segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

499.º Aniversário do cardeal-rei D. Henrique


D. Herique, o cardeal-rei | in http://pt.wikipedia.org

O Cardeal - Rei

Henrique nasceu em Lisboa a 31 de Janeiro de 1512 e faleceu em Almeirim, curiosamente, no mesmo dia e mês do ano de 1580. Estamos, portanto, a um ano do dos 500 anos do seu nascimeto. Foi o quinto filho varão de D. Manuel I e de sua segunda mulher, D. Maria de Aragão, manifestando desde infância a sua vocação pela vida religiosa em detrimento da vida política, acabando a sucessão do trono por ser assegurada, mais tarde, por seu irmão mais novo, D. João III. Mas as circunstâncias que se seguiram ao falecimento do monarca na menoridade do neto deste, D. Sebastião (filho póstumo do Príncipe João de Portugal e da Princesa D. Joana) e a crise dinástica advinda mais tarde com a morte d’o Desejado fizeram com que o já então cardeal D. Henrique se visse na obrigação de assumir a governação do País: Primeiro como Regente, em 1562 dada a menoridade do seu sobrinho de segundo grau e a abdicação da cunhada D. Catarina de Áustria que, após 5 anos de desgostosos serviços nessa função, decidiu recolher-se ao Paço de Xabregas, profundamente agastada com o neto; depois como rei, tendo sido assim aclamado em Lisboa em 1578, logo que foi confirmada a morte de D. Sebastião, reinando Portugal até ao fim da sua vida.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mamute poderá ser criado por clonagem em cinco anos

por FILOMENA NAVES, 18 Janeiro 2011


Mamutes, segundo a Scientific America – Fev. 2008 | in http://blacksmoker.wordpress.com
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Projecto coordenado por investigadores japoneses propõe-se utilizar a informação genética retirada de tecidos congelados do animal extinto e uma célula de elefante sem ADN.

Investigadores japoneses preparam-se para tentar trazer à vida um animal extinto há milhares de anos. Trata-se de um mamute, que a equipa do cientista Akira Iritani, da Universidade de Quioto, pretende criar por clonagem a partir de material genético recuperado de um mamute e de uma célula de um elefante.
"Os preparativos estão feitos", afirmou Akira Iritani ao jornal japonês Yomiuri Shimbun, adiantando que vai em breve iniciar todo o trabalho no laboratório.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Primeiras viagens marítimas dos humanos podem ter acontecido há 130 mil anos atrás

Por Natasha Romanzoti em 4.01.2011

Os achados encontrados por arqueólogos gregos e americanos nas grutas de Plakias

Arqueólogos descobriram o que pode ser evidência de uma das primeiras viagens através do mar feitas por ancestrais humanos na ilha de Creta.
Creta está separada do continente há cerca de cinco milhões de anos. Quando especialistas gregos e americanos encontraram machados e outras ferramentas brutas, provavelmente com 130.000 a 700.000 anos de idade, próximas a abrigos na costa sul da ilha, isso sugere que quem fez essas ferramentas deve ter viajado para lá via marítima (uma distância de pelo menos 65 quilômetros).

Primeiros Homo sapiens e Neandertais tinham a mesma esperança de vida

Ciência Hoje, 2011-01-12


Neandertais e Homo sapiens teriam a mesma experiência de vida

Estudo contradiz teoria que defendia extinção dos Neandertais por morrerem mais cedo

“A esperança média de vida dos primeiros Homo sapiens e dos Neandertais era semelhante, revela um estudo dirigido por Erik Trinkaus, da Universidade de Washington (EUA) e publicado agora na «Proceedings of National Academy of Science». Os investigadores fizeram um estudo comparativo de fósseis de ambas as espécies que coexistiram durante 150 mil anos em várias regiões da Europa e da Ásia e que, segundo as mais recentes investigações chegaram a cruzar-se.
A equipa não teve muito material para analisar, mas foi o suficiente para perceber que existiam quase os mesmos números de fósseis de adultos entre 20 e 40 anos e de maiores de 40, tanto entre os Homo sapiens como entre os Neandertais.”

126.º Aniversário do nascimento do “automóvel moderno”

Réplica do Benz Patent Motorwagen, de 1885, de dois lugares, três rodas e velocidade máxima de 13 km/h, foi o primeiro automóvel a gasolina. In http://soulonphire.blogspot.com


Como já tínhamos referido neste blogue em “Os primórdios da História do Automóvel”, a 24 de Abril de 2010 na mesma categoria “Automóveis na História [Universal]”, foi a 29 de Janeiro de 1885 que surgiu o primeiro automóvel com cabimento no âmbito do conceito de “automóvel moderno”, isto é dotado de um motor de explosão interna a gasolina e de quatro tempos. Embora este tipo de motor tenha sido concebido também com sucesso nesse mesmo ano pelo alemão Gottlieb Daimler, foi na realidade o seu compatriota Karl Benz, outro grande génio inventivo desse tempo que mais tarde se associou ao primeiro para a criação da bem reputada marca actual, Mercedes Benz (aliás Daimler–Benz), quem, em Manheim, se antecipou em patentear a invenção patente essa conhecida por “Benz Patent Motorwagen” e representativa do nascimento do “primeiro automóvel moderno”. O próprio tipo de conbustível (gasolina), começou por ser designado de benzina, em homenagem ao oficial criador do engenho e certas marcas históricas, como a Fiat por exemplo,  mativeram esta designação por várias décadas. Uma data comemorativa para os amantes da História do automóvel e particularmente para os aficionados da Marcedes!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

113.º Aniversário do nascimento de Vasco Santana

Vasco Santana, in http://clubevinhosportugueses.wordpress.com

Vasco António Rodrigues Santana nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1898 e faleceu na mesma cidade a 13 de Junho de 1958, sendo hoje recordado como um dos maiores actores portugueses de sempre. É um daqueles actores, a par de outros da sua época como António Silva e Beatriz Costa, para nos cingirmos apenas aos que sempre se afiguraram como os mais populares, cujo encanto, na “sétima arte” parece imortal, como tenho visto pela sentida confissão de muitos portugueses, sobretudo das gerações menos jovens, de que não se cansam de rever os seus filmes e que quando revêem, vezes sem conta, algumas das suas cenas clássicas mais conhecidas, reencontram o mesmo entusiasmo com que as viram pela primeira vez.

Azares, esquecimentos ou batotices?

A história e da busca do conhecimento nem sempre é tão linear como parece. Por vezes a atribuição correcta dos louros das descobertas é algo obscuro, digno de uma investigação de Sherlock Holmes.
Encontramos personagens injustamente atropeladas pela História ou pela mera sombra dos génios dos seus tempos, desencontros nebulosos de cronologias e até mesmo trapaceiros que reclamaram a glória indevidamente.
Eis um caso curioso, o de Simon Marius, astrónomo alemão que nasceu há precisamente 438 anos. No final de 1608 soube através de um oficial de artilharia que na Feira de Frankfurt um holandês lhe tinha tentado vender o que viria a ser o modelo mais primitivo do telescópio. A partir dos detalhes revelados rapidamente construiu um e, provavelmente a partir de 1609, observou todo um universo que até então estava escondido. Foi um dos primeiros a observar a galáxia de Andrómeda e possivelmente as luas de Júpiter. Possivelmente - porque não publicou tal descoberta, apenas a proclamou na altura!
Galileu, inteligentemente, fê-lo, reclamando para si a descoberta das luas a 7 de Janeiro de 1610. Marius tinha fama de batoteiro e por isso foi esquecido. De facto, os seus registos da "descoberta" datam de 1613. Ironicamente, ao lado do seu registo anotou nomes para as luas: Io, Europa, Ganimedes e Calisto. E foram esses os nomes eternizados pela História. A descoberta é do imortalizado Galileu, a toponímia do esquecido Marius.

por Miguel Gonçalves
http://www.ionline.pt/conteudo/97671-azares-esquecimentos-ou-batotices

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Sá, Ervões

Padre João Parente (trancrição)


Cruzeiro junto da estrada principal, Sá, freguesia de Ervões
Foto base: Pe. João Parente | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Número: 12.8.223

Local: Sé, freguesia de Ervões, junto da estrada principal
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 5, 50m
Descrição: Plataforma quadrangular de cinco degraus simples e outro com uma espécie de focinho inacabado, base cuboide, com caveto nas arestas superiores; o fuste, que é cilíndrivo, encaixa num pequeno plinto e termina num também pequeno toro, que lhe serve de astrágalo; tem colarinho de secção quadrangular, liso, dividido por um filete e um toro; a cruz, de braços cilíndricos, encaixa num globo ornado com triângulos e linhas horizontais.
Data: Século XVII – XVIII. Plataforma recente.

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.279.

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Cabanas, Curros

Padre João Parente (trancrição)


Cruzeiro do Largo do Cruzeiro, Cabanas, freguesia de Curros
 Foto base: Pe. João Parente | Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)
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Número: 12.7. 222

Local: Cabanas, freguesia de Curros, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 4,50 metros
Descrição: Plataforma quadrangular de três degraus simples, pequena base começada por uma secção quadrangular que logo passa a tronco-cónica, onde encaixa o fuste levemente fusiforme, com uma divisória de secção quadrangular no primeiro terço; à laia de capitel, um bolbo dividido ao meio, horizontalmente, por um sulco e com as duas metades adornadas de arcos torcidos; a cruz de secção quadrangular, é ligeiramente patada.
Data: Século XVII - XVIII

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.278.

Valpaços - “Memorial aos Mortos pela Pátria” em construção

Notícias de Vila Real, 09-01-2011

Já está em andamento a obra de construção e implementação do Memorial aos Mortos pela Pátria, monumento que embelezará a rotunda em que desemboca a Avenida 25 de Abril, na cidade valpacense.
Tendo como base a ideia de que “os valores que garantem a imortalidade da Nação são valores superiores que devemos defender em permanência. Porventura os gestos mais nobres que cumprem a uma Nação estão em homenagear aqueles que contribuem com o seu sangue e a sua coragem para a defesa desses valores. Relembrar estes feitos e os seus protagonistas é honrar a história e garantir que este legado se perpetue na memória”, desta forma foi lançado o desafio para projectar o Memorial aos Mortos pela Pátria.
O escultor escolhido para desenvolver o projecto foi Hélder José Teixeira de Carvalho, pelo valor de 74.500 euros. O mesmo será implementado numa rotunda, que representa também uma das portas de entrada na cidade. A escultura que será implementada pretende interpretar o Homem consciente do cumprimento do seu dever para com a Pátria. A atitude de dignidade e nobreza é sublinhada pela postura em sentido, com a mão direita dobrada junto ao peito e segurando a ponta de uma bandeira que se desfralda em sua volta.
Pela elevação do seu olhar dirigido ao alto, a figura propõe conduzir-nos a uma interpretação de oferenda ao céu. Também a bandeira arvorada e suspensa no ar reforça com o seu real significado de símbolo nacional o ideal patriótico que se promove.

In http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=9705
Foto: http://www.imprensaregional.com.pt/jornal_terra_quente

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Há 11 anos faleceu Matateu

Sebastião Lucas da Fonseca, Matateu,
in http://belenensesilustrado.blogspot.com

Dois dias após o 58.º Aniversário de Eusébio, a 27 de Janeiro de 2000, falecia no Canadá, aos 72 anos, esta outra grande “lenda” do futebol português de origem moçambicana que foi Sebastião Lucas da Fonseca (ou Lucas Sebastião da Fonseca), conhecido como Matateu, alcunha que, a crer no que foi publicado a 27 de Maio de 2009 no blogue “Os Belenenses”, deriva da expressão em landim “Ma’ Tateu” cujo significado literal é “crosta de pele” e que talvez lhe tenha sido atribuída devido às marcas que costumava ter em consequência dos “pelados da bola”, as suas “primeiras “medalhas” nos desafios do bairro. Matateu foi, na verdade o primeiro grande jogador português nascido em Moçambique, aliás na mesma cidade de “o Pantera Negra” – Lourenço Marques (Maputo), a 26 de Julho de 1927, e é considerado como um dos maiores jogadores de topo de sempre, quer ao serviço do Belenenses, quer da Selecção Portuguesa de Futebol, com a curiosa particularidade de ser comparado ao legendário futebolista britânico Stanley Matthews, devido à sua longevidade – jogou até aos 50 anos de idade. Foi um dos quatro filhos de Lucas Matambo, tipógrafo, e de Margarida Heliodoro, nascidos no bairro pobre do Alto Mahé. Do seu sangue, destacou-se ainda no futebol do Belenenses o também conhecido Vicente, o mais novo dos seus irmão, que ingressou no mesmo clube com o epíteto de ”Matateu II”, a 30 de Junho de 1954 e, com apenas 19 se estreou, juntando-se ao irmão e honrando a estirpe familiar, encantando com ele “os Belenenses, o País e o Mundo”, mas insistindo junto dos seus fãs que o tratassem por Vicente e não por "Matateu II".
Matateu, menino-prodígio do futebol português dos anos 50, recordado com saudade pelos portugueses e em especial pelos adeptos do Belenenses, quando esta era então a terceira maior equipa da capital, foi descoberto por um antigo jogador desta equipa nacional e campeão de Portugal em 1932, João Belo, quando Matateu jogava no 1º de Maio, a equipa local laurentina que viria a transformar-se na filial africana do Belenenses, e logo em 1951, com 24 anos, a jovem promessa moçambicana assinou e passou a jogar na equipa de Belém. Foi nesta fase áurea da sua carreira que adquiriu a reputação, que ainda hoje perdura entre os mais orgulhosos adeptos do clube azulado, de ter sido, talvez, “o melhor ponta-de-lança português de sempre”. No decurso dos anos 60, numa fase descendente da sua carreira, passou por diversos clubes de menor importância, tais como o Atlético Clube de Portugal que foi, segundo se conta, graças a ele que ascendeu à I Divisão, e o Amora que com a sua participação logrou chegar a campeão distrital e chegar à III divisão. Em 1970 partiu para o Canadá, onde continuou a jogar até à idade de 50 anos. Entretanto de 1953 a 1960, serviu na Selecção Nacional em vários jogos amigáveis e de qualificação para as taças do mundo e europeias, designadamente para a Copa do Mundo de 1958, em que a Itália foi batida por 3 – 0, no Estádio do Jamor, e nas Qualificações para o Euro 1960, contra a Alemanha Oriental (em Berlim-leste) e a Jugoslávia (no Jamor), a 21 de Junho de 1959 e a 8 de Maio de 1960, respectivamente. Este foi o seu último jogo ao serviço da Selecção, aos 32 anos de idade.

Existe uma biografia, em 110 páginas da autoria de Fernando Correia editada em 2006 pela Sete Caminhos. Para conhecer a ficha técnica, sinopse ou as condições para aquisição desta obra, clique AQUI.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

106.º Aniversário do achado do(s) Cullinan

A segunda e a terceira gemas de diamantes mais valiosas do mundo,
in http://www.portalentretextos.com.br

O diamante cullinan é o maior diamante em bruto alguma vez descoberto. A sua descoberta ocorreu a 26 de Janeiro de 1905 por Frederik Wells, gerente da mina de Premier, na África do Sul de que era proprietário Thomas Cullinan, em homenagem ao qual esse extraordinário achado passou a ser conhecido. A pedra, pesando cerca de 3.106 quilates (aproximadamente 621 g), segundo dados publicados na Wikipédia.org, foi comprada pelo governo do Transvaal que a ofereceu ao rei Eduardo VII por ocasião do seu 66.º aniversário. A coroa britânica encarregou um famoso lapidador holandês, Joseph Asscher, de estudar a pedra e de a cortar. Depois de vários meses de estudo, ela foi finalmente dividida em 9 diamantes grandes e 100 jóias menores durante um moroso processo de lapidação no decurso do qual se diz que o experimentado Asscher desmaiou, tendo sido despertado com a notícia do sucesso da sua pesada responsabilidade. Do resultado desse trabalho detacaram-se duas gemas, a mais pesada das quais, com 530,2 quilates (106,4 g), designada de Cullinan I ou “grande estrela de África” foi engastada no ceptro real e a menos pesada, com 317,4 quilates (63,48 g) conhecida por Cullinan II ou “pequena estrela de África” passou a enfeitar a coroa real britânica e é usada nas cerimónias de coroação. Embora não sejam as maiores gemas lapidadas da actualidade, uma vez que em 1985 um exemplar também encontrado na mina Premier proporcinou a lapidação do “Jubileu Dourado” que é efectivamente a maior peça de diamante jamais conseguida, os Cullinan são, contudo, as mais conhecidas e apreciadas. Encontram-se expostas na Torre de Londres e são ainda um grande motivo de orgulho da família real britânica.

Para mais curiosidades sobre estes e outros diamantes famosos clique AQUI.


O terramoto de 1531 – faz hoje 480 anos

Por Carlos Loures, 26 de Janeiro de 2010*


Lisboa quinhentista. Duarte Galvão, na Crónica d’el Rei Dom Afonso Henriques, c. 1520.
 In http://lisboario200anos.cm-lisboa.pt

Com um epicentro algures entre Azambuja e Vila Franca de Xira, no dia 26 de Janeiro de 1531, faz hoje 479 anos, um terramoto destruiu parcialmente Lisboa. Sismo que, segundo se julga, pouco terá ficado a dever ao de 1755. No entanto, a cidade não era tão grande, nem tão populosa, embora para a época, fosse considerada de enorme dimensão – teria cerca de 100 mil habitantes (contra os 275 mil de 1755).
As zonas da cidade que foram atingidas não terão também sido as mesmas. Como exemplo desta afirmação, o Hospital de Todos os Santos, no Rossio, não ficou significativamente danificado, vindo porém a desaparecer no sismo de 1755. Sabe-se também que, embora com menos danos registados, o Ribatejo e o Alentejo foram regiões duramente atingidas. Desde o dia 7 que se verificavam abalos, mas o mais grave foi o de 26 quando, ao princípio da madrugada, a terra tremeu por três vezes.
Não há registo de maremoto, tsunami ou grandes incêndios, como na catástrofe de 224 anos depois. Em todo o caso, o número de vítimas que a tradição consagra é o de 30 mil. Tendo em conta a população da cidade, foi igualmente uma tragédia de grandes dimensões.
Por outro lado, as fontes de informação disponíveis para estudar o terramoto de 1755, não são tão copiosas para o de 1531. Sabemos, no entanto, que houve danos muito consideráveis. Na principal rua de Lisboa, a Rua Nova, tombaram varandas e muitos dos edifícios abriram enormes fendas. Uma parte do palácio real, o Paço da Ribeira, sofreu grandes estragos. A Torre de Belém e o Mosteiro de Belém (Jerónimos) foram também duramente atingidos.
António de Castilho, filho do arquitecto João de Castilho, descreveu os estragos em Lisboa, particularmente no Rossio, onde caiu a Igreja de Nossa Senhora da Escada., uma parte do Paço dos Estaus (onde se acolhiam os altos dignitários estrangeiros), parte das naves do Convento de São Domingos (onde está hoje o Teatro de D. Maria II). Houve danos na Sé, no Convento do Carmo, na Igreja de São João da Praça e, como já, disse, numa ala do Paço da Ribeira.
De notar que o Bairro Alto, um dos primeiros bairros europeus a ser construído com planta em quadrícula, foi edificado para responder à destruição provocada pelo terramoto de 1531. Especulação sobre os terrenos, comprando quase de graça e vendendo depois por preço elevado, foi o negócio de um tal Duarte Belo (de que ainda existe memória numa Rua da Bica Duarte Belo, aquela que é percorrida pelo elevador da Bica). Era um armador e negociante que possuía na Boavista (onde fica hoje a rua do mesmo nome) umas casas e um terreno no qual existia uma bica, designada pelos seus utentes como «Bica dos Olhos ». Em 1726, publicava-se em Lisboa no «Arquipégio Medicinal» um anúncio recomendando, como remédio infalível para terçolhos e outros males da vista, a lavagem dos olhos na «Bica do Duarte Belo ». Tinha de ser antes do Sol nascer, para garantir a cura.
O rei D.João III que estava no Paço de Benavente, teve ir para Alhos Vedros e depois para Azeitão, porque os seus aposentos de Benavente ficaram destruídos. Em Santarém, na Castanheira, em Vila Franca de Xira, na Azambuja, onde sacudidos pelo sismo os sinos tocaram sozinhos, no Lavradio, em Setúbal. Digamos que o terramoto de 1531 afectou toda a região de Lisboa e o vale do Tejo.
Os testemunhos, muito mais escassos do que os de 1755, existem, no entanto: Além do já citado António de Castilho, há uma carta de um anónimo castelhano ao marquês de Tarifa, Fradique Enríquez de Ribera, descrevendo as destruições em Lisboa, nomeadamente na Rua dos Fornos, onde ruíram numerosas casas e as da Rua Nova. Na carta, descrevia-se também o pavor da população lisboeta que dormia vestida para poder fugir ao primeiro sinal de novo sismo. Como disse Garcia de Resende na sua »Miscelânea», referindo-se também a este terramoto:

«Todos com medo que haviam
deixaram casas, fazendas;
nos campos, praças dormiam
em tendilhões e em tendas,
casas de ramas faziam;
as mais noites velando,
temendo e receando;
porque tremor não cessava;
a gente pasmada andava
com medo, morte esperando».

Em 1755, a par com as «explicações» tradicionais – castigo divino pelos desmandos humanos – surgiram abordagens diferentes, científicas umas (com os naturais limites da ciência contemporânea) e outras procurando explicar racionalmente o que sucedera. Em 1531, o estado dos conhecimentos sobre o mosaico multidisciplinar que permite compreender fenómenos naturais desta natureza, era mais do que incipiente.
No entanto, quando frades de Santarém relacionaram os danos verificados na cidade pela presença de judeus, ou melhor, de «cristãos novos», visto que os judeus haviam sido expulsos no reinado de D. Manuel, Gil Vicente combateu esta tentativa de culpabilizar os hebreus, numa carta que leu perante os próprios frades, atacou as prédicas dos clérigos que aterrorizavam os fiéis anunciando-lhes que os cataclismos eram resultado da ira divina contra os pecados dos homens.
Com o mesmo esclarecedor objectivo, escreveu uma carta a D. João III condenando a perseguição aos judeus. Curioso o facto de, em 1755, uma das tais «explicações» encontradas para o sismo, tenha sido a das perseguições feitas aos judeus, a par com hábitos debochados importados de França e de Itália e com a proibição de os crentes lerem a Bíblia.
Como ficou Lisboa depois deste terramoto, sabêmo-lo cruzando os dados que nos proporcionam as obras de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, «Lisboa em 1551» («Em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa», «Grandeza e Abastança de Lisboa em 1552», de João Brandão (de Buarcos) e na «Descrição da Cidade de Lisboa», de Damião de Góis. Uma gravura de Georgius Braun Agrippinensis, pertencente ao volume I de «Civitates Orbis Terrarum», publicada em 1593, permite compreender melhor aqueles livros, todos eles publicados em edições recentes prefaciadas e anotadas por José da Felicidade Alves. Um livro de António Borges Coelho, «Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista», muito ilustrado, mostra também a cidade entre os terramotos de 1531 e 1755.

* "O Terramoto de 1531 - faz hoje 479 anos" in http://www.aventar.eu/2010/01/26/o-terramoto-de-1531-%E2%80%93-faz-hoje-479-anos/

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços – Carrazedo de Montenegro

Padre João Parente (trancrição)


I

Cruzeiro do Largo de S. Sebastião, Carrazedo de Montenegro, Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado). Clique sobre a imagem para aumentá-la.

Número: 12.4. 219

Local: Carrazedo de Montenegro, no Largo de S. Sebastião
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 6,10 metros
Descrição: Sobre um plinto de nivelamento oitavado e com focinho, assenta a plataforma octogonal, constituída por dois degraus, também de focinho e também octogonais; a base, ainda octogonal, tem leve soco, breve cornija, orna-se de um escudete em cada lado e toma a forma abaulada na face superior, para robustecer o encaixe do fuste; este começa por uma secção cilíndrica e transforma-se num bolbo alongado, constituído por gomos de secção semicircular, que adelgaçam para o topo; à laia de capitel, tem um filete e um toro a servir-lhe de astrágalo, um largo caveto como colarinho, e outro bolbo, também com gomos, imitando a semente da papoila, no lugar do ábaco; a cruz de braços cilíndricos e com as pontas rematadas em bico envolto por toro, sustenta um belo crucifixo. O fuste e o capitel, no seu conjunto, lembram o pistilo de uma flor.
Data: Século XVII - XVIII

Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.275.

II

Cruzeiro do Largo do Cruzeiro, Carrazedo de Montenegro, Foto base: Pe. João Parente
Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado). Clique sobre a imagem para aumentá-la.


Número: 12.5.220

Local: Carrazedo de Montenegro, no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 5, 70m
Descrição: Plataforma octogonal de quatro degraus com focinho; pedestal também octogonal, ornado de rectângulos, um em cada face, que adelgaça para o encaixe do fuste, fusiforme e estriado; o capitel enquadra-se na ordem coríntia, com um toro por astrágalo; o ábaco é constituído por folhas de acanto e quatro volutas; a cruz tem braços cilíndricos, terminados em círculos concêntricos; do lado poente, pende o crucifixo; do lado nascente, a Virgem coroada com cabeça de anjo aos pés.
Data: “1770”, como se lê no fuste.

Fonte: Idp.276

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eusébio, “o Pantera Negra” faz hoje 69 anos


Eusébio da Silva Ferreira, nascido a 25 de Janeiro de 1942 numa casa pobre do bairro de Mafalala, em Loureço Marques (Maputo), filho de pai angolano (da Província de Malanje) e de mãe presumivelmente moçambicana, Elisa Anissabana, é um ex-futebolista português que se viu transformado numa lenda viva do desporto-rei em todo o mundo. Cognominado de “a Pantera Negra”, é considerado como um dos melhores futebolistas de todos os tempos. As referências mais elucidativas do extraordinário palmarés deste talentoso futebolista são os 733 golos marcados em jogos oficiais e 1137 em toda a sua carreira.

sábado, 22 de janeiro de 2011

22 de Janeiro: S. Vicente, diácono mártir

S. Vicente de Saragoça na prisão, autor anónimo, Escola Francisco Ribalta, séc. XVII, 
in http://es.wikipedia.org

S. Vicente Mártir ou São Vicente de Saragoça, também conhecido por São Vicente de Fora, foi martirizado em Valência no início do século IV (crê-se que no ano de 304) durante as perseguições do Imperador romano Diocleciano contra os cristãos da Península Ibérica, que ficou a cargo do delegado imperial, Daciano. O seu cruel martírio até à morte foi devido, segundo a tradição, à sua recusa em oferecer sacrifícios aos deuses do panteão romano. É orago da Diocese do Algarve e da Sé Patriarcal de Lisboa, onde se guardam algumas das suas relíquias sendo o Padroeiro da cidade de Lisboa, onde a sua imagem é representada com uma barca e um corvo, mas também em outras povoações portuguesas, representação essa baseada na tradição de que em 1173 as suas relíquias foram conduzidas numa barca desde o Cabo de S. Vicente, no Algarve, para Lisboa, a mando de D. Afonso Henriques, e veladas durante todo o trajecto por dois corvos. Também aparece representado com palma (que simboliza o martírio) e evangeliário. É comemorado a 22 de Janeiro pela Igreja Católica e a 11 de Novembro pela Igreja Ortodoxa. Em Portugal é ainda o santo protector e advogado das crianças.

No concelho de Valpaços, é orago das Paróquias de Barreiros e Vilarandelo, sendo celebrado na data própria: 22 de Janeiro. É ainda padroeiro da povoação de Vilela, freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz.

Para ver um resumo biográfico de S. Vicente, diácono e mártir visite no Acidigital  a página SANTORAL.

Uma raridade arquitectónica num lugar idílico – Zibreiro

Fonte Chafariz do lugar do Zibreiro, observação frontal, foto de Adérito Medeiros Freitas,
in Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII, C.Mv:, 2005

A pouca distância da localidade de Possacos, subindo pela “Rua do Zibeiro”, localiza-se um espaço de extraordinária beleza natural e arquitectónica que tem encantado toda a sorte de visitantes, desde os mais comuns aos mais eruditos em diversas áreas de investigação do património natural, histórico e artístico – A Fonte Chafariz da Quinta do Zibeiro, para adoptarmos a designação mais comum. Faz parte de uma grande quinta agrícola de que é proprietária a Sra. Ana Ribeiro Terra Calçada, segundo dados publicados por Adérito Medeiros Ferreira no 2º volume da sua obra “Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII.
Passamos as transcrever o que este investigador publicou nesta sua obra acerca do local e da respectiva fonte.

Localização: Possacos

Lugar: Zibreiro

Altitude: 443 m       Longitude: 7º 16’ 41,1’’ W     Latitude: 41º 37’ 11,5’’

Ano de construção: Desconhecido
Material de construção: granito equigranular de grão fino a médio, com moscovite e biotite e leve alteração química deste último material secundário.
Características gerais: Do ponto de vista arquitectónico esta é, na minha opinião, a mais rica “Fonte Chafariz” do concelho de Valpaços. Encontra-se fazendo parte de uma grande Quinta, hoje parcialmente abandonada, num meio envolvente de rara beleza possuindo, como seu prolongamento para um e outro lado, um extenso muro em granito, também ele de óptimo aparelho, com 1,60 m de altura. Tanques de granito e plantas ornamentais de várias espécies, envolvidos por vinhedos, pomares e outros terrenos de cultura, completam este quadro maravilhoso.
A planta interna, em forma de ferradura, mede 3,70 m de comprimento e 3,10 m de largura. De um e outro lado dois bancos de granito, simétricos, acompanhando a curvatura dos limites laterais internos da fonte, com 40 cm de largura e 42 cm de altura. Cada um destes bancos é formado por duas lajes de granito, suportadas por três apoios do mesmo material litológico. Todo o espaço ocupado pela fonte se encontra lajeado.
Na zona de maior curvatura deste espaço, 79 cm acima do pavimento, encontra-se uma abertura que comunica com a nascente, possivelmente através de uma mina. Por cima desta abertura, um cachorro de granito saliente do muro limitante posterior, constitui o apoio para um tosco recipiente contendo uma planta ornamental (“begónia”). A água que sai da nascente corre por uma caleira também de granito, com 1,34 m de comprimento que possui, mais ou menos a meio, uma porção dilatada com uma cavidade com a mesma morfologia. A suportar esta caleira, com sinais evidentes de já ter sido partida em dois locais, uma elegante coluna apoiada no pavimento com 69 cm de altura. Da caleira referida, a água cai numa bonita pia de granito em forma de concha com 36 cm de profundidade e cujos dois diâmetros, perpendiculares entre si, medem 1,10 m. Esta pia é suportada por uma base cilíndrica com 20 cm de altura e 24 cm de diâmetro. Da pia, a água cai numa caleira existente no pavimento lajeado, que mede 5,85 m de comprimento, 7 cm de largura e 3 cm de profundidade e termina num tanque de lavar roupa.
O muro que limita o espaço interno, em forma de ferradura, possui 2,43 m de altura e é coroado por uma cornija, saliente 18 cm e com 18 cm de espessura. Frontalmente e como a fotografia muito bem documenta existem, de um e outro lado, a flanquear a entrada, duas bonitas e muito bem trabalhadas “pilastras”. A cobrir todo o espaço podemos ver três arcos em ferro forjado que se destinavam, informaram-me, a servir de apoio a uma ramada de videiras que, por sua vez, proporcionavam uma agradável sombra, no Verão.

Adérito Medeiros Freitas, Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água (…), CMV, 2005, vol. II, pp. 23-24




Pseudo-painel de azulejos | adaptação de Leonel Salvado com base na foto  inserida acima
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Uma raridade arquitectónica numa aldeia abandonada – Picões

Capela de Santo António em Picões, freguesia de Bouçoais, concelho de Valpaços – século XVIII in http://www.boucoaes.com | autorizada pelos editores  [Copyright © 2011 Junta de Freguesia de Bouçoães]
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Esta imagem representa o que há de mais encantador no vasto conjunto do património arquitectónico do concelho de Valpaços, longe da vista da maioria dos valpacenses e ainda resguardada da “invasão” turística, apesar do excelente trabalho de divulgação realizado pelos administradores do site da Freguesia de Bouçoais e outros “desafios” particulares como o que se pode ver no blogue do Reverendo Pe. Jorge Fernandes, são cousas da vida. Esta capela da invocação de Santo António que o Pe. Jorge Fernandes considera, e muito bem, tratar-se de “uma das jóias arquitectónicas do nosso concelho” esquecida e abandonada, localiza-se na freguesia de Bouçoais, em local afastado no núcleo central da aldeia abandonada de Picões no caminho que daqui prossegue em direcção às aldeias de Lampaça e Vilartão integradas na mesma freguesia. Em razoável estado de conservação, esta raridade da arquitectura religiosa é um monumento de construção barroca datada do século XVIII, integrada nos domínios do extinto morgadio de Vilartão e mandada edificar por um dos respectivos titulares, a cuja família pertenceu o ilustre transmontano Álvaro de Morais Soares, coronel do exército português que se notabilizou na Guerra Peninsular, juntamente com seu irmão Eusébio de Morais Soares e veio a falecer em combate nos arredores de Madrid em Agosto de 1812, deixando descendência. No que respeita à sua mais remota construção atesta-o uma destacada referência da parte do Abade de Bouçoais, António Xavier Fernandes nas Memórias Paroquiais de 1758 nos seguintes termos:

"Tem quinta de Picões uma capela de cantaria construída à moderna com a invocação de Santo António, mandada fazer pelo Sargento-mor de Cavalaria António de Sá Pereira do Lago [de Morais Soares], da Casa dos Morgados de Vilartão, o qual a deu aos moradores da dita quinta."

Em nossa opinião trata-se de um dos mais belos monumentos do concelhos de Valpaços ainda por classificar!

Pseudo-painel de azulejos  - adaptação virtual de Leonel Salvado com base na foto acima exposta.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Há 218 anos: Execução de Luís XVI na guilhotina – uma infeliz ironia da história?

Luís XVI sobe ao cadafalso – autor desconhecido,
in http://www.pliniocorreadeoliveira.info
No dia 21 de Janeiro de 1793, no contexto da Revolução Francesa, Luís XVI, rei de França era executado pela guilhotina na Praça da Revolução depois de ter sido acusado de traição pelo Comité de Segurança Pública e Tribunal Revolucionário por ter liderado um movimento de contra-revolução que obrigou os revolucionários da ala mais radical a preparar uma nova Assembleia Nacional Constituinte, dando origem a um regime de terror conhecido como a Convenção cujos instrumentos de auto-defesa do governo contra a oposição foram as referidas instituições que determinaram aquela execução. Este acontecimento, apenas mais um de muitos exemplos da acção do terror da Convenção, tem sido classificado por alguns historiadores sensacionalistas como uma das mais “incríveis” ironias da História. Numa separata da revista portuguesa “Super Interessante” (nº64 de Agosto de 2003), por exemplo, pode ler-se:


Mal Pensado

Luís XVI sugeriu dar uma forma triangular à lâmina da guilhotina, para torná-la mais eficaz. O próprio soberano teve, mais tarde, oportunidade de a testar no seu real pescoço.”
Almanaque do Incrível, p. 18

É verdade que uma das preocupações mais urgentes da Assembleia Nacional Constituinte, ainda durante a vigência da monarquia, chegou a ser a de se achar um método mais rápido e menos aflitivo de execução do grande número de condenados à pena capital. Não é verdade porém, que a solução encontrada - o engenho que passou a ser designado de Guilhotina – tenha sido uma invenção do Doutor Joseph-Ignace Guillotin. A única relação que é historicamente possível estabelecer entre este influente médico, a que o referido engenho deve impropriamente o nome, foi o de ele ter sido a primeira pessoa a chamar a atenção para a urgente necessidade de se procurar a solução mais indicada para o efeito pretendido e de ter recomedado a utilização de uma máquina que havia sido construída pelo seu amigo Antoine Louis, sendo esta a razão por que o engenho ganhou inicialmente o apelido de louisette ou louison e não de guillotine. Desconheço a existência de provas irrefutáveis de que Luís XVI tenha, na verdade, intervindo neste assunto pela forma como se diz. A comprovar-se tal alegação, poderá tratar-se efectivamente de uma das mais insólitas e infelizes ironias da História.

20 de Janeiro: São Sebastião, mártir

São Sebastião, mártir, óleo sobre madeira de Marco Palmezzano,
Museu de Belas Artes, Budapeste, Hungria, in http://pt.wikipedia.org

São Sebastião, mártir

É um dos mais antigos santos venerados na Igreja Católica e Ortodoxa e pela religião “Unbanda” que é uma religião especificamente brasileira que propõe a combinação de elementos católicos, do espiritismo e das crenças afro-brasileiras. O culto a S. Sebastião, mártir nasceu no século IV e atingiu o apogeu na Baixa Idade média, em particular nos séculos XIV e XV. Apesar de a sua popularidade ser incontestável pelo grande número de povoações portuguesas de que é padroeiro, nunca foi possível determinar com propriedade a época em que o culto a D. Sebastião se propagou e se intensificou em Portugal. Contudo, por aquilo que verificámos através de variadas fontes, parece que tal aconteceu ao redor do século XVI, ligado ao fenómeno da terrível calamidade que foi a grande mortandade devida à peste negra, para cuja erradicação contribuiu, segundo a crença, o facto de o rei D. Sebastião (cujo nome, por ter nascido a 20 de Janeiro, se deveu alegadamente à popularidade do santo) ter, segundo a “Crónica do Padre Amador Rebelo”, herdado de D. João II a relíquia do santo que foi o seu braço, que este rei recebeu por oferenda de Carlos V e o mandou depositar no Mosteiro de S. Vicente de Fora, e de, em 1573, o mesmo D. Sebastião ter obtido do papa o envio de duas das setas que tinham sido utilizadas no martírio do mesmo santo, tal era a adoração da dinastia de Avis e d’o Desejado pelo santo seu propositado homónimo. É invocado desde então como o padroeiro contra a fome, a peste e a guerra ou, mais simplesmente, contra as epidemias. Crê-se que os restos das suas relíquias ainda se guardam na igreja de S. Sebastião da Pedreira, juntamente com as de S. Lourenço. 





O culto de São Sebastião no concelho de Valpaços

Em nenhuma das freguesias do concelho de Valpaços ele é actualmente Santo padroeiro, ao contrário do que acontece em pelo menos 78 outras aldeias portuguesas mas convém referir, como nos revelou o Reverendo Padre Jorge Fernandes, que frequentemente o culto a determinado santo é influenciado por diversos factores socio-económico e políticos, tendo havido épocas de maior relevância de certas devoções ao culto de S. Sebastião no nosso concelho como o atestam as dezenas de imagens do santo pelas igrejas e capelas do nosso concelho, sinal evidente do culto que este santo ainda persiste por estas terras, como também o atesta a existência da capela de São Sebastião de Vilarandelo (classificada como imóvel de interesse público), cuja construção terminou em 1583 - como se vê na inscrição presente no campanário da mesma (escassos anos após Alcácer Quibir), o que nos permite fazer uma leitura claramente sebastianista daquela construção, bem como do orago da mesma. Em Carrazedo de Montenegro também existe a lindíssima “capela do mártir D. Sebastião”, um largo e um cruzeiro conhecido pelo mesmo nome. Na freguesia de Rio Torto (onde a sua festa se realiza na data própria de 20 de Janeiro) existe igualmente uma capela da sua invocação, o mesmo acontecendo em Ervões, no centro da aldeia, segundo indicação de Padre Jorge Fernandes. Como mais um sinal confirmativo da primeira observação deste sacerdote, que subscrevemos atrás, convém acrescentar que também existiu uma capela da invocação de S. Sebastião na vila de Valpaços, aonde, segundo Francisco Pereira de Aial, vigário de “Santa Maria de Valpaços” nas suas “Memórias Paroquiais” de 1758, acorria grande número de populares em festas e procissões, com a sua milagrosa imagem e por duas vezes o santo livrou gentes e gados de males contagiosos que haviam caído sobre eles. Foi esta capela mandada demolir pela Câmara Municipal em 1914 - haja em revista neste blogue A desaparecida capela de S. Sebastião.

Existe um excelente artigo sobre S. Sebastião, mártir, no site da freguesia de S. Sebastião da Pedreira, que recomendamos a consulta.

457.º Aniversário do nascimento de D. Sebastião

D. Sebastião, pintura a óleo de Cristóvão de Morais, 1571,
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, in http://pt.wikipedia.org

Completaram-se ontem, 20 de Janeiro de 2011, 457 anos sobre o nascimento de D. Sebastião, último rei da dinastia de Avis que ficou para a História como uma das mais controversas figuras da monarquia portuguesa. No resumo biográfico que a seguir inserimos,  transcrito de O Portal da História, estão algumas hiperligações a temas relacionados com esta personagem anteriormente publicados neste blog.

Resumo biográfico

Décimo sexto rei de Portugal, filho do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria, nasceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1554, e morreu em Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578. Sucedeu a seu avô D. João III sendo o seu nascimento esperado com ansiedade, enchendo de júbilo o povo, pois a coroa corria o perigo de vir a ser herdada por outro neto de D. João III, o príncipe D. Carlos, filho de Filipe II de Espanha.
De saúde precária, D. Sebastião mostrou desde muito cedo duas grandes paixões: a guerra e o zelo religioso. Cresceu na convicção de que Deus o criara para grandes feitos, e, educado entre dois partidos palacianos de interesses opostos - o de sua avó que pendia para a Espanha, e o do seu tio-avô o cardeal D. Henrique favorável a uma orientação nacional -, D. Sebastião, desde a sua maioridade, afastou-se abertamente dum e doutro, aderindo ao partido dos validos, homens da sua idade, temerários a exaltados, que estavam sempre prontos a seguir as suas determinações.
Nunca ouviu conselhos de ninguém, e entregue ao sonho anacrónico de sujeitar a si toda a Berbéria e trazer à sua soberania a veneranda Palestina, nunca se interessou pelo povo, nunca reuniu cortes nem visitou o País, só pensando em recrutar um exército e armá-lo, pedindo auxílio a Estados estrangeiros, contraindo empréstimos a arruinando os cofres do reino, tendo o único fito de ir a África combater os mouros.
Chefe de um numeroso exército, na sua maioria aventureiros e miseráveis, parte para a África em Junho de 1578; chega perto de Alcácer Quibir a 3 de Agosto e a 4, o exército português esfomeado e estafado pela marcha e pelo calor, e dirigido por um rei incapaz, foi completamente destroçado, figurando o próprio rei entre os mortos.

Ficha genealógica
D. Sebastião, nasceu em Lisboa, a 20 de Janeiro de1554; faleceu em Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578; sepultado em 1582 no Mosteiro dos Jerónimos. Morreu solteiro e sem descendência.

Fontes:
Joel Serrão (dir.)
Pequeno Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão
História de Portugal, Volume III: O Século de Ouro (1495-1580),
Lisboa, Verbo, 1978

in http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/sebastiao.html

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços: Vilartão - Bouçoais

Padre João Parente (trancrição)


Cruzeiro do Largo do Cruzeiro, Vilartão, freguesia de Bouçoais, Foto base: http://www.boucoaes.com Pseudo-azulejos (adaptação Leonel Salvado)

Número: 12.3. 218

Local: Vilar de Tão, freguesia de Bouçoais no Largo do Cruzeiro
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 6,70 metros
Descrição: Plataforma quadrangular de três degraus simples, estando o primeiro parcialmente soterrado; pedestal de soco e cornija, adornado nas faces, alternadamente, com um losango e um óvulo; sobre este pedestal, assenta uma base constituída por um talão inverso e um filete, onde encaixa um fuste cilíndrico, com uma divisória no primeiro terço feita de corda e os dois terços superiores estriados; o astrágalo fez-se com um filete e um toro; o colarinho é também estriado; o ábaco, à maneira da ordem jónica, compõe-se de duas volutas sobrepujadas por um plinto e uma Escócia, onde se apoia um globo que sustenta a cruz simples.
Data: Século XVIII- XIX.
Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.274.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Há 16 anos: O Poeta que neste dia deixava este mundo…

…com uma mensagem de ânimo e de esperança!



“O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.”

Miguel Torga


Imagem: http://catedral.weblog.com.pt/

Pode reler neste blogue o que publicámos por ocasião do 103.º Aniversário do nascimento de Miguel Torga

17 de Janeiro: Santo Antão, abade

Última actualização: 18 de Janeiro de 2011
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Santo Antão, abade, óleo de Francisco de Zurbaran (1598 - 1664),
Palácio Pitti, Galeria Palatina, Florença, Itália

Santo Antão do Deserto, também conhecido como Santo Antão do Egipto, Santo Antão, o Grande, Santo Antão, o Eremita, Santo Antão, o Anacoreta, ou ainda O Pai de Todos os Monges, é comummente considerado como o fundador do monaquismo cristão.
Uma vez que o seu nome latino é Antonius, em traduções displicentes de obras onde o seu nome figura para a língua portuguesa, o nome do santo tem sido vertido como António do Deserto, do Egipto, o Grande, ... (nome que, de resto, mantém nas demais línguas europeias), mas que tem suscitado confusões, pela homonímia, com o Santo António de Lisboa. Trata-se, pois, de dois santos distintos e, para melhor diferenciá-los, é preferível optar pelo nome - de resto já consagrado pela tradição vernácula -, de Santo Antão.
A sua vida foi relatada por Santo Atanásio de Alexandria, na Vita Antonii cerca de 360. Segundo este, teria nascido em 251, na Tebaida, no Alto Egipto, e falecido em 356, portanto com cento e cinco anos de idade.
Cristão fervoroso, com cerca de vinte anos tomou o Evangelho à letra e distribuiu todos os seus bens pelos pobres, partindo de seguida para viver no deserto. Aí, segundo o relato de Atanásio, e tal como sucedera com Jesus, foi tentado pelo Diabo, mas por muito mais que os quarenta dias que durou a Jesus, não hesitando os demónios em atacá-lo. Porém, Antão resistiu às tentações e não se deixou seduzir pelas tentadoras visões que se multiplicavam à sua volta.
O seu nome começou a ganhar fama, e começou a ser venerado por numerosos visitantes, sendo visitado no deserto por inúmeros peregrinos.
Em 311 viajou até à Alexandria para ajudar os cristãos perseguidos por Maximino Daia, e regressou em 355 para impugnar a doutrina ariana. Foi considerado santo em vida, capaz de realizar milagres. Levou muitos à conversão. Morreu centenário no ano de 356.
A vida de Santo Antão e as suas tentações inspiraram numerosos artistas, designadamente Hieronymus Bosch, Pieter Brueghel, Dali, Max Ernst, Matthias Grünewald, Diego Velázquez ou Gustave Flaubert.
Os religiosos que, tornando-se monges, adaptaram o modo de vida solitário de Antão, chamaram-se eremitas ou anacoretas, opondo-se aos cenobitas que escolheram viver em comunidades monásticas.
Em 1095, foi fundada uma ordem à qual foi atribuído o seu nome: os Antonianos (Canonici Regulares Sancti Antonii - CRSA).
O mais reconhecido Padre do Deserto e um dos maiores Padres da Igreja é celebrado por todas as confissões cristãs a 17 de Janeiro.
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%A3o_do_Deserto


O Culto a Santo Antão no concelho de Valpaços

Segundo o Reverendo Padre Jorge Fernandes, “Santo Antão, que hoje veneramos, é, a par com Santa Bárbara, dos santos mais populares e com maior veneração pelas nossas terras rurais. Tal deve-se ao facto de ser apresentado e invocado como protector dos animais domésticos, especialmente dos porcos. Conta-se nas narrativas da sua vida que o seu isolamento voluntário do mundo foi tal, que as únicas criaturas que lhe faziam alguma companhia em todo o tempo da sua fuga do mundo para viver apenas concentrado na contemplação do Criador, foram alguns animais domésticos (entre os quais, os porcos). Também por isso, a sua representação iconográfica surge muito frequentemente acompanhada por um destes animais.” *

Santo Antão é o Santo Padroeiro de Pardelinha, aldeia anexa à freguesia de Santa Valha da realização de cuja festa se diz assim, no respectivo site:

“Tem também uma Capela no centro da aldeia, e o seu Santo Padroeiro, é o Santo Antão. A festa em sua honra, sempre foi até ao início da década de 2000, no dia 17 de Janeiro. Porém, com a diminuição acentuada nesta última década dos seus habitantes, e ainda, e sobretudo, com a alteração do modo de vida das pessoas de hoje em dia, os “Mordomos da Festa” também se viram obrigados, a exemplo de outras pequenas localidades, a acompanhar a evolução dos tempos, alterando o dia festivo do Santo, para o dia de domingo imediatamente a seguir, dia de descanso, e de maior disponibilidade das pessoas da terra, familiares, amigos, e outros visitantes.”
In http://www.santavalha.com

Ainda segundo o Reverendo Padre Jorge Fernandes, “Além da grande devoção que se conhece em Pardelinha, freguesia de Santa Valha, Santo Antão é igualmente o padroeiro de Amoinha Nova, freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz, onde neste dia houve, decerto, sermão e missa solene, e dia santo, claro. Também noutras aldeias, muitas, ele encontra grande devoção por parte do povo, como por exemplo em Alfonge e Sadoncelho, freguesia de Ervões, existindo na Capela de Sadoncelho uma bela imagem deste Santo em lugar de destaque, como na devoção e veneração popular.” *

*Notas adicionais retiradas dos comentários diligentemente concedidas pelo Reverendo Padre Jorge a este post em 18 de Janeiro de 2011.
Para consultar a Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, no site cristão ortodoxo “ECCLESIA”, clique AQUI.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Os Cruzeiros do concelho de Valpaços: Argeriz

Padre João Parente (trancrição)
I
Cruzeiro da capela da Senhora do Pranto, foto base : Pe João Parente.
Pseudo-azulejos (adaptação de Leonel Salvado)

Número: 12.1.216

Local: Argeriz, na capela da Senhora do Pranto
Título: Cruzeiro
Material: Granito
Altura: 5, 80m
Descrição: Dentro de grande e majestoso alpendre formado com quatro arcos de volta inteira, reside um imponente cruzeiro. Consta de uma plataforma de estilo ímpar da Diocese, uma vez que é formada à maneira de mesa de altar barroco do tipo de papo-de-pomba; o conjunto da base e do fuste imita o pistilo de uma flor: a base cuboide, com pequeno soco, ligeira cornija e um entrançado dentro de oval, em cada face, parece um receptáculo floral; os gomos do fuste, um tanto bulbosos no começo e delgaçando à maneira que sobem, lembram um gigantesco estilete; o capitel e a cruz são comparáveis a um volumoso estigma. O capitel enquadra-se na ordem coríntia, com folhas de acanto, cápsula de papoila, que consiste num globo dividido ao meio, horizontalmente, por uma corda, e adornado nas duas metades com gomos; neste conjunto encaixa a cruz que, por sua vez, imita troncos e tem, do lado poente, um belo crucifixo com uma caveira aos pés e, do lado nascente, a Senhora da Piedade com o Filho sobre os joelhos.
Data: Século XVIII.
Fonte: Padre João Parente, Os cruzeiros da Diocese de Vila Real, Produção Media Line, Impres 4, sd, p.272.

16 de Janeiro: Santos Mártires de Marrocos

Transcrição adaptada da fonte

Pormenor do altar e retábulo dos Santos Mártires de Marrocos (1750-1751), Igreja S. Francisco de Assis, Porto
Estes mártires foram cinco franciscanos enviados a pregar em Marrocos por S. Francisco de Assis em 1219 dirigindo-lhes estas palavras: “ Meus Filhos o Senhor disse-me que vos mande pregar a fé e a combater a lei de mafoma. Eu vou também a outras terras trabalhar na salvação dos infiéis. Sede fiéis a cumprir a vontade do Senhor. Entre vós conservai a paz, a concórdia e a caridade. Sede humildes na tribulação e imitai a Jesus Cristo na pobreza, na castidade de obediência. Ponde as vossas esperanças em Deus, Ele vos sustentara e vos guiará. Ele velará por vós. Ide em nome do Senhor”. Lá foram os obedientes frades.
O zelo da sua fé levou-os a exagerar a sua actuação por lá. Decidiram então pregar ao próprio califa e foram recebidos pelo filho do Sultão que lhes pediu credenciais para poderem falar com o pai. Foram recebidos mas, mal abriram a boca, e depois de se terem declarado cristãos apelado ao califa que se convertesse e abandonasse a infame e falsa seita de Maomé, o Miramolim decidiu expatriá-los, mandando prendê-los, mas eles lograram escapar-se e logo voltaram a pregar por toda a parte. Um dia, cruzaram-se com o Miramolim de Marrocos e, abordando o carro em que seguia, insistiram importunamente com o líder muçulmano para se converter ao Cristianismo de imediato. O Miramolim, chefe de Estado, chefe religioso e poder judicial, não cuidou de mais tolerâncias e ali mesmo os puniu e degolou por suas próprias mãos. Os restos mortais foram enviados para Portugal pelo infante D. Pedro, filho de D. Sancho I, que lá residia na altura e lhes tinha dado guarida e apoio à chegada. Estes restos mortais foram recebidos com grandes manifestações públicas de luto e de dor. Levados em procissão, foram depois sepultados na Igreja de St.ª Cruz, em Coimbra. Este incidente trágico teve o efeito de motivar Santo António, então cónego regrante de Santo Agostinho, a fazer-se franciscano e a dedicar-se ao apostolado e à peregrinação. Chamavam-se estes mártires Berardo de Lobio, Pedro de S. Gemianiano, Otão, Adjuto e Acúrsio. São representados vestidos de frades a serem executados pelo Miramolim. […]
Fr. Cardoso, OFM.
In http://jjcardoso.blogspot.com

Para consultar uma descrição mais detalhada sobre as acções, o martírio e a canonização dos Santos Mártires de Marrocos clique AQUI.

sábado, 15 de janeiro de 2011

15 de Janeiro: Santo Amaro

Santo Amaro, abade | capela de S. Amaro, Lagoas, Valpaços
Santo Amaro, ou São Mauro, é um dos santos mais antigos consagrados pela Igreja Católica, associado à Ordem de S. Bento de Núrsia, mencionado no Martirológio Romano e na Ordem Beneditina. Foi um dos discípulos de S. Bento e o seu nome aparece em dois trechos da vida do fundador da Ordem que foram escritos por São Gregório Magno e numa biografia apócrifa escrita no século IX, referindo o seu nascimento no século V e a data da sua morte a 15 de Janeiro de 576, razão porque tanto o Martirológio Romano como a Ordem de S. Bento o comemoram a 15 de Janeiro. Existe, no entanto um outro Santo Amaro, cujas referências se encontram mais tardiamente na tradição lendária portuguesa e galega - a lenda do peregrino a Santiago, Santo Amaro, padroeiro dos ferroviários e dos galegos, que teve, ironicamente, maior aceitação no sul do país, particularmente em Lisboa, onde durante os séculos XVI e XVII milhares de galegos em busca de trabalho ou, numa outra versão, 14 frades da Ordem de Cristo, ali iniciaram o culto ao santo peregrino, como santo protector dos enfermos de braços e pernas numa associação lógica às consequências físicas do esforço físico que então se impunha aos peregrinos. Trata-se de uma lenda curiosa que talvez possa estar associada  a Santo Amaro, abade, que é venerado desde tempos mais remotos em Portugal e nas regiões de colonização portuguesa para onde o seu culto de propagou, de um modo particularmente evidente no Brasil, onde os topónimos a ele associados ascendem a quase uma dezena. Santo Amaro é invocado pelos povos contra várias doenças, em especial contra enxaquecas, artroses e artrites e constipações.
Imagens: http://dicasdocatimba.blogspot.com
http://www.igogo.pt (adaptadas)

O culto a Santo Amaro no concelho de Valpaços

Santo Amaro é também venerado em várias aldeias do concelho de Valpaços, havendo referências a capelas da sua invocação nas freguesia Bouçoais (orago: N.ª Sra. Da Ribeira) e Água Revés e Crasto (orago: S. Bartolomeu), na povoação anexa de Crasto. É o Santo Padroeiro em Lagoas, localidade da freguesia de Valpaços, onde se celebra a sua festa, precisamente a 15 de Janeiro. Convém referir que a capela da invocação de Santo Amaro localizada no Largo do Terreiro na localidade de Lagoas se trata um admirável exemplar da arquitectura maneirista e revivalista. Também em Monte das Arcas, localidade da freguesia de Tinhela (orago: N.ª Sra. Da Assunção), existe uma capela da invocação de Santo Amaro, sendo este celebrado com missa cantada e sermão no seu dia. Segundo o Reverendo Padre Jorge Fernandes, encontra-se uma bela imagem de Santo Amaro na capela de Zebras, freguesia de Vales.
Para mais pormenores biográficos sobre Santo Amaro clique Aqui e/ou Aqui.

579.º Aniversário do nascimento de D. Afonso V

Por Leonel Salvado
D. Afonso V, rei de Portugal
D. Afonso V de Portugal, (Sintra, 15 de Janeiro de 1432 - Sintra, 28 de Agosto de 1481), foi o décimo-segundo Rei de Portugal, cognominado o Africano pelas conquistas no Norte de África. Filho do rei Duarte I, sucedeu-o em 1438 com apenas seis anos. Por ordem paterna a regência foi atribuída a sua mãe, Leonor de Aragão mas passaria para o seu tio D. Pedro, Duque de Coimbra, que procurou concentrar o poder no rei em detrimento da aristocracia e concluiu uma revisão na legislação conhecida como Ordenações Afonsinas. Em 1448 D. Afonso V assumiu o governo, anulando os editais aprovados durante a regência. Com o apoio do tio homónimo Afonso I, Duque de Bragança declarou D. Pedro inimigo do reino, derrotando-o na batalha de Alfarrobeira. Concentrou-se então na expansão no norte de África, onde conquistou Alcácer Ceguer, Anafé, Arzila, Tânger e Larache. Concedeu o monopólio do comércio na Guiné a Fernão Gomes, com a condição de este explorar a costa, o que o levaria em 1471 a Elmina, onde descobriu um florescente comércio de ouro cujos lucros auxiliaram o rei na conquista. Em 1475, na sequência de uma crise dinástica, D. Afonso V casou com a sobrinha Joana de Trastâmara assumindo pretensões ao trono de Castela, que invadiu. Após fracassar na batalha de Toro, com sintomas de depressão, D. Afonso abdicou para o filho, D. João II de Portugal, falecendo em 1481.
Origem: Wikipedia, a enciclopédia livre – transcrição integral

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A acção de D. Afonso V em “terras de Valpaços”
Diga-se por curiosidade, a respeito da acção deste monarca por terras de Monforte de Rio Livre e de Chaves que hoje integram os concelhos desta cidade e o de Valpaços, que foi o próprio D. Afonso V quem instituiu o título dos condes de Atouguia, por decreto de 17 Dezembro de 1448, destinado a D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, que viveu entre cerca de 1390 e 1452 e em reconhecimento dos serviços militares que este triunfalmente prestou àquele monarca, de quem aliás foi aio, e ao duque de Bragança, contra D. Pedro o Regente, na dramática batalha de Alfarrobeira, passando assim a ser, Álvaro Gonçalves de Ataíde, o primeiro conde de Atouguia, e nomeado ainda alcaide de Atougia e mais tarde de Coimbra. Ora, este primeiro conde de Atouguia foi filho de Martim Gonçalves de Ataíde, alcaide-mor de Chaves e de Dona Mécia Vasques Coutinho, aia dos infantes da “ínclita geração”, mas, ao contrário do se possa pensar, o primeiro conde de Atouguia, não sucedeu ao pai na guarda da praça de Chaves, antes se vira nomeado, entretanto, alcaide de Vinhais e de Monforte do Rio Livre. Julgo ter começado por essa época a esboçar-se o senhorio dos Ataídes nas terras do termo de Monforte e de algumas das que actualmente integram o concelho de Chaves. Surgem, por exemplo, referências aos condes de Atouguia desde 1527 (Cadastro da População do Reino) atribuindo-lhes os senhorios de terras do actual concelho de Valpaços, como acontece com D. Afonso de Ataíde (apontado como o 3.º conde de Atouguia), em relação ao lugar de Fornos do Pinhal, sucendendo o mesmo em registos dos primórdios do século XVIII, nos quais se diz que foram senhores das terras das antigas abadias de Bouçoais, Santa Valha e Sonim e lugares adscritos destas duas, como Fornos do Pinhal e Barreiros, respectivamente, e comendadores na Ordem de Cristo de S. João de Castanheira, também conhecida como “Cima de Villa” (integrando lugares como Lebução, Ferreiros, Parada e Ribeira, Sanfins, Aveleda e Vales, Pedome e Moreiras), e de Oucidres (abrangendo os lugares de Alvarelhos, Lama de Ouriço, Monte de Arcas e Tinhela), do que ainda se faziam eco os documentos dos meados da mesma centúria, comummente designados de "Memórias Paroquiais".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

352.º Aniversário da Batalha das Linhas de Elvas

Batalha das Linhas de Elvas, 14 de Janeiro de 1659 (pormenor), Pintura do século XVII

Foi travada esta batalha em Elvas, a 14 de Janeiro de 1659, entre numerosas forças do Reino de Espanha (dos Habsburgos), comandadas por D. Luís de Haro e as forças do Reino de Portugal (da Casa de Bragança), em número muito menor, comandadas pelo conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses que viria, na sequência da esmagadora vitória portuguesa no confronto, a receber o título de marquês de Marialva (o terceiro). Muitos historiadores consideram-na com uma das mais importantes batalhas da Restauração, se não mesmo a mais importante dentre as demais, pelas consequências morais e materiais que a vitória nela conseguida produziu: Terá contribuído não só para apagar a lembrança do malogrado cerco de Badajoz no ano anterior mas também para incitar os ânimos nas hostes portuguesas, invertendo progressivamente o pendor da iniciativa atacante que nas batalhas seguintes, (particularmente na do Ameixial, em 1663, e na de Montes Claros, em 1665), passou do exército de Filipe IV para o de D. João IV, à excepção talvez da batalha de Castelo Rodrigo, não obstante a extraordinária vitória final aí obtida pelo Governador das Armas da Beira, Pedro Jacques de Magalhães. Além de ser efusivamente celebrada em Elvas, onde 14 de Janeiro é feriado municipal, esta data da vitória portuguesa na Batalha das Linhas de Elvas deve ser também entendida como uma data comemorativa nacional de particular relevância.

Imagem: http://guerradarestauracao.wordpress.com

Encontra-se publicada na Wikipédia uma interessante síntese histórica sobre o Cerco e a Batalha das Linhas de Elvas. Para aceder a ela clique sobre o respectivo logótipo.

Batalha das Linhas de Elvas
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APELO

Apelamos a todos quantos estiverem em condições de ajudar o Igor que o façam sem hesitação.


30 de Janeiro

No dia 30 de Janeiro, Domingo, desloque-se aos Bombeiros Voluntários Flavienses para ajudar o pequeno Igor Silva, de 7 anos, que sofre da doença – “Síndrome Mielodisplásico” – precisando de um transplante de Medula Óssea.


O pequeno Igor precisa da sua ajuda e no dia 30 de Janeiro efectua-se uma recolha de amostras de sangue para a dádida de Medula Óssea. Podem ser dadores todas as pessoas entre os 18 e os 45 anos, e que tenham um peso superior a 50kg.

504.º Aniversário do nascimento de D. Catarina de Áustria, rainha de Portugal

Retrato de D. Catarina de Áustria, Anthonis Mor (1519-1575), Museu do Prado

D. Catarina de Áustria, também conhecida por Catarina de Habsburgo ou Catarina de Espanha nasceu 14 de Janeiro de 1507 na vila de Torquemada e faleceu em Lisboa, a 12 de Fevereiro de 1578. Não há um absoluto consenso entre os seus biógrafos quanto ao dia que indicámos para a data completa do seu nascimento, havendo referências a 13 de Janeiro e até a 24 de Fevereiro. Foi filha póstuma de Filipe, o Belo, arquiduque de Áustria e Duque de Borgonha e de Joana, a Louca. Após a morte de seu pai, em 1506, seguiu a mãe, dada como louca e encarcerada em Tordesilhas, sendo daí libertada por seu irmão, Carlos V. Em 5 de Fevereiro de 1525 casou com o rei D. João III, tornando-se na 19.ª Rainha de Portugal, a 9.ª e última da dinastia de Avis. Com a morte de D. João III, em 1557, foi assumiu a regência durante a menoridade de seu neto, D. Sebastião, até 1562. Além de rainha de Portugal (da casa dos Habsburgos) usou dos títulos de arquiduquesa da Áustria, princesa de Espanha e rainha de Portugal. Teve nove filhos, dos quais o príncipe herdeiro de Portugal D. João Manuel, de cujo casamento com a princesa Joana de Áustria nasceu D. Sebastião a 20 de Janeiro de Janeiro de 1554, dezoito dias após a morte do pai que sofria desde a infância de diabetes tipo I, uma doença auto-imune muito comum na realeza. Foram sempre tensas as relações entre D Catarina de Áustria e o neto, D. Sebastião, sendo a Regente, levada pelo desgosto, a renunciar à regência e a recolher-se ao convento de Xabregas onde veio a falecer aos 71 anos de idade. Cerca de 6 meses depois confirmaram-se os piores receios de D. Catarina de Áustria: o tresloucado sonho marroquino de D. Sebastião e a constante relutância em assegurar a continuidade dinástica ditou o fim da grandiosa dinastia de Avis, mergulhando o país numa onde de dor e indignação e sujeitando-o, durante 60 anos à soberania castelhana.

Imagem: http://pt.wikipedia.org