terça-feira, 27 de março de 2012

Solares do concelho de Valpaços – Solar dos Barros, Xavieres e Pimentéis e Morais Pinto

Por Leonel Salvado

(clique na imagem para aumentar)

Nota prévia: A respeito dos solares de Possacos, tirando o dos “Machados”, tem existido ao longo dos tempos a uma enorme confusão na sua relação com as famílias mais conhecidas da aristocracia local pelos séculos XVIII e XIX às quais elas pertenceram, nomeadamente os Morais, os Pinto, os Xavier e Pimentel e nas correspondências destas com as representações heráldicas que esses solares ostentam, o que é perfeitamente natural. Na verdade, a identificação dos solares, aqui como em qualquer outra parte foi variando no tempo e dependeu sempre do ponto de vista das pessoas. Como se compreenderá, a prevalência do determinativo original procedente de uma interpretação heráldica não tem necessariamente de corresponder, nem corresponde na maioria dos casos, à designação comum que é sujeita a alterações sempre em função dos nomes dominantes de família dos sucessivos proprietários, tal como tem sucedido em Possacos, tanto no percurso final da monarquia constitucional, como daí até à actualidade. Digo nomes dominantes porque também, por exemplo, não me parece que alguma vez tenham sido invocados pela população local os nomes das famílias Cardoso, Barros e Alão, cujas divisas também se encontram nas pedras de armas dos três solares conhecidos na localidade de Possacos. Os nomes que sobressaem ainda hoje para a identificação dos solares desta localidade são Morais-Pinto/António Terra, Xavier-Pimentel e Machado.

O Solar representado na foto é actualmente conhecido como o “Solar dos Morais Pinto” e situa-se no lado oposto da mesma artéria da localidade de Possacos onde se encontra um outro Solar que tratámos na primeira edição desta categoria temática e a que hoje se costuma chamar o “Solar de António Terra”, o qual, como procurámos esclarecer - na esteira da interpretação do Padre João Vaz de Amorim – pertenceu em tempos passados à família Morais Pinto e julgo que certamente também às famílias dos Xavieres e Pimentéis, a que a primeira parece ter-se ligado, já que na respectiva pedra de armas se vê a divisa dos Pimentéis e na década de 40 do século passado ainda era designada pelos moradores de Possacos como a “Casa dos Xavieres”, segundo testemunha o mesmo autor com o pseudónimo de “João da Ribeira” na obra “Por Montes e Vales… Terras de Monforte e Terras de Montenegro.
Posto que por essa mesma época, o Solar hoje comummente designado como dos Morais Pinto (na foto) ainda pertencia aos “legítimos representantes” da família Pimentel, como “João da Ribeira” teve o cuidado de anotar, esclarecendo porém que os “Pimentéis de Possacos são parentes próximos dos Morgados de Rio Torto e dos Carvalhais de Veiga de Lila e Argeriz, cujo primitivo solar avoengo foi em Padrela”, parece-me mais acertado atribuir a sua primitiva posse, ainda pelo século XVIII, não a esta família mas a uma outra de que não há memória na povoação, mas que é atestada pela pedra de armas que o mesmo solar ainda ostenta – a família Barros. Efectivamente, a pedra de armas do Solar dito dos Morais Pinto, que foi também o “solar dos Xavieres e Pimentéis”, é datável do século XVIII e exibe as armas plenas dos Barros, como muito bem observou o Padre João Vaz de Amorim e se confirma na simbologia heráldica que ela contém – Armas: três bandas acompanhadas de nove estrelas postas 1, 3, 3, 2. Timbre: uma aspa carregada de 5 estrelas do escudo. Não obstante a linhagem dos Morais Pinto ter-se esgotado com Luís Augusto de Morais Pinto, segundo “João da Ribeira”, a verdade é que o Solar de que falamos encontra-se actualmente na posse dos descendentes desta família, sendo esta a única razão por que o nome de Morais Pinto lhe tem servido de determinativo.

Para aceder a outros solares [local/regional] tratados neste blogue, clique

4 comentários:

  1. Boa noite!

    Tendo ascendentes da aldeia de Possacos sempre achei curioso o Solar dos Pimentéis ostentar na fachada uma pedra de armas da família Barros. Após breve pesquisa fiquei a saber que no séc. XVIII existiu nos Possacos a família Sousa Barros. Gregório de Sousa Barros, natural dos Possacos, era filho de Gregório de Sousa Barros e Francisca Castro Morais. Casou com Dona Caetana Bernarda da Mesquita Pimentel, natural de Favaios, Alijó.

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito grato Caro Anónimo. A sua "breve pesquisa" é de todo o interesse para o o Clube de História de Valpaços, pois afigura-se-nos como uma possível evidência de que a família Sousa Barros poderá estar na origem do referido solar, respectivo brasão de Armas e da relação desta família com a dos Morais e os Pimentéis que também nos tem parecido evidente. Agradecemos-lhe, com toda a sinceridade as dicas, mas gostaríamos de poder contar com a sua identificação e com as referências que lhe serviram de base na sua pesquisa para as informações que revela. Bem-haja pela colaboração e esperamos que nos disponibilize os dados que lhe solicitamos, na certeza que tal só melhorará a qualidade e credibilidade desta abnegada missão de divulgação do nosso património.

      Eliminar
  2. Boa noite!

    No ADVRL existem vários documentos que fazem menção às diversas ramificações da família Souza Barros. Um deles: Possacos, Livro de Casamentos (1803-1857),P.6, 1807.

    Abraço

    Sousa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigado caro "ANÓNIMO" (Sousa), Anónimo ainda mas dos mais construtivos comentadores das nossas páginas. Bem-haja pelas dicas que certamente nos serão úteis para a questão relacionada com o solar e outras também.
      Bem-haja mais uma vez, amigo Sousa.
      Leonel Salvado (adm. CHV)

      Eliminar