terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Homenagem a Franklim Teixeira, um dos bravos da revolta de 31 de Janeiro

Franklim Teixeira, Galeria de Notáveis do Clube de História de Valpaços

Franklim Teixeira, ficou gravado na memória dos seus conterrâneos como um dos mais arrojados Republicanos valpacenses nos finais da Monarquia. Dele se guarda memória de ter participado na revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, que hoje se comemora, e de dela ter escapado com vida vindo a exibir orgulhosamente a bandeira Republicana na sua terra natal. Conta-se ainda que, em Valpaços, se atreveu a afrontar o próprio rei D. Carlos dando, em altos brados, vivas à República quando este aqui se apeou na sua viagem de Chaves a Mirandela e refere-se que, já no tempo da República, foi ele o primeiro Administrador do Concelho, função que exerceu com grande responsabilidade, mas também com necessário espírito de tolerância e nobres sentimentos. Faz parte da nossa “Galeria de Notáveis” deste 24 de Agosto de 2010.

Para rever alguns dos dados biográficos que em sua homenagem publicámos nessa data, clique

121.º Aniversário da Revolta de 31 de Janeiro

Painel de “pseudo-azulejos” alegórico à Revolta de 31 de Janeiro | Imagem de base: Gravura 
de Louis Tynayre, publicada na Illustração, revista universal impressa em Paris, 1891 | Digitalização e adaptação: Leonel Salvado

A revolta de 31 de Janeiro representa, senão o primeiro passo dado no sentido do derrube da Monarquia Portuguesa, pelo menos a manifestação mais evidente, firme e congregadora do movimento republicano em Portugal. Por ter nela tomado parte um fervoroso adepto valpacense da causa republicana, Franklim Teixeira, entendemos considerá-la também como um evento comemorativo de relevância local. De forma a proporcionarmos aos nossos leitores uma ideia global das circunstâncias que rodearam este acontecimento, seleccionamos a seguinte reportagem das “Notícias Lusa” publicada por Ana Maria Gomes no “Almanaque da República” por ocasião das celebrações do I Centenário da instauração deste regime político em Portugal.

«Notícias Lusa, a Revolta de 31 de Janeiro

O ambiente no Porto era "péssimo" nas vésperas da revolta do 31 de Janeiro e conspirava-se muito, sobretudo nos cafés Suíço e Central, junto à antiga Praça D. Pedro (hoje Praça da Liberdade), descreve o historiador Germano Silva.

"O Ultimato Inglês feriu o orgulho nacional e precipitou o descontentamento na cidade. Por isso, o ambiente era péssimo: as pessoas contestavam muito a monarquia, que estava em queda. Conspirava-se muito, e foi nos cafés que se forjou a revolução", descreve, à Lusa, o especialista.

O café Suíço e o Central, situados junto a uma praça cheia de "movida", foram "muito importantes" na revolução e este último era mesmo, de acordo com Germano Silva, "o quartel-general" da revolta de 1891, reunindo nas suas mesas estudantes e militares.

O povo do Porto aderiu fortemente à revolta militar do 31 de Janeiro, de tal forma que, quando chegaram à Praça D. Pedro, os militares "tiveram já dificuldade em romper a multidão para fazer a formatura".

Germano Silva refere que "não há outra cidade onde pudesse ter ocorrido a revolta do 31 de Janeiro", porque se trata de uma cidade "liberal desde a Idade Média".

Como se tratava de "uma cidade de trabalho, que criava riqueza", isso dava-lhe "certos privilégios", nomeadamente o de ser reivindicativa.

Apesar de tudo, a revolução não vingou: "Faltou um chefe militar de alta patente. Os sargentos precipitaram a saída para as ruas porque tinham sido traídos por um deles. Quando chegaram à Praça D. Pedro, onde estava a Câmara, esqueceram-se da guarda municipal, que se foi colocando em sítios estratégicos e tinha meios mais sofisticados, pelo que não foi possível implantar a República", refere o historiador.

Foi da Rua dos Quartéis (actual rua D. Manuel II), que saiu o Regimento de Infantaria 10, um dos responsáveis pela revolta de 31 de Janeiro.

Aos militares da Infantaria 10 devia juntar-se, na Praça de Santo Ovídeo (actual Praça da República), o Regimento de Caçadores 9, que antecipou a sua saída do antigo Mosteiro de S. Bento da Vitória porque "quem comandava as tropas era o sargento Abílio, que precisava de alguém com patente mais alta" para liderar os revoltosos.

Ao cruzar-se com o alferes Malheiro, que fazia a guarda da Cadeia da Relação, o sargento Abílio pediu-lhe para aderir ao movimento e comandar as tropas - o sim do Alferes leva o sargento a proferir o primeiro "viva" à República.

Chegados à Praça de Santo Ovídeo, "numa madrugada muito fria e cheia de nevoeiro", a Infantaria 10 e o Caçadores 9 (aos quais se juntou, também, a Guarda Fiscal) tinham por missão convencer o Regimento de Infantaria 18, ali instalado no quartel.

As negociações foram demoradas e acabaram por não surtir efeito, mas os militares seguiram pela rua do Almada em direcção à Câmara Municipal, onde Alves da Veiga proclamou a República e anunciou os nomes do primeiro Governo provisório.

Mas, entretanto, a guarda municipal estava a postos para parar a revolução e, quando militares e civis decidiram subir a rua de Santo António (actual 31 de Janeiro), começou a atirar, obrigando os revoltosos a fugir e deitando por terra a intenção de derrubar a monarquia em Portugal.»

Ana Maria Gomes, in Almanaque da Republica | http://www.republica2010.com

domingo, 29 de janeiro de 2012

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 5.B

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001

(Para melhor visualizar cada uma das imagens clique sobre elas)

FREGUESIA DE BOUÇOAIS - B

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O terramoto de Lisboa de 1531

Tabela geocronológica  dos terramotos e sua  intensidade (500 d. C. - 1909), 1909
In http://santossantinhos.blogspot.com

O terramoto de 1755 foi o que mais tristemente ficou gravado na memória dos portugueses e outros europeus desde a sua trágica ocorrência. Contudo, em 26 de Janeiro de 1531, mais de meio século antes desta tragédia, outro sismo de invulgar intensidade e de consequências igualmente trágicas abalou o sul do país, particularmente a capital, vitimando, aí, 30 mil pessoas de uma população total estimada em 100 mil habitantes.
(clique na imagem ao lado para aumentar)

Para rever o artigo da autoria de Carlos Loures publicado no site “Aventar” em 26 de Janeiro de 2010 e editado aqui, um ano depois,clique 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Arqueologia com selos

Por J. Pires dos Santos

Foi recentemente editado pelos Correios de Portugal o livro ‘Uma História da Arqueologia Portuguesa’, da autoria de Carlos Fabião, que traça um percurso pela história do País, com referência aos principais sítios, personalidades e factos que tem marcado a Arqueologia em Portugal.

Na obra, o arqueólogo Carlos Fabião conjuga a análise científica da investigação desde o período em que os vestígios do passado remoto serviam de pretexto para confirmar, sobretudo à luz dos textos bíblicos, as origens e o passado das civilizações, até à descoberta e classificação pela Unesco, já no século XX, das pinturas rupestres no vale do Côa.

Neste livro, o autor homenageia os fundadores da arqueologia portuguesa, com destaque para Francisco Morais Sarmento, pioneiro desta ciência em Portugal no século XIX.

A obra segue a linha editorial de anteriores edições dos CTT e completa-se com cinco selos da emissão filatélica ‘Arqueologia em Portugal’ que reproduzem a Citânia de Briteiros, Foz Côa, Conimbriga, Milreu e Alcalar, com os valores, respectivamente, de 0,32, 0,47, 0,68 e 0,80 cêntimos e 1 euro e o bloco que inclui um selo de 2,5 euros, que reproduz José Leite de Vasconcelos no Museu Etnográfico Português.

Correio da Manhã, 22 de Janeiro de 2012 | http://www.cmjornal.xl.pt

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Concelho de Valpaços nas “Memórias Paroquiais de 1758”


Para que os nossos visitantes possam aceder mais facilmente ao documento ou documentos que pretendam consultar desta série documental das “Memórias Paroquiais de 1758” das várias aldeias e freguesias que temos vindo a transcrever, entendemos proporcionar-lhes esta relação com os respectivos atalhos. De futuro poderão aceder a este "Menú" a partir da barra lateral do presente blogue. Convém que se diga que a única paróquia cujo documento ainda não foi possível transcrever é a de Padrela. Para todos os restantes foi adoptado o critério de transcrição de leitura actualizada, favorecendo tanto quanto possível a compreensão dos textos relativamente às rígidas convenções da Paleografia científica. 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 5. A

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001

Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgado através da Internet, é dirigida, em homenagem a este autor, a todos os valpacenses, transmontanos e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes.

FREGUESIA DE BOUÇOAIS - A

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR
(para uma melhor visualização das imagens, clique sobre elas)


“Povoação e freguesia do concelho e comarca de Valpaços, distrito e diocese de Vila real, com 1266 h em 309 fogos (1960), 1031 h em 240 fogos (1970).
Orago: N. S.ª. da Ribeira
Situa-se no extremo E do concelho, a cerca de 26 KM da sede, no limite com Mirandela. Pertenceu ao extinto concelho de Monforte de Rio Livre até 1853 e era abadia do Padroado Real”.

F. RIBEIRO, Encliclop. Verbo,
Vol. 3, pág. 1703 e Vol. 19, pág. 546.

Hoje é Dia de São Vicente, diácono Mártir

S. Vicente, mais um Santo, cujo culto se difundiu desde a época romana sobretudo na Península Ibérica. É o santo padroeiro da cidade de Lisboa e é também venerado em algumas paróquias do concelho de Valpaços.

Para rever o que a respeito deste santo publicámos em 2011, no seu dia, clique sobre a imagem.  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

458.º Aniversário do nascimento de D. Sebastião no dia do Santo mártir com o mesmo nome

          

D. Sebastião, o último dos monarcas da dinastia de Avis, nasceu há 458 anos no dia do Santo mártir com o mesmo nome, unidos propositadamente no baptismo e ironicamente no destino do“mistério”das circunstâncias da morte de ambos, ainda que morte do soberano em Alcácer Quibir seja controversa.

Para rever o que editámos em 2011 a respeito de cada uma destas duas figuras comemorativas, bem como da relação entre ambas na devoção religiosa dos povos de algumas terras do concelho de Valpaços, clique nas respectivas imagens. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ontem foi Dia de Santo Antão, abade

Santo Antão, abade, óleo de Francisco de Zurbaran (1598 - 1664),
Palácio Pitti, Galeria Palatina, Florença, Itália

Santo Antão do Deserto, também conhecido como Santo Antão do Egipto, Santo Antão o Grande, Santo Antão o Eremita, Santo Antão o Anacoreta, ou ainda O Pai de Todos os Monges, é comummente considerado como o fundador do monaquismo cristão.

Para rever tudo o que editámos em 2011 sobre a vida de Santo Antão abade, no seu dia, e sobre o seu culto em terras do concelho de Valpaços, clique
AQUI.

Há 17 anos: o Poeta que na data de 17 de Janeiro deixava este mundo…

…com uma mensagem de ânimo e esperança

O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.”

Miguel Torga

Pode rever neste blogue o que publicámos por ocasião do 103.º Aniversário do nascimento de Miguel Torga.

domingo, 15 de janeiro de 2012

580.º Aniversário do nascimento de D. Afonso V, rei de Portugal, em dia de Santo Amaro


      
  
Celebram-se hoje o dia de Santo Amaro e os 580 anos do nascimento do décimo segundo rei de Portugal, D. Afonso V.

Para rever o que editámos em 2011 a respeito de cada uma destas duas figuras comemorativas, bem como da sua relação com as terras do concelho de Valpaços, clique na respectiva imagem.

112.º Aniversário do nascimento do Professor Doutor Amândio Tavares


No dia 15 de Janeiro de 1900, há 112 anos, nascia em Valpaços numa das casas da Rua que hoje tem o seu nome, Amândio Joaquim Tavares, um dos mais notáveis filhos da terra, brilhante figura enquanto estudante, docente universitário, Reitor da Universidade do Porto, muito estimado pelo corpo docente e pelos estudantes desta instituição, e cientista de reconhecido mérito internacional.

Para rever o que publicámos em homenagem ao Professor Doutor Amândio Tavares na “Galeria de Notáveis de Valpaços” desde 2 de Abril de 2011,
 clique AQUI.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 4

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001
Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgado através da Internet, é dirigida, em homenagem a este autor, a todos os valpacenses, transmontanos e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes.

FREGUESIA DE BARREIROS

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR
“Povoação e freguesia do concelho e comarca de Valpaços, distrito e diocese de Vila real, com 493 h em 126 fogos (1960), 346 h em 111 fogos (1970). Orago: S. Vicente. Situa-se no extremo E do concelho e distrito, no limite com os de Mirandela e Bragança. Foi reitoria do Padroado Real no termo da vila de Monforte de Rio Livre, a cujo concelho pertenceu até 31. 12. 1853. Compõe esta freguesia, apenas uma povoação, que lhe dá o nome.”
F. RIBEIRO, Encliclop. Verbo, Vol. 3, pág. 670 e Vol. 19, pág. 443.

Fontes, chafarizes e marcos fontanários do concelho de Valpaços – Freguesia de BARREIROS

Transcrição do texto de Adérito Medeiros Freitas
Recriação gráfica pseudo-faiança de Leonel Salvado


Tema: Dados históricos sobre a freguesia e fontes de Barreiros | Objecto: prato |
criação digital e adaptação: Leonel Salvado | Recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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I
A - Fonte de Mergulho

Tema: Fonte do Prado em Barreiros | Objecto: prato |
criação digital e adaptação: Leonel Salvado | Foto-base: A.M. Freitas | 
Outros recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior); http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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Localização: Barreiros
Lugar: Prado (Rua da Fonte)
Altitude: 450 m   Longitude: 7º 13’ 38,6 W   Latitude: 41º 41’ 19,0’’ N
Ano de construção: 1896 (Mandada construir por Joaquim Pereira de Sequeira)
Material de construção: Granito de dois tipos: um, equigranular de grão fino a médio, de duas micas e cor amarelo-acastanhada por alteração química da biotite; outro, equigranular e de grão grosseiro, com duas micas e, por vezes, com nítida alteração química da biotite.

Características gerais: Como a fotografia [imagem] documenta, trata-se de uma fonte de grande beleza, que merece ser incluída num Roteiro das Fontes do Concelho de Valpaços.
Infelizmente, ao longo dos anos e ainda recentemente, obras realizadas na rua que lhe passa ao lado bem como no espaço que lhe ficava em frente prejudicaram, e muito, o seu real valor, como justificaremos mais adiante.
Externamente e na direcção ântero-posterior, esta fonte mede 2,06 m. A largura frontal é de 2,80 m e possui, de altura máxima, 3,22 m. A planta interna, rectangular, mede 1,54 m de comprimento (direcção transversal) e 1,35 m de largura (direcção Antero-posterior). A profundidade do reservatório é de 1,10 m mas, quando recolhi estes elementos, no dia 3 de Junho de 2004, apenas possuía uma profundidade de água de 88 cm.
A porta mede 1,14 m de altura máxima, 1,54 m de largura e termina, superiormente, em arco de volta perfeita. Outrora, esta porta era mais alta e a soleira, tal como acontece com tantas outras fontes, possuía um intenso desgaste provocado pelo contínuo roçar, durante décadas, dos cântaros utilizados para recolha e transporte de água. Este desgaste constituía um importante documento do historial desta fonte mas, alguém pouco esclarecido do seu verdadeiro significado, resolveu tapá-lo colocando-lhe, por cima, uma soleira de cimento. Na minha opinião, com todos os cuidados que uma tarefa deste tipo exige, esta soleira de cimento deveria ser removida. A água não é formigueira, pois nasce a 20 m da fonte. É límpida e abundante. Outrora, a partir da nascente, atingia a fonte através de uma caleira de granito. Hoje, a água atinge a fonte através de um tubo, cuja porção terminal é uma bonita e bem trabalhada gárgula de granito com forma de tronco de cone, que mede 44 cm de comprimento e 22 cm de diâmetro frontal.
O tecto, em abóbada de berço, é formado por sete aduelas a primeira das quais de cada lado assenta directamente na última laje de granito do respectivo pé direito. Não existem impostas. A largura das aduelas diminui, de cada lado, da base para o topo (respectivamente 50, 39 e 26 cm). A aduela fecho da abóbada mede, apenas, 10 cm de largura. As arestas frontais das aduelas da abóbada estão truncadas, originando uma face curva com 4 cm de largura.
A cobertura, de duas águas, é muito inclinada e formada por cinco lajes colocadas longitudinalmente. Destas, é digno de nota a laje que forma o cume, cuja secção transversal possui a forma de um “V” invertido dando continuidade, na perfeição, a cada uma das vertentes laterais. De um e outro lado bem como frontalmente e numa extensão de 45 cm  de cada lado, como a fotografia [imagem] muito bem documenta, una cornija horizontal, saliente 10 cm. Em continuidade com esta existe, frontalmente, uma outra cornija formando como que os dois lados de um triângulo isósceles, com 1 m de altura e 2 m de base.
De um e outro lado, sobre cada uma das porções frontais da cornija horizontal, um pináculo quadrangular terminando em pirâmide, com 1,05 m de altura. Superiormente, no ponto de encontro dos dois ramos simétricos e convergentes da cornija frontal, uma peanha sustentando uma cruz relativamente recente, certamente em substituição da cruz primitiva cujo destino desconheço. […]
Em frente da fonte existe, hoje, um espaço rectangular com pavimento de cimento a que dão acesso dois degraus de granito já bastante gastos e limitado por duas lajes paralelepipédicas também de granito. Este espaço mede 2,40 m de comprimento, 1,37 m de largura e 26 cm de profundidade máxima. No espaço frontal da fonte existiram, no passado, uma pia bebedouro múltipla e dois tanques de lavar roupa. Este espaço está, actualmente, em parte ocupado por um Infantário ali construído. Devido a esta construção, os velhos tanques foram destruídos e a pia bebedouro foi soterrada.
Recentemente e devido a novas obras realizadas no local, a pia bebedouro, depois de tantos anos soterrada, foi novamente posta a descoberto. Quando recolhi estes elementos encontrava-se em frente da fonte, do seu lado direito, encostada a um muro limitante de uma propriedade. Foi cavada num grande bloco de granito que mede 2,27 m de comprimento e 75 cm de largura. As duas pias comunicam entre si por meio de um orifício situado ao nível do pavimento e cada uma delas possui, no rebordo superior das suas paredes limitantes, um sulco transversal que permite o escoamento da água quando se encontram cheias. Estas duas pias gémeas medem, respectivamente, 90 cm de comprimento, 46 cm de largura e 26 cm de profundidade (uma) e 90 cm de comprimento, 48 cm de largura e 26 cm de profundidade (a outra). […]

Adérito M. Freitas, Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…, C.M.V., Vol. I, 2005, pp. 93-95.


B - Inscrição da Fonte do Prado

Tema: Inscrição da fonte do Prado | Objecto: prato | criação digital e adaptação: Leonel Salvado
 | Foto-base: A.M. Freitas |  Outros recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior);
 http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
clique na imagem para aumentar


Na fachada frontal [da fonte do Prado] e por cima da porta, uma almofada de granito equigranular de grão fino e cor acastanhada devido à intensa alteração química da biotite onde, conforme a fotografia [imagem] muito bem documenta, está incicado o ano da construção desta fonte (1896), bem como o nome da pessoas que a custeou (Joaquim Pereira de Sequeira).

C. M.
M. F. ESTA
OBRA EM
1896
JOAQUIM
P.D. SEQUEI
RA

Aproveito este momento para agradecer ao Sr. Albano Luís Pereira Rosa, bisneto do falecido Sr. Joaquim Pereira de Sequeira, todas as informações que tão amavelmente me transmitiu sobre as fontes dos Barreiros, bem como sobre outros temas de grande interesse.

Joaquim Pereira de Sequeira, casado com Carolina Rita Areias, era natural de Lebução e encontra-se sepultado no cemitério dos Barreiros. Teve dois filhos, Alípio José Pereira de Sequeira e Albano dos Anjos Pereira. O primeiro foi proprietário nesta povoação dos Barreiros e, o segundo, foi proprietário e professor, artista nato excelente, como o provam as dezenas de desenhos e pinturas que cobrem, quase por completo as paredes das duas varandas da sua antiga residência. Na sua MONOFRAFIA DE VALPAÇOS, o Dr. Veloso Martins refere-se-lhe afirmando, que Barreiros, “foi dominada muitos anos pela figura do seu professor primário Albano Pereira, espírito culto, fino humorista, distinguindo-se como artista no desenho e aguarela”.

Adérito M. Freitas, Id, pp. 94-95.

II
Fonte de Mergulho

Tema: Fonte da Rua dos Castanheiros | Objecto: prato | criação digital e adaptação: Leonel Salvado | Foto-base: A. M. Freitas | Outros recursos: http://www.iromababy.com (fundo superior);
 http://www.planetasercomtel.com.br (fundo inferior).
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Localização: Barreiros
Lugar: Rua dos Castanheiros
Altitude: 457 m   Longitude: 7º 13’ 42,3’’ W   Latitude: 41º 41’ 16,2’’ N
Ano de construção: Desconhecida
Material de construção: Granito equigranular de grão grosseiro e duas micas, com nítida alteração química da biotite.

Características gerais: Interessante fonte de reduzidas dimensões, toda em granito e certamente muito antiga. O que resta desta fonte encontra-se, hoje, em parte incorporado no muro de uma habitação. A água desta fonte, de caudal muito reduzido não é, actualmente, utilizada para qualquer fim.
A planta interna, rectangular, mede 1,20 m de comprimento e 1,05 m de largura. O muro limitante posterior está semi-destruído. A profundidade total do depósito é de 1,10 m mas, quando recolhi estes elementos, a profundidade de água era, apenas, de 40 cm.
A porta mede 1,17 m de altura máxima e 1,05 de largura. Como a fotografia [imagem] muito bem ilustra, termina em ângulo agudo, uma vez que a cobertura é formada por duas lajes tabulares de granito que convergem superiormente e se apoiam, lateralmente, nois respectivos pés direitos formados por pedras soltas um tanto irregulares. A laje da esquerda mede 82 cm de superfície frontal e 95 cm de largura. A laje da direita mede 1,02 m de superfície frontal e possui 60 cm de largura.
A formar a fachada da fonte, um muro de pedras soltas de granito, só presente do lado esquerdo. Por cima da cobertura e 40 cm acima do limite da porta, uma laje tabular de granito em posição horizontal com, aproximadamente, 1,00 m de comprimento e outro tanto de largura (logo, aproximadamente quadrangular) forma uma pala, saliente 25 cm.
Pelo facto de se encontrar incorporada entre duas paredes de uma casa de habitação dispostas em ângulo, admitimos que a mesma tenha sido, outrora, uma fonte particular.

Adérito M. Freitas, Id, pp. 96-97.

353.º Aniversário da Batalha das Linhas de Elvas

Para rever as notas que publicámos sobre esta data comemorativa,
por ocasião dos seus 352 anos, clique

505.º Aniversário do nascimento de D. Catarina de Áustria, Rainha de Portugal


Para rever as notas que publicámos sobre D. Catarina de Áustria, rainha de Portugal,
por ocasião do 504.º Aniversario do seu nascimento, clique

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Batalha de Cambedo - Viagem à memória de um povo raiano

Por Euroluso, 29 de Dezembro de 2011

XVI Encontro de Blogues e e Fotógrafos Lumbudus


Cambedo da Raia entrou na minha vida no XVI Encontro da blogosfera flaviense, realizado dia 4 de dezembro. Entrou e vai ficar porque a 'promiscuidade' deste pobo com os galegos me cativa. 


A aldeia não é Gernika nem teve nenhum Picasso a imortalizar o sofrimento dos paisanos, quando foi bombardeada por forças repressivas, na véspera do Natal de 1946. Na manhã de 20 de dezembro, há 65 anos, a população levantou-se, sobressaltada, com o aparato bélico e o latido dos cães.



No cerco a três fugitivos anti-franquistas, aí refugiados, participaram mil (mil?) efetivos: cinco agentes da PIDE, forças da GNR, da Guarda-Fiscal, da PSP e um pelotão do Batalhão de Caçadores nº 10, de Chaves, apoiadas do outro lado da fronteira, pela Guardia Civil espanhola.
Cambedo 4

Pátio onde o Juan e o Demétrio se esconderam

Na aldeia, com base na denúncia de uma mulher chamada Remédios, havia várias casas suspeitas de servirem de pernoita a fuxidos galegos: a da Escolástica, a do Adolfo, a do Mestre, a da Silvina e a da Engrácia. Porém, de todas, a da Albertina Tiago, foi a que ficou mais danificada na refrega que opôs os fugitivos às forças de repressão.


Desde o fim da guerra civil espanhola, em 1939, ganha pelos nacionalistas do general Francisco Franco, que anarquistas, comunistas e socialistas galegos permaneceram na raia - onde, para sobreviver, trabalhavam na agricultura, nas minas de volfrâmio ou no contrabando - ou daí procuravam partir para paragens mais longínquas, para escapar ao fuzilamento nas terras de origem.


Alguns fugitivos anti-fascistas, escondidos nas montanhas, tornaram-se guerrilheiros do maquis*, fazendo incursões em territórrio espanhol e escolhendo alvos concretos para os seus ataques.

*Maquis é o lugar onde se reunem os resistentes - maquisards - franceses à ocupação alemã durante a II Guerra Mundial. Em Espanha os maquis são os republicanos que, depois de perdida a guerra civil, combatem o franquismo nas montanhas das Astúrias e na Galiza.


A casa da Albertina nunca foi reconstruída, permanece em ruínas, como testemunho vivo da repressão, para que não se apague da memória dos homens o cêrco à aldeia, há 65 anos. 

Foto picada de Cambedo-Maquis

Sitiados durante uma noite e dois dias, os habitantes, acima de 300, viveram momentos de angústia e terror, com a troca de tiros de pistolas-metrelhadoras, dezenas de disparos de morteiros, lançamento de granadas de mão, de gás lacrimogénio, de bombas incendiárias e palheiros ardidos.


Vitorino Aires, da PIDE, seguido por agentes da PSP e da GNR, andou por este quinteiro a espetar espalhadouras na palha guardada no cabanal, à procura de guerrilheiros espanhóis  - Juan, Garcia, Demétrio e de outros que lá se poderiam ter escondido.


Em Portugal, a GNR e a PIDE escamoteavam a natureza política dos republicanos fuxidos à repressão, aos ajustes de contas e às represálias dos franquistas, no pós guerra-civil. Os meios de comunicação social, visados pela censura, davam a imagem de que se tratava de um bando de malfeitores.


O destacamento da GNR enviado para sitiar Cambedo, insuficiente para prender ou levar os perseguidos a renderem-se, foi reforçado por soldados do quartel de Chaves e por forças que tinham sido inicialmente destacadas para outras aldeias do concelho.



Da Batalha do Cambedo, resultou a morte de dois guerrilheiros - Juan Salgado Rivera e Bernardino Garcia, que terá preferido suicidar-se a render-se; a morte de dois guarda-republicanos, José Joaquim e José Teixeira Nunes; alguns feridos, incluindo uma menina; e foram presos oito galegos e 55 portugueses, dezoito dos quais de Cambedo.

Foto de Demetrio ou ´Pedro´ em 1946, picada de Cambedo-maquis

Demétrio Garcia Alvarez foi o único dos três guerrilheiros que não morreu no combate. Resistiu até se render, ao segundo dia, quando não tinha mais munições. Condenado a 28 anos de prisão, foi desterrado para o Tarrafal, em Cabo Verde, tal como José Pinheiro, conhecido por Pepe da Castanheira. Esteve lá encarcerado até 1965, tendo posteriormente ido viver para França.

Sr. Sebastião Salgado, cicerone das dezenas de participantes
 no XVI Encontro de bloguistas e fotógrafos Lumbudus.



Casa por onde Juan ou Facundo se escapou para o alto do monte, com intuito de se por a salvo, do lado de lá da fronteira. Encurralado pela Guardia Civil, acabou por ser morto por um guarda-republicano, quando recuava. Juan tinha laços familiares em Cambedo, tal como Demétrio.



Placa comemorativa, em galego, do cinquentenário da Batalha do Cambedo, "En lembranza do voso sufrimento, 1946-1996". A placa, oferecida por intelectuais galegos de Ourense, resgata a memória da solidariedade raiana e a auto-estima dos habitantes de Cambedo, durante quase três décadas ostracizados por a PIDE os apodar de vermelhos e acoitantes de bandoleiros.

Arlindo Espírito Santo, filho de Silvino, cabo reformado da 
guarda-fiscal, acusado de pertencer a associação criminosa. 
O pai esteve preso 11 meses e ficou sem a pensão.

Após ter lido o que alguns autores escreveram sobre a Batalha do Cambedo, fico intrigado com referências a uma suposta amnésia da população. Fernando Ribeiro diz que há uma vontade expressa em não falar sobre o assunto e que a placa, comemorativa do cinquentenário do combate, é vista como um elemento de perturbação adicional. 


Perturbação? Se assim for, é de presumir que o epílogo da história da "Batalha do Cambedo" apenas será escrito quando deixar de haver sobreviventes receosos de que o conhecimento de toda a verdade sobre cumplicidades e traições, na relação com os guerrilheiros, abra feridas que se pretendem esquecer.

Nota: As fotos das forças militarizadas são da simulação de um controle fronteiriço em Vilarelho da Raia, feito por membros da Associação Cultural da aldeia. Ver AQUI.


Fontes consultadas:
http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/09/10/cambedo-da-raia-1946/
http://historiasdaraia.blogspot.com/2010/01/fronteiras-cambedo-da-raia.html
http://abaciente.blogspot.com/2010/12/20-de-dezembro-de-1946-escaramuca-em.html
http://cambedo-maquis.blogs.sapo.pt/2007/12/ 
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Memorial da “Terra Mágica” – LM, Moçambique V

Parque Silva Pereira
Por Manuel Terra, 1 de Dezembro de 2011


 Neste rol de evocações que se vão sucedendo, a ufania da minha juventude tocada pelos bons momentos e instantes de felicidade vividos em L. M., relembra-me as passagens quase diárias pelo Parque Silva Pereira (hoje Jardim dos professores) zona verde, muito tropical procurado em tardes solarengas por muitos alunos que frequentavam o Liceu Salazar (hoje Escola Secundária Josina Machel) no início da Av. Brito Camacho (hoje Patrice Lumumba) e que se situava mesmo defronte do parque. Contrariamente ao apelido atual, naquele tempo era o verdadeiro jardim dos estudantes que apenas tinham que atravessar a passadeira, para atingirem a encantadora zona bem orlada de árvores e canteiros. Ao fundo o seu belo miradouro coberto de trepadeiras, de onde era possível deslumbrar o olhar contemplando no horizonte, a majestosa Baía Espírito Santo, os navios que cruzavam as suas águas e a íngreme barreira da Maxaquene. A vegetação verdejante do parque, marcada pela beleza multicolor das suas plantas, contrastava familiarmente com os bancos já gastos pela torreira do sol ou a impiedade da chuva e, todos lhes davam uma importância muito especial tornando-o num ponto de convergência de muitos miúdos e adolescentes, que de pasta na mão aguardavam com tranquilidade, mais um dia de aulas. Era seguramente, um local de lazer e de estudo e que servia de igual modo para os mais novos descarregarem a adrenalina e os mais espigadotes trocarem olhares amorosos, com as moças que se posicionavam nos varandins da ala feminina do liceu. Ali tinham lugar habituais pândegas académicas, que escondiam muitas emoções e histórias proibidas. Fazia parte da rotina dos sábados no parque, as atividades da Mocidade Portuguesa organização vincada por uma estrutura pré-militar, integrada como disciplina obrigatória regida de inexorável pontualidade, decretada pelo toque da ruidosa campainha que se fazia ouvir no átrio do estabelecimento de ensino. Passava-mos meia manhã encafuados em fardamentos de camisa verde escura e calção de caqui, bivaque na cabeça marchando e em exercícios físicos, seguidos com natural curiosidade por pedestres que por ali circulavam. O parque tornara-se também itinerário quase obrigatório de turistas, que viajando por vários continentes, se hospedavam no vizinho Hotel Cardoso e que em momentos de visível descontração se deitavam sobre a relva ou tiravam fotografias de grupo. São estes factos uma constante da vida, recordações de um tempo áureo que deixa marcas e que me obriga a constantes divagações por vias do passado.
In http://terramagica-terra.blogspot.com