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terça-feira, 1 de março de 2011

364.º Aniversário do nascimento de S. João de Brito

São João de Brito | ordemfranciscanasecularcabofrio.blogspot.com

A vida de e a morte São João de Brito, segundo “Os Grande Portugueses”

Portugal vivia a Guerra da Restauração quando João de Brito nasceu em Lisboa em Março de 1647, perto da costa do Castelo. Filho do trincheiro-mor de D. João IV, já tinha entrado na adolescência quando foi vítima de uma grave doença. A cura marcou uma viragem na sua vida. Para dar cumprimento à promessa da mãe, vestiu o hábito de S. Francisco Xavier. Neste aspecto, João de Brito parece que tinha o destino traçado num caderno.
Entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em Lisboa, e fez estudos em Évora e Coimbra. Foi professor no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, mas o seu trânsito e influência no meio religioso não se resumiram ao território nacional. O seu sonho era a Índia. Passados alguns anos, e consolidada a vocação, foi ordenado padre e recebeu com alegria o mandato de partir em missão para a Índia. Partiu em 25 de Março de 1673, numa expedição em que seguiram 27 jesuítas, enviados para a Índia e a China.
“Ninguém conseguiu retê-lo. João de Brito foi efectivamente para a Índia, onde levou a sua preocupação evangélica em estado puro. Saiu dos territórios onde os portugueses já estavam para se aventurar em territórios onde nunca tinham estado”, explica D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa. São João de Brito parece que nasceu fadado para cumprir a missão de ser a principal pedra no sapato das atitudes derrotistas, do laxismo, da prepotência e da desesperança. A sua vida mostra um percurso feito de inspiração e competência.
Desembarcou em Goa, a grande capital do Oriente e, de imediato, foi visitar o túmulo de S. Francisco Xavier. Em Abril de 1674 entrou na missão do Maduré, na qual abraçou a vida austera e penitente dos pandarás-suamis, com o objectivo de evitar a repugnância dos indianos cultos pelos missionários, então associados à conversão dos párias, a casta mais desprezada da Índia. A sua figura foi emblemática do novo método de evangelização seguido na Índia pelos missionários. Em 12 anos de apostolado, atravessou os reinos de Ginja e de Travancor, cruzou a pé, muitas vezes descalço, o continente índico e percorreu a costa da Pescaria e de Travancor. Esteve prestes a perder a vida, em muitas situações.
Em 1685 foi nomeado superior da Missão de Maduré. Esperavam-no atribulações e sacrifícios. No território de Murava foi sujeito ao suplício da água e açoites. As autoridades interditaram-no de pregar por aquelas bandas. Em 1686 desencadeou-se uma violenta perseguição no Maravá. São João de Brito apressou-se a apoiar os cristãos e foi preso pelo chefe das milícias daquele reino, que o sujeitou a enormes torturas e condenou-o a ser empalado. Mas a sentença precisava de confirmação do rei. Depois de sujeitá-lo a interrogatório sobre a doutrina que pregava, o monarca restituiu-o à liberdade, impondo-lhe que não voltasse a entrar no Maravá. João de Brito partiu para o Malabar. O provincial mandou-o, então, como procurador à Europa, a fim de, em Lisboa e em Roma, informar o que se passava nas missões. Chegou a Lisboa em Setembro de 1687, mas por motivos políticos o novo soberano, D. Pedro II, não autorizou a viagem a Roma. João de Brito percorreu, então, as principais casas dos jesuítas em Portugal, procurando apoios para a missão no Oriente.
Voltou a partir para a Índia em 1690 com 25 novos missionários, dos quais 14 eram portugueses. Os convertidos ao catolicismo atingiam os 8000. Entre eles contava-se um príncipe da casa real, baptizado em 6 de Janeiro de 1693. Corria célere a fama do apóstolo do Malabar e os poderosos locais olhavam-no com desconfiança. A condenação não tardou. Bastou que João de Brito tivesse ido outra vez à terra de Maravá para que o governador o acusasse de desobediência e o condenasse à morte. O martírio fez-se no alto de um monte, à vista de Urgur. Decapitado, o cadáver foi amputado de pés e mãos, e os despojos dados às feras e aos abutres. Os cristãos puderam ainda recolher o crânio e alguns ossos. Conseguiram obter o cutelo da execução, mediante elevada soma de dinheiro. Foi trazido para Lisboa e oferecido a D. Pedro II, que o confiou à guarda da Companhia de Jesus.
O local do martírio começou de imediato a ser venerado pelos cristãos. Séculos mais tarde o Papa Pio XII canonizou o santo missionário português. “São João de Brito teve a capacidade de ir até ao fim levado por um sonho”, afirma D. Manuel Clemente. “Foi capaz de se adaptar, cultivar os hábitos locais sem perder os valores que também transportava. Isto faz dele uma figura de primeiro plano. De Portugal no seu melhor.”

In RTP, Os Grandes Portugueses | http://www.rtp.pt
Para conhecer outros pormenores sobre a vida de S. João de Brito, clique AQUI.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

20 de Janeiro: São Sebastião, mártir

São Sebastião, mártir, óleo sobre madeira de Marco Palmezzano,
Museu de Belas Artes, Budapeste, Hungria, in http://pt.wikipedia.org

São Sebastião, mártir

É um dos mais antigos santos venerados na Igreja Católica e Ortodoxa e pela religião “Unbanda” que é uma religião especificamente brasileira que propõe a combinação de elementos católicos, do espiritismo e das crenças afro-brasileiras. O culto a S. Sebastião, mártir nasceu no século IV e atingiu o apogeu na Baixa Idade média, em particular nos séculos XIV e XV. Apesar de a sua popularidade ser incontestável pelo grande número de povoações portuguesas de que é padroeiro, nunca foi possível determinar com propriedade a época em que o culto a D. Sebastião se propagou e se intensificou em Portugal. Contudo, por aquilo que verificámos através de variadas fontes, parece que tal aconteceu ao redor do século XVI, ligado ao fenómeno da terrível calamidade que foi a grande mortandade devida à peste negra, para cuja erradicação contribuiu, segundo a crença, o facto de o rei D. Sebastião (cujo nome, por ter nascido a 20 de Janeiro, se deveu alegadamente à popularidade do santo) ter, segundo a “Crónica do Padre Amador Rebelo”, herdado de D. João II a relíquia do santo que foi o seu braço, que este rei recebeu por oferenda de Carlos V e o mandou depositar no Mosteiro de S. Vicente de Fora, e de, em 1573, o mesmo D. Sebastião ter obtido do papa o envio de duas das setas que tinham sido utilizadas no martírio do mesmo santo, tal era a adoração da dinastia de Avis e d’o Desejado pelo santo seu propositado homónimo. É invocado desde então como o padroeiro contra a fome, a peste e a guerra ou, mais simplesmente, contra as epidemias. Crê-se que os restos das suas relíquias ainda se guardam na igreja de S. Sebastião da Pedreira, juntamente com as de S. Lourenço. 





O culto de São Sebastião no concelho de Valpaços

Em nenhuma das freguesias do concelho de Valpaços ele é actualmente Santo padroeiro, ao contrário do que acontece em pelo menos 78 outras aldeias portuguesas mas convém referir, como nos revelou o Reverendo Padre Jorge Fernandes, que frequentemente o culto a determinado santo é influenciado por diversos factores socio-económico e políticos, tendo havido épocas de maior relevância de certas devoções ao culto de S. Sebastião no nosso concelho como o atestam as dezenas de imagens do santo pelas igrejas e capelas do nosso concelho, sinal evidente do culto que este santo ainda persiste por estas terras, como também o atesta a existência da capela de São Sebastião de Vilarandelo (classificada como imóvel de interesse público), cuja construção terminou em 1583 - como se vê na inscrição presente no campanário da mesma (escassos anos após Alcácer Quibir), o que nos permite fazer uma leitura claramente sebastianista daquela construção, bem como do orago da mesma. Em Carrazedo de Montenegro também existe a lindíssima “capela do mártir D. Sebastião”, um largo e um cruzeiro conhecido pelo mesmo nome. Na freguesia de Rio Torto (onde a sua festa se realiza na data própria de 20 de Janeiro) existe igualmente uma capela da sua invocação, o mesmo acontecendo em Ervões, no centro da aldeia, segundo indicação de Padre Jorge Fernandes. Como mais um sinal confirmativo da primeira observação deste sacerdote, que subscrevemos atrás, convém acrescentar que também existiu uma capela da invocação de S. Sebastião na vila de Valpaços, aonde, segundo Francisco Pereira de Aial, vigário de “Santa Maria de Valpaços” nas suas “Memórias Paroquiais” de 1758, acorria grande número de populares em festas e procissões, com a sua milagrosa imagem e por duas vezes o santo livrou gentes e gados de males contagiosos que haviam caído sobre eles. Foi esta capela mandada demolir pela Câmara Municipal em 1914 - haja em revista neste blogue A desaparecida capela de S. Sebastião.

Existe um excelente artigo sobre S. Sebastião, mártir, no site da freguesia de S. Sebastião da Pedreira, que recomendamos a consulta.

domingo, 16 de janeiro de 2011

16 de Janeiro: Santos Mártires de Marrocos

Transcrição adaptada da fonte

Pormenor do altar e retábulo dos Santos Mártires de Marrocos (1750-1751), Igreja S. Francisco de Assis, Porto
Estes mártires foram cinco franciscanos enviados a pregar em Marrocos por S. Francisco de Assis em 1219 dirigindo-lhes estas palavras: “ Meus Filhos o Senhor disse-me que vos mande pregar a fé e a combater a lei de mafoma. Eu vou também a outras terras trabalhar na salvação dos infiéis. Sede fiéis a cumprir a vontade do Senhor. Entre vós conservai a paz, a concórdia e a caridade. Sede humildes na tribulação e imitai a Jesus Cristo na pobreza, na castidade de obediência. Ponde as vossas esperanças em Deus, Ele vos sustentara e vos guiará. Ele velará por vós. Ide em nome do Senhor”. Lá foram os obedientes frades.
O zelo da sua fé levou-os a exagerar a sua actuação por lá. Decidiram então pregar ao próprio califa e foram recebidos pelo filho do Sultão que lhes pediu credenciais para poderem falar com o pai. Foram recebidos mas, mal abriram a boca, e depois de se terem declarado cristãos apelado ao califa que se convertesse e abandonasse a infame e falsa seita de Maomé, o Miramolim decidiu expatriá-los, mandando prendê-los, mas eles lograram escapar-se e logo voltaram a pregar por toda a parte. Um dia, cruzaram-se com o Miramolim de Marrocos e, abordando o carro em que seguia, insistiram importunamente com o líder muçulmano para se converter ao Cristianismo de imediato. O Miramolim, chefe de Estado, chefe religioso e poder judicial, não cuidou de mais tolerâncias e ali mesmo os puniu e degolou por suas próprias mãos. Os restos mortais foram enviados para Portugal pelo infante D. Pedro, filho de D. Sancho I, que lá residia na altura e lhes tinha dado guarida e apoio à chegada. Estes restos mortais foram recebidos com grandes manifestações públicas de luto e de dor. Levados em procissão, foram depois sepultados na Igreja de St.ª Cruz, em Coimbra. Este incidente trágico teve o efeito de motivar Santo António, então cónego regrante de Santo Agostinho, a fazer-se franciscano e a dedicar-se ao apostolado e à peregrinação. Chamavam-se estes mártires Berardo de Lobio, Pedro de S. Gemianiano, Otão, Adjuto e Acúrsio. São representados vestidos de frades a serem executados pelo Miramolim. […]
Fr. Cardoso, OFM.
In http://jjcardoso.blogspot.com

Para consultar uma descrição mais detalhada sobre as acções, o martírio e a canonização dos Santos Mártires de Marrocos clique AQUI.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

10 de Janeiro - dia de S. Gonçalo de Amarante

Última actualização: 11 de Janeiro de 2011

Nascido em 1187 em Arriconha, uma pequena aldeia da freguesia de Tagilde do concelho de Vizela, distrito de Braga, e dado como falecido a 10 de Janeiro de 1259, em Amarante, São Gonçalo de Amarante (Beato Gonçalo para sermos mais rigorosos) tem sido reconhecido pela própria Igreja Católica, como um dos santos portugueses de maior devoção no país, logo depois de Santo António, sobretudo no Norte de Portugal. A permissão do seu culto nesta região pela Sé Apostólica remonta a 1551, concedida pelo papa Júlio III e a sentença da sua Beatificação surgiu 10 anos depois, a instâncias do próprio rei D. Sebastião, do arcebispo de Braga, da ordem dos Pregadores, do cardeal D. Henrique e da população de Amarante junto da Santa Sé, depois de apurados o último dos três processos por comissão do papa Pio IV, com esse fim bem como da sua canonização. Ainda que o processo de canonização nunca tenha sido concluído, foi a partir das referidas decisões apostólicas que S. Gonçalo se transformou no santo patrono da cidade de Amarante. A 10 de Julho de 1671, o papa Clemente X estendeu por fim o seu culto a toda a Ordem dos Pregadores e a todo o país. A sua festa era celebrada publicamente a 16 de Janeiro, à excepção dos Dominicanos da Ordem que o fizeram sempre na suposta data da sua morte, a 10 de Janeiro, como em muitos locais se faz actualmente, desde que assim foi determinada a unificação das festas dos santos em 1969-1970. Convém assinalar que o seu culto se espalhou pelas várias regiões do antigo império ultramarino português, particularmente no Brasil onde é também o santo patrono das três cidades homónimas dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará - “São Gonçalo do Amarante”. Se a devoção oficial a este santo no Norte de Portugal se pode depreender pela realização de Missa e Ofícios litúrgicos próprios, a sua popularidade entre os povos não é menos notória, materializando-se através de festas públicas, na edificação de templos da sua invocação, na interiorização dos seus atributos de santo protector contra as enchentes e de santo casamenteiro, bem como na transmissão e vulgarização de histórias relacionadas com as suas acções milagreiras.

Imagem: Figura de S. Gonçalo, capela do Hospital de S. Gonçalo, Amarante, Portugal, foto de Gouveiar©, in http://pt.wikipedia.org

O culto a S. Gonçalo no concelho de Valpaços

Pelo que me foi possível apurar, S. Gonçalo é também venerado em, pelo menos, três freguesias do concelho de Valpaços. Relativamente à própria freguesia de Valpaços, por exemplo, assinala-se a existência de uma fonte de São Gonçalo, na aldeia anexa de Vale de Casas, curioso indicador da sua popularidade também aqui, onde este santo é padroeiro e celebrado no fim do mês de Janeiro (suponho que no último Domingo deste mês). É também, segundo indicações do nosso amigo, Reverendo Pe. Jorge Fernandes, o santo padroeiro em Lamas de Ouriço, freguesia de Alvarelhos, onde existe um templo da sua invocação e é celebrado a 10 de Janeiro, em conformidade com o calendário lutúrgico. É ainda padroeiro da localidade de Alvites, freguesia de Santiago da Ribeira de Alharis.

Se estiver interessado (a) em consultar uma compilação de dados sobre S. Gonçalo, clique AQUI .
Se estiver interessado (a) em consultar uma biografia de S. Gonçalo, clique AQUI.
Se estiver interessado (a) em consultar algumas lendas sobre S. Gonçalo, clique AQUI.

Nota: Todas as sugestões de rectificação ou  informações complementares a este post são bemvindas e agradecidas, desde que devidamente fundamentadas e apresentadas com o mínimo de razoabilidade e seriedade. OBRIGADO.

Agradecimento: Uma nota de agradecimento ao nosso Amigo Padre Jorge Fernandes pela colaboração prestada na correcção e actualização dos dados publicados aqui na data em epígrafe e referentes ao Culto a S. Gonçalo no concelho de Valpaços.

sábado, 28 de agosto de 2010

Nossa Senhora da Saúde



Começam hoje, as festas religiosas e profanas dedicadas a Nossa Senhora da Saúde, em Valpaços. Para conhecer o respectivo programa, consulte o Notícias de Valpaços, AQUI.


Nossa Senhora da Saúde

É um dos vários nomes pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria, particularmente em Portugal, onde se lhe presta culto com esta designação.

É a santa tradicionalmente invocada pelos doentes e a tradição do seu culto, no nosso país, deve remontar ao século XVI, quando se lhe atribuiu a intervenção miraculosa na erradicação de vários surtos de peste que terão ocorrido em Portugal. O Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, já se fazia eco desta tradição quando comentou: Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde [...].


Iconografia

Geralmente, o único traço iconográfico distintivo da Senhora da Saúde é o segurar com o braço esquerdo o Menino Jesus, à semelhança da Nossa Senhora do Carmo, mas sem qualquer outro adereço (são variadas as indumentárias das diversas Senhoras da Saúde).

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Sa%C3%BAde


O culto da Nossa Senhora da Saúde em Portugal

O culto da Nossa Senhora da Saúde espalhou-se pelo país e hoje são várias as capelas e igrejas (algumas das quais com o título de santuário, como é o caso de Calpaços) que a evocam. Nossa Senhora da Saúde é o orago (ou co-orago) das seguintes povoações:

• Alqueidão (Figueira da Foz);
• Arrifes ( Ponta Delgada);
• Belide (Condeixa-a-Nova);
• Barreiras (Cadaval);
• Carvalhos (Vila nova de Gaia - Portugal)
• Cordinhã (Cantanhede);
• Esposende;
• Gançaria (Santarém);
• Gueifães (Maia);
• Moinhos da Gândara (Figueira da Foz);
• Senhora da Saúde (Évora);
• Sacavém (Loures);
• Torres Vedras (Coutada).
• Valpaços (Vila Real; orago: Santa Maria Maior);
• Vila Fresca de Azeitão (Setúbal);


O culto de Nossa Senhora da Saúde no concelho de Valpaços

Em Portugal, a data da sua celebração não é a mesma em todos os locais onde ela é venerada, variando entre os meses de Abril, Agosto e Setembro. Em Valpaços, por exemplo é, por tradição, celebrada, em eucaristia e procissão, no primeiro Domingo de Setembro, tal como acontece também na Coutada, em Torres Vedras. Como já havíamos referido neste blogue (veja-se Santa Maria Maior e outras devoções Marianas no concelho de Valpaços), Nossa Senhora da Saúde é também festejada nas freguesias de Padrela em Tazém (em Maio) e Rio Torto (em Agosto). Em Alvarelhos, embora não conste da tradição a realização de festejos em sua honra, existe uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Milagres.

Na cidade de Valpaços, as festas religiosas ligadas ao culto desta santa têm como local de atracção de milhares de peregrinos o monumental Santuário que começou por ser uma capela da invocação de Nossa Senhora da Saúde, cuja construção se iniciou no ano de 1897 por iniciativa da respectiva Confraria criada no mesmo ano por algumas figuras conceituadas do concelho, iniciativa essa inspirada na alegada existência de uma pegada da Virgem Maria descoberta numa das lajes desse local. Como referiu o nosso amigo e colaborador, José António Soares da Silva, depois de classificar a descoberta como uma «invenção dos Castros» num artigo publicado a 16 de Janeiro de 2009 no Jornal a Voz de Chaves, intitulado O culto e a romaria de Nossa Senhora da Saúde, «o que é certo é que assim se iniciou o culto a Nossa Senhora da Saúde em Valpaços, dividido em festa religiosa e profana que perdurou até aos nossos dias com assinalável êxito.»

domingo, 18 de julho de 2010

Hoje é Dia de Santa Marinha, virgem e mártir

O culto a Santa Marinha, virgem e mártir de Antioquia, foi devido à sua origem oriental, um dos primeiros cultos a serem recebidos pela Igreja ocidental, aparecendo documentado na Península Ibérica desde meados do século IX. Festejado a 18 de Julho,é um culto muito popular também em Portugal, sobretudo na arquidiocese de Braga onde Santa Marinha é padroeira de vinte e três das suas freguesias e chegou a ser titular secundária do mosteiro de Guimarães. É orago de muitas capelas e simples lugares, não só na arquidiocese de Braga como em outras regiões portuguesas, como é o caso de Lebução, no concelho da Valpaços, onde no 3º Domingo de Julho é realizada, anualmente, uma festa em sua honra, figurando a capela de Santa Marinha de Ferreiros como uma das referências do património cultural e edificado desta freguesia.

Mas esta Santa Marinha, virgem e mártir de Antioquia foi ao longo dos tempos reclamada como originária da Península Ibérica por certas tradições locais na Galiza e Em Portugal. Alguns estudiosos e martirologistas têm procurado esclarecer esta realidade. De entre eles destacamos o Padre José Adilio Macedo que resume assim a sua opinião sobre a situação:

Há, porém, outras Santas Marinhas, de vida mais ou menos lendária, que o espírito imaginativo de certos hagiógrafos fizeram nascer em Igrejas do ocidente. Vamos referir duas dessas lendas:
Uma, na Igreja de Orense, que reivindica esta santa como sua, já a partir do século XIII, mas, sobretudo, com a introdução do seu nome no Martirológio Romano de 1586.
Todavia nem tudo é claro nesta lenda, que não resiste aos críticos da hagiografia. Um autor espanhol - Flórez - prefere dizer que a Santa Marinha de Orense talvez fosse uma santa local, a que, por falta de legenda própria, adaptariam a de santa Marinha de Antioquia.
Outra, na Igreja de Braga, que também reclama esta santa desde o breviário de D. Rodrigo da Cunha, de 1634, que, apresenta santa Marinha como irmã gémea de mais oito meninas, todas mártires, filhas de Lúcio Atílio Severo, governador do território bracarense, e de Cálcia Lúcia, nobre romana, todas elas baptizadas e educadas pelo também lendário bispo santo Ovídio. Esta lenda foi mais tarde artisticamente enroupada por frei Bento da Ascensão, monge beneditino do mosteiro de Pombeiro, no ano de 1722.
Apesar de destituída de qualquer fundamento histórico, é esta a lenda admitida em quase todos os templos dedicados a Santa Marinha.
- Esta breve história de Sta Marinha foi gentilmente cedida pelo Padre José Adilio Macedo.

in http://www.remelhe.bcl.pt/Sta%20Marinha.htm
Imagem: http://www.freg-lousado.pt/fotos/marinha.jpg

quinta-feira, 24 de junho de 2010

650º Aniversário do nascimento de Nuno Álvares Pereira



D. Nuno Álvares e Trás-os-Montes
Trata-se de uma das mais consagradas figuras da História Nacional, tanto no plano temporal – o Condestável – como no plano espiritual – o Beato Nuno. Por outro lado, costuma ser invocado como uma das personagens ilustres de Trás-os-Montes, pela sua ligação a esta província, por via do seu casamento, em 1376,  com D. Leonor de Alvim, uma senhora oriunda de uma abastada família em terras de Basto mas  tida por alguns autores, designadamente o Dr. Barroso da Fonte, como natural de Reboreda, freguesia de Salto, concelho de Montalegre e que havia casado,  em primeiras núpcias, com Vasco Gonçalves Barroso, alcaide do Castelo de Montalegre. Do seu enlace com Nuno Álvares que foi com ela viver para Pedraça, em terras de Basto, um prolongamento das terras do Barroso, nasceram três filhos, dos quais apenas sobreviveu Beatriz ou Brites, a única do sexo feminino, que viria a  casar-se em 1401 com o infante D. Afonso, filho bastardo de D. João I, indo o casal viver para Chaves até 1412, quando Brites aí morreu de parto. Pretende-se que foi da herança patrimonial do Condestável em favor do genro, em títulos (o condado de Barcelos) e terras (no entre Douro e Minho incluindo as do Barroso e em outras regiões do país) em conjunto com o dote que o Mestre de Avis quis atribuir ao filho que foi fundada a Casa de Bragança. De 1640 ao fim da monarquia, a Casa de Bragança garantiu ao país a necessária continuidade dinástica. Mas muito antes deste legado genético se revelar de grande utilidade para a monarquia portuguesa, D. Nuno Álvares Pereira cometeu os mais admiráveis feitos militares de que há memória e de que logo que se fizeram eco os nossos primeiros cronistas, desde Fernão Lopes, pois a ele se deveram em grande parte os sucessos obtidos sobre os castelhanos em várias (inéditas!) batalhas, das quais a referência mais popular foi a batalha de Aljubarrota. Salvaguardada a integridade da soberania portuguesa, Nuno Álvares Pereira despojou-se de todos os bens materiais e se fez monge na ordem carmelita por ele instituída no Convento do Carmo. A sua beatitude tornou-se de imediato popular e ao longo dos séculos ela foi oscilando até que, a 26 de Abril de 2009, o Papa Bento XVI entendeu dispor de argumentos bastantes para o inscrever no álbum dos Santos.

A família
Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois armado cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.


O Condestável
Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.


O Beato Nuno
Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria - a sua terna Padroeira que sempre venerou -, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.


As relíquias
As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.


O Santo
O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.

Referências


- http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/2009/ns_lit_doc_20090426_nuno_po.html (adaptado)
- Barroso da Fonte, Nuno Álvares Pereira: um santo que foi senhor de Trás-os-Montes, in Notícias do Douro, 6 de Março de 2009 | disponível em http://www.dodouro.com/noticia.asp?- - idEdicao=253&id=14973&idSeccao=2811&Action=noticia
Imagens: idem et http://heroismedievais.blogspot.com/2008/07/nuno-lvares-pereira-condestvel-de.html