quarta-feira, 11 de abril de 2012

Arte Visigótica – Arte Pré-Românica

Por Maria Fernanda*


Depois da queda do império romano, mongóis, vândalos, suevos, alanos, francos e germânicos, entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros, avançaram definitivamente sobre a Europa. A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros, entre a religiosidade dos primeiros cristãos e a beligerância dos novos senhores.

Este período histórico, conhecido como Alta Idade Média, é caracterizado pela ruralização da sociedade (em oposição à "urbanidade" clássica), por uma economia quase auto-sustentada e de fraca movimentação de trocas comerciais, pelo quase desaparecimento da cultura laica e pelo domínio cultural do clero e, por fim, pela enorme expansão da igreja cristã.

Os traços culturais próprios destes povos, dos povos conquistados e o cristianismo, estiveram na origem de uma arte que se situa entre a arte da antiguidade clássica tardia e o românico e que, por esse motivo, se denomina como pré-românica, não designando um estilo particular.

A arte pré-românica é caracterizada por uma absorção de diversas influências que resultam nas fusões inovadoras entre elementos da cultura clássica com elementos cristãos e germânicos. Não se restringe a uma região específica, mas espalha-se por toda a Europa ao longo vários séculos, destacando-se alguns géneros artísticos próprios.

A Arte visigótica é aquela que designa as expressões artísticas criadas pelos visigodos, que entraram na Península Ibérica em 415 e se tornaram o povo dominante da região, até à invasão dos mouros, em 711. Este período da arte ibérica notabilizou-se pela arquitectura, e ourivesaria.

Os mais significativos dos poucos exemplares sobreviventes da arquitectura visigótica do século VI, em território português, são a Capela de São Frutuoso em Braga e a Igreja de São Gião na Nazaré.

Capela de São Frutuoso de Montélios perto de Braga


Interior da Capela de São Frutuoso de Montélios


Interior da Capela de São Frutuoso de Montélios


Capela de S. Gião - Nazaré


Relevo da Capela de S. Gião - Nazaré

A ourivesaria visigótica desenvolveu-se, essencialmente, em Toledo e é composta principalmente de jóias com motivos geométricos, que foram encontrados em escavações de tumbas.

Tesouro de Guarrazar - Coroa de Recesvinto


Tesouro de Guarrazar - Coroa de Recesvinto - detalhe

O século VIII conheceu, porém, a primeira grande tentativa de reunificação da Europa, a criação do Império Carolíngio, sob Carlos Magno.
Carlos Magno foi a figura política mais poderosa da Alta Idade Média, pois os seus exércitos assumiram o controle de extensos territórios. Carlos foi responsável pela imposição do cristianismo e pelo ressurgimento da arte antiga.
Este foi coroado, pelo papa, em 800, como imperador do Sacro Império Romano que englobava quase toda a Europa Ocidental.

Estátua de Carlos Magno. O cavalo teria sido reaproveitado de uma estátua clássica

Após sua coroação, tornou-se grande patrono das artes.
A arte carolíngia refere-se à arte do período de Carlos Magno, estendendo-se pelos seus sucessores (entre 780 e 900 d.C.) e alargando a sua influência ao período posterior da arte otoniana.

Esta arte tem uma forte herança germânica, absorve elementos das artes bizantina e islâmica, mas inspira-se na arte romana da Antiguidade Clássica daí ser também conhecida como renascimento carolíngio.

A sua expressão arquitectónica vai incidir na construção religiosa caracterizada por pinturas murais, pelo uso de mosaicos e baixos-relevos surgindo também neste momento a igreja com deambulatório, tipologia que se irá desenvolver ao longo da Idade Média. Uma das mais significativas construções deste período é a Catedral de Aix-la Chapelle (Aachen) na Alemanha.


Interior da Capela de Aix-la-Chapelle com o deambulatório


Cúpula da Capela Palatina de  Aix-la-Chapelle


Púlpito da catedral, com painéis de marfim bizantino e inserções de vidro islâmico. 
Um dos painéis representa o deus pagão Baco.


Trono de Carlos Magno na Capela Palatina  de  Aix-la-Chapelle

Os mosaicos da Capela Palatina de Carlos Magno são parecidos com os das primeiras igrejas cristãs de Ravena e Constantinopla. Sabe-se que naquela época, muitas colunas e mármores foram trazidos de Roma para as construções do seu império.

Mosaicos do interior da Cúpula da Capela de Aix-la-Chapelle. Vêem-se as colunas vindas de Roma.


Mosaicos do interior da Capela de Aix-la-Chapelle

As artes decorativas assumem também um lugar de relevo, especialmente no que diz respeito à produção de marfins, joalharia e iluminuras, sendo estas últimas caracterizadas por um traçado extremamente dinâmico.

Coroa de Carlos Magno


Frontispício dos Evangelhos de Lindau. C. 870.
Ouro, pedras preciosas e esmalte.


Busto de Carlos Magno


Marfim - capa dos Evangelhos de Lorsch, cerca de 810


Iluminura, São Mateus Evangelista, c. 800


Mateus redigindo o "seu" Evangelho.
Iluminura de um manuscrito francês dos Evangelhos de Ebbo. séc. IX.

*Edição/versão original : Viagem pela Arte I | 8 de Fevereiro de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

147.º Aniversário do nascimento do Abade de Baçal

Francisco Manuel Alves, o “Abade de Baçal”, nasceu há 147 anos e faleceu há perto de 65 anos. Continua a ser considerado uma referência praticamente obrigatória para historiadores arqueólogos e etnólogos de formação científica da actualidade.

REVER
(2011)

domingo, 8 de abril de 2012

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 5. C

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001

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FREGUESIA DE BOUÇOAIS - C

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR

Cristo ressuscitou! Aleluia!

Por Jorge Fernandes, 7 de Abril de 2012*


"Cristo Ressuscitou, venceu a morte.
o Seu corpo se envolve em luz divina.
eis o sol da esperança, eis o Deus forte
que nos liberta e que nos ilumina!

A nova criação hoje começa.
jamais triunfará o vil pecado.
o Senhor nos cumpriu sua promessa
no sangue do Cordeiro imaculado."


Páscoa Feliz para todos!

sábado, 7 de abril de 2012

7 de Abril: Dia nacional dos Moinhos

Por Leonel Salvado

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Diga-se, a título de curiosidade, que o “Dia Nacional dos Moinhos” foi formalmente criado pela “Rede Portuguesa de Moinhos” em 2007, assinalando a data de 7 de Abril. Mas, pelo que temos visto em diversas fontes de informação, convém esclarecer que os grandes objectivos que estiveram na base da criação desta data dedicada aos Moinhos - despertar a atenção da população para o inestimável valor patrimonial dos moinhos tradicionais, bem como motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, moleiros, autarquias, museus, associações, investigadores, molinólogos e amigos dos moinhos para a sua salvaguarda e divulgação – já estavam definidos e já eram implementados em certas regiões uma meia dúzia de anos antes, como já em 2005 o Presidente da Associação Portuguesa de Molinologia, Jorge Miranda, reconhecia em declarações à Agência Lusa, dando exemplos de algumas dessas iniciativas, de reduzida importância em certas regiões do Centro e Sul do país, mas realçando um outro exemplo de maior amplitude na região BOTICAS onde já tinha sido criado um percurso de 70 Km com 80 moinhos intervencionados e os respectivos trilhos de acesso e sinalética. Efectivamente, a Câmara Municipal de Boticas merece que lhe seja reconhecido o mérito de ter sido uma das precursoras nesta iniciativa, posto que foi nesta vila portuguesa do distrito de Vila Real que se realizou, já em 2002, o II Encontro Nacional de Molinologia depois de o primeiro ter tido lugar, no ano anterior, na cidade de Montijo, distrito de Setúbal.

A Câmara Municipal de VALPAÇOS aderiu também, e muito cedo, à mesma iniciativa, que nesta autarquia surgiu na sequência de uma das suas preocupações iniciadas nos anos 80 com o objectivo de conhecer e divulgar toda a riqueza e diversidade do seu Património Cultural, participando nos dias 18, 19 e 20 de Outubro de 2002 no aludido “II Encontro Nacional de Molinologia”, em Boticas, onde foram apresentados 14 mapas baseados em Folhas dos Serviços Cartográficos do Exército (na escala de 1:25.000) representado os respectivos cursos de água com o posicionamento dos moinhos hidráulicos neles identificados (num total de 130 moinhos de rodízio) e publicando em Maio de 2009 um excelente trabalho, em dois volumes, da autoria do dedicado geólogo, arqueólogo e etnólogo, Dr. Adérito Medeiros Freitas, intitulado “Concelho de Valpaços Moinhos (moinhos de Rodízio e Azenhas)”, (na imagem), que foi quem preparou orientou a participação da Autarquia valpacense no referido encontro nacional. No conjunto dos trabalhos de investigação que formam o conteúdo desta obra, contam-se 192 engenhos hidráulicos, desde “Moinhos de rodízio”, “Azenhas” e “Moinhos de Pisão”.

É por isso que, em minha opinião, esta data de 7 de Abril constituirá para sempre uma das melhores oportunidades para homenagearmos o Dr. Adérito Medeiros Freitas em reconhecimento do extraordinário e inestimável serviço que abnegadamente tem prestado aos valpacenses.
Bem-haja, portanto, Dr. Adérito Medeiros Freitas por este serviço público e, entre muitos outros, parabéns também pela 2.ª edição (actualizada) de “Lagares Cavados na Rocha”, igualmente patrocinada pela Câmara Municipal de Valpaços cuja apresentação teve lugar no passado dia 31 de Março integrando mais um dos eventos culturais da tradicional Feira do Folar, no caso da XIV edição desta.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

191.º Aniversário da abolição da Inquisição em Portugal

Por Leonel Salvado

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Celebrou-se no passado dia 31 de Março o 191.º Aniversário da abolição da Inquisição em Portugal, acontecimento que representa um exemplar passo de justiça humana no nosso país e assim deve ser sentido por todos os portugueses e particularmente pelas comunidades de judeus portugueses, em Portugal e no Mundo. Ironicamente, 31 de Março (de 1492) também foi a data da expulsão dos judeus de Castela que deram entrada em Portugal, juntando-se aos seus congéneres sefarditas aqui estabelecidos antes da conversão forçada. É evidente que as feridas abertas pela abominável “máquina inquisitorial” e pela constante discriminação a que se viram sujeitos pelos povos que nela se inspiravam um pouco por todo o país, foram sarando muito lentamente e em alguns casos não sararam por completo como é o dos descendentes de numerosas famílias de judeus sefarditas portugueses que haviam partido para outros países e actualmente se identificam pelos seus sobrenomes, mantêm um vínculo sentimental às suas origens, solicitando e aguardando que o Governo português lhes conceda o direito à restituição da nacionalidade dos seus antepassados. Contudo, é inegável que a partir daquela data a dignidade do povo judeu foi sendo garantida e respeitada (embora nunca de uma forma tão linear e progressiva até à revolução do 25 de Abril de 1974), ao ponto de os descendentes de muitos sefarditas que escolheram ficar fazerem hoje parte aparentemente indistinguível do tecido social e genético de muitas regiões portuguesas, como acontece em Trás-os-Montes, sobretudo no distrito de Bragança.

Apresento de seguida o Decreto para a abolição da Inquisição, antecedido da acta da curiosa discussão acerca do preâmbulo do mesmo decreto que decorreu no Palácio das Necessidades na mesma sessão das Cortes Extraordinárias e Constituintes de 31 de Março de 1821, tal como foram transcritos e publicados em comemoração desta data em 2011 no blog “BEIT ISRAEL, A Casa de Israel”:

I
O senhor Freire leo o Decreto para abolição da Inquisição. Discutio-se ácerca do preambulo, e disse:
O senhor Pimentel Maldonado. – Não foi por tal motivo que o Congresso decretou unanimemente a abolição da Inquisição. Foi a injustiça abominavel de similhante instituição, que nos obrigou a isto. Bem claramente se discutio, e ponderando-se o assumpto por mui diversos modos, bem que todos concordes na extincção deste Tribunal, não houve hum só Deputado que se lembrasse de tal fundamento. Que vem a dizer multiplicidade de Tribunaes, á vista de tamanhas rasões quaes forão as que se expendêrão neste lugar? A Commissão Ecclesiastica devia cingir, se a ellas. Voto pois, que torne o Decreto a organizar-se, e que se fundamento no verdadeiro motivo da nossa decisão. Foi, o torno a dizer, a injustiça abominavel da instituição, e não a multiplicidade de Tribunaes.
O senhor Fernandes Thomaz. – Não se declare antes rasão nenhuma: essa he offensiva ao decoro, e luzes do Seculo e sentimentos desta Assemblea. Seria ridiculo que no Mundo se dissesse, que se tinha extinguido a Inquisição porque não se podia sustentar, extingue-se porque não deve existir n'hum Paiz em que ha homens livres.
O senhor Vaz Velho. – Senhor Presidente, creio que, apesar de alguns dos Membros deste Augusto Congresso terem clamado, que ninguem deve mais fallar sobre a materia subjeita, com tudo, como este clamor não he o voto da Assemblea, eu tenho a faculdade de poder expor a minha, opinião. Este Decreto, senhores, de que estamos tratando, sobre a extincção da Inquisição he hum Diploma, que sendo posterior ás Bases da Constituição, elle não póde desviar-se dos principios nellas adoptados. Nós estabelecemos nas Bases da Constituição principios de liberdade que são incompativeis em o dicto Tribunal, logo que cousa mais natural, do que dizer-se no Preambulo do Decreto, que se extingue aquelle Tribunal e Inquisições, por ser contrarias aos principies liberaes adoptados e estabelecidos nas Bases da Constituição? Isto he mais proprio, e menos vago, do que dizer-se, que he contrario ao systema constitucional. Este he o meu voto.
O senhor Borges Carneiro. – Votou que no preambulo se dessem estas rasões - Por ser contraria á rasão Natural, á Doutrina do Evangelho, e ao systema Constitucional.
O senhor Maldonado apoyou o senhor Borges Carneiro.
Hum dos senhores Deputados disso que se devia omittir o ser contraria á Doutrina do Evangelho.
O senhor Borges Carneiro Mostrou que com effeito o era, que a Igreja não tinha approvado similhante estabelecimento; que elle da obra do Despotismo dos Papas combinados com os Jesuitas, e com os Aulicos.
O senhor Arcebispo da Bahia. – Conciliou estas differentes opiniões, julgando que bastaria dizer-se no preambulo, que se extinguia a inquisição, por não ser compativel com o estado Constitucional.
Proseguio a discussão, e ultimamente ficou approvado o Decreto com declaração de que no preambulo sómente se dissesse -- que a sua Existencia era contraria ao systema Constitucional, e que assim se expedisse.

II
DIÁRIO DAS CORTES GERAES E EXTRAORDINARIAS DA NAÇÃO PORTUGUEZA.
NUM. 47
SESSÃO DO DIA 31 DE MARÇO DE 1821
(O documento é reproduzido com a grafia da época)

DECRETO.

As Cortes Geraes, Extraordinarias, e Constituintes da Nação Portugueza, Considerando que a existencia do Tribunal da Inquisição he incompativel com os principios adoptados nas Bases da Constituição, Decretão o seguinte:

1.° O Concelho Geral ao Santo Officio, as Inquisições, os Juisos do Fisco, e todas as suas dependencias, ficão abolidos no Reyno de Portugal. O conhecimento dos Processos pendentes, e que de futuro se formarem sobre causas espirituaes, e meramente ecclesiasticas, he restituido á Juriadicção Episcopal. O de outras quaesquer causas de que conhecião o referido Tribunal, e Inquisições, fica pertencendo aos Ministros Seculares, como o de outros crimes ordinarios, para serem decididos na conformidade das Leys existentes.

2.° Todos os Regimentos, Leys, e Ordens relativas á existencia do referido Tribunal, e Inquisições, ficão revogadas, e de nenhum effeito.

3.° Os bens, e rendimentos, que pertencião aos dictos estabelecimentos, de qualquer natureza que sejão, e por qualquer titulo que fossem adquiridos, sejão provisoriamente administrados pelo Thesouro Nacional, assim como os outras rendimentos publicos.

4.º Todos os Livros, e tudo Manuscriptos, Processos findos e tudo o mais que existir nos Cartorios do mencionado Tribunal, e Inquisções, serão remettidos á Bibliotheca Publica de Lisboa, para serem conservados em cautela na Repartição dos Manuscriptos, e inventariados.

5.° Por outro Decreto, é depois de tomadas as necessarias informações, serão designados os ordenados que ficarão percebendo os Empregados que servirão no dicto Tribunal, e Inquisições.

A Regencia do Reyno assim o lenha entendido, e faça executar. Paço das Cortes 31 de Março de 1821. – Hermano José Braancamp do Sobral, Presidente – Agostinho José Freire, Deputado Secretario – João Baptista Felgueiras, Deputado Secretario.

In http://beit-israel.blogspot.pt

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Solares do concelho de Valpaços – Solar dos Machados

Por Leonel Salvado

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Como tive oportunidade de realçar, em notas prévias às duas edições anteriores desta série de publicações, das três casas brasonada existente em Possacos, esta é a única cujo nome pelo qual é hoje vulgarmente designada, “o solar dos Machados”, se confirma, ainda que parcialmente, através de uma leitura das armas que se encontram representados no respectivo brasão.

O solar
Parece evidente que o imóvel se encontra um pouco descaracterizado relativamente à sua traça primitiva em consequência das obras de remodelação a que foi sendo sujeito ao longo dos tempos, mas talvez seja de sustentar que se trate do mais antigo solar da localidade de Possacos, como em 1943 admitiu o Padre João da Ribeira, em “Por Montes e Vales… Terras de Monforte e Terras de Montenegro”, trabalho publicado em várias edições no “Comércio de Chaves” (1939-1947) e reeditado recentemente na Revista “Aquae Flaviae”, ao descrevê-lo da seguinte forma:

«Das casas solarengas […], a que tem aspecto e feição de mais antiga, é uma que fica em um pequeno bairro, para além do Largo da Fonte e à margem esquerda da estrada que leva à Torre de Dona Chama. A sua entrada é um amplo portal encimado por uma cruz latina e pirâmides flamejantes, vendo-se ao lado, mas já ma parede do corpo do edifício, o brasão de armas em fina cantaria regional […] Em uma das salas desta casa, tivemos o ensejo de apreciar, no tecto em cúpula octogonal, uns curiosos frescos, representando cenas venatórias, acompanhadas de sentenças alusivas e de fundo moral, costume esse bem peculiar e característicos dos passados séculos XVI e XVII.»

Revista Aquae Flaviae, Chaves, nº14, 1995, pp. 167-168

Como se pode constatar, com alguma dificuldade, a partir da observação da foto que representa o estado actual do conjunto do edifício, o portal descrito pelo autor ainda existe, sem aparentes alterações estruturais (ao fundo na foto). A fachada encimada ao centro pela pedra de armas é constituída, na parte inferior esquerda, por uma porta de verga recta sobre a qual se erguem, dos lados, duas janelas sacadas e uma varanda de pedra assente sobre dois pares laterais de cachorros simples. No mesmo nível, do lado oposto existem mais duas janelas semelhantes, cada uma com sua varanda, do mesmo tipo. Alguns pormenores estéticos da sua fachada, como é o caso da cornija direita que enquadra em espirais simétricas a pedra de armas e que se encontra pintada de branco (na foto), sugerem uma construção de feição renascentista ou dela reminiscente, o que me induz, em favor da observação que nos ficou do Padre João da Ribeira na segunda parte do excerto que dele transcrevemos, remontar a construção original deste edifício pelo menos ao século XVII. Outro facto que pode estar associado a esta Casa solarenga, numa perspectiva ainda conjectural, é o da existência de uma capela da invocação de Santo António a que o pároco do Possacos, vigário Baltazar Fernandes de Figueiredo aludia num manuscrito das “Memórias Paroquiais de 1758” cuja transcrição para leitura actualizada foi publicada aqui no Clube de História de Valpaços, como estando situada “dentro do lugar” (de Possacos) e administrada por uma “Maria Machada” (leia-se Maria Machado) moradora no mesmo lugar. A relação foi-me sugerida por Rui Freixedelo, um genealogista com ascendentes em Possacos que num comentário à referida Memória Paroquial no blogue Clube de História de Valpaços e em contactos posteriores me informou possuir dados de uma Maria Machado, moradora nos Possacos cujo testamento em favor dos seus três filhos data de 1774. É possível que se trate da mesma pessoa e, posto que a prerrogativa que vemos ser-lhe reconhecida costumava caber, sobretudo tratando-se de senhoras, a pessoas de elevado estatuto social, também admito que a dita senhora pertenceria à família em posse do Solar dos Machados e que a referida capela se encontraria inserida nesta casa, como era ordinário suceder nas demais casas solarengas, a algumas das quais também se encontravam vinculadas outras capelas fora do seu espaço principal. Este será um dado a confirmar junto dos actuais proprietários do imóvel.

O brasão
O insigne erudito, apaixonado pela história e pela heráldica a que tenho vindo a recorrer, “João da Ribeira”, aliás Padre João Vaz de Amorim, refere no estudo já mencionado, mas de uma forma vaga e omissa quanto à fonte de informação que lhe serviu de base para essa referência, que “o velho solar pertenceu em tempos passados a uns senhores Machados, oriundos de Fornos de Pinhal, e à antiga família Carvalho, de Serapicos, freguesia das proximidades de Carrazedo de Montenegro”. No que respeita à família Carvalho não disponho do mínimo fundamento para refutar tal informação, mas se o solar em causa esteve na posse dessa antiga família não creio que essa posse sucedesse desde tempos antigos. Quanto aos Machados, procedendo da mesma leitura das armas representadas no brasão que o solar ostenta, não posso estar mais de acordo com tal informação, ainda que não me pareça suficientemente claro que a família Machado fosse oriunda de Fornos de Pinhal. A única relação que conheço de alguém com o sobrenome Machado, de Possacos, com Fornos de Pinhal é o documentado facto de Francisco Manuel Machado (filho de Maria Machado, atrás mencionada) ter sido casado, pela segunda metade do século XVIII, com Engrácia Maria Vilares da Fornos de Pinhal, dados genealógicos que me foram gentilmente fornecidos por Rui Freixedelo. Em todo o caso, prevalece a dúvida se estes Machado de Possacos serão da mesma família Machado a quem coube a posse do solar e a que ainda se deve o nome.
Estranhamente, talvez sugestionado pelas informações que atrás transcrevemos, “João da Ribeira” fez uma interpretação parcialmente errada da pedra de armas do “solar dos Machados” quando dela deixou as seguintes declarações:

«E, na verdade, no escudo esquartelado do brasão lá se acham as divisas dessas famílias, ou sejam – “os cinco machados postos em aspa e a estrela de ouro, entre uma quaderna de crescentes de crescentes de prata”.»

Como fui alertado, e muito bem, por Rui Freixedelo, quando lhe manifestei a minha estranheza por não se vislumbrar no escudo nenhum sinal das divisas da família Carvalho - que são, exactamente as que o Padre Vaz de Amorim refere – o que se afigura como mais evidente é que, para além das dos Machado (correctamente interpretadas) as restantes divisas serão das famílias Morais (com algumas reticências) e dos Alão (com a maior certeza). De facto, como se vê na pedra de armas apresentada na foto, que julgo ser datável do século XVII, o escudo não é sequer verdadeiramente esquartelado, mas antes partido (esquartelado só o é o partido das armas plenas dos Alão). A minha leitura da pedra de armas em causa é a seguinte:

Partido I – 1: MACHADO – (de vermelho), com cinco machados de prata (encabados de ouro) e postos em sautor ou aspa (X); 2: MORAIS* (?) – (de vermelho), com uma torre torreada (de prata) rematada por uma bandeira (que parece conter uma árvore).
Partido II – ALÃO** - esquartelado: o primeiro e o quarto quartel xadrezados (de ouro e vermelho), de seis peças em pala (na vertical) e seis em faixa (na horizontal); o segundo e terceiro (de campo azul), com cinco flores-de-lis (de ouro) postas em sautor ou aspa (X).
Timbre – A torre do escudo.

Faz portanto algum sentido que esta casa solarenga tenha pertencido primitivamente a uma família que poderia chamar-se de “Alão de Morais Machado”.


*Talvez não seja de estranhar que nas armas dos Morais não figure no escudo a árvore, pois a representação de árvores nos brasões de armas só se tornaram comuns no século XVIII (como a que se vê na pedra de armas dos Morais Pinto no Solar designado de António Terra, também em Possacos).

**Família pré-nacional proveniente de Bragança.


Para aceder a outros solares [local/regional] tratados neste blogue, clique AQUI

domingo, 1 de abril de 2012

Dia das mentiras 2012

"O Dia da Mentira, também conhecido como Dia dos Bobos, é celebrado no dia 1º de abril e é uma data onde as pessoas contam mentiras e pregam peças em seus conhecidos por pura diversão. O Dia da Mentira é comemorado por crianças e adultos, e existem brincadeiras que persistem por vários anos, alguns chegam a ser de humor negro, que são aquelas que ridicularizam e humilham as pessoas, mas em geral, são brincadeiras saudáveis."
In http://www.calendarr.com/brasil/

(2011)

sábado, 31 de março de 2012

302.º Aniversário de D. Mariana Vitória, rainha de Portugal

D. Mariana Vitória de Bourbon, rainha de Portugal,
retrato de Miguel António de Amaral (1710-1780)
 Museu Hermitage | Wikimedia Commons

Mariana Vitória de Bourbon nasceu em Madrid no dia 31 de Março de 1710, filha do rei de Espanha, Filipe V e de sua esposa D. Isabel de Parma. Prometida aos quatro anos em casamento ao futuro Luís XV de França, seu pai, desejoso de estabelecer uma aliança com a coroa portuguesa decidiu, em 1725, destiná-la a casar-se com herdeiro desta, o príncipe D. José, projecto que foi bem acolhido pelo rei de Portugal, D. João V que em 1727 enviou a Madrid o marquês de Abrantes, embaixador extraordinário, onde este obteve solenemente a mão da infanta, celebrando-se as cerimónias ante-nucpciais em 19 de Fevereiro de 1729.
Com a morte d’O Magnânimo em 1750, D. José subiu ao trono com sua esposa D. Mariana Vitória que assim se tornava na 32.ª Rainha de Portugal (5.ª da dinastia de Bragança), se exceptuarmos desta relação D. Ana Barbosa, esposa de D. António Prior do Crato cuja legitimidade como rei de Portugal é controversa. Em 1776 é D. Mariana Vitória nomeada Regente pelo marido, entretanto abalado por problemas de saúde e progressiva debilidade física que o levariam à morte no ano seguinte, sucendendo a D. José no trono de Portugal a sua filha herdeira D. Maria I, retirando-se sua mãe entretanto para Espanha e regressando a Lisboa onde feleceu em 15 de Janeiro de 1781. Jaz na Igreja de S. Francisco de Paula.
Das principais virtudes desta rainha de Portugal originária da Casa de Bourbon, destaca-se o seu espírito de temperança manifestado desde cedo e ainda em vida de D. João V, havendo na sua correspondência com seus familiares espanhóis referências reprobatórias dos gastos indevidos e excessivos do sogro. Além disso foi uma rainha menos timorata do que conciliadora empenhada em assegurar as melhores relações entre os dois Estados Ibéricos, sendo sob sua influente diligência que o 2º Tratado de El Pardo, em 1778, celebrado entre D. Maria I e Carlos III de Espanha, chegou a bom termo, estabelecendo-se o necessário consenso quanto à questão dos limites entre as duas soberanias no território da América e estipulando-se o casamento entre do infante D. João, de Portugal, com a infanta D. Carlota Joaquina, das Astúrias, e o da infanta D. Mariana Vitória Josefa com o infante D. Gabriel, irmão do príncipe das Astúrias. Julga-se que terá contribuído para atenuar algumas manifestações fanáticas alimentadas pela filha, D. Maria I, decorrentes do profundo espírito religioso desta e do traumático efeito que sobre ela exercera o atentando contra a vida de seu pai.

sexta-feira, 30 de março de 2012

520.º Aniversário da expulsão dos judeus de Castela e o reforço das comunidades criptojudaicas em Trás-os-Montes

Por Leonel Salvado

Expulsão dos judeus de Espanha em 1492,
xilogravura, posteriormente colorida, de Michaly Von Zichy, 1880, AKG Imagens/Latins Tock
 http://www2.uol.com.br/historiaviva

Celebram-se amanhã os 520 anos do acontecimento a que me reportarei em primeiro lugar. Por provisão assinada em Alhambra, a 31 de Março de 1492 os reis católicos, Isabel e Fernando, determinaram a expulsão dos judeus do reino de Castela. A determinação, conhecida como o “decreto de Alhambra” estabeleceu na realidade, segundo Joaquim Veríssimo Serrão (Historia de Portugal, Verbo, Vol. II pp.261-262), que nessa data “os judeus que não quisesses converter-se teriam de sair daquele reino até o fim de Julho, levando os seus bens com excepção de ouro, pratas e moedas. Supõe o mesmo historiador que apartir de então “cerca de 30 000 famílias, num total aproximado de 150 00 pessoas deixaram a Espanha, vindo a maior parte, ao redor de 90 000 para o reino vizinho. Mais informa veríssimo Serrão que D. João II lhes abrira cinco postos de entrada dentre os quais Bragança com a obrigação de os fugitivos pagarem uma taxa de 8 cruzados, taxa reduzida à metade para as crianças e os oficiais mecânicos, caso contrário sujeitar-se-iam a ficar cativos. Mais estabeleceu o monarca português um prazo de oito meses para abandonarem o reino, a menos que pagassem uma contribuição elevada, o que aconteceu com as famílias mais abastadas. Diz-nos também Joaquim Veríssimo Serrão que a maior parte dos judeus de Castela-a-Velha se estabeleceu em Trás-os-Montes, deixando marcas nos seus apelidos da sua origem geográfica, tais como Leão, Burgos, Ledesma, Soria e Valhadolid. Convém que se diga que a presença do povo mosaico em Trás-os-Montes remonta a épocas anteriores, pois como sublinha o historiador que temos seguido até aqui, na segunda metade do século XV - cremos que se refere a um qualquer momento anterior ao “decreto de Alhambra” – assinalam-se comunas de judeus em Miranda do Douro, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor, entre outras. E o mesmo já se passava segundo a mesma fonte no século XIV em Bragança e Mogadouro – para nos cingirmos apenas a Trás-os-Montes (Id. Vol I, p 340).
Resulta do exposto, o que aliás é corroborado em outras fontes, que devemos considerar no tecido social de ascendência judaica em Trás-os-Montes comunidades de dupla composição: uma autóctene e outra castelhana. É essa a realidade que vem sendo confirmada cientificamente por um estudo recente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, coordenado por António Amorim, que abordaremos mais adiante.
Aos judeus autóctenes de Trás-os-Montes, maioritariamente estabelecidos no actual distrito de Bragança, juntaram-se outros judeus provenientes de Castela que pela suas características somáticas dificilmente se distinguiam, pois eram ambas as comunidades descendentes dos “Sefarditas” (do ramo semita), cripto-judeus ibéricos designados por “anussim”, designação que deriva de “B’nei anussim” ou “Ben anus” com os significados de” filhos forçados” ou “filho forçado” ou, ainda mais comumente designados por “judeus marranos”.

Uma das localidades que tem servido de paradigma para a questão da ascendência dos “anussim” é Vilarinho dos Galegos, uma freguesia do concelho de Mogadouro a que tem atribuído uma certa exclusividade nesse âmbito. Contudo, Carlos Baptista publicou um artigo na página da “Comunidade Masorti” de Lisboa que, sem negar a relação daquela comunidade com a cultura judaica, integra-a num conjunto de outras localidades igualmente relacionadas com as antigas comunidades ”anussim”, a grande maioria delas pertencentes ao distrito de Bragança. Trata-se de um artigo de grande interesse sobre esta temática que entendemos transcrever.


«Vilarinho dos Galegos, uma exclusividade no panorama transmontano?

Não, de facto não o é, e não será de modo nenhum uma situação única no que respeita à presença dos “anussim” a nível regional.
Trás-os-Montes até pela sua localização geográfica, sempre foi uma espécie de “abrigo seguro” para as suas gentes, e uma barreira difícil de transpor até para os próprios emissários do Santo Ofício.
Por lá se instalaram comunidades judaicas, mesmo antes do nascimento de Portugal como nação, e nos finais do século XV, houve uma enorme vinda de judeus de Espanha para toda aquela região fronteiriça.
Chacim, Carção, Vimioso, Orjais, Chaves, Bragança, Mogadouro, Rebordelo, Valpaços e Mirandela, entre outras localidades, e neste caso Vilarinho dos Galegos, são alguns bons exemplos de povoações transmontanas, onde é bem visível ainda a presença judaica em algumas casas, na gastronomia, e nas suas orações religiosas. Se Vilarinho dos Galegos, integrada no concelho de Mogadouro, poderá não ser uma exclusividade histórica, pelo menos é sem dúvida um dos marcos da perseverança e da tenacidade dos “anussim” em Portugal. Possuidores de tradições e de ritos mais ou menos secretos, eles continuam a perpetuar um pouco a alma e a herança do povo de Israel em terras de “Sefarad”.
Vilarinho conta hoje com um número de habitantes que não chegará às três centenas, e actualmente por toda aquela região, ainda são conhecidos por “judeus”.
Numa nota final, e para quem aprecia e dá valor à memória de uma população que persiste em salvaguardar a sua cultura, os “Novos Contos da Montanha”, do escritor Miguel Torga, são de facto uma leitura obrigatória para se conhecer este interessante fenómeno, que são os “anussim” de Trás-os-Montes.»

Carlos Baptista, “Comunidade Judaica Masorti de Lisboa”
In http://www.beitisrael.org

Muito interessante também e, aliás em conformidade com a informação que se retira do artigo anterior é estoutro artigo sobre um amplo estudo científico “destinado a traçar a demografia histórica das comunidades criptojudaicas e da diáspora sefardita” e que no que toca à “caracterização da composição genética da comunidade de judeus do Distrito de Bragança” já chegou a surpreendentes resultados. Vale a pena ler e aguardar pelos novos desenvolvimentos deste trabalho.

«Judeus de Trás-os-Montes mantêm perfil genético

Um estudo recente, coordenado por António Amorim, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), vem demonstrar que a comunidade de descendente de judeus, em Trás-os-Montes, conseguiu manter uma identidade cultural que se correlaciona com a persistência de um perfil genético distinto.
É a primeira vez que a composição genética dos judeus portugueses do Norte é analisada e a conclusão aponta para um baixo nível de contaminação por mistura de sangue e para a preservação de genes judaicos.
Pode falar-se de uma comunidade transmontana de proveniência judaica com dupla composição: uma autóctone e outra castelhana, robustecida pela expulsão dos judeus de Castela, em 1492, e pela fuga à Inquisição do reino vizinho. Após os decretos de expulsão/conversão forçada (por D. Manuel I, em 1496) e após três séculos de Inquisição, este estudo pretende traçar a demografia histórica das comunidades criptojudaicas e da diáspora sefardita.
Ainda não está concluído, mas já foram lançados alguns resultados preliminares que se relacionam com a zona de Trás-os-Montes: está feita a caracterização da composição genética da comunidade de judeus do Distrito de Bragança.
Para a elaboração deste estudo foram analisados 57 indivíduos (das aldeias de Carção e Vilarinho dos Galegos; vila de Argoselo; Cidades de Bragança e Mogadouro) que se assumiam como possuindo ancestralidade `judaica`.
De acordo com o coordenador do estudo, António Amorim, foram detectadas em comunidades do distrito de Bragança “linhagens típicas do Próximo Oriente dez vezes mais frequentes do que no resto do país que se identificam como sendo de origem judaica”. Pode dizer-se, continua António Amorim, “que houve manutenção de uma identidade cultural que se correlaciona com a persistência de um perfil genético distinto, mas que não corresponde a um isolamento total”. Quanto à interpretação destes dados, o investigador prefere “esperar pelos resultados das linhagens femininas para (re)analisar essas questões”, sendo que, de qualquer modo, "o nível histórico e sociológico dessa análise será feito por especialistas nessas áreas”. O estudo emergiu de uma análise do cromossoma Y (masculino), passado exclusivamente de pai para filho, e denunciou uma diversidade muito elevada de linhagem, com uma incorporação de genes não-judaicos relativamente pequena e a ausência de um acentuado desvio genético. Falta agora tentar perceber como é que estas comunidades evitaram a mistura de genes, previsível durante séculos de repressão religiosa.
Este estudo tem, no entanto, uma amplitude mais vasta. Abraça o crescente interesse, em várias áreas científicas, pela reconstituição de migrações, nomeadamente das populações judaicas que constituem um paradigma de comunidades em migração constante. O projecto focou um subconjunto bem limitado desses movimentos: o das comunidades judaicas da Ibéria depois do século XVI, quando esta minoria demograficamente importante foi forçada a escolher entre a conversão e o exílio. Pretende utilizar marcadores genéticos de populações actuais para inferir a demografia histórica das comunidades que permaneceram na Ibéria e daquelas que migraram para a Europa do Norte e para o Novo Mundo.»

in http://www.fc.up.pt

Para quem se interessa por esta temática - Os judeus em Trás-os-Montes - sugerimos que visite regularmente o blogue com este título, AQUI.

90.º Aniversário da partida de Sacadura Cabral e Gago Coutinho para a primeira travessia aérea do Atlântico Sul

Partida do Lusitânia com Sacadura Cabral e Gago Coutinho, Lisboa, 1922
http://pt.wikipedia.org | http://www.fotolog.com.br

Já nos reportámos a esta efeméride na nossa publicação no dia 17 de Junho de 2010, intitulado “A primeira travessia aérea do Atlântico-Sul, que é uma abordagem geral a este glorioso feito de Sacadura Cabral e Gago Coutinho na História da Aeronáutica Mundial e que contém ainda as resenhas biográficas de cada um destes protagonistas.
Para ver ou rever este assunto clique

quinta-feira, 29 de março de 2012

763.º Aniversário da conquista de Faro por D. Afonso III

A “conquista” da cidade de Faro aos muçulmanos por D. Afonso III, no dia 29 de Março de 1249, representa para muitos historiadores a conquista definitiva do Algarve e por conseguinte, o culminar da Reconquista Cristã em território português. Convém no entanto observar que este sucesso sobre os Mouros não garantiu de imediato a posse definitiva do Algarve para a coroa portuguesa pois tal só viria a revelar-se como uma viável realidade pelo Tratado de Badajoz, quase 18 anos depois e como uma realidade consumada pelo Tratado de Alcanices, no reinando de D. Dinis, com o estabelecimento “definitivo” das fronteiras portuguesas. A conquista de Faro não deixa de ser, contudo, um evento decisivo para o processo de consolidação da Nacionalidade que cumpre comemorar.


(2011)

203.º Aniversário do desastre da Ponte das Barcas

Tendo em conta esta memorável data, entendemos actualizar, com a imagem das “Alminhas da Ponte”, no Porto que lembra a tragédia de 29 de Março de 1809, as memórias das vítimas deste triste evento da História da Cidade Invicta, que já havíamos tratado em 2011. (clique na imagem para aumentar)

Para aceder ao que publicámos por ocasião do 202.º Aniversário deste trágico acontecimento
 de relevância histórica nacional clique 

quarta-feira, 28 de março de 2012

151.º Aniversário da elevação de Valpaços à categoria de Vila


Ontem foi dia de celebrar uma das mais importantes datas comemorativas da história da localidade e Município de Valpaços. Em 27 de Março de 1861 era referendado pelo Marquês de Loulé o acto de elevação a Vila da aldeia de Valpaços, já então cabeça de concelho, acto esse que viria a ser confirmado por Carta de mercê de D. Pedro V a 4 de Abril seguinte.

Para rever tudo o que conseguimos apurar sobre os factos e as circunstâncias que rodearam este efeméride de decisiva importância para o engrandecimento do Concelho, bem como os protagonistas que nelas intervieram, publicados aqui por ocasião dos seus 150 anos, clique sobre a imagem. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Solares do concelho de Valpaços – Solar dos Barros, Xavieres e Pimentéis e Morais Pinto

Por Leonel Salvado

(clique na imagem para aumentar)

Nota prévia: A respeito dos solares de Possacos, tirando o dos “Machados”, tem existido ao longo dos tempos a uma enorme confusão na sua relação com as famílias mais conhecidas da aristocracia local pelos séculos XVIII e XIX às quais elas pertenceram, nomeadamente os Morais, os Pinto, os Xavier e Pimentel e nas correspondências destas com as representações heráldicas que esses solares ostentam, o que é perfeitamente natural. Na verdade, a identificação dos solares, aqui como em qualquer outra parte foi variando no tempo e dependeu sempre do ponto de vista das pessoas. Como se compreenderá, a prevalência do determinativo original procedente de uma interpretação heráldica não tem necessariamente de corresponder, nem corresponde na maioria dos casos, à designação comum que é sujeita a alterações sempre em função dos nomes dominantes de família dos sucessivos proprietários, tal como tem sucedido em Possacos, tanto no percurso final da monarquia constitucional, como daí até à actualidade. Digo nomes dominantes porque também, por exemplo, não me parece que alguma vez tenham sido invocados pela população local os nomes das famílias Cardoso, Barros e Alão, cujas divisas também se encontram nas pedras de armas dos três solares conhecidos na localidade de Possacos. Os nomes que sobressaem ainda hoje para a identificação dos solares desta localidade são Morais-Pinto/António Terra, Xavier-Pimentel e Machado.

O Solar representado na foto é actualmente conhecido como o “Solar dos Morais Pinto” e situa-se no lado oposto da mesma artéria da localidade de Possacos onde se encontra um outro Solar que tratámos na primeira edição desta categoria temática e a que hoje se costuma chamar o “Solar de António Terra”, o qual, como procurámos esclarecer - na esteira da interpretação do Padre João Vaz de Amorim – pertenceu em tempos passados à família Morais Pinto e julgo que certamente também às famílias dos Xavieres e Pimentéis, a que a primeira parece ter-se ligado, já que na respectiva pedra de armas se vê a divisa dos Pimentéis e na década de 40 do século passado ainda era designada pelos moradores de Possacos como a “Casa dos Xavieres”, segundo testemunha o mesmo autor com o pseudónimo de “João da Ribeira” na obra “Por Montes e Vales… Terras de Monforte e Terras de Montenegro.
Posto que por essa mesma época, o Solar hoje comummente designado como dos Morais Pinto (na foto) ainda pertencia aos “legítimos representantes” da família Pimentel, como “João da Ribeira” teve o cuidado de anotar, esclarecendo porém que os “Pimentéis de Possacos são parentes próximos dos Morgados de Rio Torto e dos Carvalhais de Veiga de Lila e Argeriz, cujo primitivo solar avoengo foi em Padrela”, parece-me mais acertado atribuir a sua primitiva posse, ainda pelo século XVIII, não a esta família mas a uma outra de que não há memória na povoação, mas que é atestada pela pedra de armas que o mesmo solar ainda ostenta – a família Barros. Efectivamente, a pedra de armas do Solar dito dos Morais Pinto, que foi também o “solar dos Xavieres e Pimentéis”, é datável do século XVIII e exibe as armas plenas dos Barros, como muito bem observou o Padre João Vaz de Amorim e se confirma na simbologia heráldica que ela contém – Armas: três bandas acompanhadas de nove estrelas postas 1, 3, 3, 2. Timbre: uma aspa carregada de 5 estrelas do escudo. Não obstante a linhagem dos Morais Pinto ter-se esgotado com Luís Augusto de Morais Pinto, segundo “João da Ribeira”, a verdade é que o Solar de que falamos encontra-se actualmente na posse dos descendentes desta família, sendo esta a única razão por que o nome de Morais Pinto lhe tem servido de determinativo.

Para aceder a outros solares [local/regional] tratados neste blogue, clique

domingo, 25 de março de 2012

Hoje celebra-se o Dia da Anunciação do Senhor

Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço. Para rever a mensagem que editámos em 2011desta data de celebração clique na imagem.

sexta-feira, 23 de março de 2012

145.º Aniversário do nascimento de Norton de Matos

Nascido em Ponte de Lima, em 1867 e falecido na mesma Vila em 1955, O General Norton de Matos foi, além de conceituado militar, uma personalidade destacada na Administração Ultramarina, na Diplomacia e na Política, fazendo-se notar enquanto um dos mais activos opositores da ditadura salazarista. Para rever o que a seu respeito publicámos por ocasião dos 144 anos do seu nascimento clique na imagem.

O anúncio aviculário da Primavera e as Tosquias

Por Leonel Salvado
Clique na imagem para aumentar

«Quando surge o Milhafre, nova estação se aproxima!
É o tempo da tosquia, quando chega a Primavera, e as andorinhas aconselham a troca das roupas quentes por vestes mais estivais
Aristófanes, “As Aves”, 414 a. C.

Dois milénios depois, ainda é assim em muitas regiões portuguesas, como é caso de Figueira de Castelo Rodrigo, em Riba-Côa, e em outros locais do Norte onde quer que, de Março a Agosto, se costume vislumbrar o voo de milhafres e haja ovinos para tosquiar, como acontece em Trás-os-Montes (particularmente em Miranda do Douro) e em algumas partes do estuário do Minho. Por toda a parte as andorinhas confirmam a chegada da Primavera e convidam à celebração deste ciclo de vida renascida.

quinta-feira, 22 de março de 2012

52.º Aniversário do nascimento de Ayrton Senna

Perfizeram ontem, 21 de Março de 2012, os 52 anos do nascimento de Ayrton Senna da Silva, um dos maiores nomes da história do desporto automóvel mundial que faleceu tragicamente em 1995 num inexplicável acidente em Itália. Para rever algumas notas sobre esta data comemorativa, tal como foram aqui editadas em 2011, clique sobre a imagem.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Documentos de Einstein vão estar disponíveis na Internet

Por Reuters – 19.03.2012

Documentos de EinsteinDocumentos do físicoReuters/Ronen Zvulun

Os documentos escritos por Albert Einstein vão estar disponíveis num site produzido pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Não são só os documentos científicos que qualquer um vai poder ler: entre os 80.000 documentos disponibilizados pela universidade, estarão cartas de amor e manuscritos que mostram os esforços políticos encetados pelo Nobel.

Passados 57 anos da morte de Einstein, a universidade que o Nobel ajudou a fundar disponibilizou nesta segunda-feira parte dos seus documentos na Internet. A instituição está decidida a publicar digitalmente todo o arquivo do cientista no site Einstein Archives Online
Entre os documentos que mais provavelmente irão atrair a atenção do público está um manuscrito muito raro em que o autor escreveu a fórmula da teoria da relatividade: E=mc2 (Energia é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz no vácuo).
Mas há material para todos os gostos. Existem 24 cartas de amor dirigidas à sua segunda mulher, mas que foram enviadas quando Einstein ainda estava casado com a sua primeira mulher. 
Em relação ao homem político, existe neste arquivo uma proposta feita pelo físico em 1930 para uma “reunião secreta” entre judeus e árabes para trazerem a paz ao Médio Oriente. 
Neste momento, só está publicada uma parte dos documentos escritos antes de 1923, quando Einstein tinha 44 anos. À medida que as folhas de papel vão sendo digitalizadas, a maioria escritas na língua materna de Einstein, o alemão, a universidade irá publicar traduções em inglês e notas sobre os documentos, disse Hanoch Gutfreund, do grupo responsável pelos arquivos. 
“Isto não vai servir só para satisfazer a curiosidade dos curiosos”, disse o responsável. “Também vai ser uma ferramenta muito importante de educação e de investigação para os académicos.”
Alguns dos objectos eram tão pessoais que os especialistas pesaram cuidadosamente se os publicavam ou não. Entre estes estão 24 cartas de amor que o cientista escreveu à prima, Elsa Einstein, com quem manteve uma relação extraconjugal durante muitos anos antes de finalmente divorciar-se da sua mulher, Mileva Maric, e voltar a casar em 1919: “Se deixarem passar suficiente tempo”, concluiu Gutfreund, os documentos “tornam-se kosher”, disse, referindo-se aos alimentos que são aprovados pela lei judaica.
Outro manuscrito, que ainda não foi incluído no site, mas que está agora exposto na universidade, é uma carta, de 1930, que Einstein escreveu em alemão para o jornal árabe Falastin em que propõe um “conselho secreto” para ajudar a acabar com o conflito entre árabes e judeus na então Palestina administrada pelos britânicos.
Einstein idealizava um comité de oito judeus e árabes – um médico, um jurista, um representante do comércio e um religioso de cada religião – que se reuniriam semanalmente: “Apesar deste “Conselho Secreto” não ter nenhuma autoridade, vai no entanto acabar por levar a uma situação em que as diferenças serão gradualmente eliminadas”, escreveu Einstein. Isto “irá sobrepor-se às políticas do dia”. 
O cientista, que fugiu da Alemanha nazi viajando para os Estados Unidos, apoiou durante muito tempo a comunidade judaica na Palestina. Mas teve sentimentos contraditórios em relação ao estado de Israel que emergiu em 1948.

PÚBLICO | http://www.publico.pt/ 

Das memórias do Rabaçal à actualidade.

Por Leonel Salvado.

O Rio Rabaçal em Bouçoais

HISTÓRICA LEGISLAÇÃO FUNDAMENTA PROIBIÇÃO DE PESCA NO RIO RABAÇAL
Há dias, mais exactamente no dia 9 de Março do presente ano de 1912, publicámos aqui e na página do Facebook vinculada ao presente blogue um artigo invocando algumas memórias do Rio Rabaçal que, em boa hora, constatámos terem caído nas boas graças de um grande número dos amigos do “Clube de História Valpaços”, alguns dos quais recordam com imensa saudade esta preciosa referência do seu Património Natural. Ora, quatro dias depois desta publicação o Vice- Presidente da Autoridade Florestal Nacional, do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, João Soveral, determinou a criação de uma zona de protecção no troço do mesmo rio, a jusante da sua confluência com o Mente até ao Pontão e São Jomil e, a montante, nos termos de várias freguesias dentre os quais no de Bouçoais, concelho de Valpaços, assinando o AVISO que torna publica a proibição, também aí, do exercício da pesca. Razão? «Na sequência do evento de mortalidade piscícola ocorrido na Albufeira de Rebordelo, no rio Rabaçal, concelho de Vinhais». Convém que se diga que só agora de torna público este aviso e que ele se fundamenta no art.º 43 do Decreto N.º 44623 do longínquo ano de 10 de Outubro de 1962.
Já em 1758, isto é há cerca de dois séculos e meio, o abade de Bouçoais, António Xavier Fernandes, informava, assim, dos parcos recursos piscatórios que os paroquianos retiravam do rio Rabaçal:

«[de] pesca tem barbos, bogas, em pouca quantidade, e algumas trutas

Parece que nos últimos oito anos, após a construção da Barragem de Rebordelo, as coisas se complicaram ainda mais.

Para aceder ao referido aviso clique
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21 de Março: Dia Mundial da árvore


Comemoração do Dia Mundial da Árvore, 2011, pelos idosos do Lar de S. José,
Santa Casa da Misericórdia de Valpaços.

O Dia Mundial da Árvore ou da Floresta celebra-se anualmente em Portugal a 21 de Março.
Este dia é também o dia em que começa a Primavera.
A celebração do Dia Mundial da Árvore ou da Floresta começou a 10 de Abril de 1872, na cidade do Nebraska, Estados Unidos da América.
O seu mentor foi o jornalista e político Julius Sterling Morton, que incentivou a plantação de árvores no Nebraska, promovendo o "Arbor Day".
O objectivo da comemoração do Dia Mundial da Árvore é sensibilizar a população para a importância da preservação das árvores, quer em termos ambientais como da própria qualidade de vida dos cidadãos.
Neste dia decorrem várias acções de arborização, em diversos locais do mundo

In http://www.calendarr.com

Recordando o Dia Mundial da Árvore 2011 em Valpaços

«A Santa Casa assinalou o Dia Mundial da Árvore com a plantação de uma camélia na Nossa Sra. da Saúde. A plantação foi feita pelos idosos do Lar de S. José, que aproveitaram a saída para visitar o Santuário e fazer uma oração.
Foram cerca de 20 idosos os que se deslocaram à Nossa Sra. da Saúde para, primeiramente, rezar no Santuário e mais tarde cumprir o objectivo do dia: plantar uma árvore. Depois de analisado e escolhido o melhor local para a colocação da camélia, com a participação de todos, abriu-se uma pequena cova para depois se inserir a planta.
O Dia Mundial da Árvore, cuja origem teve lugar no estado norte-americano do Nebraska, em 1872, é uma data essencial para relembrar as pessoas sobre a importância do respeito pela Mãe Natureza. Hoje, dia 21, o gesto destes idosos pretende transmitir essa mensagem a todas as pessoas, para que juntos contribuamos para um planeta mais verde, mais puro, um mundo…melhor!»

In http://www.scmv.pt/site/ (21 de Março de 2011)

Para informações mais detalhadas sobre a celebração Universal do Dia Mundial da Árvore, clique
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