domingo, 24 de julho de 2011

114.º Aniversário do nascimento de Amélia Earhart


Amelia Mary Earhart, nasceu em Atchison, Kansas, EUA, no dia 24 de Julho de 1897 e desapareceu no Norte do Oceano Pacífico a 22 de Julho de 1937. Foi uma das pioneiras da aviação dos Estados Unidos da América e dedicada defensora dos direitos das mulheres, tornando-se amiga da primeira-dama do seu país, Eleanor Roosevelt, também ela uma grande apaixonada pela aviação, com quem alinhou em defesa das causas femininas. Tornou-se famosa nas mais diversas acções devidas ao seu multifacetado talento e personalidade carismática, mas sobretudo por ter sido a primeira mulher a voar sozinha sobre o Atlântico.
 Imagem: http://theeclecticgoddess.blogspot.com


Para rever o que publicámos sobre Amélia Earhart, por ocasião do 113.º Aniversário do seu nascimento 
click AQUI 

1551.º Aniversário da invasão de “Aquae Flaviae” pelos suevos

A conquista de Aquae Flaviae pelos Suevos de Frumário  
ilustrações de Leonel Salvado sobrepostas a foto | Foto: in http://rosinhamia.blogspot.com

Perfazem no próximo dia 26 de Julho 1551 anos que a cidade romana de “Aquae Flaviae” foi invadida e devastada pelos Suevos sob as ordens do seu rei Frumário. Este terrível acontecimento é descrito na “Crónica de Idácio” e, segundo o cronista, ocorreu na sequência de uma onda apocalíptica de devastações provocadas por aquele povo bárbaro no noroeste peninsular. Idácio era então bispo de Chaves (aliás o único que surge documentado sobre a alegada diocese) e foi ele próprio feito prisioneiro dos bárbaros nessa fatídica data de 26 de Julho de 460 que apressou a ruína da outrora uma das mais grandiosas cidades romanas da Península Ibérica – Chaves.

Para rever o que publicámos sobre Idácio e os Suevos e o enquadramento da invasão
 de “Aquae Flaviae” por este povo 
click AQUI.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Navio do século V descoberto em Istambul | euronews, science

Os arqueólogos descobriram mais um tesouro escondido no subsolo em Istambul, na Turquia. A mais recente relíquia é um navio de carga que data provavelmente do século V.
Outras descobertas no Quirguistão e na Polónia...
Navio do século V descoberto em Istambul | euronews, science

sábado, 16 de julho de 2011

Ciganos são heterogéneos e diferenciam-se entre si

2011-07-01
Por Carla Sofia Flores

“É preciso desmontar preconceitos!”, alerta investigadora

Tradições culturais variam consoante os grupos

Com maior ou menor intensidade, os ciganos continuam a ser vítimas de preconceitos e a ser estigmatizados pelos não ciganos, um pouco por todo o lado, dando-se assim azo a um afastamento e falta de interacção. Contudo, esta realidade também existe dentro da própria comunidade cigana, que é“muito heterogénea”, sendo que há grupos que se diferenciam entre si e negam a autenticidade da identidade cigana a outros.

Este cenário foi registado por Lurdes Nicolau, doutoranda da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que nos últimos cinco anos investigou a vida de pessoas de etnia cigana, nomeadamente no concelho de Bragança. Neste estudo, a também professora de ensino básico propôs-se “a conhecer o grupo étnico cigano que maioritariamente se encontra em Trás-os-Montes e compreender a interacção que o mesmo estabeleceu com a população maioritária, tanto no meio local -urbano e rural -, como no que concerne à instituição escola”.

Em declarações ao «Ciência Hoje», Lurdes Nicolau explicou que este estudo surgiu depois de ter constatado que “os ciganos de Pamplona [onde deu aulas a crianças desta etnia] eram diferentes dos que conhecia em Trás-os-Montes”. Ao investigar sobre o assunto, deparou-se com “a inexistência de bibliografia científica acerca dos ciganos desta região portuguesa”, pelo que decidiu “inteirar-se da situação e perceber qual a situação do nordeste transmontano”.

Esta foi também uma forma que a aluna da UTAD encontrou para “’desomogeneizar’ os ciganos de Portugal”, na medida em que eles são diferentes entre si. “Não vamos generalizar. Devemos tratá-los como indivíduos e não como um só grupo”, alertou.  “Temos preconceitos e criamos estereótipos. Também os tinha quando comecei a contactar com eles, mas há de tudo. Se os excluirmos, cada vez ficam mais excluídos, pelo que é preciso desmontar preconceitos acerca deles”,  disse ainda. (Na foto, Lurdes Nicolau)

Gitanos e Chabotos
Esta investigação permitiu verificar que, em Trás-os-Montes, há dois grupos que se auto-diferenciam entre si, através de aspectos culturais, religiosos, económicos, físicos, morais e linguísticos. Trata-se dos Gitanos, grupo maioritário e que corresponde aos feirantes, e dos Chabotos, que outrora eram “’ambulantes’”. São estas as denominações que cada um dos grupos atribui ao outro, sendo que ambos se auto-denominam ciganos.
De acordo com Lurdes Nicolau, nenhum deles reconhece o outro como cigano, não havendo assim qualquer tipo de interacção. “Pelo contrário, as fronteiras estão bem demarcadas, de forma que locais frequentados por uns são evitados pelos outros”, reforçou. Além disso, atribuem características distintas aos demais. “Os Gitanos são muito agressivos, de acordo com os Chabotos. Já estes são muito sujos, de acordo com os primeiros”, exemplificou.

Aspecto das barracas e casas degradadas (Imagem: Lurdes Nicolau)

Nesta zona transmontana também foi identificado outro grupo de ascendência cigana: os caldeireiros.“Devido à falta de elementos no seio do próprio grupo, casaram com aldeanas e, na actualidade, perderam ou omitem os elos com os seus ancestrais. Também eles eram ‘ambulantes’ e desenvolveram um dialecto que denominam ‘latim’ e, segundo os mesmos, difere do que falam os Chabotos e os Gitanos”, explicou a investigadora.

Do meio urbano ao rural
Os ciganos que hoje vivem nos meios urbano e rural eram, até há 30 anos, do mesmo grupo. Segundo a professora, “quando começaram a sedentarizar-se é que se separaram”, vivendo agora em realidades distintas.
Aqueles que vivem nos três bairros urbanos estudados, enfrentam “condições de extrema pobreza” e“vivem isolados nos bairros, sem relações inter-culturais e sociais”. Contudo, Lurdes Nicolau sublinhou que esta realidade não deve ser generalizada e corresponde apenas ao foco do seu estudo, podendo por isso haver outros ciganos do meio urbano que vivem noutros moldes. “Há alguns com boas condições, não vamos tipificar”, sendo que ela própria é conhecedora de exemplos disso.
Nas aldeias, as condições sócio-económicas são também precárias, mas “algumas casas são razoáveis”. No entanto, alguns ciganos estão bem integrados.

Alunos de etnia cigana numa escola de Bragança (Imagem: Lurdes Nicolau)

“Numa das aldeias, dos nove agregados estudados, seis eram mistos, o que é sinal de interacção e integração”, afirmou, sublinhando que noutras localidades já eram excluídos, pelo que ciganos e não ciganos tinham o seu próprio espaço, “não se misturando”.
Quanto à escola, Lurdes Nicolau constatou “o que se verifica ao nível nacional e internacional”, disse, explicando que “no ensino básico há uma grande concentração de alunos de etnia cigana, mas a partir daí os números baixam, dados o abandono escolar e o absentismo muito altos”. Para demonstrar a discrepância relativamente à restante população, a investigadora referiu que, em Bragança, o insucesso escolar dos alunos ciganos está estimado em 45 por cento, enquanto a taxa para os restantes alunos é de 1,7 por cento.

In http://www.cienciahoje.pt

México: Arqueólogos descobrem estátuas milenares | euronews, science

México: Arqueólogos descobrem estátuas milenares | euronews, science

Uma equipa de arqueólogos mexicanos encontrou duas esculturas com mais de mil anos, que aparentemente representam guerreiros Maias da cidade de Copán.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Trás-os-Montes e alguns dos grandes nomes da expansão ultramarina - IV

Por Leonel Salvado

A relação entre a epopeia dos descobrimentos, a exploração do “novo Mundo” e a Província de Trás-os-Montes há muito sustentada pela tradição em algumas regiões, parece subsistir em diversas publicações recentes, sendo, conforme os casos, admitida por, alguns autores como uma mera possibilidade e defendida por outros como uma realidade cientificamente fundamentada. A questão prende-se com a propalada naturalidade transmontana de algumas das grandes figuras da História da Expansão ultramarina da Península Ibérica: Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães e, talvez o menos conhecido, João Rodrigues Cabrilho, navegador e explorador do continente americano.

João Rodrigues Cabrilho talvez seja o menos conhecido dos portugueses, dentre os quatro grandes navegadores que aqui nos temos vindo a reportar, mas pelos seus mais notados feitos – foi o primeiro europeu a chegar à Alta Califórnia, ao serviço da coroa espanhola – ele deve ser considerado, na opinião de Damião Peres, “como um dos grandes descobridores quinhentistas da América e como tal a sua memória tem sido localmente recordada[1]. Antes disso havia participado na conquista, chefiada por Hernán Cortês, de Tenochtitlan a capital do império azteca  e na campanha liderada por Pedro Alvarado para a conquista dos actuais territórios de Honduras, Guatemala e San Salvador. A data exacta do nascimento de Cabrilho é desconhecida, mas parece que existem poucas dúvidas quanto à sua nacionalidade portuguesa, ainda que haja quem pretenda que ele terá nascido em Sevilha, na Andaluzia, como  é o caso de um dos seus biógrafos estrangeiros,  Harry Kelsey [2]. O já citado Damião Peres, bem como Luís de Albuquerque insisitiram sempre nesta ideia da naturalidade portuguesa e este último baseia-a na indicação expressa do cronista D. António Herrera [3] que é a mesma que se pode ler na Wikipédia, a partir do url que colocamos à disposição dos nossos leitores no final desta publicação em “Referências”.

Quanto à sua possível origem transmontana, a ideia de que tenha nascido no lugar da Lapela, freguesia de Cabril, concelho de Montalegre, que a tradição mantém há muitos anos, tem sido confirmada por alguns autores como João Soares Tavares num trabalho biográfico dedicado ao navegador [4] de assinaláveis recursos documentais e argumentativos. Soares Tavares tem vindo a reafirmar a sua convicção perante esta tese, a propósito de cuja validade se tem pronunciado em reportagens concedidas à imprensa regional como a que veio a público no Diário Actual - do Alto Tâmega e Barroso [5]. A mesma tese foi subscrita por Barroso da Fonte [6] de que transcrevemos a respectiva síntese biográfica de João Rodrigues Cabrilho, conforme as conclusões proporcionadas por João Soares Tavares:

Nasceu no lugar da Lapela, freguesia de Cabril, concelho de Montalegre, nos fins do séc. XV Emigrou para a vizinha Espanha, em busca de melhores condições de vida. Também na Galiza não terá encontrado aquilo de que precisava. E daí que se tenha virado para o mar. Era o tempo das descobertas. Em 1494 tinha sido assinado o Tratado de Tordesilhas. As relações entre D. João II e os reis católicos de Espanha eram favoráveis à aceitação de cidadãos de ambos os países em tarefas comuns. João Rodrigues optou pela aventura, pelo que fez parte da tripulação que partiu de Sevilha, ao serviço de Espanha. Sabe-se que já em 1511 se encontrava no Novo Mundo. Viveu em Cuba. Certamente participou na sua conquista como besteiro de um grupo militar de Pánfilo de Narváez, de acordo com João Soares Tavares, o mais autorizado biógrafo de Cabrilho, cuja vida lhe mereceu um filme. Aportou no México e entrou na sua conquista como capitão de uma companhia de besteiros do exército de Hernan Córtez. Em 1521, já como oficial, participa na expedição de Francisco de Orosco à Província de Oaxaca, colaborando na fundação da cidade do mesmo nome e que hoje é monumento nacional declarado pela UNESCO. A partir de 1522 é um dos principais comandantes do exército de Don Pedro de Alvarado. Com ele, parte à conquista de Tututepeque. Segue-se a expedição à Guatemala, onde entra em 1524. Percorre o território até à Costa do Pacífico (no actual El Salvador). No dia 25 de Julho desse ano colabora na fundação da cidade de Santiago de los Caballeros, primeira capital da Guatemala. Passa aí a viver como "cabalhero", com direitos reforçados, constrói aí casa, ganha prestígio e adquire estatuto de fidalgo. O governador de Guatemala concede-lhe "encomiendas" pelos altos serviços prestados. Manda construir um barco, com o nome de S. Miguel, também conhecido por João Rodrigues. Em 1532 vem à Península Ibérica, onde permanece um ano. Casa em Sevilha com Dona Beatriz Ortega, filha de um rico mercador. Regressa à Guatemala, com a mulher e aí nascem dois filhos. Em 1536 é nomeado magistrado das cidades de Acajutla e de Iztapa. Passa a governador delas e fixa residência em Iztapa. É aí que organiza uma armada para rumar às "Especiarias" (Malucas). Em 1540 parte como almirante dessa armada constituída por 12 a 14 barcos. Em 27 de Junho de 1542 parte para uma nova missão: descobrir a Califórnia. Aí morreu, em 3 de Janeiro de 1543, em consequência de uma tempestade, em que partiu uma perna. Foi sepultado na Ilha de Possession, mais tarde baptizada pelos seus companheiros com o seu nome. S. Diego celebra, anualmente, o descobridor Português que se chamou João Rodrigues, com o apelido de Cabrilha, por ser de Cabril (em galego "Cabrilhe"). Sempre de acordo com o Dr. João Soares Tavares e com base no artigo que sobre João Cabrilha publicou no Jornal da Costa do Sol, em 29.5.1997, o navegador Português foi o autor da primeira publicação editada no Novo Mundo. Escreve textualmente: "Posso afirmar sem receio de exagerar que a obra de Cabrilha marca o início do jornalismo no Novo Mundo. Experimentei uma sensação indescritível quando localizei esse documento escrito por Cabrilha, inicialmente no Arquivo Geral do Governo da Guatemala e, posteriormente, quando consegui fazer o seu estudo, a partir de um exemplar da edição facsimile que se encontra num arquivo em Espanha". Em 9.6.1998 o Dr. João S. Tavares apresentou na C.M. de Montalegre o livro: João Rodrigues Cabrilha, Um Homem do Barroso?


Monumento a Cabrilho, Point Loma, San Diego, California |
 conteúdo livre Wikimédia Commons | autor: Francisco Santos | Permissão: Own work


Referências:

[1] VERBO - ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA, 1966 vol. 4, p.396.


[3] DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE PORTUGAL, dir. Joel Serrão, vol. I, Liv. Figueirinhas, Porto, 1990, p. 418.

[4] TAVARES, João Soares, “João Rodrigues Cabrilho: Um Homem do Barroso?”, edição da C.M de Montalegre, 1998.


[6] DICIONÁRIO DOS MAIS ILUSTRES TRASMONTANOS E ALTO DURIENSES, Coordenado Barroso da Fonte, Vol I, Editora Cidade Berço | Disponível na www:

terça-feira, 12 de julho de 2011

Descoberta de 'templos' gera polémica nos Açores

Por Paulo Faustino, Ponta Delgada, 12 de Julho de 2011


Presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira defende que alegados templos dedicados a deusa lunar cartaginesa não passam de estruturas de apoio militar.

O presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Francisco Maduro Dias, resume a "cafuas" de apoio às guarnições militares em Angra do Heroísmo, Açores, aquilo que os arqueólogos Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito admitem ser a descoberta no monte Brasil de templos dedicados a Tanit, deusa cartaginesa, do século IV a.C.

Os dois arqueólogos, da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA), encontraram o que dizem ser túmulos escavados nas rochas que apontam para a existência de cinco monumentos do tipo hipogeu, e de alguns 'santuários' proto-históricos.
Nuno Ribeiro afirmou que, perante as descobertas agora feitas, "a data do povoamento dos Açores pode não ser a que a história refere, mas outra dependente de estudos arqueológicos a estruturas e objectos existentes no arquipélago".

Mas o presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira desvaloriza a tese dos investigadores, esclarecendo que as escavações na rocha que encontraram se destinavam apenas a servir de abrigos militares nos séculos XVI e XVII, e ainda para a recolha de água. "Entre a fantasia e a realidade", para Francisco Maduro Dias, a visão apresentada pela APIA tem "muito mais de fantasia".

In DN/Ciência  

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As “Alminhas” do concelho de Valpaços: freguesia de Tinhela

Por Leonel Salvado

Tema: Citações sobre Alvarelhos | Objecto: Covilhete | Criação digital: Leonel Salvado | Recursos: http://portugal.veraki.pt (fundo imagem de N.Srª da Assunção) | Outros recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
(click na imagem para aumentar)

I

Tema: Monumento das “Alminhas” em Tinhela | Foto base: Leonel Salvado | Objecto: Covilhete | Criação digital: Leonel Salvado | Outros recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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II

 Tema: Monumento das “Alminhas” em Monte-de-Arcas, Tinhela | Foto base: Leonel Salvado| Objecto: Covilhete | Criação digital: Leonel Salvado | Outros recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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Não havia necessidade!

Foto de Leonel Salvado
Há coisas que se poderiam evitar! Numa fachada tão larga, e solidamente restaurada de uma aldeia anexa a uma das freguesias do concelho de Valpaços houve o cuidado em preservar o precioso nicho das Alminhas, para depois… plantar-se, coladinho, a seu lado o expositor dos editais (em alumínio!).

Dia Mundial da População 2011

O Dia Mundial da População é comemorado para assinalar a data de 1987 quando a população mundial atingiu os 5 biliões de pessoas. A população continua a crescer, tendo atingido antes do ano 2000 os 6 biliões de habitantes da Terra.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a população (FNUAP), o crescimento da população mundial deverá estabilizar dentro de 40 anos.

A população do mundo aumenta anualmente em 75 milhões, sendo que metade tem menos de 25 anos de idade. Contudo o número de pessoas com mais de 60 anos, por sua vez, chega a 646 milhões, um número nunca antes visto.

Para quem não sabe o dia mundial da população lembra-nos o problema do aumento populacional e desafia-nos a procurar soluções para esse problema. A solução não se encontra só no controlo da natalidade, mas também na melhoria da qualidade de vida das pessoas, particularmente das mulheres, sendo também importante a melhoria das condições de saúde, educação, habitação e oportunidades de emprego.

O aumento da densidade populacional também dificulta a melhoria dos padrões de vida e a protecção do ambiente. Este fenómeno ocorre não só devido ao crescimento populacional, mas também devido aos movimentos migratórios.

In http://www.anossafarmacia.pt/portal/page/portal/FARMACIAS/HomePage/DIASMUNDIAL/

domingo, 10 de julho de 2011

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 3.B

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001
Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgados através da Internet, é dirigida, em homenagem a este autor, a todos os valpacenses, transmontanos e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes.

FREGUESIA DE ARGERIZ - B

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR
(click nas imagens que pretenda ver aumentadas)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Padre Manuel Torrão Mesquita

Por Leonel Salvado

“Homem de Deus em favor dos Homens”, como lhe chamou o reverendo Padre Jorge Fernandes numa mensagem de sentida homenagem publicada no seu blogue por ocasião do 28.º aniversário da sua morte, o Padre Manuel Torrão Mesquita, nascido em Vilarandelo em 29 de Março de 1911, é mais um digno membro da nossa “Galeria de Notáveis”. Embora já existisse uma rua com o seu nome, no dia em que se celebrou o Corpo de Deus, em 23 de Junho de 2011, foi realizada uma cerimónia em homenagem a este “Padre dos pobres” ou “Pároco dos oprimidos e necessitados”, mais dois epítetos que lhe são apostos, cerimónia essa que contou com a presença dos mais altos representantes de várias instituições laicas e eclesiásticas, designadamente o Governador Civil de Vila Real, Alexandre Chaves, o Presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Sr. Eng.º Francisco Tavares, o vice-presidente, Amílcar Almeida, o actual pároco de Valpaços, Padre Manuel Alves e Fernando Ribeiro, da Fraternidade Nuno Álvares, bem como o irmão mais novo do homenageado, Augusto Mesquita. A assinalar este grandioso gesto de homenagem a uma das mais saudadas e queridas figuras do concelho de Valpaços foi finalmente inaugurado um jardim e descerrado o monumento em sua memória, constituído pelo respectivo busto e um letreiro invocativo dos seus memoráveis atributos.


Padre Manuel Torrão Mesquita | Foto Base: obtida em O Arauto de Vilarandelo
 (adaptado) | moldura:  http://www.ruadireita.com

Fazendo jus ao título sob o qual esta efeméride foi precedida por uma louvável reportagem, também ela invocativa da memória do Padre Manuel Torrão Mesquita, da autoria de António José Garcia Ferreira e Normando Alves, publicada no Arauto de Vilarandelo, “Recordar é Viver”, só quem, na realidade, as pessoas que com ele «conviveram muito de perto, em circunstâncias diferentes» poderão recordar e proporcionar um melhor conhecimento da sua personalidade e do seu carácter. O nosso contributo relativamente à divulgação da biografia do Padre Manuel Torrão Mesquita limitar-se-á à transcrição da maior parte deste documento a que reconheço bastante credibilidade.

RECORDAR É VIVER
Homenagem ao Manuel Torrão Mesquita
Por: António José Garcia Ferreira | Normando Alves

Ilustre conterrâneo, nascido a 29 de Março de 1911 e como muitos outros, filho de gente simples, que desenvolvia, como tantos outros casais, uma actividade ligada à agricultura. Deste casal em concreto, António dos Santos Torrão Mesquita e Josefa de Almeida Mesquita, nasceram sete filhos, situação de família alargada, muito normal nos tempos de então. Esforçaram-se estes pais por aos filhos um futuro, que não passasse por uma agricultura que era pouco mais que de subsistência. Assim o Manuel, feita a 4.ª classe, pelas mãos da ilustre professora D. Amélia Castelo, rumou ao seminário conciliar de Braga. Aluno aplicado, terminou o seu curso de sacerdote e celebrou “missa nova” na igreja matriz da nossa freguesia a 12 de Julho de 1936.
A sua actividade sacerdotal desenvolveu-se pelas paróquias de Valpaços, Chaves de Vilarandelo, onde chegou em Outubro de 1962, tendo abandonado a actividade em 1978. Morreu a 21 de Outubro de 1982 e encontra-se sepultado no cemitério da nossa Vila.
Dada a sua dinâmica, em todas as paróquias desenvolveu obras de elevado mérito, nomeadamente, na área social, de apoio aos mais desfavorecidos e aos mais jovens.
Neste pormenor a ele se deve a criação do grupo de escuteiros de Valpaços. Em Chaves pôs em funcionamento uma cantina para “matar a fome” aos mais pobres. Em Vilarandelo, foi elemento importante na prossecução dos objectivos subjacentes à reactivação da Casa do Povo, que havia acontecido em 1960, ao lado da direcção presidida por José Ribeirinha Machado, ainda no tempo da “sopa dos pobres”. Foi o obreiro da construção da residência paroquial pois, com uma visão de futuro dizia, “sem residência paroquial a nossa terra sujeita-se a ficar sem padre” e tal teria, garantidamente acontecido. Para a concretização desta obra, teve o ápio do povo, residente e ausente, e neste âmbito deslocou-se a terras africanas para angariação de fundos. Também o grupo de jovens estudantes da época, anos sessenta (geração de garra), levaram acena um espectáculo de teatro no salão da Casa do Povo cuja receita se destinou a apoiar a construção da residência paroquial.
O Padre Manuel tinha com os jovens uma relação fantástica e o seu sacerdócio era especial, muito cativante, nada fundamentalista, muito compreensivo.
Para um melhor conhecimento da personalidade e carácter do Padre Manuel publicamos três testemunhos de pessoas que com ele conviveram muito de perto, em circunstâncias diferentes; Falamos do Dr. Coronel Américo Garcia, do Dr. Francisco Taveira e do Padre Delmino […] .

Testemunho de Américo Garcia
Algumas de tantas memórias. A primeira lembrança do meu padrinho situa-se pelos meus cinco, seis anos, quando ele passava a alta velocidade na sua potente e enorme mota pela nossa aldeia e despertava em mim um enorme sentimento de orgulho! E dizia para os meus amiguitos: “lá vai o meu padrinho!”. Era assim naquela época, o P. Mesquita deslocava-se entre as suas paróquias (Valpaços, Poçacos e Valverde) e também para outras freguesias se solicitado a colaborar em qualquer acto de culto.
Não muito tempo depois, tive poucas dúvidas sobre as características da dita mota: potente, testemunhas credenciadas afirmam que não, enorme, relativamente ao meu tamanho, alta velocidade, talvez para a época… e ruidosa, com certeza, mas isso era sinónimo e cansaço, rugido da máquina que estava a fazer um grande esforço para se manter no activo!
O meu testemunho e as recordações deste homem maravilhoso acompanham, de certa forma, grande parte da minha vida, pelo que terei de pedir desculpa aos meus leitores pelo meu envolvimento em alguns episódios; mas pareceu-me a maneira mais sincera de descrever o que sinto.
Em 1948, após fazer a 4.ª classe, que na altura era o grau de ensino a que a esmagadora maioria dos portugueses podia aspirar, os meus pais foram incentivados a permitirem que continuasse os estudos. A rede escolar na época era limitada e muito dispendiosa, pelo que Seminário era a alternativa possível.
Até que, em Janeiro de 1951, com treze anos acabados de fazer e, perante a desconfiança de expulsão do Seminário (não sei se infundada), decidi que não lhes daria essa satisfação: iludi a vigilância dos prefeitos (padres que asseguravam a disciplina) e fugi!
Em Valpaços, o meu padrinho aguardava-me com preocupação: “No Seminário estão muito aflitos, pois não sabem do teu paradeiro! Telefonaram-me para voltares; tratou-se dum mal-entendido!” Mas eu tinha saboreado a sensação da liberdade, quando saltei as grades do Seminário e não ia larga-la mais da mão: Nem que arriscasse tudo! “Mas eu não volto para o Seminário!” Em momentos cruciais da nossa vida, a presença duma pessoa tolerante e compreensiva, como era o meu padrinho, com capacidade para lidar com a ansiedade e expectativas dos jovens, pode definir-nos o futuro. E foi o que aconteceu comigo.
O P. Mesquita tinha um dom especial para compreender a juventude; a obra que desenvolveu para ocupar os seus tempos livres, fortalecer os laços de solidariedade, responsabilidade e força de carácter foi extraordinária e perdurou. Ainda hoje é recordado com emoção por todos os que tiveram o privilégio de o ter como mentor e exemplo!
A transferência para Chaves não alterou a vida e atitude do P. Mesquita, perante os que o rodeavam; passou a dispor de menos tempo para si, pois as exigências duma comunidade bastante maior a isso obrigavam. No entanto, não prescindia de hábitos que eram mal vistos pelas autoridades mais conservadoras da diocese; ia, depois do almoço, tomar o café num lugar público, e tinha sempre tempo para conversar com os seus amigos, enquanto desfrutava destes períodos de descontracção.
Quando eu vinha de férias, já adolescente, passava sempre um ou dois dias com ele em Chaves, pois a sua companhia era um prazer e a abordagem dos temas mais difíceis tornava-se simples: se quisermos simplificar, digamos, que a confissão, pelo menos para mim, consistia em manter uma conversa com o meu padrinho, nas ruas da cidade, dando-nos a sensação de que dispunha para nós de todo o tempo do mundo. Deus não era apresentado como ameaçador, mas compreensivo e ciente das nossas fragilidades. “Não há mérito para quem, naturalmente, não peca e está isento de tentações.” Esta abordagem, para um jovem que tinha iniciado a sua educação religiosa no Seminário, com confissão semanal obrigatória era uma janela de esperança e optimismo!
O P. Mesquita viajava muito. Com o dinheiro que tinha, isto é, pouco; aproveitava todas as oportunidades que a limitação imposta pelas suas obrigações paroquiais lhe impunha; tanto podia ter acesso a uma viagem com alguma comodidade, como se sujeitava a condições bastante precárias, como campismo (só me ocorre o campismo selvagem) e peregrinações em autocarros sem hotéis marcados… Mas das suas viagens tinha que retirar sempre algum enriquecimento. E falava delas com entusiasmo contagiante. Creio que incutiu aos que com ele conviveram o permanente desejo de conhecer novos horizontes!
Intrigas e conflito de interesses no seio da diocese, conduziram a disputas de poder, susceptíveis de arrastar mesmo aqueles para quem o poder nada significava, como era o caso do P. Mesquita.
Talvez a transferência para a sua aldeia natal, tivesse uma intenção de castigo. Mas, para uma pessoa que estava bem com a sua consciência, com uma vincada noção da missão que lhe era destinada, não havia lugar para sentimentos de desilusão ou revolta; a sua conduta estava acima de conflitos menores.
Na sua aldeia natal encontrou paz e amizade; teve mais tempo para a família, para os muitos amigos e conterrâneos. Não desistiu de viajar, mas agora as idas ao estrangeiro raramente acontecia; aproveitou todo o tempo para comungar com aqueles que sempre estiveram próximos de si.
Lisboa era o destino frequente do P. Mesquita. No entanto, nesta fase da sua vida, as visitas à capital, onde residiam três dos seus seis irmãos tornaram-se mais regulares e, penso eu, mais carregadas de significado. Havia que elaborar um rigoroso calendário da sua estadia, pois ninguém prescindia da sua presença. A visita a casa de cada um dos irmãos transformava-se numa verdadeira romaria! Todos queriam estar presentes; iam todos a casa de todos. Estes encontros com a família em Lisboa, proporcionavam momentos alegres e divertidos, uma autêntica comunhão de sentimentos que todos recordavam a pensar na sua repetição no mais breve prazo.
Nos intervalos deste apertado calendários, pedia para ir aos lugares mais típicos e castiços de Lisboa: lugares onde se encontravam realmente as pessoas. Sentia-se à vontade a conversar com os frequentadores habituais duma taberna; ouvia as suas ideias, trocava com eles opiniões, ria-se com as suas piadas, apercebia-se das suas alegrias ou tristezas.
Em Vilarandelo, agora como pároco, mantinha longas conversas com uma alma gémea, também conterrâneo, o Dr. Olímpio Seca. Como era possível que duas pessoas com crenças tão diferentes mantivessem conversas intermináveis sobre os mais variados termos? Os vilarandelenses conhecem muito bem as semelhanças entre estes dois homens: ambos médicos (um do corpo, outro da alma) desprendidos dos bens materiais, preocupados com o seu semelhante.
Decorria o ano de 1975 e, como a geração um pouco mais velha se recorda, a política nacional corria sem rumo à vista. O então chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso), conduziu a mais uma conversa infindável entre os dois; o tema era controverso e não se vislumbrava qualquer conclusão (muito menos optimista). O P. Mesquita, a dada altura e já sem esperança de remédio para o país, rematou: “Oh, doutor, nós éramos capazes de ser felizes se adquiríssemos um rebanho de ovelhas e passássemos a viver na serra com o produto do nosso pastoreio!” Ao que o Dr. Olímpio respondeu: “Talvez não fosse má ideia, padre. Vamos pensar nisso!”

Testemunho do Padre Delmino  
PADRE MESQUITA.
É sempre com muita saudade que eu recordo este meu grande amigo e admirador. Depois de ter estado em Valpaços, foi colocado como pároco de Chaves. Chamou-me para colaborador da paróquia visto que eu tinha acabado o meu curso teológico no Seminário de Vila Real com 22 anos e só podíamos ordenar-nos sacerdotes aos 24 anos.
Trabalhei na Catequese, na música litúrgica, num grupo da JOC e noutras actividades da Paróquia até ser ordenado sacerdote o que aconteceu passado um ano.
Trabalhei na preparação da Missão que decorreu durante 3 anos e foi levada a cabo pelos sacerdotes capuchinhos sob a orientação do grande Mata Mourisca que depois foi bispo de Uíge em Angola.
Com o P. Mesquita aprendi a ser padre. Nunca me esquecerei da Cantina Paroquial onde iam comer mais de 300 crianças das escolas primárias onde nós íamos assistir muitas vezes, sendo as refeições servidas pelas Senhoras da cidade que voluntariamente prestavam o seu trabalho.
Nunca poderei esquecer a sua dedicação à Paróquia visto que todos os dias estava no seu Cartório Paroquial onde recebia as várias pessoas que o procuravam.
À noite, juntamente com os seus 2 coadjutores ia tomar o seu café que ele pagava sempre e onde se encontrava com pessoas da cidade.
Era impressionante o seu desprendimento e a sua atitude pronta quando se apercebia de alguém necessitado. Lembro-me muito bem do seu dinamismo quando, durante uma cheia, foi preciso arranjar dormida e alimentação para muita gente. Quando promoveu a construção de três casas no Bairro Operário para dar a três famílias pobres.
Sempre que havia qualquer festa familiar, ou no canto dos Reis, lá estávamos os Coadjutores, eu e o Padre Alberto Aguieiras, sempre associados aos seus irmãos e sobrinhos comungando o mesmo ideal e vivendo a mesma alegria.
Foi vítima de uma injustiça quando o Sr. Bispo de Vila Real, movido por falsos conselheiros o retirou para Vilarandelo, sua terra natal.
Como, passado um ano, eu fui colocado em Tinhela, colaborei muito com ele em Viarandelo ao serviço de várias actividades paroquiais e na ajuda da construção da residência. Ensaiámos uma opereta que foi representada em vários lugares para angariar fundos para a construção da residência.
Assisti-lhe nos últimos momentos da sua vida juntamente com os velhos amigos, o P. José Ribeirinha e o Dr. Taveira. Ainda me recordo bem da fé e saudade da sua irmã, a tia Marquinhas, quando nesse momento nos pôs a rezar por ele.
Por tudo o que fez de bem ao serviço da Igreja e ao serviço dos outros, pelo bom exemplo que me deixou pelo bom exemplo de entrega aos Paroquianos, aqui deixo expresso o meu agradecimento. Que o Senhor a quem serviu o tenha lá no reino da sua glória.


Testemunho de Francisco A. Taveira Ferreira, Médico – Cirurgião
Quis a vida e o destino que conhecesse o Padre Manuel Torrão Mesquita ainda muito menino na igreja paroquial de Vilarandelo.
Recordar o Homem e o Padre é percorrer a minha própria existência desde o berço até à Universidade.
Quando menino da Escola Primária de Vilarandelo, frequentando os bancos da sala de aula, vi um venerando senhor de batina, o padre que nos ensinava Religião e Moral e muitas regras de cidadania.
Nesse tempo eu não sabia que além da Religião, da Moral e dos bons costumes ele nos ensinava, pelo exemplo e pela palavra, regras de convívio social, regras de cidadania, valores de convivência Humana.
Organizou conjuntamente com a minha madrinha Dr.ª Alcininha, e certamente outras pessoas, um retiro no Pousadouro, [durante] dois dias. Quanta alegria e quanta vivência nesses dias !!
Fui seu acólito, ajudante da Missa, aprendendo a conviver em grupo.
Fui por ele convidado a integrar o Seminário onde só estive 18 meses pois essa não era, claramente, a minha vocação.
Desde a quarta classe insistiu com os meus pais para que fosse estudar e orientou-me para a Telescola, onde outro amigo em sintonia com as suas ideias me orientou pela vida. Foi o Padre Torrão Mesquita que pediu ao Francisco Catumba para permitir que o filho fosse estudar em vez de trabalhar na terra como era norma.
Não possuindo bens de fortuna e vivendo humildemente com fatos comprados em segunda mão, deixando por vezes a própria roupa para os pobres (eram outros tempos!!), deu-me sempre lições de trabalho, organização e perspectiva de futuro.
Na Telescola, que frequentei sem pagar propinas e sem pagar Livros, também aí estavam o dedo do Padre e do Professor Ribeirinha.
No que seria hoje o sétimo ano, indicou-me o Seminário como forma de continuar a estudar.
Abandonado o seminário fui para o Colégio Privado de Valpaços, pertença da amara Municipal – mais uma cunha do Padre ao então Presidente, Dr. Sequeira da Mota.
Foi-me atribuída Bolsa de mérito e lá continuou o padre a empurrar.
Quando terminei o nono ano foi comigo para que tivesse emprego em Valpaços.
Sonhava eu muito alto e queria ser Médico.
O Padre sorriu, mas sempre me disse que se vai onde se quer ir com esforço, trabalho e dedicação.
Já na Universidade, ele com o peso da idade e eu preocupado com o início de vida, faltei aos festejos dos seus anos.
-“Então não tiveste tempo para me visitar?”
-Sabe, Padre, estou muito ocupado. A vida é muito exigente e agora está bastante mal.
- “Olha rapaz, não te deixes agarrar pela vida. Mal está ela desde que fui para a Escola.”
Estávamos em 1982 e iniciara a Escola uns sessenta anos antes. Que diria hoje ?
- Diria exactamente o mesmo.
Quem era o padre Torrão Mesquita?
Um homem nascido em Vilarandelo, pároco de Chaves, de Valpaços e da sua Terra Vilarandelo, professor, amigo e conselheiro, atento e disponível.
Para mim foi um mestre de viver e levar a vida.
Na fase em que já estava doente, pude acompanhá-lo ao Médico no Porto e mantinha a mesma serenidade com que me dizia pelos meus dez anos:
- “Não te deixes levar. A vida é muito exigente mas sempre premeia quem é justo, diz a verdade tem conduta correcta.”
Dos princípios de vida que defendia e pelos quais pautava a sua existência, deixou rastos nos que com ele privaram e tiveram oportunidade de conviver.
Recordar é rever, é viver de novo.
Para ele uma imensa gratidão, pelo que me ensinou, pelo que aprendi sem mo ter ensinado, pela imagem positiva que deixou e acima de tudo pelo espaço na mente e na alma que construiu.
Pessoalmente desejo-lhe eterno descanso eterno no seio de Quem serviu toda a sua vida.
Perante este Homem e a sua Figura, independentemente da posição do corpo, a Alma fica de joelhos.
Que Deus o tenha a seu lado para felicidade de ambos.

In Arauto de Vilarandelo, edição Junho de 2011 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

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domingo, 3 de julho de 2011

Os cruzeiros do concelho de Valpaços – freguesia de Alvarelhos

Um caso singular e enigmático
Por Leonel Salvado

Os cruzeiros de Alvarelhos constituem efectivamente um caso curioso e, em certa medida, um caso invulgar no contexto destes monumentos de expressão religiosa popular do concelho de Valpaços, quiçá de toda a área integrada na diocese de Vila Real.

A singularidade

Como bem observou Henrique Rodrigues no post intitulado “Cruzeiros da nossa Terra” que publicou em 19 de Abril de 2010 no seu blog “Alvarelhos (Maravilhoso Reino) ”, observação essa que tive oportunidade de confirmar, nenhum dos quatro cruzeiros foi erguido no centro ou no interior da aldeia.

Como refere o autor do blog local, eles «foram colocados nos principais caminhos que eram: o caminho da Ribósia que fica a nascente e ligava a Tinhela, o caminho de Santiago que ligava a Vila Nova de Monforte e Oucidres o caminho do Seixal que vinha de Lamas de Ouriço e seguia para Tinhela e neste lugar poderia derivar para Agordela e o caminho da Serra que ligava a São Julião de Montenegro, os cruzeiros estavam colocados nestas vias

As possíveis origens

Adianta ainda o mesmo autor, baseado na tradição oral, que a ideia da construção dos quatro cruzeiros e sua implantação nos locais designados teria talvez resultado de uma determinação administrativa das autoridades do Concelho de Monforte de Rio Livre, isentando os habitantes da Alvarelhos das suas obrigações militares no reforço da guarda do Castelo de Monforte, acto que a aldeia inteira entendeu celebrar daquela forma.

Estamos perante uma explicação que podendo, à primeira vista, parecer demasiado rebuscada, parece fazer algum sentido se a compararmos com as escassas interpretações que se conhecem em Portugal acerca da origem desta tradição de arte e religiosidade de expressão popular, que são os cruzeiros. O padre João Parente, um dos raros autores portugueses que nos têm elucidado sobre a tradição dos cruzeiros, tradição essa que, a fazer fé neste autor, remonta ao século XIV e estendeu-se desde o Norte de Portugal, à Galiza e ao Noroeste de França, deixou-nos na sua obra “Os Cruzeiros da Dioceses de Vila Real” algumas considerações sobre o tema que julgo poderem conferir alguma credibilidade ao que se guarda na tradição popular sobre a origem e a importância dos cruzeiros de Alvarelhos. Refere este investigador:

«As aflições insuperáveis levam o povo à procura de uma protecção que só encontra em Deus. Desta necessidade de apoio especialmente centrado no crucifixo, nasceu o sentimento popular que se exprime nos cruzeiros. […] De vez em quando, as epígrafes gravadas nas bases dos cruzeiros, apresentam como motivo do seu levantamento, a devoção de particulares, sempre do baixo clero ou leigos não pertencentes à nobreza. Os nobres edificavam as igrejas ou os conventos.»  

Padre João Parente, Os Cruzeiros da Dioceses de Vila Real, Media Line, Impresse 4, sd. pp. 9-10

Compreende-se que as seculares obrigações de defesa militar dos castelos da raia no decurso das temíveis guerras com Castela fossem para os habitantes de aldeias inteiras, a par das epidemias, uma dessas «aflições» e que uma vez delas apartados os povos logo procurassem agradecer a Deus o consolo que dessa bênção retiravam, erguendo-lhe um cruzeiro comemorativo que, segundo ainda o Padre João Parente, «geralmente […] erguia-se no centro do povoado.» Mas, como vimos, em Alvarelhos foram quatro e, todos eles, fora o povoado e junto dos quatro caminhos que davam (e dão) acesso à aldeia. Não parece haver nada de estranho nisto, pois esta situação só tem a ver com as circunstâncias particulares em que se crê que os cruzeiros de Alvarelhos foram erguidos. Se o grande mal que afligia os aldeões era o perigo das invasões castelhanas e se na expressão do cristianismo popular os cruzeiros representavam para eles a desejada protecção contra esse perigo, agora na sua própria aldeia, era nos caminhos de acesso a ela que o povo devia depositar a esperança dessa protecção erguendo aí as cruzes com Cristo crucificado como sinais de auxílio e misericórdia.    


Tipologia e significado religioso

Devo dizer que, à falta de epígrafes gravadas nas bases dos cruzeiros de Alvarelhos indicadores do motivo da sua construção, salvo no que foi transferido para o cemitério paroquial (resta saber se o actual pedestal será, na verdade, a sua base original!), a devoção aos cruzeiros em Alvarelhos, fosse qual fosse a razão imediata para a sua construção, enquadrou-se na simples e expontânea expressão do cristianismo popular a que lhe está associada e que o Padre João Parente definiu assim:

«A arte popular cristã mostrou sempre preferência pelos sofrimentos e pela morte de Jesus, em prejuízo da Sua encarnação e ressurreição. É na cruz que se manifesta melhor a humanidade de Cristo e, de certa maneira, a divindade. A encarnação não é tão sensível e a ressurreição é demasiado espiritual e transcendente. O povo prefere a paixão, porque impressiona, comove e apela ao sentimento. Compreende-se que o crucifixo seja a imagem mais comum, tanto contemplada no esplendor das catedrais como na simplicidade dos cruzeiros das recônditas encruzilhadas

Padre João Parente, Os Cruzeiros da Dioceses de Vila Real, Media Line, Impresse 4, sd. Pp. 9-10

Contrastando com a profusão ornamental escultórica dos cruzeiros que, com mais frequência, foram erguidos dentro das aldeias, vilas e cidades na restante região transmontana, os cruzeiros de Alvarelhos, colocados fora do casario, destacam-se todos pela sua simplicidade (base cubóide e cruz simples de secção quadrangular) e pelas grandes semelhanças existentes entre eles. Só para que se fique com uma ideia desse contraste dentre os restantes cruzeiros existentes no concelho de Valpaços, compare-se por exemplo os cruzeiros que se localizam em “Largos do cruzeiro”, alguns dos quais já procurámos divulgar, tais como os de Argeriz, Vilartão (Bouçoais), Cabanas (Curros), Fornos do Pinhal (junto à escola primária) Possacos, etç com os mais singelos cruzeiros localizados fora das aldeias em Lamas (Ervões), Santa Valha (Senhor da Boa Morte), Deimãos (outrora resguardada por uma capela simples posteriormente reconstruída) e Tinhela, junto da estrada que sai para o Norte, cuja semelhança com os cruzeiros de Alvarelhos é flagrante, exceptuando o facto de ter sido erguido sobre rocha natural.

Convém ainda se diga que estes simples cruzeiros erguidos nas encruzilhadas dos caminhos eram policromados, isto é, pintados e repintados directamente sobre o granito, representado a figura de Cristo Crucificado, os mistérios da fé e, em alguns casos, a virgem Maria no reverso. Hoje são poucos os casos destes simples cruzeiros onde ainda se vislumbrem vestígios dessas pinturas. Como refere o Padre João Parente «era ao Senhor e à Senhora dos cruzeiros que o emigrante e o soldado lançavam o último olhar aflito, ao partirem para as arriscadas aventuras». Não seria propriamente à volta dos cruzeiros de Alvarelhos que a vida girava, se cantava e se bailava nos dias festivos, se realizavam entremezes e se jogava a panelinha e o pião. Isso sucedia sim em torno daqueles cruzeiros mais ricamente trabalhados e colocados no centro do povoado. Os cruzeiros erguidos nos principais caminhos que passavam por Alvarelhos eram aqueles, talhados no melhor granito mas em formas mais simples e representando o senhor em sofrimento e em cores vivas, que tocavam mais na alma dos pobres crentes do que os efeitos escultóricos, o sangue escorrendo-lhe das chagas. Era neste sofrimento redentor, da Paixão de Cristo, presente em pessoa nos cruzeiros dos caminhos, que os que deles se serviam em arriscadas jornadas encontravam o desejado conforto espiritual. 
Como disse, não estou seguro se o pedestal que serve de base ao cruzeiro que foi transferido do antigo caminho de Santiago para o cemitério paroquial é original e será estranho que o não seja posto que nela se pode ler com relativa facilidade a seguinte mensagem epigrafada em latim, que me parece bem elucidativa do motivo ou significado da construção deste tipo de monumento, a que me tenho referido, com a indicação, na face lateral, da data de 1733:

PASSIO CHR
ISTI,CONFO
RTA . ME.

Outro detalhe curioso que encontrei neste cruzeiro, ao contrário dos restantes, é que na respectiva cruz foi epigrafada a legenda INRI, o que reforça a ideia da sua relação com o tema da paixão de Cristo e o culto das cinco chagas.
Levando em conta uma sugestão apresentada pelo Padre João Parente, baseada em memórias recentes sobre esta matéria, face às grandes semelhanças existentes entre os cruzeiros de certas terras que, segundo as suas próprias palavras, «parecem ter nascido de uma só mão criadora», como se me afigura ter sido o caso dos de Alvarelhos, é possível que esse trabalho fosse exercido por canteiros ambulantes que andavam de terra em terra oferecendo a sua arte e se fixavam nas aldeias recebendo alojamento, comida e salário enquanto durasse a sua empreitada. O mesmo devia suceder, julgo eu, com os pintores que se insinuariam da mesma sorte aos aldeãos ou seriam, devido à sua fama, por estes contratados.
E o resultado foi a existência de quatro magníficos monumentos religiosos, graças à admirável fé de gente simples de Alvarelhos, monumentos esses que já foram cruzes de pedra com crucifixo pintado e hoje continuam a ser cruzes de pedra, apenas duas delas desenquadradas (uma muito mais do que outra) do seu ambiente paisagístico primitivo.

Os Cruzeiros

I

 
Cruzeiro do caminho da Ribósia, Alvarelhos | Foto base: Leonel Salvado, 2011 
| Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Fragas do Prado, ao caminho da Ribósia, Alvarelhos
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 3,34 m, base e cruz
Descrição: Base cubóide com cruz simples de secção quadrangular
Data: Indeterminada


II

Cruzeiro do caminho do Seixal, Alvarelhos| Foto base: Leonel Salvado, 2011
 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Caminho do Seixal, Alvarelhos
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 2,84 m, base e cruz
Descrição: Base cubóide e simples cruz de secção quadrangular
Data: indeterminada


III

Cruzeiro do caminho da Serra, Alvarelhos  | Foto base: Leonel Salvado, 2011 
| Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: no sítio das Peneda, Alvarelhos (antigo caminho da Serra – deslocado alguns metros abaixo)
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 2, 70m, base e cruz
Descrição: Base cubóide e cruz simples de secção quadrangular 
Data: Indeterminada

IV

Cruzeiro do caminho de Santiago, Alvarelhos | Foto base: Leonel Salvado, 2011
 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Local: Cemitério paroquial, Alvarelhos (deslocado do antigo caminho de Santiago)
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 2,70m, pedestal e cruz
Descrição: Pedestal quadrangular com soco e cornija onde assenta uma cruz simples de secção quadrangular
Data: Pedestal de 1733