terça-feira, 29 de março de 2011

762.º Aniversário da conquista de Faro por D. Afonso III

Por Leonel Salvado

Estátua de D. Afonso III, conquistador de Faro 
 http://algarvefarense.blogspot.com

A questão sobre conquista de Faro por aquele monarca tem gerado desde há vários anos algumas alguma controvérsia, com base em alegadas incongruências achadas por determinados historiadores na sua interpretação da “Crónica da Conquista do Algarve”. Assim, desde logo a polémica sobre a forma como foi esta cidade algarvia obtida pelos portugueses (se por via da conquista militar ou se por negociação). Outra realidade que se chegou a colocar em causa foi a da presença e participação activa do próprio rei por não ser líquido que nessa data aí pudessem encontrar-se aqueles que deviam ser os seus melhores apoios militares (o Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Pires Correia e do seu, do rei, alferes D. João Afonso) no acto da “conquista” pelas forças cristãs ou da “entrega” pelos muçulmanos da cidade, acrescendo ainda a realidade de que nem sequer acompanhavam o monarca os representantes da principal nobreza portuguesa. Partiam estes historiadores do facto de essas figuras não constarem na lista dos confirmantes da doação régia efectuada pelo rei, já em posse da cidade, apresentada na Crónica. Contudo, o trabalho realizado por Henrique David e José Augusto P. de Sotto Mayor Pizarro intitulado “A Conquista de Faro, o reavivar de uma questão” apresentado na III Jornada de História Medieval do Algarve e Andaluzia, em Loulé, de 25 a 27 de Outubro de 1987, trouxe nova luz a estas questões. Reafirmam estes historiadores a presença de D. Afonso III no próprio acto da conquista e a possibilidade da presença também dos dois principais chefes militares atrás referidos, bem como a confirmada presença de uma mole de nobres portugueses que lhe permaneceriam fiéis até à sua morte e os mesmos autores não encontram razões para refutar a tomada da cidade pela conquista militar, obviamente havendo os portugueses tirado partido da fraqueza dos opositores muçulmanos, seus ocupantes, em consequência da perda das praças do vale do Guadiana e da parte Oriental do Algarve. Termina este estudo com a seguinte conclusão:

A conquista de Faro poderá, assim, ter servido duplamente os interesses de D. Afonso III. Por um lado, colocara um travão no monopólio das ordens, sobretudo à de Santiago, no processo da conquista algarvia e, por outro, ganhava a confiança de um certo número de famílias que o servirão a si, e mais tarde, a seu filho.”
In http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6410.pdf

Mas não deixa de ser curioso que a tese da “entrega” e não da “conquista” de Faro continua a adquirir adeptos. A 18 de Março último foi publicado o artigo que se segue que, além de favorecer essa interpretação, faz uma interessante reportagem sobre a passagem de Faro dos Árabes para os Cristãos e do estabelecimento do domínio português no Algarve pelo Tratado de Badajoz de 16 de Fevereiro de 1267.

Faro na Primavera de 1249
Folha do Domingo – Diocese do Algarve, 18/03/11 - 19:24  

"Não há dúvida que o Algarve ocupou um lugar central de interesse e preocupação nos dois reinos ibéricos"


FOI, com a primavera, a 29 de Março de 1249, que a cidade de Faro (Santa Maria de Farun) passou dos Árabes aos Cristãos. Há 762 anos."  

Muitas são as versões da conquista de Faro aos mouros. As conquistas foram, quantas vezes, determinadas em diplomacia. Os conquistadores que tomaram a cidade, a meio do século XIII, multiplicaram-se em harmonias, em guerras palacianas e familiares, como de grupos, fortalecendo-se em interesses, ou enfraquecendo-se.  
Todos os impérios têm os seus declínios pelas circunstâncias da própria natureza de o serem... Para a conquista de Faro construiu-se, para o popular, a lenda do encantamento, o amor, a traição de uma princesa árabe, de nome Alandra, que iria, pelos séculos suportar o romantismo no seu par, o cavaleiro português de nome João Aboim, do qual, Almeida Garret, em 1826, servir-se-ia para introduzir o romantismo literário, em Portugal, com o título de D. Branca. A enraizada fantasia que perdura para o imaginário do folclore regional. Até o poeta mais notável de Faro, António Ramos Rosa, escreveu, a 709 anos de distância do acontecimento, o poema Incerto: Na grande confusão / deste medo / deste não querer saber / na falta de coragem / de me perder / me afundar/. Perto de ti tão longe / tão nu / tão evidente/ tão pobre como tu / Oh! Diz-me quem sou eu / Quem és tu? Retirando a palavra incerta do poeta, quantas invasões e saques e aos rios de sangue que correram pela AL-qasr (fortaleza), onde a lendária Virgem Maria a mui gloriosa e bem fegurada, a tudo assistiu, numa manhã de Julho de 1217, em que o povo devoto de Cristãos e de Allá, enquanto os guerreiros, ocupantes e sitiados, ficavam e abalavam.  
A negociação por parte de D. Afonso III para a ocupação (não a conquista) de Faro, acompanhado das suas tropas, iniciou-se, dado que a superioridade dos combatentes portugueses era temida. A população moura saiu mais prejudicada nos acordos dos senhores ocupados e ocupantes, pelos impostos dobrados aos dois.  
Chegados a Faro, na primavera de 1249, o rei de Portugal e seus cavaleiros, com o Mestre de Avis, D. Martim Fernandes, os cavaleiros João Peres de Aboim, Egas Lourenço da Cunha, Estevão Eanes, colaço do rei D. Afonso III (irmão de leite), entre outros; alguns clérigos, Mateus Martins e João Moniz. Conta-se que o rei se ausentou para conversações com o alcaide da cidade de Santa Maria de Faro, Aben Mafon e, pela demora os seus companheiros julgaram o pior: prisão ou morte? As tropas do Mestre de Avis aproximaram-se das muralhas preparando-se para lançar fogo à porta da cidade, quando D. Afonso III se mostrou do alto das muralhas, alertando para o facto, levando o braço ao ar, mostrando as chaves da cidade. Com a conquista de Faro pelo rei de Portugal, e, definitivamente, de todo o Algarve, o novo inquilino de Faro tornou-se num caso de traição política ao rei de Castela, Afonso X. Com a posse de Faro, estava concretizada a do Algarve. O português Payo Peres Correia, ao serviço do rei de Castela, Afonso X, do qual era súbdito, considerava que o rei de Portugal andava, pelo Garb (Algarve) à revelia, sendo acusado pelo rei de Castela e pelo próprio Peres Correia, mestre da Ordem de Santyago, de intromissão. Por isso, Payo Correia ao saber que o rei Afonso III se desloca para o Algarve, à conquista do território, apresenta-se entre Loulé e Almodovar, como vassalo de el-rey dom Afonso X de Castela. O rei de Portugal recusa o apoio do Mestre de Santyago a partir daí, vindo à conquista de Faro com a sua Ordem Militar de Avis, fundada por D. Afonso Henriques, em 1162, submetida à regra beneditina.  

TANTO AFONSO X DE CASTELA MOVEU LOGO GUERRA A EL-REI D. AFONSO III DE PORTUGAL SOBRE O REINO DO ALGARVE.  

Não há dúvida que o Algarve ocupou um lugar central de interesse e preocupação nos dois reinos ibéricos: Afonso de Portugal e Afonso de Castela. E essas preocupações debatem-se entre a conquista de 1249 a 1253, pelas situações que levavam a um confronto bélico. Tudo o justificava. Afonso herdara um reino que se situava num momento charneira do Portugal medieval, e essa conquista definitiva do Algarve custou-lhe uma longa e larga batalha política e diplomática, que levou a bom termo, com a ajuda papal. 
Certo é que, pela insistência de Afonso X de Castela, em considerar-se conquistador legítimo do Algarve, em correspondência com o papa Inocêncio IV, diplomacia idêntica leva o rei de Portugal junto ao bispo de Roma. E pelas intervenções se decide o papa, em bula enviada ao rei Afonso III de Portugal, pronunciando-se: A dita terra do Algarve, conforme reivindicas, pertence-te e faz parte do teu reino.  
Esta decisão papal terá tido dois compromissos decisivos e a cumprir: primeiro o respeito pelo juramento feito pelo, ainda conde de Bolonha (futuro rei D. Afonso III) em Paris, no respeito defesa da igreja de Portugal. Segundo, na mediação feita para acordo estabelecido entre Afonso de Castela e Afonso de Portugal, para a união entre os rei de Portugal e de Castela, assinado em Chaves em Maio de 1253, e garantia do casamento entre D. Afonso III e a filha do rei de Castela, a princesa Beatriz, o usufruto do Algarve, após o nascimento do primeiro filho do casal, que viria a ser entregue ao príncipe D. Dinis, na idade dos sete anos.  
Com o Tratado de Badajoz, a 16 de Fevereiro de 1267, o reino de Portugal ficou completo com o reino do Algarve.
Em 1256, Payo Peres Correia reconhece Afonso III de Portugal, como seu rei, em carta escrita de Arévalo: Nuestro Señor el Rey de Portugal. Em 1266, D. Afonso III dá foral a Faro, Tavira e Silves. Em 1279 morre D. Afonso III, o jovem D. Dinis é rei de Portugal e do Algarve. Em 1290, o ramo português da Ordem de Santyago de Espada separa-se de Castela. D. Dinis, funda, em Castro Marim a Ordem de Cristo. 
Este grave conflito ibérico ficou em “standby” para a continuidade em séculos seguintes.
 In http://folhadodomingo.diocese-algarve.pt

202.º Aniversário do desastre da ponte das barcas

A ponte das barcas
Ponte das barcas - http://babaluondeestastu.blogspot.com | Ponte Pênsil, 1843 - http://paginas.fe.up.pt

A chamada Ponte das Barcas foi uma ponte sobre o Rio Douro que existiu na cidade do Porto no início do século XIX, construída sobre barcaças.
A necessidade de haver uma travessia para a margem Sul do Douro para circulação de pessoas e mercadorias do Porto, constituiu uma preocupação permanente ao longo dos séculos. Ao longo dos tempos houve várias "pontes das barcas" construídas para determinados propósitos, como a rápida deslocação de contingentes militares. No entanto, por regra a travessia do Douro fazia-se com recursos a barcos, jangadas, barcaças ou batelões.
A Ponte das Barcas, construída com objectivos mais duradouros, foi projectada por Carlos Amarante e inaugurada a 15 de Agosto de 1806. Era constituída por vinte barcas ligadas por cabos de aço e que podia abrir em duas partes para dar passagem ao tráfego fluvial.


Foi nessa ponte que se deu a tristemente célebre catástrofe da Ponte das Barcas, em que milhares de vítimas pereceram quando fugiam, através da ponte, às cargas de baioneta das tropas da segunda invasão francesa, comandada pelo marechal Soult, em 29 de Março de 1809. Mais de quatro mil pessoas morreram.
Reconstruída depois da tragédia, a Ponte das Barcas acabaria por ser substituída definitivamente pela Ponte Pênsil em 1843
Texto: in Wikipédia, a enciclopédia livre


O desastre da ponte das barcas
PEDRO DE BRITO, HISTORIADOR

Dado que em Março de 1809 ainda havia pouquíssimos oficiais britânicos nas fileiras das por então desorganizadas unidades do Exército português que se tentaram opor à invasão de Soult, são também raras as referências a este período pelos férteis memorialistas que escreveram sobre a Guerra Peninsular.
Uma precoce presença é a do barão de Eben, que comandava um dos três batalhões do primeiro corpo voluntário português totalmente equipado, fardado e pago pelos ingleses - a Leal Legião Lusitana. Com ele se encontrava o comissário irlandês Henegan, encarregado do aprovisionamento em pólvora e munições. As suas memórias, publicadas em pleno apogeu do romantismo francês, e sofrendo assim a forte influência de Chateaubriand, contêm o seguinte relato, porventura exagerado:

O desastre da ponte das barcashttp://informaticahb.blogspot.com

"Esta cena atroz passou-se no Porto:
"Alguns soldados franceses desgarrados tinham sido apanhados pelos portugueses, que para se vingarem duma derrota em parte atribuível à sua cobardia, arrastaram estes desgraçados para a rua principal, a Rua Nova, e aí os mataram barbaramente, crucificando-os de cabeça para baixo, para além de os mutilarem da forma mais horrível.
"Quando três dias depois o Exército francês forçou as defesas do Porto, não só o espectáculo dos seus compatriotas assassinados logo se lhes apresentou mas, como para provocar ao máximo as malvadas paixões da força invasora, aqueles soldados portugueses que tinham fugido a enfrentar os franceses em campo aberto, faziam agora fogo dos telhados, aumentando com cada tiro a fúria dos franceses que passavam em baixo, e que cedo se manifestou fazendo correr rios de sangue.
"Quando estas tropas francesas desciam a Rua Nova com as suas espadas banhadas no sangue dos habitantes indefesos, milhares destes procuraram escapar pela ponte de barcos que estabelecia a ligação com a povoação e o Convento de Vila Nova.
"O inimigo tinha penetrado na cidade de forma tão inesperada que não restava outra esperança de refúgio senão aquele temporário que se conseguiria na margem oposta do rio: uma massa de seres desprotegidos - homens, mulheres, crianças - foi vista a fugir aterrorizada para a ponte.
"Que pena poderá descrever as atrocidades que foram perpetradas em todos os cantos da cidade nesse momento terrível. À medida que cada casa se tornava por sua vez num local de assassínio e violação, aumentava o horror; e como se a esperança de prolongar a obra de destruição se misturasse com os bárbaros desejos do momento, um corpo de cavalaria inimigo galopou para interceptar os fugitivos que se dirigiam à ponte, enquanto que várias peças de artilharia começaram um fogo mortal na mesma direcção.
"À medida que os dragões franceses pressionavam na direcção da ponte que constituía a última esperança dos infelizes habitantes, teve lugar uma cena de horror excedendo talvez qualquer outra das que têm conspurcado os anais da guerra.
"Com ferocidade impiedosa os soldados sedentos de sangue espadeiravam para todos os lados, não poupando idade nem sexo. Inumeráveis vítimas indefesas foram assim destruídas e, como que para aumentar a intensidade do sofrimento, os primeiros dois barcos que suportavam a ponte afundaram-se sob a pressão do enorme peso, e massas de seres humanos foram precipitadas na torrente tumultuosa. Viam-se perseguidores e perseguidos agarrados freneticamente uns aos outros nos últimos momentos duma luta mortal, à medida que a forte corrente os arrastava do local da luta para a quietude da morte".
DN, 29-03-2009

Aprender Arqueologia com o Andakatu em Vila Real

Numa organização conjunta entre o Museu de Geologia Fernando Real - UTAD e o Museu de Arte Pré-Histórica de Mação irá decorrer no dia 6 de Abril de 2011, integrada no Dia Aberto da UTAD, a acção "Aprender Arqueologia com o Andakatu". Numa sessão ao ar livre, serão replicadas algumas das actividades mais comuns na pré-historia, realizadas com o auxílio de materiais siliciosos. Serão apresentadas e aplicadas algumas tecnologias pré-históricas, nas quais se utilizam rochas siliciosas para a produção de fogo e obtenção de instrumentos líticos, assim como técnicas de arte rupestre (pinturas e gravuras) e outras tecnologias neolíticas (cerâmicas, machados e moagem). Vocacionada para alunos do 11.º e do 12.º anos de escolaridade, esta acção decorrerá junto à entrada do Edifício de Geociências e terá duas sessões de 90 minutos cada, uma às 9:30h e outra às 14:30h. Mais informações: museugeo@utad.pt

segunda-feira, 28 de março de 2011

Carta Arqueológica do Concelho de Valpaços – 3.A

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001
Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgado através da Internet é dedicada a todos os valpacenses e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes.

FREGUESIA DE ARGERIZ - A

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADAS PELO AUTOR

“Povoação e freguesia do concelho de comarca de Valpaços, distrito e dioceses de Vila Real. 1382 h. em 364 fogos (1960). Orago: S. Mamede.
Fica situada a cerca de 3 Km a SSO da margem direita do Rio Torto.
Argeriz é uma povoação muito antiga, pois existia já durante o domínio dos Mouros. D. Afonso Henriques doou o Couto de Argeriz, em 1152, ao Mosteiro de Salzedas”.
F. RIBEIRO, Enciclopédia Verbo, Vol. 2, pág. 1087.

Compõem esta freguesia, as povoações de Argeriz (sede), Pereiro, Ribas, Midões e Vale de Espinho.

150.º Aniversário da elevação de Valpaços à categoria de Vila

A foto foi gentilmente cedida pelo Dr. José António Soares da Silva

Foram precisos mais de 24 anos depois do feliz Decreto de Passos Manuel que elevou Valpaços à categoria de sede de concelho, a 6 de Novembro de 1836, data que é celebrada anualmente como feriado municipal, para que a aldeia fosse contemplada com a elevação à categoria de Vila! Durante esse tempo Valpaços foi engrandecendo com o próprio engrandecimento do seu modesto termo municipal inicial e à custa sobretudo da integração das freguesias, que para ele foram passando, dos extintos concelhos de Monforte do Rio Livre e de Carrazedo de Montenegro, como tivemos oportunidade de recordar na nossa publicação de 6 de Novembro de 2010 dedicado ao feriado municipal.  

Como se sabe, esta situação não foi inédita pois verificou-se um pouco por todo o país, em consequência da gigantesco movimento reformista que varreu para sempre as seculares estruturas administrativas típicas da monarquia conservadora, movimento esse inspirado no espírito legislador reformista de Mouzinho da Silveira (um Cartista reformador), materializado pelos subsequentes políticos Setembristas, em especial por Manuel da Silva Passos e prosseguido durante a Regeneração e do Partido Reformista até à implantação da República.  O que equivale a dizer que a elevação de Valpaços a Vila seria em grande parte uma questão de tempo. No entanto, tal só foi possível graças à enérgica insistência de uma ilustre figura política e militar valpacense, Júlio do Carvalhal, que enquanto Deputado pelo círculo de Valpaços entre 1860 e 1862, obteve a anuência  do acto que foi referendado pelo Marquês de Loulé a 27 de Março de 1861 e confirmado por Decreto Real ( carta de mercê), assinado por D. Pedro V  a 4 de Abril do mesmo ano. Vila durante quase 138 anos, Valpaços viria, finalmente a ser elevada a categoria de cidade em 13 de Maio de 1999.

A data de ontem, 27 de Março foi, portanto, uma data comemorativa de reconhecida importância para a localidade. Pelo seu envolvimento no significado histórico que essa data representa, Júlio do Carvalhal é uma personagem histórica do concelho, de quem já publicámos uma breve biografia neste blogue, que merece também algumas notas em sua homenagem.


Passamos a transcrever o referido documento, tal como foi publicado por A. Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços.


Carta de mercê da Vila
D. Pedro V, por Graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves, etç.
Faço saber aos que esta minha carta virem que, atendendo a que a povoação de Valpaços no distrito de Vila Real, além de ser a cabeça de concelho e comarca daquela designação, possui os requisitos necessários para poder gozar convenientemente da consideração de vila, assim pela sua população e riqueza como pelo grande merecimento que ali tem tido ultimamente várias obras de utilidade pública sob a inteligente direcção e eficaz impulso da respectiva municipalidade, tem outrossim em contemplação os testemunhos que o povo daquele lugar tem constantemente dado de nobre homenagem e devoção ao trono e as instituições constitucionais da monarquia: hei por bem anuindo à representação da Câmara Municipal e demais autoridades judiciais e administrativas do concelho de Valpaços, em vista da informação do Governador Civil de Vila Real e resposta fiscal do Ajudante do Procurador Geral da Coroa junto do Ministério do Reino, fazer mercê à povoação de Valpaços e de a elevar à categoria de vila com denominação de Vila de Valpaços, e me praz que nesta qualidade goze de todas as perrogativas, liberdades e franquezas que direitamente lhe pertenceram. Pelo que mando a todos os tribunais, autoridades, oficiais e mais pessoas a quem esta minha carta for mostrada que, indo assinada por mim, referendada pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino e selado com o selo pendente das armas reais, hajam a sobredita povoação por vila e assim a nomeiem sem dúvida ou embargo algum. Pagou de direitos de mercê e adicionais a quantia de setenta e sete mil réis, como consta de um recibo de talão número setecentos sessenta e nove, passado em três de Abril corrente na Direcção Geral de Tesouraria do Ministério da Fazenda, e de um conhecimento em forma, número mil oitocentos e cinco, passado na mesma data, na Administração Geral da Casa da Moeda e Papel Selado; e esta carta é passada em dois exemplares um dos quais, depois de registado nos livros da Câmara Municipal de Valpaços, e no Governo Civil do distrito de Vila Real, servirá para título daquela corporação, e outro será depositado no real arquivo da Torre do Tombo. Dada no Paço das Necessidades em quatro de Abril de mil oitocentos sessenta e um, (1861). El-Rei P.
Carta pela qual Vossa Majestade há por bem fazer mercê à povoação de Valpaços de a elevar à categoria de Vila com a denominação de Vila de Valpaços pela forma retrodeclarada.
Para Vossa Majestade ver.
João Correia de Oliveira Caufers, a fez.


in Valpaços, Monografia, A. Veloso Martins, C.M. Valpaços, 1990, 2.ª ed. pp. 102-103

domingo, 27 de março de 2011

Carta arqueológica do Concelho de Valpaços - 2

ADÉRITO MEDEIROS FREITAS, Julho de 2001
Esta laboriosa iniciativa de transcrição e reprodução de fotos e esquemas do extraordinário trabalho realizado pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas, assim divulgado através da Internet é dedicada a todos os valpacenses e portugueses interessados nesta temática, mas em especial aos valpacenses que se encontram deslocados há longa data da sua freguesia natal, bem como aos seus descendentes. 

FREGUESIA DE ALVARELHOS

TRANSCRIÇÃO E REPRODUÇÃO INTEGRAL AUTORIZADA PELO AUTOR
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

“Freguesia do concelho e concelho e comarca de Valpaços, distrito e dioceses de Vila real. 392 h. em 92 fogos (estimativa de 1960); 302 h. em 79 fogos (1970). Orago: Nossa Senhora da Expectação.”
Enciclopédia Verbo,Vols. 1 e 19, pág. 1541

Compõem esta freguesia, as povoações de Alvarelhos (sede) e Lama de Ouriço.
Sob o ponto de vista geológico, toda a área desta freguesia é formada por rochas antigas, paleozóicas, granito e xistos, com nítido predomínio da primeira.

sexta-feira, 25 de março de 2011

27.º e 26.º Aniversários das vitórias de Carlos Lopes nos Campeonatos Mundiais de corta- mato nos EUA e em Lisboa

Carlos Lopes | http://omocho.info/mocho3/?p=1035

Cabe-nos nestas duas datas comemorativas consecutivas do desporto nacional, em que o mesmo atleta, Carlos Alberto de Sousa Lopes dignificou o nome de Portugal, a 24 de Março de 1984, e a 25 de Março de 1985, ao vencer os Campeonatos do Mundiais de Corta-Mato, em East Rutheeford, nos EUA, e em Lisboa, respectivamente, reservar-lhe a devida homenagem. Este atleta, que representou o Sporting Clube de Portugal desde 1967, é considerado um dos melhores mundiais da sua geração no atletismo de longa distância e também um dos mais versáteis nesta categoria, uma vez que se destacou tanto em provas de corta-mato como nas de pista e nas de estrada. A sua primeira vitória no Campeonato Mundial de corta-mato foi conseguida em 1976 em Chepstown, no País de Gales. Outras importantes vitórias que constam do invejável palmarés deste extraordinário atleta português foram os seguintes:

• 1982 - as 10000 metros de Bislett Games em Oslo
• 1982 - a Corrida de São Silvestre de São Paulo, Brasil.
• 1984 - venceu a maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, estabelecendo o recorde olímpico da prova (no mesmo ano havia alcançado o 2.º Lugar no Meeting de Estocolmo, em 1º lugar ficou outro português, Fernando Mamede).
• 1984 - a tradicional Corrida de São Silvestre de São Paulo, no Brasil,
• 1985 - a maratona de Roterdão e quebrou o recorde mundial da prova.

(Dados de http://pt.wikipedia.org)

Tudo isto, sem levarmos em cosideração outras participações e classificações honrosas alcançadas por Carlos Lopes em outros importantes eventos desportivos (medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, em 1976, o mesmo prémio no Campeonato do Mundo de Dusseldorf, em 1977, em Gateshead, Inglaterra em 1984 …
Foi por estes gloriosos serviços prestados ao País, agraciado com três medalhas honoríficas da Ordem do Infante D. Henrique, a de Oficial, Grande Oficial e a Grã Cruz.

Tendo em especial consideração as duas efemérides que indicámos em epígrafe, Carlos Lopes é o nosso atleta do mês e assim figurará na barra lateral do Clube de História de Valpaços.

Para recordar da TV…

25 de Março : Dia da Anunciação do Senhor

Texto de José Maria Melo, 25 de Março de 2009, Blogue da Sagrada Família

A Anunciação, pintura de Francesco Albani, c. 1645,
Hermitage Museum, Saint Peterbourg,
 in http://pt.wikipedia.org/

Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço. Hoje é o dia em que a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno: "A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade."Com alegria contemplamos o Mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do Mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas, Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’" Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: "Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade" (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima. Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Connosco" (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:"Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

http://blogdasagradafamilia.blogspot.com/2009/03/santo-do-dia-anunciacao-do-senhor.html

As bizarras "baixelas" dos primeiros britânicos

Primeiros britânicos usavam crânios de mortos como taça

CiênciaHoje, 2011-02-17

Primeira evidência de crânio-chávenas no Reino Unido

“Uma recente descoberta numa caverna – Gruta do Gough, em Cheddar Gorge, Somerset (Reino Unido) –, indica que os britânicos primitivos usavam os crânios das suas vítimas como taça.
Os cientistas do Museu de História Natural de Londres analisaram os restos de três pessoas encontradas, entre elas, uma criança de três anos que supostamente foi morta por práticas de canibalismo. O estudo foi publicado na edição online da PLoS One."
As três taças datam de há 14 700 anos e estima-se que tenham sido usadas após a última Idade do Gelo. “Esta é a primeira evidência da existência de crânio-chávena manufacturados no Reino Unido, já que exemplos arqueológicos dos detalhes desta prática são extremamente raros. O diário «The Daily Telegraph» aponta, na edição de hoje, a descoberta como “a primeira evidência de massacres ritualísticos no país”.
Uma das chávenas adultas fará parte de uma exibição no museu londrino, a partir do próximo dia 1 de Março. Fazer recipientes a partir de crânios humanos pode parecer horrível, mas a prática já era conhecida e documentada do tempo dos Vikings e Citas.
No entanto, segundo os avanços dos paleontólogos do museu, o canibalismo não parece ter sido o propósito principal para a transformação dos crânios. Os ossos mostram cortes precisos com o objectivo de extrair a máxima quantidade de carne das vítimas.
Naquela época, os humanos já tinham aprendido a enterrar os mortos, o que significa que os restos descobertos são resultado de práticas canibais. Segundo Chris Stringer, investigador da instituição que se dedica ao estudo dos crânios, “o canibalismo era seguramente um bom método para eliminar grupos rivais e conseguir comida". "O mais sinistro é que essas pessoas eram caçadoras parecidas com seres humanos actuais. Fazer ferramentas e pintavam nas cavernas. Sepultavam os mais chegados, não os devoravam e tratavam os seus mortos com reverência", acrescentou Stringer.
Os investigadores ressalvam que os ossos humanos mostram claros sinais de carnificina, implicando que foram limpos pela sua carne. A medula foi esmagada antes de as cabeças serem transformadas em louça e não há nenhuma sugestão que indique que as chávenas são troféus feitos dos restos de inimigos mortos.

In http://www.cienciahoje.pt

quinta-feira, 24 de março de 2011

Descoberto navio do capitão que inspirou o romance «Moby Dick»

CiênciaHoje , 2011-02-14


Two Brothers é o primeiro baleeiro norte-americano de Nantucket encontrado no fundo do mar
Arqueólogos encontraram âncora e diversos objectos do navio Two Brothers (créditos: NOAA)
(imagem: adaptação de Leonel Salvado)

Numa investigação rara, uma equipa de arqueólogos subaquáticos norte-americanos descobriu o baleeiro Two Brothers, cujo capitão George Pollard Jr. inspirou o famoso romance «Moby Dick», de Herman Melville. Os arqueólogos da agência governamental National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) encontraram o navio de Nantucket (histórico porto baleeirodos EUA, em Massachusetts), ao largo do recife French Frigate Shoals, em águas pouco profundas, a 965 quilómetros de Honolulu.

De referir que todos os navios baleeiros de Nantucket desaparecem – afundados ou destruídos – excepto o Charles W. Morgan, que pode ser visto no Museu Mystic Seaport, em Connecticut.
Antes de ser capitão do Two Brothers, George Pollard Jr. tinha capitaneado o baleeiro Essex, abalroado e afundado por uma baleia no Pacífico Sul, em 1820. Essa famosa história inspirou o escritor Herman Melville, que conhecia bem a caça à baleia, tendo percorrido o Pacífico a bordo do baleeiro Acushet, a escrever o «Moby Dick», em 1851.
A NOAA afirmou já que esta é a primeira descoberta de um baleeiro de Nantucket afundado. Entre os artefactos achados encontram-se duas âncoras, três panelas de ferro usado para derreter a gordura da baleia, restos de armamento, pontos de arpões, lanças de caça e utensílios de cozinha.
Os artefactos encontram-se na área protegida intitulada Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea, facto importante para o material se ter preservado até agora, como afirmou o arqueólogo marinho líder da expedição Kelly Gleason.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=47429&op=all

Cruzeiros do concelho de Valpaços – Freguesias de Sanfins e Santa Maria de Emeres

Padre João Parente (trancrição)
I

Cruzeiro em alpendre no Largo do Cruzeiro, Sanfins
| Foto base: Padre João Parente | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Número: 12.14.229

Local: Sanfins, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito, cimento, ferro e telha
Altura: 2,80 m, base e cruz
Descrição: Dentro de alpendre feito com colunas de granito, de secção quadrangular, biseladas, grades de ferro e cobertura de cimento, encontra-se o moderno cruzeiro de granito, com base constituída por blocos laterais, escalonados, e cruz de secção quadrangular, que sustenta uma segunda pequena cruz de mármore preto com um crucifixo de mármore branco.
Data: Colunas de alpendre, do século XIX, o resto é recente.

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impresse 4, sd, p. 285.

II

Cruzeiro no Largo do Curzeiro, Santa Maria de Émeres
 | Foto base: Freguesia de Santa Maria de Émeres, Valpaços, in http://www.freguesias.pt
 | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Número: 12.15.230

Local: Santa Maria de Émeres, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4 m
Descrição: Plataforma quadrangular de três degraus simples; base também quadrangular, constituída por dois blocos escalonados, e um conjunto que se adelgaça por meio de toro, filete e Escócia, para receber o fuste cilíndrico; o capitel é quadrangular, com um filete por astrágalo, colarinho liso e ábaco formado por um junquilho e três filetes; a cruz é de cimento, porque a original foi partida recentemente, por ocasião de uma festa, quando colocavam uma instalação sonora.
Data: Século XVII - XVIII

Fonte: Id. p.286.

quarta-feira, 23 de março de 2011

144.º Aniversário do nascimento de Norton de Matos

Por Leonel Salvado

Norton de Matos, foto do Arquivo Histórico Ultramarino | http://www2.iict.pt

José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos nasceu em Ponte de Lima, no Distrito de Viana do Castelo, no dia 23 de Março de 1867 e faleceu na mesma Vila no dia 3 de Janeiro de 1955. Da sua admirável biografia extrai-se que foi um militar de grande prestígio que ascendeu ao posto de General e um influente político que desempenhou importantes cargos administrativos e diplomáticos na parte oriental do império colonial durante os últimos anos da Monarquia Constitucional e durante a instável conjuntura que se viveu em Portugal durante a 1.ª República, filiando-se no Partido Republicado Democrático de Afonso Costa. Foi Norton de Matos enquanto Ministro da Guerra do Governo de Afonso Costa o preparador da intervenção de Portugal na 1ª Grande Guerra cujos desastrosos resultados imediatos conduziram ao golpe sidonista de 1917 e o obrigaram a exilar-se na capital britânica. Iniciado na Maçonaria em 1912 veio a ser um acérrimo opositor a todas as formas de ditadura militar e, desde 1948, um dos mais activos membros da oposição ao regime salazarista. Admirável foi ainda, em particular, o seu percurso maçónico que iremos também expor aqui. Apesar da sua posição pró-belicista e das nefastas consequências que dela decorreram para o país, Norton de Matos lutou até à sua morte pela liberdade e pela democracia em Portugal.
Síntese biográfica

Depois de frequentar o colégio em Braga foi, em 1880, para a Escola Académica, em Lisboa. Quatro anos depois iniciou o seu curso na Faculdade de Matemática em Coimbra. Fez o curso da Escola do Exército e, em 1898, partiu para a Índia Portuguesa, onde organizou os cadastros das terras. Começou aí a sua carreira na administração colonial, como director dos Serviços de Agrimensura. Acabada a sua comissão, viajou por Macau e pela China em missão diplomática.
O seu regresso a Portugal coincidiu com a proclamação da República. Dispondo-se a servir o novo regime, Norton de Matos foi chefe do estado-maior da 5ª divisão militar. Em 1912 tomou posse como governador-geral de Angola. A sua actuação na colónia revelou-se extremamente importante, na medida em que impulsionou fortemente o seu desenvolvimento, protegendo-a, de certa forma, da ameaça contínua que pairava sobre o domínio colonial português, por parte de potências como a Inglaterra, a Alemanha e a França. Fundou a cidade do Huambo.
Foi demitido do cargo em 1915, como consequência da nova situação política que se vivia em Portugal durante a Primeira Guerra Mundial. Foi depois chamado, de novo, ao Governo, ocupando o cargo de ministro das Colónias, embora por pouco tempo. Em 1917, um novo golpe revolucionário obrigou-o a exilar-se em Londres, por divergências com o novo governo. Regressou à pátria e foi delegado de Portugal à Conferência da Paz, em 1919. Mais tarde, foi promovido a general por distinção e nomeado Alto-comissário da República em Angola. Na Primavera de 1919, foi delegado português à Conferência da Paz. Em Junho de 1924, exerceu as funções de embaixador de Portugal em Londres, cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar.
Foi, em 1929, eleito grão-mestre da maçonaria portuguesa.
Em 1948, participou nas eleições presidenciais de 1949, reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos. O regime de Salazar recusou-se a satisfazer estas exigências. Obteve vastos apoios populares e apoio de membros da oposição. Devido à falta de liberdade no acto eleitoral, e prevendo fraudes eleitorais, ele acabou por desistir depois de participar em comícios e outras manifestações de massas.”

In http://pt.wikipedia.org/

Percurso maçónico


1867
23 de Março - Nasce em Ponte de Lima (Distrito de Viana do Castelo), na Rua do Pinheiro, filho de Tomás Mendes Norton, comerciante e cônsul da Inglaterra em Viana (afilhado de baptismo de Rodrigo da Fonseca Magalhães) e de Emília de Matos Prego e Sousa, neto paterno de José Mendes Ribeiro, da burguesia de Viana do Castelo, e materno de Manuel José Matos Prego e Sousa, doutor em Direito, da fidalguia de Ponte de Lima (casa do Bárrio).

1912
17 de Maio - É iniciado Maçon na Loja "Pátria e Liberdade", nº 332, de Lisboa (Rito Escocês Antigo e Aceite), sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de Danton.

1913
27 de Janeiro - É elevado ao grau 2 (Companheiro).

1914
«18 de Abril - É elevado ao grau 3 (Mestre).
«Outubro - Cisão da Maçonaria Portuguesa: a Loja "Pátria e Liberdade" desliga-se da obediência do “Grande Oriente Lusitano Unido”.

1916
12 de Maio - Reentra na obediência do Grande Oriente Lusitano Unido, filiando-se na Loja "Acácia", de Lisboa (Rito Francês).
19 de Setembro - É elevado ao grau 4 (Eleito) do Rito Francês.

1918
16 de Fevereiro - É elevado ao grau 5 (Escocês) do Rito Francês.
31 de Outubro - É elevado ao grau 6 (Cavaleiro do Oriente ou da Espada) do Rito Francês.

1919
31 de Outubro - É elevado ao grau 7 e último (Príncipe Rosa Cruz) do Rito Francês.

1928
6 de Novembro - A Loja "Acácia", de que é membro, propõe, pela primeira vez, a sua candidatura ao cargo de Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano Unido.
7 de Dezembro - Morte de Magalhães Lima, Grão-Mestre do “Grande Oriente Lusitano Unido”.

1929
31 de Outubro - Morte de António José de Almeida, Grão-Mestre eleito do “Grande Oriente Lusitano Unido”.
31 de Dezembro - É eleito Grão-Mestre do “Grande Oriente Lusitano Unido” para os anos de 1930 e 1931.

1930
30 de Abril - Toma posse do cargo de Grão-Mestre, dirigindo uma mensagem aos maçons portugueses.
17 de Setembro - Parte para Antuérpia, a fim de participar na Semana Portuguesa e na Convenção Maçónica Internacional.
25 a 30 de Setembro - Toma parte na convenção da “Association Maçonnique Internationale” (A.M.I.), reunida em Bruxelas.
Dezembro - Devido ao período decrescente em que decorrem os trabalhos maçónicos em Portugal, é decidido suspendê-los nas lojas de Lisboa, convidando estas à imediata triangulação.

1931
Março - Dirige uma importante mensagem à Grande Dieta.
Dezembro - é reeleito Grão-Mestre.
1932
5 de Julho - Salazar ascende a Presidente do Conselho.

1935
31 de Janeiro - Protesta, junto do Presidente da Assembleia Nacional, José Alberto dos Reis, contra o projecto de lei que proíbe as associações secretas.
14 de Maio - Resolução do Conselho de Ministros exonerando e/ou passando à reforma uma série de funcionários que oferecem poucas garantias de fidelidade ao regime, entre os quais Norton de Matos.
21 de Maio - Publicação da Lei nº 1 091 que proíbe as associações secretas. Norton de Matos demite-se do cargo de Grão-Mestre, para que pudesse ser eleito alguém desconhecido do Governo.

1955
2 de Janeiro - Morre, na sua casa de família de Ponte de Lima.

In http://gremio_fenix.tripod.com/norton_matos.html

terça-feira, 22 de março de 2011

51.º Aniversário do nascimento de Ayrton Senna

Ayrton Senna da Silva, o Herói Revelado | http://armazemgerallivros.blogspot.com

Fez ontem, dia 21 de Março, 51 anos que nasceu na cidade de S. Paulo, Brasil, Ayrton Senna da Silva, piloto que se notabilizou na Fórmula 1 e foi três vezes campeão mundial nesta modalidade. Faleceu em Bolonha, Itália, a 1 de Maio de 1994, aos 34 anos em consequência do trágico e estranho acidente ocorrido no “Autódromo Enzo e Dino Ferrari” em Ímola, durante o “Grande Prémio de San Marino”. É considerado um dos maiores nomes do desporto brasileiro e um dos maiores pilotos da história do automobilismo. Ainda que a dramática e inesperada interrupção da sua extraordinária carreira o tenha impedido de igualar ou bater um maior número de recordes, foi eleito pela revista britânica “Autosport”, em Dezembro de 2009, o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos, entre os 217 candidatos que passaram por esta categoria desportiva. O seu palmarés, abruptamente interrompido em 2004, é na verdade impressionante. A data do seu nascimento é uma data comemorativa de relevância universal.

A História de Ayrton Senna, um exemplo de Superação


Se estiver interessado em conhecer mais detalhes sobre a carreira de Ayrton Senna clique AQUI.

domingo, 20 de março de 2011

Fontes, chafarizes e marcos fontanários do concelho de Valpaços – Água Revés e Crasto 2

Transcrição do texto de Adérito Medeiros Freitas

Recriação gráfica pseudo-faiança de Leonel Salvado

Tema: Observações relativas à Fonte de S. João, Água Revés | Objecto: prato
criação digital e adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Dando continuidade, por ordem alfabética do nome das freguesias, a esta iniciativa para divulgação do património artístico e arquitectónico do concelho de Valpaços, no caso as fontes, chafarizes e marcos fontanários que vieram a público na forma de um extraordinário trabalho de pesquisa e estudo levado a cabo pelo Dr. Adérito Medeiros Freitas publicado em 2005 em dois volumes, uma edição da Câmara Municipal de Valpaços na mesma forma de divulgação diferente com uma apresentação iconográfica pouco usual e destinada aproveitar a sensibilidade dos nossos leitores para a bela e diversificada tradição artística portuguesa que é a Faiança é chegada a vez de apresentarmos mais uma jóia da arquitectura edificada na freguesia de Água Revés e Castro.

FREGUESIA DE ÁGUA REVÉS E CRASTO – Água Revés 2

2 – Fonte de Mergulho

Tema: Fonte de S. João, Água Revés | Objecto: prato
Foto – base: Adérito M. Freitas | criação digital e adaptação: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

Localização: Água Revés

Lugar: Fonte de S. João.
Altitude: 437 metros Longitude: 7º 21’ 09,3’’ W Latitude: 41º 33’ 21,7’’ N
Ano de construção: Desconhecido
Material de construção: Granito equigranular de grão médio a fino, com moscovite e biotite.
Características gerais: Apesar de nos encontramos numa zona de rochas metamórficas, xistosa, esta fonte, tal como acontece com muitas outras construções de Água Revés, é toda construída em granito. É uma fonte de raro interesse que merece ser preservada e divulgada, pois que possui algumas características arquitectónicas de grande beleza e únicas entre todas as fontes do Concelho de Valpaços como, por exemplo, o nicho destinado a conter a imagem de S. João.
Quem visita a Fonte de S. João reconhece imediatamente que, ao longo dos anos e ainda recentemente, profundas alterações ao ambiente envolvente foram introduzidas e nem todas, infelizmente as mais aconselhadas. Uma das fachadas laterais e a fachada posterior desta fonte estão, hoje, totalmente tapadas por altos muros de uma propriedade vivinha. Na minha opinião esta fonte estaria, inicialmente, totalmente livre e, os muros referidos, teriam sido construídos posteriormente, como parece ficar demonstrado pela existência, ao nível da cobertura, de uma cornija emoldurada no topo das suas quatro fachadas. Acredito que, se a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Valpaços se interessarem, o proprietário do terreno não se oporá a que o referido muro seja recuado cerca de 1,50 m valorizando assim, e muito, a fonte de S. João.
A planta interna, rectangular, mede 1,60 m de comprimento e 1,27 m de largura. A nascente não é local, situa-se do lado esquerdo do caminho a alguns metros acima da fonte. O fundo do reservatório foi cavado directamente na rocha metamórfica natural e está fortemente inclinado para a região posterior. Como resultado desta irregularidade da base do depósito, a sua profundidade anterior não excede os 70 cm, enquanto que, posteriormente, atinge 1,50 m.
A porta mede 1,67 m de altura máxima e 1,31 m de largura. Termina em arco de volta perfeita. […]
O tecto, em “abóbada de berço”, é formado por quatro “aduelas” longitudinais justapostas, cada uma das quais mede 45 cm de largura, magnificamente trabalhadas. As duas aduelas basais da abóbada assentam, uma de cada lado, numa saliência longitudinal emoldurada, a “imposta”, com 15 cm de espessura, saliente 5 cm e que se posiciona 1,04 m acima da soleira da porta. A fim de formarem um arco perfeito, cada uma destas aduelas possui a sua superfície interna longitudinal deprimida e em forma de caleira, larga mas pouco profunda, o que abona em favor dos magníficos canteiros responsáveis por esta fonte. São, para todos nós, pessoas anónimas mas, já que não sabemos os seus nomes cumpre-nos agradecer-lhes, admirando, preservando e divulgando a obra magnífica que nos deixaram.
Externamente, a cobertura é plana horizontal e formada por dez lajes de granito de diferentes dimensões. As lajes desta coberta formam, a toda a volta da fonte, uma cornija horizontal emoldurada, com 17 cm de espessura e saliente 15 cm. Esta cornija dista, do topo da porta, 43,5 cm.
Frontal e superiormente, assente sobre a cornija descrita, existe uma estrutura magnificamente trabalhada, uma espécie de altar para receber a imagem de S. João e possuindo, para o efeito, um nicho com 67 cm de altura, 30 cm de largura e 16 cm de profundidade. Com 1,20 m de altura, esta estrutura é formada por três blocos de granito sobrepostos. O bloco basal mede 1,48 m de comprimento, 23 cm de altura, 40 cm de largura e possui esculpida uma bonita peanha limitada, superiormente, por três estreitas faces, uma frontal e duas laterais, simétricas e cuja superfície horizontal superior mede 30 cm de largura e 34 cm de profundidade. Abaixo de cada uma destas faces existe uma ornamentação em relevo e em forma de pétala. O segundo bloco assenta sobre o anterior, contém a maior parte do nicho e mede 50 cm de altura. O terceiro bloco assenta sobre o anterior e possui, a completar o limite superior do nicho, uma bem esculpida concha. De um e outro lado da base do nicho existem, em posição simétrica, duas volutas em S. A encimar toda esta estrutura, mais duas volutas em S, simétricas. Finalmente, no topo entre estas volutas, podemos observar, cravado e em posição vertical, um ferro de secção circular e que se destinava, certamente, a suportar mais um ornamento em granito, cuja forma, dimensões e destino hoje desconhecemos.
De um e outro lado da estrutura que possui o nicho descrito está presente um pináculo de granito, com base quadrangular e a porção superior em forma de tronco de pirâmide de faces laterais curvas. Cada uma destas estruturas ornamentais mede 51 cm de altura e é formada por duas partes constituintes: uma porção basal, o plinto, que forma um cubo com 31 cm de aresta, e uma porção superior assente sobre aquela, em forma de tronco de pirâmide, com 20 cm de altura. Em três das faces laterais do plinto da esquerda e duas do plinto da direita, um sulco paralelo às quatro arestas limita uma superfície quadrangular com 25 cm de lado. Dentro deste quadrado foi esculpido outro de menores dimensões, cujos quatro vértices coincidem com o entro dos lados do quadrado anterior, formando um losango de ângulos iguais ou pouco diferentes.

Quando a fonte enche e transborda, a água corre por uma caleira de granito com 2,60 m de comprimento, 10 cm de largura e 4 cm de profundidade, directamente para uma pia rectangular também de granito, pia bebedouro, com 1,58 m de comprimento, 45 cm de largura e 35 cm de profundidade. Daqui, e através de uma curta caleira de, apenas, 35 cm de comprimento, corre para um tanque de lavar roupa de grandes dimensões, pois mede 4, 00 metros de comprimento, 2,64 m de largura e 60 cm de profundidade. Este tanque possui lavadouros originais de granito, corridos, com 50 cm de largura, nas duas faces maiores e na face menor em posição distal relativamente à fonte perfazendo, no conjunto, um comprimento de 10,64 m. Todo este conjunto está, actualmente, protegido por uma cobertura de telha tipo Marselha e vigamento de eucalipto, tudo suportado por duas colunas e um muto de blocos de cimento.

Adérito M. Freitas, Concelho de Valpaços, FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA…, C.M.V., Vol. I, 2005, pp. 46-49.



Homenagem virtual às 7 maravilhas do concelho de Valpaços


Bule (duplicado) + açucareiro + xícara/pires | criação e adaptação fotográfica: Leonel Salvado
(clique na imagem para aumentá-la)

A iniciativa levada a cabo por Sérgio Morais no “Notícias de Valpaços” em promover em 2009 um concurso destinado a oferecer ao público valpacense a oportunidade de escolher democraticamente as sete maravilhas históricas, arquitectónicas ou naturais que constituem o seu vasto Património foi algo que mereceu a adesão do mesmo público que se mobilizou de uma forma notável e demonstrativa do seu interesse e da sua dedicação aos valores que fazem parte desse Património. Essa bem-aventurada iniciativa que se estendeu por esta época, há dois anos, desde as 20 nomeações pré-seleccionadas, a 16 de Fevereiro, até ao apuramento dos resultados finais, divulgados a 18 de Maio, foram de tal forma mediatizadas que não se ouvia outra coisa entre as conversas de café (passo a hipérbole!) e, de facto, convém, decorridos estes dois anos recordar as próprias palavras de Sérgio Morais

os objectivos a atingir com este concurso eram outros e, muito humildemente, pelas informações que fui recebendo pelos emails…, penso que foram conseguidos. Os valpacenses viajaram mais pelo seu concelho; passaram a conhecer melhor o seu concelho, o seu património e como é importante preservar toda a nossa riqueza!! (…) Esperemos que outros aproveitem esta ideia e possam realizar outras actividades (oficiais?!) e, porque possuem outros meios, publicitar e preservar mais e melhor o nosso concelho.”

4 xícaras + 4 pires (4 duplicados vertical) | criação e adaptação fotográfica: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

É tempo de atender a este repto, isto é, procurar ajudar a publicitar e a preservar, cada um com os meios que possua ao seu alcance (mesmo que não oficiais!). Porque não transformar as capacidades artísticas criativas que existem pelo concelho num meio de divulgação das 7 maravilhas ou outras referências patrimoniais do concelho?


3 xícaras + 3 pires (3 duplicados verticar) | criação e adaptação fotográfica: Leonel Salvado
(clique sobre a imagem para aumentá-la)

A presente demonstração - um serviço de chá em porcelana - pretende ao mesmo tempo ser uma homenagem ao êxito alcançado no excelente trabalho que foi o concurso para a eleição das sete maravilhas e uma sugestão virtual dos meios que podem ser explorados para atingir o objectivo primordial – conhecer, divulgar, preservar… o nosso Património – a olaria, a arte cerâmica por pintura ou estampagem.
Pois quem não gostaria de ter em sua casa um completo jogo assim de chá, com as sete representações iconográficas eleitas como as maravilhas do concelho?!

sábado, 19 de março de 2011

407.º Aniversário do nascimento de D. João IV

Retrato de D. João IV | http://freamundense.blogspot.com
 
Nascido no Paço ducal de Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604, D. João IV foi o 22.º rei de Portugal e o fundador da 4ª dinastia, a dinastia da Bragança, que só viria a terminar em 1889 no Brasil e em 1910 em Portugal, ali em resultado do golpe republicano de 15 de Novembro de 1889, que pôs termo à família imperial brasileira dos ramos e Patrópolis e de Vassouras, os ramos de Orleães e Bragança em disputa, reinando a princesa Isabel de Bragança e Bourbon e aqui em resultado do golpe republicano de 5 de Outibro 1910 que pôs termo à monarquia da Casa de Bragança, reinando D. Manuel II da Casa de Bragança - Saxe - Coburgo e Gota. Nascido de Teodósio II, sétimo duque de Bragança, e de sua mulher, a duquesa Ana de Velasco y Girón, nobre castelhana, D. João IV era o herdeiro do senhorio da casa ducal de Bragança, 8.º duque de Bragança, 5.º duque de Guimarães. 3.º duque de Barcelos, 7.º marquês de Vila Viçosa e conde de Barcelos, Guimarães, Arraiolos, Ourém e Neiva, quando subiu ao trono de Portugal após a Restauração da Independência de Portugal na qualidade de trineto do rei D. Manuel I, por via de D. Catarina duquesa de Bragança que era sua avó paterna. Recebeu o cognome de” O Restaurador”, por conseguir obter Restauração da independência do Reino relativamente ao domínio da Casa real estrangeira dos Habsburgos (a dinastia filipina) e também o cognome de “ O Afortunado” em virtude de a coroa lhe ter tocado não por intervenção e vontade própria, mas da própria esposa, D. Luísa de Gusmão.

Foi rei de Portugal entre 1 de Dezembro de 1640, por golpe de estado seguido de aclamação, e 6 de Novembro de 1656, data da sua morte no Palácio da Ribeira, em Lisboa, sendo sucedido no trono por D. Afonso VI devido à morte acidental prematura do herdeiro presuntivo e primeiro filho Varão, D. Teodósio em 1653. D. João IV sucumbiu ao “mal de gota e da pedra” que o atormentava desde 1648, cedendo a regência à esposa, D. Luísa de Gusmão.
O consagrado historiador Joaquim Veríssimo Serrão, reagindo às intenções depreciativas da historiografia liberal relativamente à actuação deste monarca, saiu em sua defesa, salientando a sua energética acção na defesa das fronteiras do reino e os esforços diplomáticos por ele instruídos nas cortes adversas, no sentido de garantir os melhores tratados de paz ou de tréguas, e noutras cortes, no sentido de garantir auxílio militar e financeiro, bem como o reconhecimento da legitimação formal da independência da monarquia portuguesa face à usurpação dos Habsburgos. Além disso têm sido salientados no seu governo importantes iniciativas e reformas ao nível da defesa e administração interna, tais como a criação do Conselho de Guerra, logo em 1640, da reforma do Conselho da Fazenda, em 1642 e da Junta dos Três Estados e do Conselho Ultramarino, em 1643, e da criação da Companhia da Junta do Comércio em 1649. Importa acrescentar ainda uma abundante legislação despachada do seu conselho no sentido de responder às carências do seu governo na Metrópole e no Ultramar. No curto espaço de 16 anos teve ainda o fundador da dinastia brigantina engenho e alma para revelar a sua apurada sensibilidade artística e cultural devido à sua natural e indesmentível dedicação pela literatura e gosto pela música. Está sepultado no Panteão dos Braganças do Mosteiro de S. Vicente de Fora em Lisboa.

Para conhecer mais pormenores sobre D. João IV clique AQUI.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Paleontólogo português descobre primeiro fóssil de dinossauro em Angola

O paleontólogo português Octávio Mateus foi o responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro em Angola. O "saurópode", reconhecido esta semana pela comunidade internacional de paleontologia, foi baptizado de " Angolatitan adamastor", em homenagem às expedições portuguesas no continente africano.
A investigação, que vem desde 2005 e culminou com a importante descoberta, foi a primeira deste tipo em Angola em mais de 50 anos, já que o país sofreu durante muito tempo com a guerra civil.
A espécie encontrada, um "saurópode", viveu há mais de 90 milhões de anos na África subsariana. Conhecido pelo porte físico imponente, chegando a medir mais de 13 metros de comprimento, este gigante herbívoro foi encontrado ao lado de dentes de peixes e tubarões, no que seria o leito de um mar, levando a crer que o animal terá sido arrastado para as águas e dilacerado por tubarões primitivos.
Octávio Mateus, líder do projecto "PaleoAngola", investigador da Universidade Nova de Lisboa e responsável pelo museu da Lourinhã, afirmou que a maior dificuldade que a sua equipa de investigadores enfrentou durante as expedições foi na obtenção de recursos. "Não tivemos problemas com minas terrestres nem com segurança", disse com alguma ironia, uma vez que não recebeu apoio financeiro de Portugal para a sua investigação.
O especialista em "saurópodes", Matthew F. Bonnan, da Universidade de Western Illinois, não esteve envolvido na expedição, mas ficou "radiante" com a descoberta do grupo "PaleoAngola", acrescentando que a descoberta poderá ser útil para os cientistas perceberem como os saurópodes se adaptavam a diferentes ambientes.
"A paleontologia está cada vez mais global", disse Matthew F. Bonnan. "Isso dá aos cientistas uma melhor perspectiva da evolução dos dinossauros", acrescentou.

Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1808280

quarta-feira, 16 de março de 2011

186.º Aniversário do nascimento de Camilo de Castelo Branco

Retrato de Camilo Castelo Branco por João Duarte Freitas, 2008
http://anasarajulia.blogspot.com

Nesta data comemorativa do nascimento de Camilo, entendemos incluir aqui um resumo da sua biografia e da sua obra, bem como uma igualmente breve recensão crítica literária ao escritor, compiladas a partir de fontes distintas.

VIDA E OBRA

Biografia

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, num prédio da Rua da Rosa, no Bairro Alto. Filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, foi registado como filho de mãe incógnita, ao que se diz porque o pai e a avó paterna não queriam que o nome de Castelo Branco se associasse a outro de origem tão humilde.
Camilo ficou órfão de mãe quando tinha um ano e perdeu o pai aos dez, sendo enviado para Vila Real, para viver com uma tia. Posteriormente, foi viver com uma irmã mais velha, em Vilarinho de Samardã, onde recebeu uma educação irregular. Na adolescência, leu os clássicos portugueses e latinos e consumiu literatura eclesiástica.
Apaixonado e irrequieto por natureza, casou aos 16 anos com Joaquina Pereira, mas cedo abandonou a esposa para se envolver com outras mulheres, em relações sempre tumultuosas: Patrícia Emília, a freira Isabel Cândida... Para sobreviver, escrevia para jornais, embora as suas irreverentes crónicas lhe trouxessem, de vez em quando, dissabores, inclusivamente agressões físicas. Ainda tentou cursar medicina no Porto mas, a partir de 1848, entregou-se à vida boémia e passou a repartir o seu tempo entre os cafés, os salões burgueses e a escrita.
Na sequência do casamento de Ana Plácido, por quem estava apaixonado, Camilo sofreu – entre 1850 e 1852 – uma crise de misticismo, cursando o seminário e julgando-se capaz de entregar a sua vida a Deus. Mas mudou de ideias: abandonou os estudos teológicos, seduziu e raptou Ana Plácido e andou com ela a monte, até serem capturados pelas autoridades, julgados e presos na cadeia da relação do Porto. Aí, Camilo escreveria “Memórias do Cárcere” e conheceria o famoso Zé do Telhado.
Absolvidos do crime de adultério, Camilo e Ana Plácido foram viver juntos. Ana teve um filho, supostamente ainda do seu marido, Pinheiro Alves, e seguiram-se-lhe mais dois, de Camilo. Com uma família para sustentar, o literato passou a escrever a um ritmo alucinante: Camilo foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos.
Em 1863, na sequência da morte de Pinheiro Alves, Ana e Camilo foram viver para a casa dele, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Em 1885, Camilo obteve o título de visconde e três anos depois casou oficialmente com Ana Plácido. Incapaz de se manter emocionalmente estável, porém, e sempre preocupado com os filhos (Nuno era um vadio, Jorge era deficiente mental), e perante uma cegueira progressiva, Camilo acabou por sucumbir ao desespero, suicidando-se a 1 de Junho de 1890, aos 65 anos.

Obras


ALGUMAS OBRAS DO ESCRITOR: “Anátema” (1851), “Mistérios de Lisboa” (1854), “A Filha do Arcediago” (1854), “Livro Negro de Padre Dinis” (1855), “A Neta do Arcediago” (1856), “Onde Está a Felicidade?” (1856), “Um Homem de Brios” (1856), “Lágrimas Abençoadas”, “Cenas da Foz”, “Carlota Ângela”, “Vingança”, “O Que Fazem Mulheres” (1858), “Doze Casamentos Felizes” (1861), “O Romance de um Homem Rico” (1861), “As Três Irmãs” (1862), “Amor de Perdição” (1862), “Coisas Espantosas”, “O Irónico” (1862), “Coração, Cabeça e Estômago” (1862), “Estrelas Funestas”, “Anos de Prosa” (1862), “Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado” (1863), “O Bem e o Mal” (1863), “Estrelas Propícias” (1863), “Memórias de Guilherme do Amaral” (1863), “Agulha em Palheiro” (1863), “Amor de Salvação” (1864), “A Filha do Doutor Negro” (1864), “Vinte Horas de Liteira” (1864), “O Esqueleto” (1865), “A Sereia” (1865), “A Enjeitada” (1866), “O Judeu” (1866), “O Olho de Vidro” (1866), “A Queda de um Anjo” (1866), “O Santo da Montanha” (1866), “A Bruxa do Monte Córdova” (1867), “A Doida do Candal” “1867), “Os Mistérios de Fafe” (1868), “O Retrato de Ricardina” (1868), “Os Brilhantes do Brasileiro” (1869), “A Mulher Fatal” (1870), “O Regicida” (1874), “A Filha do Regicida” (1875), “A Caveira do Mártir” (1876), “Novelas do Minho” (1875-1877), “Eusébio Macário” (1879), “A Corja” (1880), “A Brasileira de Prazins” (1882).

TEATRO: “Agostinho de Ceuta”, “O Marquês de Torres Novas”, “Poesia ou Dinheiro?”, “Justiça”, “Espinhos e Flores”, “Purgatório e Paraíso”, “O Morgado de Fafe em Lisboa”, “O Morgado de Fafe Amoroso”, “O Último Acto”, “Abençoadas Lágrimas!”, “O Condenado”, “Como os Anjos se Vingam”, “Entre a Flauta e a Viola”, “O Lobisomem”, “A Morgadinha do Vale-de-Amores

http://www.teatro-dmaria.pt/Temporada/detalhe.aspx?idc=933


RECENSÃO CRÍTICA LITERÁRIA

Modelo da língua literária de sua época, Camilo Castelo Branco é fundamental na história da prosa de ficção do português, principalmente como romancista.
Camilo Castelo Branco representou em seu país diversas tendências da literatura européia do século XIX, mas tanto por convicções estéticas como por temperamento foi sobretudo um autor romântico. Versátil, de produção copiosa e que contemplou o romance, o teatro e a crítica literária, realizou-se como romancista de feição gótica, às vezes irrefreavelmente sentimental. Reconstituiu em suas obras o panorama dos costumes e dos caracteres do Portugal de seu tempo, quase sempre com uma profunda sintonia com as maneiras de ser e sentir do povo português. Daí a celebridade quase exclusivamente nacional, que deve à pureza da cepa de sua linguagem, capaz de abarcar todas as situações de seu universo cultural. Obras. Na primeira fase Camilo Castelo Branco deu a suas novelas caráter folhetinesco, entre o patético e o macabro. Marcadas pela leitura de Eugène Sue são Anátema (1851), Mistérios de Lisboa (1854), Duas épocas na vida (1854), O livro negro do padre Dinis (1855). Outra etapa, de influência balzaquiana, valoriza a realidade social em Vingança (1858), Carlota Ângela (1858), A morta (1860). Seus livros mais conhecidos refletem a experiência do cárcere, tratando em estilo conciso, mas brilhante, do amor reprimido e exacerbado: O romance de um homem rico (1861), o famoso Amor de perdição (1862), o Amor de salvação (1864), O olho de vidro (1866), A doida do Candal (1867), O retrato de Ricardina (1868), A mulher fatal (1870). De outra linha, Doze casamentos felizes (1861), Estrelas funestas (1861), Estrelas propícias (1863) veiculam intento moralizador. Em Coração, cabeça e estômago (1862), A queda dum anjo e outros, prevalecem toques de humorismo discreto. Camilo também fez romances históricos, como O judeu (1866), e satirizou o realismo com Eusébio Macário (1879) e A corja (1880), tornando-se ele próprio um realista convincente em Novelas do Minho (1875-1877) e A brasileira de Prazins (1882). Menos significativo como poeta, dramaturgo ou historiador literário, em seus últimos romances atingiu mestria extraordinária como observador e retratista dos tipos humanos e da sociedade de sua terra.

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