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sexta-feira, 30 de março de 2012

90.º Aniversário da partida de Sacadura Cabral e Gago Coutinho para a primeira travessia aérea do Atlântico Sul

Partida do Lusitânia com Sacadura Cabral e Gago Coutinho, Lisboa, 1922
http://pt.wikipedia.org | http://www.fotolog.com.br

Já nos reportámos a esta efeméride na nossa publicação no dia 17 de Junho de 2010, intitulado “A primeira travessia aérea do Atlântico-Sul, que é uma abordagem geral a este glorioso feito de Sacadura Cabral e Gago Coutinho na História da Aeronáutica Mundial e que contém ainda as resenhas biográficas de cada um destes protagonistas.
Para ver ou rever este assunto clique

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

142.º Aniversário do nascimento de Gago Coutinho

Gago Coutinhohttp://fernandomachado.blog.br
Carlos Viegas Gago Coutinho, oficial da Marinha portuguesa, foi um conceituado geógrafo, cartógrafo, historiador e navegador português, celebrizando-se acima de tudo nesta última área das suas actividades, por ter sido ele quem, juntamente com Sacadura Cabral, cometeu uma das mais arrojadas proezas da História da aeronáutica ao efectuar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, a 17 de Junho de 1922, o que o tornou num dos mais recordados pioneiros mundiais da aviação, não só em Portugal como também no Brasil onde em sua homenagem existem, pelo menos, cinco ruas, uma praça e uma avenida com o seu nome – um prémio devido sobretudo ao facto de aquela proeza ter sido efectuada no contexto das comemorações da independência desta Nação. A primeira travessia do Atlântico Sul foi recordada neste blogue por ocasião do seu 88.º Aniversário. Gago Coutinho nasceu em Lisboa a 17 de Fevereiro de 1869 no seio de uma família humilde, enveredando pela carreira militar, na Marinha, o que lhe proporcionou o apuramento e a confirmação de todas as suas potencialidades e vocação científica a partir do seu ingresso na Escola Naval e da conclusão do curso em 1888. Após uma intensa actividade como cartógrafo em Timor e em África, dedicou-se ao aperfeiçoamento de aparelhos de navegação aérea, já com a colaboração de Sacadura Cabral que conhecera neste continente numa das suas mais arriscadas expedições que se conta ter sido a travessia do mesmo (a pé!). Por todas estas acções, sobretudo pela travessia aérea do Atlântico Sul, foi Gago Coutinho promovido a contra-almirante e carregado de merecidas condecorações e distinções em Portugal e no Estrangeiro. Entretanto dedicou-se à História Náutica, produzindo importantes obras de carácter geográfico e histórico que ainda hoje são preciosas referências para um grande número de investigadores. Faleceu na mesma cidade de Lisboa, onde nascera a 18 de Fevereiro de 1959, a um dia do seu nonagésimo aniversário.

Para a consulta de mais datalhes biográficos de Gago Coutinho clique AQUI.
Para rever a nossa publicação sobre a Primeira travessia aérea do Atlântico Sul, clique AQUI.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sacadura Cabral desapareceu no Mar do Norte há 86 anos

Artur de Sacadura Freire Cabral (Celorico da Beira, 23-04-1881 - Mar do Norte, 14-11-1924)

Já nos havíamos reportado a esta singular figura da História da Aviação em Portugal no post que publicámos a 17 de Junho do corrente ano, intitulado “A primeira travessia aérea do Atlântico Sul”, nesta mesma categoria da “Aviação na História [Nacional]”, que foi um dos seus maiores feitos, juntamente com Gago Coutinho. Decorridos 86 anos da sua trágica morte e do mecânico que o acompanhava, Pinto Correia, algures no Mar do Norte aos comandos de um Fokker T III W, é tempo para deixarmos aqui mais umas palavras em sua memória, subscrevendo o sentido discurso de homenagem que Jorge Estrela lhe dedicou no seu blogue “Phalerae” há quase dois anos, bem como a ilustração e caracterização de um aparelho aeronáutico semelhante ao que foi referido publicados por Miguel Amaral no blogue colectivo “Templar Squadron” a 7 de Julho passado.

domingo, 8 de agosto de 2010

301.º Aniversário da passarola do Padre Bartolomeu de Gusmão



A 8 de Agosto de 1709, o padre jesuíta inventor, Bartolomeu de Gusmão, apresentou em Lisboa, na Sala dos Embaixadores da Casa da Índia, perante a estupefacção de uma numerosa e ilustre assistência, onde se incluía o Casal Real e o Núncio Apostólico, a sua máquina voadora, ao fazer aí uma demonstração técnica das suas potenciais capacidades fazendo subir até ao tecto um balão aquecido a ar. Para alguns autores, a espectacularidade desta demonstração trouxe a Bartolomeu de Gusmão o apoio e a confiança necessária para a concepção de uma versão maior e tripulada do seu engenho que supostamente teria sido testada com sucesso. O engenho foi então baptizado de «a Passarola» e o padre voador, como então se passou a chamar, foi considerado um dos mais importantes pioneiros da aeronáutica a nível mundial, por esta sua proeza, cerca de 70 anos antes do célebre balão dos Montgolfier. José Saramago deixou-nos uma descrição deste extraordinário acontecimento no Memorial do Convento. Para outros, a Passarola nunca voou, e o célebre desenho que lhe está associado não passa de uma criação exótica fruto da curiosidade e da imaginação de um jovem aristocrata que foi aluno de Matemática do inventor cujas experiências com aeróstatos também ficaram muito aquém das suas expectativas e dos acreditavam no seu sucesso, tendo Bartolomeu de Gusmão passado os seus últimos anos em Portugal no meio de grande desilusão e de resignação. Vendo-se perseguido pela Inquisição, mudou-se para Toledo, onde veio a falecer a 18 de Novembro de 1724


Mas quem foi este padre inventor? Em que consistiu exactamente a sua invenção?

Para estas e outras questões sobre o Padre Bartolomeu de Gusmão clique AQUI.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dia Nacional da Força Aérea


Coincidindo, curiosamente com a data comemorativa do nascimento de um dos pioneiros mundiais da aviação a que me reportei na publicação anterior, Louis Blériot, hoje comemora-se em Portugal o Dia da Força Aérea, em homenagem à constituição da Força Aérea Portuguesa, a 1 de Julho de 1952, já lá vão 58 anos. Segundo o Jornal da Madeira, “o programa do 58º aniversário da Força Aérea Portuguesa vai realizar-se este ano no Funchal. Ontem, o chefe de Estado-Maior Luís Araújo formalizou a intenção junto do presidente do Governo Regional, que recebeu a proposta «de braços abertos». O Dia da Força Aérea é a 1 de Julho, mas os actos oficiais vão decorrer a 2 e 3 desse mês, com iniciativas diversas”.



Vejamos alguns tópicos historiográficos relacionados com esta efeméride:

A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesas. As suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha. Em 1 de Julho de 1952, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo independente denominado Força Aérea Portuguesa.


Cronologia histórica

1909 – É fundado o Aero Club de Portugal, por um grupo de oficiais do Exército, com o objectivo de promover o desenvolvimento da Aeronáutica em Portugal, bem como o seu uso militar;

1911 – É criada a Companhia de Aerosteiros do Exército Português, em Vila Nova da Rainha (Azambuja) que se torna a primeira unidade aeronáutica militar portuguesa. A unidade, mais tarde transformada em Batalhão de Aerosteiros, tinha por missão principal a operação de aeróstatos, sobretudo balões de observação;

1912 – A título experimental, são integrados na Companhia de Aerosteiros os primeiros aviões, o primeiro dos quais um Deperdussin B, nascendo assim a aviação militar portuguesa;

1914 – No Exército Português é criado o Serviço Aeronáutico Militar e a Escola Militar de Aeronáutica (EMA), instalada em Vila Nova da Rainha, junto ao Batalhão de Aerosteiros;

1917 – Na Marinha Portuguesa é criado o Serviço e Escola de Aviação da Armada, bem como a primeira base aeronaval, o Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso, em Lisboa;

1917 – No âmbito da participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial é prevista a criação dos Serviços de Aviação do Corpo Expedicionário Português que não chegam a ser activados. A maioria dos militares enviados para França para formarem o serviço integram-se em unidades de aviação francesas e britânicas, onde se tornam os primeiros aviadores portugueses a entrar em combate;

1917 – É enviada para Moçambique uma Esquadrilha Expedicionária para participar nas operações contra os alemães. A esquadrilha torna-se uma das primeiras unidades de aviação militar de África;

1918 – A aviação do Exército é reorganizada, passando a denominar-se Serviço de Aeronáutica Militar e integrando a Direcção de Aeronáutica directamente dependente do Ministro da Guerra, as Escolas Militares de Aviação e de Aerostação, as Tropas Aeronáuticas (de Aviação e de Aerostação) e o Parque de Material de Aeronáutica;

1918 – O Serviço de Aviação da Armada é reorganizado e passa a designar-se Serviços da Aeronáutica Naval;

1919 – É criado o Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República" (GEAR) na Amadora. O GEAR é a primeira unidade operacional de aviação militar em Portugal, integrando esquadrilhas de combate (caças), de bombardeamento e de observação;

1924 – A aeronáutica do Exército passa a arma independente (em igualdade com a Cavalaria, Infantaria, Artilharia e Engenharia) com a designação de Arma de Aeronáutica Militar;

1931 – Os Serviços da Aeronáutica Naval são transformados nas Forças Aéreas da Armada;

1937 – A Aeronáutica Militar é reorganizada, passando a dispor de um comando autónomo, designado Comando-Geral da Arma da Aeronáutica, o que a torna praticamente num ramo independente, apesar de se manter administrativamente dependente do Exército. Anexo ao Comando-Geral é criado o Comando Terrestre de Defesa Aérea. Na nova organização os principais aeródromos militares passam a ser designados Bases Aéreas;

1941 – Com o fim de defender a neutralidade e a soberania portuguesa nos Açores, juntamente com outras forças militares, começam a ser enviadas Esquadrilhas Expedicionárias para o Arquipélago;

1950 – É criado o Subsecretariado de Estado da Aeronáutica com o objectivo de passar a tutelar toda a aviação militar portuguesa;

1952 – Sob tutela do Subsecretariado de Estado da Aeronáutica é criado o Comando-Geral das Forças Aéreas que passa a exercer o comando unificado sobre as aviações do Exército e da Marinha. A nova organização das forças aéreas passa a compreender Forças Independentes e Forças de Cooperação. As Forças de Cooperação abrangem as Forças Aeronavais (formadas com as unidades da antiga Aviação Naval) e as Forças Aeroterrestres. Considera-se este o marco da criação da Força Aérea Portuguesa como ramo independente;

1955 – No seio da FAP, é activado oficialmente o Batalhão de Caçadores-Pára-quedistas, a primeira unidade de tropas pára-quedistas das Forças Armadas Portuguesas;

1956 – O território nacional metropolitano e ultramarino é dividido em três grandes regiões aéreas, que passam a exercer o comando operacional das unidades aéreas estacionadas na sua área: 1ª Região Aérea, com comando em Lisboa, abrangendo Portugal Continental, Açores, Madeira, Guiné Portuguesa e Cabo Verde; 2ª Região Aérea, com comando em Luanda, abrangendo Angola e São Tomé e Príncipe; 3-ª Região Aérea, com comando em Lourenço Marques, abrangendo Moçambique, Índia Portuguesa, Macau e Timor-Leste. Mais tarde, dentro da 1.ª Região Aérea, são criados dois comandos semiautónomos: Zona Aérea dos Açores e Zona Aérea da Guiné e Cabo Verde;

1958 – As Forças Aeronavais e Aeroterrestres são completamente integradas na Força Aérea Portuguesa, deixando de ter qualquer ligação administrativa, respectivamente, à Marinha e ao Exército;

1960 – São criadas as primeiras bases aéreas em Angola (Luanda e Negage);

1961 – Ataques terroristas em Luanda e no norte de Angola dão início à Guerra do Ultramar em que a Força Aérea vai ter um papel muito activo, em operações de combate, reconhecimento, evacuação de feridos e apoio logístico às tropas e população civil;

1961 – O Subsecretariado de Estado da Aeronáutica é substituído pela Secretaria de Estado da Aeronáutica, cujo titular passa a ter assento no Conselho de Ministros, se bem que ainda mantenha um estatuto governamental inferior aos Ministros do Exército e da Marinha;

1961 – O general da Força Aérea Venâncio Deslandes é nomeado Governador-Geral e Comandante-Chefe das Forças Armadas de Angola. A função de Comandante-Chefe implicava o comando conjunto dos três ramos das forças armadas no respectivo Teatro de Operações, sendo o primeiro caso na Guerra do Ultramar em que essa função foi exercida por um oficial não pertencente ao Exército;

1962 – Criação oficial das Formações Aéreas Voluntárias, organizações de milícia aérea civil auxiliar da Força Aérea na Guerra do Ultramar;

1967 - Em 12 de Outubro de 1967, o general da Força Aérea João Anacoreta de Almeida Viana assume interinamente as funções de Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola, cargo que virá a exercer plenamente entre Julho de 1968 e Maio de 1970.

1968 - O general da Força Aérea Venâncio Deslandes assume o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, mantendo-se em funções até 1972.

1974 – Dá-se o golpe militar de 25 de Abril que derruba o governo de Marcelo Caetano e pôe fim à Guerra do Ultramar. Na sequência da revolução são extintos os Ministérios do Exército e da Marinha, bem como a Secretaria de Estado da Aeronáutica. As Forças Armadas deixam de ficar subordinadas ao poder civil, passando à tutela do Conselho da Revolução. Os Chefes de Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas passam a exercer o comando do ramo, com o estatuto de ministro. O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas passa a ter o estatuto equivalente ao de Primeiro-Ministro, ficando na dependência directa do Presidente da República;

1975 - A FAP envia para Timor-Leste um destacamento de helicópteros, que ali opera em apoio das forças portuguesas (entre as quais um destacamento de pára-quedistas) até à invasão indonésia;

1975 - Com a independência dos territórios africanos portugueses, a FAP retira de África, sendo extintas a 2ª e a 3ª Regiões Aéreas. Mantém-se apenas o Comando da 1ª Região Aérea que é, pouco depois, transformado no Comando Operacional da Força Aérea;

1977 – A Força Aérea é reorganizada, sendo criados o Instituto de Altos Estudos da Força Aérea e a Academia da Força Aérea;

1982 – Na sequência da reforma constitucional onde é extinto o Conselho da Revolução, as Forças Armadas voltam a ficar subordinadas ao poder civil. A Força Aérea Portuguesa, tal como os outros ramos, é integrada no Ministério da Defesa Nacional.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a_A%C3%A9rea_Portuguesa
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Afa.gif

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A primeira travessia aérea do Atlântico Sul

Foi há 88 anos que Gago Coutinho e Sacadura Cabral ficaram conhecidos internacionalmente, ao realizarem a primeira viagem aérea entre a Europa e a América do Sul , cumprindo o último troço do trajecto entre Lisboa e o rio de Janeiro, a bordo do Hidrovião Santa Cruz, no dia 17 de Junho de 1922.

A primeira etapa desta heróica viagem que se inciciou em Lisboa às 16:30 horas do dia 30 de Março desse ano, num hidroavião monomotor Fairey FIII-D MkII, com um motor Rolls-Royce e baptizado de "Lusitânia", terminou tranquilamente em Las Palmas nas Ilhas Canárias, onde os tripulantes se demoraram até 5 de Abril. A partir daí sobrevieram os maiores perigos e incidentes, como os que sucederam logo na etapa seguinte que os aeronautas cumpriram a muito custo, escalando na ilha de S. Vicente, no arquipélago de Cabo Verde, com graves danos nos flutuadores devido à humidade neles formada. Após as necessárias reparações,  levantaram vôo no dia 17, do porto da Praia, na  ilha de Santiago, rumo ao arquipélago de S. Pedro e S. Paulo, já em águas brasileiras, amarando aí no dia seguinte, com danos irreversíveis no aparelho, que perdeu um dos flutuadores, o que obrigou a que a dupla de aviadores fosse transportada por um Cruzador da Marinha portuguesa até à ilha de Fernando de Noronha, onde aguardaram pelo envio de um novo hidroavião Fairey a que baptizaram de "Pátria" que lhes permitiu a descolagem no dia 11 de Maio para logo surgir novo infortúnio - uma falha mecânica no motor obrigou-os a  fazerem uma amaragem de emergência e a recolher-se de novo a Fernando de Noronha. No dia 5 de Junho, finalmente, recebem um novo Fayrei F III-D, a que a esposa do então Presidente do Brasil baptiza de "Vera Cruz". Este aparelho foi transportado para o arquipélago de S. Pedro e S. Paulo, de onde os aeronautas portugueses partiram rumo ao Recife e daqui para o Rio de Janeiro, fazendo escalas em Salvador, Porto Seguro e Vitória. Nas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram etusiásticamente aclamados como heróis pela população que os aguardava, aclamação que se estendeu a todas as cidades brasileiras. Estima-se que nos setenta e nove dias da viagem o tempo de vôo dispendido, nos 8.383 quilómetros percorridos, foi de apenas 62 horas e 26 minutos.

Imagem: http://ex-ogma.blogspot.com/2009/02/efemeride-gago-coutinho.html