domingo, 3 de julho de 2011

Os cruzeiros do concelho de Valpaços – freguesia de Alvarelhos

Um caso singular e enigmático
Por Leonel Salvado

Os cruzeiros de Alvarelhos constituem efectivamente um caso curioso e, em certa medida, um caso invulgar no contexto destes monumentos de expressão religiosa popular do concelho de Valpaços, quiçá de toda a área integrada na diocese de Vila Real.

A singularidade

Como bem observou Henrique Rodrigues no post intitulado “Cruzeiros da nossa Terra” que publicou em 19 de Abril de 2010 no seu blog “Alvarelhos (Maravilhoso Reino) ”, observação essa que tive oportunidade de confirmar, nenhum dos quatro cruzeiros foi erguido no centro ou no interior da aldeia.

Como refere o autor do blog local, eles «foram colocados nos principais caminhos que eram: o caminho da Ribósia que fica a nascente e ligava a Tinhela, o caminho de Santiago que ligava a Vila Nova de Monforte e Oucidres o caminho do Seixal que vinha de Lamas de Ouriço e seguia para Tinhela e neste lugar poderia derivar para Agordela e o caminho da Serra que ligava a São Julião de Montenegro, os cruzeiros estavam colocados nestas vias

As possíveis origens

Adianta ainda o mesmo autor, baseado na tradição oral, que a ideia da construção dos quatro cruzeiros e sua implantação nos locais designados teria talvez resultado de uma determinação administrativa das autoridades do Concelho de Monforte de Rio Livre, isentando os habitantes da Alvarelhos das suas obrigações militares no reforço da guarda do Castelo de Monforte, acto que a aldeia inteira entendeu celebrar daquela forma.

Estamos perante uma explicação que podendo, à primeira vista, parecer demasiado rebuscada, parece fazer algum sentido se a compararmos com as escassas interpretações que se conhecem em Portugal acerca da origem desta tradição de arte e religiosidade de expressão popular, que são os cruzeiros. O padre João Parente, um dos raros autores portugueses que nos têm elucidado sobre a tradição dos cruzeiros, tradição essa que, a fazer fé neste autor, remonta ao século XIV e estendeu-se desde o Norte de Portugal, à Galiza e ao Noroeste de França, deixou-nos na sua obra “Os Cruzeiros da Dioceses de Vila Real” algumas considerações sobre o tema que julgo poderem conferir alguma credibilidade ao que se guarda na tradição popular sobre a origem e a importância dos cruzeiros de Alvarelhos. Refere este investigador:

«As aflições insuperáveis levam o povo à procura de uma protecção que só encontra em Deus. Desta necessidade de apoio especialmente centrado no crucifixo, nasceu o sentimento popular que se exprime nos cruzeiros. […] De vez em quando, as epígrafes gravadas nas bases dos cruzeiros, apresentam como motivo do seu levantamento, a devoção de particulares, sempre do baixo clero ou leigos não pertencentes à nobreza. Os nobres edificavam as igrejas ou os conventos.»  

Padre João Parente, Os Cruzeiros da Dioceses de Vila Real, Media Line, Impresse 4, sd. pp. 9-10

Compreende-se que as seculares obrigações de defesa militar dos castelos da raia no decurso das temíveis guerras com Castela fossem para os habitantes de aldeias inteiras, a par das epidemias, uma dessas «aflições» e que uma vez delas apartados os povos logo procurassem agradecer a Deus o consolo que dessa bênção retiravam, erguendo-lhe um cruzeiro comemorativo que, segundo ainda o Padre João Parente, «geralmente […] erguia-se no centro do povoado.» Mas, como vimos, em Alvarelhos foram quatro e, todos eles, fora o povoado e junto dos quatro caminhos que davam (e dão) acesso à aldeia. Não parece haver nada de estranho nisto, pois esta situação só tem a ver com as circunstâncias particulares em que se crê que os cruzeiros de Alvarelhos foram erguidos. Se o grande mal que afligia os aldeões era o perigo das invasões castelhanas e se na expressão do cristianismo popular os cruzeiros representavam para eles a desejada protecção contra esse perigo, agora na sua própria aldeia, era nos caminhos de acesso a ela que o povo devia depositar a esperança dessa protecção erguendo aí as cruzes com Cristo crucificado como sinais de auxílio e misericórdia.    


Tipologia e significado religioso

Devo dizer que, à falta de epígrafes gravadas nas bases dos cruzeiros de Alvarelhos indicadores do motivo da sua construção, salvo no que foi transferido para o cemitério paroquial (resta saber se o actual pedestal será, na verdade, a sua base original!), a devoção aos cruzeiros em Alvarelhos, fosse qual fosse a razão imediata para a sua construção, enquadrou-se na simples e expontânea expressão do cristianismo popular a que lhe está associada e que o Padre João Parente definiu assim:

«A arte popular cristã mostrou sempre preferência pelos sofrimentos e pela morte de Jesus, em prejuízo da Sua encarnação e ressurreição. É na cruz que se manifesta melhor a humanidade de Cristo e, de certa maneira, a divindade. A encarnação não é tão sensível e a ressurreição é demasiado espiritual e transcendente. O povo prefere a paixão, porque impressiona, comove e apela ao sentimento. Compreende-se que o crucifixo seja a imagem mais comum, tanto contemplada no esplendor das catedrais como na simplicidade dos cruzeiros das recônditas encruzilhadas

Padre João Parente, Os Cruzeiros da Dioceses de Vila Real, Media Line, Impresse 4, sd. Pp. 9-10

Contrastando com a profusão ornamental escultórica dos cruzeiros que, com mais frequência, foram erguidos dentro das aldeias, vilas e cidades na restante região transmontana, os cruzeiros de Alvarelhos, colocados fora do casario, destacam-se todos pela sua simplicidade (base cubóide e cruz simples de secção quadrangular) e pelas grandes semelhanças existentes entre eles. Só para que se fique com uma ideia desse contraste dentre os restantes cruzeiros existentes no concelho de Valpaços, compare-se por exemplo os cruzeiros que se localizam em “Largos do cruzeiro”, alguns dos quais já procurámos divulgar, tais como os de Argeriz, Vilartão (Bouçoais), Cabanas (Curros), Fornos do Pinhal (junto à escola primária) Possacos, etç com os mais singelos cruzeiros localizados fora das aldeias em Lamas (Ervões), Santa Valha (Senhor da Boa Morte), Deimãos (outrora resguardada por uma capela simples posteriormente reconstruída) e Tinhela, junto da estrada que sai para o Norte, cuja semelhança com os cruzeiros de Alvarelhos é flagrante, exceptuando o facto de ter sido erguido sobre rocha natural.

Convém ainda se diga que estes simples cruzeiros erguidos nas encruzilhadas dos caminhos eram policromados, isto é, pintados e repintados directamente sobre o granito, representado a figura de Cristo Crucificado, os mistérios da fé e, em alguns casos, a virgem Maria no reverso. Hoje são poucos os casos destes simples cruzeiros onde ainda se vislumbrem vestígios dessas pinturas. Como refere o Padre João Parente «era ao Senhor e à Senhora dos cruzeiros que o emigrante e o soldado lançavam o último olhar aflito, ao partirem para as arriscadas aventuras». Não seria propriamente à volta dos cruzeiros de Alvarelhos que a vida girava, se cantava e se bailava nos dias festivos, se realizavam entremezes e se jogava a panelinha e o pião. Isso sucedia sim em torno daqueles cruzeiros mais ricamente trabalhados e colocados no centro do povoado. Os cruzeiros erguidos nos principais caminhos que passavam por Alvarelhos eram aqueles, talhados no melhor granito mas em formas mais simples e representando o senhor em sofrimento e em cores vivas, que tocavam mais na alma dos pobres crentes do que os efeitos escultóricos, o sangue escorrendo-lhe das chagas. Era neste sofrimento redentor, da Paixão de Cristo, presente em pessoa nos cruzeiros dos caminhos, que os que deles se serviam em arriscadas jornadas encontravam o desejado conforto espiritual. 
Como disse, não estou seguro se o pedestal que serve de base ao cruzeiro que foi transferido do antigo caminho de Santiago para o cemitério paroquial é original e será estranho que o não seja posto que nela se pode ler com relativa facilidade a seguinte mensagem epigrafada em latim, que me parece bem elucidativa do motivo ou significado da construção deste tipo de monumento, a que me tenho referido, com a indicação, na face lateral, da data de 1733:

PASSIO CHR
ISTI,CONFO
RTA . ME.

Outro detalhe curioso que encontrei neste cruzeiro, ao contrário dos restantes, é que na respectiva cruz foi epigrafada a legenda INRI, o que reforça a ideia da sua relação com o tema da paixão de Cristo e o culto das cinco chagas.
Levando em conta uma sugestão apresentada pelo Padre João Parente, baseada em memórias recentes sobre esta matéria, face às grandes semelhanças existentes entre os cruzeiros de certas terras que, segundo as suas próprias palavras, «parecem ter nascido de uma só mão criadora», como se me afigura ter sido o caso dos de Alvarelhos, é possível que esse trabalho fosse exercido por canteiros ambulantes que andavam de terra em terra oferecendo a sua arte e se fixavam nas aldeias recebendo alojamento, comida e salário enquanto durasse a sua empreitada. O mesmo devia suceder, julgo eu, com os pintores que se insinuariam da mesma sorte aos aldeãos ou seriam, devido à sua fama, por estes contratados.
E o resultado foi a existência de quatro magníficos monumentos religiosos, graças à admirável fé de gente simples de Alvarelhos, monumentos esses que já foram cruzes de pedra com crucifixo pintado e hoje continuam a ser cruzes de pedra, apenas duas delas desenquadradas (uma muito mais do que outra) do seu ambiente paisagístico primitivo.

Os Cruzeiros

I

 
Cruzeiro do caminho da Ribósia, Alvarelhos | Foto base: Leonel Salvado, 2011 
| Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Fragas do Prado, ao caminho da Ribósia, Alvarelhos
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 3,34 m, base e cruz
Descrição: Base cubóide com cruz simples de secção quadrangular
Data: Indeterminada


II

Cruzeiro do caminho do Seixal, Alvarelhos| Foto base: Leonel Salvado, 2011
 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Caminho do Seixal, Alvarelhos
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 2,84 m, base e cruz
Descrição: Base cubóide e simples cruz de secção quadrangular
Data: indeterminada


III

Cruzeiro do caminho da Serra, Alvarelhos  | Foto base: Leonel Salvado, 2011 
| Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: no sítio das Peneda, Alvarelhos (antigo caminho da Serra – deslocado alguns metros abaixo)
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 2, 70m, base e cruz
Descrição: Base cubóide e cruz simples de secção quadrangular 
Data: Indeterminada

IV

Cruzeiro do caminho de Santiago, Alvarelhos | Foto base: Leonel Salvado, 2011
 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Cemitério paroquial, Alvarelhos (deslocado do antigo caminho de Santiago)
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 2,70m, pedestal e cruz
Descrição: Pedestal quadrangular com soco e cornija onde assenta uma cruz simples de secção quadrangular
Data: Pedestal de 1733

sexta-feira, 1 de julho de 2011

91.º Aniversário do nascimento de Amália Rodrigues

Amália Rodrigues | Conteúdo Livre da Wikimedia Foundation
  autor: Andre Koehne

A Rainha do Fado e, por via do seu extraordinário talento nesta área da música, uma das melhores embaixadoras da cultura portuguesa no mundo, nasceu há 91 anos em Lisboa. A data de hoje é, portanto, uma data comemorativa de grande relevância para os Portugueses.

Para rever o que publicámos em sua homenagem por ocasião do 90.º Aniversário do seu nascimento,

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O solar dos morgados de Vilartão

Pormenor do solar dos morgados de Vilartão | Foto: Joaquim Malvar Azevedo
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São pormenores como este, captados pela objectiva de Joaquim Malvar Azevedo, que nos permitem fazer uma ideia da grandeza do património histórico-arquitectónico existente no concelho de Valpaços mas que em muitos casos não se tem dado a devida atenção. Cumpre aos valpacenses louvar o seu autor pelo trabalho de divulgação que tem vindo a publicar no seu blogue recentemente criado relativamente ao morgadio, morgados de Vilartão, solar e respectivo acervo arquivístico.

Visite o

6 mulheres diabólicas que você (provavelmente) não conhecia

Stálin, Hitler, Pol Pot, Ivan, o Terrível. Provavelmente, estes são os primeiros nomes que vêm à sua cabeça quando te perguntam sobre “mentes diabólicas”, certo? Então esta lista é para você. Saiba que algumas mulheres podem ser bem diabólicas, a ponto de figurarem entre os humanos mais cruéis de todos os tempos. Veja seis mulheres infernais – e meio desconhecidas – que deixam qualquer tirano no chinelo.


Condessa Elizabeth Báthory de Ecsed (1560 – 1614)
Vários nobres de sangue azul derramaram muito sangue vermelho ao longo da história, mas a Condessa Elizabeth foi uma das únicas mulheres da realeza a se tornar serial killer. A húngara foi acusada de torturar e matar 80 garotas, com a ajuda de quatro pessoas. Mas testemunhas afirmaram que 650 cabeças de jovens donzelas rolaram por causa da condessa.
Elizabeth nunca foi sequer julgada. Mas, em 1610, a condessa foi submetida a uma espécie de “prisão domiciliar” em um castelo na Eslováquia. E ficou lá até morrer, quatro anos mais tarde.
Quer saber o pior? Tempos depois, foram encontrados textos que diziam com todas as letras que a condessa matava garotinhas porque – atenção! – gostava de se banhar no sangue de moças virgens para manter a sua juventude. Ai, se algumas celebridades brasileiras descobrirem esse segredo de beleza…


Delphine LaLaurie (1775 - 1842)
Mais conhecida como Madame LaLaurie, Delphine foi uma socialite de Nova Orleans. Em abril de 1834, um incêndio tomou a cozinha da mansão e os bombeiros encontraram mais do que labaredas por lá.
Nos escombros, encontraram dois escravos acorrentados. A dupla – que havia começado o fogo pra chamar atenção – levou os bombeiros para o sótão, onde havia mais ou menos uma dúzia de outros escravos presos nas paredes e no chão.
Aparentemente, LaLaurie havia instalado uma filial do laboratório do Dr. Frankenstein. Suas vítimas estavam amputadas, tinham bocas costuradas e sexos trocados (!). Teve boatos de que ela até executou uma cirurgia bizarra para transformar um dos escravos em caranguejo, realocando os membros de seu corpo. #tenso. Infelizmente, a justiça tardou e falhou – Delphine nunca foi pega pelos seus crimes.


Ilse Koch (1906 – 1967)
Os homens nazistas marcaram a história com muitos casos cruéis, mas Ilse Koch mostrou que a maldade não está só no cromossoma Y. Apelidada de “a maldita de Buchenwald”, Ilse foi casada com Karl Otto Koch, membro da SS, e superou o marido no quesito sadismo.
Ela ficou conhecida por ostentar uma coleção um tanto quanto sinistra – Ilse arrancava a pele de presos com tatuagens para criar revestimentos “exóticos” para as cúpulas das lamparinas de sua casa! Além disso, dizem que a mulher tinha o costume de andar nua pelos campos de concentração armada com um chicote: aquele que ousasse olhar para ela duas vezes apanhava feio. Ilse foi presa no fim da guerra e acabou se enforcando dentro de sua própria cela.

Mary Ann Cotton (1832 – 1873)
Mary Ann Cotton não era mole. Aos vinte anos de idade, ela se casou com William Mowbray e começou uma bela família – teve cinco filhos! Só que quatro deles morreram com “febre gástrica e dores de estômago”. Estranho, mas na época ninguém achou suspeito.
Mary Ann teve outros três filhos que, veja só, também faleceram. Logo em seguida, foi William quem partiu desta para uma melhor, por causa de uma “doença intestinal”, em 1865. A inglesa recebeu um dinheirinho de pensão e seguiu a vida, casando-se com George Ward logo depois. Só que George morreu do mesmo mal que William, assim como os dois últimos filhos da mulher. Sério mesmo.
A imprensa estranhou (já estava na hora, né?). Pesquisaram o passado de Mary Ann e desenterraram um histórico impressionante: ela tinha perdido três maridos, um amante, um amigo, a mãe e os doze filhos – todos de febre gástrica. Resultado? Ela foi enforcada lentamente em 1873 por homicídio causado por envenenamento. Sabe como é. Algumas pessoas não se dão bem com arsênico.

Belle Gunness (1859 – 1908)
Eis a história de Belle Gunness, uma serial killer que era um mulherão – literalmente, ela media 1.83m! Belle impunha respeito e metia medo em Chicago. A norueguesa cometeu crimes parecidos com a amiga ali de cima, mas desta vez não foi loucura. Foi pura ganância.
Ela matou seus dois maridos e todos os filhos que nasceram destas uniões, além de inúmeros namorados e pretendentes. Tudo para pegar o dinheiro dos seguros de vida (ou os trocados em seus bolsos). Dizem que, no total, foram mais de 20 vítimas, mas só conseguiram confirmar meia dúzia de mortes, incluindo a das suas duas filhas, Myrtle e Lucy.
A matadora não foi julgada e muito menos presa. Morreu supostamente em um incêndio criminoso, mas o corpo estava sem a cabeça – que nunca mais foi encontrada. Além disto, o laudo percebeu que o cadáver ali na maca era um pouco menor do que Belle. E aí, conspirólogos?

Katherine Knight (1955 – )
Para terminar, mais uma viúva negra. Katherine foi a primeira mulher australiana a ser sentenciada a prisão perpétua – graças ao seu histórico criminal recheado de violência. Exemplo? Ela basicamente quebrou os dentes de um ex marido, degolou o cachorro filhotinho na frente de outro marido (no maior estilo “o próximo pode ser você”) e perfurou o estômago do terceiro com uma tesoura.
Mas o homem que teve menos sorte (ou mais azar) foi John Charles Thomas Price, um namorado que acabou morrendo com uma faca de açougueiro enterrada no corpo – trinta e sete vezes. Enquanto dormia.
E como se não bastasse, Katherine pegou o corpo, esfolou a pele ensanguentada dele e pendurou-a na porta da frente. Cortou a cabeça e colocou-a na panela de fazer sopa e, para finalizar, assou as nádegas do homem! Ela ainda fez um molhinho e uma salada para acompanhar e estava preparando a mesa do banquete para os filhos dele quando a polícia chegou. Cruzes!

Por Tânia Vinhas

Imagens de satélite permitem encontrar pirâmides no Egipto

A arqueologia espacial “substituiu” Indiana Jones. Imagens de satélite sobre o Egipto permitiram descobrir 17 pirâmides que estavam desaparecidas e três mil infra-estruturas escondidas debaixo do solo, num trabalho pioneiro de arqueologia espacial de um laboratório em Alabama, apoiado pela NASA.
"Indiana Jones é o método antigo. Ultrapassámos Indy, desculpa Harrison Ford”, disse à BBC Sarah Parcak, do laboratório de Birmingham, Alabama, especializada em arqueologia espacial.
A equipa de Parcak analisou as imagens obtidas por satélites a 700 quilómetros da Terra, equipados com câmaras de infra-vermelhos capazes de detectar objectos com menos de um metro de diâmetro na superfície terrestre. “Escavar uma pirâmide é o sonho de qualquer arqueólogo”, comentou Parcak, dizendo-se surpreendida com o que ela e a sua equipa encontraram.
“Trabalhámos intensamente durante mais de um ano. Mas o momento alto foi quando pude, finalmente, ver o conjunto de tudo o que encontrámos. Nem queria acreditar que localizámos tantos sítios em todo o Egipto”.

Leia a continuação em http://publico.pt/1495833

Mais:

http://www.bbc.co.uk/news/world-13522957
http://www.uab.edu/history-anthropology/faclist/87-anthropology/23-ant-parcak

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Rosa Mota faz hoje 53 anos

Rosa Mota  em Osaka, 2007  
autor: Heike Drechsler | via Wikimédia Commons

Quem não se recorda ou não tenha já ouvido falar da grande atleta portuense de compleição franzina e extrema humildade e simpatia, surpreendeu a Europa e deixou o país enternecido quando, em 1982, em Atenas, ao som do hino nacional, ocupou o lugar mais alto do pódio, ao arrebatar a sua primeira medalha de ouro fora de Portugal naquele que foi também o primeiro campeonato feminino europeu da modalidade em que mais se tornou conhecida em toda a sua brilhante carreira – a maratona - no campeonato europeu que aí teve lugar nesse ano?

Rosa Maria Correia dos Santos Mota nasceu no Porto em 29 de Junho de 1958 onde começou a correr enquanto frequentava o liceu. Em 1974 representou o Futebol Clube da Foz e entre 1978 e 1980 o Futebol Clube do Porto, entrado, em 1981, para o Clube de Atletismo do Porto, onde se manteve até ao fim da sua brilhante carreira. Dois anos depois, como referimos, entrou para a alta-roda da competição. A sua vitória na maratona dos Jogos Olímpicos de Seul em, 1988, foi um dos seus momentos de glória mais festejadas pelos portugueses. Das 21 maratonas em que disputou entre 1982 e 1992, numa média de duas competições por ano, venceu 21.

Para conhecer mais dados biográficos sobre Rosa Mota, o seu palmarés, bem como as ordem de mérito recebidas,
click AQUI

Rosa Mota nos Jogos Olímpicos de Seul, 1988

domingo, 26 de junho de 2011

As “Alminhas” do concelho de Valpaços: Freguesia Santa Maria de Émeres

Por Leonel Salvado
Tema: Citação acerca da freguesia de Ervões | Objecto: Covilhete | Criação digital:  Leonel Salvado
 | Outros recursos:  http://www.iromababy.com (fundo superior);   
 http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
(clique sobre a imagem para aumentar)

Tema: Monumento às Alminhas, St.ª M.ª de Émeres | Foto base: Leonel Salvado
 | Objecto:  Covilhete | Criação digital:  Leonel Salvado | Outros recursos:  http://www.iromababy.com (fundo superior); 
http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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Tema: Monumento às Alminhas, St.ª M.ª de Émeres | Foto base: Leonel Salvado 
Criação digital:  Leonel Salvado | Outros recursos:  http://www.iromababy.com (fundo superior); 
http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dia de Corpo de Deus 2011

Imagem: http://regiaodocastelo.blogspot.com

Como é sabido, o dia de Corpo de Deus (Corpus Christi) é celebrado 60 dias após a Páscoa, podendo recair entre 21 de Maio e 24 de Junho. Ano passado foi a 3 de Junho e este ano celebra-se hoje, 23 de Junho.

Para rever o que publicámos, em 2010, a respeito desta data solene, click AQUI.

terça-feira, 21 de junho de 2011

365.º Aniversário do nascimento de D. Maria Francisca de Sabóia, rainha de Portugal

D. Maria Francisca de Sabóia | imagem em domínio público
 | Wikimedia Commons

Maria Francisca Luísa Isabel de Sabóia, nascida em Paris em 21 de Junho de 1646, a segunda filha de Amadeu de Sabóia, 4.º duque de Aumale e duque de Nemours e de Isabel de Vendôme, portanto da Casa Real de Sabóia-Nemours, foi a 28.ª rainha de Portugal e a segunda da dinastia de Bragança. Entrou em Portugal em 1666 após o bem sucedido acordo conduzido pelo 3.º conde de Castelo Melhor, D. Luís de Vasconcelos e Sousa com vista ao seu casamento com o jovem monarca português D. Afonso VI. Mas devido à insanidade mental d o rei, à inépcia para a governação e à incapacidade para a consumação do casamento, foi este anulado pela Igreja a pedido da própria “rainha” em 24 de Março de 1668. Sob pressão do irmão, o infante D. Pedro, D. Afonso VI abdicou do trono em favor da regência daquele. Uma bula papal autorizava entretanto Maria Francisca a casar com o cunhado, casamento esse realizado a 2 de Abril do mesmo ano. Desde então e até à morte do D. Afonso VI, em 12 de Setembro de 1683, Maria Francisca usou apenas o título de Princesa ainda que frequentemente fosse designada de Rainha-Princesa. Só partir dessa data, com a entronização de D. Pedro II é que passou usar com legitimidade o título de Rainha, na verdade apenas durante três meses e meio, já que veio a falecer de hidropisia em Palhavã, Lisboa, a 27 de Dezembro de 1683, sendo sepultada no Convento das Francesinhas que ela própria fundara. Os seus restos mortais jazem no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, para onde foram trasladados em 1912. Do seu segundo casamento, igualmente pouco feliz, nasceu apenas uma filha que faleceu solteira aos 21 anos. D. Pedro voltaria a casar em 1687 com Maria Sofia Isabel de Neuburgo com quem teve sete filhos, o segundo dos quais, dada a morte prematura do primogénito seu homónimo viria a suceder-lhe no trono com o nome de D. João V.

Para mais detalhes biográficos sobre D. Maria Francisca Isabel de Sabóia click AQUI.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Freguesia de Tinhela

I

Cruzeiro de Tinhela | Foto base: Leonel Salvado, 2011 
| Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Número: 12.19. 234
Local: Tinhela, junto da estrada que sai para o norte
Título: Cruzeiro
Material: Granito e cimento
Altura: 2,30 m, a cruz
Descrição: Simples cruz com o crucifixo policromado, resguardado por tosco alpendre de cimento, tudo assente sobre uma rocha natural
Data: Século XIX, alpendre recente

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd., [2004] p. 290.

II

Cruz do Senhor do Bonfim e Alminhas, Tinhela 
| Foto base: Leonel Salvado, 2011 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Tinhela, junto ao cruzamento para Nozelos
Título: Cruzeiro do Senhor do Bonfim
Material: Granito
Descrição: base cubóide suavemente almofadada com lado superior abaulado assente sobre o que resta de antiga plataforma; fuste quadrangular biselado e encimado por cruz também toda biselada com excepção das extremidades dos braços; Na face frontal lê-se com dificuldade a inscrição “SENHOR DO BOM FIM”
Data: indefinida

Caracterização: Leonel Salvado

III

Cruzeiro em alpendre, Monte de Arcasexterior 
| Foto base: Leonel Salvado, 2011 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: À entrada de Monte de Arcas na estrada que sobe por Tinhela
Título: Cruzeiro
Material: Cimento e granito
Descrição: Plataforma quadrangular com escadaria frontal constituída por degraus simples e alpendre de três paredes, duas laterais e uma fundeira que alberga o cruzeiro composto por base cuboide, cruz simples de secção quadrangular com crucifixo policromado; Na parede fundeira azulejos policromados representado Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora da Conceição ladeando a Cruz.  
Data: construção recente.

Caracterização: Leonel Salvado

Cruzeiro em alpendre, Monte de Arcasinterior 
| Foto base: Leonel Salvado, 2011 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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sexta-feira, 17 de junho de 2011

O burro lanudo mirandês – um precioso valor patrimonial…

…até quando?!
Por Leonel Salvado
Foto da autoria de António Espinha Monteiro
 | in http://www.burroslanudos.com | reprodução autorizada

Se formos capazes de nos livrar de qualquer tipo de preconceito, olhar em volta e procurar em todas as áreas do nosso património os valores que ameaçam perder-se para sempre, poderemos também ser capazes de reconhecer que entre elas figura uma importante referência tradicional – o burro! E o facto de uma das mais resistentes raças asininas portuguesas, também já ameaçadas de extinção, ser justamente a do “burro lanudo mirandês” deve constituir entre os transmontanos orgulhosos do seu património mais um motivo de orgulho e de séria preocupação do que apenas um motivo de mera e proverbial brincadeira.  

Temos de reconhecer que o burro, apesar de, devido ao seu temperamento dócil e submisso, ter sido transformado pelo homem numa referência de personificação pouco lisonjeira, que é a que todos conhecemos, usamos e abusamos, foi uma das espécies que mais contribuiu para satisfazer as múltiplas necessidades materiais e culturais da Humanidade. Desde a sua domesticação, que se supõe ter ocorrido no Antigo Egipto há mais de 5 mil anos, anterior à do cavalo, com a designação o “Equus asinus europeus”, assim designado para o distinguir do “Equus asinus africanus”, outro tronco asinino proveniente da bacia do Nilo, o burro europeu foi sendo imortalizado na iconografia na literatura religiosa e pagã, bem como em todas as outras expressões da cultura erudita e popular, como são as fábulas e os provérbios, onde ele surge como personagem central. Mas esta grande figura da História da Humanidade que resistiu, com a serenidade que lhe é peculiar, a todas as provações por que a espécie humana o fez passar, inicialmente destinado à alimentação humana, depois à produção de híbridos e mais tarde para os serviços de carga e transporte, encontra-se hoje em perigo de extinção, assim em Portugal como no resto da Europa.

Em Portugal, a única raça existente, segundo os especialistas em filogenia asinina doméstica, é a do burro lanudo mirandês, da qual, em 2002, existiam menos de dez indivíduos reprodutores. A principal causa da redução drástica destes animais em Portugal é do mais elementar conhecimento geral, mas a questão relacionada com a preservação e recuperação da espécie é bastante delicada e preocupante, segundo o que se depreende das declarações de Miguel Nóvoa, responsável pela Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino:

«A diminuição drástica destes animais parte da mecanização da agricultura, que tornam o burro menos importante na sociedade. Para constatar a sua importância actualmente temos de visitar países como Marrocos, Etiópia e Somália entre outros, nos quais os burros são utilizados diariamente para a recolha de águas e outros bens. Em Portugal esperamos poder continuara a trabalhar para um aumento da raça que neste momento se situa entre 800 animais, ou seja, 800 fêmeas reprodutoras. Irá diminuir este número drasticamente nos próximos anos, porque apenas conseguimos ter cerca de 80 nascimentos por ano dos quais apenas 50% serão fêmeas. Devido à idade avançada dos animais existe um maior número de mortes do que nascimentos. Há que continuar a trabalhar para que futuramente consigamos inverter esta tendência.»

Fonte: Carlos Santos, Terra de Miranda - Trazer o burro para o século XXI, in Café Portugal


Do «ESTIGMA do cria-burros» ao estrelato da criação

Quando o grito de alerta ecoou em Portugal, vários portugueses acorreram em defesa deste património, uns por inerência da sua formação ou vocação profissional, outros por mera simpatia, mas com igual mérito, e um desses portugueses, a quem rendo aqui as minhas homenagens, pela devoção que tem dedicado à causa da preservação da espécie asinina mirandesa, é o biólogo António Espinha Monteiro residente em Castelo Rodrigo. Vale a pena conhecer a sua obra, pelas suas próprias palavras.


António Espinha Monteiro

«Sou Biólogo de formação, escolhi as terras de Figueira de Castelo Rodrigo para viver por opção profissional e por aqui se encontrarem todas as minhas raízes familiares. Em terrenos agrícolas, alguns dos quais já eram dos meus bisavós paternos, nas freguesias de Vermiosa e Castelo Rodrigo, estabeleci a partir de 1999 uma pequena exploração agrícola de 18 hectares dedicada exclusivamente à criação de burros. Nesta actividade, ainda que seja exclusivamente um hobby, fui o primeiro criador nacional de asininos da raça Mirandesa. Desde 2002, estou nomeado pelo Ministério da Agricultura como representante nacional dos criadores desta raça, e nesse papel tenho colaborado com a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino.


Porquê criar burros

Tudo começou em 1999 com a compra da primeira burra lanuda. Essa compra surgiu pelo interesse que me despertou o contacto com os burros pois estava a acompanhar um estudo zootécnico sobre os asininos existentes no Parque Natural do Douro Internacional. Nessa altura parecia-me uma certa loucura, um verdadeiro estigma, pois estava no ar o peso da imagem negativa que estes animais ainda possuem, eles são frequente motivo de troça e gozo, pensei que ficaria associado pessoalmente a essas características. O primeiro animal que adquiri a burra Sendinesa (porque veio da zona de Sendim) custou 135 contos (cerca de 675 Euros), e mantive-a sozinha durante algum tempo, quase como experiência. Meses mais tarde achei que esta precisava de companhia e uma vez que havia, nessa altura, muito mais oferta do que procura, comprei mais 2 animais.
Pelo contacto com esses e outros animais jovens que entretanto fui adquirindo, em especial a Franjinhas (fui buscá-la a um negociante de gado na véspera de ser “embarcada” via TIR para Espanha!? para ser convertida em ração para cães), acabei por estabelecer as bases de pequeno projecto de criação de animais com aquelas características (semelhantes à raça Zamorana), ou seja animais com pelo denso e comprido, cor castanha escura, porte elevado, patas grossas e lanudas. Entretanto fui adquirindo e trocando animais até reunir o lote de 12 fêmeas e 2 machos (cheguei ter o dobro), que incluem as características zootécnicas e morfológicas que procuro (dentro da raça Mirandesa). Inicialmente pensava vir a organizar passeios de burros, mas optei por falta de tempo, por me dedicar exclusivamente à criação destes animais, esperando conseguir, através da venda dos animais nascidos na exploração, alguma sustentabilidade económica que pelo menos me assegure o pagamento das despesas associadas à satisfação pessoal de contribuir para salvar a raça Mirandesa.


Burros mediáticos

Os nossos burrinhos são muito mediáticos:

  • Noticia na revista Focus (2002)
  • Noticia na revista National Geographic (2003)
  • Noticia no jornal regional “Terras da Beira” (2004)
  • Imagem em reportagem na revista Volta ao Mundo (2004)
  • Notícia no jornal Terras da Beira (2004)
  • Notícia no jornal Nova Guarda (2004)
  • Notícia Amigo da Verdade (2004)
  • Anuncio da Lipton ICE TEA (Troll!!!!) – Verão de 2004
  • Quinta das Celebridades (Outubro a Dezembro de 2004)
  • Grande Reportagem (Dezembro de 2004)


A burromania??

“Os burros estão na moda”, é uma frase que cada vez com maior frequência se tem ouvido. Eles aparecem agora mais que nunca na TV, nos jornais, na net, são motivo de conversa já não tanto como motivo de troça e chalaça mas pelas características próprias deste animal, onde se destacam a docilidade, a tranquilidade a curiosidade. Será talvez, e finalmente, o lento despertar da sociedade portuguesa para a salvaguarda deste recurso genético. Será que ainda vamos a tempo? E será que fará sentido? A olhar pelo que se tem passado noutras nações europeias tudo indica que sim. O Reino Espanhol protege activamente a raça (de burros) Zamorana desde a Idade Média e tem presentemente 4 raças oficiais, em França estão declaradas 10 raças de burros (é possível encontrar, na net, mais de 70 associações e criadores), em Inglaterra há quintas com centenas de animais, etc. Com certeza não temos que abraçar a lavoura e por as máquinas agrícolas de parte para dar uma razão de ser à existência do Burro. São agora outras as utilidades e potencialidades deste animal na paisagem agrícola moderna. Destaca-se o seu uso em passeios turísticos ou recreativos, a pé, montando ou com charrete, por vezes associado ao turismo rural. Outras actividades são a asinoterapia, a educação ambiental (Quintas pedagógicas), a produção de leite, a produção mulateira, o uso como animal de companhia e o uso como ferramenta viva no controlo de plantas infestantes.
Os burros permitem também, e mais do que outros animais domésticos, que por momentos nos desliguemos do mundo e fiquemos simplesmente a admirá-los percorrendo a pastagem verdejante nalguma tarde de Primavera, quais “golfinhos de lameiro”. A capa de pelo denso e comprido que espelha a sua rusticidade e conforto num ambiente algo hostil, as suas grandes orelhas que exprimem curiosidade, o olhar tranquilo e nostálgico que lhe dão um ar inofensivo mas independente, são os sinais desse glamour rural que estará sempre na moda.»

Fonte: António Espinha Monteiro, Burros Lanudos

Evolução humana pode ser mais lenta do que se pensava

Estudo deverá ser confirmado em maior escala
2011-06-14
Estudo poderá repercutir-se na cronologia evolutiva

Os seres humanos podem estar a evoluir mais lentamente do que se pensava, indicou um estudo sobre mudanças genéticas feito com duas gerações de famílias, realizado no âmbito do projecto CARTaGENE, da Universidade de Montreal, no Canadá.

O código genético compreende seis biliões de nucleótidos ou blocos de construção de DNA, divididos por duas metades, uma herdada do pai e outra da mãe. Até agora, os cientistas acreditavam que os pais contribuíam, cada um, com 100 a 200 mudanças nestes nucleótidos.

Contudo, este novo trabalho aponta para a ocorrência de muito menos mudanças, sendo que, cada pai contribui, em média, com 30 mudanças. "Em princípio, a evolução acontece um terço mais lentamente do que se pensava anteriormente", disse Philip Awadalla, investigador da Universidade de Montreal

A descoberta deu-se a partir de uma análise detalhada dos genomas de duas famílias, cada uma composta de mãe, pai e filhos. O estudo abre novas perspectivas nesta área, embora o tamanho da sua amostra seja muito pequeno. Se confirmado em maior escala, poderá repercutir-se na cronologia evolutiva e mudar a forma como se calcula o número de gerações que separam o Homo sapiens dos seus antepassados.

Também há uma ideia generalizada de que as alterações de DNA - conhecidas em termos científicos como mutações – tendem a ser mais transmitidas pelo homem do que pela mulher, pelo que este estudo também poderá alterar essa percepção. 
Numa das famílias analisadas, 92 por cento das mudanças derivaram do pai. Mas noutra, apenas 36 por cento das mutações vieram do lado paterno. "A taxa de mutação é extremamente variável de indivíduo para indivíduo", frisou Awadalla, acrescentando que também há a possibilidade de algumas pessoas terem mecanismos que reduzem a probabilidade de mutações.

Esta variabilidade poderia levar a reconsiderar a previsão de riscos de doenças hereditárias, causadas por genes defeituosos, transmitidos por um ou ambos os pais. Segundo os cientistas, alguns indivíduos podem ter uma doença genética mal diagnosticada se tiverem uma taxa de mutação natural maior do que a taxa de referência