceramento, queimadura, abusos sexuais…), continuam a marcar uma posição cimeira na mortalidade global desses países. É caso para comemorar mas também reflectir e, sobretudo, agir. Agir pessoalmente em casa com amor e carinho para com os nossos filhos, e fora denunciando de eventuais casos de cruel agressão contra as crianças e aderindo a movimentos que circulam na internet, divulgando-os e recrutando o maior número de aderentes. No Facebook, por exemplo, o aplicativo causes está ao alcance de todos e aderir às causas que já se encontram em movimento pode ser um primeiro passo no longo caminho deste dever moral que se abre a todos nós. 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Uma raridade arquitectónica nos antigos domínios da família Carvalhal

Por Leonel Salvado
A Capela de S. António, Veiga de Lila | foto: Ana Luísa
 in http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com

Trata-se da Capela que é hoje da invocação de Santo António, anexa ao Solar da família Carvalhal, em Veiga de Lila, destacando-se o imponente brasão nela implantado da família Telles de Távora. Ambos os imóveis ainda existem na aldeia, contudo vedadas ao livre acesso e observação públicas. Passaram para a família Carvalhal, por via do casamento de D. Maria Magdalena Telles de Távora com Francisco do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt, trisavô de Júlio do Carvalhal, constituindo a “Casa e Vínculo de Nossa Senhora dos Remédios”, do ramo da família Carvalhal de Veiga do Lila, património esse herdado pelo mesmo Júlio do Carvalhal, por morte de seu irmão mais velho Alexandre, e depois passado à sua filha primogénita, Efigénia do Carvalhal de Sousa Silveira e Telles Pimentel, casada com Francisco de Moraes Teixeira Pimentel, posto que o único filho varão de Júlio do Carvalhal, César do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Betencourt, não assegurara descendência. Convém que se diga que esta capela foi outrora, seguramente nos meados do século XVIII, da invocação de Nossa Senhora dos Remédios, como assim se referia a ela na "Memória Paroquial" do lugar e freguesia de Nossa Senhora de Veiga de Lila, em 1758, o respectivo vigário, António Pereira de Miranda, mencionando ser seu administrador Alexandre Manuel do Carvalhal, senhor da referida Casa e vínculo da família dos Carvalhais cuja genealogia publicámos aqui no Clube de História de Valpaços a par com a biografia de Júlio do Carvalhal que podem ser consultadas na categoria "Galeria de Notáveis". Curiosamente, no manuscrito daquele mesmo cura-memorialista, que  analisei  e fiz uma transcrição que será aqui publicada, não existem referências a qualquer capela de Santo António, pelo que me parece substancialmente verosímil que o monumento a que me reporto só tenha passado para a invocação de Santo António após a legislação liberal que ditou a extinção dos vínculos e morgadios e que, como se sabe, se materializou definitivamente por Carta de Lei de D. Luís I de 19 de Maio de 1863, para todos os vínculos, à excepção do da Casa de Bragança.
Actualmente este património histórico edificado de interesse público encontra-se, juntamente com os prédios rústicos, repartido por vários proprietários, alguns dos quais sem qualquer relação de parentesco com os actuais representantes da família Carvalhal.

Painel de pseudo-azulejos | adaptação de Leonel Salvado