quinta-feira, 27 de setembro de 2012

202.º Aniversário sobre a Batalha de Buçaco


Passaram-se dois anos sobre o Bicentenário da Batalha do Buçaco que resultou numa clara vitória anglo-lusa sobre o exército invasor napoleónico comandado por Massena, vitória esta que é considerada como a que mais elevou a moral dos aliados, face à desmoralização das tropas francesas, e, portanto, talvez possa ser entendida como a mais importante batalha da guerra peninsular em favor dos primeiros.
Para rever o que editámos em memória deste evento, por ocasião do se 201.º Aniversário, clique na imagem.

217.º Aniversário do nascimento do marquês de Sá da Bandeira


Nasceu no dia 26 de Setembro de 1796 e é uma figura histórica nacional mas também de relevância local e regional. Esteve em Valpaços e foi aqui um dos protagonistas de um dos mais destacados eventos históricos das guerras liberais da História de Portugal. Comemoraram-se ontem os 217 anos do seu nascimento.
Para rever o que publicámos em memória desta figura histórica, por ocasião do 216.º Aniversário do seu nascimento clique na imagem.
Para rever um estudo que publicámos sobre a "Batalha de Valpaços" e o protagonismo nela exercido por Sá da Bandeira, clique AQUI.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Monografia de Valpaços em versão digital


A 2ª edição desta obra, publicada em Dezembro de 1990, encontra-se esgotada há algum tempo. Contudo, já se encontra disponível no Portal Novo do Município de Valpaços uma versão digital da mesma para consultar, imprimir ou baixar. Os visitantes do Clube de História de Valpaços eventualmente interessados podem desde já aceder a ela a partir daqui e futuramente através do hiperligação da Biblioteca Digital do Clube de História de Valpaços apresentado na barra lateral do presente blogue.

Para aceder já à obra e ao referido Portal clique na imagem.  

sábado, 22 de setembro de 2012

Efigénia do Carvalhal na nossa Galeria de Notáveis



Também já faz parte da Galeria de Notáveis do Clube de História de Valpaços. A sua biografia também já foi aqui editada, ostentando uma fotografia antiga (a preto e branco) que serviu de base para se elaborar a presente alegoria. A presente versão desta reconstituição é uma adaptação da versão artística original para corresponder à apresentação formal da galeria.

Rever a sua Biografia

Conhecer a versão artística original desta reconstituição alegórica

António Bernardino da Cruz Coutinho

Por Leonel Salvado

António Bernardino da Cruz Coutinho | foto: José António Soares da Silva, 
O Partido Progressista em Valpaços, 1886 – 1910, CMV, 2006 (adaptado) | 
moldura:  http://www.ruadireita.com


Nasceu no primeiro dia do mês de Setembro de 1869 na vila de Valpaços. Foi filho de Luís Rodrigues da Cruz Coutinho, “médico cirúrgico” aqui radicado e proprietário, oriundo de Alvações do Corgo, Santa Marta de Penaguião, e de Maria de Jesus Lopes, natural da mesma vila de Valpaços.
É recordado como personalidade benquista e assim admirada e respeitada em Valpaços, não em virtude das suas habilitações literárias, que foram limitadas, mas do seu carácter espirituoso, singular inteligência e argúcia e invejável sucesso obtido nos empreendimentos agrícolas a que se dedicou.
Adquiriu, também por isso, desde muito jovem, significativa notoriedade no exercício de cargos de responsabilidade pública e notável afirmação na vida político-partidária da sua terra natal.
No ano de 1887, com apenas 18 anos de idade, foi administrador substituto do concelho de Valpaços.
Em 1894 casou na mesma vila com Maria Cândida de Sousa Gavaias, de 32 anos de idade, filha natural de Maria da Trindade, ambas também naturais da freguesia de Santa Maria Maior de Valpaços.
Enquanto o partido Regenerador definhava, o seu interesse pela actividade partidária ao lado dos Progressistas proporcionou-lhe a entrada para a comissão executiva do respectivo partido em 1897, o ano que representa o momento áureo das actividades do mesmo partido em Valpaços. Cruz Coutinho pertenceu, juntamente com os demais membros da mesma comissão, à “Assembleia Geral Instaladora da Confraria de Nossa Senhora da Saúde” e à “Comissão Promotora” da Construção da mesma capela, contribuindo com vários donativos para a mesma comissão e para a instituição hospitalar que ainda estava em obras desde 1882. Foi também um dos primeiros “Irmãos” inscritos em 1897 na confraria que ajudou a criar.
Em 12 de Dezembro de 1901, Cruz Coutinho foi o primeiro signatário da carta enviada ao conde de Vila Real, líder distrital do partido, expondo a deplorável situação que se vivia no Centro Progressista de Valpaços em consequência da demissão do Presidente da comissão executiva, Dr. Francisco José de Medeiros. O mesmo sucedeu em 22 de Junho de 1906 na carta enviada aos correligionários para, segundo as instruções chegadas do líder distrital, se realizar no 1º dia do mês seguinte uma reunião com vista a nova reconstituição do partido com uma nota sobre a expressa disposição do conde de Vila Real para aceitar presidir a nova comissão. Finalmente, na data combinada, 1 de Julho, Bernardino da Cruz Coutinho integrou a nova comissão executiva como 2º Secretário. Pouco mais se fez, porém, nos quatro anos que se seguiram até á dissolução do Partido em 11 de Outubro de 1910.
Entre 1905 e 1908 foi por quatro vezes presidente da câmara de Valpaços cumprindo inicialmente três mandatos sucessivos.
Em 1909, por outro lado, António Bernardino da Cruz Coutinho gozava da reputação de abastado proprietário valpacense, exportador de azeite e viticultor.
Diga-se apenas a título de curiosidade que, para além da sua intensa actividade político-partidária em Valpaços e da aparente prosperidade devida aos seus empreendimentos agrícolas, o seu nome também se tornou conhecido fora dos limites do concelho por ter sido sobrinho, e afilhado de baptismo, de um importante livreiro e editor portuense, António Rodrigues da Cruz Coutinho de quem se diz que foi amigo de Guerra Junqueiro e que este lhe terá dedicado alguns versos satíricos que foram publicados em 1875 no 1.º n.º do jornal “Lanterna Mágica”.
Em 16 de Maio de 1941, António Bernardino da Cruz Coutinho, já viúvo, lavrou o seu testamento e em 4 de Fevereiro de 1946 veio a falecer em Valpaços.

Ver uma reprodução artística deste retrato

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

578.º Aniversário do nascimento de D. Leonor de Portugal, imperatriz do Sacro-Império Romano-Germânico


Celebraram anteontem os 578 anos do nascimento de Leonor de Portugal que esteve na origem de uma das mais poderosas linhagens da monarquia europeia ocidental – a Casa de Áustria.
Para rever tudo o que conseguimos apurar e divulgar sobre esta ditosa figura da dinastia de Avis por ocasião dos 576 anos do seu nascimento clique na imagem.

domingo, 16 de setembro de 2012

Da Minha Janela… a lápis de cor


Trata-se de um novo blogue para divulgação de um conjunto de ilustrações criadas por Leonel Salvado para a Galeria de Notáveis do Clube de História de Valpaços e outros trabalhos realizados com os mais elementares instrumentos de trabalho: lápis de cor e papel cavalinho. Estes trabalhos começarão a ser revelados no blogue assim intitulado bem como na página com o mesmo nome no facebook e em duas outras páginas do facebook, uma apenas de divulgação e outra de eventual utilização comercial.

O blogue

Da minha janela… no Facebook                         
  
  Ilustrações Leonel Salvado no Facebook
                                                                                                                                        
Clique nas imagens para aceder aos respectivos espaços


Nota: a maioria dos trabalhos apresentados nestes espaços serão exibidos numa exposição planeada para o final do 1.º trimestre de 2013 em Valpaços.

175.º Aniversário do nascimento de D. Pedro V, rei de Portugal


D. Pedro V, aliás Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Saxe Coburgo e Bragança, nasceu a em 16 de Setembro de 1837 no Palácio das Necessidades em Lisboa, primogénito da rainha D. Maria II e do príncipe consorte, depois rei de Portugal, D. Fernando II. Cognominado de O Esperançoso, o Bem-amado ou o Muito Amado, foi o 32.º monarca de Portugal e personalidade de elevada formação cultural e de singular vocação governativa.

Para rever o que editámos aqui no Clube de História de Valpaços por ocasião do 174.º Aniversário do seu nascimento, clique na imagem.

162.º Aniversário do nascimento de Guerra Junqueiro


Transmontano nascido em Ligares, povoação do concelho de Freixo de Espada à Cinta, em 15 de Setembro de 1850, segundo alguns autores, ou em 17 do mesmo mês e ano, segundo outros, Abílio Manuel Guerra Junqueiro é uma referência incontornável da Literatura Portuguesa e da História política e administrativa portuguesa do seu tempo.

Para rever o que editámos em sua homenagem por ocasião do 161.º Aniversário do seu nascimento clique na imagem.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

127.º Aniversário do Nascimento de Aquilino Ribeiro


Comemorou-se ontem, dia 13 de Setembro,   o 126.º Aniversário do nascimento de Aquilino Ribeiro que é uma das grandes referências da literatura portuguesa mas também uma das personagens controversas da História nacional, sabendo-se dele, por exemplo, que estabeleceu uma relação pessoal e familiar com Manuel Buíça, o famigerado regicida oriundo de Bouçoais/Vinhais.
Para ver nosso post, editado por ocasião do 125.º Aniversário do seu nascimento, clique na imagem.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Efigénia do Carvalhal

Leonel Salvado

Ifigénia do Carvalhal de Sousa Teles Pimentel, como consta nos registos paroquiais, pergaminhos familiares e outros documentos, nasceu no dia 16 de Março de 1839 no lugar e freguesia de Veiga de Lila, concelho de Valpaços, numa das mais ilustres famílias da aristocracia de Trás-os-Montes aqui estabelecida desde o século XVII e cujas origens em Portugal remontam ao século XV.
Foi a primeira dos seis filhos do prestigioso Júlio do Carvalhal de Sousa Silveira Teles e Meneses, natural do lugar de Alanhosa, freguesia de S. Miguel de Nogueira, Chaves, e de sua primeira esposa, Maria da Piedade Ferreira Sarmento Pimentel de Lacerda e Lemos, natural de Carrazedo de Montenegro, ambos registados nos livros paroquiais como residentes e paroquianos de Veiga de Lila.
De todos os seis irmãos, apenas ela, Ifigénia do Carvalhal, Maria Adelaide e César (o mais novo e único varão) chegaram à idade adulta.
A prosperidade decorrente do considerável património da família, com casas e haveres nas localidades de Vilar de Nantes, Argeriz e Veiga de Lila, proporcionou a Ifigénia do Carvalhal esmerada educação e desprendida dedicação às Letras.
Foi Senhora de refinada cultura e escritora. Foi prima e companheira de infância do jovem talentoso escritor do género romântico em Portugal, Álvaro do Carvalhal de Sousa Silveira e Teles a quem, lamentavelmente, o destino reservou uma curta e dolorosa passagem pela vida. Entre os estudiosos dos “Contos” de Álvaro do Carvalhal, há quem saliente a possibilidade de o destino literário deste jovem escritor ter sido inspirado, desde a infância, em sua prima Ifigénia, cinco anos mais velha do que ele e ela própria apaixonada pela literatura romântica.
Ifigénia do Carvalhal de Sousa Teles é autora do romance “Clotilde” editado no Porto em 1869 pela Tipografia Pereira da Silva. Mais tarde, foi uma das colaboradoras do “Almanaque das Senhoras”, um periódico feminino do período romântico criado em 1870 e vocacionado para a leitura, a instrução e o recreio, com secções também dedicadas à poesia e à ficção.
Foi, por vontade de seu pai, falecido em 9.06.1872 na sua casa de Vilar de Nantes, e na qualidade de filha primogénita, ainda que solteira, a herdeira da Casa e Vínculo de Nossa Senhora dos Remédios de Veiga de Lila.
Casou no dia 12 de Setembro daquele mesmo ano, apenas cinco meses após a morte do pai, em Rio Torto, lugar e freguesia do mesmo concelho Valpaços, com Francisco António Teixeira de Morais Pimentel,  titular do antigo morgadio local que foi instituído em 1659, filho de Frederico Scipião Morais Teixeira Pimentel, natural da mesma freguesia, e de Ana Ludovina de Almeida e Sousa, natural de Santa Comba da Vilariça, Vila Flor. Efigénia do Carvalhal e Francisco de Morais Pimentel tiveram dois filhos que morreram de tenra idade.
Foi também Senhora dada a actos de beneficência vindo a integrar um ciclo muito restrito de valpacenses que receberam o honroso título de “benemérito”. Fez parte da Confraria de Nossa Senhora da Saúde em Valpaços na qual, em proposta apresentada em sessão da respectiva assembleia realizada em 19.05.1901, lhe foi atribuído o título de Irmã benemérita.
Nos últimos anos da sua vida, viúva e sem filhos, procurou assegurar a continuidade na família do Vínculo de Nossa Senhora dos Remédios de Veiga de Lila e de todos os seus bens, fazendo lavrar a necessária escritura de doação, sob reserva de usufruto, em favor de sua sobrinha Umbelina do Carvalhal. Não obstante, actualmente todo o património edificado e prdéios rústicos dos Carvalhais em Veiga de Lila encontra-se repartido por vários proprietários, alguns dos quais sem qualquer relação de parentesco com os actuais representantes da família Carvalhal.
Ifigénia do Carvalhal de Sousa Teles faleceu na sua terra natal no dia 22 de Janeiro de 1932, aos 93 anos de idade.
Lamentavelmente, ainda não foi ainda possível obter-se uma representação iconográfica mais adequada à sua personalidade (o seu retrato fidedigno) para poder figurar neste espaço, a Galeria de Notáveis do Clube de História de Valpaços com a dignidade que lhe é devida.


Fontes:
ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL, Livro de Registos de Baptismos e Casamentos, freguesia de Veiga de Lila, concelho de Valpaços | http://etombo.com
CARNEIRO, Maria do Nascimento Oliveira,  O fantástico nos contos de Álvaro do Carvalhal, Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1992|http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes
SILVA, José António Soares da, O Partido Progressista de Valpaços, 1886-1910, edição da Câmara Municipal de Valpaços, 2006;
TELES, Fernando Eugénio do Carvalhal Sousa Teles, Árvore da geração da família dos Carvalhais e Bettencourts das Ilhas e sua Descendência |http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com
TELLES, D. Ephigenia do Carvalhal Sousa, Clotilde, Typographia Pereira da Silva, Porto, 1869 | htto://aleph20.letras.up.pt

terça-feira, 14 de agosto de 2012

José Alberto Rodrigues

Leonel Salvado

José Alberto Rodrigues | foto: ANTT | http://digitarq.dgarq.gov.pt
(adaptado) | moldura:  http://www.ruadireita.com

Advogado e activista político na oposição democrática ao regime do Estado Novo, nasceu em 5.11.1905 no lugar de Cabanas, freguesia de Curros do concelho de Valpaços e distrito de Vila Real, no seio de uma importante família de proprietários da aldeia. Filho de Manuel Joaquim Rodrigues e Maria Teixeira, foi encorajado pelos pais e pela família a dedicar-se aos estudos.
Obteve a licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra e estabeleceu-se em Vila Pouca de Aguiar, vila e concelho do mesmo distrito de Vila Real na antiga Província de Trás-os-Montes, onde exerceu advocacia. Interveio em defesa dos arguidos políticos do regime salazarista antes e após a criação dos tribunais plenários e da PIDE.
Em 22.11.1933 foi preso pela PVDE, encarcerado na Penitenciária de Angra do Heroísmo, Açores, sendo restituído à liberdade mais de um ano depois.
A sua luta em defesa dos ideais democráticos intensificou-se a partir de então. Fez parte da Comissão Central do MUD (Movimento de Unidade Democrática), criado em 1945, e participou em todas as campanhas eleitorais da oposição à União Nacional que aquele movimento promoveu, designadamente na campanha de candidatura do General Norton de Matos às presidenciais que teve início em 3.01.1949. Após o fracasso desta campanha e em resposta à imediata extinção do MUD, ainda antes da desistência de Norton de Matos e da vitória de Óscar Carmona, José Alberto Rodrigues integrou a 1.ª Comissão Central do MND (Movimento Nacional Democrático), inaugurado no dia 10 de Fevereiro do mesmo ano. Em 21 de Dezembro foi de novo detido, desta vez pela PIDE, conduzido à cadeia do Aljube, em Lisboa, e posto à disposição dos tribunais criminais da mesma cidade. Saiu em liberdade cerca de um mês depois mas o procedimento criminal em que incorreu só foi julgado extinto por acórdão do 2.º juízo do Tribunal Criminal de Lisboa em Julho de 1951.
Foi por duas vezes membro do Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados e, também por duas vezes, delegado dos advogados do Círculo Judicial da Figueira da Foz.
Em 1965 foi candidato a deputado da oposição pelo círculo eleitoral de Braga.
Em 1967 obteve o registo de passaporte com destino ao Brasil, mas não consta que tenha saído do país.
Em 1969 volta a candidatar-se a deputado da oposição sendo incluído na lista da CDE (Comissão Democrática Eleitoral) pelo círculo de Vila Real. Ainda nesse ano participou no II Congresso Republicano de Aveiro, onde apresentou a tese intitulada «A Terra e o seu Emigrante» e em 1973 no III Congresso de Oposição Democrática com a tese «Breve Análise da Situação de Portugal no Mundo em 1973 Comparada com a Posição que Tinha em 1925, Ainda no Governo da República».
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 regressou a Trás-os-Montes.
Este "filho pródigo de Trás.os-Montes" que veio ao mundo no concelho de Valpaços, faleceu em 8.11.1979 em Borges de Aguiar, freguesia do concelho de Vila Pouca de Aguiar. O seu nome foi consagrado pela Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar na toponímia da vila.


Fontes:
AMORIM, Pe João Vaz de, “Por Montes e Vales… terras de Monforte e Terras de Montenegro”, in Revista Aquae Flaviae, nº 14, Chaves, Dezembro 1995;
A.N.T.T., PIDE 1919-1975, Direcção de Serviços de Investigação e Contencioso, Livro 1933-11-22/1934-10-12, 92 José Alberto Rodrigues | http://digitarq.dgarq.gov.pt
ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL, Livro de Registos de Baptismos, freguesia de Curros, concelho de Valpaços | http://etombo.com;
Id., AC/GCVR, Governo Civil de Vila Real 1834/1989, Livro de Registos de Passaporte (1967-12-20);
LEMOS, Mário Matos e,  Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Divisão de Edições da Assembleia da República e Texto Editores, Lda., 2009; 
MENDONÇA, Artur e José M. Martins, “Movimento Nacional Democrático”, 23 Outubro 2009 in Almanaque Republicano | http://arepublicano.blogspot.pt.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Francisco António Pereira da Guerra Lage

Por Leonel Salvado

Francisco António P. Guerra Lage | foto: Sanfins – Valpaços,
https://sites.google.com/site/sanfinsvlp/
(adaptado) | moldura:  http://www.ruadireita.com


Nasceu no último terço do século XIX no lugar de Fonte Mercê, freguesia de Água Revés e Crasto, no seio de uma antiga e conceituada família desta freguesia proprietária da “Casa de Fonte Mercê” ao tempo representada por seu pai, Cândido Júlio Lage.
Após uma breve passagem pela Academia Politécnica do Porto em que no dia 21 de Outubro de 1893 se matriculou na “classe de voluntários” do curso de Engenharia Civil, a duas cadeiras preparatórias, decidiu abandonar os estudos, encerrando a matrícula em Junho do ano seguinte, e regressou a Trás-os-Montes, fixando-se em Sanfins onde no mesmo ano de 1893 havia casado com Maria de Jesus, natural desta freguesia do concelho de Valpaços. Dedicou-se energicamente à agricultura e tornou-se grande produtor de azeite e cereais e abastado proprietário, detentor da maior casa de lavoura da região e de vasto património fundiário que se estendia aos termos dos lugares de Crasto e Lilela. Além da sua importante Casa solarenga de Sanfins, popularmente conhecida como a “Casa Grande”, ainda na década de 1940 constituía motivo de honra tanto para si e a família como para os moradores da aldeia o facto de, graças às suas excepcionais qualidades de gestor agrícola, possuir no sítio chamado do “Sagrado”, “o maior olival do concelho de Valpaços”.
Francisco Lage gozou de admirável reputação, tanto da parte dos humildes aldeãos que o conheceram melhor do que ninguém e o cognominavam de “pai dos pobres”, como de alguns homens de letras que também assim o definiram associando-lhe os atributos de «homem generoso e bom, leal fecundo e hospitaleiro» (João da Ribeira) e de «compadre e padrinho da aldeia inteira» (A. Veloso Martins). Além de agricultor pródigo e folgazão é ainda recordado como uma pessoa acomodada aos costumes urbanos e, sobretudo um apaixonado pela música, descolando-se várias vezes ao Porto para aí poder assistir a concertos de música clássica. 
Foi também personalidade destacada na vida política do concelho de Valpaços e no exercício de cargos de responsabilidade na liderança corporativa em direcção a cuja vila era visto amiúde deslocar-se na sua garbosa e estimada “égua russa”.
Foi militante e prestigiado membro do executivo do Partido do Partido Progressista de Valpaços, acompanhando todas as actividades promovidas por este desde a sua reorganização em 1897. Foi um dos irmãos da Confraria de Nossa Senhora da Saúde cuja criação se deveu ao dinamismo então imprimido no seio do partido pelas mais gradas figuras da sua comissão executiva. Passou a intervir mais activamente na acção do mesmo partido após a crise de 1901 que foi despoletada pela demissão do Dr. Francisco José de Medeiros da liderança, vindo a revelar-se como um dos mais enérgicos promotores da sua reorganização. Foi, nesse sentido, um dos signatários da carta que a 12 de Dezembro desse mesmo ano foi enviada ao líder distrital dos Progressistas para o pôr ao corrente da discórdia instalada no partido e da premente necessidade da sua renovação, bem como da carta que no dia 22 de Junho de 1906 foi expedida aos correligionários com a convocatória da reunião que para esse fim e com a anuência do mesmo líder distrital - conde de Vila Real - se realizou em Valpaços. Foi um dos vogais da nova comissão executiva aprovada por aclamação na Assembleia Geral de 1 de Julho de 1906 onde se apresentou como principal interveniente das propostas aí avançadas. Continuou integrado no Partido Progressista de Valpaços até à sua dissolução definitiva anunciada pela comissão em 22 de Outubro de 1910.
Já havia sido Presidente da Câmara de Valpaços em 1901 e no tempo da República voltou a sê-lo em 1937, após ter presidido a Comissão Municipal Administrativa no ano anterior e, por inerência de cujo cargo, lhe ter cabido a responsabilidade de receber em Valpaços o Presidente da República, Marechal Óscar Carmona, na cerimónia de celebração do Centenário da elevação de Valpaços a concelho.  Foi depois Presidente do Grémio da Lavoura do concelho de Valpaços, no exercício de cujo cargo ainda se mantinha em 1943. Faleceu na sua casa de Sanfins poucos anos depois com larga e ilustrada descendência directa.


Fontes:
ADUP APP - Academia Politécnica do Porto, 1837-1911, Livro de Matrículas e Actos Finais dos alunos da Faculdade de Ciências : Preparatórios | http://repositorio-tematico.up.pt;
ALVES, Paulo, Sanfins – Valpaços | https://sites.google.com/site/sanfinsvlp;
AMORIM, Pe João Vaz de, Por Montes e Vales… terras de Monforte e Terras de Montenegro”, in Revista Aquae Flaviae, nº 14, Chaves, Dezembro 1995;
MARTINS, A. Veloso, Valpaços, Monografia, Lello & Irmão, Porto, 2.ª ed., Dez. 1990;
SILVA, José António Soares da, O Partido Progressista de Valpaços, 1886-1910, ed. C. M. Valpaços, 2006.

Santa Rita de Cássia, venerada em Sanfins de Valpaços


Vencedora das causas impossíveis e advogada dos terramotos”, Rita de Cássia é uma santa de rara veneração no Norte de Portugal, mas com dedicados fiéis em algumas aldeias raianas do concelho de Bragança e em Vila Real. Em Valpaços há também sinais da sua devoção, dada a existência de uma capela da invocação da mesma santa na Avenida Eng.º Francisco Baptista Tavares.  Mas ela é especial e solenemente celebrada pela comunidade de Sanfins, freguesia do concelho de Valpaços cujas festas a ela dedicadas decorreram este anos nos dias 10, 11 e 12 deste mês de Agosto.
Para rever a homenagem que lhe dedicámos, bem como aos seus devotos de Sanfins em 2011 clique na imagem.

sábado, 11 de agosto de 2012

105.º Aniversário do Nascimento de Miguel Torga


Estamos a 1 dia da celebração dos 105 anos do nascimento de Miguel Torga.
Nascido a 12 de Agosto de 1907, em São Martinho da Anta, distrito de Vila Real, o nosso Miguel Torga é uma figura de relevância regional no contexto da categoria “datas comemorativas [local / regional] ” a homenagear no Clube de História de Valpaços.

Para rever neste o que publicámos a respeito de Miguel Torga por ocasião do 103.º Aniversário do seu nascimento, clique na imagem.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

80.º Aniversário do “regresso” do último rei de Portugal


D. Manuel II, falecido em 2 de Julho de 1932 em Twickenham, Inglaterra foi sepultado em Portugal, como foi sempre seu desejo, no dia 2 de Agosto de 1932. Vinte e um anos após o fim da monarquia, a cerimónia não deixou de assumir contornos de Funeral de Estado com a presença de milhares de populares, monárquicos, republicanos e os mais altos representantes do governo da República – uma data comemorativa!

Para ver ou rever o que publicámos por ocasião do 78.º Aniversário deste efeméride, clique


83.º Aniversário do nascimento de Zeca Afonso


José Afonso
Quando a música portuguesa perdeu a inocência

Zeca Afonso foi um notável compositor de música de intervenção, durante um dos mais conturbados períodos da história recente portuguesa. Como compositor, soube conciliar de forma notável a música popular e os temas tradicionais com a palavra de protesto.

Para rever o que publicámos em homenagem a Zeca Afonso por ocasião dos 81 anos do seu nascimento clique

terça-feira, 24 de julho de 2012

115.º Aniversário do nascimento de Amelia Earhart


Imagem: http://theeclecticgoddess.blogspot.com

Amelia Mary Earhart, nasceu em Atchison, Kansas, EUA, no dia 24 de Julho de 1897 e desapareceu no Norte do Oceano Pacífico a 22 de Julho de 1937. Foi uma das pioneiras da aviação dos Estados Unidos da América e dedicada defensora dos direitos das mulheres, tornando-se amiga da primeira-dama do seu país, Eleanor Roosevelt, também ela uma grande apaixonada pela aviação, com quem alinhou em defesa das causas femininas. Tornou-se famosa nas mais diversas acções devidas ao seu multifacetado talento e personalidade carismática, mas sobretudo por ter sido a primeira mulher a voar sozinha sobre o Atlântico.

Para rever o que publicámos sobre Amélia Earhart, por ocasião do 113.º Aniversário do seu nascimento clique

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Morreu o Professor José Hermano Saraiva


José Hermano Saraiva, http://embaixada-portugal-brasil.blogspot.pt
 Academia Portuguesa de História

O historiador José Hermano Saraiva morreu hoje aos 92 anos. José António Crespo, produtor do historiador, confirmou à RTP que o falecimento aconteceu, ao final da manhã, na sua casa no distrito de Setúbal, de doença prolongada.

"Ardeu uma biblioteca" afirmou José António Crespo, que trabalhou ao longo de 20 anos com o historiador.
José Hermano Saraiva nasceu em Leiria, no dia três de Outubro de 1919, terceiro filho de José Leonardo Venâncio Saraiva e de sua mulher Maria da Ressurreição Baptista.
Era professor e historiador, tendo-se licenciado na Universidade de Lisboa, em Ciências Histórico-Filosóficas  em 1941 e em Ciências Jurídicas, em 1942. Foi ministro da Educação entre 1968 e 1970, período durante o qual enfrentou a crise académica de 1969. Seguidamente foi embaixador de Portugal no Brasil, entre 1972 e 1974.
José Hermano Saraiva iniciou a vida profissional como professor no ensino liceal, tendo sido diretor do Instituto de Assistência aos Menores e reitor do Liceu Nacional D. João de Castro, em Lisboa. 
Foi ainda professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, tendo acumulado a vida letiva com a advocacia. Deputado à Assembleia Nacional durante o Estado Novo foi ainda procurador à Camara Corporativa.

Colaboração com a RTP
Nas últimas décadas José Hermano Saraiva distinguiu-se pela sua colaboração com a RTP, em programas sobre a história de Portugal, apresentados de uma forma muito própria e expondo teorias por vezes contestadas no meio académico. 
A colaboração com a RTP começou em 1971 com o programa "Horizontes da Memória", tendo nesse ano recebido o Prémio da Imprensa para o Melhor Programa do Ano. 
Foi ainda autor e apresentador de "Gente de Paz", que assinalou o seu regresso à RTP em 1978, "O Tempo e a Alma", "Histórias que o Tempo Apagou" e "A Alma e a Gente".
Extremamente popular, acabou no 26.º lugar, no concurso da RTP os Cem Grandes Portugueses, ganho por António Oliveira Salazar.

História com história.
Um dos livros mais conhecidos de José Hermano Saraiva, é a "História concisa de Portugal", já na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos. Editado pela primeira vez em 1978, a obra foi traduzida em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês. 
O livro foi escrito durante o exílio a que o professor se impôs na Nazaré, a praia da sua infância, durante o PREC (Período Revolucionário em Curso), em 1974-75, a convite do editor livreiro Lyon de Castro. 
José Hermano Saraiva dirigiu também uma outra História de Portugal em
seis volumes, publicada em 1981 pelas Edições Alfa. O professor e historiador era um autor prolífico, tendo escrito ainda mais de 25 livros nas áreas de História e da Jurisprudência.
"Uma carta do Infante D. Henrique", "O tempo e alma", "Portugal -- Os últimos 100 anos", "Vida ignorada de Camões" ou "Ditos portugueses dignos de memória" são alguns dos exemplos de obras sobre História. 
"A revisão constitucional e a eleição do Chefe do Estado", "Non-self-governing territories and The United Nation Charter" e "Apostilha crítica ao projecto do Código Civil" e cinco outros livros na área da pedagogia, são outras obras assinaláveis.
Irmão do também professor António José Saraiva e tio do jornalista José António Saraiva, José Hermano Saraiva foi casado com Maria de Lurdes de Bettencourt de Sá Nogueira, sobrinha-bisneta do 1.º Marquês de Sá da Bandeira, com quem teve cinco filhos.
Pelo lado da mãe, José Hermano Saraiva é sobrinho de José Maria Hermano Baptista, o último veterano português sobrevivente, que combateu na Primeira Guerra Mundial e que faleceu com 107 anos, em 2002.

Distinções
Após a instauração da democracia, José Hermano Saraiva regressou a Portugal e lecionou como professor convidado no atual Instituto Superior de Ciências Policiais e de Segurança Interna e na Universidade Autónoma de Lisboa.
Foi ainda membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História e da Academia de Marinha, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, no Brasil e Sócio Honorário do Movimento Internacional Lusófono. 
Recebeu a Grã-cruz da Ordem da Instrução Pública, a Grã-cruz da Ordem do Mérito do Trabalho e a comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, em Portugal, além da Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco do Brasil

In  http://www.rtp.pt/noticias, Jul, 2012, 13:29 / atualizado em 20 Jul, 2012, 14:47

segunda-feira, 16 de julho de 2012

800.º Aniversário da batalha de Navas de Tolosa


Comemoram-se hoje os 800 anos deste sucesso militar da História Peninsular que representa um dos mais importantes marcos da Reconquista Cristã e onde também participaram forças portuguesas enviadas por D. Afonso II. Para rever alguns detalhes sobre este acontecimento e seu significado comemorativo, que publicámos aqui por ocasião do seu 798.º Aniversário, clique sobre a imagem. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Casa Mariz Sarmento e Capela de S. Caetano


Casa Mariz Sarmento e Capela de S. Caetano, e respetiva zona especial de proteção, freguesia de Águas Revés, concelho de Valpaços, distrito de Vila Real.

Foi publicado no Diário da República, 2ª série, Nº131, de 9 de Julho de 2012, o Anúncio n.º 13224/2012, de 21 de Junho, que respeita à Consulta Pública, relativa à classificação como Monumento de Interesse Público (MIP) da Casa Mariz Sarmento e Capela de S. Caetano, freguesia de Águas Revés, concelho de Valpaços, distrito de Vila Real, e à fixação da respetiva zona especial de proteção (ZEP).

domingo, 8 de julho de 2012

180.º Aniversário do Desembarque do Mindelo


Leonel Salvado
clique na imagem para a aumentar

Tornou-se assim conhecido o desembarque das tropas liberais ao serviço de D. Pedro IV ocorrida no decurso da Guerra Civil (1828 – 2834) em que se confrontaram os partidários da causa liberal deste e os da monarquia absolutista encabeçada pelo irmão, D. Miguel. O desembarque que sucedeu a Norte da cidade do Porto durante a tarde do dia 8 de Julho de 1832 permitiu a no dia seguinte o “exército libertador” a tomasse de surpresa ao exército miguelista que entretanto se reorganizou e submeteu as forças liberais a prolongado cerco – o também célebre Cerco do Porto – até à capitulação de D. Miguel e à “Convenção de Évora Monte” que pôs termo à Guerra Civil portuguesa e proporcionou a restauração da Carta Constitucional de 1826 e a instauração definitiva de um regime liberal e constitucional em Portugal.
Embora a designação de “Desembarque do Mindelo”, consagrada pela tradição, não seja historiograficamente a mais correcta para situar o evento já que ele teve lugar não na Praia do Mindelo mas, à segunda tentativa, na Praia dos Ladrões, em Arnosa de Pampelido, não deixa de ser curiosa a expressão que deste mesmo evento ainda ecoa na memória dos portugueses, a dos “bravos do Mindelo” expressão que pretende glorificar as forças liberais que participaram no desembarque e na tomada do Porto como os vencedores das guerras liberais. Se este evento assume um reforçado significado comemorativo nacional visto que dentre os cerca de 900 portugueses que se destacaram entre os 7 500 “bravos do Mindelo” se contavam importantes figuras da nossa História, tais como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Joaquim António de Aguiar…, deve também ser comemorado com legítimo orgulho pelos valpacenses, já que se assinala entre esses valorosos portugueses um inolvidável valpacense, que passou grande parte da sua vida  em Veiga de Lila, onde se encontram os seus restos mortais, e, sobretudo e pelos enormes serviços pretados no engrandecimento da região e do concelho de Valpaços. Deve, por isso, figurar com a maior dignidade na nossa “Galeria de Notáveis” – Júlio do Carvalhal.

Para ver ou rever mais detalhes sobre este evento clique AQUI.

sábado, 7 de julho de 2012

154.º Aniversário do nascimento de José Leite de Vasconcelos


José Leite de Vasconcelos, o maior linguista, filólogo, etnólogo e arqueólogo português do seu tempo, foi um grande conhecedor de Trás-os-Montes e um verdadeiro apaixonado pela sua cultura. Teve em Valpaços Joaquim de Castro Lopo como seu principal discípulo que recebeu daquele rasgados elogios devidos à sua invulgar inteligência e seu valoroso empenho nas áreas científicas a que ambos se dedicaram. Há dois anos, por ocasião do 152.º Aniversário daquele mestre da cultura popular, rendemos-lhe aqui no Clube de História de Valpaços a devida homenagem.

Para rever o que então publicámos em sua memória, clique na imagem.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

569.º Aniversário da morte de D. Fernando, o Infante Santo


Por Leonel Salvado

D. Fernando, o infante santo | quadro quatrocentista | 
Museu Nacional de Arte Antiga | in Dicionário Enciclopédico
 da História de Portugal, Publ. Alfa, 1991, vol I

Da morte trágica do infante D. Fernando, oitavo filho de D. João I de Portugal e de D. Filipa de Lencastre e o mais novo membro da “ínclita geração”, ficou para a eternidade a dolorosa e comovente lembrança dos portugueses. Fernando nasceu em Santarém, em 29 de Setembro de 1402, crescendo rodeado dos mais extremosos afectos até à idade de 34 anos, e faleceu, segundo insistem os cronistas, em Fez, no Norte de África, em 5 de Junho de 1443 (faz hoje 569 anos), após seis anos de grande sofrimento no cativeiro onde, segundo os cronistas, suportou as maiores afrontas e impropérios com total e constante resignação pessoal, mesmo quando vira perdidas todas as esperanças no seu resgate, a que ele próprio estóica e humildemente se opôs quando teve conhecimento dos rumores de que no reino se chegou a admitir que para esse fim fosse finalmente entregue aos seus captores a praça de Ceuta. Tal trágico desfecho é, por outro lado, despida desta secular visão romântica e atribuído à intransigência do Infante D. Henrique perante a devolução da cobiçada praça norte-africana, o qual terá preferido o sacrifício do irmão ao dos interesses do país.

A sua triste sina começou a revelar-se em 1437, quando decidiu alinhar na arriscada expedição militar para a tomada de Tânger comandada pelo irmão, o infante D. Henrique, a contragosto dos restantes irmãos, o rei D. Duarte, Pedro, duque de Coimbra e D. João, infante de Portugal. Tal como pressentira o rei, seu irmão, a campanha terminou num absoluto e vergonhoso desastre para as forças cristãs, tendo estes sido forçados a negociar com os infiéis a retirada dos portugueses sob promessa da restituição de Ceuta, ficando cativo como penhor dessa promessa o infeliz infante D. Fernando. Entretanto, foi conduzido para Arzila em companhia de alguns fidalgos e criados que escolheram ficar a seu lado e depois transportado para Fez onde foi sujeito aos mais bárbaros tratamentos até à sua morte. Os seus restos mortais só seriam resgatados em 1471 pelo rei D. Afonso V, seu sobrinho, um ano depois de o seu culto ter sido aprovado, e solenemente depositados na Capela do Fundador no Mosteiro da Batalha, onde também jazem os seus pais e irmãos.

Existe uma descrição sobre alguns pormenores do drama vivido pelo infante D. Fernando no cativeiro que podem ser consultados AQUI.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Pequena História da Cidade e do Concelho

É uma cidade portuguesa no Distrito de Vila Real, Região Norte e sub-região do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 4 530 habitantes (Valpacenses).
É sede de um município com 553,06 km² de área e 16 882 habitantes (2011), subdividido em 31 freguesias. O município é limitado a noroeste por Chaves, a leste por Vinhais e Mirandela, a sul por Murça e a oeste por Vila Pouca de Aguiar. Foi criado em 1836 por desmembramento de Chaves.


A actual e florescente cidade de Valpaços remonta ao primeiro período da nacionalidade (século XII -XIII).
Topónimo
Os primeiros documentos escritos que citam Valpaços datam do século XII.

O próprio topónimo tem uma raiz claramente pré-nacional.

A freguesia terá começado por ser um pequeno reduto habitado por nobres e famílias senhoriais, atraídas por um conjunto de privilégios tendentes a povoar aquela região tão próxima de Espanha.

Antigamente, Vale de Paço (e depois Vale de Paços até ao século XIX) tem raízes talvez mesmo na pré-nacionalidade, o que não é de estranhar num território como o deste concelho em quê a arqueologia é notável desde a época romana e a toponímia, especialmente a antroponímica de filiação germânica, tão exuberante, constitui o melhor documento do povoamento pré-nacional do território.

Guerra da Patuleia
O acontecimento mais importante da história de Valpaços deu-se seguramente em meados do século XIX. Em 16 de Novembro de 1846, durante a Guerra da Patuleia, aqui se defrontaram as tropas rivais.

O movimento, que começara de forma espontânea e por ter características eminentemente populares, passava nesse momento a tomar proporções políticas.

Cerca de duas dezenas de mortos marcaram a passagem por Valpaços de uma batalha que depois prosseguiu por terras de Murça.

Passagens da Guerra Patuleia
Novembro, 6 – Costa Cabral, no exílio em Espanha, é nomeado embaixador nesse país.

Novembro, 7 – Saldanha sai de Lisboa comandando forças fiéis do exército, após a passagem em revista das tropas pela rainha e pelo seu marido.

Novembro, 16 – Acção de Valpaços, as forças governamentais do conde de Casal venceram as de Sá da Bandeira, comandante das forças da Junta.

Novembro, 20 – O que resta das forças de Sá da Bandeira, de regresso ao Porto, são atacadas pelas forças miguelistas de MacDonell.

Novembro, 25 – Forças miguelistas entram em Guimarães.

Dezembro, 3 – Tomada de Valença pelas forças governamentais

Zé do Telhado
Segundo a lenda, participou no conflito o famoso Zé do Telhado, que inclusivamente teria salvo a vida ao visconde de Sá da Bandeira, ele que até fora lanceiro da rainha antes de se tornar salteador!

Património
O património edificado de Valpaços justifica bem a sua importância actual e os pergaminhos do passado.

Acima de tudo, a igreja paroquial. Muito ampla, é de uma só nave.
No interior, pode observar-se o arco cruzeiro que separa a capela-mor (na qual se pode ver uma bonita imagem de Santa Maria Maior) do restante corpo do edifício.

Da arquitectura civil, uma referência para os paços do concelhos.
Oitocentistas, a sua construção custou cerca de vinte contos.
Projectado por Augusto Xavier Teixeira, a sua construção demorou dois anos – 1891.
Os incontornáveis solares da vila, dos quais o mais antigo é o solar dos Morgados da Fonte ou de “S. Francisco de Valpassos”.

Elevação a município
A 6 de Novembro de 1836, a aldeia de Valpaços é elevada, por decreto, à categoria de Município.

O concelho atual tem uma constituição histórica muito singular, sendo formado pela totalidade do extinto concelho de Carrazedo de Montenegro (a metade sul), por metade, do também extinto concelho de Monforte de Rio Livre (o extremo norte) e por uma fracção do termo do antigo concelho de Chaves (Friões e Ervões) (ao centro, compreendendo a actual vila).

A sua constituição data do segundo quartel do século XIX e deve-se à Revolução Liberal que não hesitou em sacrificar velhos concelhos de venerandas e históricas raízes, pois se trata de representantes dos velhos julgados medievais e «terras» de Montenegro e Monforte.

Monforte de Rio Livre era uma vila e sede de concelho de Portugal, localizada na actual freguesia de Águas Frias, no município de Chaves.
Teve foral em 1273, vindo a ser suprimido em 1853.

A importância da vila esteve ligada ao seu castelo, sendo por isso alvo de diversos cercos e lutas, em especial durante a guerra da Restauração entre 1640 e 1668.
No início do século XIX a vila encontrava-se despovoada e a sede do município tinha sido transferida para a freguesia de Lebução.
Elevação a vila e a cidade
Valpaços foi elevada a vila em 1853, através de decreto real de 26 de Março, assinado por D. Pedro V, referendado pelo Marquês de Loulé. Em 1936, chegava finalmente a sua representação heráldica, agora revista para uma coroa de cinco castelos dado que passou a cidade em 13 de Maio de 1999.
Património e Turismo
Gastronomia
Podemos destacar os seguintes pratos típicos e produtos gastronómicos de Valpaços e Alto Tâmega: O Folar de Valpaços, opresunto , o salpicão, as linguiças, as alheiras, o cabrito assado ou estufado, o cozido à transmontana, a feijoada à transmontana, os milhos, o Pão de centeio, Couve penca, Batata de Trás-os-Montes, omel as deliciosas amendoas, a sopa de castanhas e o seu muitissimo apreciado vinho, considerado o melhor de trás-os-Montes, se excluirmos a região do Douro.
Atividade económica
A Economia Valpacense baseia-se essencialmente nas seguintes atividades: Agricultura, Comércio, Indústria e Serviços.
Agricultura
É a base da economia do município, aqui produzem-se produtos de alta qualidade, em sub-regiões bem destacadas:
Vinho – Zona de Fornos de Pinhal/Santa Valha
Azeite – Na metade sul do município
Castanha – Zona de Carrazedo Montenegro
Amêndoa – Zona de Veiga de Lila e Vales
Batata – Zona de Friões e Santiago
Centeio – Zona de Vilarandelo e Ervões