terça-feira, 27 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – ERVÕES

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 13, ERVÕES, Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 213, n.º (E) 44, p. 331 a 336]

Está na Província de Trás-os-Montes, termo da Vila e Comarca e Chaves, Arcebispado de Braga. É da jurisdição de Malta, cujos donatários são da Comenda de S. João da Corveira, da mesma religião.
Tem este lugar e freguesia duzentos e vinte vizinhos e pessoas seiscentas e quatro. Está situado na falda de um monte do qual se descobrem os lugares ou aldeias de Argeriz que fica à distância de uma légua, Santiago de Alhariz na distância de duas, Cachão na distância de outras duas e a serra de Santa Comba em meio com toda a sua largura; ela fica na distância de quatro léguas.
Não tem termo seu mas sim limites e compreende sete lugares, o de Sá que tem setenta e cinco vizinhos, o de Ervões sessenta, o de Valongo catorze, o de Alpande vinte e seis, o de Sadoncelho oito, o de Alfonge quinze e o de Lamas vinte e dois.
Está a Paróquia afastada do povo à distância de oitenta [?] passos, pouco mais ou menos, em campo ermo, e compreende sete lugares cujos nomes vão acima nomeados. O orago é o salvador São João Baptista. Tem três altares, o maior, que se denomina de Altar-mor, e dois colaterais, um deles do Santo Cristo e outro de Nossa Senhora do Rosário. Não tem nave alguma mas tem sim quatro Irmandades, a do Senhor, a do Nome de Deus, a de Nossa Senhora do Rosário e a de Santo António.
O Pároco é Reitor apresentado pelo Comendador da Corveira da religião de Malta, colado pelo Vigário Geral dela e tem de renda cento e oitenta mil réis, uns anos por outros. Não tem beneficiados.
Todos os lugares desta freguesia têm capelas e cada uma afastada da povoação dela: A de Sá, capela de Santa Lúcia; a de Valongo, de Nossa Senhora dos Prazeres; a de Alpande, de S. Pedro; a de Alfonge e Sadoncelho, de Nossa Senhora da Expectação; a de Lamas, de São Tiago e São Filipe; a de Ervões, de São Sebastião, cuja capela está dentro do povo. Em muitos dias do ano se frequenta em romagens as capelas da dita Santa Lúcia e Nossa Senhora dos Prazeres e nos seus próprios dias se faz junto a elas feira franca de um só dia.
Os frutos desta terra de maior abundância são pão, vinho e castanha por ser no país natural a qualidade destes géneros.
Está esta terra sujeita ao governo e às justiças da Vila de Chaves.
Há nesta terra quatro homens formados, dos quais dois advogados em Chaves e, além destes, há outro que está aqui ao serviço de sua Majestade e é casado em Vilarandelo.
Não tem correio e serve-se do de Chaves que fica na distância de três léguas.
Dista da cidade capital de Arcebispado dezoito léguas e da cidade capital do Reino sessenta. Tem os privilégios de Malta, porém não se sabe quais e não se lhe sabe outras antiguidades ou coisas dignas de memória. Tem este termo duas fontes humildes de que usa o povo e o gado dele. Não tem porto de mar. Não é murado. Não padeceu no terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco ruína alguma.

Nos confins desta terra há uma serra a que chamam de serra de São Julião cuja parte é no limite do lugar de Sá, desta freguesia de Ervões, e um pedaço dela passa quase de um quarto de légua e está desviada da parte dos moradores daquele lugar. Porém, não é frutífera e só serve para se produzir alguns principais alimentos no tempo de Inverno. Não sei nem me consta do comprimento e largura da dita serra, nem as léguas que compreende nem também os nomes dos principais braços dela. Na dita serra nascem dois rios, ambos do lado da serra, um deles que é o Carriço, a que também se chama Ribeirinho, que fica no limite do lugar de Sá e que corre noutros sítios em que perde o nome de Carriço, no qual há cinco moinhos de que o que fica a maior distância está a três quartos de légua. Tem um moinho de pedra em cujo sítio tem também dois moinhos, também de pão e logo mais abaixo, em pouca distância, há outro moinho, este desviado em meio quarto de légua, num monte de salgueiros, e todo este rio vai tão retirado que a margem dele não é frutífera e, suposto que por ele há algumas ervas e frutas silvestres, percorrem estes lugares somente no Inverno[…]. E [há] outro rio que nasce na mesma serra e no termo do lugar de Vilarandelo, na distância de meio quarto de légua, cujo rio tem o nome da Quadrada […]. Há mais outro rio que nasce num lugar chamado Prado dentro dos limites do lugar de Quintela de Friões, na distância de meia légua, e passa junto aos lugares de Sadoncelho e Alfonge e se mete no rio chamado de Rio Torto […].
Junto à serra estão os lugares de Sá e Vilar de Ouro.
Não há neste distrito fontes de propriedades raras. Não há nele minas de metais, porém há no lugar de Sá uma pedreira só de pedra.
Não há no pedaço da serra plantas ou ervas medicinais, porém, atrás do dito pedaço se cultiva em algumas partes. Não há na dita serra mosteiros, igrejas de romagem nem imagens milagrosas. A qualidade do seu temperamento [da serra] é fria. Alguns lobos se criam nela e alguma caça de coelhos. Não sei se haja lagoas ou fojos notáveis. Também me não consta que haja nela outra qualquer coisa digna de memória.

Chama-se ao rio o Carriço cujo nascimento é no arvoredo da serra no sítio do Ribeirinho, como digo no interrogatório quarto [acima] no qual vai declarado que se serve a povoação tanto deste regato como dos mais que entram nesta terra.
No rio ou regato a que chamam do Carriço e que perde o nome no sítio de Ribeirinho do Pisco [?], neste mesmo sítio tem um pontão de pedra assentado sobre madeira e, mais abaixo, no sítio a que chamam o Salgueiral, tem outro pontão de pedra e algumas poldras. O de Sadoncelho também tem poldras e, logo mais abaixo, um pontão de pedra e poldras num sítio do termo do lugar de Alfonge, tudo dentro desta freguesia de Ervões.

Não há memória que em algum tempo ou no presente se tirasse ouro das areias dos rios. Usam os povos livremente das suas águas para a cultura dos campos. Se este regato nesta terra é comprido devido aos menos, se consoante o é independente, o não sei; a distância pode ser mais de uma légua. Toda a freguesia é muito pouco notável.
Mais ao dar o que se procurava por expressões tudo na verdade e forma o escrevi, em o mês de Março, cinco de 1758.

O Reitor Luís Fernandes da Serra
O Pároco de Vilarandelo Manuel de Sequeira Rebelo
O Reitor Manuel Teixeira Pires 

201.º Aniversário da Batalha do Buçaco



"A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia antiga), foi uma batalha travada durante a Terceira Invasão Francesa, no decorrer da Guerra Peninsular, na Serra do Buçaco, a 27 de Setembro de 1810. De um lado, em atitude defensiva, encontravam-se as forças anglo-lusas sob o comando do Tenente-general Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington. Do outro lado, em atitude ofensiva, as forças francesas lideradas pelo Marechal André Massena. No fim da batalha, a vitória mostrava-se nitidamente do lado anglo-luso."
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Bu%C3%A7aco
Para mais informações sobre a batalha do Buçaco, segundo a mesma fonte,
 clique AQUI.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

216.º Aniversário do nascimento do Marquês de Sá da Bandeira


Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Marquês de Sá da Bandeira deve ser entendido pelos valpacenses como uma figura histórica nacional de relevância local/regional. No dia 16 de Novembro de 2011 comemoram-se os 165 anos da batalha de Valpaços que é também recordada como o combate ou a “Acção Valpaços”, que lançou a Vila nos pergaminhos da História Nacional, onde este bravo general das guerras liberais, então com o título de visconde de Sá da Bandeira, se afigurou, apesar da derrota ou dos resultados imprecisos do confronto de acordo com a interpretação de alguns autores, como um dos mais destacados protagonistas. Comemoram-se hoje os 216 anos do seu nascimento.

Para aceder a um resumo biográfico desta figura histórica, click AQUI.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – LEBUÇÃO

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 20, LEBUÇÃO, Monforte de Rio Livre
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 20, n.º 71, p. 527 a 540]


Resposta
De um papel que me foi enviado da parte do muito Reverendo Doutor Arcipreste e Abade de Monforte, o qual eu recebi da mão do Padre José Caetano Álvares Parada, Cura coadjutor do Reverendo Reitor de Castanheira e o mesmo papel contém sessenta interrogatórios divididos em três capítulos, no primeiro dos quais se acham vinte e sete, no segundo treze e no terceiro vinte, os quais se acharão aqui fielmente trasladados com suas respostas deles congruentes.
Este lugar, donde vai este papel, que se chama Lebução, fica na Província de Trás-os-Montes, Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Torre de Moncorvo, termo de Monforte de Rio Livre, freguesia de São Nicolau.
O senhor deste lugar, e dos mais deste distrito, é o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conde de Valadares e quais sejam estes no tempo presente não se sabe responder. O Comendador é o Excelentíssimo conde de Valadares e o Donatário é o Ilustríssimo conde de Atouguia.
Este lugar tem oitenta e quatro vizinhos e o número de trezentas pessoas e tem mais três anexas que, com as pessoas deste lugar, constituem uma mesma freguesia: digo que se chama uma delas Pedome, que se compõe de dezasseis [fogos] e cinquenta e uma pessoas; outra se chama Moreiras, na qual se contam oito moradores e trinta e três pessoas; e mais outra anexa chamada Ferreiros, dividida em dois distritos que os distinguem com os nomes de Ferreiros de Baixo e Ferreiros de Cima, e é este composto de dezoito vizinhos e cinquenta e três pessoas e, aquele, de cinco moradores e dezoito pessoas, o que, tudo junto, faz o número de cento e trinta e um fogos contra cento e cinquenta e cinco pessoas.
Este lugar de Lebução está situado num baixo que é próximo de um vale, pois está numa situação em que tem muitos altos e baixos, estando as moradas que ficam na parte do Sul firmadas em terra sólida e áspera e as que ficam para parte do Norte estão fundamentadas em pedra firme. E dele não se descobrem outras povoações mais do que um lugar chamado Parada que é anexa do sítio da Castanheira, que lhe fica da parte de Nascente e também os dois lugarzinhos de Ferreiros que compõem o mesmo corpo com esta freguesia e ficam da mesma parte do Oriente e se descobrem do mesmo sítio donde se vê Parada. De algumas partes deste lugar se registam também as igrejas de São Sebastião e São João Baptista que são do lugar de Cima de Vila de Castanheira, e de Nossa Senhora da Expectação, chamada nesta terra da Orada, que é de Sanfins da Castanheira, as quais se vêem todas elas para a parte do Norte, vendo-as deste sítio que delas fica distanciado três quartos de légua; e é igual a distância entre Lebução e Parada.
Tem termo seu e compreende quatro lugares, sendo o principal deles Lebução, aonde está a matriz, na qual assistem à missa os moradores de Pedome, Moreiras e Ferreiros, cujos vizinhos e pessoas já foram numerados. O termo deste lugar e suas anexas terá uma légua e meia certa, dividindo-as pela parte do Poente um ribeiro que nasce no lugar de Dadim e morre noutra aldeia chamada o Pereiro, cujas águas se juntam num sítio chamado Valados, o qual aparta este termo do de Tronco pela parte do Poente, como já disse. E a parte do Sul termina num alto que encobre a vista neste lugar, impedindo-lhe de ver onde e o que fica para semelhante parte, no qual alto pega com o termo de Fiães que dista deste um quarto de légua. E da parte de Nascente pega com o termo de Vilartão no mesmo alto atrás mencionado de Sul. De Oriente se divide e separa num regato que desce do mesmo alto e passa por este lugar de Lebução, ficando da parte de Sul, a respeito de tal regato. E mais, da parte Norte, respectiva ao dito regato, margina o dito termo com o de Sanfins, Mosteiro e Cima de Vila da Castanheira, uma parte de cujos termos e também do de Santa Comba se avistam deste lugar.
A Paróquia está fora do lugar para a parte de Poente, afastada das primeiras casas a um tiro de espingarda e os lugares ou aldeias que contém já foram declarados.
O orago é São Nicolau, cuja festa se celebra aos seis de Dezembro e tem quatro altares, o maior do mesmo São Nicolau no qual está uma tribuna e um retábulo muito bem dourado e além da imagem do dito santo, que está da parte do Evangelho, se acha outra de São Pedro à parte da Epístola e tem mais três altares colaterais, sendo um deles de Santo António, que fica do lado da Epístola, e no mesmo altar está também a imagem de São Sebastião, e do outro lado, arrimado ao mesmo arco da capela-mor em correspondência do de Santo António, fica o de Nossa Senhora do Rosário e para a mesma parte fica também o do Santo Nome de Jesus metido numa capela sua muito dourada dentro de um arco que firma com superfície interior da mesma igreja. Neste altar está uma venerável imagem de um crucifixo coberta com sua cortina. Nesta mesma capela e altar está erigida uma Confraria chamada das Almas que terá o número de quatrocentos e cinquenta Irmãos que paga cada um deles, para ela, meio alqueire de centeio todos os anos e tem cinco Jubileus e dois Aniversários. E todas estas referidas imagens são de vulto e não há de manto. Não tem naves a dita igreja. Só tem duas sacristias, uma aonde se guarda os ornatos, mais para o canto da dita igreja, a qual abre a sua porta para a capela-mor que fica da parte do Evangelho, e dentro dela está outra cuja porta abre para o corpo da igreja e serve para nela se arrecadarem alguns trastes que são desta mesma igreja e também para servir para o roupeiro que nela está.
O pároco é cura que terá de renda cinquenta até sessenta mil réis, o qual é apresentado pelo Reverendo Reitor de São João Baptista de Castanheira que leva cento e cinquenta mil réis de renda e meados conforme, o qual Benefício é da igreja do Padroado Real.
Tem três ermidas, cada uma pertencente à sua povoação: A de Santa Marinha que fica em um altinho e pertence ao lugar de Ferreiros, da qual fica a povoação a quatro tiros de espingarda; na de Moreira se acha outra fundada como sendo do Anjo da Guarda, que está vizinha às casas, porém fora de portada; Em Pedome se acha outra com a invocação de São Marcos, a qual está dentro da povoação e todas estas têm imagens de vulto, cada uma delas a sua, debaixo de cujas rendas foram erigidas, sendo estas muito pobres. A todas se lhe faz somente uma missa cantada com quatro clérigos no dia em que se celebra o santo de cada uma delas. A nenhuma delas acodem romagens.
Os frutos que esta terra produz mais copiosamente são centeio, castanha e vinho, ainda que de todas mais dê, mas com menos fertilidade.
Tem juiz ordinário que com o procurador, vereadores e almoxarife fazem corpo de câmara que é independente de outro governo no que respeita aos seus acórdãos  e determinações, suposto se indica do seu governo e corregedor da Torre de Moncorvo que é cabeça de comarca. E também dele se apelam os demais para a Ouvidoria de Vinhais que também é pertencente às terras do Ilustríssimo e Excelentíssimo conde de Atouguia e ele é que prove os que servem de ouvidores da dita Vila de Vinhais.
Não tem correio e serve-se esta terra do correio de Chaves, aonde chega na quarta feira por todo o dia e dali parte ao Domingo de tarde e dista esta terra de Chaves, aonde ele chega, três léguas.
Da capital de Bispado, que é Miranda do Douro, dista dezoito léguas e da capital Lisboa setenta.
Na Vila de Monforte, de cujo domínio é este lugar, se acha um castelo dentro dos muros de sua jurisdição que está presidiado com um Governador e alguns soldados pagos por Sua Majestade, que Deus guarde. O estado com que se acha ao presente o castelo, como as muralhas, dirá o Reverendo Abade de Monforte que tem sua morada contígua aos ditos muros.
O terramoto [de 1755] posto que causou revolta e grande susto a todos os viventes, nenhum deles experimentou a sua ruína nem caiu edifício algum.
E não há [mais] coisa digna de memória que seja de descrever-se neste papel. […]
Por não haver serra, não tenho que dizer.
Pela parte do Poente e margens das terras de Tronco corre um regato que neste lugar se lhe pode chamar rio, o qual nasce num sítio chamado Pereiro que é termo de Cima de Vila de Castanheira e este se junta com as águas do lugar de Dadim aonde chamam Valados, as quais juntas e incorporadas umas nas outras fenecem o regatinho que por diminuição não tem nome distinto e vai formando um ribeiro com elas que se chama ribeiro da Pulga no qual há infinitos moinhos. E tem o tal regato uma légua de comprimento, de onde nasce, que é na parte do Norte, até quando chega ao lugar de Pedome, anexa desta freguesia e ali tem uma ponte de pedra e de pau, onde se passa para o lugar de Tronco.
E logo mais abaixo tem outra ponte que é somente de pedra e que fica na estrada Real que vai de Chaves para Bragança. Este ribeiro vai dilatando seu curso, que é presente em todo o ano, por uma veiga abaixo que é termo de Nozelos e Tinhela a cujos lugares corre vizinho. Porém, ao de Tinhela se avizinha mais aonde tem uma ponte melhor do que as outras de que acima falámos, pela qual entram e saem os que vão e vêm da parte do Sul para cujo lado fica a dita ponte a respeito do tal lugar. E da parte do Sul tem princípio outro regato, porém muito menos caudaloso do que este outro de que até agora temos tratado, o qual nasce no mesmo termo de Lebução num sítio chamado Vale de [?] e se vai formando de alguns regatinhos que ficam da mesma parte do Sul de cujo alto descem as águas ao lugar de Lebução e delas se forma o dito ribeiro com que se regam os prados deste lugar, abaixo do qual, a meio quarto de légua, se lhe junta outro ribeiro que nasce em Moreiras aonde chamam de Telhas, termo do mesmo lugar, que da parte de Poente vem correndo ao Sul, à distância de um quarto de légua, aonde, junto com o que vai de Lebução, vão correndo na direcção de Poente a Nascente. E do sítio em que se juntam no dito lugar, que se chama do Amieiral, sempre tem água ainda que nos meses de Março, Agosto e Setembro poucas vezes se veja correr, e vai desaguar perto das margens do dito termo, que será meia légua de distância, noutro ribeiro maior que tem seu princípio na fonte do Ribeiral que fica perto da ponte de pedra no termo do lugar de Cima de Vila, para a parte do Norte, de onde vai correndo e recebendo algumas águas de outras fontes e regatos até ao sítio chamado Entre-Moinhos aonde se junta com o mencionado ribeiro de Lebução que terá de medida três quartos de légua quando com ele se incorpora.
E aí perde o de Lebução o seu nome, chamando-se dali para baixo ribeiro de Paradas por respeito a este lugar que lhe fica do lado de cima, à parte do Norte, e assim vai correndo à distância de uma légua por terra mais dura e a ribeira fica com seu curso mais arrebatado e vai morrer num rio chamado Mouce que termina e divide o concelho de Lomba do de Monforte.
Tomando o nome de serra por todo este País, as plantas de que é [a freguesia de Lebução] mais abundante, sendo frutíferas, são castanheiros, macieiras, pereiras, cerejeiras, pessegueiros, figueiras e vinhas; e, sendo silvestres, são carvalhos, amieiros, salgueiros e giestas. Também cria algumas ervas medicinais, como são a salva, o alecrim, a arruda, a lorna, a cidreira e outras muitas cujos nomes ignoro.
No termo desta freguesia se cultiva alguns pedaços do campo que se recorre para através de alguns deles, de que é bastante agreste e estéril, assim os fazer que produzam com maior fertilidade de centeio, castanha e vinho.
É bem temperado este território e ordinariamente sadio em seu clima. E tem abundância de águas com que refrescar nos meses de Verão. Nela [serra/nele território] se criam alguns gados graúdos como bezerros e alguns miúdos como ovelhas e cabras, ainda que estes sejam pequenos e ruins. Criam-se também muitos porcos cujas carnes são de admirável gosto por serem cebados com castanha. Criam-se também muitas galinhas e capões e alguns perus e patos. Há também nela perdizes, coelhos lebres, lobos e raposas.
Como depois de ler primeiramente este papel que da parte do Reverendo Doutor Arcipreste me foi remetido e não achar nela muito por mim a saber outra coisa alguma digna de memória que nele não viesse advertida, conclui a resposta como seguro disso, a qual compreende tudo o que achei neste termo de que pudesse falar.
E para fé desta verdade me assino, em Lebução, catorze de Abril de mil e setecentos e cinquenta e oito anos.

O Padre António Fernandes d’Além
Cura de Lebução
[não assinaram testemunhas]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Desconhecido membro da família real portuguesa em Moçambique

Chama-se Alberto Sousa Araújo, vive nos arredores da cidade da Beira, em Moçambique, e alega ser neto do rei D. Carlos. Um vídeo gentilmente compartilhado por Carlos Vicente.

video

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

174.º Aniversário do nascimento de D. Pedro V, rei de Portugal

Por Leonel Salvado


D. Pedro V, aliás Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Saxe Coburgo e Bragança, nasceu a em 16 de Setembro de 1837 no Palácio das Necessidades em Lisboa, primogénito da rainha D. Maria II e do príncipe consorte, depois rei de Portugal, D. Fernando II. Foi o 32.º monarca de Portugal.
Ascendendo ao trono em 1853 e aclamado cerda de dois meses depois, quando completou os 18 anos de idade, deu provas claras da sua exemplar vocação governativa, recebendo o cognome de O Esperançoso – outros o cognominaram de O Bem-amado ou de O Muito Amado, em conformidade e homenagem a uma das suas mais admiráveis acções enquanto soberano que foi o de ter conseguido reconciliar o povo com a Casa Real ao lograr livrar o país do ambiente de tensão e de guerra civil que marcara o reinado de sua mãe.
Foi homem de refinada formação moral e intelectual, encontrando em Alexandre Herculano – seu educador – a melhor fonte de inspiração nessa formação. Empenhou-se na modernização e no desenvolvimento cultural do Reino, promovendo, por exemplo, a introdução do telégrafo eléctrico, inaugurando o primeiro troço dos caminhos-de-ferro (entre Lisboa e o Carregado) e criando um Curso Superior de Letras, em 1859 - entendido como o embrião da actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - a qual subsidiou a expensas próprias.
Mais se conta das suas virtudes que teria sido um monarca sensível aos valores humanitários ao posicionar-se, pessoalmente, como um dos adeptos europeus da abolição da escravatura, (o que terá provocado alguns embaraços nas relações diplomáticas entre Portugal e a França) e ao visitar hospitais e não se coibindo, neles, de se colocar à cabeceira dos doentes vitimados pelas temíveis epidemias de cólera e febre-amarela que então grassavam no Reino. Foi aliás na área da saúde pública que a benignidade deste monarca inspirou nos povos um sentimento de amor e veneração por ele, que há muito não se via em Portugal. A ele e à princesa Dona Estefânia, sua mulher, se deve a fundação do hospital que ainda ostenta o nome desta, entre outros hospitais públicos e instituições de caridade.
Ironicamente, D. Pedro V viria a falecer no mesmo palácio onde nascera apenas 24 anos antes, supostamente por ter contraído febre tifóide, explicação que, contudo, não impediu a que o povo se amotinasse por suspeitar que o seu Bem-Amado rei havia sido envenenado. Está sepultado no Panteão dos Braganças no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Posto que D. Pedro V, prematuramente falecido, não deixara filhos, sucedeu-lhe no trono o seu irmão, Infante D. Luís.

A data de nascimento de D. Pedro V deve ser entendido, em Valpaços, como uma data comemorativa de relevância local, pois foi da natural disposição deste rei, de triste fado, para ouvir e acudir às necessidades dos povos que resultou a tão esperada atribuição da categoria de Vila à localidade já então sede do Município, desde 1836. Efectivamente, em resposta aos insistentes apelos dirigidos nas Cortes pela elevação de Valpaços a Vila da parte do deputado pelo círculo deste concelho, o ilustre valpacense Júlio do Carvalhal, esse acto é finalmente referendado pelo Marquês de Loulé, a 27 de Março de 1861, e confirmado por Carta Régia assinado por D. Pedro V a 4 de Abril do mesmo ano.

Para conhecer o teor do referido documento que transcrevemos da Monografia de Valpaços de A. Veloso Martins, click AQUI.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

161.º Aniversário do nascimento de Guerra Junqueiro


Nascido em Ligares, povoação do concelho de Freixo de Espada à Cinta, a 15 de Setembro de 1850, segundo alguns autores, ou a 17 do mesmo mês e ano, segundo outros, Guerra Junqueiro não carece de grandes apresentações para a maioria dos portugueses e, sobretudo, dos transmontanos. Nascido no seio de uma família transmontana de camponeses abastados, perdeu a mãe quando contava apenas três anos, fez os estudos preparatórios em Bragança e com apenas dezasseis anos de idade matriculou-se no Curso de Teologia na Universidade de Coimbra, transferindo-se pouco depois, na mesma instituição, para o curso de Direito que terminou em 1873, aos vinte e três anos. Se é certo que despertou muito cedo para a literatura, escrevendo em 1864, a sua primeira obra conhecida, “Duas páginas dos quatorze anos”, é também reconhecida pela a sua precoce entrada e escalada na vida política e administrativa, sendo, assim, recordado suas notáveis qualidades de escritor, poeta e jornalista bem como de alto funcionário administrativo, político e deputado. Nesta data comemorativa do seu nascimento seleccionámos uma breve resenha biográfica a seu respeito, que passamos a transcrever.

Nome: Abílio Manuel Guerra Junqueiro
Nascimento: 15-9-1850, Freixo de Espada à Cinta
Morte: 7-7-1923, Lisboa

Poeta e político português, nascido em 1850, em Freixo de Espada à Cinta (Trás-os-Montes), e falecido em 1923, em Lisboa, Guerra Junqueiro é entre nós o mais vivo representante de um romantismo social panfletário, influenciado por Vítor Hugo e Voltaire. Oriundo de uma família de lavradores abastados, tradicionalista e clerical, é destinado à vida eclesiástica, chegando a frequentar o curso de Teologia entre 1866 e 1868. Licenciou-se em Direito em Coimbra, em 1873, durante um período que coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã. Nessa cidade convive de perto com o poeta João Penha, em cuja revista literária,  A Folha, faz a sua estreia literária. Durante a sua vida, combina as carreiras administrativa (exercendo a função de secretário dos governos civis de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo) e política (sendo eleito por mais de uma vez deputado pelo partido progressista) com a lavoura nas suas terras de Barca de Alva, no Douro. Nos anos oitenta, participa nas reuniões dos Vencidos da Vida, juntamente com Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e António Cândido, entre outros. Reage ao Ultimato inglês de 1890, com o livro de poesias Finis Patriae, altura em que se afasta ideologicamente de Oliveira Martins, confiando na República como solução para os males da sociedade portuguesa. Entre 1911 e 1914, assume o cargo de Ministro de Portugal na Suíça. Na fase final da sua vida, retira-se para a sua propriedade no Douro, assinalando-se então uma viragem na sua orientação poética, que se volta para a terra e para "os simples", como atestam as suas últimas obras:  Pátria  (1896), ainda satírica, mas já de inspiração saudosista e panteísta;  Os Simples  (1892) - um hino de louvor à terra, de uma poesia que evoca a sua infância, impregnada de saudosismo, de recordações calmas e consoladoras e onde se sente uma grande ternura pela correspondente paisagem social; Oração ao Pão (1903) e Oração à Luz (1904), estas enveredando por trilhos metafísicos.
O anticlericalismo, que em vida lhe granjeou o escândalo e a fama, o estilo arrebatado, vibrante, apoiado na formulação épica do verso alexandrino de influência huguana, contribuíram para a apreciação do crítico Moniz Barreto:
"Quando se procura a fórmula do espírito de Guerra Junqueiro acha-se que ele é muito mais orador que poeta e que tem muito mais eloquência que imaginação." Poeta panfletário, confidencial, satírico e também religioso, o seu valor foi contestado na década de 20. No entanto, os seus defensores nunca deixaram de acreditar na sua genialidade como satírico e como lírico.

Bibliografia: Duas Páginas dos Catorze Anos, 1864 (poesias); Mysticae Nuptiae, 1866 (poesias); A Vitória da França, 1870 (poema); A Espanha Livre, 1873 (poema); A Morte de D. João, 1874 (poema); Contos para a Infância, 1877 (contos); A Musa em Férias, 1879 (poesias); A Velhice do Padre Eterno, 1885 (poesias); Finis Patriae, 1890 (poesias); Marcha do Ódio, 1890 (poesias); Os Simples, 1892 (poesias); Pátria, 1896 (poesias); Oração ao Pão, 1903 (poema); Oração à Luz, 1904 (poema); Prosas Dispersas, 1921 (prosas); Horas de Combate, 1924 (prosas, edição póstuma)

In Infopédia,Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-09-15].
Disponível na www:

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

126.º Aniversário do nascimento de Aquilino Ribeiro


Comemorou-se ontem, dia 13 de Setembro,  o 126.º Aniversário do nascimento de Aquilino Ribeiro que foi, e ainda é, incontestavelmente, uma das grandes referências da literatura portuguesa, mas foi também uma das personagens mais controvérsias da História nacional, sabendo-se dele, por exemplo, que estabeleceu uma relação pessoal e familiar com Manuel Buíça, o famigerado regicida oriundo de Bouçoais/Vinhais.

Para ver nosso post, editado por ocasião do 125.º Aniversário do seu nascimento, click AQUI.

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – FRIÕES

Por Leonel Salvado
MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 16, FRIÕES, Chaves
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 16, n.º 197, p. 1191 a 1210]


Ilustríssimo e Reverendíssimo Senhor.
Manda-me Vossa Ilustríssima e Reverendíssima informar tudo o que se procura nos interrogatórios inclusos, o que faço conforme tenho a notícia e várias informações que dos moradores desta mesma freguesia tomei, cujas notícias são as seguintes.
Esta freguesia de Friões acha-se na Província de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, Primaz das Espanhas, Comarca e termo da Vila de Chaves. Os donatários desta freguesia, como também destas terras, são os Príncipes e Senhores deste Reino, duques de Bragança, cujos moradores reconhecem com muitas e várias doações, pois só esta freguesia (presumo) paga mais de quatrocentos alqueires de pão em cada ano além de outras mais pitanças de carne. 
Ao presente acham-se nesta freguesia, em número dos lugares, que a esta igreja são obrigados, duzentos e cinquenta e quatro fogos e, entre pessoas de sacramento, menores e ausentes, se acha serem novecentas e sessenta e quatro pessoas.
Esta igreja se acha situada numa campina e do adro se descobrem várias terras, pois da parte de nascente se está vendo a Vila de Mirandela, a qual dista cinco léguas, pouco mais ou menos, e em cuja distância se acham de permeio várias freguesias como são a de Ervões, da Sagrada Religião de Malta, a de Vassal, a freguesia de Valpaços, a de Rio Torto e a de Lilela, estas todas do Arcebispado de Braga, e de Eixes, este do Bispado de Miranda. Como também a Serra de Santa Comba que é da freguesia de São Pedro dos Vales, a qual dista desta igreja, pouco mais ou menos, cinco léguas, em cuja distância se avista de permeio a freguesia de Santiago da Ribeira, São Mamede de Argeriz, a abadia de Água Revés e demais partes se não descobrem mais terras, só as ditas freguesias, por ser larga, como em seu lugar se dirá.
Toda esta freguesia é composta de dez lugares, como são: Friões, aonde está a igreja, Quintela, Mosteiró de Cima, Paranhos, Ladário, Vilaranda Boa, Celeirós, São Domingos, Vilarinho e Ferrugende. Cada um destes lugares, por si, tem termo seu. O primeiro lugar, que é de Fiães, tem cinco fogos comuns e um do coadjutor, Quintela tem cinquenta e sete, Mosteiró trinta e um, Paranhos vinte e três, Ladário catorze, Vilaranda Boa vinte, Celeirós trinta e oito, São Domingos nove, Vilarinho vinte e três, Ferrugende trinta e três. 
Esta igreja matriz posta nesta quinta do lugar de Friões está, ao presente, fora do dito lugar, pois está à parte do nascente, a cujo adro está contígua a casa da residência e os mais tratadores, ainda que poucos, a pouca distância da igreja. Dizem alguns velhos desta freguesia que este lugar fora de quarenta moradores, antigamente; porém, dando, já há muitos anos, nele, um contágio suspeito, se arruinara. 
O orago desta igreja é São Pedro Apóstolo e está colocado no Altar-mor, onde se acha também o Sacrário do Santíssimo Sacramento. Tem quatro altares colaterais, todos em correspondência de uns aos outros. Da parte da Epístola se acha o Altar de São Brás e o do Senhor Santo Cristo. Da parte do Evangelho está o da Senhora do Rosário e o de Santa Marinha. A igreja não tem nave alguma e nela se acha uma Irmandade das Almas. Conforme consta da carta que se me passou nela se pode ver este Benefício com o título de Reitoria, ainda que eu veja, conforme o Concílio Tridentino, que se falta ao que há obrigação de se me dar. Fui apresentado pelo Senhor Rei Dom João quinto, que na Santa glória esteja, tem muito trabalho e rende pouco, pois não chega a render duzentos mil réis. Nesta freguesia não há beneficiado algum mais do que eu e um coadjutor que tenho, que lhe renderá trinta mil réis, digo que lhe renderá, do que ao presente se lhe dá dezoito até vinte mil réis que lhes pagam os rendeiros do priorado da Vila de Chaves, por andar esta renda junta àquela, e, com ela, a Basílica Patriarcal. Estou em poder de o apresentar.  
Neste lugar de Friões se acha uma capela da Senhora da Conceição, a qual dista poucos passos fora do lugar (outros reclamam a Senhora da fonte por ter aí uma dentro da capela, em forma de poço, metida debaixo de um tapume [?] da capela, e outra fora do adro). A esta capela acede alguma gente em romaria, principalmente nos meses de Maio, Junho, Julho e Agosto. 
Têm todos os lugares suas capelas para administração dos sacramentos quando seja necessário, com é a do lugar de Quintela da Senhora das Necessidades, a de Mosteiró de Santo António, a de Paranhos de São João Baptista, a de Vilaranda Boa de São Simão e tem mais outras que é a de Santa Catarina, que se acha quase demolida, cujos administradores são os herdeiro que ficaram de Gaspar de Queiroga da freguesia de Souto Velho, em Celeirós a da Senhora da Assunção, em São Domingos a do mesmo Santo, em Vilarinho a de Nossa Senhora da Expectação, e a do lugar de Ferrugende de São João Baptista, excepto o Ladário que não tem ermidas. A nenhuma das ermidas acima acodem romagens mais do que à Senhora da Conceição ou da Fonte. 
Os frutos que mais ordinariamente se colhem dentro dos limites desta freguesia são centeio, castanha e algum trigo. 
Cada um dos lugares desta freguesia tem juízes pedaneos que servem os homens de cada lugar no seu distrito que em muitos andam à roda pelas sentenças de acórdãos que têm feito, para todos as mesmas, e, nesta freguesia, este lugar de Fiães anda junto com os de Vilarinho, Ladário, Vilaranda Boa, Paranhos, Calvo, da freguesia de Padrela, São Domingos, Valongo,  da freguesia de Ervões, e todos estes juízes estão sujeitos ao Juiz de Fora e Câmara da Vila de Chaves.
Nesta freguesia não há feira em tempo algum, só sim, por tradição antiga, no dia de São Pedro, aos vinte e nove de Junho, todos os anos se faz um mercado neste lugar de Friões cujo nome dele não se pode dar de feira.
Nesta freguesia não há correio e se têm algumas cartas de ir para alguma parte, se as querem remeter, valem-se do correio de Chaves, que chega na quarta-feira de cada semana e parte nos domingos, e desta freguesia àquela Vila são duas léguas de distância.
Esta freguesia dista da cidade de Braga, cabeça de Bispado, dezassete léguas, pouco mais ou menos, e da cidade de Lisboa sessenta e cinco, conforme dizem.
Não consta ter esta freguesia privilégios alguns mais do que o lugar de Mosteiró de Cima ter um passado pelo Senhor Rei Dom João quinto, que em Santa glória esteja, aos catorze do mês de Outubro de mil e setecentos e trinta e cinco, que livra todos os moradores do dito lugar de todos os encargos do povo, cujo privilégio mandou passar por serem os moradores do dito lugar donatários à Sereníssima Casa de Bragança, pagando, em cada ano, para o almoxarifado de Chaves cem alqueires de centeio e, de pitança, onze tostamis e um vintém. Como também há outro no lugar de Ferrugende mandado passar pelo dito Senhor, da mesma sorte, e feito aos três e Março do ano de mil setecentos e trinta.
O tremor de terra no ano de mil e setecentos e cinquenta e cinco não causou ruína alguma digna de que se faça menção. 
Nesta freguesia prevalecem todos os lugares dela, situados em vales. Não há serra de nome que as circunde, pois todos ou a maior parte deles têm seus montes de plantas, como são os carvalhos, a queiroga e alguma carqueja, como também giestas de esteira. Ainda nestes montes, como no coração da freguesia, por vários lugares ou caminhos, há inúmeras ervas medicinais como se diz na língua latina, violeta, centauro, celidónia, orégãos, colombrina, artemisa e outras mais que os professores procuram quando deles têm necessidade. Fora do lugar de Quintela, desta freguesia, a pouca distância do dito povo ao sítio, se acharam umas pedrinhas oitavadas e semelhantes a vidros que a meu ver são de cristal mineral. Também nesse sítio, da parte do lugar de Celeirós, saem numa parte em magotes e, de umas e outras, tendo mandado vir algumas à minha presença, se acham em meu poder e delas fiz uma experiência digna de reparo: deitando umas poucas ao lume, fazem nele imagens estranhas que a todas fazem-nas ser em pedaços.
No limite que ocupa esta freguesia não há um rio que se possa chamar de consideração. Há, sim, três regatos, um chamado de Quintela, que parte dele principia nas lamas do dito lugar, e outra parte vem da serra do monte que está para a parte de nascente e junta-se num sítio a que chamam o Cobrão, no limite deste lugar de Friões. Tem o curso arrebatado por correr por cima de várias fragas. De Verão ele corre seco. De catorze moinhos que na distância do dito rio ou regato se viam, do dito lugar de Quintela até defronte do de Alpande, freguesia de São João de Ervões, durante vários anos, há muito tempo deixaram de moer por falta de água. E mais, juntando-se a ele o que vem de Ferrugende, que nasce nas lamas chamadas do Castelo e junta-se no limite do lugar acima de Alpande. Não criam as águas destes regatos peixes mais do que algum salmão, escalo, este pequeno, algumas enguias, ou cobras. Ao longo dos regatos, em várias partes, cultiva-se as suas margens e se acham nelas vários lameiros. Suposto que seja de erva bravia, alimenta-se o gado que há por esta terra. Não se acha pelo dito sítio arvoredo de fruto mas sim silvestre, como são os carvalhos, amieiros e outra casta de lenha que, como esta montanha seja muito desabrigada do frio no tempo do Inverno, procuram os moradores dela para poderem reagir à inclemência do tempo. As águas dos ditos lugares não consta que tenham virtude alguma. Acham-se nestes regatos três pontes de pau com algumas lagoas por cima, uma no de Quintela e duas no de Ferrugende, e, indo para o Ladário, lugar desta mesma freguesia, se acha um pontilhão também formado de traves e pedra por cima e quando é no Estio se rega em muitos lugares com a água deles.

E como prestei toda a diligência devida, só por ver se achava auditoria de mais algumas antiguidades não me foi possível, por enquanto fico rogando e pedindo a Deus que guarde a pessoa de Vossa Ilustríssima e Reverendíssima […].


Friões, 2 de Maio de 1758,
[…]
Manuel Teixeira Pires
O Reitor Miguel Gonçalves Lage
O Vigário João Gonçalves Lage


Este vai assinado pelo Reverendo Reitor de Nogueira da Montanha e pelo Reverendo Vigário de Maças, os quais são os párocos conjuntos a estas freguesias e que conste ser esta declaração era ut supra.
Manuel Teixeira Pires

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – FORNOS DE PINHAL

Por Leonel Salvado


MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 16, FORNOS DE PINHEL [leia-se FORNOS DE PINHAL], Monforte de Rio Livre.
[Cota actual: Memórias paroquiais, vol. 16, n.º 135, p. 851 a 854]

Fornos do Pinhal
Província de Trás-os-Montes, Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Torre de Moncorvo, termo de Monforte de Rio Livre, anexa do Benefício de Santa Valha. É do donatário que é o Conde de Atouguia. Tem cento e quatro vizinhos e trezentas e vinte e quatro pessoas de sacramento. Está situado num vale e descobre-se dela o povo da Bouça e o de Vale de Telhas que dista, cada um deles, uma légua. Tem termo seu que terá meia légua em circuito e não compreende lugar nem aldeia alguma. Está a paróquia dentro do lugar e não tem mais lugares nem aldeias. O seu orago é da colação de São João Baptista e tem somente três altares, o altar maior do orago e os dois colaterais, um de Nossa Senhora do Ó e outro de São Sebastião. Não tem Irmandade alguma. O seu pároco é Cura por apresentação do Abade de Santa Valha e tem de rendimento cinquenta mil réis, pouco mais ou menos. Tem duas ermidas, uma de Nossa Senhora com o título do Prado, no fim do povo saindo para Santa Valha, que pertence ao povo, e outra de Santo António, no fim do povo saindo para Vale de Telhas, que pertence a Francisca de Morais, mulher nobre. À capela da Senhora do Prado concorrem muitos romeiros, especialmente a oito de Setembro. É Senhora de muitos milagres. Os frutos da terra que os moradores recolhem medianamente são pão, centeio, vinho, azeite, castanha e feijão, porém disto pouco. Não tem juiz ordinário nem câmara, está sujeito ao juiz e Câmara de Monforte de Rio Livre e ao Corregedor e Provedor de Moncorvo. Não tem correio, serve-se do correio de Chaves que dista quatro léguas. Dista da cidade capital de Bispado dezoito léguas e de Lisboa, capital do Reino, setenta.
Quanto à serra não há que dizer por causa de o povo distar longe das serras.
À distância de quase meia légua deste povo passa um rio que se chama Rabaçal. Nasce no Reino da Galiza mas não se sabe como se chama o sítio. Não se sabe se nasce logo caudaloso. Corre todo o ano. Entra nele uma ribeira chamada do Calvo. Esta, em partes é útil para os campos porquanto os moradores regam prados e linhóis e em partes são as suas margens inférteis e despenhadeiras. Passa na distância deste povo meio quarto de légua pela parte do poente e morre no Rabaçal, na parte do Sul, no sítio chamado Gasalho. Não é navegável nem capaz de embarcações. É de curso arrebatado em toda a sua distância. Corre da parte do Norte para a do Sul. Cria peixes em abundância e suas espécies originais são barbos e bogas. Não se cultivam as suas margens de uma parte e de outra por serem muito despenhadeiras e terem muitas árvores silvestres. Sempre conserva o mesmo nome Rabaçal e não consta que em nenhum tempo tivesse outro nome ou princípio de o ter. Morre no rio Tuela, por cima da Vila de Mirandela. Tem cachoeiras, açudes, é fragoso e de arrebatado curso que lhe impede o ser navegável.
Tem uma ponte de pedra bem lavrada, com suas grandes colunas em cantaria bem fabricada no sítio de Barca, limite de Vale de Telhas, termo de Mirandela. Tem moinhos e azenhas de moer pão e não consta que tenha outro engenho algum. Não consta que em nenhum tempo tirassem da sua área ouro nem outra casta de metal. Não usam os povos de suas águas por causa de suas margens, de uma parte, e noutra serem infabricáveis. Dizem que terá doze ou treze léguas, pouco mais ou menos, e não consta que passe por povoação alguma. E não há mais coisa alguma digna de memória.

O Padre João Nogueira Souto
[Sem data]

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – FIÃES

Por Leonel Salvado


Nota: O elevado grau de degradação do documento das Memórias Paroquiais da freguesia de Ervões (tinta bastante repassada) e a fraca qualidade da respectiva cópia digital (contraste deficiente), impediu-nos de proceder à sua leitura, transcrição e imediata divulgação, em conformidade com o critério de ordem alfabética que adoptámos. A publicação, aqui, deste documento, ficará para uma próxima oportunidade.

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 15 , FIÃES, Monforte de Rio Lima [leia-se Monforte de Rio Livre].
[Cota actual: Vol. 15, n.º 64, p. 403 a 406]

Fiães.
Este lugar de Fiães é uma aldeia sita na Província de Trás-os-Montes. Pertence ao Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Torre de Moncorvo e Termo da Vila de Monforte do Rio Livre e é cabeça do benefício de São Miguel Arcanjo.
É senhor desta Vila de Monforte o Senhor conde de Atouguia, por ser das de seu estado.
Tem esta freguesia dezoito fogos, pessoas de comunhão duzentas e dezoito e de confissão somente vinte e três.
Está esta freguesia situada no alto. Participa igualmente de todos os quatro ventos. É quase todo o termo dela plano […]. Deste lugar se descobrem vários lugares em círculo e na distância de oito a dez léguas.
Está sujeita à Vila de Monforte. Está no termo da Vila.
Está a Paróquia fora do lugar, a um tiro de bala e não tem mais lugares.
É orago desta freguesia São Miguel Arcanjo, Padroeiro do Benefício, tem três Altares, o Altar maior, o da parte direita da Senhora do Rosário, o da esquerda do Santísssimo Nome de Jesus. Tem uma Irmandade do Santíssimo Sacramento.
Tem um Cura anual que é apresentado pelo Abade do dito Benefício que tem a sua dependência no lugar de Sonim, lugar do mesmo Benefício. Tem de estipêndio seis mil e quinhentos réis, dois alqueires de trigo, dois almudes de vinho, ofertas e todo o pé de Altar.
Tem somente um Abade, apresentado por Sua Majestade.
Tem uma Ermida de Nossa Senhora do Socorro que está no meio do povo e pertence à mesma freguesia. A esta Senhora acorrem devotos quase todos os dias, mais em particular na Dominica in Palmis [Domingo de Ramos] e no primeiro Domingo de Agosto em que se festeja a mesma Senhora.
Os frutos que recolhem os moradores em maior abundância são centeio, trigo, vinho, castanhas e linho, feijões e ervilhas.
Tem juiz de vintena chamado pedaneo, sujeito ao juiz ordinário e mais oficiais da câmara.
Não há correio, serve-se do correio de Chaves.
Esta aldeia dista da cidade de Miranda, capital do Bispado, dezoito léguas e da de Lisboa sessenta léguas.
Não tem privilégios alguns nem antiguidades.
Não tem fonte nem lagoa célebre.
Não tem rios alguns nem porto de mar.
Não há murados, mas aldeias abertas.
No terramoto referido [1755] não padeceu ruína alguma.
Não tenho alcançado notícia de coisa alguma que seja de se memorar.


[Documento não assinado nem datado]

terça-feira, 6 de setembro de 2011

DOCUMENTOS: Aldeias do concelho de Valpaços nos meados do século XVIII por freguesias – CURROS

Por Leonel Salvado


DICCIONARIO GEOGRAFICO OU NOTICIA HISTORICA DE TODAS AS CIDADES, VILLAS, LUGARES, e Aldeas, Rios, Ribeiras, e Serras dos Reynos de Portugal, e Algarve, com todas as cousas raras, que nelles se encontraõ, assim antigas, como modernas… d’o Padre Luiz Cardoso
TOMOII
1752
[p.775]

CURROS. Lugar da Provincia de Traz os Montes, Arcebispado de Braga, Comarca, e Termo de Chaves: tem ioncoenta e quatro fogos. A Igreja Paroquial, dedicada a S. Miguel, tem três Altares, o mayor, o de N. S. das Neves, e o de S. Sebastiaõ. O Paroco é Vigario “ad nutum”, apresentaçaõ do Reytor de S. Nicolao de Carrazedo Montenegro. Rende esta Vigairaria vinte alqueires de centeyo, vinte e seis de trigo, vinte e quatro almudes de vinho, sete arráteis de cera fina, e dez mil e seiscentos reis em dinheiro, que tudo para o Commendador, que he o Marquez de Fronteira; e de cadafregues cobra hum alqueire de centeyo. Colhem de toda a casta de frutos. Passa por este districto o rio Reboredo.

In BNP, Biblioteca Nacional Digital

MEMÓRIAS PAROQUIAIS, 1758, Tomo 12 , CURROS, Chaves.
[Cota actual: Vol. 12, n.º 487, p. 3385 a 3392]

Eu, o Padre António Gonçalves, vigário da Freguesia de São Miguel de Curros, Comarca de Chaves, recebi ordem do Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral da Comarca de Chaves, no dia vinte e sete de Fevereiro de mil e setecentos e cinquenta e oito anos, com uns interrogatórios para responder. A eles, o teor é o seguinte.
A Província é de Trás-os-Montes, Arcebispado de Braga, Comarca, Termo e Freguesia de São Miguel de Curros, tudo da Comarca de Chaves.
É de El-rei de Portugal, nosso Senhor. Tem duzentos e quinze [pessoas] de sacramento e dezanove menores. Está situada numas serras e montes. Povoações não se descobrem dela nenhumas e dista destas povoações, ditas atrás, meia légua. Tem termo seu, todo tortuoso e pouco lavradio. Os lugares são três: Curros, que é onde está a igreja matriz, Cabanas e Vale do Campo que vem aí à missa. Cabanas tem doze vizinhos, Vale do Campo outros doze, e Curros vinte e sete.
A igreja está no meio do lugar. O orago é São Miguel, altares tem três, o altar maior é de S. Miguel e do Mártir São Sebastião e dos colaterais, um da Imagem do Santo Cristo e o outro de Nossa Senhora das Neves. Naves não há e Irmandades também não. O Pároco é Vigário “ad nutum” da apresentação do Reitor de São Nicolau de Carrazedo de Montenegro e tem de renda trinta a trinta e cinco mil réis. De beneficiados não há nenhum. De conventos, hospital, casa de misericórdia e ermidas, não há que responder. Os frutos que se colhem são pão e vinho, algum trigo, castanha e algum milho, de tudo pouco. Não há juiz ordinário nem câmara. Estão sujeitos ao juiz de fora e câmara da vila de Chaves.
Correio não há e nos servimos do correio da Vila de Chaves, que dista quatro para cinco léguas, chega na Quarta e parte ao Domingo. Dista do Arcebispado de Braga vinte léguas e da cidade de Lisboa, capital, sessenta léguas. Não padeceu ruína nenhuma [do Terramoto de 1755] que haja de dar notícia.
A serra chama-se Lombo Alto, Palhaça, Sobreira Velha, Sobreira Nova, […] e Salgueiral. Tem de comprimento uma légua e um quarto e de largura uma légua. Principia no marco da Lagoa e acaba no marco de Vale de Égua e de largura, uma légua, da Pedra Escrita até ao Salgueiral.
O rio que se acha nesta freguesia é um rio que vem de Carrazedo e neste se mete um regato que principia na Palhaça e outro que principia no Sabugueiro que se chama do Vale e o dito rio corre para Murça e, daí, para baixo. 
Vilas não há nenhuma na serra. Lugares há os que ficam ditos acima nas ditas serras que são a do Lombo Alto, Sobreira e Salgueiral. Os lugares que estão nelas e ao largo delas são Curros, Cabanas e Vale do Campo. Por algumas partes [da serra] se semeia centeio, por outras há soutos e vinhas e por outras torgas, urzes e não mais. É tão fria que não cria senão montes que nem erva criam. Não há fojos nem lagoas.

O rio não tem nome próprio, senão os dos lugares por onde passa, como o rio de Curros. O sítio de onde nasce é do termo de Padrela. Não nasce caudaloso, vem-se juntando a algumas lagunas e todo o ano corre pouco ou muito. Neste rio não entram outros rios senão os regatos,que já dissemos, o da Sobreira e o do Vale. Não é navegável nem capaz de embarcações. É arrebatado quando há trovoadas em que vêm as águas das serras. Corre de Norte para Sul. Os peixes que cria são peixes miúdos e algumas trutas. Não há pescarias. O rio é comum sem ter senhorios. Nas suas margens não há árvores de fruto, senão alguns amieiros que não dão fruto.
As suas águas não têm virtude nenhuma senão para beber a gente e os gados. Não consta que tivesse outro nome nunca, senão o de rio de Curros, nem outro diferente até ao presente. 
Este mete-se no rio Tua que vai juntar-se com o que vai de Mirandela, que todos correm para o mar. Não há cachoeiras nem represas, senão uns açudes de moinhos e pisões e o rio não é navegável. Não há pontes de cantaria, só há duas de pau, uma que chamam a do Ribeiro e outras dos Salgueiros. Moinhos e pisões alguns há, lagares de azeite e noras ou outro engenho não há. Os povos usam livremente de suas águas sem pensão e as águas alguns anos secam. 
O seu nascimento, que já o disse acima, é em Padrela. Passa por S. João da Corveira e Carrazedo de Montenegro e, deste, por Curros para baixo, por Penabeice, Mascanho e Murça, nada mais. E outra coisa que houve de muito notável foi que no dia de São João de 1757 houve grandes trovões, com pedra, que destruíram os frutos e levaram medas de pão e gados e as águas arrasaram os mais frutos. 
E não se continha mais nos interrogatórios que respondi, com devido respeito, fielmente como se me ordenava. 
E por ser verdade, assino e juro in verbo sacerdotis, Curros, hoje cinco de Março de mil e setecentos e cinquenta e oito anos.


O Vigário, Padre António Gonçalves


O Vigário de São Pedro de Padrela, Francisco Fernandes de Carvalho
O Vigário de Nossa Senhora da Assunção de Tazém, Eleutério de Albuquerque