sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mensagem Ano Novo 2012


Um Agradecimento Especial a todos quantos nos acompanharam durante a ainda curta existência deste blogue, designadamente a:

Sérgio Morais | José António Soares da Silva | Terra | Euroluso | Pe Ricardo Pinto | Carlos Reis Martins | André Pinto | Portugal Romano | Carla Castro | Fernando Alves| jass | Umbelina | O meu espaço | Celestino Chaves | Paulo Pascoal | Gio | Armando Pinto | Voz | Ceicinha Câmara |leeninha alcilene | Pavaroty | FNA-Escuteiros Adultos | Vilardeamargo-blog | Catrop | jorge fernandes | mm.Gsil | Vítor Loureiro | Micael Sousa | Graça Gomes | Loanda M | Carol Machado | Costa Pinto | Rui Cepeda | onze palavras | d’Azevedo || Gonçalves | Mov. Anti-Corrupção | João | Lccl | Univsersidade Sénior de Valpaços | A busca pela Sabedoria | Combates pela História | Regina | helena maria marques | Mundo da Arqueologia | Ralf Wokan | jmalvar | mesquita artur | Lavras em destaque | reysenpai | João Gomes Salvador | Catarina | Reis Quarteu | lelo Demoncorvo | Alfredo Gomes | Mendonça | Normando Alves | Rui Doutel Morais | Hilario Marrero Perez | Leila Duarte | Mab | [Eugénio Borges | Vilarandelo-um dia uma imagem…]

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

“Tour virtual” ao Mosteiro dos Jerónimos


Nunca teve oportunidade de visitar o Mosteiro dos Jerónimos? Aproveite estes últimos dias de 2011 para fazer daqui um tour virtual a este monumento e descobrir ou rever todo o seu esplendor arquitectónico e artístico, de alto a baixo nas suas várias divisões, a nave central, o sacrário, os túmulos, o claustro, a sala do capítulo, as varandas…

para começar o tour e divirta-se.


Para mais informações sobre outros monumentos e museus nacionais com visitas virtuais disponíveis

Origem: http://3d.culturaonline.pt/

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Valpaços, há 100 anos

Por Leonel Salvado

Um pormenor da “Valpaços desaparecida”!
clique sobre a imagem para a aumentar


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma história de Natal em 1914


A “Noite Feliz na Terra de Ninguém” já foi aqui editada nas vésperas do Natal de 2010. Passou-se esta História de Natal em 1914, em pleno campo de batalha da Primeira Guerra Mundial e os seus protagonistas foram os soldados franceses, ingleses e alemães.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

65.º Aniversário do trágico “combate de Cambedo” na raia transmontana

Em 2010, por ocasião dos 64 anos deste trágico evento que opôs as forças do regime salazarista em Portugal e os anti-franquistas e alguns povos da raia transmontana que corajosamente vinham acudindo à justa causa dos pobres guerrilheiros que entre eles encontravam refúgio, publicámos algumas notas em memória do sofrimento destes povos.

Para rever essa publicação clique AQUI.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Breviário histórico do concelho de Valpaços, por freguesias, de A a V – BARREIROS

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Se há uma História Concisa de Portugal, com a propósito de apresentar uma história que não demore muito tempo a ler, mas que dê uma imagem global da evolução histórica do povo português, não será certamente despropositado publicar nesta rubrica, para os valpacenses e para todos os que se interessam pela História de Valpaços, uma descrição do essencial da evolução histórica do concelho, devidamente fundamentada, contudo desprovida das inconclusivas controvérsias que nela se acham e que se revestem de natural interesse para os mais eruditos, mas certamente enfadonhas para os nossos demais leitores a que este o Clube de História de Valpaços também se propõe servir.


ARREIROS. As origens e a História desta freguesia de São Vicente de Barreiros, situada no extremo oriental do concelho de Valpaços e distrito de Vila Real, aparecem-nos indelevelmente ligadas às de outras freguesias do mesmo concelho, as de São Miguel de Fiães e de Nossa Senhora da Assunção de Sonim. Ainda que não existam provas concretas de que o local onde se localiza a única povoação que compõe a freguesia de Barreiros tenha sido habitada antes da fundação da Nacionalidade, tirando o facto de estar nas proximidades de Bouçoais e por isso se poder conjecturar, como tem sido feito, que a ocupação humana atestada nesta região possa ter abrangido o território circundante, incluindo o de Barreiros, as primeiras referências escritas que atestam a sua existência no século XIII permitem, remontar as suas origens aos primórdios do Reino de Portugal ou, quando muito, até a uma época imediatamente anterior.
Efectivamente, Barreiros aparece pela primeira vez mencionada num documento das Inquirições de 1258, ordenadas por D. Afonso III, na “terra e julgado de Monforte de Rio Livre”, com o designativo de “Villa” que, como se sabe, é uma forma toponímica comummente associada a um determinativo e muito usada na época que precedeu de perto a fundação da Nacionalidade. À data das referidas Inquirições, as “Villas” de Barreiros e Sonim possuíam igrejas próprias, porém integradas na paróquia de São Miguel de Fiães e portanto sujeitas eclesiasticamente a esta. Foram antigas Villas foreiras à Coroa, mas que foram deixando de o seu em favor de vilãos herdadores e proprietários. No caso particular de Barreiros se diz expressamente no documento que “fuit foraria regis”, isto é terra foreira do Rei, reportando-se a uma época mais remota, porque à data da sua redacção a possuía por “honra” um tal fidalgo de nome Rodrigo Lourenço, que a recebera de seu pai, Lourenço Rodrigues, mas que antes fora de Dom Garcia Peres, eminente fidalgo da “estirpe de Bragança”, filho de D. Pedro Fernandes de Bragança, este o mesmo prócere do reinado de D. Afonso Henriques cujos filhos e netos detinham a sua parte da “povoação honrada de Argeriz” pela mesma época das Inquirições de 1258. Ora, sabendo-se, pelos genealogistas, que aquele D. Garcia Peres (ou Pires) de Bragança viveu na segunda metade do século XII e posto que antes deste obter a Villa de Barreiros, ela já tinha sido foreira à Coroa, a fundação desta poderá remontar ao repovoamento dos séculos XI e XII.
Parece, assim, que nesta primeira fase da sua história que decorreu, grosso modo, durante a dinastia afonsina a povoação de Barreiros se manteve, juntamente com a de Sonim, integrada na freguesia de São Miguel de Fiães gozando dos privilégios e imunidade conformes à sua categoria de honra que as Inquirições de 1258 certificam. Não se sabe até que ponto, e até exactamente quando, esse estatuto de autonomia foi consentido pela Coroa e poderes municipais durante todo esse período e à medida que nesta parte do reino se foi implementando a política foraleira no sentido de uma maior centralização administrativa.
Logo a 15 de Maio de 1250, D. Afonso III concedeu a Chaves o seu primeiro foral, e a 4 de Setembro de 1273, a Monforte de Rio Livre. Não existem dúvidas de que a freguesia de Barreiros pertenceu, no passado, ao termo de Monforte de Rio Livre, sendo muito provável que, apesar de se tratar de uma honra, em qualquer momento desta primeira fase da sua existência tivesse passado a sujeitar-se ao julgado da cabeça deste concelho, sendo menos provável que alguma vez se sujeitasse à comarca de Chaves como sem qualquer evidência documental já foi afirmado por Pinho Leal na sua obra “Portugal Antigo e Moderno”.
Mais tarde, a freguesia de S. Miguel de Fiães, composta como a descrevemos com base na Inquirições de 1258, ter-se-há desintegrado, separando-se dela a sua filial paróquia de Sonim e, com ela, também a de Barreiros, após o que terão passado esta e a própria paróquia de Fiães, a sujeitarem-se a Sonim. Esta curiosa inversão de papéis na relação eclesiástica entre Fiães e Sonim, só passou a ser conhecida, e sustentada, com base em documentos muito posteriores, datados dos inícios do século XVIII que, todavia, não oferecem indicações precisas quanto à época e aos motivos da sua ocorrência.
De facto, em 1708 Sonim aparece na Corografia do Padre Carvalho da Costa como uma das quatro abadias do Padroado Real do termo de Monforte de Rio Livre, tendo como lugares que lhe estavam sujeitos, no referido termo, Barreiros, Fiães e Aguieira, sendo de estranhar que Carvalho da Costa não mencione qualquer igreja paroquial em Barreiros, ao contrário das restantes, mas apenas uma ermida e talvez seja por isso que haja quem se refira à freguesia como “tendo sido um simples lugar da abadia de Sonim”. A “descripçam topográfica” de Carvalho da Costa oferece-nos, ao mesmo tempo, a indicação objectiva de que estas terras pertenciam ao concelho de Monforte de Rio Livre. Nunca se esclareceu devidamente quando foram criadas tais abadias, e a de Sonim, em particular, mas atendendo a outras referências que se acham em documentos ainda mais recentes, tal deve ter sucedido no reinado de D. Afonso V, portanto já na dinastia de Avis, uma vez que, da mesma sorte como sucedeu relativamente às Comendas da Ordem de Cristo, também do Padroado Real, instituídas no mesmo termo de Monforte de Rio Livre, foram seus comendadores e donatários, durante mais de três séculos, os condes de Atouguia, título criado em 1448 por aquele monarca, em favor de D. Álvaro Gonçalves de Ataíde (1.º conde de Atouguia), filho de Martim Gonçalves de Ataíde, alcaide-mor de Chaves.
Em 1751 o Padre Luís Cardoso informava no 2.º volume do seu Dicionário Geográfico, relativamente a Barreiros, que havia “ Igreja Paroquial pequena, de uma só nave, dedicada a  São Vicente Mártir” e que “antigamente era esta igreja anexa à de Nossa Senhora da Assunção de Sonim, que há poucos anos se desanexou e é hoje freguesia sobre si”. Será de supor que esta “desanexação”, noticiada pelo Padre Luís Cardoso, se devesse ao recrudescimento da decadência ou à própria extinção da abadia, poucos anos antes de 1751, mas certamente depois de 1734, já que ela aparece referida na biografia do Reitor de Mirandela, António de Sá Morais que depois de ter estado na Reitoria de Marialva passou “por fim para a Abadia de Sonim, onde ainda vivia” nesse ano, como se pode ler no Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses.
Em 1758 o pároco de Barreiros, em resposta manuscrita ao Inquérito das Memórias Paroquiais, testemunhava uma nova inversão na organização eclesiástica, afirmando ser ele cura da apresentação do abade da Abadia, desta feita, de São Miguel de Fiães, e o mesmo noticiaram, em conformidade com o mesmo inquérito nas respectivas exposições, os curas de Sonim e de Fiães, todos curas in solidum da mesma Abadia, do Padroado real, observando que, contudo, os abades viviam em Sonim por terem aí sua residência. Noticiava ainda o pároco de Barreiros o estado de abandono a que vinham sendo votadas pelo donatário da terra, o conde de Atouguia, as doações que aí lhes diziam respeito e que, por isso, as vinha perdendo para a Coroa.
Assim, do ponto de vista institucional e administrativo, nos meados do século XVIII, a freguesia de Barreiros, é descrita como um lugar da Província de Trás-os-Montes, do bispado de Miranda, comarca da Vila de Torre de Moncorvo, da Abadia (mais tarde da Reitoria) do Padroado Real, sendo de São Miguel do lugar de Fiães a cabeça dela, no termo da Vila de Monforte de Rio Livre. Sujeitava-se ao juiz ordinário e câmara da Vila de Chaves e aos “ministros” da cabeça da Comarca. Possuíam os seus moradores o privilégio de perdão Real quando acusados de deserção do devido serviço militar na praça de Chaves.
Relativamente à evolução demográfica da freguesia de Barreiros, em 1708 a povoação tinha 54 vizinhos e, segundo o Padre Luís Carvalho, em 1751, contava com 47 vizinhos, “tudo gente que [vivia] de suas lavouras e cultura de seus campos”. Em 1758 viviam em Barreiros 57 “moradores”, equivalente a 137 “pessoas de sacramento” e 39 rapazes e raparigas. Em 1868, na segunda edição da sua “Corografia”, o padre António Carvalho da Costa já lhe atribui um total de 104 fogos, e daí até aos nossos dias vem-se registando um progressivo decréscimo do número da população de Barreiros.
Quanto à natureza da terra, as actividades económicas e às dificuldades de comunicação, pela mesma época, em 1751, o padre Luís Carvalho anotava que a terra de Barreiros, não obstante a sua situação afogada – cercada de montes e outeiros – era “sadia e de bons ares”, colhendo com abundância centeio, vinho e castanha, bem como algum azeite e havendo na freguesia dois lagares para a preparação deste alimento. Sete anos depois, o pároco, aliás cura, de Barreiros mencionava ainda o trigo, algum milho e feijões, colhidos em menor quantidade, entrando o centeio e o vinho no cômputo da renda e estipêndio que lhe era devida. E pela sua “Memória Paroquial”, mais se sabe que existia dentro do povo uma fonte pública de abastecimento de água a que a população atribuía virtudes medicinais “por não haver aqui pestes contagiosas como nunca se recordam”; que os moradores pescavam no rio Rabaçal - no Estio com redes, e no resto do ano com “chumbeiras” -  barbos, bogas, escalos e algumas trutas;  que no rio havia alguns moinhos mas que, devido à falta de pontes, às poucas entradas e por não se poder abrir caminhos, muita gente se afogava nele ao quererem atravessá-lo em barcas e pelas passagens de pedra.

A freguesia de Barreiros manteve-se no concelho de Monforte de Rio Livre até à extinção deste, por Decreto de 31 de Dezembro de 1853, passando ao concelho Valpaços, que havia sido criado por Decreto de 6 de Novembro de 1836, e à comarca igualmente de Valpaços que o mesmo Decreto de 1853 também instituiu.
A paróquia de São Vicente de Barreiros pertence ao arciprestado de Valpaços e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922.

Fontes:
MARTINS, A. Veloso, Valpaços, Monografia, Lello & Irmão, Porto, 2.ª ed., Dez. 1990, pp. 171-172.
CAPELA, José Viriato et alii, Portugal nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2006.
CARDOSO, Luís, Dicionário Geográfico, 1751, Vol II, pp. 70-71.
COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa e descripçam topográfica do famoso reyno de Portugal... (1706-1712), Livro Segundo,Tomo I, cap. III, pp. 432-433.
MORAIS, António de Sá, in Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, coordenado por Barroso da Fonte Capa Editora Cidade Berço. |http://td.dodouro.com
MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758,  Barreiros, Monforte de Rio Livre, Vol. 6 n.º 44a, pp. 301 a 334, ANTT |http://ttonline.dgarq.gov.pt.
REGISTOS PAROQUIAIS, Valpaços, Paróquia de Barreiros, ANTT | Id.

sábado, 17 de dezembro de 2011

277.º Aniversário do nascimento de D. Maria I, rainha de Portugal

D. Maria I de Portugal, óleo sobre tela
Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, Brasil

Maria Francisca Isabel Josefa António Gertrudes Rita Joana de Bragança, nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816. Foi rainha de Portugal, considerada aliás a primeira rainha reinante de Portugal, entre 24 de Março de 1777 e 20 de Março de 1816, sucedendo ao pai, D. José I. É apontada como o 27.º monarca de Portugal, a 28ª rainha e a 6ª da 4.ª dinastia. A 16 de Dezembro de 1815 foi proclamada Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Foi princesa do Brasilprincesa da Beira e duquesa de Bragança, Casa a que deu continuidade pelo seu casamento com o tio, Pedro de Bragança. Foram-lhe atribuídos os cognomes de “A Piedosa” ou a “Pia” e “a Louca”. Está sepultada na Basílica da Estrela, por ela mandada construir, para onde foi trasladado o seu corpo da Igreja de S. Francisco de Paula, do Rio de Janeiro.

Para mais detalhes biográficos sobre D. Maria I de Portugal, clique AQUI.
Imagem: http://pt.wikipedia.org

Para os apaixonados por Trás-os-Montes...

Compartilhado por Elisabete Machado Martins



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Breviário histórico do concelho de Valpaços, por freguesias, de A a V – ARGERIZ

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Se há uma História Concisa de Portugal, com a propósito de apresentar uma história que não demore muito tempo a ler, mas que dê uma imagem global da evolução histórica do povo português, não será certamente despropositado apresentar nesta rubrica, aos valpacenses e a todos os que se interessam pela História de Valpaços, uma descrição do essencial da evolução histórica do concelho, devidamente fundamentada, contudo desprovida das inconclusivas controvérsias que nela se acham e que se revestem de natural interesse para os mais eruditos, mas certamente enfadonhas para os nossos demais leitores a que este o Clube de História de Valpaços também se propõe servir.


RGERIZ. A existência à luz do dia de vestígios de incontestável ocupação remota em vários locais da área onde foi criada a paróquia de São Mamede de Argeriz bem como a grande quantidade de achados ocasionais e de outros materiais aí recolhidos, através de escavações arqueológicas superiormente programadas, e criteriosamente estudados por profissionais qualificados, autorizam arqueólogos e historiadores a assegurar que esta terá sido uma área de ocupação humana que remonta à época pré-romana e a sugerir que poderá mesmo remontar ao Neolítico. Segundo a “breve referência” publicada pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, na Carta Arqueológica do concelho de Valpaços, do espólio recolhido, nas circunstâncias referidas, na “Cêrca de Ribas”, que foi incontestavelmente um castro cujas ruínas se localizam próximo da povoação de Ribas, a Norte, destacam-se instrumentos líticos de quartzo lascados e alguns deles polidos, bastantes mós e fragmentos de mós de tipo circular em granito, alguns fragmentos de vasos de vidro e numerosos fragmentos de cerâmica de diferentes tipos, incluindo alguns de sigillata (fina cerâmica romana), uma fíbula (fivela ou fecho usado na indumentária mais comum na época romana) e outros fragmentos metálicos de função não determinada, um alfinete de cabelo em cobre e dois machados de Cobre. A antiga ocupação deste mesmo local já havia sido assinalada em 1961, segundo a mesma fonte, por um machado de xisto anfibólico (mineral com predominância de anfíbolo) típico do Neolítico, uma abraçadeira de bronze talvez pertencente à bainha de um punhal, duas moedas (uma das quais provavelmente ibérica) e um busto (representação ecultórica da parte superior do corpo humano) pré-romano incompleto, mas com base. Outros vestígios de ocupação em épocas diversas, são assinalados em outros locais da freguesia de Argeris, tais como fragmentos de “tegulae” (telha romana) no local denominado de Cividade, o mesmo no sítio de Castelares juntamente com uma mó circular em granito, um peso de tear feito de barro amarelo, fragmentos cerâmicos de vasos, troços de um caminho lajeado de morfologia similar a uma calçada romana, na área de acesso à ponte sobre o regato do Pereiro, o santuário rupestre conhecido por “Pias dos Mouros” e dois monumentos epigrágficos, um deles encontrado junto ao referido santuário rupestre.
Foi, portanto, nesta região romanizada que se instituiu a «parroquia Sancta[i] Mametis de Argeriz” assim designada nas Inquirições de 1258, onde ela surge pela primeira vez documentada. Segundo o mesmo documento, ela era constituída por si e pelas “villas” de Crasto (que depois foi paróquia independente e hoje pertence à freguesia de Água Revés e Crasto), Sanfins (hoje freguesia com o mesmo nome), Pereiro e Midões que se mantêm como anexas da freguesia de Argeriz. Sendo este topónimo, cuja origem e evolução hispano-visigótica parece evidente (de villae a Argericus = Villa Argerici), tomando esta última forma, muito comum na época visigótica, bem como no restante período que antecedeu a Nacionalidade, aceita-se que a igreja paroquial de S. Mamede de Argeriz haja sido fundada pelos séculos IX ou X e que não tenha sido filial de qualquer outra igreja até aos séculos XVIII e XIX. Pelo que se extrai do teor das mencionadas Inquirições de 1250, no que respeita à freguesia de Argeriz, parece certo que a terra foi inicialmente terra reguenga, isto é foreira à Coroa, mas também que, à data das mesmas Inquirições, a sua posse era já partilhada entre os descendentes de D. Pedro Fernandes de Bragança, que foi cavaleiro e mordomo-mor de D. Afonso Henriques, e a Ordem do Hospital.
É importante esclarecer, como o faz Veloso Martins na Monografia de Valpaços, que o documentado couto de Argeriz doado por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Salzedas em 1152 não se trata desta terra transmontana, como assim se lê em algumas obras, mas de uma terra portuguesa mais próxima daquele cenóbio beirão que é a de “Argeriz do actual concelho de Tarouca”, localizado não propriamente em Salzedas, como também refere o autor valpacense, mas na freguesia vizinha de Vila Chã da Beira.
Ao que parece, as terras da freguesia de São Mamede de Argeriz, jamais constituíram couto algum, mas antes honra ou outra qualquer forma de benefício particular de poderosos aristocratas brigantinos, designados genericamente pelos medievalistas como “os braganções”, e dos cavaleiros hospitalários, que usaram dos seus direitos de escambo sobre elas, como se vê em alguns documentos devidamente referenciados e comentados por Veloso Martins. Porém, após a criação do concelho de Chaves por Carta de Foral de D Afonso III, em 15 de Maio daquele mesmo ano de 1258, que integrou no seu termo a freguesia de Argeriz, entre outras que actualmente pertencem ao concelho de Valpaços, tornou-se suficientemente claro que, no caso de Argeriz, as regalias do regime de autonomia jurídica típicas das honras medievais, foram sendo progressivamente cerceadas por inalienáveis direitos reais e imperativos administrativos consagrados naquele diploma foraleiro de D. Afonso III e reafirmados pelos seus sucessores mais próximos. Assim, logo nas Inquirições de 1290, mandadas decorrer por D. Dinis nas terras da Beira e Além-Douro, a freguesia de Argeriz aparece como uma das freguesias do termo e julgado de Chaves e, portanto, sujeita às autoridades judiciais desta Vila. E ao longo dos séculos subsequentes foram-se diluindo praticamente todos os mais evidentes sinais de privilégios e imunidades, no temporal em favor dos direitos reais e da Casa de Bragança, por inerência do estado da terra da cabeça do concelho, e no espiritual em consequência da evolução da organização eclesiástica também verificada nas terras de Montenegro-Chaves.
Nos séculos XVIII e XIX a freguesia de São Memede de Argeriz é descrita como uma freguesia da Província de Trás-os-Montes, do Arcebispado de Braga, à qual pertenceu sempre, da comarca e termo da Vila de Chaves, que nem sempre o foi, mas é designada também, como em 1758, o seu Pároco, António Martins, teve o cuidado de mencionar, em manuscrito das Memórias Paroquiais, por “terra d’ El Rey Nosso Senhor” e como vigairaria apresentada pelo Reitor de São Nicolau de Carrazedo de Montenegro. O mesmo pároco declarou ainda no mesmo documento que a terra de Argeriz não era honra ou beetria (direito local de eleição de administradores próprios) e que não possuía privilégios alguns, omitindo a existência de beneficiados. Apenas o sacrário da capela do Santíssimo Sacramento existente na povoação, administrada pelos moradores como todas as restantes capelas ou ermidas dispersas pelos vários lugares da freguesia, era do comendador, que o pároco-memorialista não menciona o nome, nem o título, nem a Ordem adstrita, mas que seria certamente um dos marqueses de Fronteira, que foram comendadores da Ordem de Cristo de Carrazedo de Montenegro cuja Reitoria apresentava a igreja paroquial de Argeriz.
Em 1706 a freguesia totalizava 158 vizinhos, assim distribuídos pelos lugares que a compunham: Argeriz com 80, Ribas com 25, Pereiro com 20, Avarenta com 15, Midões com 10 e Vale de Espinho com 8. Em 1758, não obstante ter-se desintegrado da freguesia de Argeriz o lugar de Avarenta, entretanto incorporado na freguesia de Carrazedo de Montenegro, do mesmo termo de Chaves, e de se ter verificado nela própria um decréscimo populacional, ainda totalizava 150 fogos, dos quais 65 no próprio lugar, 30 em Ribas, 30 no Pereiro, 14 em Midões e 11 em Vale de Espinho, equivalendo a cerca de 530 pessoas de sacramento e de 40 pessoas menores, registando-se, nos demais lugares que lhe restaram, como se vê, evidentes acréscimos demográficos.
Vê-se ainda pelos documentos coevos que, nos meados do século XVIII, os povos desta freguesia de Argeriz, situada a 3 km a S-SW da margem direita do rio Torto, poucos benefícios colhiam desta fonte natural de recursos, limitando-se a servir-se de um pequeno regato que, nascendo em Serapicos, atravessava o seu termo em direcção ao Crasto, o que lhes chegava para que no Inverno fizessem funcionar nove moinhos e cinco lagares de azeite e pudessem regar livremente, mas a muito custo no Verão, algumas terras. Rodeados de estéreis fraguedos e de alguns vales menos ásperos, para Nascente, proviam no sustento das famílias com tudo o que aqui ordinariamente recolhiam da terra, como eram o centeio, a cevada, as castanhas, o azeite, o vinho e algum trigo e milho. Colhiam sumagre em tal abundância que chegava para o poderem vender para outras terras, existindo no referido regato nove atafonas para o moerem. Pela mesma época, havia na povoação de Argeriz três fontes de abastecimento de água, todas construídas em cantaria.
No segundo quartel do século XIX a freguesia de São Memede de Argeriz pertencia ao concelho, entretanto restaurado, de Carrazedo de Montenegro, passando, por Carta de lei de 1837, para o concelho de Valpaços, criado pelo Decreto de 6 de Novembro do ano anterior, e em 1856 à respectiva comarca que em 31 de Dezembro deste mesmo ano foi instituída também por Decreto, o mesmo que extinguia, finalmente, os concelhos de Monforte de Rio Livre e de Carrazedo de Montenegro.
Argeriz é hoje uma das freguesias do concelho de Valpaços, mantendo como anexas as povoações de Midões, Pereiro, Ribas e Vale de Espinho. A paróquia pertence ao arciprestado de Valpaços e à Diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922, conservando o seu orago, São Mamede.


Fontes:
CAPELA, José Viriato et alii, Portugal nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2006.
CARDOSO, Luís, Dicionário Geográfico, 1747, Vol I, pp. 386-387
COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa e descripçam topográfica do famoso reyno de Portugal... (1706-1712), Tratado III,Tomo I, cap. V, pp. 506-511.
FREITAS, Adérito Medeiros, Concelho de Valpaços, Carta Arequeológica,  CMV,  Valpaços, Julho de 2001, pp. 50-99.
MARTINS, A. Veloso, Valpaços, Monografia, Lello & Irmão, Porto, 2.ª ed., Dez. 1990, pp. 167-171.
MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758,  Argeriz, Chaves, n.º 74, pp. 463 a 466 |http://ttonline.dgarq.gov.pt.
REGISTOS PAROQUIAIS, Valpaços, Paróquia de Água Revés | Id.

Os 93 anos do assassinato de Sidónio Pais e suas repercussões em Valpaços



Perfez-se anteontem o 93.º aniversário do assassinato de Sidónio Pais. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, foi influente figura militar e política da 1ª República em Portugal e considerado como o principal precursor do ideário político da longa ditadura que dominou o país. O trágico evento suscitou reacções em muitas regiões do país, designadamente em Valpaços.

Para rever o assunto em epígrafe, que publicámos em 2010, clique AQUI.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

I Centário da conquista do Pólo Sul




Comemora-se hoje o Primeiro Centenário da chegada ao Pólo Sul da expedição norueguesa conduzida por Roald Amundsen,a 14 de Dezembro de 1911. Este célebre explorador norueguês das regiões polares de nome completo Roald Engelbregt Gravning Amundsen, já se havia destacado em expedições anteriores, nomeadamente a que, em 1905 conseguiu a 1ª passagem Noroeste entre os oceanos Atlântico e Pacífico, a Norte do Canadá. Por ter sobrevoado o Polo Norte em 1926, a bordo do dirigível Norge, é considerada a primeira pessoa a chegar a ambos os Pólos. 
Em 1909 Amundsen planeava atingir por terra o Polo Norte, mas tendo recebido a notícia que Frederick CooK e Robert Peary haviam acabado de realizar essa ambicionada façanha, decidiu empenhar-se no projecto de alcançar o Polo Sul. Ultimados os preparativos da expedição, partiu no ano seguinte da Escandinávia rumo à Antártica no escuna o Fram de Fridtjof Nansen.

Imagem: http://pt.wikipedia.org

Vejamos uma breve descrição da efeméride, tal como foi publicada da Wikipédia, a Enciclopédia livre:


Seu grupo invernou na plataforma de gelo Ross no local conhecido como a baía das Baleias. Utilizaram o tempo para planejar a jornada e estabelecer depósitos com alimentos, aguardando a partida prevista para a primavera. Estava 600 km distante da expedição rival britânica liderada por Robert Falcon Scott que estabelecera-se na Ilha de Ross. Scott possuía uma rota, descoberta por Ernest Shackleton, através da geleira Beardmore em direção ao planalto Antártico. Amundsen teve que procurar seu próprio caminho através dos montes Transantárticos
Amundsen iniciou seu ataque ao polo em 20 de Outubro de 1911, e juntamente com Olav Bjaaland, Helmer Hanssen, Sverre Hassel e Oscar Wisting, atingiu o polo em 14 de Dezembro de 1911. O ponto mais ao sul do planeta foi alcançado em uma tarde ensolarada com temperatura ambiente de -23 °C e ventos leves vindos do sudoeste. A bandeira de seda vermelha e azul da Noruega, foi fincada em uma planície branca. Após 35 dias, Scott teve a infelicidade de encontrar uma tenda deixada por Amundsen, com uma carta relatando a chegada. A extensa experiência de Amundsen, a preparação, e o uso dos melhores cães de trenó disponíveis fizeram a diferença no final. Em contraste aos infortúnios da expedição de Scott, Amundsen teve uma viagem com menos dificuldades, retornando ao acampamento base no dia 25 de janeiro de 1912 após percorrer durante três meses 3.000 km.
Como nenhuma das expedições levou o volumoso equipamento de telégrafo sem fio, que seria a única forma de comunicação direta com o polo, o sucesso de Amundsen não foi publicamente anunciado até 7 de Março de 1912. Amundsen narrou com detalhes sua jornada no livro 'The South Pole; an account of the Norwegian Antarctic expedition in the "Fram," 1910-12.'
http://pt.wikipedia.org
imagem: http://www.byerly.org

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Breviário histórico do concelho de Valpaços, por freguesias, de A a V – ALVARELHOS

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Se há uma História Concisa de Portugal, com a propósito de apresentar uma história que não demore muito tempo a ler, mas que dê uma imagem global da evolução histórica do povo português, não será certamente despropositado apresentar, nesta rubrica, aos valpacenses e a todos os que se interessam pela História de Valpaços, uma descrição do essencial da evolução histórica do concelho, devidamente fundamentada, contudo desprovida das inconclusivas controvérsias que nela se acham e que se revestem de natural interesse para os mais eruditos, mas certamente enfadonhas para os nossos demais leitores a que este o Clube de História de Valpaços também se propõe servir.


LVARELHOS. De origem toponímica discutível, a paróquia de Nossa Senhora da Expectação de Alvarelhos deverá remontar ao século XIII, uma vez que nas Inquirições de 1258 se menciona uma igreja de Santa Maria com o mesmo nome, dependente da igreja de S. Pedro de Batocas, fundada nas terras de Monforte de Rio Livre durante o agitado reinado de D. Afonso II em que a região transmontana foi constantemente devastada pelas forças leonesas, ou no efémero reinado do seu sucessor, Sancho II, que foi marcado pela guerra civil e culminou com o exílio do monarca, substituído no trono por seu irmão, D. Afonso, conde de Bolonha, em qualquer dos casos, antes, portanto, da criação do concelho de Monforte de Rio Livre por carta de foral deste mesmo rei, D. Afonso III, em 1301, cuja igreja de Batocas se tornou cabeça da freguesia com o nome da mesma Vila (hoje freguesia de Águas Frias).
Integrado no termo de Monforte, a paróquia de Alvarelhos passou mais tarde, julgo que pelo início da dinastia de Avis, a pertencer à Comenda de Santo André de Oucidres, instituída na Ordem de Cristo, do Padroado Real, sendo seus donatários, até ao reinado de D. José, os condes de Atouguia. Convém que se diga que este título nobiliárquico, associado à Comenda de Oucidres, aparece por decreto de D. Afonso V de 17 de Dezembro de 1448, em favor de D. Álvaro Gonçalves de Ataíde (1.º conde de Atouguia), filho de Martim Gonçalves de Ataíde, alcaide-mor de Chaves, e de Dona Mécia Vasques Coutinho, aia dos infantes da “ínclita geração” e terminou em 1789 com D. Jerónimo de Ataíde (11.º e último conde de Atouguia), supliciado em Belém por ser acusado de envolvimento na conjura que conduziu à tentativa de regicídio), sendo extinto tal título e passada a representação da Casa dos Atouguias para os condes da Ribeira Grande. À mesma Comenda de Oucidres, dos condes de Atouguia, pertencerem também, no mesmo termo de Chaves os lugares de Lama de Ouriço (no século XVIII era ainda designada como Quinta), Monte de Arcas e Tinhela. Não admira pois que em documentos mais recentes, produzidos já no decurso do século XVIII se alude com frequência a esta relação de Alvarelhos com Oucidres e os condes de Atouguia, assim na Corografia Portuguesa do Padre António Carvalho da Costa, composto entre 1706 e 1712, como no Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso, cujos dois únicos volumes foram pubicados em 1747 e 1751, como ainda nas Memórias Paroquiais de 1758, redigidas pelos respectivos párocos.
No decurso do século XVIII, a freguesia de Alvarelhos ainda fazia parte do termo de Monforte de Rio Livre, pertencia ao Bispado de Miranda e à Comarca de Torre de Moncorvo, embora sujeita ao juiz ordinário da cabeça do concelho. Ao redor de 1708 compunha-se de 70 vizinhos, assinalando-se a existência de seis fontes de água na povoação. Em 1747 possui 60 fogos e no ano seguinte a população viu-se reduzida a 46 vizinhos, sendo o seu pároco cura da apresentação do reitor de Santo André do lugar de Oucidres. Colhiam os seus moradores centeio, vinho, castanha, linho e alguma hortaliça, provendo os dois primeiros frutos da terra numa parte substancial da renda devida ao curato. Nos prados que aí abundavam criavam bois e gado miúdo. Não obstante a aspereza da terra e o rigor do clima, nas faldas da serra, povoada de lobos, raposas, coelhos, lebres e perdizes, colhia-se castanha e nas margens das duas ribeiras, entre as quais se situava o povoado e tinha cada uma seu moinho, se cultivavam algumas terras e se formavam vistosos lameiros.
Existem em Alvarelhos alguns monumentos de carácter religioso ligados à devoção popular cristã de particular interesse e que constituem um caso raro no concelho de Valpaços, quiçá em toda a Província de Trás-os-Montes, que são quatro cruzeiros em granito com as mesmas características morfológicas, cada um deles originalmente erigido em cada um dos caminhos de acesso ao povoado, os caminhos da Ribósia, do Seixal, da Serra e de Santiago, com a curiosa particularidade de este último ter sido trasladado para o cemitério local, onde hoje se encontra, sendo o único que apresenta pedestal epigrafado, com a data de 1733.  
Extinto o concelho de Monforte de Rio Livre pelo decreto de 31 de Dezembro de 1853, passou a freguesia de Alvarelhos para o concelho de Valpaços, constituída pelo mesmo lugar, à cabeça, e a antiga Quinta de Lama de Ouriço.
A paróquia de Alvarelhos pertence ao arciprestado de Valpaços e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922, conservando o primitivo orago de Nossa Senhora da Expectação.

Fontes:
MARTINS, A. Veloso, Valpaços, Monografia, Lello & Irmão, Porto, 2.ª ed., Dez. 1990, pp. 163-165.
CAPELA, José Viriato et alii, Portugal nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2006.
CARDOSO, Luís, Dicionário Geográfico, 1747, Vol I, pp 386-387.
COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa e descripçam topográfica do famoso reyno de Portugal... (1706-1712), Livro II, Tomo I, cap. III.
Memórias paroquiais de 1758,  Alvarelhos, Monforte de Rio Livre, | http://ttonline.dgarq.gov.pt.
Registos paroquiais, Valpaços, Paróquia de Alvarelhos | Id.

Dia de Santa Luzia



Santa Luzia é o nome consagrado pela tradição, em língua portuguesa, para Santa Lúcia, cuja festividade popular e religiosa se faz no dia 13 de Dezembro. A festa de Santa Luzia é uma festa religiosa católica com raízes pagãs, celebrada em vários continentes, com grande tradição na Escandinávia, em alguns países da Europa do Sul, como Portugal, e no Brasil.

Para rever o que editámos a respeito deste Santa, também venerada no concelho de Valpaços, no seu dia, em 2010, click AQUI.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Breviário histórico do concelho de Valpaços, por freguesias, de A a V – ÁGUA REVÉS

Por Leonel Salvado

Nota prévia: Se há uma História Concisa de Portugal, com a propósito de apresentar uma história que não demore muito tempo a ler, mas que dê uma imagem global da evolução histórica do povo português, não será certamente despropositado apresentar, nesta rubrica, aos valpacenses e a todos os que se interessam pela História de Valpaços, uma descrição do essencial da evolução histórica do concelho, devidamente fundamentada, contudo desprovida das inconclusivas controvérsias que nela se acham e que se revestem de natural interesse para os mais eruditos, mas certamente enfadonhas para os nossos demais leitores a quem o Clube de História de Valpaços também se propõe servir.

GUA REVÉS. A paróquia de Água Revés e Crasto, foi Vila a que Dom Manuel I concedeu foral em 12 de Novembro de 1519. A paróquia de São Bartolomeu de Água Revés já aparece instituída nos séculos XIII-XIV entre as igrejas da Vila de Montenegro, que recebeu Carta de Foral de D. Dinis, no ano de 1301. Com o gradual declínio deste concelho medieval, Água Revés deve ter-se constituído em paróquia com igreja própria e regalias municipais. Não e sabe se teve “foral velho”, aventando-se a possibilidade de ter recebido “Carta de Povoaçao”, posto que a sua autonomia relativamente a outras terras do termo de Chaves parece poder corroborar-se pelo mencionado foral manuelino, onde se afirma ter-lhe sido “dado por Inquirições”. Mais tarde, surge como Abadia apresentada pela Casa de Bragança, com o senhorio da terra exercido pelo respectivo donatário pertencente à antiga Casa de Murça, cujo último representante foi Luís Guedes de Miranda até que, por falecimento deste, sem descendentes legítimos, em 31 de Janeiro de 1758, passou para a Coroa.
A Vila de Água Revés, com Casa de Câmara, cadeia e pelourinho, esteve, até então, judicialmente sujeita à Ouvidoria da Vila de Murça, passando, após essa data, à Correição de Torre de Moncorvo.
O concelho foi extinto pelo decreto de 6 de Novembro de 1836 (o mesmo que instituiu o concelho de Valpaços), passando para o concelho de Carrazedo de Montenegro, entretanto renovado e, finalmente, pela extinção deste, pelo decreto de 31 de Dezembro de 1853, foi integrado no concelho e comarca (instituída pelo mesmo diploma) de Valpaços.
É freguesia do concelho de Valpaços, designado por Água Revés e Crasto, composta pelos lugares de Água Revés, Brunhais, Carreiro Martinho e Crasto (que foi freguesia independente no termo de Chaves) e Fonte Mercê.
A paróquia de Água Revés e Crasto pertence ao Arciprestado de Valpaços e à Diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu continua a ser São Bartolomeu.  

Fontes:
MARTINS, A. Veloso, Valpaços, Monografia, Lello & Irmão, Porto, 2.ª ed., Dez. 1990, pp. 150-159.
CARDOSO, Luís, Dicionário Geográfico, 1747, Vol I, p.80.
COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa e descripçam topográfica do foamoso reyno de Portugal... (1706-1712), Tomo I, cap. XVIII e XXI.
Memórias paroquiais de 1758, Água Revés, Moncorvo, n.º 46, pp. 341-344 | in http://ttonline.dgarq.gov.pt.
Registos paroquiais, Valpaços, Paróquia de Água Revés | Id.

sábado, 10 de dezembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias - VILARTÃO

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Prestes a finalizar esta série documental das Memórias Paroquiais das freguesias que pertencem actualmente o concelho de Valpaços, segue-se a transcrição do documento da antiga freguesia de Vilartão, já nele mencionado como um lugar freguesia de Bouçoais de que é hoje totalmente anexa. 

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 41, VILAR SÃO, Monforte de Rio Lima [leia-se VILARTÃO, Monforte de Rio Livre].
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 41, n.º 308, p. 1869 a 1872]

Vilartão é um lugar da Freguesia de Bouçoães, Província de Moncorvo, Bispado de Miranda, termo de Monforte de Rio Livre. Dista da cabeça da Comarca ao Norte, onze léguas, e de Lisboa, capital do Reino ao mesmo rumo, oitenta léguas, e da cabeça do termo, que é Monforte, dista duas léguas para o Poente [e] de Miranda dista desasseis léguas para a parte do Noroeste.
É donatário deste termo de Monforte o Excelentíssimo [conde de] Atouguia.
É governado por juiz ordinário.
Passa por este lugar todas as semanas o correio da Praça de Bragança para Chaves, excepto quando as águas não permitem a passagem do rio, de que adiante se fará explícita menção.
Tem o dito lugar cinquenta e oito fogos; tem duzentas pessoas.
Tem a igreja matriz no fundo, para o Meio-dia, com a invocação de São Lourenço. Tem três altares [e] o maior é da dita invocação; o colateral da parte do Norte é do Santo Cristo e o da parte do Sul é de Nossa Senhora do Rosário. É um templo feito de novo, com seu frontispício ordinário e um sino só, porque a pobreza dos moradores não dá lugar para mais. Está a dita igreja já muito falta dos paramentos necessários, porque não tem fábrica ou rendimentos mais que o pobre zelo dos moradores. Tem uma Confraria do Santíssimo Sacramento, nem muito pobre, nem muito rica.
O Pároco da dita igreja é cura anual apresentado pelo Reverendo Abade de Bouçoães.
Tem uma capela com a invocação de Nossa Senhora da Expectação, sita [no] meio do Povo por onde passa a estrada. É a dita capela do antiquíssimo Morgado de Vilartão, cujo possuidor no tempo presente é Álvaro José de Morais Soares Carneiro, tenente de [Cavalaria] na guarnição e Praça de Chaves.
Está o dito povo mo meio da estrada mencionada, em terra descoberta e cercada pela parte do Norte e Sul de montes ásperos e rochedos inacessíveis que distam um quarto de légua.
Tem três fontes, uma para a parte do Norte, feita de cantaria lavrada, chamada a fonte do Ouro; outra, para a parte do Nascente, chamada a Fonte Arcada de que emanam abundantes, perenes e saborosas águas, frigidíssimas no Estio e bem temperadas no rigor do Inverno. Tem outra porá a parte do Poente chamada de Reguengo, cuja água não é tão abundante, mas muito delgada e sadia.

Tem este termo uma Serra chamada o Serro [Cerro= colina] da Esculca, para aparte do Nascente, a qual, levantando-se em altura bastante, vai logo descendo precipitadamente por espaço de um quarto de légua para o rio. São as ladeiras deste [Cerro] despenhadas, rasas e montuosas [de superf. acidentada], que principiam junto à Quinta de Picões e findam num ribeiro chamado da Quinta da Cavada, abarcando de distância, de uma a outra parte, quase uma légua. Não servem estes montes senão para lenhas e pastos de gado cabrum; passa por este precipício a estrada mencionada de Bragança para Chaves, ministrando [se] aos passageiras copiosas e frescas águas [de] uma fonte chamada da Esculca, que tomou o seu nome do [Cerro] referido.
Deste termo avistam-se as terras seguintes: Uma serra sita no termo de Bragança, bastante alta, no cume da qual se venera Nossa Senhora da Serra em seu templo ornado como permitem as possibilidades daquelas gentes. Avista[-se] outro templo de Nossa Senhora do Campo, em distância de seis léguas, um do outro. Descobre-se também deste termo outro Cerro muito alto chamado o Cerro de Bornes, em distância de oito léguas, de que darão cabal notícia seus vizinhos; mais outro templo de Nossa Senhora da Assunção, que dista nove léguas, sito em um alto cabeço em cuja faldra [falda=sopé] está o Lugar de Vilas-Boas; mais se avista deste termo o Cerro chamado de Santa Comba, em distância de seis ou sete léguas.
Os frutos que produz esta terra em mais abundância são pão-centeio, vinho ordinário, castanha, algumas frutas e hortaliças.
Da casa do antiquíssimo Morgado de Vilartão, tem florescido nas armas António de Sá Pereira do Lago que acabou a vida sendo sargento-mor de Cavalaria no Regimento Ligeiro na Província de Trás-os-Montes, e na promoção vinha feito coronel, cuja ocupação não chegou a lograr, porque a morte lhe cortou os fios da vida. Álvaro de Morais Soares, irmão do sobredito, faleceu sendo capitão de cavalos no mesmo Regimento, cujo pai de ambos, chamado Pedro Aires Soares, faleceu sendo Governador de Monforte e seu termo.

Finda o termo deste povo, para a parte do Nascente, em um rio chamado o Mente, que tem seu princípio no Reino de Galiza [e], pela parte do Norte e no mesmo termo deste lugar de Vilartão, desemboca em outro rio chamado o Rabaçal, que também corre pela parte do Norte das terras de Galiza para o Sul, conservado seu nome de Rabaçal até à Vila de Mirandela, junto à qual perde a sua denominação, porque lha usurpa outro rio chamado Tuela.
É o dito rio Mente bastante caudaloso, principalmente no tempo de Inverno, de tal sorte que não pode passar-se sem muito perigo, porque não tem ponte, excepto uma de madeira a três léguas daqui, junto à raia de Galiza, chamada a ponte de Segirei, e não há outra até à ponte chamada da Barca, junto ao Lugar de Vale de Telhas, distante, uma da outra, seis ou sete léguas.
Tem o dito Mente um porto chamado da Oliveira, por onde vai a estrada de Bragança para Chaves, que somente no Verão dá passagem, e no Inverno, tanto o correio como [o]s soldados e mais passageiros, dão uma tal volta, que rodeiam de cinco para seis léguas; tem nele perigado muita gente, como é bem notório.
Criam-se neste rio barbos, bogas e algumas trutas e escalos. Nas suas ribeiras, para esta parte do Poente, não se produzem frutos, por serem terras fragosas e desabridas.
Há no dito rio um moinho, no sítio da Ramisqueira, de que se servem os moradores de Vilartão.
Não houve, pela Misericórdia de Deus, nesta freguesia ruína alguma causada pelo terramoto de 1755. Nem também há coisa alguma digna de memória, de que se dê notícia.
Isto é o que posso dizer na verdade.

Vilartão, em Abril, 14 de 1758.

O cura, Padre João Rodrigues.

63.º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos humanos


O dia 10 de Dezembro é considerado o Dia Nacional dos Direitos Humanos, por uma resolução aprovada em 1998 pela Assembleia da República levando em conta a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que celebrava então os seus cinquenta anos e a adesão de Portugal à Convenção Europeia dos Direitos do Homem, que contava o seu vigésimo aniversário.  Trata-se,  portanto de uma efeméride cujos antecedentes lhe conferem um significado comemorativo bastante relevante.
A data vem, por isso,  sendo comemorada um pouco por toda a parte, de modo particularmente especial pelas comunidades escolares espalhadas pelo país.   
Imagem ilustrativa in http://area.dgidc.min-edu.pt

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias - ÁGUA REVÉS

Por Leonel Salvado


Nota prévia: Estando ainda por finalizar esta série documental das Memórias Paroquiais das freguesias que pertencem actualmente ao concelho de Valpaços, segue-se a transcrição do documento da antiga freguesia de Água Revés (Vila e termo) hoje de Água Revés e Crasto, a primeira freguesia pela ordem alfabética. Lamentavelmente, não se torna ainda possível transcrever o documento relativo à freguesia de Padrela, uma vez que a cópia de que dele disponho é praticamente ilegível.  

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 1, ÁGUA REVÉS, Moncorvo
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 1, n.º 46, p. 341 a 344]

Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral.
Satisfazendo os interrogatórios que por ordem de Vossa Mercê me foram entregues e com esta remeto, não se oferece dizer mais que o seguinte, sobre a Terra, por não haver nela Serra, nem Rio de que faça menção.
A Vila de Água Revez fica na Província de Trás-os-montes, no Arcebispado de Braga Primaz, pelo Governo Secular pertence à Correição da Torre de Moncorvo. É freguesia de S. Bartolomeu que é orago da mesma Vila. É Abadia apresentada pela Sereníssima Casa de Bragança, mas o Senhorio da Terra foi, até ao último de Janeiro de 1758, o Senhor Luís Guedes de Miranda, último administrador da antiga Casa de Murça; por falecimento deste e por falta de sucessão legítima, tomou posse a Coroa no mês de Fevereiro do mesmo ano.
Tem esta Vila cinquenta vizinhos e duzentas e nove pessoas.
Está situada em uma Ladeira que desce do Poente a Nascente e subindo o meio dela para Poente, [avista-se] o lugar de Valpaços, o de Vale de Salgueiro e o de Argeriz; o primeiro dista légua e meia, o segundo duas e meia, o terceiro uma légua, e todo o terreno da terra quente, do Norte para o Sul, finaliza o horizonte desta vila na serra de Siabra, Reino de Castela, em distância de dezoito léguas [permeando] desta Vila à dita serra os três referidos lugares e outros muitos do Reino de Portugal que se não avistam, e muitos rios sendo o último, o celebrado Douro.
É esta dita Vila cabeça de um pequeno Concelho que compreende duas Quintas, uma chamada Carreira Martinho, que tem dez vizinhos e vinte e nove pessoas, e outra chamada Brunhais, que tem trinta e sete vizinhos e cento e quinze pessoas, tem um lugar chamado Fonte Mercê, que tem trinta e nove vizinhos e pessoas cento e quarenta, e vem a ter todo o Concelho, Vila e seus Lugares, cento e trinta e seis vizinhos e quatrocentas e noventa e três pessoas actualmente.
A Paróquia que tem por orago S. Bartolomeu está situada no princípio da Vila trinta passos desviada dela e das primeiras casas em que se forma sua rua, e todos os referidos Lugares que tem o Termo e Concelho, lhe são sujeitos e fazem uma só Freguesia. Tem a dita Igreja quatro Altares, sendo o primeiro dele o maior em que está o Santíssimo Sacramento e não tem a Capela-Mor; outro no Corpo da igreja que é antiquíssimo e sem naves, nem especial pedraria; se acham da parte direita dois altares, o primeiro em que se venera a Senhora Santa Catarina, o segundo que está metido no corpo da parede da mesma igreja se adora uma veneranda Imagem do Senhor Santo Cristo, em uma cruz pregado, a mais devota que se encontra em toda a Província; da parte esquerda em um Altar que dá costas à Capela-Mor está a Senhora do Rosário, e não tem mais Altares. Destas Imagens, a do Senhor Santo Cristo, em que o Povo tem singular devoção, tem feito prodigiosos milagres em muitas pessoas e animais servis, restituindo-lhes a vida de que tinham pouca esperança. Tem duas Irmandades, a do Santíssimo Sacramento e a das Almas.
O Pároco é Abade apresentado pela Sereníssima Casa de Bragança, percebe [recebe] de Dízimos um ano por outros duzentos mil réis, fora o incerto do pé do Altar que renderá trinta até quarenta mil réis.
Não tem Beneficiados, nem Conventos, nem Hospital, nem Casa de Misericórdia.
Tem no fundo da Vila uma Capela de S. Sebastião que descobre a rua toda até o cimo e a quem se faz a sua festa no seu dia, não ttm que ponderar [apreciar] por ser ordinária. Tem outra, [a um] quarto de légua fora da Vila, com a invocação da Senhora da Ribeira, prodigiosa Imagem, para tirar as sezões  [febre], ou maleitas, àqueles que com a sua camisa, andando com elas, lhe vão varrer a sua Capela, que também não tem que notar no material e feitio; faz-se-lhe a sua festa ao 21 de Novembro. Tem outra Ermida com a invocação da Senhora do Ó no lugar de Brunhais, que se festeja aos 18 de Dezembro. Tem outra Ermida com a Imagem do Salvador do Mundo dentro do lugar de Fonte Mercê, que se festeja no dia da Transfiguração do Senhor. São todas sujeitas à própria paróquia da freguesia [e] não concorre a elas romagem, só nos seus dias à sua festa a maior parte da gente do concelho.
Os frutos que a terra dá e que os moradores recolhem com mais abundância [são] centeio e azeite, os mais géneros de trigo, graduras [feijões], linho e castanha, vinho e hortaliças; são em pouca quantidade por serem as terras de ladeira e de pouco fundo, sem águas de rega e muito quentes.
Tem Juiz Ordinário, que despacha por assessor as causas cíveis e crimes, que eram apeladas para a Ouvidoria da Vila de Murça enquanto o Senhor Luís Guedes de Miranda foi Donatário, e seus predecessores, desta terra e das mais de seu estado; presentemente são apeladas para a Correição de Moncorvo. Tem Casa da Câmara e todos os oficiais que lhe são respectivos, cadeia e pelourinho e fica dito que é Termo e Concelho sobre si e demarca por todos os lados com o Termo da Vila de Chaves.
Não consta que saíssem dela homens de avultadas façanhas que mereçam na história singular menção, nem em Letras, nem em virtudes, exceptuando o comum, que são domáveis, belos soldados e servem bem a Sua Majestade.
Não tem feira forra, nem cativa, e o Correio de que usa é o da Vila de Chaves que dista desta três léguas e a Cidade de Braga capital do Arcebispado, vinte e duas, e a de Lisboa capital do Reino sessenta e duas.
Não tem privilégios, nem coisas dignas de memória.
Tem duas fontes, uma no princípio da Vila, a que chamam a Fonte da Igreja, de pedra de cantaria e na sua frente um nicho com a Imagem de S. João, falta nela suas águas no Julho, Agosto e Setembro, dizem que por tomarem outra corrente, depois que a formaram de novo. Tem outra que dá água com abundância todo o ano, em prado que fica no fundo da Vila [que] está lájea [coberta] e pouco asseada. As águas de uma e outra fonte são singulares tanto para a saúde como para o gosto, a cor delas, no tempo que costumam rebentar as fontes, [é] branca como leite e sempre ficam inclinadas a esta cor, por serem as veigas donde saem de pedra lousinha.
Não é Porto de Mar, nem é murada, nem padeceu ruína no Terramoto de 1755.
Estão na forma ponderada os interrogatórios, desde o primeiro até 27, respectivos a esta Terra, satisfeitos com toda a verdade sem afectação nem diminuição, o que juro aos Santos Evangelhos e que não há nela nem serra, nem rio, o que também certificam os dois Párocos mais vizinhos que vão assinados, e para o mais que for obedecer a vossa mercê tem a minha vontade certa e súbdita. Deus guarde a vossa mercê muitos anos. Água Revés, 17 de Março de 1758.

De vossa mercê, Capelão, Servo e Súbdito,
O Abade José Rodrigues Álvares.

O Pároco do Crasto, o Padre João Lopes.
Santa Maria d’Emeres, Pároco Francisco Martins.

Informação da Vila de Água Revés e suas circunstâncias.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

DOCUMENTOS: Tribunal do Santo Ofício – LEBUÇÃO 4.ª Parte

Por Leonel Salvado




DOCUMENTOS: sinopses dos 12 (13) restantes processos, de um total de 32-34, que analisei e que decorreram no Tribunal do Santo Ofício, respeitantes a naturais e/ou moradores da freguesia de Lebução, a grande maioria deles decorrentes na segunda década da segunda metade do século XVII, o último dos quais pode ser consultado, na totalidade, em representação digital disponibilizada pela ANTT.


PROCESSO DE ANTÓNIA HENRIQUES
Datas de produção: 1662-09-02 a 1664-10-26

Antónia Henriques, CRISTÃ-NOVA, natural de Verín, Galiza - Espanha, moradora em LEBUÇÃO, bispado de Miranda, filha de António Fernandes, tratante, e de Antónia Rodrigues, solteira, acusado de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, apresentada em 23/09/1662, foi sentenciado e levado a Auto de Fé em 26/10/1664.
Ouvida, foi-lhe passado termo de segredo e dada licença para se ir em 1662-09-09; notificada, apresentou-se, pela 2ª vez, em 1663-08-20; mais tarde foi reconciliada; foi-lhe passado termo de soltura e segredo em 1664-11-01; em 1664-11-15, foi-lhe dada licença para se ir.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra – processo 4933.


PROCESSO DE MARIA MENDES
Datas de produção: 16/05/27-26/10/1664

Maria Mendes, ¼ de CRISTÃ-NOVA, natural de LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre, Bispado de Miranda, moradora no mesmo lugar, filha de António Pires, lavrador, e de Guimar Mendes, solteira, acusada e culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, foi presa em 19/07/1662, sentenciada 26/10/1664 e realizado Auto de Fé. A RÉ FALECERA NOS CÁRCARES DO SNTO OFÍCIO EM 27-05-1664.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 5665.


PROCESSO DE JOÃO LOPES DIAS
Datas de produção: 1662-07-05 a 1662-07-09

João Lopes Dias, CRISTÃO-NOVO, mercador, natural de Sambade, Alfândega - Arcebispado de Braga, morador em LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre – Bispado de Miranda, filho de André Lopes dias, mercador, e de Brites de Leão, casado com Helena Correia, acusado de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA apresentado a 5/07/1662, preso a 8/7/1662, foi sentenciado a 9/07/1662 com Auto de Fé na mesma data. Foi-lhe passado termo de soltura e segredo em 10-07-1662. Fez mais confissão em 24-07-1662 e foi-lhe passado termo de ida em 29-07-1667.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 6346.


PROCESSO DE CLARA CORREIA
Datas de produção: 16/05/28 – 26/05/1669

Clara Correia, CRISTÃ-NOVA, natural de LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre – Bispado de Miranda, moradora no mesmo lugar, com cerca de 30 anos de idade, filha de António Correia, mercador, e de Antónia Cardoso, solteira, acusada de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA apresentada em 11/04/1669, foi sentenciada em 26/05/1669 com Auto de Fé na mesma data. Foi-lhe passado termo de soltura e segredo em 28-05-1669.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 6493.


PROCESSO DE RAFAEL JOSÉ PIMENTEL
Datas de produção: //1753 – 24/01/1753

Rafael José Pimentel, CRISTÃO-NOVO, homem de negócio, natural de Rebordelo – Bispado de Miranda, morador em LEBUÇÃO, do mesmo Bispado, com cerca de 37 anos de idade, filho de João Pimentel, homem de negócio, e de Maria Nunes, casado com Florinda Rosa, a Matilde, ou Florinda Rosa Matilde, acusado de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, apresentado em 24/01/1753, preso a 11/05/1753 foi sentenciado e foi a Auto de Fé no mesmo ano, em dia e mês não determinados. O réu apresentou-se após notificação; mais tarde foi preso e reconciliado; foram-lhe passados termos de soltura e segredo em data indeterminada e de ida e penitência em dia indeterminado do mês de Agosto de 1753.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 7869.


PROCESSO DE HELENA CORREIA             
Datas de produção: 1662-07-09 a 1662-07-29

Helena Correia, CRISTÃ-NOVA, natural de Vila Flor – Arcebispado de Braga, moradora em LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre – Bispado de Miranda, filha de Pedro Dias de Mesquita, médico, e de Violante Henriques, casada com João Lopes Dias, mercador, acusada de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA,  apresentada em 03/07/1662 foi sentenciada e levada a Auto de Fé em 09/07/1662. Foi passado à ré termo de soltura e segredo em 1662-07-01; em 1662-07-29, foi-lhe dada licença para se ir.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 7869.


PROCESSO DE HELENA CORREIA
Datas de produção:  1669-09-09 a 1673-03-26

Helena Correia, CRISTÃ-NOVA, natural de LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre – Arcebispado de Braga, moradora no mesmo lugar, de 44 anos de idade, filha de António Correia, mercador, e de Antónia Cardoso, casada com Manuel de Campos, mercador, acusada de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA apresentada em 09/09/1669, foi sentenciada e leva a Auto de Fé em 12/03/1673. A ré, quando se apresentou tinha 40 anos de idade; ouvida, foi-lhe dada, no dia seguinte, licença para se ir para a sua terra (Lebução, Monforte de Rio Livre); foi reconciliada; foram-lhe passados termos de soltura e segredo e de ida em 1673-03-26.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 9186.


PROCESSO DE JOSEFA DA COSTA
Datas de produção: 1662-06-03 a 1664-11-08

Josefa da Costa, ½ CRISTÃ-NOVA, natural de LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre – Bispado de Miranda, moradora no mesmo lugar, filha de Baltasar da Costa, almocreve, e de Isabel Mendes, solteira, acusada de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, presa a 03/06/1662 foi sentenciada e levada a Auto de Fé a 26/10/1664. Foram passados à ré termo de soltura e segredo em 1664-11-08 e de ida em 1664-[11]-15.
 Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 9286.


PROCESSO DE ALEXANDRE JOSÉ DA COSTA
Datas descritivas: 13/11/1752

Alexandre José da Costa ou Alexandre da Costa, CRISTÃO-NOVO, sem ofício, natural de LEBUÇÃO, Bispado de Miranda, morador em Anelhe, termo de Chaves – Arcebispado de Braga, filho de Baltasar Cardoso, homem de negócio, e de Teresa Maria de Campos Pereira, casado com Brites Maria Caetano, acusado de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, apresentado em 13/11/1752. O réus apresentou-se, foi ouvido e 2 dias depois, teve licença para ir para a sua terra (Anelhe, Chaves); no fim do processo, que não tem sentença, há uma carta, em que o réu diz ter mais culpas que confessar.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 9868.


PROCESSOS DE JOÃO LOPES DIAS e MANUEL DA FONSECA
Datas de produção: 1660-09-22 a 1661-01-18

João Lopes Dias e Manuel da Fonseca, CRISTÃOS-NOVOS, naturalidades e profissões indeterminadas, moradores em LEBUÇÃO, casados, nome dos cônjuges desconhecidos, foram acusados de culpas de IMPEDIR O RECTO MINISTÉRIO DO SANTO OFÍCIO e FAUTORIA DE HEREGES (cristãos-novos). Os processos constam apenas de interrogatórios de testemunha contra os réus (João Lopes Dias e de Manuel da Fonseca); é um sumário dos passadores de Lebução; 1ªa data: 1660-09-22; última data: 1661-01-18.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 9935.


PROCESSO DE BRÁS CARDOSO
Datas descritivas: //-11/04/1669

Brás Cardoso, CRISTÃO-NOVO, mercador, de 42 anos de idade, natural de LEBUÇÃO, termo e Monforte de Rio Livre – Bispado de Miranda, morador no mesmo lugar, filho de António Correia, mercador, e de Antónia Cardoso, solteiro, acusado de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, apresentado em [11]/[04]/[1669], foi sentenciado e levado a Auto de Fé em data(s) indeterminada(s). O réu apresentou-se voluntariamente. Não se conseguem ler as datas da publicação da sentença e do Auto de Fé, do termo de [soltura e segredo] e do termo em como lhe foi levantado o cárcere.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 10095.


PROCESSO DE CATARINA CORREIA
Datas de produção: 1669-04-11 a 1669-05-26

Catarina Correia, CRISTÃ-NOVA, natural de LEBUÇÃO, termo de Monforte de Rio Livre – [Bispado de Miranda], moradora no mesmo lugar, filha de António Correira, mercador e de Antónia Cardoso, solteira, acusada de culpas de JUDAÍSMO, HERESIA e APOSTASIA, apresentada em 11/04/1669, foi sentenciada e lavada a Auto de Fé em 26/05/1669. A ré apresentou-se voluntariamente; esteve em Castela, em Leão e na Galiza.
 Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 10489.


PROCESSO DE MARIA ROSA LUÍSA DE CAMPOS
Datas de produção:  1752-07-20 [?] – 1754-05-25 [?].

Maria Rosa Luísa de Campos, CRISTÃ-NOVA, com 30 anos de idade, natural de LEBUÇÃO, [termo de Monforte de Rio Livre] – Bispado de Miranda, moradora em Lisboa, filha de Baltasar Mendes Cardoso, cristão-novo, homem de noegócio, e de Teresa Maria de Campos, cristã-nova, casada com Francisco Rodrigues Álvares, homem de negócio, acusada de culpas de JUDAÍSMO, presa em 02/07/1752, foi sentenciada e levada a Auto de Fé privado em 19/05/1754. [Sentença]: Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, penitências espirituais.
Cota actual: Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, processo 11235.

Fonte: http://digitarq.dagarq.gov.pt


Para aceder ao processo completo de Maria Rosa Luísa de Campos disponível em versão digitalizada no ANTT, clique na imagem (acesso por vezes condicionado!).


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