quinta-feira, 3 de novembro de 2011

DOCUMENTOS: Tribunal do Santo Ofício – ÁGUA REVÉS

Por Leonel Salvado



1. DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO DE MARTINHO DE MAGALHÃES COUTINHO
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-CG/A/008-002/4793
DATAS DE PRODUÇÃO: 1713  a 1713
ÂMBITO E CONTEÚDO
Pretendente a familiar, natural de Santa Maria de Emeres, morador em Cachoeira, Baía (Brasil), filho de Salvador Lopes, natural da mesma freguesia e de Antónia Magalhães, natural de Água River ou Reves; neto paterno de Francisco Fernandes Cavaco, natural de Arnóia, e de Domingas de Mesquita, natural de Trancoso; neto materno de Fernão Cardoso, natural do lugar do Cadouço, freguesia de S. Pedro; e de Maria de Andrade, natural de Água Reves.
COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas, doc. 4793
Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

2. DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO DE ANTÓNIO JOSÉ DA ROSA
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-CG/A/008-002/506
DATAS DE PRODUÇÃO: 1727  a 1730
ÂMBITO E CONTEÚDO
Pretendente a familiar, natural de Água Revés, comarca de Chaves, morador em Lisboa, filho de Jerónimo da Rosa e de Francisca Baptista de Araújo; neto paterno de Francisco Martins e de Damiana Gaspar; e materno de Isabel de Araújo Tenebres. O habilitando era parente de Manuel Mosqueira da Rosa, Manuel Pereira de Berredo e José Leite, familiares do Santo Ofício, e do desembargador António de Almeida Rosa. Inclui documentos relativos a seus tios António Gomes da Rosa e Manuel Correia da Rosa (1664-1690) para confirmação de genealogia.
COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas, doc. 506
Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

3. PROCESSO DE MARIA SOARES
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/01434
DATAS DE PRODUÇÃO: 1688-06-11  a 1689-08-22
ÂMBITO E CONTEÚDO
Estatuto Social: 1/4 de Cristã-Nova
Crime/Acusação: Judaísmo; Heresia; Apostasia
Naturalidade: Vimioso
Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Miranda
Morada: Água Revés
Situação Geográfica (Morada): Bispado de Miranda
Estado Civil: Viúva
Nome do Cônjuge: João de Barros, Contador e Inquiridor
Outros Dados: R.C.; PROCESSO INCOMPLETO, NÃO TEM O AUTO DE ENTREGA, A GENEALOGIA E A DATA DA PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA E DO AUTO-DE-FÉ; 1ª DATA (REQUERIMENTO DO PROMOTOR): 1688-06-11; FORAM PASSADOS À RÉ TERMOS DE SOLTURA E SEGREDO EM 1689-08-22 E DE IDA E PENITÊNCIA EM 1689-09-[06].
COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 1434
Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

4. PROCESSO DE BRITES DE SEIXAS
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/01439
DATAS DE PRODUÇÃO: 1673-06-20  a 1676-09-17
ÂMBITO E CONTEÚDO
Outros Nomes: Beatriz de Seixas
Crime/Acusação: Feitiçaria; Blasfémia
Naturalidade: Água Revês
Situação Geográfica (Naturalidade): Chaves - Bispado de Miranda
Morada: Água Revês
Situação Geográfica (Morada): Chaves - Bispado de Miranda
Outros Dados: R.C.; PROCESSO INCOMPLETO, CONSTA APENAS DA DENÚNCIA (1673-06-20) E DO SUMÁRIO DE TESTEMUNHAS CONTRA A RÉ (1676-09-17); NA CAPA, HÁ A SEGUINTE INFORMAÇÃO: "CONTADO NO AUTO DE 1682".
COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 1439
Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

5. PROCESSO DE MIGUEL SOARES
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/06036
DATAS DE PRODUÇÃO: 1687-10-17  a 1688-03-14
ÂMBITO E CONTEÚDO
Estatuto Social: 1/4 de Cristão-Novo
Crime/Acusação: Judaísmo; Heresia e apostasia
Estatuto Profissional: Mercador
Naturalidade: Vimioso
Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Miranda
Morada: Água Revés
Situação Geográfica (Morada): Arcebispado de Braga
Pai: Manuel Soares; Mercador
Mãe: Inês Lopes
Estado Civil: Casado
Nome do Cônjuge: Maria Vaz de Oliveira (1º), Isabel Machado (2º)
Data da Prisão: 17/10/1687
Data da Sentença: 14/03/1688
Data do Auto de Fé: 14/03/1688
Outros Dados: R.C; FOI AO AUTO DE FÉ EM LISBOA, ONDE FOI PRESO EM 12-03-1688; TERMO DE SOLTURA E SEGREDO EM 15-03-1688; TERMO DE IDA E PENITÊNCIA EM 10-04-1688.
COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 6036
Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

6. PROCESSO DE FILIPA LOPES
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/06137
DATAS DE PRODUÇÃO: 1707-01-11  a 1709-06-30

ÂMBITO E CONTEÚDO
Estatuto Social: Cristã-Velha
Crime/Acusação: Feitiçaria; Superstição; Pacto com o demónio; Fingir revelações
Naturalidade: Água Revés
Situação Geográfica (Naturalidade): [Arcebispado de Braga]
Morada: Monsalvarga
Situação Geográfica (Morada): Chaves; Arcebispado de Braga
Pai: Francisco Lopes; Lavrador
Mãe: Maria Cardoso
Estado Civil: Casada
Nome do Cônjuge: Manuel Lopes; Lavrador
Data da Prisão: 11/01/1707
Data da Sentença: 30/06/1709
Data do Auto de Fé: 30/06/1709
Outros Dados: M.C; TERMO DE SOLTURA E SEGREDO EM 01-07-1709; TERMO E IDA E PENITÊNCIA EM 20-07-1709.
COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 6137

Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DOCUMENTOS: Tribunal do Santo Ofício – Valpaços

Por Leonel Salvado




1.DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO DE ANTÓNIO TEIXEIRA

CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-CG/A/008-002/813
DATAS DE PRODUÇÃO: 1744 a 1770

ÂMBITO E CONTEÚDO
Pretendente a familiar, natural e morador da freguesia de Santa Maria de Valpaços, termo de Chaves, filho de João Teixeira e de Maria Fernandes; neto paterno de Francisco Gonçalves, o “Barqueiro”, e de Maria Gonçalves, naturais de Vilarandelo, e neto materno de Framcisco Vaz e de Francisca Fernandes, moradores em Valpaços.

[Decisão:] Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas.


2.PROCESSO DE MANUEL DA COSTA FERNANDES

CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/00059
Datas de reprodução: 1743-01-23 a 1752-06-16

ÂMBITO E CONTEÚDO
Estatuto social: cristão-velho
Idade: 26 anos
Crime/Acusação: bigamia
Cargos, funções, actividades: torneiro
Naturalidade: freguesia de Santa Leocádia de Briteiros, Guimarães, arcebispado de Braga
Morada: freguesia de Santa Maria de Valpaços, Chaves, arcebispado de Braga
Pai: Bento da Costa, carpinteiro
Mãe: Esperança Fernandes
Estado civil: casado
Cônjuge: Margarida Leite Peixoto
Data da prisão: 25/05/1746
Sentença: auto-de-fé de 13/06/1749. Abjuração de leve, açoitado publicamente “citra sanguinis effusionem”, degredo para as galés, por cinco anos, onde serviria ao remo, sem soldo, cárcere ao arbítrio dos inquisidores, instrução de fé, penitências espirituais, pagamento de custas.
O réu casou segunda vez com Maria Fernandes “a Cascalha”.

COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 59


3.PROCESSO DE FRANCISCO FERNANDES

CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/04048
Datas de reprodução: 1655-11-05 a 1656-06-19

ÂMBITO E CONTEÚDO
Estatuto social: Cristão-velho
Crime/Acusação: Perjúrio
Estatuto Profissional: Soldado
Naturalidade: Vale de Casas
Situação Geográfica (Naturalidade): Valpaços – Chaves – [Bispado de Miranda]
Morada: Abrunhada
Situação Geográfica (Morada): Torre de Moncorvo – Arcebispado de Braga
Pai: Domingos Fernandes, sapateiro
Mãe: Maria Afonso
Estado civil: Solteiro
Data da prisão: 5/11/1655
Data da Sentença: 18/06/1656
Data de Auto de Fé: 18/06/1656

Outros dados: R.C.; FOI PASSADO AO RÉU TERMO DE SEGREDO EM 1656-06-19

COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 4048.



4. PROCESSO DE ANTÓNIO FERNANDES

CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/TT/TSO-IC/025/10496
DATAS DESCRITIVAS: 22/01/1744

ÂMBITO E CONTEÚDO
Estatuto Social: [Cristão-Velho]
Crime/Acusação: Proposição herética
Estatuto Profissional: Tendeiro
Naturalidade: Valpaços
Situação Geográfica (Naturalidade): Chaves – [Arcebispado de Braga]

Outros dados: M. C.; FRAGMENTO; Nº PROVISÓRIO: N. MÇ. 29, Nº 17; 1ª DATA: 1744-01-22; PROCESSO TRUNCADO

COTA ACTUAL: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 10496

Fonte: http://digitarq.dgarq.gov.pt

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – TAZÉM

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Tazém é hoje uma povoação anexa à freguesia de Padrela com a designação formal de Padrela e Tazém. Porém as duas localidades foram sempre freguesias autónomas até ao último quartel do século XIX, quando por decreto de 27 de Novembro de 1884, Tazém foi anexada a Padrela. Infelizmente, a cópia do manuscrito relativo à freguesia de Padrela, nesta série documental das Memórias Paroquiais, encontra-se quase totalmente ilegível, pelo que não se torna possível proceder já a sua transcrição. Convém que se diga que Frutuoso e Valizelos que, juntamente com Tazém, constituem a maioria das anexas da freguesia actual, pertenciam à antiga freguesia com este nome e não à de Padrela. Alguns topónimos foram transcritos na forma como se lêem na cópia do manuscrito original.


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 36, TAZEM , Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 36, n.º 30, p. 165 a 174]

Tazem

Eleutério de Albuquerque, vigário da igreja de Nossa Senhora da Assunção de Tazem, da Sagrada Religião de Malta, faço certo que, em observância de uma ordem do Excelentíssimo Senhor Dom Frei Aleixo de Miranda Henriques, Bispo eleito de Miranda, vigário capitular e Governador do Arcebispado Primaz, escrita e mandada à minha freguesia sobredita, digo igreja, por mandado do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral da Vila de Chaves, me informei e do que achei e sei, nos interrogatórios junto à mesma, é o seguinte.

Esta terra chama-se o Lugar de Tazem. Está na Província de Trás-os-Montes, no Arcebispado de Braga, Comarca de Chaves, e termo da mesma, e é freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Tazém da Sagrada Religião de Malta.
Desta terra é Senhor dos dízimos, foros e pensões o Comendador da Comenda de São João da Corveira que se chama Frei Paulo Guedes Pereira Pinto.
Esta terra tem só vinte e sete vizinhos e cento e catorze pessoas, entre menores e ausentes. Em toda a freguesia tem sessenta e quatro vizinhos e duzentas e cinquenta e oito pessoas, entre ausentes, menores e os que nela existem.
Está situada em as raízes de uma serra, em um baixo desta. Só para a parte do Nascente se descobrem algumas terras como Mirandella, São Pedro de Veiga de Lila, a serra aonde está a ermida de Santa Comba e vários lugares que lhes não sei os nomes. E também se descobre a serra de Monte Mel.
Esta terra tem uma légua de termo, tudo quase serra.
Tem a paróquia fora do lugar, afastada sessenta passos parum minusque.
Tem esta freguesia o lugar de Vallizelos e o lugar de Fructuoso e o lugar de Tazem, aonde está a paróquia e também no lugar de Padrella tem alguns fregueses.
É orago desta freguesia Nossa Senhora da Assunção. Tem três altares, um o altar maior e neste está Nossa Senhora da Assunção; e nos dois colaterais, no que está da parte do Nascente está a imagem do Santo Cristo e no que está da parte do Poente está o Mártir São Sebastião. Não tem naves nem Irmandades.
O pároco desta paroquial igreja é vigário, apresenta-o o Comendador da Comenda de São João da Corveira, da Sagrada Religião de Malta, e o que é de presente chama-se Frei Paulo Guedes Pereira Pinto. Tem de renda ad plurimam sessenta mil réis.
Não tem Beneficiados.
Não tem convento algum.
Esta terra e freguesia não tem Hospital.
Tem esta freguesia três capelas: Uma de Tazem que é de Santa Bárbara; está no lugar de Fructuoso uma de São Fructuoso; está no lugar de Vallizelos uma de Santo António. Esta está fora do lugar e as outras dentro dos mesmos lugares, onde cada um destes são obrigados da fábrica delas. Todas estas capelas são da mesma freguesia.
Às ditas capelas não acode romagem, excepto nos dias dos Santos das mesmas algumas pessoas, por acaso.
Os frutos que os moradores desta terra costumam recolher em maior abundância são trigo, centeio, vinho, castanha e também algum milho e feijão.
É esta terra sujeita, no que respeita ao secular, ao juiz de fora e à câmara da Vila de Chaves.
Esta terra não é couto e, para executar a sua parte religiosa, nela governa o Vigário Geral da Sagrada Religião de Malta em várias coisas.
Nesta terra e freguesia não há feira.
Não há nesta terra correio e se serve com o correio de Chaves, que dista daqui três léguas grandes, e também se serve com o correio de Villa Pouca de Aguiar que dista daqui três léguas.
Desta terra dista Braga dezasseis léguas e Lisboa sessenta.
Tem esta terra e freguesia alguns privilégios que os Sumos Pontífices concederam à Sagrada Religião de Malta e os Senhores Reis de Portugal.
Esta terra não é porto de mar.
Pela misericórdia de Deus não padeceu esta terra ruína alguma com o terramoto de mil e setecentos e cinquenta e cinco.

Esta serra chama-se a serra da Burralheira. Tem três léguas de comprimento e terá duas e meia de largo, pouco mais ou menos. Começa no termo de Villa Pouca de Aguiar e acaba no termo de Padrella. Os braços dela são a serra de Villa Pouca.
Nesta serra nasce um rio que se vai meter no rio Tua, por baixo de Murça, e outro que principia no lugar de Alagoa que se chama rio Tinhela, por correr ao pé do mesmo povo, e, daí, vai ser o rio que passa ao pé de Murça.
Os povos e lugares que estão nesta serra são os seguintes: Fructuoso, Alagoa, Balugas, Tinhela de Baixo e de Cima, Cabanas, Guilhado, Valongo, Villa Pouca, Bornes, Heiriz, Barbadamis, Valloura, Graçonis e Sevivas.
Nesta serra não há minas de metais; há alguma pedra boa para cantaria ao pé do lugar que se chama Alagoa.
Nesta serra, em alguns baixos se cultiva centeio, trigo e castanha. As plantas, tirando alguns castanheiros e algumas fruteiras que estão ao pé dos povos, as mais tudo são silvestres que só servem para se queimar no lume, e declaro que também se cultiva algum milho.
A qualidade desta serra é ser muito fria porque no tempo de Inverno dura muito nela a neve.
Os habitantes que a habitam costumam criar nela muito gado cabrum, alguns bezerros e vitelos e também algumas ovelhas; também nela se tem visto alguns porcos monteses e cria muitos coelhos, perdizes e lebres.

O rio que passa ao pé desta terra não tem nome, só o toma dos lugares por onde passa em vários termos. Nesta terra se chama rio de Tazem e o sítio aonde nasce é o Viduedo, na serra dita. Porém, no Verão seca neste sítio. Este rio do sítio de Viduedo só corre de Inverno e no Verão corre de um sítio mais abaixo chamado os Loivos, no limite de Tazem, e, daqui, corre sempre sem secar.
Neste rio dentro do limite desta freguesia não se mete rio algum, mas ele mistura-se com o rio de Carrazedo no sítio da Ribeira da Fraga.
Não é rio de navegação.
Este rio, passando os outros às vezes, em tempo de Inverno, é de arrebatado curso.
Corre de Poente para o Nascente.
No limite desta freguesia até quase ao limite de Curros costuma criar trutas e, daí para baixo, trutas, bogas e tritões. Neste rio se costuma pescar de Verão. As pescarias são comuns.
As margens deste rio, nalgumas partes, se cultivam de arvoredo. Tirando alguns castanheiros, as mais árvores são silvestres.
Este rio não tem nome certo e só toma os dos lugares por onde passa. Vai-se meter no rio de Carrazedo, no sítio da Ribeira da Fraga, e, daí, mete-se por baixo de Murça no rio Tua, para melhor dizer, Foz Tua.
Tem alguns açudes e partes por onde se não pode navegar nem andar. Tem no limite desta freguesia duas pontes de pau, uma no sítio de Tazem, outra no sítio de Vallizelos. Em Curros tem uma ponte de pau, na Ribeira da Fraga outra, em Penaveice outra, e em Murça tem uma ponte de pedra boa e bem feita.
Este rio tem no limite desta freguesia alguns moinhos e pisões e fora também os tem. Este povo não paga pensão por usar da água deste rio para regar prédios.
Este rio terá, pouco mais ou menos, conforme as voltas que dá até se meter no rio Tua, oito a nove léguas. Passa ao pé de Tazem, de Vallizelos, da Ribeira da Fraga, de Curros, de Penaveice, de Mascanho e de Murça.

Passo na verdade o referido Ali opus est iuro in verbo Sacerdotis, hoje, Tazem, 19 de Março de 1758, declaro que vai assinado pelo Reverendo Vigário de São Pedro de Padrella e pelo Reverendo Reitor João de Almeida, Reitor de São João da Corveira, párocos mais vizinhos e também por estar mais sujeita.

O vigário, Eleutério de Albuquerque

O vigário de São Pedro de Padrella, Francisco Fernandes de Carvalho
O Reitor de São João de Corveira, Padre João de Almeida Sousa e Sá 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Datas comemorativas de hoje

Comemoram-se hoje os aniversários dos nascimentos de dois dos nossos monarcas e os 671 anos da admirável Batalha do Salado, à qual a História de Portugal está indissociavelmente ligado. Para rever o que publicámos em 2010 acerca destas datas comemorativas click em cada uma das imagens.
  

sábado, 29 de outubro de 2011

Cândido Sotto Mayor faleceu há 76 anos


É dia de recordar Cândido Sotto Mayor, um ilustre transmontano oriundo da freguesia de Lebução cujo 159.º aniversário do seu nascimento seria de comemorar há três dias e hoje se assinala o 76.º aniversário da sua morte.

Rever a biografia deste membro da nossa
 Galeria de Notáveis
  AQUI.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – SONIM

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Permita-se-me que faça aqui referência a uma curiosa ilação histórica que retiro desta memória paroquial de 1758 a respeito da freguesia de Sonim: A singular capela do Senhor do Bonfim bem como a devoção a este santo, que actualmente é uma referência comum e vem sendo festejado anualmente no último Domingo do mês de Julho, não serão tão antigas como talvez se possa pensar. Posto que não haja a mínima alusão a elas da parte do Abade de Sonim, o Padre António de Morais Machado, e sendo que no manuscrito lavrado na data mencionada, o mesmo Abade atesta, com clareza, a existência de duas capelas apenas, a do Santo Cristo e de São Frutuoso cuja Irmandade aqui instituída nessa época seria o principal motivo de atracção e festa religiosa, a capela do Senhor do Bonfim é de construção mais recente e a tradição popular da festa que lhe está associada será também, seguramente.

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 35, SONIM, Monforte de Rio Lima (leia-se SONIM, Monforte de Rio Livre)
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 35, n.º 207, p. 1497 a 1500]

Lembrança do lugar de Sonim feita pelo Padre António de Morais Machado, Abade da mesma freguesia, conforme os interrogatórios que desta se mandou pedir.

É Sonim um lugar de cento e três fogos, de pessoas moradores nele duzentas e setenta e quatro, de confissão e comunhão, e de confissão somente vinte e quatro.
Fica, este, na Província de Trás-os-Montes, no Termo da Vila de Monforte de Rio Livre, Bispado de Miranda e dista da catedral dezasseis léguas. Está em um vale, entre outeiros, que só tem nome entre os seus oradores.
É este lugar da Abadia de São Miguel de Fiães que é a cabeça da mesma Abadia, porém neste lugar residem sempre os Reverendos Abades por terem nele a sua residência, e de que é orago do dito lugar Nossa Senhora da Assunção.
É Abadia do Padroado Real. Tem de renda livre para o Abade, depois de tirada a Patriarcal a pensão antiga que são noventa mil réis, fica livre trezentos e cinquenta mil réis. Apresenta esta Abadia, in solidum, três curas, um em Fiães, outro em Barreiros e outro em Sonim que é coadjutor do mesmo Abade e entra na freguesia de Aguieiras na apresentação do cura alternativo com o Reverendo Abade de Bouçoais.
É a igreja, do dito lugar, comprida, com duas naves com seu frontispício e arrematadas as naves na capela-mor que é quadrada. Tem três altares, o da capela-mor e dois no corpo da igreja, um de Nossa Senhora do Rosário e outro de Santo António. Está esta igreja no meio do lugar e não tem mais coisa que se haja de fazer memória dela.
Estão dentro do mesmo lugar duas capelas, uma do Santo Cristo e outra de São Frutuoso, separada uma da outra em distância de dez passos. Tem esta capela de São Frutuoso uma Irmandade do mesmo Santo de muitos Irmãos que têm estes, na Confraria, muitas indulgências pelas quais concorrem à dita capela muitos Irmãos pelo decurso do ano e, com mais frequência, no dia do mesmo Santo.
Avista-se do mesmo lugar parte da terra de Mirandela e da Torre de Dona Chama, porém não se descobre povoação que se haja de fazer memória dela e declaro que é da Comarca da Torre de Moncorvo o dito lugar.
O fruto que os moradores deste lugar recolhem com mais abundância é centeio, de que a terra é natural; colhe pouco milho e feijões só o que necessitam para suas casas. Recolhem pouco azeite, castanha ordinária, como também vinho ordinário.
Tem este lugar juiz Espadano [Pedâneo] e está subordinado ao juiz ordinário da Vila de Monforte que é a cabeça desta terra.
Serve-se esta terra do correio da vila de Chaves que dista quatro léguas e dista da cidade de Bragança nove léguas, cidade do mesmo Bispado, e da de Lisboa oitenta.

Tem este lugar de Sonim, no fim do seu termo, para a parte do Poente, um rio chamado Rabaçal. Começa este em Galiza e perde o nome por baixo de Frechas, metendo-se no rio Tua, e corre do Norte para o Sul. É rio caudaloso nas tempestades, por acudirem e correrem para ele as águas de muitos montes e algumas ribeiras de pouco nome. Corre todo o ano. Não tem pesqueiras particulares. Criam-se nele bogas, barbos, escalos e trutas, por ser terra fria, e todos têm especial gosto. É rio fragoso, conquanto conserva o nome de Rabaçal, e não se cultivam as suas margens por serem muito fragosas. 
Tem este rio apenas uma ponte de cantaria entre Fornos e Vale de Telhas e tem muitas barcas pelo rio acima, e no mesmo têm os moradores moinhos. Conserva este rio o seu nome Rabaçal dez léguas.

Isto é o que tenho que dizer deste lugar de Sonim por não haver coisa memorável que houvesse de responder aos interrogatórios, nem fora dele. E por me ser mandada fazer esta clareza, a fiz, dia 13 de Abril de 1758.

O Abade, António de Morais Machado

132.º Aniversário no nascimento de Dª Maria do Carmo Carmona

Dona Maria do Carmo Carmona, nasceu no dia 20 de Outubro de 1879 na freguesia de Serapicos, já então integrada no concelho de Valpaços. Tornando-se na primeira-dama por via do seu casamento, em Chaves, com o alferes de Cavalaria, Óscar Fragoso Carmona que viria a ser o mais alto magistrado da Nação, foi uma senhora que guardou sempre no seu coração um sentimento de carinho para com a sua região natural e realizou inúmeras acções de benemerência tanto na capital, que a viu falecer, como na sua província natal. Por esse motivo também o Município de Valpaços, em memória desta grande senhora, baptizou uma das suas avenidas ou rua com o seu nome, da mesma sorte que em Vidago e em Chaves perduram referências toponímicas em sua homenagem.
Para rever uma resenha biográfica que transcrevemos para a nossa "Galeria de Notáveis", AQUI:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – SERAPICOS

Por Leonel Salvado


 Nota prévia: Mais uma vez me vejo na obrigação de advertir os leitores interessados nesta série documental das Memórias paroquiais de 1758 das freguesias que hoje integram o concelho de Valpaços de que a publicação da autoria de José Viriato Capela intitulada “As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758, Memórias, História e Património” tem por base um documento sobre Serapicos que não se trata, na verdade, da actual freguesia de Serapicos de Valpaços, que então se designava por Sarapicos, mas sim da freguesia homónima do distrito de Bragança que era uma abadia do padroado real, como tive o cuidado de verificar e se encontra devidamente identificada na relação deste conjunto de documentos de todo o país que a Torre do Tombo disponibiliza em formato digital. O manuscrito que nos interessa nesta série de Memórias paroquiais de 1758, relativo a Serapicos do concelho de Valpaços, é este que passo a transcrever. Alguns topónimos foram transcritos na forma como se lêem na cópia do manuscrito original.

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo34, SERAPICOS , Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 34, n.º 79, p. 657 a 660]

Sarapicos


Satisfazendo a ordem do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral desta Comarca de Chaves.
O Padre João dos Santos, Pároco nesta freguesia de Santa Ana de Sarapicos, faço certo em que esta freguesia fica sita na Província de Trás-os-Montes, Comarca e Termo de Vila de Chaves, Arcebispado de Braga, Primaz.
Esta terra é do Ducado da Sereníssima Casa de Bragança.
Tem esta freguesia, ao presente, noventa e dois fogos, pessoas de Sacramento duzentas e oitenta e seis, menores vinte e duas e ausentes vinte e oito.
Está situada junto ao cume da montanha, virada para o Nascente, no cimo de um vale. Dela se descobre a Vila de Mirandela, distante quatro léguas e o lugar de São Pedro de Veiga do Lila, distante três léguas, e nenhum outro mais se avista.
Toda esta freguesia está em termo seu sem que seja sujeita a outro Senhorio. Consta de cinco lugares que são Sarapicos, Corveira, São Ciprião, Aveleda e Friande. Sarapicos tem de fogos quarenta e seis, Corveira doze, São Ciprião dezanove, Aveleda nove e Friande seis.
A igreja paroquial está no meio do lugar de Sarapicos. O orago dela é Santa Ana e tem três Altares, o maior de Santa Ana, os colaterais, da parte do Evangelho, de Nossa Senhora do Rosário, e o da parte da Epístola, de São Sebastião. Tem uma só nave e não tem Irmandade alguma.
O pároco desta é vigário ad Nutum, apresentado pelo Reverendo cabido da Sé de Braga e renderá, cada um ano, setenta mil réis.
Não tem beneficiado algum.
Não tem convento algum.
Não tem hospital.
Não há Casa de Misericórdia.
Tem esta freguesia quatro capelas que são, em Corveira de Santa Margarida, em Sarapicos,de São Sebastião, em Aveleda, da Senhora dos Remédios, e em São Ciprião, o mesmo São Ciprião; são as invocações. Todas estas capelas estão dentro dos mesmos lugares referidos e a fabricação delas pertence aos moradores dos mesmos lugares. Não acode a elas, em tempo algum do ano, romagem.
A maior quantidade de frutos que esta terra costuma dar é centeio.
É governada esta terra pelo juiz de fora e Comarca da Vila de Chaves.
Não há memória que desta freguesia  saísse homem insigne em virtudes, Letras ou Armas.
Não tem feira. Somente, em dia de Santa Ana, se juntam alguns tendeiros, padeiros e frutas de que se não pagam coisa alguma.
Serve-se esta freguesia do correio da Vila de Chaves, que parte na Segunda feira e chega na Quarta, que dista desta freguesia duas léguas grandes e, de Chaves a Vila Real, aonde ele chega, nove léguas.
Dista esta da cidade de Braga, capital deste Arcebispado, dezoito léguas e da cidade de Lisboa, capital do Reino, setenta léguas, conforme dizem.
Não tem privilégio algum esta terra.
Não há nesta freguesia, nem perto, fonte de água alguma com especialidade, nem vizinha.
Não há porto de mar nesta freguesia, nem perto dela há castelo ou fortificação alguma.

Capítulo primeiro, digo segundo.
Nesta freguesia não há serra alguma. Tudo é terra cultivada e não tenho mais que dizer destes interrogatórios.

Capítulo terceiro.
Nesta freguesia não há rio nem ponte, nenhum moinho nem pisão, somente duas fontes que tem este lugar de Sarapicos sitas por baixo da igreja em que principia um pequeno regato que corre do Poente ao Nascente e de cujas águas se servem livremente os moradores dela para limar e regar, e, saindo fora dos limites da freguesia, se junta com outro semelhante e passam pelo lugar de Midões e junto ao lugar do Crasto e de Rio Torto e, logo abaixo deste, fenece no rio Tua, que distará desta freguesia três léguas. E ao longo deste regato há alguns amieiros e carvalhos e não há peixe de casta alguma.


E não tenho mais que responda em todos estes interrogatórios, nem há coisa alguma mais digna de memória, e, por tudo ser na verdade, roguei ao Padre Filipe Borges, de Vilarinho do Monte, que esta me escrevesse por me achar com impedimento, e tudo o referido o juro in verbo Sacerdotis.
Sarapicos, dezassete de Março de mil e setecentos e cinquenta e oito anos.

O Pároco João dos Reis

O Vigário de Nuzedo, Padre João Nunes
O Reitor de Nossa Senhora da Assunção de Santa Leocádia, Manuel Álvares.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – SANTIAGO DA RIBEIRA DE ALHARIZ

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Alguns topónimos foram transcritos na forma como se lêem na cópia do manuscrito original. 

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo32, RIBEIRA DE ALHARIS , Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 32, n.º 94, p. 557 a 568]

Freguesia de São Tiago da Ribeira de Alharis, Província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, comarca e termo de Chaves, Ouvidoria correccional de Bragança.

Em cumprimento de uma ordem que me foi entregue do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral desta Comarca de Chaves, Bento de Carvalho e Faria, nos vinte e dois dias do mês de Fevereiro deste presente ano de mil e setecentos e cinquenta e oito, com os interrogatórios que com esta vão inclusos, para que o Reverendo Pároco desse notícia deles e, por estar com moléstia, fiz a mesma diligência eu, Alexandre da Silva, cura desta mesma freguesia de São Tiago da Ribeira de Alharis desta Comarca de Chaves e assim vendo eu, com a consideração de pude, os ditos interrogatórios, a notícia que posso dar deles é a que se segue e nos que eu não falar é porque não há aqui nesta freguesia o que eles em si contém.

Deus me ajude.
A igreja desta freguesia, que é seu Padroeiro o Milagroso Apóstolo São Tiago e lhe chamam São Tiago da Ribeira de Alharis, tem três naves divididas em duas carreiras de arcos. Tem quatro altares, o altar-mor que é o do Padroeiro e, da parte do Norte, tem um colateral de Nossa Senhora do Rosário; da parte do Sul tem outro altar do Milagroso Santo António e no costão da mesma parte tem outro do Milagroso Santo Cristo e, neste, há uma Irmandade do mesmo.
Esta igreja é de título de vigairaria e é de apresentação do Reverendo cabido da Sé Primaz de Braga e é de devoção pelos mais antigos residentes no povo dela e rende para o Pároco trezentos mil réis.
Compõe-se esta freguesia de catorze lugares, entre grandes e pequenos, dos quais quatro estão em Montanha e os mais estão em Ribeira.
O primeiro é este de São Tiago, que é o primeiro da Ribeira, o qual tem, com o Pároco, quatro vizinhos e pessoas catorze. A igreja está quase no meio dela. E tem também este povo uma capela de São Sebastião, a qual está também dentro do povo e pertence à freguesia.
O segundo Lugar é o de Paradela, o qual tem vinte e um vizinhos. Tem este uma capela no meio que fabricam estes mesmos moradores, que é o seu orago Santa Maria Madalena.
O terceiro é Sobredo, o qual não consta senão de um vizinho.
O quarto é Parada, o qual tem nove vizinhos e no meio dela tem uma capela que fabricam estes mesmos moradores e é seu orago Nossa Senhora da Expectação. Ajudam à sua fábrica o lugar de Cancelo e São Jozenda.
O quinto é São Jozenda, o qual se compõe de quinze vizinhos.
O sexto é Cancelo, o qual se constitui de catorze vizinhos e tem uma capela no meio, a qual fabrica o Padre André Teixeira da freguesia de São Pedro Fins, distante deste povo meia légua, e a qual é seu orago São Paulo. E defronte deste lugar, para a parte do Nascente e perto dele, está outra capela em um monte sem vizinhos que tem por orago Santa Isabel da Serra e esta é de Dona Isabel Teixeira Chaves, da Vila de Chaves.
O sétimo Lugar é Adagoi que consta só de seis vizinhos e fora do povo está uma casa que entra no mesmo número e chamam-lhe Adagoi de Cima e ao pé dela está uma capela da Senhora da Conceição, a qual é de Luísa Coelha que mora na dita casa.
O oitavo é Alvites que tem treze vizinhos e fora deste povo, mas perto, para a parte do Norte, tem uma capela do Milagroso São Gonçalo que fabricam os moradores deste mesmo povo.
O nono é Chamoinha, o qual tem dezasseis vizinhos e, pegado ao mesmo povo para a parte do Norte, tem uma capela do Apóstolo São Bartolomeu, a qual fabricam os moradores deste mesmo povo.
O décimo, e último lugar da Ribeira, é Esturãos, o qual tem dezassete vizinhos e, no meio, uma capela de São Martinho, a qual também fabricam os moradores deste mesmo povo.
O undécimo, e primeiro da Montanha, é Vila Nova do Monte que tem vinte e sete vizinhos, o qual tem, no meio, uma capela do Milagroso São Jorge que fabricam os moradores deste povo.
O duodécimo é Amuinha Nova que consta de vinte e quatro vizinhos e, fora do povo mas perto, para a parte do Norte, tem uma capela do Milagroso Santo Antão que fabricam os moradores deste povo.
O décimo terceiro é Vilela do Monte que tem dezoito vizinhos e, no meio, tem uma capela de São Vicente que fabricam os moradores deste mesmo povo.
O décimo quarto, e último da Montanha, é o Lugar de Campo de Égua, o qual se compõe de cinquenta e quatro vizinho e fora deste povo, com mais alguma distância do que os mais supra, está uma capela de Nossa Senhora da Anunciação que também fabricam os moradores deste povo.
Não há romarias em algumas destas capelas, nem feira nesta freguesia. Só dia de Santiago, Padroeiro desta freguesia, se faz no sobredito lugar de São Tiago uma feira que dura até duas horas da tarde e me não consta que dela se paguem direitos alguns. Vem a ela o Meirinho do Doutor Vigário Geral desta Comarca e leva cinquenta réis a toda a pessoa que faz assento no dito lugar para vender alguma coisa.
A igreja desta freguesia está situada no meio dela em o sobretido lugar de São Tiago, ao pé de um monte que está para a parte do Poente, por cuja causa se não descobre para aquela parte terra alguma. Está no princípio de uma ribeira e deste lugar se descobre, do Norte ao Sul para a parte do Nascente, seis para sete lugares, mais terra de monte que fabricada. E da parte do Sul, vindo para o Nascente em toda esta que se descobre, se não vêem nem igrejas, nem povos, por estarem situados em baixos por causa dos montes que se encontram com a vista. E só se vêem branquejar com o reflexo do sol da tarde, à distância daqui quase quatro léguas, as casas do Marquês de Mirandela que hoje está com outro título, o dito Marquês. E indo mais para Nascente, se descobrem mais outras poucas de casas mais distantes daqui, ao pé de umas serras que, me dizem, é uma chamada a serra de Bornes, cujas casas e lugares me não sabem dizer seus nomes por serem muito distantes. E indo subindo para o Norte, se descobre daqui, à distância de meia légua, um povo com uma igreja que está no meio dele à qual chamam São João Baptista, da freguesia de Ervões, que é da Sagrada Religião de Malta. E mais para o Norte se descobrem mais dois lugares, um que lhe chamam Quintela e outro Friões, aonde está a igreja matriz que é São Pedro de Friões. E olhando daqui por entre as sobreditas freguesias de Friões e Ervões, em direitura para o Nascente, se descobrem muitas serras e, por remate delas, se descobre uma a qual me dizem se chama a serra de Seabra, a qual fica no Reino de Galiza, digo de Castela, e conserva quase todo o ano em si neve, por se ver daqui branquejar.
Os frutos que os moradores colhem em maior abundância são os seguintes: Os que vivem nos lugares da Ribeira colhem bastante pão, vinho, castanha e linhos; porém, os que vivem nos lugares da Montanha de ordinário não colhem senão centeio.
Nesta freguesia não há juiz nem câmara que a governe, mas sim é governada pelo juiz de fora e câmara da Vila de Chaves de cuja Comarca é esta mesma freguesia.
Nesta freguesia não há correio e se servem do correio da Vila de Chaves que parte ao Domingo e chega na Quarta-feira de cada semana. Fica a dita Vila distante desta freguesia duas léguas e meia, pouco mais ou menos, da cidade capital que é Braga dezoito léguas, pouco mais ou menos, e da cidade de Lisboa, que é a capital do Reino, setenta e cinco até oitenta, segundo me informam.
Não padeceu esta freguesia ruína alguma no terramoto do ano de mil setecentos e cinquenta e cinco.

E desta sorte hei por respondido a todos os interrogatórios dos que pude dar resposta e assim o foi tudo, na verdade, que pude alcançar e assim o afirmo in verbo Sacerdotis e vai conferida pelo Reverendo vigário de São Mamede de Argeris e pelo Reverendo vigário de Santa Maria de Vaçal.

São Tiago da Ribeira de Alharis, Março, dez, de mil e setecentos e cinquenta e oito, 1758.

O cura Alexandre da Silva

Do pároco de São Mamede de Argeris, vigário António Martins
O Vigário de Santa Maria de Vassal, Dâmaso Osório de Queiroga  

terça-feira, 25 de outubro de 2011

101.º Aniversário do nascimento do Doutor Olímpio dos Santos Seca

Celebram-se hoje os 101 anos do nascimento desta singular figura histórica de Valpaços que tem sido recordada pelos seus conterrâneos com a maior admiração, carinho e gratidão e recebido as devidas homenagens à altura do seu bom nome. Em 2010, pela mesma data, a Junta de Freguesia de Viralandelo realizou, na praça desta Vila onde se encontra um busto em sua homenagem, a merecida cerimónia de comemoração do 1.º Centenário do seu nascimento, cerimónia essa que contou com a presença da esposa do homenageado, Dra. Maria Fernanda da Mota e Castro, e foi contemplada com  num sentido discurso proferido pelo Secretário da Junta, António José Garcia Ferreira, salientando a grandeza deste saudoso conterrâneo. Do evento ficou-nos um breve documentário em vídeo realizado pelo Dr. José Doutel Coroado e publicado no seu blog “Vilarandelo – um dia uma imagem” cuja divulgação tivemos o prazer de compartilhar aqui e entendemos voltar a recordar em mais este aniversário.




Alguns dias antes tivemos a oportunidade de publicar uma resenha biográfica e genealógica do Doutor Olímpio Seca, que pode ser revista AQUI.

domingo, 23 de outubro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – SANFINS

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Só muito recentemente consegui encontrar o documento das "Memórias Paroquiais de 1758" relativo a Sanfins (de Valpaços) sob a referência de “Pedro Fins (São), Chaves” e de que divulgo aqui a respectiva transcrição. Convém que se diga que na árdua e incessante procura deste documento, deparei com muitos outros referentes a topónimos idênticos tais como Sanfins da Castanheira, Sanfins do Douro, bem como outros vários “São Pedro Fins”, que analisei um por um e que, pelo seu teor não me restaram dúvidas que seriam de descartar. A mesma sorte não tiveram, como pude constatar, os investigadores desta temática coordenados por José Viriato Capela, e ele próprio, que tomaram “Sanfins da Castanheira” como a Sanfins actualmente de Valpaços, o que, inevitavelmente, acabou por se traduzir numa involuntária distorção dos dados e factos a relativamente à freguesia “São Pedro Fins”, curato da Reitoria de Carrazedo de Montenegro no mesmo termo de Chaves que é o que hoje constitui a freguesia de Sanfins do concelho de Valpaços. Cumpre, portanto, advertir que a consulta do livro e publicações posteriores daquele autor intitulados ambos “As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758, Memórias, História e Património” deve ser feita, para este e para outros casos em que entretanto também encontrei alguns equívocos, com necessária cautela e ponderação.

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo28, PEDRO FINS (São), Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 28, n.º 101a, p. 649 a 650]

São Pedro fins

Respondendo ao despacho do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral da Comarca de Chaves:
Eu, o Padre Manuel Alves, faço certo e como esta freguesia de São Pedro Fins é da Província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, Termo e Comarca de Chaves. É anexa de São Nicolau de Carrazedo de Montenegro e apresentado pelo mesmo Reitor de Montenegro, pertencente ao ordinário de Braga.
Tem sessenta e seis moradores, pessoas de Sacramento cento e oitenta e sete, e menores quarenta e nove que, todos juntos fazem a conta de duzentas e trinta e cinco pessoas [sic].
Está situada em mais fragas que terra movediça, entre vinhas e olivais e algumas terras de fruto e das povoações não se descobre senão Argeriz, que dista meia légua desta, Água Revés, que dista uma légua e Vassal, que dista menos de meia légua, e nada mais.
O termo é seu e não tem mais lugares.
A Paróquia está no mesmo lugar metida. O orago é São Pedro ad vincula. Tem três altares, um do orago, e nele está a imagem do dito São Pedro, e dois colaterais, um da imagem de Nossa Senhora do Rosário e o outro da imagem de Cristo. É só de uma nave.
O pároco é vigário ad Nutum e o apresenta o Reverendo Reitor de São Nicolau de Carrazedo, como dito fica. A Renda que tem serão, pouco mais ou menos, sessenta mil réis.
Os moradores, os frutos que recolhem são os seguintes: centeio vinho, trigo, azeite, castanhas e legumes de feijão grande e miúdo; e, com mais abundância, centeio e vinho.
Não tem juiz ordinário, está sujeita ao juiz e fora da Comarca e Vila de Chaves, Província de Trás-os-Montes.
O correio é o de Chaves e dista desta freguesia três léguas e desta a Vila de Chaves até onde chega que é Vila Real são dez léguas, pouco mais ou menos. Dista deste lugar a cidade capital de Braga dezoito léguas e a cidade de Lisboa oitenta léguas, pouco mais ou menos.

Em Serra não há nesta freguesia que dizer.

O rio chama-se rio de São Fins, principia o seu nascimento aonde chamam a Venda da Serra e finda no rio de Miradezes, corre de Norte para o Sul e tem três léguas de comprido donde nasce até donde finda. Está entre o Nascente e o Poente e passa por perto de três lugares, um chamado Alfonge, outro Parada e por perto desta freguesia de São Pedro Fins e por Rio Torto. Tem três Rodas de Moinhos e tem um sumidouro aonde passa o rio por baixo de um fragão. Quando o rio vai grande não tem ponte alguma, nem árvores algumas senão fragas. Os peixes que tem o dito rio são bogas e escalos.

E não se continha mais nesta freguesia nos ditos artigos, assim em uns como nos outros, e por ser verdade o passei na mesma que assino com os Reverendos vigários de Argeriz e Vassal, hoje, onze de Março de mil setecentos e cinquenta e oito anos.

São Pedro Fins, era et supra o que juro in verbo Sacerdotis.

O Vigário de São Pedro Fins, Comarca de Chaves, Padre Manuel Alves

O pároco de São Mamede de Argeriz, vigário António Martins
O Vigário de Santa Maria de Vassal, Dâmaso Osório de Queiroga