sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – POSSACOS

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 30, POSSACOS, Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 30, n.º 236, p. 1813 a 1816]

Relação dos interrogatórios que se perguntam saber desta terra, são os seguintes.
É esta terra da Província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, Comarca e Termo de Chaves e Freguesia de Poçacos, orago de Nossa Senhora das Neves.
É do duque de Bragança e lhe paga foros. Tem este lugar de Poçacos oitenta e cinco vizinho e duzentas e setenta pessoas de sacramento.
Está situado em uma terra plana e tem, no meio, uma laguna com uma fonte no meio que dá água bastante para o povo e descobre-se dela a metade do Bispado de Miranda, como é a Serra de Bornes e a Vila de Mirandela. Tem termo seu e tem légua e meia, em redondo, e compreende e vêm à missa a este lugar a quinta de Cachão que tem doze vizinhos. Está a igreja fora do lugar ao redor das casas em um cabeço cheio de oliveiras. Tem este lugar de Poçacos e a quinta de Cachão de freguesia. É orago de Nossa Senhora das Neves e tem três Altares, o maior de Nossa Senhora e dois colaterais, um de Santo António e outro de Santo Cristo. É o pároco vigário ad nutum e é apresentação do pároco de Santiago da Ribeira de Alhariz. Tem o pároco dez mil réis de côngrua e de cada freguês uma oferta de pão centeio.
Não tem beneficiados. Tem duas capelas dentro do lugar, como a de Santo António que a administra Maria Machada, deste lugar, outra de Nossa Senhora da Assunção que a administra Domingos Martins, deste lugar. Não acode a elas romagem.
Os frutos da terra são pão centeio, com abundância, vinho do superlativo e azeite, tudo com abundância.
Tem juiz espedanio [pedâneo] que está sujeito ao juiz de fora, de vara branca, da Vila de Chaves. Não tem couto nem coisa que o valha.
Saiu deste lugar um Doutor formado em Coimbra chamado João Lopes Martins.
Serve-se do correio de Chaves que dista deste lugar quatro léguas.
Dista esta terra da cidade do Arcebispado dezoito léguas e da de Lisboa, capital do Reino, dista setenta léguas.
Tem privilegiados e paga foros à Sereníssima Casa de Bragança. Abriu-se um interior com o terramoto de 1755.

Não há serra, só está situado, este lugar, de umas fragas que tem muitos sobreiros que dão muita cortiça que dá muito dinheiro e se gasta bem e tem este sítio um sumidouro em que corre a água por baixo da terra um quarto de meia légua, e nada mais.

Passa por esta terra uma ribeira que vem de Vale de Casas. Esta corre com bastante curso por todo este termo e tem moinhos bastantes de centeio. E tem esta um arco de pedra por onde se passa para o Bispado de Miranda e é de pedra lavrada e, dizem, tinha este dois padrões feitos à romana; um foi para Vale de Telhas e outro, dizem, veio para este lugar. Esta ribeira se mete logo dentro deste termo em um rio chamado rio Rabaçal que traz seu nascimento do Reino de Galiza e corre por este termo pela estremadura do Bispado de Miranda. Corre uma légua  e bastantemente caudaloso. Não é navegável por causa do muito fragaredo que tem e passa em uma ponte de Vale de Telhas para o Bispado de Miranda.
Cria este rio peixes em abundância como são bogas, escalos e barbos, tudo em abundância, e se pesca nele livremente. Não se cultivam as suas margens por serem penhascosas e todo o ano corre com bastante curso e arrebatado e corre de Norte para o Sul e se mete em outro rio chamado o Tuela, por cima de Mirandela, e caminha para o Douro e tem moinhos bastantes.
Tem este rio uma légua de comprido nesta terra.

Não há nada mais que dar conta e, posta na verdade, fiz e assinei.

(Declaro que há mais nesta freguesia um sítio que chamam a Fraga da Senhora em redor deste lugar que dá pedra de cantaria tal como da pedraria que se foi daqui para Chaves, que são quatro léguas, para as obras do Hospital de Sua Majestade)

Eu, o Padre Baltazar Fernandes, vigário desta igreja de Nossa Senhora das Neves do lugar de Poçacos, com os dois párocos mais vizinhos, o Reverendo vigário de Valpaços e o Reverendo vigário de Vassal, o que afirmo in verbo sacerdotis, hoje em Poçacos, aos 3 de Abril de 1758.

O Pároco, Padre Baltazar Fernandes de Figueiredo
O Vigário Dâmaso Osório de Queiroga
O Vigário, Padre Francisco Pereira de Aial

440.º Aniversário da Batalha de Lepanto


É considerada a maior batalha naval da História no Mar Mediterrâneo, depois da de Actium, em 31 a. C., e participaram naquela alguns portugueses, deixando marcas na nossa tradição oral. Trata-se portanto de uma data comemorativa de relevância universal e nacional que entendemos dever recordar aqui, mais uma vez.
Para rever o significado e a importância deste evento, de que fizemos eco por ocasião do seu 439.º Aniversário, click AQUI.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Uma visita ao Solar dos Morgados de Vilartão

Por Leonel Salvado


Correspondendo a um convite que nos foi graciosamente dirigido, fizemos uma visita ao Solar dos Morgados de Vilartão, situado na freguesia de Bouçoais no concelho de Valpaços. Este belo conjunto do património histórico edificado do concelho encontra-se em admirável estado de recuperação, graças ao espírito de iniciativa, energia e paixão pelas coisas da História que vimos transparecer da pessoa do seu actual proprietário, nosso afável e esclarecido cicerone, o Dr. Joaquim Malvar de Azevedo, oriundo de uma conceituada família de Vila Nova de Famalicão, em companhia de sua prestimosa esposa que é uma das descendente dos morgados de Vilartão e uma das herdeiras do vasto património da ilustre família dos Morais Soares, grande parte do qual teve de ser por eles readquirido pela compra, dada a sua dispersão ao longo dos tempos que se seguiram à extinção dos morgadios nos primórdios da era liberal. Trata-se de um amplo espaço de indescritível riqueza arquitectónica tanto no seu exterior como no interior do corpo do edifício, onde se respira história em cada um dos seus recantos e do imenso mobilário, enfim, um espaço revigorante para quem se disponha a entregar-se ao prazer de descobrir neste recôndito lugar de Trás-os-Montes uma riqueza patrimonial que não ficará muito a dever um grande número de sublimados solares e palácios-museu que recheiam os roteiros turísticos do país e movimentam multidões de visitantes, um solar de uma prestigiada linhagem aristocrática da Província que fez a história de Trás-os-Montes e onde coexistiram, e ainda coexistem, elementos arquitectónicos de épocas distintas de extraordinário interesse que vão desde século XVII ao século XX, em maior ou menor conformidade com os estilos de influência europeia rigorosamente definidos nos tratados de arquitectura de cada uma dessas épocas, a par com outros elementos tipicamente transmontanos.
Tivemos a oportunidade de constatar, sob orientação do Dr. Malvar de Azevedo, que na construção do solar no início do século XVII por determinação de Álvaro de Morais Soares  -filho de Aleixo Gonçalves Soares e de D.ª Helena de Góis, de Vinhais, que casou em Vilartão com D.ª Maria Teixeira, filha Gaspar de Lobão, cavaleiro na Ordem de Cristo - quem instituiu o morgadio que perdurou por sete gerações, houve a preocupação em se aproveitar uma construção mais antiga inserida num pátio também certamente de construção mais antiga, provavelmente da época medieval, que actualmente é chamado de pátio grande ou das cavalariças, um espaço amplo e constituído por colunas de secção rectangular de generosas proporções e é tida como a ala mais antiga de todo o conjunto arquitectónico e, portanto anterior ao corpo principal do edifício setecentista que passou a compreender mais duas alas resultando numa estrutura em “U” com três pátios. Uma destas alas destinava-se aos serviços de cozinha com outras dependências e foi na entrada para este espaço que, já no século XX, o célebre Doutor Armando Morais Soares carinhosamente apelidado de “o último Doutor João Semana”, em homenagem e simpatia pela abnegada dedicação a que se entregou no tratamento dos seus doentes mais pobres e necessitados, que dividiu o compartimento para instalar o seu consultório. Desnivelada em três degraus do corpo principal, como era comum na época, a cozinha do solar é verdadeiramente admirável, compreendendo uma copa e uma dispensa e uma entrada independente. Outra ala, que integra uma parte de construção mais antiga a que atrás nos referimos, foi construída com o fim de acomodar a criadagem e a funcionar, também, como sala de arrumos. No corpo principal admirámos as sumptuosas salas de recepção dispostas em linha de que se destaca a câmara-mor. O centro desta câmara, onde se encontrava a cama dos morgados, estava alinhado através da ampla janela com o altar da capela do solar que foi mandada construir pelo mesmo Álvaro de Morais Soares em 1644, mais uma preciosidade arquitectónica em estado de ruína mas que, segundo o Dr. Malvar de Azevedo, se prevê para breve a sua recuperação. Ainda relativamente ao edifício do solar, se as alterações à planta original até à actualidade foram pouco significativas, o mesmo já não se dirá dos telhados, pois como observa o Dr. Malvar, estes originalmente seriam em forma de pirâmide mais ajustados aos tectos em masseira e cobertos com telhas fabricadas no próprio morgadio.
Cumpre ainda fazer uma referência à existência de um arquivo constituído por variada documentação, desde documentos de correspondência relativamente recentes, tendo em conta a antiguidade do solar, e fotografias antigas da família.
Para finalizar, devo dizer que foi uma honra e um prazer pessoal conhecer este grandioso exemplar da riqueza patrimonial que podemos achar no concelho de Valpaços e um prazer também conhecer as pessoas cujo espírito de determinação de coragem e apego ao seu património, que do ponto de vista histórico e cultural é de toda a comunidade local, regional e nacional, que são o Doutor Joaquim Malvar de Azevedo e sua esposa. Para eles vai a nossa gratidão pela oportunidade que nos ofereceram para conhecermos o Solar dos Morgados de Vilartão e para todos os valpacenses vai a nossa recomendação para que se disponham a conhecê-lo também.

Para já, sugerimos que façam uma visita ao blogue do Solar, começando pela sua página incial, AQUI.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – NOZELOS

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 16, NOZELOS, Monforte de Rio Lima (leia-se NOZELOS, Monforte de Rio Livre)
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 25, n.º (N) 42, p. 293 a 302]

Resposta de um papel que me veio remetido do Muito Reverendo Senhor Doutor Arcipreste Abade de Monforte e me foi entregue por António de Morais, deste Lugar, no qual se contém setenta interrogatórios em três capítulos dos quais […] respondo:
A Província em que fica este lugar que se chama Nozelos é a Província de Trás-os-Montes, Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Torre de Moncorvo, termo da Vila de Monforte e Freguesia de Nossa Senhora da Expectação.
O Senhor desta terra e das mais de seu estado é o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conde de Atouguia e o Senhor Donatário é o Excelentíssimo Senhor Conde de Valadares.
Este lugar, de onde vai este papel, chama-se Nozelos que se compõe de cinquenta e nove fogos e duzentas e seis pessoas. Este lugar está situado em uma terra que não é propriamente vale por estarem muitas moradas dela situadas em pedra dura e levantado em um alto que de todas as partes há ladeiras para subir a ele e da parte do nascente corre um ribeiro, na distância de três tiros de bala, que tem seu nascimento no termo de Cimo de Vila de Castanheira, freguesia de São João Baptista, no sítio do Pereiro, e da parte do Norte tem outro ribeiro que tem seu nascimento no termo do lugar de Bobadela onde chamam a serra da cortiça, distante deste lugar meia légua, o qual passa distante das últimas casas a um terço da mesma, e para a mesma parte do Norte se descobre o lugar de Tronco, freguesia de São Tiago, distante deste quase meia légua, e para o do Sul se descobre a igreja de São Miguel, do lugar de Fiães, distante deste meia légua, e não se descobrem deste mais povoações por causa de um outeiro que tem para a parte do Sul que impede descobrirem-se mais algumas, excepto a de Tinhela, que dista daqui meia légua por uma ribeira abaixo, que é propriamente vale.
Este lugar tem termo seu (e é termo da Vila de Monforte, distante deste uma légua) que tem aonde é mais amplo quase meia légua em circuito composto de terras lavradias, vinhas, lameiros, castanheiros e árvores infrutíferas que nesta terra se chamam por vários nomes, como são carvalhos, amieiros, salgueiro e sangrinhos e não compreende lugar nem aldeia alguma e o mais fica expressado [supra].
A Paróquia está dentro do lugar, no meio dele, e não compreende lugares nem aldeias a mais do que fica expressado, nem deste tenho mais que dizer.
O seu orago é Nossa Senhora do Ó, chamada por outro nome de Nossa Senhora da Expectação, e tem três Altares, dois colaterais e o Maior, aonde está a imagem da mesma cuja festa se celebra aos dezoito do mês de Dezembro com oito ou dez clérigos, e no mesmo Altar está a imagem de São Caetano cuja festa se celebra aos dez dias do mês de Agosto, e da parte da Epístola está o Altar de Santo António cuja festa se celebra aos treze de Junho, e  no mesmo Altar está a imagem de São Brás, aonde se lhe faz uma missa cantada com quatro clérigos com alguma limitada esmola que lhe traz algum romeiro no seu dia. Da parte do Evangelho está o Altar de Nossa Senhora do Rosário cuja festa se celebra no segundo Domingo de Outubro, conforme o zelo dos mordomos e todas as imagens são de vulto e está também neste Altar a imagem de Santo Amaro cuja festa se celebra no dia quinze de Janeiro, aonde vêm, nesse dia, muitos romeiros, principalmente velhos, a rezar à dita imagem onde trazem algumas esmolas que recolhe o mordomo para fazer a festa. E não há mais altares e estes estão todos compostos com asseio e limpeza, tendo todos os retábulos dourados e os mais ornatos condizentes. Não tem naves, somente tem, da parte do Evangelho, uma Sacristia aonde se conservam com asseio os ornatos da dita igreja e não tem Confraria alguma, nem Irmandade.
O Pároco é cura confirmado e quem o apresentou foi o Reverendo Reitor de Oucidres cujo Benefício é do mesmo e renderá cento e cinquenta mil réis e este curato renderá cinquenta mil réis.
Os frutos da terra que os moradores recolhem com maior abundância é o pão de centeio e algum trigo e vinho, sendo dos mais estimados e melhores desta Povíncia, castanhas, milho, feijão, ervanço e de todos os renovos que nesta terra se chamam do Verão.
Tem juiz ordinário, vereadore e, almotacés de cujo corpo se compõe a Câmara de fazem audiência na Vila de Monforte na Casa da Câmara, onde há cadeia para os delinquentes e a estes, juntos, se sujeita a gente desta terra e ao Doutor Corregedor da Torre de Moncorvo.
Esta terra não tem correio e se serve do de Chaves que chega ali na Quarta-feira, pelo meio-dia, e parte ao Domingo de tarde e dista desta terra três léguas.
Este lugar dista da cidade capital deste Bispado, que se chama Miranda do Douro, dezoito léguas, e da capital deste Reino setenta e cinco.
Há na Vila de Monforte, cabeça desta terra, um castelo e a fortificação e estado em que se acha descreve o Reverendo Abade de Monforte que tem as casas junto a ele.
Não tenho notícia de que nesta terra se arruinasse templo nem casa alguma no terramoto de 1755. Não há nesta terra coisa alguma digna de memória.

Há nesta terra alguns montes de lenhas com várias árvores cujos nomes são castanheiros, carvalhos, amieiros, salgueiros, sangrinhos e algumas árvores de fruto como são pereiras, macieiras, amoreiras e nestes montes se vêem vários lobos, porém não se criam nestes por serem os matos raros, e também neles se criam raposas, lebres, coelhos e perdizes e várias castas de aves como melros, rolas, corvos, bubelas, carriças e rouxinóis. Não há neste montes coisa especial de que se possa fazer reflexo, pois cada um tem seu dono e assim os não deixam fazer pastos de sorte que neles se criem ovelhas que possam causar deformidade.
Nesta terra não há rio. Nesta terra há dois ribeiros, os quais correm girando este lugar, um pela parte do Nascente e outro pela do Norte, e ambos se juntam no termo deste lugar no sítio chamado as Olgas e o que corre pela parte do Nascente tem o seu nascente daqui na distância de uma légua, no sítio chamado de Pereiro, termo de Cimo de Vila de Castanheira, freguesia de São João Baptista, e corre por terra infrutífera, porém os moradores de Cimo de Vila lhe divertem as águas para limarem os prados e Linhares com ela e o mesmo fazem os moradores da quinta de Pedome, que corre distante dela dois tiros de pedra, e entrando neste termo tem o mesmo efeito de limar os prados e linhares deste termo até onde se junta com o que corre pela parte do Norte para o Sul e, juntamente, nele há duas casas de moinhos, cada uma com duas rodas, para centeio e trigo, que moem ordinariamente desde o mês de Dezembro até ao de Maio e nele há umas castas de peixes que nesta terra se chamam escalos, os quais se extinguiram pela grande seca, porque no estio é preciso buscar algum poço mais fundo para nele beberem os gados e, assim, não cria senão escalos, rãs e cágados. Este tem o nome de ribeiro de Pedome porque passa somente na quinta chamada Pedome e tem um pontão de três traves de pau cobertas com pedras. E o que passa pela parte do Norte que nasce no sítio chamado da serra das cortiças, do termo de Bobadela, daqui distante meia légua, é mais pequeno, porém com mais substância e é mais saturável no Verão e tem o mesmo efeito de limar prados e Linhares deste termo e tem quatro casas de moinhos e as mesmas castas de pesca e, tanto que se juntam ambos não têm utilidade alguma neste termo porque correm pelo melhor sítio de terras de centeio e nelas fazem algum dano e daqui três léguas se metem no rio chamado Rabaçal.

E não tenho mais nada que dizer, por não haver rio nem serra, e para mais aclarar o que havia que responder pelos predicados e qualidades da terra, os cumpri neste papel. E assim, conclui este papel com a resposta acima declarada e neste escrita.

E, para fé da verdade me assino, hoje, vinte e um dias do mês de Abril de mil setecentos e cinquenta e oito.

O Padre Caetano de Sá Pereira,
Confirmado do lugar de Nozelos

São Francisco de Assis 2011

Imagem em domínio público, Wikimedia Commons, http://pt.wikipedia.org

Celebra-se hoje na Igreja Católica a festa litúrgica de S. Francisco de Assis, o santo fundador de uma das mais duráveis instituições monásticas vocacionada para a missionação, inspirada nos altos valores de humildade e humanidade.

Para rever a publicação que lhe dedicámos no mesmo dia, em 2010, click AQUI.

domingo, 2 de outubro de 2011

541.º Aniversário do nascimento de D. Isabel de Aragão e Castela, Rainha de Portugal


Dona Isabel de Aragão e Castela, a desafortunada décima sexta rainha de Portugal que este ano voltamos a recordar, aqui.



Para aceder à publicação que lhe dedicámos por ocasião do 540.º Aniversário do seu nascimento click AQUI.

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – CRASTO

Por Leonel Salvado


Nota Prévia: Até ao decreto de 31 de Dezembro de 1853 que determinou a extinção do Concelho de Carrazedo de Montenegro e a criação da comarca de Valpaços a cujo concelho e comarca passou a integrar como uma anexa à freguesia de Água Revés e Crasto, a povoação com este último nome havia constituído freguesia independente do termo da Vila de Chaves e curato anexo à Reitoria de Carrazedo de Montenegro.

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 12, CRASTO, Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 12, n.º 454, p. 3139 a 3142]

Lembrança do que se manda saber da terra e Freguesia de Nossa Senhora da Expectação do Lugar e Freguesia de Crasto.
O Padre João Lopes, pároco nesta Freguesia de Nossa Senhora da Expectação do Crasto, da Comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz, faço certo em como esta freguesia está na Província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga Primaz, Comarca de Chaves e termo, da Freguesia de Nossa Senhora da Expectação.
Esta terra é de ElRei meu Senhor, no presente o Senhor D. José, que Deus guarde, e tem esta freguesia quarenta e oito moradores, de pessoas maiores noventa e três, de menores seis, de confissão somente. Está situada em um vale formando fila entre três altos os quais são o ladeiro alto, o Castelo e os Sumagreiros. Dela se não descobrem senão vales perto dela. Tem seu termo que tem de largo e comprido uma légua em quatro. A igreja está fora da povoação num tiro de espingarda. O seu orago é o que acima disse e tem três Altares e as imagens que neles se acham são no maior de Nossa Senhora, em um dos colaterais Santa Maria Madalena e Santo Nome de Jesus e em outro Santo Amaro cujo nome se celebra aos quinze de Janeiro, em qual dia vem a ele muita gente de romaria ao dito santo pelos muitos milagres que faz e neste dia se faz Feira em que se vende muita cerne de porco, couves, castanhas e outras mais coisas que a terra dá. O pároco é cura e a apresentação dele pertence ao Reitor de Carrazedo de Montenegro, da mesma comarca, e tem de estipêndio dez mil réis em dinheiro, seiscentos réis da doutrina, trinta e dois alqueires de trigo, dois almudes de vinho cálido e vinte e seis alqueires de centeio. Os frutos que os moradores colhem e são daqui levados são centeio, azeite, vinho e sumagre e de todos os mais é o centeio e vinho. Está sujeita às justiças da Vila de Chaves de que recebe o Juiz de Fora e o Vigário Geral. Serve-se do correio de Chaves, o qual chega na Quarta-feira e vai no Domingo e dista desta terra quatro léguas. Dista, esta freguesia, da cidade de Lisboa setenta léguas, da capital de Arcebispado, ou cidade de Braga, dezoito, e da Comarca, que é de Chaves, quatro. Acha-se nesta freguesia um castelo antigo que está ainda com algumas paredes em redondo, situado em um alto entre duas ribeiras e chamado o Castelo Moiro. Entre os dois rios [ribeiras] tem de largura uma légua em quatro, e, como já disse, [uma] principia na ribeira do Castelo Moiro e acaba na ribeira de Rio Torto e [outra] na ribeira de Vale de Égua e acaba nos sumagreiros do mesmo Castelo. […]
Por esta freguesia passam duas ribeiras que desaguam na mesma povoação, uma que corre todo o ano nesta povoação de Crasto e tem princípio na freguesia de Argemil que dista desta duas léguas e se mete nesta ribeira de Rio Torto que fica distante um quarto de légua. Tem uma outra de que faço menção que passa pela mesma freguesia junto do Castelo, a qual tem seu princípio na serra de S. Gião em uma fonte que fica deste distante três léguas e se mete no Rio Torto.
Cultiva-se nesta os montes, de que há pouca erva nesta terra, como carvalhos, carrascos estreitos, verguios e os mais destas terras são cultivadas pelos moradores delas. Esta terra é muito quente de Verão e no Inverno muito fria porque fica muito funda e não dá nela o sol senão no meio-dia. Nela se criam alguns gados miúdos, como são muitos nelas, e se criam algumas perdizes e coelhos.
Estes rios não são navegáveis nem são capazes de qualquer barco. São pequenos e não correm todo o ano. Neles se criam alguns peixes pequenos como são bogas e escalos que na Primavera pescam muito e toda a água no rio de que se podem servir não tem dono e são livres para quem as quer e pode caçar. Estão estes rios em parte cercados de árvores silvestres que não dão fruto. Têm estes rios alguns açudes de moinhos e têm estes dois rios cada um sua ponte com arribas de pau, uma ao pé do mesmo povo e outra aonde se mete a ribeira no rio Rabaçal. E têm estes dois rios três moinhos de moer pão na ribeira que passa pelo povo e outro na beira da mesma que apanha as duas águas. Das águas dos ditos rios usam os vizinhos delas livremente para as culturas dos seus campos. Passa esta ribeira que vai pelo dito povo num lugar chamado Ribas e noutro chamado Avarenta e acaba em outro chamado Rio Torto. E o outro rio principia na serra que disse de S. Gião e passa por Quintela, Ribeira de Santiago, Sanfins e acaba em Rio Torto.
E não se continha mais nos ditos interrogatórios e informando-me com pessoas mais velhas desta freguesia, fiz esta carta do que pudesse fazer memória que tudo aqui escrevi em verdade e de que foram testemunhos o Abade Manuel Alves, pároco e São Pedro Fins e o cura António Martins, pároco de São Mamede de Argeriz, que tudo posto na verdade assinei ao fim como na verdade in verbo sacerdotis, aos quatro de Agosto de Setecentos e cinquenta e oito anos, o cura, Padre João Lopes, pároco desta freguesia.
O Padre João Lopes
O vigário de São Pedro Fins, comarca de Chaves, Padre Manuel Alves
O Padre António Martins   

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia de São Miguel Arcanjo 2011


Celebrou-se anteontem, dia 29 de Setembro, São Miguel Arcanjo. Tal como S. Gabriel e S. Rafael, que se comemoram liturgicamente nesta mesma data de 29 de Setembro, S. Miguel Arcanjo é um dos Santos Anjos que a Igreja católica tem em grande veneração. É mesmo considerado um dos primeiros, se não o primeiro e mais eminente dos espíritos celestiais guerreiros, arauto de Deus, e Príncipe dos Exércitos Celestiais que combateram os anjos rebeldes comandados por Lucifer. Segundo a tradição judaica, S. Miguel foi o protector do povo eleito. Da sinagoga dos israelitas a Missão de S. Miguel passou à mesquita (pois é também venerado noIslamismo) e à Igreja de Cristo, obtendo no Catolicismo, desde as suas origens, considerável devoção.


No concelho de Valpaços, S. Miguel Arcanjo é orago da freguesia de Fiães, paróquia muito antiga, supostamente de origem anterior ao século XV sob a designação de S. Miguel de Fiães (parrochia Sancti Michaelis de Feanes) que englobaria partes das actuais freguesias de Lebução e de Tinhela.
Imagem: http:// http://santosesanjos.blogspot.com
Para conhecer mais pormenores sobre a vida de S. Miguel Arcanjo, clique AQUI


terça-feira, 27 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – ERVÕES

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 13, ERVÕES, Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 213, n.º (E) 44, p. 331 a 336]

Está na Província de Trás-os-Montes, termo da Vila e Comarca e Chaves, Arcebispado de Braga. É da jurisdição de Malta, cujos donatários são da Comenda de S. João da Corveira, da mesma religião.
Tem este lugar e freguesia duzentos e vinte vizinhos e pessoas seiscentas e quatro. Está situado na falda de um monte do qual se descobrem os lugares ou aldeias de Argeriz que fica à distância de uma légua, Santiago de Alhariz na distância de duas, Cachão na distância de outras duas e a serra de Santa Comba em meio com toda a sua largura; ela fica na distância de quatro léguas.
Não tem termo seu mas sim limites e compreende sete lugares, o de Sá que tem setenta e cinco vizinhos, o de Ervões sessenta, o de Valongo catorze, o de Alpande vinte e seis, o de Sadoncelho oito, o de Alfonge quinze e o de Lamas vinte e dois.
Está a Paróquia afastada do povo à distância de oitenta [?] passos, pouco mais ou menos, em campo ermo, e compreende sete lugares cujos nomes vão acima nomeados. O orago é o salvador São João Baptista. Tem três altares, o maior, que se denomina de Altar-mor, e dois colaterais, um deles do Santo Cristo e outro de Nossa Senhora do Rosário. Não tem nave alguma mas tem sim quatro Irmandades, a do Senhor, a do Nome de Deus, a de Nossa Senhora do Rosário e a de Santo António.
O Pároco é Reitor apresentado pelo Comendador da Corveira da religião de Malta, colado pelo Vigário Geral dela e tem de renda cento e oitenta mil réis, uns anos por outros. Não tem beneficiados.
Todos os lugares desta freguesia têm capelas e cada uma afastada da povoação dela: A de Sá, capela de Santa Lúcia; a de Valongo, de Nossa Senhora dos Prazeres; a de Alpande, de S. Pedro; a de Alfonge e Sadoncelho, de Nossa Senhora da Expectação; a de Lamas, de São Tiago e São Filipe; a de Ervões, de São Sebastião, cuja capela está dentro do povo. Em muitos dias do ano se frequenta em romagens as capelas da dita Santa Lúcia e Nossa Senhora dos Prazeres e nos seus próprios dias se faz junto a elas feira franca de um só dia.
Os frutos desta terra de maior abundância são pão, vinho e castanha por ser no país natural a qualidade destes géneros.
Está esta terra sujeita ao governo e às justiças da Vila de Chaves.
Há nesta terra quatro homens formados, dos quais dois advogados em Chaves e, além destes, há outro que está aqui ao serviço de sua Majestade e é casado em Vilarandelo.
Não tem correio e serve-se do de Chaves que fica na distância de três léguas.
Dista da cidade capital de Arcebispado dezoito léguas e da cidade capital do Reino sessenta. Tem os privilégios de Malta, porém não se sabe quais e não se lhe sabe outras antiguidades ou coisas dignas de memória. Tem este termo duas fontes humildes de que usa o povo e o gado dele. Não tem porto de mar. Não é murado. Não padeceu no terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco ruína alguma.

Nos confins desta terra há uma serra a que chamam de serra de São Julião cuja parte é no limite do lugar de Sá, desta freguesia de Ervões, e um pedaço dela passa quase de um quarto de légua e está desviada da parte dos moradores daquele lugar. Porém, não é frutífera e só serve para se produzir alguns principais alimentos no tempo de Inverno. Não sei nem me consta do comprimento e largura da dita serra, nem as léguas que compreende nem também os nomes dos principais braços dela. Na dita serra nascem dois rios, ambos do lado da serra, um deles que é o Carriço, a que também se chama Ribeirinho, que fica no limite do lugar de Sá e que corre noutros sítios em que perde o nome de Carriço, no qual há cinco moinhos de que o que fica a maior distância está a três quartos de légua. Tem um moinho de pedra em cujo sítio tem também dois moinhos, também de pão e logo mais abaixo, em pouca distância, há outro moinho, este desviado em meio quarto de légua, num monte de salgueiros, e todo este rio vai tão retirado que a margem dele não é frutífera e, suposto que por ele há algumas ervas e frutas silvestres, percorrem estes lugares somente no Inverno[…]. E [há] outro rio que nasce na mesma serra e no termo do lugar de Vilarandelo, na distância de meio quarto de légua, cujo rio tem o nome da Quadrada […]. Há mais outro rio que nasce num lugar chamado Prado dentro dos limites do lugar de Quintela de Friões, na distância de meia légua, e passa junto aos lugares de Sadoncelho e Alfonge e se mete no rio chamado de Rio Torto […].
Junto à serra estão os lugares de Sá e Vilar de Ouro.
Não há neste distrito fontes de propriedades raras. Não há nele minas de metais, porém há no lugar de Sá uma pedreira só de pedra.
Não há no pedaço da serra plantas ou ervas medicinais, porém, atrás do dito pedaço se cultiva em algumas partes. Não há na dita serra mosteiros, igrejas de romagem nem imagens milagrosas. A qualidade do seu temperamento [da serra] é fria. Alguns lobos se criam nela e alguma caça de coelhos. Não sei se haja lagoas ou fojos notáveis. Também me não consta que haja nela outra qualquer coisa digna de memória.

Chama-se ao rio o Carriço cujo nascimento é no arvoredo da serra no sítio do Ribeirinho, como digo no interrogatório quarto [acima] no qual vai declarado que se serve a povoação tanto deste regato como dos mais que entram nesta terra.
No rio ou regato a que chamam do Carriço e que perde o nome no sítio de Ribeirinho do Pisco [?], neste mesmo sítio tem um pontão de pedra assentado sobre madeira e, mais abaixo, no sítio a que chamam o Salgueiral, tem outro pontão de pedra e algumas poldras. O de Sadoncelho também tem poldras e, logo mais abaixo, um pontão de pedra e poldras num sítio do termo do lugar de Alfonge, tudo dentro desta freguesia de Ervões.

Não há memória que em algum tempo ou no presente se tirasse ouro das areias dos rios. Usam os povos livremente das suas águas para a cultura dos campos. Se este regato nesta terra é comprido devido aos menos, se consoante o é independente, o não sei; a distância pode ser mais de uma légua. Toda a freguesia é muito pouco notável.
Mais ao dar o que se procurava por expressões tudo na verdade e forma o escrevi, em o mês de Março, cinco de 1758.

O Reitor Luís Fernandes da Serra
O Pároco de Vilarandelo Manuel de Sequeira Rebelo
O Reitor Manuel Teixeira Pires 

201.º Aniversário da Batalha do Buçaco



"A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia antiga), foi uma batalha travada durante a Terceira Invasão Francesa, no decorrer da Guerra Peninsular, na Serra do Buçaco, a 27 de Setembro de 1810. De um lado, em atitude defensiva, encontravam-se as forças anglo-lusas sob o comando do Tenente-general Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington. Do outro lado, em atitude ofensiva, as forças francesas lideradas pelo Marechal André Massena. No fim da batalha, a vitória mostrava-se nitidamente do lado anglo-luso."
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Bu%C3%A7aco
Para mais informações sobre a batalha do Buçaco, segundo a mesma fonte,
 clique AQUI.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

216.º Aniversário do nascimento do Marquês de Sá da Bandeira


Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Marquês de Sá da Bandeira deve ser entendido pelos valpacenses como uma figura histórica nacional de relevância local/regional. No dia 16 de Novembro de 2011 comemoram-se os 165 anos da batalha de Valpaços que é também recordada como o combate ou a “Acção Valpaços”, que lançou a Vila nos pergaminhos da História Nacional, onde este bravo general das guerras liberais, então com o título de visconde de Sá da Bandeira, se afigurou, apesar da derrota ou dos resultados imprecisos do confronto de acordo com a interpretação de alguns autores, como um dos mais destacados protagonistas. Comemoram-se hoje os 216 anos do seu nascimento.

Para aceder a um resumo biográfico desta figura histórica, click AQUI.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – LEBUÇÃO

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 20, LEBUÇÃO, Monforte de Rio Livre
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 20, n.º 71, p. 527 a 540]


Resposta
De um papel que me foi enviado da parte do muito Reverendo Doutor Arcipreste e Abade de Monforte, o qual eu recebi da mão do Padre José Caetano Álvares Parada, Cura coadjutor do Reverendo Reitor de Castanheira e o mesmo papel contém sessenta interrogatórios divididos em três capítulos, no primeiro dos quais se acham vinte e sete, no segundo treze e no terceiro vinte, os quais se acharão aqui fielmente trasladados com suas respostas deles congruentes.
Este lugar, donde vai este papel, que se chama Lebução, fica na Província de Trás-os-Montes, Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Torre de Moncorvo, termo de Monforte de Rio Livre, freguesia de São Nicolau.
O senhor deste lugar, e dos mais deste distrito, é o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conde de Valadares e quais sejam estes no tempo presente não se sabe responder. O Comendador é o Excelentíssimo conde de Valadares e o Donatário é o Ilustríssimo conde de Atouguia.
Este lugar tem oitenta e quatro vizinhos e o número de trezentas pessoas e tem mais três anexas que, com as pessoas deste lugar, constituem uma mesma freguesia: digo que se chama uma delas Pedome, que se compõe de dezasseis [fogos] e cinquenta e uma pessoas; outra se chama Moreiras, na qual se contam oito moradores e trinta e três pessoas; e mais outra anexa chamada Ferreiros, dividida em dois distritos que os distinguem com os nomes de Ferreiros de Baixo e Ferreiros de Cima, e é este composto de dezoito vizinhos e cinquenta e três pessoas e, aquele, de cinco moradores e dezoito pessoas, o que, tudo junto, faz o número de cento e trinta e um fogos contra cento e cinquenta e cinco pessoas.
Este lugar de Lebução está situado num baixo que é próximo de um vale, pois está numa situação em que tem muitos altos e baixos, estando as moradas que ficam na parte do Sul firmadas em terra sólida e áspera e as que ficam para parte do Norte estão fundamentadas em pedra firme. E dele não se descobrem outras povoações mais do que um lugar chamado Parada que é anexa do sítio da Castanheira, que lhe fica da parte de Nascente e também os dois lugarzinhos de Ferreiros que compõem o mesmo corpo com esta freguesia e ficam da mesma parte do Oriente e se descobrem do mesmo sítio donde se vê Parada. De algumas partes deste lugar se registam também as igrejas de São Sebastião e São João Baptista que são do lugar de Cima de Vila de Castanheira, e de Nossa Senhora da Expectação, chamada nesta terra da Orada, que é de Sanfins da Castanheira, as quais se vêem todas elas para a parte do Norte, vendo-as deste sítio que delas fica distanciado três quartos de légua; e é igual a distância entre Lebução e Parada.
Tem termo seu e compreende quatro lugares, sendo o principal deles Lebução, aonde está a matriz, na qual assistem à missa os moradores de Pedome, Moreiras e Ferreiros, cujos vizinhos e pessoas já foram numerados. O termo deste lugar e suas anexas terá uma légua e meia certa, dividindo-as pela parte do Poente um ribeiro que nasce no lugar de Dadim e morre noutra aldeia chamada o Pereiro, cujas águas se juntam num sítio chamado Valados, o qual aparta este termo do de Tronco pela parte do Poente, como já disse. E a parte do Sul termina num alto que encobre a vista neste lugar, impedindo-lhe de ver onde e o que fica para semelhante parte, no qual alto pega com o termo de Fiães que dista deste um quarto de légua. E da parte de Nascente pega com o termo de Vilartão no mesmo alto atrás mencionado de Sul. De Oriente se divide e separa num regato que desce do mesmo alto e passa por este lugar de Lebução, ficando da parte de Sul, a respeito de tal regato. E mais, da parte Norte, respectiva ao dito regato, margina o dito termo com o de Sanfins, Mosteiro e Cima de Vila da Castanheira, uma parte de cujos termos e também do de Santa Comba se avistam deste lugar.
A Paróquia está fora do lugar para a parte de Poente, afastada das primeiras casas a um tiro de espingarda e os lugares ou aldeias que contém já foram declarados.
O orago é São Nicolau, cuja festa se celebra aos seis de Dezembro e tem quatro altares, o maior do mesmo São Nicolau no qual está uma tribuna e um retábulo muito bem dourado e além da imagem do dito santo, que está da parte do Evangelho, se acha outra de São Pedro à parte da Epístola e tem mais três altares colaterais, sendo um deles de Santo António, que fica do lado da Epístola, e no mesmo altar está também a imagem de São Sebastião, e do outro lado, arrimado ao mesmo arco da capela-mor em correspondência do de Santo António, fica o de Nossa Senhora do Rosário e para a mesma parte fica também o do Santo Nome de Jesus metido numa capela sua muito dourada dentro de um arco que firma com superfície interior da mesma igreja. Neste altar está uma venerável imagem de um crucifixo coberta com sua cortina. Nesta mesma capela e altar está erigida uma Confraria chamada das Almas que terá o número de quatrocentos e cinquenta Irmãos que paga cada um deles, para ela, meio alqueire de centeio todos os anos e tem cinco Jubileus e dois Aniversários. E todas estas referidas imagens são de vulto e não há de manto. Não tem naves a dita igreja. Só tem duas sacristias, uma aonde se guarda os ornatos, mais para o canto da dita igreja, a qual abre a sua porta para a capela-mor que fica da parte do Evangelho, e dentro dela está outra cuja porta abre para o corpo da igreja e serve para nela se arrecadarem alguns trastes que são desta mesma igreja e também para servir para o roupeiro que nela está.
O pároco é cura que terá de renda cinquenta até sessenta mil réis, o qual é apresentado pelo Reverendo Reitor de São João Baptista de Castanheira que leva cento e cinquenta mil réis de renda e meados conforme, o qual Benefício é da igreja do Padroado Real.
Tem três ermidas, cada uma pertencente à sua povoação: A de Santa Marinha que fica em um altinho e pertence ao lugar de Ferreiros, da qual fica a povoação a quatro tiros de espingarda; na de Moreira se acha outra fundada como sendo do Anjo da Guarda, que está vizinha às casas, porém fora de portada; Em Pedome se acha outra com a invocação de São Marcos, a qual está dentro da povoação e todas estas têm imagens de vulto, cada uma delas a sua, debaixo de cujas rendas foram erigidas, sendo estas muito pobres. A todas se lhe faz somente uma missa cantada com quatro clérigos no dia em que se celebra o santo de cada uma delas. A nenhuma delas acodem romagens.
Os frutos que esta terra produz mais copiosamente são centeio, castanha e vinho, ainda que de todas mais dê, mas com menos fertilidade.
Tem juiz ordinário que com o procurador, vereadores e almoxarife fazem corpo de câmara que é independente de outro governo no que respeita aos seus acórdãos  e determinações, suposto se indica do seu governo e corregedor da Torre de Moncorvo que é cabeça de comarca. E também dele se apelam os demais para a Ouvidoria de Vinhais que também é pertencente às terras do Ilustríssimo e Excelentíssimo conde de Atouguia e ele é que prove os que servem de ouvidores da dita Vila de Vinhais.
Não tem correio e serve-se esta terra do correio de Chaves, aonde chega na quarta feira por todo o dia e dali parte ao Domingo de tarde e dista esta terra de Chaves, aonde ele chega, três léguas.
Da capital de Bispado, que é Miranda do Douro, dista dezoito léguas e da capital Lisboa setenta.
Na Vila de Monforte, de cujo domínio é este lugar, se acha um castelo dentro dos muros de sua jurisdição que está presidiado com um Governador e alguns soldados pagos por Sua Majestade, que Deus guarde. O estado com que se acha ao presente o castelo, como as muralhas, dirá o Reverendo Abade de Monforte que tem sua morada contígua aos ditos muros.
O terramoto [de 1755] posto que causou revolta e grande susto a todos os viventes, nenhum deles experimentou a sua ruína nem caiu edifício algum.
E não há [mais] coisa digna de memória que seja de descrever-se neste papel. […]
Por não haver serra, não tenho que dizer.
Pela parte do Poente e margens das terras de Tronco corre um regato que neste lugar se lhe pode chamar rio, o qual nasce num sítio chamado Pereiro que é termo de Cima de Vila de Castanheira e este se junta com as águas do lugar de Dadim aonde chamam Valados, as quais juntas e incorporadas umas nas outras fenecem o regatinho que por diminuição não tem nome distinto e vai formando um ribeiro com elas que se chama ribeiro da Pulga no qual há infinitos moinhos. E tem o tal regato uma légua de comprimento, de onde nasce, que é na parte do Norte, até quando chega ao lugar de Pedome, anexa desta freguesia e ali tem uma ponte de pedra e de pau, onde se passa para o lugar de Tronco.
E logo mais abaixo tem outra ponte que é somente de pedra e que fica na estrada Real que vai de Chaves para Bragança. Este ribeiro vai dilatando seu curso, que é presente em todo o ano, por uma veiga abaixo que é termo de Nozelos e Tinhela a cujos lugares corre vizinho. Porém, ao de Tinhela se avizinha mais aonde tem uma ponte melhor do que as outras de que acima falámos, pela qual entram e saem os que vão e vêm da parte do Sul para cujo lado fica a dita ponte a respeito do tal lugar. E da parte do Sul tem princípio outro regato, porém muito menos caudaloso do que este outro de que até agora temos tratado, o qual nasce no mesmo termo de Lebução num sítio chamado Vale de [?] e se vai formando de alguns regatinhos que ficam da mesma parte do Sul de cujo alto descem as águas ao lugar de Lebução e delas se forma o dito ribeiro com que se regam os prados deste lugar, abaixo do qual, a meio quarto de légua, se lhe junta outro ribeiro que nasce em Moreiras aonde chamam de Telhas, termo do mesmo lugar, que da parte de Poente vem correndo ao Sul, à distância de um quarto de légua, aonde, junto com o que vai de Lebução, vão correndo na direcção de Poente a Nascente. E do sítio em que se juntam no dito lugar, que se chama do Amieiral, sempre tem água ainda que nos meses de Março, Agosto e Setembro poucas vezes se veja correr, e vai desaguar perto das margens do dito termo, que será meia légua de distância, noutro ribeiro maior que tem seu princípio na fonte do Ribeiral que fica perto da ponte de pedra no termo do lugar de Cima de Vila, para a parte do Norte, de onde vai correndo e recebendo algumas águas de outras fontes e regatos até ao sítio chamado Entre-Moinhos aonde se junta com o mencionado ribeiro de Lebução que terá de medida três quartos de légua quando com ele se incorpora.
E aí perde o de Lebução o seu nome, chamando-se dali para baixo ribeiro de Paradas por respeito a este lugar que lhe fica do lado de cima, à parte do Norte, e assim vai correndo à distância de uma légua por terra mais dura e a ribeira fica com seu curso mais arrebatado e vai morrer num rio chamado Mouce que termina e divide o concelho de Lomba do de Monforte.
Tomando o nome de serra por todo este País, as plantas de que é [a freguesia de Lebução] mais abundante, sendo frutíferas, são castanheiros, macieiras, pereiras, cerejeiras, pessegueiros, figueiras e vinhas; e, sendo silvestres, são carvalhos, amieiros, salgueiros e giestas. Também cria algumas ervas medicinais, como são a salva, o alecrim, a arruda, a lorna, a cidreira e outras muitas cujos nomes ignoro.
No termo desta freguesia se cultiva alguns pedaços do campo que se recorre para através de alguns deles, de que é bastante agreste e estéril, assim os fazer que produzam com maior fertilidade de centeio, castanha e vinho.
É bem temperado este território e ordinariamente sadio em seu clima. E tem abundância de águas com que refrescar nos meses de Verão. Nela [serra/nele território] se criam alguns gados graúdos como bezerros e alguns miúdos como ovelhas e cabras, ainda que estes sejam pequenos e ruins. Criam-se também muitos porcos cujas carnes são de admirável gosto por serem cebados com castanha. Criam-se também muitas galinhas e capões e alguns perus e patos. Há também nela perdizes, coelhos lebres, lobos e raposas.
Como depois de ler primeiramente este papel que da parte do Reverendo Doutor Arcipreste me foi remetido e não achar nela muito por mim a saber outra coisa alguma digna de memória que nele não viesse advertida, conclui a resposta como seguro disso, a qual compreende tudo o que achei neste termo de que pudesse falar.
E para fé desta verdade me assino, em Lebução, catorze de Abril de mil e setecentos e cinquenta e oito anos.

O Padre António Fernandes d’Além
Cura de Lebução
[não assinaram testemunhas]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Desconhecido membro da família real portuguesa em Moçambique

Chama-se Alberto Sousa Araújo, vive nos arredores da cidade da Beira, em Moçambique, e alega ser neto do rei D. Carlos. Um vídeo gentilmente compartilhado por Carlos Vicente.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

174.º Aniversário do nascimento de D. Pedro V, rei de Portugal

Por Leonel Salvado


D. Pedro V, aliás Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Saxe Coburgo e Bragança, nasceu a em 16 de Setembro de 1837 no Palácio das Necessidades em Lisboa, primogénito da rainha D. Maria II e do príncipe consorte, depois rei de Portugal, D. Fernando II. Foi o 32.º monarca de Portugal.
Ascendendo ao trono em 1853 e aclamado cerda de dois meses depois, quando completou os 18 anos de idade, deu provas claras da sua exemplar vocação governativa, recebendo o cognome de O Esperançoso – outros o cognominaram de O Bem-amado ou de O Muito Amado, em conformidade e homenagem a uma das suas mais admiráveis acções enquanto soberano que foi o de ter conseguido reconciliar o povo com a Casa Real ao lograr livrar o país do ambiente de tensão e de guerra civil que marcara o reinado de sua mãe.
Foi homem de refinada formação moral e intelectual, encontrando em Alexandre Herculano – seu educador – a melhor fonte de inspiração nessa formação. Empenhou-se na modernização e no desenvolvimento cultural do Reino, promovendo, por exemplo, a introdução do telégrafo eléctrico, inaugurando o primeiro troço dos caminhos-de-ferro (entre Lisboa e o Carregado) e criando um Curso Superior de Letras, em 1859 - entendido como o embrião da actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - a qual subsidiou a expensas próprias.
Mais se conta das suas virtudes que teria sido um monarca sensível aos valores humanitários ao posicionar-se, pessoalmente, como um dos adeptos europeus da abolição da escravatura, (o que terá provocado alguns embaraços nas relações diplomáticas entre Portugal e a França) e ao visitar hospitais e não se coibindo, neles, de se colocar à cabeceira dos doentes vitimados pelas temíveis epidemias de cólera e febre-amarela que então grassavam no Reino. Foi aliás na área da saúde pública que a benignidade deste monarca inspirou nos povos um sentimento de amor e veneração por ele, que há muito não se via em Portugal. A ele e à princesa Dona Estefânia, sua mulher, se deve a fundação do hospital que ainda ostenta o nome desta, entre outros hospitais públicos e instituições de caridade.
Ironicamente, D. Pedro V viria a falecer no mesmo palácio onde nascera apenas 24 anos antes, supostamente por ter contraído febre tifóide, explicação que, contudo, não impediu a que o povo se amotinasse por suspeitar que o seu Bem-Amado rei havia sido envenenado. Está sepultado no Panteão dos Braganças no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Posto que D. Pedro V, prematuramente falecido, não deixara filhos, sucedeu-lhe no trono o seu irmão, Infante D. Luís.

A data de nascimento de D. Pedro V deve ser entendido, em Valpaços, como uma data comemorativa de relevância local, pois foi da natural disposição deste rei, de triste fado, para ouvir e acudir às necessidades dos povos que resultou a tão esperada atribuição da categoria de Vila à localidade já então sede do Município, desde 1836. Efectivamente, em resposta aos insistentes apelos dirigidos nas Cortes pela elevação de Valpaços a Vila da parte do deputado pelo círculo deste concelho, o ilustre valpacense Júlio do Carvalhal, esse acto é finalmente referendado pelo Marquês de Loulé, a 27 de Março de 1861, e confirmado por Carta Régia assinado por D. Pedro V a 4 de Abril do mesmo ano.

Para conhecer o teor do referido documento que transcrevemos da Monografia de Valpaços de A. Veloso Martins, click AQUI.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

161.º Aniversário do nascimento de Guerra Junqueiro


Nascido em Ligares, povoação do concelho de Freixo de Espada à Cinta, a 15 de Setembro de 1850, segundo alguns autores, ou a 17 do mesmo mês e ano, segundo outros, Guerra Junqueiro não carece de grandes apresentações para a maioria dos portugueses e, sobretudo, dos transmontanos. Nascido no seio de uma família transmontana de camponeses abastados, perdeu a mãe quando contava apenas três anos, fez os estudos preparatórios em Bragança e com apenas dezasseis anos de idade matriculou-se no Curso de Teologia na Universidade de Coimbra, transferindo-se pouco depois, na mesma instituição, para o curso de Direito que terminou em 1873, aos vinte e três anos. Se é certo que despertou muito cedo para a literatura, escrevendo em 1864, a sua primeira obra conhecida, “Duas páginas dos quatorze anos”, é também reconhecida pela a sua precoce entrada e escalada na vida política e administrativa, sendo, assim, recordado suas notáveis qualidades de escritor, poeta e jornalista bem como de alto funcionário administrativo, político e deputado. Nesta data comemorativa do seu nascimento seleccionámos uma breve resenha biográfica a seu respeito, que passamos a transcrever.

Nome: Abílio Manuel Guerra Junqueiro
Nascimento: 15-9-1850, Freixo de Espada à Cinta
Morte: 7-7-1923, Lisboa

Poeta e político português, nascido em 1850, em Freixo de Espada à Cinta (Trás-os-Montes), e falecido em 1923, em Lisboa, Guerra Junqueiro é entre nós o mais vivo representante de um romantismo social panfletário, influenciado por Vítor Hugo e Voltaire. Oriundo de uma família de lavradores abastados, tradicionalista e clerical, é destinado à vida eclesiástica, chegando a frequentar o curso de Teologia entre 1866 e 1868. Licenciou-se em Direito em Coimbra, em 1873, durante um período que coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã. Nessa cidade convive de perto com o poeta João Penha, em cuja revista literária,  A Folha, faz a sua estreia literária. Durante a sua vida, combina as carreiras administrativa (exercendo a função de secretário dos governos civis de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo) e política (sendo eleito por mais de uma vez deputado pelo partido progressista) com a lavoura nas suas terras de Barca de Alva, no Douro. Nos anos oitenta, participa nas reuniões dos Vencidos da Vida, juntamente com Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e António Cândido, entre outros. Reage ao Ultimato inglês de 1890, com o livro de poesias Finis Patriae, altura em que se afasta ideologicamente de Oliveira Martins, confiando na República como solução para os males da sociedade portuguesa. Entre 1911 e 1914, assume o cargo de Ministro de Portugal na Suíça. Na fase final da sua vida, retira-se para a sua propriedade no Douro, assinalando-se então uma viragem na sua orientação poética, que se volta para a terra e para "os simples", como atestam as suas últimas obras:  Pátria  (1896), ainda satírica, mas já de inspiração saudosista e panteísta;  Os Simples  (1892) - um hino de louvor à terra, de uma poesia que evoca a sua infância, impregnada de saudosismo, de recordações calmas e consoladoras e onde se sente uma grande ternura pela correspondente paisagem social; Oração ao Pão (1903) e Oração à Luz (1904), estas enveredando por trilhos metafísicos.
O anticlericalismo, que em vida lhe granjeou o escândalo e a fama, o estilo arrebatado, vibrante, apoiado na formulação épica do verso alexandrino de influência huguana, contribuíram para a apreciação do crítico Moniz Barreto:
"Quando se procura a fórmula do espírito de Guerra Junqueiro acha-se que ele é muito mais orador que poeta e que tem muito mais eloquência que imaginação." Poeta panfletário, confidencial, satírico e também religioso, o seu valor foi contestado na década de 20. No entanto, os seus defensores nunca deixaram de acreditar na sua genialidade como satírico e como lírico.

Bibliografia: Duas Páginas dos Catorze Anos, 1864 (poesias); Mysticae Nuptiae, 1866 (poesias); A Vitória da França, 1870 (poema); A Espanha Livre, 1873 (poema); A Morte de D. João, 1874 (poema); Contos para a Infância, 1877 (contos); A Musa em Férias, 1879 (poesias); A Velhice do Padre Eterno, 1885 (poesias); Finis Patriae, 1890 (poesias); Marcha do Ódio, 1890 (poesias); Os Simples, 1892 (poesias); Pátria, 1896 (poesias); Oração ao Pão, 1903 (poema); Oração à Luz, 1904 (poema); Prosas Dispersas, 1921 (prosas); Horas de Combate, 1924 (prosas, edição póstuma)

In Infopédia,Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-09-15].
Disponível na www: