sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma raridade arquitectónica num lugar idílico – Zibreiro

Fonte Chafariz do lugar do Zibreiro, observação frontal, foto de Adérito Medeiros Freitas,
in Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII, C.Mv:, 2005

A pouca distância da localidade de Possacos, subindo pela “Rua do Zibeiro”, localiza-se um espaço de extraordinária beleza natural e arquitectónica que tem encantado toda a sorte de visitantes, desde os mais comuns aos mais eruditos em diversas áreas de investigação do património natural, histórico e artístico – A Fonte Chafariz da Quinta do Zibeiro, para adoptarmos a designação mais comum. Faz parte de uma grande quinta agrícola de que é proprietária a Sra. Ana Ribeiro Terra Calçada, segundo dados publicados por Adérito Medeiros Ferreira no 2º volume da sua obra “Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII.
Passamos as transcrever o que este investigador publicou nesta sua obra acerca do local e da respectiva fonte.

Localização: Possacos

Lugar: Zibreiro

Altitude: 443 m       Longitude: 7º 16’ 41,1’’ W     Latitude: 41º 37’ 11,5’’

Ano de construção: Desconhecido
Material de construção: granito equigranular de grão fino a médio, com moscovite e biotite e leve alteração química deste último material secundário.
Características gerais: Do ponto de vista arquitectónico esta é, na minha opinião, a mais rica “Fonte Chafariz” do concelho de Valpaços. Encontra-se fazendo parte de uma grande Quinta, hoje parcialmente abandonada, num meio envolvente de rara beleza possuindo, como seu prolongamento para um e outro lado, um extenso muro em granito, também ele de óptimo aparelho, com 1,60 m de altura. Tanques de granito e plantas ornamentais de várias espécies, envolvidos por vinhedos, pomares e outros terrenos de cultura, completam este quadro maravilhoso.
A planta interna, em forma de ferradura, mede 3,70 m de comprimento e 3,10 m de largura. De um e outro lado dois bancos de granito, simétricos, acompanhando a curvatura dos limites laterais internos da fonte, com 40 cm de largura e 42 cm de altura. Cada um destes bancos é formado por duas lajes de granito, suportadas por três apoios do mesmo material litológico. Todo o espaço ocupado pela fonte se encontra lajeado.
Na zona de maior curvatura deste espaço, 79 cm acima do pavimento, encontra-se uma abertura que comunica com a nascente, possivelmente através de uma mina. Por cima desta abertura, um cachorro de granito saliente do muro limitante posterior, constitui o apoio para um tosco recipiente contendo uma planta ornamental (“begónia”). A água que sai da nascente corre por uma caleira também de granito, com 1,34 m de comprimento que possui, mais ou menos a meio, uma porção dilatada com uma cavidade com a mesma morfologia. A suportar esta caleira, com sinais evidentes de já ter sido partida em dois locais, uma elegante coluna apoiada no pavimento com 69 cm de altura. Da caleira referida, a água cai numa bonita pia de granito em forma de concha com 36 cm de profundidade e cujos dois diâmetros, perpendiculares entre si, medem 1,10 m. Esta pia é suportada por uma base cilíndrica com 20 cm de altura e 24 cm de diâmetro. Da pia, a água cai numa caleira existente no pavimento lajeado, que mede 5,85 m de comprimento, 7 cm de largura e 3 cm de profundidade e termina num tanque de lavar roupa.
O muro que limita o espaço interno, em forma de ferradura, possui 2,43 m de altura e é coroado por uma cornija, saliente 18 cm e com 18 cm de espessura. Frontalmente e como a fotografia muito bem documenta existem, de um e outro lado, a flanquear a entrada, duas bonitas e muito bem trabalhadas “pilastras”. A cobrir todo o espaço podemos ver três arcos em ferro forjado que se destinavam, informaram-me, a servir de apoio a uma ramada de videiras que, por sua vez, proporcionavam uma agradável sombra, no Verão.

Adérito Medeiros Freitas, Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água (…), CMV, 2005, vol. II, pp. 23-24




Pseudo-painel de azulejos | adaptação de Leonel Salvado com base na foto  inserida acima
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2 comentários:

  1. Muito interessante. Já tinha passado naquele local várias vezes sem saber asua historia. Obrigada!

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  2. Queria alertar para o facto de haver espanhóis que a querem arrancar do local onde está iomplantada! Não sei se é protegida pelo PDM. Penso ser necessário conhecer a sensibilidade dos proprietários em relação a esta preocupação.

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