sábado, 31 de março de 2012

302.º Aniversário de D. Mariana Vitória, rainha de Portugal

D. Mariana Vitória de Bourbon, rainha de Portugal,
retrato de Miguel António de Amaral (1710-1780)
 Museu Hermitage | Wikimedia Commons

Mariana Vitória de Bourbon nasceu em Madrid no dia 31 de Março de 1710, filha do rei de Espanha, Filipe V e de sua esposa D. Isabel de Parma. Prometida aos quatro anos em casamento ao futuro Luís XV de França, seu pai, desejoso de estabelecer uma aliança com a coroa portuguesa decidiu, em 1725, destiná-la a casar-se com herdeiro desta, o príncipe D. José, projecto que foi bem acolhido pelo rei de Portugal, D. João V que em 1727 enviou a Madrid o marquês de Abrantes, embaixador extraordinário, onde este obteve solenemente a mão da infanta, celebrando-se as cerimónias ante-nucpciais em 19 de Fevereiro de 1729.
Com a morte d’O Magnânimo em 1750, D. José subiu ao trono com sua esposa D. Mariana Vitória que assim se tornava na 32.ª Rainha de Portugal (5.ª da dinastia de Bragança), se exceptuarmos desta relação D. Ana Barbosa, esposa de D. António Prior do Crato cuja legitimidade como rei de Portugal é controversa. Em 1776 é D. Mariana Vitória nomeada Regente pelo marido, entretanto abalado por problemas de saúde e progressiva debilidade física que o levariam à morte no ano seguinte, sucendendo a D. José no trono de Portugal a sua filha herdeira D. Maria I, retirando-se sua mãe entretanto para Espanha e regressando a Lisboa onde feleceu em 15 de Janeiro de 1781. Jaz na Igreja de S. Francisco de Paula.
Das principais virtudes desta rainha de Portugal originária da Casa de Bourbon, destaca-se o seu espírito de temperança manifestado desde cedo e ainda em vida de D. João V, havendo na sua correspondência com seus familiares espanhóis referências reprobatórias dos gastos indevidos e excessivos do sogro. Além disso foi uma rainha menos timorata do que conciliadora empenhada em assegurar as melhores relações entre os dois Estados Ibéricos, sendo sob sua influente diligência que o 2º Tratado de El Pardo, em 1778, celebrado entre D. Maria I e Carlos III de Espanha, chegou a bom termo, estabelecendo-se o necessário consenso quanto à questão dos limites entre as duas soberanias no território da América e estipulando-se o casamento entre do infante D. João, de Portugal, com a infanta D. Carlota Joaquina, das Astúrias, e o da infanta D. Mariana Vitória Josefa com o infante D. Gabriel, irmão do príncipe das Astúrias. Julga-se que terá contribuído para atenuar algumas manifestações fanáticas alimentadas pela filha, D. Maria I, decorrentes do profundo espírito religioso desta e do traumático efeito que sobre ela exercera o atentando contra a vida de seu pai.

sexta-feira, 30 de março de 2012

520.º Aniversário da expulsão dos judeus de Castela e o reforço das comunidades criptojudaicas em Trás-os-Montes

Por Leonel Salvado

Expulsão dos judeus de Espanha em 1492,
xilogravura, posteriormente colorida, de Michaly Von Zichy, 1880, AKG Imagens/Latins Tock
 http://www2.uol.com.br/historiaviva

Celebram-se amanhã os 520 anos do acontecimento a que me reportarei em primeiro lugar. Por provisão assinada em Alhambra, a 31 de Março de 1492 os reis católicos, Isabel e Fernando, determinaram a expulsão dos judeus do reino de Castela. A determinação, conhecida como o “decreto de Alhambra” estabeleceu na realidade, segundo Joaquim Veríssimo Serrão (Historia de Portugal, Verbo, Vol. II pp.261-262), que nessa data “os judeus que não quisesses converter-se teriam de sair daquele reino até o fim de Julho, levando os seus bens com excepção de ouro, pratas e moedas. Supõe o mesmo historiador que apartir de então “cerca de 30 000 famílias, num total aproximado de 150 00 pessoas deixaram a Espanha, vindo a maior parte, ao redor de 90 000 para o reino vizinho. Mais informa veríssimo Serrão que D. João II lhes abrira cinco postos de entrada dentre os quais Bragança com a obrigação de os fugitivos pagarem uma taxa de 8 cruzados, taxa reduzida à metade para as crianças e os oficiais mecânicos, caso contrário sujeitar-se-iam a ficar cativos. Mais estabeleceu o monarca português um prazo de oito meses para abandonarem o reino, a menos que pagassem uma contribuição elevada, o que aconteceu com as famílias mais abastadas. Diz-nos também Joaquim Veríssimo Serrão que a maior parte dos judeus de Castela-a-Velha se estabeleceu em Trás-os-Montes, deixando marcas nos seus apelidos da sua origem geográfica, tais como Leão, Burgos, Ledesma, Soria e Valhadolid. Convém que se diga que a presença do povo mosaico em Trás-os-Montes remonta a épocas anteriores, pois como sublinha o historiador que temos seguido até aqui, na segunda metade do século XV - cremos que se refere a um qualquer momento anterior ao “decreto de Alhambra” – assinalam-se comunas de judeus em Miranda do Douro, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor, entre outras. E o mesmo já se passava segundo a mesma fonte no século XIV em Bragança e Mogadouro – para nos cingirmos apenas a Trás-os-Montes (Id. Vol I, p 340).
Resulta do exposto, o que aliás é corroborado em outras fontes, que devemos considerar no tecido social de ascendência judaica em Trás-os-Montes comunidades de dupla composição: uma autóctene e outra castelhana. É essa a realidade que vem sendo confirmada cientificamente por um estudo recente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, coordenado por António Amorim, que abordaremos mais adiante.
Aos judeus autóctenes de Trás-os-Montes, maioritariamente estabelecidos no actual distrito de Bragança, juntaram-se outros judeus provenientes de Castela que pela suas características somáticas dificilmente se distinguiam, pois eram ambas as comunidades descendentes dos “Sefarditas” (do ramo semita), cripto-judeus ibéricos designados por “anussim”, designação que deriva de “B’nei anussim” ou “Ben anus” com os significados de” filhos forçados” ou “filho forçado” ou, ainda mais comumente designados por “judeus marranos”.

Uma das localidades que tem servido de paradigma para a questão da ascendência dos “anussim” é Vilarinho dos Galegos, uma freguesia do concelho de Mogadouro a que tem atribuído uma certa exclusividade nesse âmbito. Contudo, Carlos Baptista publicou um artigo na página da “Comunidade Masorti” de Lisboa que, sem negar a relação daquela comunidade com a cultura judaica, integra-a num conjunto de outras localidades igualmente relacionadas com as antigas comunidades ”anussim”, a grande maioria delas pertencentes ao distrito de Bragança. Trata-se de um artigo de grande interesse sobre esta temática que entendemos transcrever.


«Vilarinho dos Galegos, uma exclusividade no panorama transmontano?

Não, de facto não o é, e não será de modo nenhum uma situação única no que respeita à presença dos “anussim” a nível regional.
Trás-os-Montes até pela sua localização geográfica, sempre foi uma espécie de “abrigo seguro” para as suas gentes, e uma barreira difícil de transpor até para os próprios emissários do Santo Ofício.
Por lá se instalaram comunidades judaicas, mesmo antes do nascimento de Portugal como nação, e nos finais do século XV, houve uma enorme vinda de judeus de Espanha para toda aquela região fronteiriça.
Chacim, Carção, Vimioso, Orjais, Chaves, Bragança, Mogadouro, Rebordelo, Valpaços e Mirandela, entre outras localidades, e neste caso Vilarinho dos Galegos, são alguns bons exemplos de povoações transmontanas, onde é bem visível ainda a presença judaica em algumas casas, na gastronomia, e nas suas orações religiosas. Se Vilarinho dos Galegos, integrada no concelho de Mogadouro, poderá não ser uma exclusividade histórica, pelo menos é sem dúvida um dos marcos da perseverança e da tenacidade dos “anussim” em Portugal. Possuidores de tradições e de ritos mais ou menos secretos, eles continuam a perpetuar um pouco a alma e a herança do povo de Israel em terras de “Sefarad”.
Vilarinho conta hoje com um número de habitantes que não chegará às três centenas, e actualmente por toda aquela região, ainda são conhecidos por “judeus”.
Numa nota final, e para quem aprecia e dá valor à memória de uma população que persiste em salvaguardar a sua cultura, os “Novos Contos da Montanha”, do escritor Miguel Torga, são de facto uma leitura obrigatória para se conhecer este interessante fenómeno, que são os “anussim” de Trás-os-Montes.»

Carlos Baptista, “Comunidade Judaica Masorti de Lisboa”
In http://www.beitisrael.org

Muito interessante também e, aliás em conformidade com a informação que se retira do artigo anterior é estoutro artigo sobre um amplo estudo científico “destinado a traçar a demografia histórica das comunidades criptojudaicas e da diáspora sefardita” e que no que toca à “caracterização da composição genética da comunidade de judeus do Distrito de Bragança” já chegou a surpreendentes resultados. Vale a pena ler e aguardar pelos novos desenvolvimentos deste trabalho.

«Judeus de Trás-os-Montes mantêm perfil genético

Um estudo recente, coordenado por António Amorim, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), vem demonstrar que a comunidade de descendente de judeus, em Trás-os-Montes, conseguiu manter uma identidade cultural que se correlaciona com a persistência de um perfil genético distinto.
É a primeira vez que a composição genética dos judeus portugueses do Norte é analisada e a conclusão aponta para um baixo nível de contaminação por mistura de sangue e para a preservação de genes judaicos.
Pode falar-se de uma comunidade transmontana de proveniência judaica com dupla composição: uma autóctone e outra castelhana, robustecida pela expulsão dos judeus de Castela, em 1492, e pela fuga à Inquisição do reino vizinho. Após os decretos de expulsão/conversão forçada (por D. Manuel I, em 1496) e após três séculos de Inquisição, este estudo pretende traçar a demografia histórica das comunidades criptojudaicas e da diáspora sefardita.
Ainda não está concluído, mas já foram lançados alguns resultados preliminares que se relacionam com a zona de Trás-os-Montes: está feita a caracterização da composição genética da comunidade de judeus do Distrito de Bragança.
Para a elaboração deste estudo foram analisados 57 indivíduos (das aldeias de Carção e Vilarinho dos Galegos; vila de Argoselo; Cidades de Bragança e Mogadouro) que se assumiam como possuindo ancestralidade `judaica`.
De acordo com o coordenador do estudo, António Amorim, foram detectadas em comunidades do distrito de Bragança “linhagens típicas do Próximo Oriente dez vezes mais frequentes do que no resto do país que se identificam como sendo de origem judaica”. Pode dizer-se, continua António Amorim, “que houve manutenção de uma identidade cultural que se correlaciona com a persistência de um perfil genético distinto, mas que não corresponde a um isolamento total”. Quanto à interpretação destes dados, o investigador prefere “esperar pelos resultados das linhagens femininas para (re)analisar essas questões”, sendo que, de qualquer modo, "o nível histórico e sociológico dessa análise será feito por especialistas nessas áreas”. O estudo emergiu de uma análise do cromossoma Y (masculino), passado exclusivamente de pai para filho, e denunciou uma diversidade muito elevada de linhagem, com uma incorporação de genes não-judaicos relativamente pequena e a ausência de um acentuado desvio genético. Falta agora tentar perceber como é que estas comunidades evitaram a mistura de genes, previsível durante séculos de repressão religiosa.
Este estudo tem, no entanto, uma amplitude mais vasta. Abraça o crescente interesse, em várias áreas científicas, pela reconstituição de migrações, nomeadamente das populações judaicas que constituem um paradigma de comunidades em migração constante. O projecto focou um subconjunto bem limitado desses movimentos: o das comunidades judaicas da Ibéria depois do século XVI, quando esta minoria demograficamente importante foi forçada a escolher entre a conversão e o exílio. Pretende utilizar marcadores genéticos de populações actuais para inferir a demografia histórica das comunidades que permaneceram na Ibéria e daquelas que migraram para a Europa do Norte e para o Novo Mundo.»

in http://www.fc.up.pt

Para quem se interessa por esta temática - Os judeus em Trás-os-Montes - sugerimos que visite regularmente o blogue com este título, AQUI.

90.º Aniversário da partida de Sacadura Cabral e Gago Coutinho para a primeira travessia aérea do Atlântico Sul

Partida do Lusitânia com Sacadura Cabral e Gago Coutinho, Lisboa, 1922
http://pt.wikipedia.org | http://www.fotolog.com.br

Já nos reportámos a esta efeméride na nossa publicação no dia 17 de Junho de 2010, intitulado “A primeira travessia aérea do Atlântico-Sul, que é uma abordagem geral a este glorioso feito de Sacadura Cabral e Gago Coutinho na História da Aeronáutica Mundial e que contém ainda as resenhas biográficas de cada um destes protagonistas.
Para ver ou rever este assunto clique

quinta-feira, 29 de março de 2012

763.º Aniversário da conquista de Faro por D. Afonso III

A “conquista” da cidade de Faro aos muçulmanos por D. Afonso III, no dia 29 de Março de 1249, representa para muitos historiadores a conquista definitiva do Algarve e por conseguinte, o culminar da Reconquista Cristã em território português. Convém no entanto observar que este sucesso sobre os Mouros não garantiu de imediato a posse definitiva do Algarve para a coroa portuguesa pois tal só viria a revelar-se como uma viável realidade pelo Tratado de Badajoz, quase 18 anos depois e como uma realidade consumada pelo Tratado de Alcanices, no reinando de D. Dinis, com o estabelecimento “definitivo” das fronteiras portuguesas. A conquista de Faro não deixa de ser, contudo, um evento decisivo para o processo de consolidação da Nacionalidade que cumpre comemorar.


(2011)

203.º Aniversário do desastre da Ponte das Barcas

Tendo em conta esta memorável data, entendemos actualizar, com a imagem das “Alminhas da Ponte”, no Porto que lembra a tragédia de 29 de Março de 1809, as memórias das vítimas deste triste evento da História da Cidade Invicta, que já havíamos tratado em 2011. (clique na imagem para aumentar)

Para aceder ao que publicámos por ocasião do 202.º Aniversário deste trágico acontecimento
 de relevância histórica nacional clique 

quarta-feira, 28 de março de 2012

151.º Aniversário da elevação de Valpaços à categoria de Vila


Ontem foi dia de celebrar uma das mais importantes datas comemorativas da história da localidade e Município de Valpaços. Em 27 de Março de 1861 era referendado pelo Marquês de Loulé o acto de elevação a Vila da aldeia de Valpaços, já então cabeça de concelho, acto esse que viria a ser confirmado por Carta de mercê de D. Pedro V a 4 de Abril seguinte.

Para rever tudo o que conseguimos apurar sobre os factos e as circunstâncias que rodearam este efeméride de decisiva importância para o engrandecimento do Concelho, bem como os protagonistas que nelas intervieram, publicados aqui por ocasião dos seus 150 anos, clique sobre a imagem. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Solares do concelho de Valpaços – Solar dos Barros, Xavieres e Pimentéis e Morais Pinto

Por Leonel Salvado

(clique na imagem para aumentar)

Nota prévia: A respeito dos solares de Possacos, tirando o dos “Machados”, tem existido ao longo dos tempos a uma enorme confusão na sua relação com as famílias mais conhecidas da aristocracia local pelos séculos XVIII e XIX às quais elas pertenceram, nomeadamente os Morais, os Pinto, os Xavier e Pimentel e nas correspondências destas com as representações heráldicas que esses solares ostentam, o que é perfeitamente natural. Na verdade, a identificação dos solares, aqui como em qualquer outra parte foi variando no tempo e dependeu sempre do ponto de vista das pessoas. Como se compreenderá, a prevalência do determinativo original procedente de uma interpretação heráldica não tem necessariamente de corresponder, nem corresponde na maioria dos casos, à designação comum que é sujeita a alterações sempre em função dos nomes dominantes de família dos sucessivos proprietários, tal como tem sucedido em Possacos, tanto no percurso final da monarquia constitucional, como daí até à actualidade. Digo nomes dominantes porque também, por exemplo, não me parece que alguma vez tenham sido invocados pela população local os nomes das famílias Cardoso, Barros e Alão, cujas divisas também se encontram nas pedras de armas dos três solares conhecidos na localidade de Possacos. Os nomes que sobressaem ainda hoje para a identificação dos solares desta localidade são Morais-Pinto/António Terra, Xavier-Pimentel e Machado.

O Solar representado na foto é actualmente conhecido como o “Solar dos Morais Pinto” e situa-se no lado oposto da mesma artéria da localidade de Possacos onde se encontra um outro Solar que tratámos na primeira edição desta categoria temática e a que hoje se costuma chamar o “Solar de António Terra”, o qual, como procurámos esclarecer - na esteira da interpretação do Padre João Vaz de Amorim – pertenceu em tempos passados à família Morais Pinto e julgo que certamente também às famílias dos Xavieres e Pimentéis, a que a primeira parece ter-se ligado, já que na respectiva pedra de armas se vê a divisa dos Pimentéis e na década de 40 do século passado ainda era designada pelos moradores de Possacos como a “Casa dos Xavieres”, segundo testemunha o mesmo autor com o pseudónimo de “João da Ribeira” na obra “Por Montes e Vales… Terras de Monforte e Terras de Montenegro.
Posto que por essa mesma época, o Solar hoje comummente designado como dos Morais Pinto (na foto) ainda pertencia aos “legítimos representantes” da família Pimentel, como “João da Ribeira” teve o cuidado de anotar, esclarecendo porém que os “Pimentéis de Possacos são parentes próximos dos Morgados de Rio Torto e dos Carvalhais de Veiga de Lila e Argeriz, cujo primitivo solar avoengo foi em Padrela”, parece-me mais acertado atribuir a sua primitiva posse, ainda pelo século XVIII, não a esta família mas a uma outra de que não há memória na povoação, mas que é atestada pela pedra de armas que o mesmo solar ainda ostenta – a família Barros. Efectivamente, a pedra de armas do Solar dito dos Morais Pinto, que foi também o “solar dos Xavieres e Pimentéis”, é datável do século XVIII e exibe as armas plenas dos Barros, como muito bem observou o Padre João Vaz de Amorim e se confirma na simbologia heráldica que ela contém – Armas: três bandas acompanhadas de nove estrelas postas 1, 3, 3, 2. Timbre: uma aspa carregada de 5 estrelas do escudo. Não obstante a linhagem dos Morais Pinto ter-se esgotado com Luís Augusto de Morais Pinto, segundo “João da Ribeira”, a verdade é que o Solar de que falamos encontra-se actualmente na posse dos descendentes desta família, sendo esta a única razão por que o nome de Morais Pinto lhe tem servido de determinativo.

Para aceder a outros solares [local/regional] tratados neste blogue, clique

domingo, 25 de março de 2012

Hoje celebra-se o Dia da Anunciação do Senhor

Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço. Para rever a mensagem que editámos em 2011desta data de celebração clique na imagem.

sexta-feira, 23 de março de 2012

145.º Aniversário do nascimento de Norton de Matos

Nascido em Ponte de Lima, em 1867 e falecido na mesma Vila em 1955, O General Norton de Matos foi, além de conceituado militar, uma personalidade destacada na Administração Ultramarina, na Diplomacia e na Política, fazendo-se notar enquanto um dos mais activos opositores da ditadura salazarista. Para rever o que a seu respeito publicámos por ocasião dos 144 anos do seu nascimento clique na imagem.

O anúncio aviculário da Primavera e as Tosquias

Por Leonel Salvado
Clique na imagem para aumentar

«Quando surge o Milhafre, nova estação se aproxima!
É o tempo da tosquia, quando chega a Primavera, e as andorinhas aconselham a troca das roupas quentes por vestes mais estivais
Aristófanes, “As Aves”, 414 a. C.

Dois milénios depois, ainda é assim em muitas regiões portuguesas, como é caso de Figueira de Castelo Rodrigo, em Riba-Côa, e em outros locais do Norte onde quer que, de Março a Agosto, se costume vislumbrar o voo de milhafres e haja ovinos para tosquiar, como acontece em Trás-os-Montes (particularmente em Miranda do Douro) e em algumas partes do estuário do Minho. Por toda a parte as andorinhas confirmam a chegada da Primavera e convidam à celebração deste ciclo de vida renascida.

quinta-feira, 22 de março de 2012

52.º Aniversário do nascimento de Ayrton Senna

Perfizeram ontem, 21 de Março de 2012, os 52 anos do nascimento de Ayrton Senna da Silva, um dos maiores nomes da história do desporto automóvel mundial que faleceu tragicamente em 1995 num inexplicável acidente em Itália. Para rever algumas notas sobre esta data comemorativa, tal como foram aqui editadas em 2011, clique sobre a imagem.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Documentos de Einstein vão estar disponíveis na Internet

Por Reuters – 19.03.2012

Documentos de EinsteinDocumentos do físicoReuters/Ronen Zvulun

Os documentos escritos por Albert Einstein vão estar disponíveis num site produzido pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Não são só os documentos científicos que qualquer um vai poder ler: entre os 80.000 documentos disponibilizados pela universidade, estarão cartas de amor e manuscritos que mostram os esforços políticos encetados pelo Nobel.

Passados 57 anos da morte de Einstein, a universidade que o Nobel ajudou a fundar disponibilizou nesta segunda-feira parte dos seus documentos na Internet. A instituição está decidida a publicar digitalmente todo o arquivo do cientista no site Einstein Archives Online
Entre os documentos que mais provavelmente irão atrair a atenção do público está um manuscrito muito raro em que o autor escreveu a fórmula da teoria da relatividade: E=mc2 (Energia é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz no vácuo).
Mas há material para todos os gostos. Existem 24 cartas de amor dirigidas à sua segunda mulher, mas que foram enviadas quando Einstein ainda estava casado com a sua primeira mulher. 
Em relação ao homem político, existe neste arquivo uma proposta feita pelo físico em 1930 para uma “reunião secreta” entre judeus e árabes para trazerem a paz ao Médio Oriente. 
Neste momento, só está publicada uma parte dos documentos escritos antes de 1923, quando Einstein tinha 44 anos. À medida que as folhas de papel vão sendo digitalizadas, a maioria escritas na língua materna de Einstein, o alemão, a universidade irá publicar traduções em inglês e notas sobre os documentos, disse Hanoch Gutfreund, do grupo responsável pelos arquivos. 
“Isto não vai servir só para satisfazer a curiosidade dos curiosos”, disse o responsável. “Também vai ser uma ferramenta muito importante de educação e de investigação para os académicos.”
Alguns dos objectos eram tão pessoais que os especialistas pesaram cuidadosamente se os publicavam ou não. Entre estes estão 24 cartas de amor que o cientista escreveu à prima, Elsa Einstein, com quem manteve uma relação extraconjugal durante muitos anos antes de finalmente divorciar-se da sua mulher, Mileva Maric, e voltar a casar em 1919: “Se deixarem passar suficiente tempo”, concluiu Gutfreund, os documentos “tornam-se kosher”, disse, referindo-se aos alimentos que são aprovados pela lei judaica.
Outro manuscrito, que ainda não foi incluído no site, mas que está agora exposto na universidade, é uma carta, de 1930, que Einstein escreveu em alemão para o jornal árabe Falastin em que propõe um “conselho secreto” para ajudar a acabar com o conflito entre árabes e judeus na então Palestina administrada pelos britânicos.
Einstein idealizava um comité de oito judeus e árabes – um médico, um jurista, um representante do comércio e um religioso de cada religião – que se reuniriam semanalmente: “Apesar deste “Conselho Secreto” não ter nenhuma autoridade, vai no entanto acabar por levar a uma situação em que as diferenças serão gradualmente eliminadas”, escreveu Einstein. Isto “irá sobrepor-se às políticas do dia”. 
O cientista, que fugiu da Alemanha nazi viajando para os Estados Unidos, apoiou durante muito tempo a comunidade judaica na Palestina. Mas teve sentimentos contraditórios em relação ao estado de Israel que emergiu em 1948.

PÚBLICO | http://www.publico.pt/ 

Das memórias do Rabaçal à actualidade.

Por Leonel Salvado.

O Rio Rabaçal em Bouçoais

HISTÓRICA LEGISLAÇÃO FUNDAMENTA PROIBIÇÃO DE PESCA NO RIO RABAÇAL
Há dias, mais exactamente no dia 9 de Março do presente ano de 1912, publicámos aqui e na página do Facebook vinculada ao presente blogue um artigo invocando algumas memórias do Rio Rabaçal que, em boa hora, constatámos terem caído nas boas graças de um grande número dos amigos do “Clube de História Valpaços”, alguns dos quais recordam com imensa saudade esta preciosa referência do seu Património Natural. Ora, quatro dias depois desta publicação o Vice- Presidente da Autoridade Florestal Nacional, do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, João Soveral, determinou a criação de uma zona de protecção no troço do mesmo rio, a jusante da sua confluência com o Mente até ao Pontão e São Jomil e, a montante, nos termos de várias freguesias dentre os quais no de Bouçoais, concelho de Valpaços, assinando o AVISO que torna publica a proibição, também aí, do exercício da pesca. Razão? «Na sequência do evento de mortalidade piscícola ocorrido na Albufeira de Rebordelo, no rio Rabaçal, concelho de Vinhais». Convém que se diga que só agora de torna público este aviso e que ele se fundamenta no art.º 43 do Decreto N.º 44623 do longínquo ano de 10 de Outubro de 1962.
Já em 1758, isto é há cerca de dois séculos e meio, o abade de Bouçoais, António Xavier Fernandes, informava, assim, dos parcos recursos piscatórios que os paroquianos retiravam do rio Rabaçal:

«[de] pesca tem barbos, bogas, em pouca quantidade, e algumas trutas

Parece que nos últimos oito anos, após a construção da Barragem de Rebordelo, as coisas se complicaram ainda mais.

Para aceder ao referido aviso clique
 AQUI ou AQUI

21 de Março: Dia Mundial da árvore


Comemoração do Dia Mundial da Árvore, 2011, pelos idosos do Lar de S. José,
Santa Casa da Misericórdia de Valpaços.

O Dia Mundial da Árvore ou da Floresta celebra-se anualmente em Portugal a 21 de Março.
Este dia é também o dia em que começa a Primavera.
A celebração do Dia Mundial da Árvore ou da Floresta começou a 10 de Abril de 1872, na cidade do Nebraska, Estados Unidos da América.
O seu mentor foi o jornalista e político Julius Sterling Morton, que incentivou a plantação de árvores no Nebraska, promovendo o "Arbor Day".
O objectivo da comemoração do Dia Mundial da Árvore é sensibilizar a população para a importância da preservação das árvores, quer em termos ambientais como da própria qualidade de vida dos cidadãos.
Neste dia decorrem várias acções de arborização, em diversos locais do mundo

In http://www.calendarr.com

Recordando o Dia Mundial da Árvore 2011 em Valpaços

«A Santa Casa assinalou o Dia Mundial da Árvore com a plantação de uma camélia na Nossa Sra. da Saúde. A plantação foi feita pelos idosos do Lar de S. José, que aproveitaram a saída para visitar o Santuário e fazer uma oração.
Foram cerca de 20 idosos os que se deslocaram à Nossa Sra. da Saúde para, primeiramente, rezar no Santuário e mais tarde cumprir o objectivo do dia: plantar uma árvore. Depois de analisado e escolhido o melhor local para a colocação da camélia, com a participação de todos, abriu-se uma pequena cova para depois se inserir a planta.
O Dia Mundial da Árvore, cuja origem teve lugar no estado norte-americano do Nebraska, em 1872, é uma data essencial para relembrar as pessoas sobre a importância do respeito pela Mãe Natureza. Hoje, dia 21, o gesto destes idosos pretende transmitir essa mensagem a todas as pessoas, para que juntos contribuamos para um planeta mais verde, mais puro, um mundo…melhor!»

In http://www.scmv.pt/site/ (21 de Março de 2011)

Para informações mais detalhadas sobre a celebração Universal do Dia Mundial da Árvore, clique
 AQUI

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai e da Solenidade de São José


S. José com o Menino, pintura de Guido Reni, c. 1635 | http://pt.wikipedia.org

Um poema para o Dia do Pai!

Ter um Pai ! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos ;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos !

Ter um Pai ! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra !

Ter um Pai ! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão ;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo ; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado !

Ter um Pai ! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher !

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal !

Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto !

Ter um Pai ! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor !
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor !

FLORBELA ESPANCA


Breve história do Dia do Pai
A 19 de Março comemora-se em Portugal o Dia do Pai, associado a S. José, esposo da Virgem Santa Maria e pai de Jesus. Mas a escolha data variou ao longo da História e varia também conforme vários países que festejam o Dia do Pai. No Brasil, por exemplo, ele foi festejado pela primeira vez a 14 de Agosto de 1953 por ser o dia de S. Joaquim, patriarca da família e que é também o dia em que se comemora, segundo a tradição católica o Dia do Padrinho. Actualmente, no Brasil o Dia do Pai é festejado no segundo Domingo de Agosto.
A comemoração do Dia do Pai ou Dia dos Pais pode ser mais antiga do que geralmente se pensa. Há quem encontre fundamentos para afirmar que a mais antiga manifestação de homenagem aos pais surgiu há mais de 4 mil anos, na Antiga Babilónia.
No Mundo Ocidental a comemoração do dia dos pais ou, exclusivamente do dia do Pai, parece ser mais recente. Mas a data escolhida para a sua comemoração não é a mesma em todos os países, e essa escolha não obedece necessariamente a razões de proximidade geográfica ou de relação histórica entre os países. Os países que comemoram, como Portugal, o Dia do Pai no dia 19 de Março são Espanha, Andorra, Itália, Bolívia, Honduras e Liechtenstein.

Origem
O Dia dos Pais tem origem na antiga Babilónia, há mais de 4 mil anos. Um jovem chamado Elmesu moldou em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai.

História
Nos Estados Unidos, Sonora Luise resolveu criar o Dia dos Pais em 1909, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, William Jackson Smart. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais.

Comemoração
Devido a história, nos Estados Unidos, ele é comemorado no terceiro domingo de Junho. Em Portugal é comemorado a 19 de Março. No Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. (dia que também se comemora o dia do padrinho segundo a tradição católica)


Países que celebram no terceiro domingo de Junho

• África do Sul
• Argentina
• Canadá
• Chile
• Colômbia
• Eslováquia
• Estados Unidos
• Filipinas
• França
• Hong Kong
• Holanda
• Índia
• Irlanda
• Japão
• Macau
• Malásia
• Malta
• México
• Peru
• Reino Unido
• Turquia
• Venezuela


Países que celebram em outras datas

• Áustria: segundo domingo de Junho
• Austrália: o primeiro domingo em Setembro
• Bélgica: St Joseph's day (19 de Março), e o segundo domingo em Junho ("Secular")
• Brasil: segundo domingo de Agosto
• Bulgária: 20 de Junho
• Dinamarca: 5 de Junho
• República Dominicana: último domingo de Junho
• Alemanha: no Dia da Ascensão
• Coreia do Sul: 8 de Maio
• Lituânia: o primeiro domingo de Junho
• Nova Zelândia: o primeiro domingo de Setembro
• Noruega, Suécia, Finlândia, Estónia: segundo domingo de Novembro
• Polónia: 23 de Junho
• Portugal, Espanha, Itália, Andorra, Bolívia, Honduras e Liechtenstein: 19 de Março
• Rússia: 23 de Fevereiro (dia do Exército)
• Tailândia: 5 de Dezembro, dia do nascimento do rei Bhumibol Adulyadej
• Taiwan: 8 de Agosto

Fonte: Wikipédia.org categoria: Dias especiais

sexta-feira, 16 de março de 2012

Memórias do Rio Calvo

Por Leonel Salvado
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O rio Calvo, afluente do Rio Rabaçal, ainda é uma das referências do património natural do concelho de Valpaços que em vários locais do seu quadrante setentrional proporciona aos visitantes boas oportunidades para desfrutarem de ambientes de frescura e paz de extraordinária beleza paisagística que fazem a maravilha dos espectadores especialmente dos mais nostálgicos. Tem admiravelmente merecido o maior apego e carinho da parte dos moradores (de várias gerações!) das localidades que lhe estão próximas.
Mas para além da beleza natural que ainda nos oferece, o rio Calvo foi acima de tudo, durante séculos e até um passado relativamente recente, uma fonte essencial de recursos para a sobrevivência de algumas comunidades localizadas nesse espaço. Das suas águas se serviam os povos, na maior parte dos casos livremente, para “limarem prados e Linhares”, regarem terrenos de cultivo, darem de beber ao gado, fazerem funcionar moinhos e azenhas e obterem variáveis castas de peixes. Na maior parte das suas margens abundava uma grande variedade de vegetação silvestre e árvores de grande porte e noutras partes se viam cultivar as terras de vinhas, castanheiros e outras árvores de fruto.


O Rio Calvo visto por uma lebuçanense dedicada às coisas do Património

«Chama-se Calvo e corre em leito apertado, aconchegante, junto dos moínhos do Pimentel, como são conhecidos.
Há uma manta verde, muito verde, que cobre a área envolvente, salpicada de outros tons, agora que é Primavera.
O rio canta melodias, batendo nas pedras que descansam no leito e, muitas vezes, adormece à sombra dos amieiros que lhe bordam as margens.
Já foi pão que matou a fome do povo, quando as suas águas faziam mover as mós dos moínhos que labutavam dia e noite, numa azáfama que não tinha fim.
Hoje, os moinhos estão desmantelados pelo tempo e pela incúria do homem, mas há memórias, doces memórias, que jamais se desvanecerão.»

Graça Gomes, “Sei De Um Rio”,  in Lebução de Valpaços
 

O rio Calvo, segundo Adérito Medeiros Freitas

«O rio Calvo nasce nas proximidades de Dadim, concelho de Chaves, como nome de Ribº de Lamigueiras. Tem como afluente, na margem direita, a Ribeira do Porto de Veiga. Depois da Ponte da Pulga (E.N. 103), adquire a designação de Ribeiro da Pulga; esta ponte foi destruída por uma violenta trovoada que ocorreu no dia 17 de Junho do ano de 1939. Nas proximidades da aldeia e freguesia de Nozelos é chamado Ribº de Nozelos e, a partir das proximidades de Tinhela recebe a designação de Rio Calvo. Em resumo, o Rio Calvo passa nas proximidades das aldeias de Pedome e Nozelos, e por Tinhela, Agordela, Calvo e Vale de Casas indo, finalmente, desaguar na margem direita do Rio Rabaçal, depois de ter passado pela Ponte Romana do Arquinho. […] Existiram, ao longo deste curso de água, 44 moinhos hidráulicos (43 moinhos de rodízio e 1 azenha).»

In Moinhos (Moinhos de rodízio e azenhas), Concelho de Valpaços, Vol. I, CMV,2009, p. 156

Se recuarmos aos meados do século XVIII encontramos em alguns documentos, entre outras informações, indicações acerca desta realidade, nem sempre muito claras e condizentes mas suficientemente conformes com ela.

O Rio Calvo nas Memórias Paroquiais de 1758

LEBUÇÃO - A crer no pároco memorialista desta freguesia, no século XVIII o rio Calvo tinha origem na conjunção das águas de duas nascentes distintas, ambas localizadas dentro dos limites da freguesia (abadia) de Cimo de Vila de Castanheira (actualmente do concelho de Chaves), a primeira no sítio do Pereiro (que entretanto terá secado) e a segunda junto à aldeia de Dadim, a que actualmente se tem por única nascente. O seu percurso pelas terras do actual concelho de Valpaços era já descrito pelo mesmo pároco de Lebução, grosso modo em conformidade com a descrição de Medeiros Freitas, ao mesmo tempo que destacava a grande quantidade de moinhos nele em actividade, desta forma:

«Pela parte do Poente e margens das terras de Tronco corre um regato que neste lugar se lhe pode chamar rio, o qual nasce num sítio chamado Pereiro que é termo de Cima de Vila de Castanheira e este se junta com as águas do lugar de Dadim aonde chamam Valados, as quais juntas e incorporadas umas nas outras fenecem o regatinho que por diminuição não tem nome distinto e vai formando um ribeiro com elas que se chama ribeiro da Pulga no qual há infinitos moinhos. E tem o tal regato uma légua de comprimento, de onde nasce, que é na parte do Norte, até quando chega ao lugar de Pedome, anexa desta freguesia e ali tem uma ponte de pedra e de pau, onde se passa para o lugar de Tronco.
E logo mais abaixo tem outra ponte que é somente de pedra e que fica na estrada Real que vai de Chaves para Bragança. Este ribeiro vai dilatando seu curso, que é presente em todo o ano, por uma veiga abaixo que é termo de Nozelos e Tinhela a cujos lugares corre vizinho. Porém, ao de Tinhela se avizinha mais aonde tem uma ponte melhor do que as outras de que acima falámos, pela qual entram e saem os que vão e vêm da parte do Sul para cujo lado fica a dita ponte a respeito do tal lugar.

O Padre [cura] António Fernandes d’Além»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 20, n.º 71, p. 527 a 540


NOZELOS - O Pároco de Nozelos, pela mesma data, também assinala o “sítio do Pereiro” como a nascente do Rio Calvo,(“o que corre pela parte do Nascente”). Como se vê pelo excerto que se segue, dá-o pelo nome de “ribeiro de Pedome” e descreve as suas principais virtudes, a montante de Nozelos, e defeitos, sobretudo a jusante da mesma freguesia.

 «Nesta terra não há rio. Nesta terra há dois ribeiros, os quais correm girando este lugar, um pela parte do Nascente e outro pela do Norte, e ambos se juntam no termo deste lugar no sítio chamado as Olgas e o que corre pela parte do Nascente tem o seu nascente daqui na distância de uma légua, no sítio chamado de Pereiro, termo de Cimo de Vila de Castanheira, freguesia de São João Baptista, e corre por terra infrutífera, porém os moradores de Cimo de Vila lhe divertem as águas para limarem os prados e Linhares com ela e o mesmo fazem os moradores da quinta de Pedome, que corre distante dela dois tiros de pedra, e entrando neste termo tem o mesmo efeito de limar os prados e linhares deste termo até onde se junta com o que corre pela parte do Norte para o Sul e, juntamente, nele há duas casas de moinhos, cada uma com duas rodas, para centeio e trigo, que moem ordinariamente desde o mês de Dezembro até ao de Maio e nele há umas castas de peixes que nesta terra se chamam escalos, os quais se extinguiram pela grande seca, porque no estio é preciso buscar algum poço mais fundo para nele beberem os gados e, assim, não cria senão escalos, rãs e cágados. Este tem o nome de ribeiro de Pedome porque passa somente na quinta chamada Pedome e tem um pontão de três traves de pau cobertas com pedras. E o que passa pela parte do Norte que nasce no sítio chamado da serra das cortiças, do termo de Bobadela, daqui distante meia légua, é mais pequeno, porém com mais substância e é mais saturável no Verão e tem o mesmo efeito de limar prados e Linhares deste termo e tem quatro casas de moinhos e as mesmas castas de pesca e, tanto que se juntam ambos não têm utilidade alguma neste termo porque correm pelo melhor sítio de terras de centeio e nelas fazem algum dano e daqui três léguas se metem no rio chamado Rabaçal.

O Padre Caetano de Sá Pereira, Confirmado do lugar de Nozelos»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 25, n.º (N) 42, p. 293 a 302


POSSACOS – O pároco desta freguesia que designa o Rio Calvo por “Ribeira de Vale de Casas”, também realça a grande quantidade de moinhos nele existentes:
 
«Passa por esta terra uma ribeira que vem de Vale de Casas. Esta corre com bastante curso por todo este termo e tem moinhos bastantes de centeio. E tem esta um arco de pedra por onde se passa para o Bispado de Miranda e é de pedra lavrada e, dizem, tinha este dois padrões feitos à romana; um foi para Vale de Telhas e outro, dizem, veio para este lugar. Esta ribeira se mete logo dentro deste termo em um rio chamado rio Rabaçal que traz seu nascimento do Reino de Galiza e corre por este termo pela estremadura do Bispado de Miranda.
O Pároco, vigário, Padre Baltazar Fernandes de Figueiredo»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 30, n.º 236, p. 1813 a 1816


SANTA VALHA – Por fim, o Abade de Santa Valha ainda que aparentemente equivocado quanto à nascente do rio Calvo é o único dos quatro párocos-memorialistas que o designa por este nome, a jusante de Tinhela, fazendo uma descrição suficientemente detalhada dos seus recursos e do seu percurso.

«Neste lugar de Santa Valha somente há quatro ribeiras, uma chamada o rio Calvo que nasce no lugar de [Lomba?] e suas montanhas. Nasce brando e pequeno e corre todo o ano. Entra nele uma ribeira de Alvarelhos por baixo do lugar de Tinhela, duas léguas distante da nascente. Não é rio de barcas nem capaz para isso. É de curso arrebatado em toda a sua distância. Corre de Norte para o Meio-dia. Cria muitos peixes chamados escalos. Nas margens se cultivam muitas delas de vinhas, terras, prados e tem muitas árvores de fruto, como são castanheiros, e silvestres, como são amieiros, salgueiros, carvalhos, medronheiros e outras muitas castas de árvores silvestres. Conserva sempre o nome de rio do Calvo. Morre no rio chamado o Rabaçal, rio caudaloso, no sítio do Cachão. Tem uma cachoeira no sítio de Cachão e por essa causa não sobem os peixes chamados barbos e bogas por ele acima. Tem três pontes de pau, uma chama-se a ponte de Tinhela que está no mesmo lugar de Tinhela, outra chama-se a ponte de Agordela, na quinta de Agordela, e outra na quinta do Calvo e chama-se a ponte do Calvo. Tem perto dele infinito número de moinhos, regueiros e [olmeiros?]. Usam os povos de suas águas livremente para as culturas.
Tem o rio seis léguas desde a nascente até aonde acaba e passa por seis povos: O primeiro é Tinhela, o segundo é Agordela, o 3.º é o Calvo, o 4.º é Vale de Casas, o 5.º é Poçacos e o 6.º é o Cachão.

O Abade, Padre Domingos Gonçalves»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 34, n.º 67, p. 601 a 606

terça-feira, 13 de março de 2012

187.º Aniversário do nascimento de Camilo Castelo Branco


Nascido em Lisboa a 16 de Março de 1825, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, invocado como um dos ícones da literatura ultra-romântica portuguesa, foi essencialmente um romancista cuja vida irrequieta e tumultuosa, desde a infância e a adolescência, lhe serviu de inspiração para a criação de algumas das suas novelas mais populares. Usando da escrita como único meio de sobrevivência e de sustento da família, dedicou-se a ela de forma alucinante, deixando uma imensa obra, fazendo-se notar também como talentoso cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Acometido pela doença e pela cegueira viveu os seus últimos anos mergulhado em progressiva angústia e melancolia. A 1 de Junho de 1890 sucumbia, por fim, ao estado de desespero em que se achava, suicidando-se aos 65 anos de idade na sua casa de S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão.
(2011)

domingo, 11 de março de 2012

38.º insólito Aniversário do final da Segunda Guerra Mundial


Trata-se de uma curiosidade da História Universal verdadeiramente insólita. Para o 2.º Tenente do exército imperial japonês, Hiroo Onoda, a 2ª Guerra Mundial só terminou em 10 de Março de 1974, isto é 29 anos após a rendição incondicional do Japão aos Aliados. O caso não é inédito (oxalá os valores que ele representa nunca fossem necessários para o bem-estar da Humanidade), mas é um dos mais admiráveis exemplos da coragem, perseverança e lealdade patriótica a toda a prova que se conhece.

(2011)

sábado, 10 de março de 2012

202.º Aniversário do nascimento de Júlio do Carvalhal

Por Leonel Salvado
actualização: Agosto 2012

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Júlio do Carvalhal de Sousa Teles Pereira e Meneses, como consta nos documentos oficiais, ou Júlio do Carvalhal da Silveira Betencourt de Noronha, como surge nos documentos familiares, ou simplesmente Júlio do Carvalhal, como é hoje vulgarmente conhecido, foi um notável militar (oficial do exército) e político (Governador do Distrito de Bragança, Deputado às cortes pelo círculo de Valpaços e presidente da desta Autarquia).  

Biografia
Nasceu em 05.03.1810 no lugar de Alanhosa, freguesia de  S. Miguel de Nogueira, concelho de Chaves, e faleceu na sua casa de Vilar de Nantes, Chaves, no mesmo concelho de Chaves de 9.06.1872.
Fez-se notar como militar arrojado, e é recordado como um dos «bravos do Mindelo». Efectivamente, em Março de 1829, participou na defesa da ilha Terceira, onde se conservou até Julho de 1831. Em 8.07.1832, participou no desembarque das tropas liberais no Pampelido, Mindelo, e acompanhou o duque da Terceira pelas províncias do Norte até Evoramonte. Durante este tempo participou em dezoito combates e batalhas, em muitas delas com um contributo decisivo. Pela sua bravura na Batalha de Ponte Ferreira em 29.09.1832, por exemplo, foi agraciado com o título de “Cavaleiro da Casa Real e da Ordem de Espada do Valor Lealdade e Mérito” além de outros louvores recebidos enquanto oficial do Exército. Por ofício de 12.09.1836, foi nomeado Chefe do Estado-Maior do Governo Militar da Província de Trás-os-Montes e exerceu também as funções de Governador do forte de São Neutel, em Chaves.

Dotado de uma personalidade e temperamento condicionados por firmes convicções liberais, Júlio do Carvalhal deu, por várias vezes, provas de incontida rebeldia, tendo-se colocado na mesma linha do inconformismo liberal de José Estêvão contra os sucessivos ministérios cartistas da ala moderada. Foram as suas próprias convicções que o moveram, a pedido daquele, arregimentar entre as massas populares da região de Valpaços as forças necessárias à planeada rebelião do setembrismo radical, que acabou por abortar em 1844 mas constituiu um prelúdio dos igualmente malogrados movimentos da «Maria da Fonte» e da «Patuleia». Passamos a transcrever um excerto historiográfico onde se alude ao destemido acto de Júlio do Carvalhal:

«Depois desta tentativa [a conspiração de Moncorvo] em que se perdeu muito tempo, decidiu afinal José Estevão o pronunciamento popular da província, e com esse fim mandou João Bernardino para Veiga de Lila, o qual, de acordo e debaixo da direcção de Júlio do Carvalhal, conseguiu levantar algumas forças populares na montanha auxiliadas pelos setembristas influentes de Vila Pouca de Aguiar. Tudo estava pronto e habilmente preparado para o dia designado. José Estevão devia sair de Murça com os populares que estivessem armados, e marchar com eles a tomar o comando das forças revolucionadas por Júlio de Carvalhal, enquanto nos outros dois pontos da província os demais caudilhos, já prevenidos, levantariam simultaneamente o grito a favor da causa sustentada em Almeida. No dia designado para a partida de José Estevão, recebeu-se a notícia da capitulação da praça, e soube-se que, as forças cabralistas marchavam sobre Trás-os-Montes. José Estevão ainda tentou resistir, mas os ânimos estavam desmoralizados, e os populares abandonaram-no. Nestas circunstâncias partiu sozinho para Espanha pela raia de Castela, e foi encontrar-se com os emigrados em Salamanca, onde entregou o dinheiro que tinha recebido no Porto para acudir às necessidades da emigração, e pedindo licença a César de Vasconcelos, tomou passaporte para Paris.»

fonte : http://www.arqnet.pt/dicionario/estevaojose.html

Mas nem por tal malogro se viu deslustrado o papel histórico protagonizado por Júlio do Carvalhal, que tem sido, acima de tudo, recordado como um Homem dedicado ao desenvolvimento do distrito de Bragança, à terra que o viu nascer e ao concelho de Valpaços, um Homem que se mostrou muito mais preocupado em servir a sua terra do que em satisfazer os caprichos políticos dos timoneiros do poder central instituído.
Foi por duas vezes Governador Civil do Distrito de Bragança, entre 21.05. 1846 a 8.10.1846 e entre 23.06.1856 e 13.07.1857, tendo-lhe cabido em Junho e Julho do seu primeiro mandato combater as guerrilhas miguelistas que assolavam o distrito. Em 1860 foi eleito deputado pelo círculo de Valpaços e reeleito sucessivamente nas legislaturas de 1861-1864, 1865, 1865-1868, 1870 e 1870-1871 destacando-se no exercício desta função como um dos grandes defensores da construção da linha de Caminhos-de-ferro entre o Porto e a Régua, sendo-lhe reconhecido o mérito de ter sido o primeiro deputado a dedicar-se à questão do Caminho-de-Ferro do Douro. Também lhe é inteiramente devida a nossa homenagem por ter sido ele quem, enquanto Presidente da Câmara de Valpaços, conseguiu obter de D. Pedro V, após insistentes pedidos, a elevação da entretanto engrandecida sede municipal, Valpaços, à categoria de vila, estabelecida por Decreto de 27.3.1861.
Chegou a ser-lhe conferido, por Decreto de Agosto de 1864 o grau de Comendador da Ordem da Conceição.

Genealogia
Pertenceu a uma ilustre família da fidalguia portuguesa cuja influência se estendeu ao longo dos séculos desde as Ilhas Canárias ao arquipélago da Madeira e ao Norte de Portugal, sobretudo à Província de Trás-os-Montes. Uma família que exerceu notável protagonismo em momentos cruciais da História de Portugal, assim no movimento expansionista, pela ocupação das Canárias e das ilhas atlânticas, como em actos de heróica lealdade à dinastia de Bragança logo no início das guerras da Restauração, nas guerras liberais e noutros sucessos que se seguiram.
Júlio do Carvalhal foi legítimo herdeiro da administração da “Casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios”, em Veiga de Lila, onde hoje se pode visitar o respectivo Solar e a capela que era daquela invocação e mais tarde passou à de Santo António.

Graças ao estudo publicado por Ana Luísa no seu blogue Árvore de geração da Família dos Carvalhais e Bettencourts das Ilhas e sua Descendência, por Fernando Eugénio do Carvalhal de Sousa Teles (ver link em rodapé), não subsistem dúvidas de que Júlio do Carvalhal pertenceu a uma ilustre família da fidalguia portuguesa cuja influência se estendeu ao longo dos séculos desde as ilhas Canárias, ao arquipélago da Madeira, ao Norte de Portugal e sobretudo à Província de Trás-os-Montes. Uma família cujos pergaminhos atestam o seu notável protagonismo em momentos cruciais da História de Portugal, assim no movimento expansionista, pela ocupação das Canárias e das ilhas atlânticas, como em actos de heróica lealdade à dinastia de Bragança logo no início das guerras da Restauração, e até, iremos referir a propósito da bravura revelada pelo próprio Júlio do Carvalhal, nas guerras liberais e noutras que se lhes seguiram.

Devido ao mesmo estudo, é possível remontar a ascendência de Júlio do Carvalhal a, pelo menos, dez gerações. Neste sentido está documentado que ela radica em João de Betencourt, um Ilustre Cavaleiro e General francês que em 1417 governou as ilhas Canárias e dois anos depois passou às ilhas Terceira e Madeira, obteve de D. João I inúmeras doações e se estabeleceu, casando com D. Maria de Carvalhal e Silveira. Desse enlace resultou o nascimento de Francisco Betencourt de Carvalhal e Silveira, nono avô de Júlio do Carvalhal, que foi feito Fidalgo e Cavaleiro de S. Majestade e Comendador da Ordem de Cristo e se casou na ilha da Madeira com D. Angélica da Câmara Durman. Este casal teve um filho a quem deu o nome de Manuel de Betencourt Carvalhal e Silveira de Durman. Este oitavo avô de Júlio do Carvalhal, Fidalgo e Cavaleiro de S. Majestade, foi Governador da Cidade de Angra do Heroísmo da mesma ilha e casou com D. Angélica de Noronha e Canto de quem teve dois filhos, tendo sido primogénito João do Carvalhal de Silveira de Noronha Betencourt (o sétimo avô de Júlio do Carvalhal), Fidalgo Cavaleiro da Casa Real e Mestre de Campo do Terço da cidade de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, que casou com D. Isabel da Camara Albuquerque Borges, deles nascendo um filho, cerca de 1609, Estêvão da Silveira Carvalhal Borges Betencourt, Fidalgo Cavaleiro de Sua Majestade que foi Governador e Capitão General do arquipélago da Madeira, foi morto pelos espanhóis, no tempo dos Filipes, por recusar entregar-lhes as Ilhas, que ele defendeu por largo tempo, havendo até aí cunhado moeda. Foi o sexto avô de Júlio do Carvalhal e casou com D. Margarida de Lemos, nascendo desse casamento dois filhos, o primeiro dos quais foi Francisco do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt (quinto avô de Júlio do Carvalhal), Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real de quem se diz ter sido o principal responsável pela defesa e Restauração das ilhas depois da Aclamação de D. João IV, pelo que foi nomeado Comandante das mesmas,  a seguir Comandante de Mar e Guerra e logo depois Almirante da Armada e Ouvidor Geral de Moçambique. Do seu casamento com D. Maria da Camara houve dois filhos, o primeiro dos quais, João do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt Fidalgo e Cavaleiro foi tetravô de Júlio do Carvalhal e casou com D. Maria de Noronha Corte Real nascendo deles três filhos, tendo sido um deles o trisavô de Júlio do Carvalhal, Francisco do Carvalhal Borges da Silveira Betencourt, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real que foi Governador de S. Neutel, em Chaves, depois de ter casado em Lisboa com D. Maria Magdalena Telles e Távora. Foi, como se depreende de uma nota publicada no blogue a que fizemos inicialmente referência, por esta altura e através deste casamento que esta altura que esta ilustre família se estabeleceu na região de Trás-os-Montes e para a qual passou a Casa e Vínculo de Nossa Senhora dos Remédios de Veiga do Lila e dela foi detentora ininterruptamente por sucessão varonil até à morte de Júlio do Carvalhal. O casal teve sete filhos, o terceiro dos quais, e primeiro varão, foi o bisavô de Júlio do Carvalhal, Alexandre Manoel de Carvalhal e Silveira Noronha Betencourt, Fidalgo da Casa Real que casou com D. Clara Costa Pereira e tiveram dois filhos sendo o primogénito e varão, avô de Júlio do Carvalhal, Francisco José de Carvalhal Telles da Silveira Betencourt, Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real, nascido em Chaves a 14 de Dezembro de 1751 que do seu terceiro casamento, com D. Isabel Maria Bernarda Teixeira Osório de Queiroga, que era natural de Argeriz e filha do Dr. Inácio Gomes Osório de Queiroga (bacharel formado, em1731, em Cânones) e de D. Joana Maria Teixeira, resultou o nascimento de Alexandre Manoel do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Noronha Betencourt, Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real, em Argeriz, Chaves, em 1783, herdeiro da casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, em Veiga de Lila, vereador da Camara Municipal de Chaves nos anos de 1819, 1824 e 1827.

Júlio do Carvalhal, aliás Júlio do Carvalhal da Silveira Betencourt de Noronha, foi o terceiro dos 5 filhos daquele Alexandre Manoel do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Noronha Betencourt e de D. Rosália Vicência de Meneses Frias e o herdeiro do vínculo de N.ª dos Remédios, em Veiga de Lila, por morte de seu irmão Alexandre durante as lutas liberais no cerco do Porto ou no Algarve (as fontes divergem). Casou duas vezes: primeiro com D. Maria da Piedade Ferreira Sarmento de Lacerda e, após a morte desta, com a cunhada D. Maria das Dores Sarmento Pimentel de Lacerda. Deste segundo casamento não houve filhos. Do primeiro houve quatro filhos, sendo o mais novo, César do Carvalhal de Sousa Silveira Telles Betencourt, o único varão que não deixou descendência. D. Efigénia do Carvalhal de Sousa Silveira e Telles Pimentel, senhora de aprimorada cultura, escritora e poetisa foi, como primogénita de Júlio de Carvalhal, herdeira de Casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, de Veiga de Lila. Casou com Francisco de Moraes Teixeira Pimentel, o conhecido “morgado de Rio Torto, mas os dois filhos resultantes do casamento morreram em tenra idade pelo que a continuidade, por linha varonil, deste ramo da numerosa família dos Carvalhais detentora de casas e haveres nas povoações de Nantes, Argeriz e Veiga de Lila, teve de ser assegurada pela descendência de outros membros, desde logo por António do Carvalhal da Silveira Telles Pereira Noronha, irmão mais novo de Júlio do Carvalhal. Júlio do Carvalhal faleceu na sua casa de Vilar de Nantes (Chaves) no dia 8 de Junho de 1876.
Terminamos esta resenha genealógica centrada em Júlio do Carvalhal com uma citação do autor da pesquisa que para ela nos serviu de base (autor que julgamos ser um dos descendentes desta família) a respeito de D. Efigénia do Carvalhal e do destino do património deste ramo da família em Veiga de Lila. 

«D. Efigénia do Carvalhal de Sousa Silveira e Telles Pimentel como filha primogénita de Júlio do Carvalhal, foi herdeira de casa e vínculo de Nossa Senhora dos Remédios, de Veiga de Lila.
Viúva e sem filhos, D. Efigénia do Carvalhal, acautelou, atempadamente e no seu pleno juízo, assegurar a continuidade na família do referido vínculo. Assim, fez escritura de doação, com reserva de usufruto, em favor da sua sobrinha Umbelinha do Carvalhal, casada com seu primo Eugénio Evangelista do Carvalhal, de todos os seus bens.
Faleceu com 94 anos, tinha eu 12 anos, ainda tenho presente a sua lucidez e recordo, com saudade, o carinho com que nos recebia no seu solar. Da mesma maneira e com fidalguia, suas ilustres visitas eram sentadas na mesa de refeições, ouvindo-a e conversando, quase sempre em matéria de carácter cultural.
Hoje, infelizmente, quer o solar, quer os prédios rústicos, encontram-se parcelados, por vezes, em mão de estranhos à família.»

In http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com/


Bibliografia e outros recursos

ALVES, Francisco Manuel, Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, t. VII, Porto, 1931; Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928);
Árvore da geração da família dos Carvalhais e Bettencourts das Ilhas e sua Descendência |in http://arvoredafamiliacarvalhal.blogspot.com/
MARTINS, A. Veloso, Monografia de Valpaços, Porto, 1978.