Correspondendo à expectativa dos habitantes de Valpaços, mais uma vez o Agrupamento de Escolas, proporcionou ontem aos habitantes da cidade um belo desfile, com diversificadas representações alegóricas, onde também não faltaram as habituais réplicas dos célebres caretos de Podence. Aos organizadores de mais este evento que dignifica o concelho e que renova a inabalável disposição deste povo em manter viva a tradição, aos miúdos e graúdos que nela participaram, os nossos Parabéns.
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
Santa Rita de Cássia, festejada ontem, hoje e amanhã em Sanfins de Valpaços
Aos prezados criadores desta Página no “Facebook”, à prezada comunidade de Sanfins (Valpaços) onde a festa em honra de Santa Rita de Cássia ainda decorre (e lamento não poder nela participar) e a todos os que no país e no estrangeiro a veneram, gostaria de deixar aqui uma nota de relevância histórica relacionada com esta bendita Santa, que pretendo seja um singelo gesto de homenagem à sua memória e às festividades que lhe são dedicadas.
Quis o acaso que, há dias, numa publicação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa consagrada ao tema “Sinais dos Expostos, Exposição Histórico – Documental”, e editada em 1987, fosse encontrar uma singular prova da dedicação a esta venerável Santa na capital do país, já pelos finais do século XVIII. Trata-se de um “sinal dos expostos" a que esta instituição guarda nos seus registos, instituição que, como se sabe, desde a sua criação, se dedicou a acolher as crianças recém-nascidas que devido a diversas circunstâncias eram “enjeitadas”, isto é deixadas secretamente aos cuidados da instituição na “roda dos Expostos”. Com elas seguia uma breve mensagem da situação sacramental do(a) exposto(a), quanto a se era baptizada ou não, e da informação ou o desejo deixados pelos responsáveis desse desesperado acto, quanto ao nome adoptado ou a adoptar, ficando, sempre, para eventual posterior resgate, um sinal para a sua identidade que podia variar, material e simbolicamente. No caso, o sinal, como se vê na figura acima, foi uma imagem impressa em papel evocativa da Santa Rita de Cássia, onde se lê “Santa Rita de Cassia vencedora de [das causas] impocíveis, e advogada de terremotos”. Tendo em conta este segundo atributo de Santa Rita de Cássia associado ao evidente trauma que, apenas 35 anos antes a catástrofe de 1755, havia produzido na população da capital, compreende-se a sua larga devoção em Lisboa: No verso da imagem foi manuscrita a seguinte comovente mensagem, datada de 1790:
“este Menino naCeu a deCete do mês de feverejro batiZou-Çe no Ventre da Maj q[uan]do o batiZarem há-de por-Ce-lhe por nome M[anu]el João Zidorio o emfeliz e ha-de Ser Madrinha a F[rei]ra S [anta] Anna ponha-ce Ca na Sid[ad]e a Criar q[eu] com o favor de D[eus] há-de ir tira-Çe batizem-no logo q[ue] Vaj doente”
sábado, 22 de janeiro de 2011
22 de Janeiro: S. Vicente, diácono mártir
S. Vicente de Saragoça na prisão, autor anónimo, Escola Francisco Ribalta, séc. XVII,
in http://es.wikipedia.org
S. Vicente Mártir ou São Vicente de Saragoça, também conhecido por São Vicente de Fora, foi martirizado em Valência no início do século IV (crê-se que no ano de 304) durante as perseguições do Imperador romano Diocleciano contra os cristãos da Península Ibérica, que ficou a cargo do delegado imperial, Daciano. O seu cruel martírio até à morte foi devido, segundo a tradição, à sua recusa em oferecer sacrifícios aos deuses do panteão romano. É orago da Diocese do Algarve e da Sé Patriarcal de Lisboa, onde se guardam algumas das suas relíquias sendo o Padroeiro da cidade de Lisboa, onde a sua imagem é representada com uma barca e um corvo, mas também em outras povoações portuguesas, representação essa baseada na tradição de que em 1173 as suas relíquias foram conduzidas numa barca desde o Cabo de S. Vicente, no Algarve, para Lisboa, a mando de D. Afonso Henriques, e veladas durante todo o trajecto por dois corvos. Também aparece representado com palma (que simboliza o martírio) e evangeliário. É comemorado a 22 de Janeiro pela Igreja Católica e a 11 de Novembro pela Igreja Ortodoxa. Em Portugal é ainda o santo protector e advogado das crianças.
No concelho de Valpaços, é orago das Paróquias de Barreiros e Vilarandelo, sendo celebrado na data própria: 22 de Janeiro. É ainda padroeiro da povoação de Vilela, freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz.
Para ver um resumo biográfico de S. Vicente, diácono e mártir visite no Acidigital a página SANTORAL.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
20 de Janeiro: São Sebastião, mártir
São Sebastião, mártir, óleo sobre madeira de Marco Palmezzano,
Museu de Belas Artes, Budapeste, Hungria, in http://pt.wikipedia.org
São Sebastião, mártir
É um dos mais antigos santos venerados na Igreja Católica e Ortodoxa e pela religião “Unbanda” que é uma religião especificamente brasileira que propõe a combinação de elementos católicos, do espiritismo e das crenças afro-brasileiras. O culto a S. Sebastião, mártir nasceu no século IV e atingiu o apogeu na Baixa Idade média, em particular nos séculos XIV e XV. Apesar de a sua popularidade ser incontestável pelo grande número de povoações portuguesas de que é padroeiro, nunca foi possível determinar com propriedade a época em que o culto a D. Sebastião se propagou e se intensificou em Portugal. Contudo, por aquilo que verificámos através de variadas fontes, parece que tal aconteceu ao redor do século XVI, ligado ao fenómeno da terrível calamidade que foi a grande mortandade devida à peste negra, para cuja erradicação contribuiu, segundo a crença, o facto de o rei D. Sebastião (cujo nome, por ter nascido a 20 de Janeiro, se deveu alegadamente à popularidade do santo) ter, segundo a “Crónica do Padre Amador Rebelo”, herdado de D. João II a relíquia do santo que foi o seu braço, que este rei recebeu por oferenda de Carlos V e o mandou depositar no Mosteiro de S. Vicente de Fora, e de, em 1573, o mesmo D. Sebastião ter obtido do papa o envio de duas das setas que tinham sido utilizadas no martírio do mesmo santo, tal era a adoração da dinastia de Avis e d’o Desejado pelo santo seu propositado homónimo. É invocado desde então como o padroeiro contra a fome, a peste e a guerra ou, mais simplesmente, contra as epidemias. Crê-se que os restos das suas relíquias ainda se guardam na igreja de S. Sebastião da Pedreira, juntamente com as de S. Lourenço.
O culto de São Sebastião no concelho de Valpaços
Em nenhuma das freguesias do concelho de Valpaços ele é actualmente Santo padroeiro, ao contrário do que acontece em pelo menos 78 outras aldeias portuguesas mas convém referir, como nos revelou o Reverendo Padre Jorge Fernandes, que frequentemente o culto a determinado santo é influenciado por diversos factores socio-económico e políticos, tendo havido épocas de maior relevância de certas devoções ao culto de S. Sebastião no nosso concelho como o atestam as dezenas de imagens do santo pelas igrejas e capelas do nosso concelho, sinal evidente do culto que este santo ainda persiste por estas terras, como também o atesta a existência da capela de São Sebastião de Vilarandelo (classificada como imóvel de interesse público), cuja construção terminou em 1583 - como se vê na inscrição presente no campanário da mesma (escassos anos após Alcácer Quibir), o que nos permite fazer uma leitura claramente sebastianista daquela construção, bem como do orago da mesma. Em Carrazedo de Montenegro também existe a lindíssima “capela do mártir D. Sebastião”, um largo e um cruzeiro conhecido pelo mesmo nome. Na freguesia de Rio Torto (onde a sua festa se realiza na data própria de 20 de Janeiro) existe igualmente uma capela da sua invocação, o mesmo acontecendo em Ervões, no centro da aldeia, segundo indicação de Padre Jorge Fernandes. Como mais um sinal confirmativo da primeira observação deste sacerdote, que subscrevemos atrás, convém acrescentar que também existiu uma capela da invocação de S. Sebastião na vila de Valpaços, aonde, segundo Francisco Pereira de Aial, vigário de “Santa Maria de Valpaços” nas suas “Memórias Paroquiais” de 1758, acorria grande número de populares em festas e procissões, com a sua milagrosa imagem e por duas vezes o santo livrou gentes e gados de males contagiosos que haviam caído sobre eles. Foi esta capela mandada demolir pela Câmara Municipal em 1914 - haja em revista neste blogue A desaparecida capela de S. Sebastião.
O culto de São Sebastião no concelho de Valpaços
Em nenhuma das freguesias do concelho de Valpaços ele é actualmente Santo padroeiro, ao contrário do que acontece em pelo menos 78 outras aldeias portuguesas mas convém referir, como nos revelou o Reverendo Padre Jorge Fernandes, que frequentemente o culto a determinado santo é influenciado por diversos factores socio-económico e políticos, tendo havido épocas de maior relevância de certas devoções ao culto de S. Sebastião no nosso concelho como o atestam as dezenas de imagens do santo pelas igrejas e capelas do nosso concelho, sinal evidente do culto que este santo ainda persiste por estas terras, como também o atesta a existência da capela de São Sebastião de Vilarandelo (classificada como imóvel de interesse público), cuja construção terminou em 1583 - como se vê na inscrição presente no campanário da mesma (escassos anos após Alcácer Quibir), o que nos permite fazer uma leitura claramente sebastianista daquela construção, bem como do orago da mesma. Em Carrazedo de Montenegro também existe a lindíssima “capela do mártir D. Sebastião”, um largo e um cruzeiro conhecido pelo mesmo nome. Na freguesia de Rio Torto (onde a sua festa se realiza na data própria de 20 de Janeiro) existe igualmente uma capela da sua invocação, o mesmo acontecendo em Ervões, no centro da aldeia, segundo indicação de Padre Jorge Fernandes. Como mais um sinal confirmativo da primeira observação deste sacerdote, que subscrevemos atrás, convém acrescentar que também existiu uma capela da invocação de S. Sebastião na vila de Valpaços, aonde, segundo Francisco Pereira de Aial, vigário de “Santa Maria de Valpaços” nas suas “Memórias Paroquiais” de 1758, acorria grande número de populares em festas e procissões, com a sua milagrosa imagem e por duas vezes o santo livrou gentes e gados de males contagiosos que haviam caído sobre eles. Foi esta capela mandada demolir pela Câmara Municipal em 1914 - haja em revista neste blogue A desaparecida capela de S. Sebastião.
Existe um excelente artigo sobre S. Sebastião, mártir, no site da freguesia de S. Sebastião da Pedreira, que recomendamos a consulta.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
17 de Janeiro: Santo Antão, abade
Última actualização: 18 de Janeiro de 2011
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
O Culto a Santo Antão no concelho de Valpaços
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
Santo Antão, abade, óleo de Francisco de Zurbaran (1598 - 1664),
Palácio Pitti, Galeria Palatina, Florença, Itália
Palácio Pitti, Galeria Palatina, Florença, Itália
Santo Antão do Deserto, também conhecido como Santo Antão do Egipto, Santo Antão, o Grande, Santo Antão, o Eremita, Santo Antão, o Anacoreta, ou ainda O Pai de Todos os Monges, é comummente considerado como o fundador do monaquismo cristão.
Uma vez que o seu nome latino é Antonius, em traduções displicentes de obras onde o seu nome figura para a língua portuguesa, o nome do santo tem sido vertido como António do Deserto, do Egipto, o Grande, ... (nome que, de resto, mantém nas demais línguas europeias), mas que tem suscitado confusões, pela homonímia, com o Santo António de Lisboa. Trata-se, pois, de dois santos distintos e, para melhor diferenciá-los, é preferível optar pelo nome - de resto já consagrado pela tradição vernácula -, de Santo Antão.
A sua vida foi relatada por Santo Atanásio de Alexandria, na Vita Antonii cerca de 360. Segundo este, teria nascido em 251, na Tebaida, no Alto Egipto, e falecido em 356, portanto com cento e cinco anos de idade.
Cristão fervoroso, com cerca de vinte anos tomou o Evangelho à letra e distribuiu todos os seus bens pelos pobres, partindo de seguida para viver no deserto. Aí, segundo o relato de Atanásio, e tal como sucedera com Jesus, foi tentado pelo Diabo, mas por muito mais que os quarenta dias que durou a Jesus, não hesitando os demónios em atacá-lo. Porém, Antão resistiu às tentações e não se deixou seduzir pelas tentadoras visões que se multiplicavam à sua volta.
O seu nome começou a ganhar fama, e começou a ser venerado por numerosos visitantes, sendo visitado no deserto por inúmeros peregrinos.
Em 311 viajou até à Alexandria para ajudar os cristãos perseguidos por Maximino Daia, e regressou em 355 para impugnar a doutrina ariana. Foi considerado santo em vida, capaz de realizar milagres. Levou muitos à conversão. Morreu centenário no ano de 356.
A vida de Santo Antão e as suas tentações inspiraram numerosos artistas, designadamente Hieronymus Bosch, Pieter Brueghel, Dali, Max Ernst, Matthias Grünewald, Diego Velázquez ou Gustave Flaubert.
Os religiosos que, tornando-se monges, adaptaram o modo de vida solitário de Antão, chamaram-se eremitas ou anacoretas, opondo-se aos cenobitas que escolheram viver em comunidades monásticas.
Em 1095, foi fundada uma ordem à qual foi atribuído o seu nome: os Antonianos (Canonici Regulares Sancti Antonii - CRSA).
O mais reconhecido Padre do Deserto e um dos maiores Padres da Igreja é celebrado por todas as confissões cristãs a 17 de Janeiro.
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%A3o_do_DesertoO Culto a Santo Antão no concelho de Valpaços
Segundo o Reverendo Padre Jorge Fernandes, “Santo Antão, que hoje veneramos, é, a par com Santa Bárbara, dos santos mais populares e com maior veneração pelas nossas terras rurais. Tal deve-se ao facto de ser apresentado e invocado como protector dos animais domésticos, especialmente dos porcos. Conta-se nas narrativas da sua vida que o seu isolamento voluntário do mundo foi tal, que as únicas criaturas que lhe faziam alguma companhia em todo o tempo da sua fuga do mundo para viver apenas concentrado na contemplação do Criador, foram alguns animais domésticos (entre os quais, os porcos). Também por isso, a sua representação iconográfica surge muito frequentemente acompanhada por um destes animais.” *
Santo Antão é o Santo Padroeiro de Pardelinha, aldeia anexa à freguesia de Santa Valha da realização de cuja festa se diz assim, no respectivo site:
“Tem também uma Capela no centro da aldeia, e o seu Santo Padroeiro, é o Santo Antão. A festa em sua honra, sempre foi até ao início da década de 2000, no dia 17 de Janeiro. Porém, com a diminuição acentuada nesta última década dos seus habitantes, e ainda, e sobretudo, com a alteração do modo de vida das pessoas de hoje em dia, os “Mordomos da Festa” também se viram obrigados, a exemplo de outras pequenas localidades, a acompanhar a evolução dos tempos, alterando o dia festivo do Santo, para o dia de domingo imediatamente a seguir, dia de descanso, e de maior disponibilidade das pessoas da terra, familiares, amigos, e outros visitantes.”
In http://www.santavalha.com
Ainda segundo o Reverendo Padre Jorge Fernandes, “Além da grande devoção que se conhece em Pardelinha, freguesia de Santa Valha, Santo Antão é igualmente o padroeiro de Amoinha Nova, freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz, onde neste dia houve, decerto, sermão e missa solene, e dia santo, claro. Também noutras aldeias, muitas, ele encontra grande devoção por parte do povo, como por exemplo em Alfonge e Sadoncelho, freguesia de Ervões, existindo na Capela de Sadoncelho uma bela imagem deste Santo em lugar de destaque, como na devoção e veneração popular.” *
*Notas adicionais retiradas dos comentários diligentemente concedidas pelo Reverendo Padre Jorge a este post em 18 de Janeiro de 2011.
Para consultar a Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, no site cristão ortodoxo “ECCLESIA”, clique AQUI.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
13 de Dezembro – Santa Luzia
Santa Luzia é o nome consagrado pela tradição, em língua portuguesa, para Santa Lúcia, cuja festividade popular e religiosa se faz no dia 13 de Dezembro. A festa de Santa Luzia é uma festa religiosa católica com raízes pagãs, celebrada em vários continentes, com grande tradição na Escandinávia, em alguns países da Europa do Sul, como Portugal, e no Brasil.
Nascida no seio de uma família rica de Siracusa, na ilha da Sicília, por volta do ano 280 d.C, abraçou o Cristianismo, com voto perpétuo de virgindade, despojando-se de todos os valores materiais que os pais lhe ofereceram, dedicando-se em absoluto a Cristo. Foi decapitada na sua terra natal no dia 13 de Dezembro de 304 vítima das perseguições de Diocleciano aos cristãos sendo sepultada no local onde pouco depois se ergueu um santuário em sua dedicação. Este acontecimento transmitido pela tradição oral cristã, foi confirmada pela descoberta em 1894, em Siracusa, de uma inscrição tumular escrita em grego clássico que trazia o seu nome e a referência ao martírio no início do século IV. A devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Daí que ela seja invocada em orações populares para a obtenção da cura em casos doenças dos olhos ou da cegueira. Esta crença neste acto radica também na tradição oral cristã, segundo a qual Luzia teria arrancado os próprios olhos entregando-os ao seu carrasco, em sinal de confirmação da fé em Cristo, crença que chegou até aos nossos dias através da literatura, da arte e da representação simbólica desse mesmo acto nas festas religiosas e pagãs a ela dedicadas. O seu corpo e maior parte das suas relíquias estão guardadas na Catedral de Veneza desde 1204, ano em que regressaram ao Ocidente, resgatados de Constantinopla pelos cavaleiros da Cruzada de 1204, sob pedido do dogge daquela república italiana. É, portanto, muito antigo o culto a Santa Luzia no Ocidente.
No concelho de Valpaços também existem manifestações de culto a Santa Luzia. Na localidade de Sá, freguesia de Ervões, por exemplo, celebra-se a Festa de Santa Luzia realizada em torno do elegante templo sob sua invocação que aí existe. Também se assinala a devoção a esta mesma santa em Carrazedo de Montenegro, dada a existência de uma capela de Santa Luzia na relação do património edificado dessa freguesia. A imagem da mesma santa surge mencionada noutras épocas, como em 1758, nos altares de algumas igrejas deste concelho, como na de Santa Maria de Valpaços e na da freguesia extinta de São Salvador de Nozedo, hoje anexa de São Joao da Corveira. Num pequeno povoado do concelho de Chaves, outrora termo da freguesia de Águas Frias, também se comemora (comemorava?) o dia de Santa Luzia. As Nogueirinhas, dessa pequena aldeia se trata, concitava as atenções com a que constituia a última festa do concelho em cada ano.
imagem: http://evangelhoquotidiano.org
Para conhecer mais detalhes sobre Santa Luzia, clique AQUI.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
8 de Dezembro: Imaculada Conceição da Virgem Maria
É doutrina cristã, solenemente proclamada - seguindo e respeitando o sentimento geral do povo cristão desde sempre - pelo Papa Pio XI em 8 de Dezembro de 1854, que a Virgem Maria, em virtude da sua função futura de vir a ser a mãe de Jesus (= Mãe de Deus), foi preservada do pecado original desde o momento da sua concepção (ou conceição) no seio de Santa Ana.
Hoje celebramos este privilégio de Maria.
Esta invocação da Mãe de Jesus como Senhora da Conceição é daquelas que mais ecos encontram e sempre encontraram no coração e no afecto do povo cristão, não só em Portugal.
No entanto Ela é de facto, Padroeira de Portugal, este país que, desde a sua fundação se apresentou como Terra de Santa Maria.
Esta nomeação (padroeira, madrinha) e a devoção à Senhora da Conceição foi oficializada pelo nosso Rei D. João IV em 1646, depois da restauração do nosso País como nação independente, quando aquele Rei declarou a Senhora da Conceição Padroeira de Portugal, e acrescentou:
"... e prometemos e juramos com o Príncipe e Estados de confessar e defender sempre (até dar a vida, sendo necessário) que a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem pecado original."
Interessante é notar que no ano de 1954, para celebrar os 100 anos do Dogma da Imaculada Conceição foram colocados no exterior de muitas das nossas igrejas uns azulejos, dizendo:
A Virgem Maria, Senhora Nossa, foi concebida sem pecado original.
Já agora fica o convite a estarem atentos a esse detalhe na frontaria dalgumas igrejas do nosso concelho (Fornos do Pinhal, Sonim, Carrazedo de Montenegro, entre outras possíveis).
Pe Jorge Fernandes, 8-12-2010
http://saocousasdavida.blogspot.com
sábado, 28 de agosto de 2010
Nossa Senhora da Saúde
Começam hoje, as festas religiosas e profanas dedicadas a Nossa Senhora da Saúde, em Valpaços. Para conhecer o respectivo programa, consulte o Notícias de Valpaços, AQUI.
Nossa Senhora da Saúde
É um dos vários nomes pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria, particularmente em Portugal, onde se lhe presta culto com esta designação.
É a santa tradicionalmente invocada pelos doentes e a tradição do seu culto, no nosso país, deve remontar ao século XVI, quando se lhe atribuiu a intervenção miraculosa na erradicação de vários surtos de peste que terão ocorrido em Portugal. O Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, já se fazia eco desta tradição quando comentou: Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde [...].
Iconografia
Geralmente, o único traço iconográfico distintivo da Senhora da Saúde é o segurar com o braço esquerdo o Menino Jesus, à semelhança da Nossa Senhora do Carmo, mas sem qualquer outro adereço (são variadas as indumentárias das diversas Senhoras da Saúde).
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Sa%C3%BAde
O culto da Nossa Senhora da Saúde em Portugal
O culto da Nossa Senhora da Saúde espalhou-se pelo país e hoje são várias as capelas e igrejas (algumas das quais com o título de santuário, como é o caso de Calpaços) que a evocam. Nossa Senhora da Saúde é o orago (ou co-orago) das seguintes povoações:
• Alqueidão (Figueira da Foz);
• Arrifes ( Ponta Delgada);
• Belide (Condeixa-a-Nova);
• Barreiras (Cadaval);
• Carvalhos (Vila nova de Gaia - Portugal)
• Cordinhã (Cantanhede);
• Esposende;
• Gançaria (Santarém);
• Gueifães (Maia);
• Moinhos da Gândara (Figueira da Foz);
• Senhora da Saúde (Évora);
• Sacavém (Loures);
• Torres Vedras (Coutada).
• Valpaços (Vila Real; orago: Santa Maria Maior);
• Vila Fresca de Azeitão (Setúbal);
O culto de Nossa Senhora da Saúde no concelho de Valpaços
Em Portugal, a data da sua celebração não é a mesma em todos os locais onde ela é venerada, variando entre os meses de Abril, Agosto e Setembro. Em Valpaços, por exemplo é, por tradição, celebrada, em eucaristia e procissão, no primeiro Domingo de Setembro, tal como acontece também na Coutada, em Torres Vedras. Como já havíamos referido neste blogue (veja-se Santa Maria Maior e outras devoções Marianas no concelho de Valpaços), Nossa Senhora da Saúde é também festejada nas freguesias de Padrela em Tazém (em Maio) e Rio Torto (em Agosto). Em Alvarelhos, embora não conste da tradição a realização de festejos em sua honra, existe uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Milagres.
Na cidade de Valpaços, as festas religiosas ligadas ao culto desta santa têm como local de atracção de milhares de peregrinos o monumental Santuário que começou por ser uma capela da invocação de Nossa Senhora da Saúde, cuja construção se iniciou no ano de 1897 por iniciativa da respectiva Confraria criada no mesmo ano por algumas figuras conceituadas do concelho, iniciativa essa inspirada na alegada existência de uma pegada da Virgem Maria descoberta numa das lajes desse local. Como referiu o nosso amigo e colaborador, José António Soares da Silva, depois de classificar a descoberta como uma «invenção dos Castros» num artigo publicado a 16 de Janeiro de 2009 no Jornal a Voz de Chaves, intitulado O culto e a romaria de Nossa Senhora da Saúde, «o que é certo é que assim se iniciou o culto a Nossa Senhora da Saúde em Valpaços, dividido em festa religiosa e profana que perdurou até aos nossos dias com assinalável êxito.»
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Hoje é dia de São Bartolomeu, apóstolo
É um santo católico que foi um dos apóstolos de Jesus Cristo, cujo nome é de origem aramaica, de referência patronímica, derivando de Bar Talmay, que significava filho de Talmay. Nos Evangelhos, porém não figura aquele nome, mas segundo a tradição ele seria o Natanael que ali aparece, nome que significa Deus Deu, em alusão a ter sido ele a testemunhar a acção de Jesus nas Bodas de Canaã de onde alegadamente Bartolomeu seria oriundo. Ainda segundo a tradição, enquanto se dedicava à pregação, ele sofreu o martírio em Albanópolis, actual Derbent, no Cáucaso, onde a mando do governador foi esfolado vivo. As suas relíquias foram levadas para Roma, jazendo na igreja que aí foi edificada em sua dedicação. Embora sejam escassas as informações acerca de S. Bartolomeu, é um santo especialmente venerado pela Igreja católica que exorta os fiéis a seguirem os ensinamentos da sua vida, como o fez o Santo Padre, o Papa, no dia 4 de Outubro de 2006. É festejado a 24 de Agosto.
A respeito do culto a S. Bortlomeu, obtivemos a partir do blogue de S. Bartolomeu do Galegos, dedicado a esta freguesia da Lourinhã as seguintes curiosas referências:
O culto a São Bartolomeu, na península [Ibérica], é anterior à reconquista cristã e, em Portugal, muitas paróquias instituídas nessa época têm São Bartolomeu como orago. O seu culto encontra-se espalhado por todo o país e as povoações que o têm por padroeiro são, na sua maioria, bastante antigas e, pelo menos sete delas, usam o seu nome como topónimo.
Efectivamente, no concelho de Valpaços, sabe-se que ele é orago na freguesia de Água Revés e Crasto e a sua devoção é tão antiga quanto esta histórica localidade. A sua festa é aqui realizada em dia móvel do mês de Agosto. A 24 de Agosto também lhe são dedicadas festas em Santa Valha, onde existe uma capela da sua invocação, e em Santiago de Ribeira de Alhariz.
In http://saobartolomeudosgalegos.blogspot.com/
Imagem: http://ecclesia.com.br/synaxarion/?tag=sao-bartolomeu
Para mais detalhes sobre a vida de S. Bartolomeu, clique AQUI.
domingo, 15 de agosto de 2010
Dia da Assunção da Virgem Maria
A Assunção de Maria é a crença tradicional realizada pelos cristãos católicos, ortodoxos, anglicanos, e algumas denominações protestantes de que a Virgem Maria no final de sua vida foi fisicamente assunta para o céu.
A Igreja Católica ensina esta crença como um dogma de que a Virgem Maria "ao concluir o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma para a glória celestial." Isto significa que Maria foi transportada para o céu com o seu corpo e alma unidas. Esta doutrina foi dogmaticamente e infalivelmente definida pelo Papa Pio XII, em 1 de novembro de 1950, na sua Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. A festa da assunção para o céu da Virgem Maria é celebrada como a "Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria" pelos católicos, e como a Dormição por cristãos ortodoxos. Nestas denominações a Assunção de Maria é uma grande festa, normalmente comemorada no dia 15 de agosto.
Nossa Senhora da Assunção é a denominação dada a Maria, mãe de Jesus, em alusão à sua assunção aos céus. A festa da Assunção de Maria é comemorada dia 15 de agosto. Também é conhecida como Nossa Senhora da Glória ou Nossa Senhora da Guia.
in http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Dogmas_e_doutrinas_marianas_cat%C3%B3licasinNo concelho de Valpaços, Nossa Senhora da Assunção é orago nas freguesias de Sonim e Tinhela. Também em Friões e em Padrela e Tazém se realizam, a 15 de Agosto, festas comemorativas em sua honra.
Imagem: http://www.franciscanosmapi.org.br/index.php?page=ler&id=419
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Hoje é dia da dedicação da basílica de Santa Maria Maior e de N.ª Senhora das Neves
Santa Maria Maior é orago da freguesia de Valpaços. É festejada em muitos lugares da Igreja Católica, por vezes com a designação de Nossa Senhora das Neves, a 5 de Agosto.
Já lhe dedicamos na categoria "Hagiológio [local / regional]" algumas notas, sob o título "Santa Maria Maior e outras devoções marianas no concelho de Valpaços".
Para aceder a essa publicação no presente blogue clique AQUI.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Hoje é dia de S. Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus
Joaquim nasceu, segundo a tradição, em Nazaré, e aí terá casado com Ana. Como durante muito tempo não conseguisse ter filhos de Ana e fosse, por isso, publicamente desprezado pela sociedade da época que entendia ser essa incapacidade uma punição divina pela inutilidade dos esposos, Joaquim retirou-se para o deserto, onde se manteve em jejum durante 40 dias, enquanto Ana, em Nazaré, orava a Deus para que atendesse às suas preces e às do marido, concedendo-lhes o dom da maternidade e paternidade. Atendidas as suas preces, a ambos apareceu um Anjo pedindo-lhes que se reencontrassem e anunciando que o filho ou filha que iriam conceber nasceria com a graça divina e seria honrado e louvado por todo o mundo. Assim, Ana deu à luz, com a idade de 40 anos, a virgem Maria. Desta tradição nasceram os cultos da Imaculada Concepção de Maria e também a devoção a S. Joaquim e Santa Ana, pais de Maria. O culto litúrgico de Santa Ana surge no século VI no Oriente e no século VIII no Ocidente, quando, no ano de 710, as suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, de onde foram distribuídas para muitas igrejas do Ocidente. Contudo, só em 1387 é que o seu culto foi oficializado pelo papa Urbano IV, e, em 1584, o papa Gregório XIII fixou a data da sua festa em 23 de Julho, data que só seria estendida a toda a Igreja católica pelo papa Leão XIII em 1879. Finalmente o papa Paulo VI associou os festejos dedicados a S.Joaquim, tradicionalmente realizados a 16 de Agosto, à data estabelecida por Urbano IV, 23 de Julho, para a mãe da Virgem Maria e avó de Jesus, Santa Ana.
No concelho de Valpaços Santa Ana é também venerada: É orago da igreja matriz de Serapicos e é festejada, justamente, a 26 de Julho. Na freguesia de Santiago da Ribeira de Alhariz existe uma capela da invocação de Santa Ana, cuja festa se realiza a 25 de Março.
Imagem: S. Joaquim e Santa Ana, in http://blog.cancaonova.com/sentinela/page/4/
Imagem: S. Joaquim e Santa Ana, in http://blog.cancaonova.com/sentinela/page/4/
Para mais pormenores sobre as vidas e cultos de S. Joaquim e Santa Ana clique AQUI!
domingo, 18 de julho de 2010
Hoje é Dia de Santa Marinha, virgem e mártir
O culto a Santa Marinha, virgem e mártir de Antioquia, foi devido à sua origem oriental, um dos primeiros cultos a serem recebidos pela Igreja ocidental, aparecendo documentado na Península Ibérica desde meados do século IX. Festejado a 18 de Julho,é um culto muito popular também em Portugal, sobretudo na arquidiocese de Braga onde Santa Marinha é padroeira de vinte e três das suas freguesias e chegou a ser titular secundária do mosteiro de Guimarães. É orago de muitas capelas e simples lugares, não só na arquidiocese de Braga como em outras regiões portuguesas, como é o caso de Lebução, no concelho da Valpaços, onde no 3º Domingo de Julho é realizada, anualmente, uma festa em sua honra, figurando a capela de Santa Marinha de Ferreiros como uma das referências do património cultural e edificado desta freguesia.
Mas esta Santa Marinha, virgem e mártir de Antioquia foi ao longo dos tempos reclamada como originária da Península Ibérica por certas tradições locais na Galiza e Em Portugal. Alguns estudiosos e martirologistas têm procurado esclarecer esta realidade. De entre eles destacamos o Padre José Adilio Macedo que resume assim a sua opinião sobre a situação:
Há, porém, outras Santas Marinhas, de vida mais ou menos lendária, que o espírito imaginativo de certos hagiógrafos fizeram nascer em Igrejas do ocidente. Vamos referir duas dessas lendas:
Uma, na Igreja de Orense, que reivindica esta santa como sua, já a partir do século XIII, mas, sobretudo, com a introdução do seu nome no Martirológio Romano de 1586.
Todavia nem tudo é claro nesta lenda, que não resiste aos críticos da hagiografia. Um autor espanhol - Flórez - prefere dizer que a Santa Marinha de Orense talvez fosse uma santa local, a que, por falta de legenda própria, adaptariam a de santa Marinha de Antioquia.
Outra, na Igreja de Braga, que também reclama esta santa desde o breviário de D. Rodrigo da Cunha, de 1634, que, apresenta santa Marinha como irmã gémea de mais oito meninas, todas mártires, filhas de Lúcio Atílio Severo, governador do território bracarense, e de Cálcia Lúcia, nobre romana, todas elas baptizadas e educadas pelo também lendário bispo santo Ovídio. Esta lenda foi mais tarde artisticamente enroupada por frei Bento da Ascensão, monge beneditino do mosteiro de Pombeiro, no ano de 1722.
Apesar de destituída de qualquer fundamento histórico, é esta a lenda admitida em quase todos os templos dedicados a Santa Marinha.
- Esta breve história de Sta Marinha foi gentilmente cedida pelo Padre José Adilio Macedo.in http://www.remelhe.bcl.pt/Sta%20Marinha.htm
Imagem: http://www.freg-lousado.pt/fotos/marinha.jpg
terça-feira, 29 de junho de 2010
Hoje é dia de São Pedro e São Paulo, apóstolos
Trata-se de dois santos festejados em toda a Cristandade a 29 de Junho por se crer durante muito tempo, erradamente, que o martírio de ambos ocorreu nesta mesma data, no ano de 67 da era cristã, o que ainda se aceita por certo apenas em relação a S. Paulo, havendo menos discordâncias entre os historiadores que S. Pedro tenha sido martirizado antes em 64. Quanto à data de 29 de Junho adoptada para festejar ambos os apóstolos, já se colocou a possibilidade de tal adopção poder radicar-se na cristianização de uma tradicional festa pagã dedicada a Rómulo e Remo, os lendários fundadores de Roma. A verdade é que S. Pedro e S. Paulo conviveram em Roma até à sua trágica execução no século I.
São Pedro é orago de um número considerável de freguesias do concelho de Valpaços, como Friões, Padrela e Tazém (onde lhe são dedicadas festas a 29 de Junho) Rio Torto, Sanfins e Veiga do Lila. É também um dos santos mais festejados em Carrazedo de Montenegro, Ervões e Fornos do Pinhal. S. Paulo é festejado na localidade de Avarenta, freguesia de Carrazedo de Montenegro.
HAGIOGRAFIAS
São Pedro (c. 10 a.C. - 67)
Discípulo de Jesus nascido em Betsaida, Galileia, conhecido como o Príncipe dos Apóstolos e tido como fundador da Igreja Cristã em Roma e considerado pela Igreja Católica como seu primeiro Papa. As principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André, seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc 4,38-39). Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus por seu irmão, em Betânia, onde tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de João Batista. No primeiro encontro Jesus o chamou de Cefas, que significava pedra, em aramaico, determinando, assim, ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros propagadores da fé cristã pelo mundo. Jesus, além de muda-lhe o nome, o escolheu como chefe da cristandade aqui na terra: "E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus" (Mt. 16: 18-19). Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus. Junto com seu irmão e os irmãos Tiago e João Evangelista, fez parte do círculo íntimo de Jesus entre os doze, participando dos mais importantes milagres do Mestre sobre a terra. Teve, também, seus momentos controvertidos, como quando usou a espada para defender Jesus e na passagem da tripla negação, e de consagração, pois foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar. Após a Ascensão, presidiu a assembleia dos apóstolos que escolheu Matias para substituir Judas Iscariotes, fez seu primeiro sermão no dia de Pentecostes e peregrinou por várias cidades. Fundou as linhas apostólicas de Antioquia e Síria (as mais antigas sucessões do Cristianismo, precedendo as de Roma em vários anos) que sobrevivem em várias ortodoxias Sírias. Encontrou-se com São Paulo, ou Paulo de Tarso, em Jerusalém, e apoiou a iniciativa deste, de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais de iniciação judaica. Após esse encontro, foi preso por ordem do rei Agripa I, encaminhado à Roma durante o reinado de Nero, onde passou a viver. Ali fundou e presidiu à comunidade cristã, base da Igreja Católica Romana, e, por isso, segundo a tradição, foi executado por ordem de Nero. Conta-se, também, que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo. Seu túmulo se encontra sob a catedral de S. Pedro, no Vaticano, e é autenticado por muitos historiadores. É festejado no dia 29 de Junho.
http://www.e-biografias.net/especial/apostolos/sao_pedro.php
imagem: http://sobraldesaomiguel.blogspot.com/2009/06/noite-de-s-pedro.html
São Paulo, Apóstolo (? - ?)
Nasceu em Tarso, era judeu e cidadão romano. Perseguidor das primeiras comunidades cristãs, foi conivente com o assassinato do protomártir Estêvão. Quando perseguia cristãos, a caminho de Damasco, apareceu-lhe Jesus Ressuscitado, transformando-o. Desde então, sua vida foi viajar pelo mundo, pregando o evangelho de Jesus Cristo e o mistério de sua paixão, morte e ressurreição. A conversão é uma das mais importantes da história da Igreja. Mostra-nos o poder da graça divina, capaz de transformar Saulo, perseguidor da Igreja, no "Apóstolo Paulo" por excelência, que tem a iniciativa da evangelização dos pagãos. Ele próprio confessa, por diversas vezes, que foi perseguidor implacável das primeiras comunidades cristãs. Por causa disso atribui a si mesmo o título de "o menor entre os Apóstolos" e, ainda, de "indigno de ser chamado Apóstolo". Mas Deus, que conhecia a sua rectidão, tornou-o testemunha da morte de Santo Estêvão, cena entre todas comovente, descrita nos Atos dos Apóstolos. A visão de Estêvão apontando para os céus abertos e Filho do Homem, o Cristo, aí reinando, domina a vida toda de Paulo, o grande missionário do Cristianismo. Percorreu a Ásia Menor, atravessou todo o Mediterrâneo em 4 ou 5 viagens. Elaborou uma teologia cristã e ao lado dos Evangelhos suas epístolas são fontes de todo pensamento, vida e mística cristãs. Além das grandes e contínuas viagens apostólicas e das prisões e sofrimentos por que passou, devemos ao nosso Patrono, que se alto denomina "servo de Cristo", a revelação da mensagem do Salvador, ou seja, as 14 Epístolas ou Cartas. Elas formam como que a Teologia do Novo Testamento, exposta por um Apóstolo. Jamais apareceu outro homem sobre a terra que fundamentasse tão bem a nossa fé em Cristo, presente na História, como também, presente em nossa própria existência. Foi Paulo quem o fez de maneira insuperável. O Apóstolo sofreu o martírio em Roma. O ano é incerto, mas deve ter ocorrido entre 64 e 67. Festas litúrgicas - Duas solenidades comemoram São Paulo. A primeira, a 25 de Janeiro (data em que foi fundada a Cidade de São Paulo no ano de 1554, daí a origem do nome da capital paulista) , foi instituída na Gália, no século VIII, para lembrar a conversão do Apóstolo e entrou no calendário romano no final do século X. A segunda, lembrando o seu martírio - a 29 de Junho - juntamente com o do Apóstolo São Pedro, foi inserida no santoral (livro dos santos da Igreja Católica) muito antes da festa do Natal e havia desde o século IV o costume de celebrar neste dia três Missas. A primeira na basílica de São Pedro no Vaticano, a segunda na basílica de São Paulo fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de são Sebastião, onde as relíquias dos dois Apóstolos tiveram de ser escondidas por algum tempo para subtraí-las à profanação. Há um eco deste costume no fato de que além da Missa do dia é previsto um formulário para a Missa vespertina da vigília. Depois da Virgem Maria, são precisamente os Apóstolos Pedro e Paulo, juntamente com São João Batista, os santos comemorados mais frequentemente e com maior solenidade no ano litúrgico. Por muito tempo se pensou que 29 de Junho fosse o dia em que, no ano 67, Pedro na Colina Vaticana e Paulo na localidade agora denominada Três Fontes testemunharam sua fidelidade a Cristo com o derramamento do sangue. Na realidade, embora o fato do martírio seja um dado histórico incontestável, e está além disso provado que aconteceu em Roma durante a perseguição de Nero, é incerto não só o dia, mas até o ano da morte dos dois apóstolos. Enquanto para São Paulo existe uma certa concordância entre testemunhas antigas indicando o ano de 67, para São Pedro há muitas discordâncias, e os estudiosos parecem preferir agora o ano de 64, ano em que, como atesta também o historiador pagão Tácito, "uma enorme multidão" de cristãos pereceu na perseguição que se seguiu ao incêndio de Roma. Parece também que a festa do dia 29 de Junho tenha sido a cristianização de uma celebração pagã que exaltava as figuras de Rómulo e Reno, os dois mitos fundadores da Cidade Eterna. São Pedro e São Paulo de fato, embora não tenham sido os primeiros a trazer a fé a Roma, foram realmente os fundadores da Roma cristã: um antigo hino litúrgico definia-os como pais de Roma; um dos hinos do novo breviário fala de Roma que foi "fundada em tal sangue". A palavra e o sangue são a semente com que os Apóstolos Pedro e Paulo, unidos com Cristo, geraram e geram a Roma cristã e a Igreja.
http://www.e-biografias.net/biografias/sao_paulo.php
imagem: http://www.portal.ecclesia.pt/ecclesiaout/spaulo/patrono.html
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Dia de São João
Amanhã é dia de S. João. São João é um dos Santos mais populares na Europa, em geral, e o mais popular em Portugal, onde na data de 24 de Junho são celebrados grandiosos festejos, sobretudo no Norte do país e de um modo especial nas cidades de Braga e Porto, onde essa tradição festiva, com origem nos antigos rituais pagãos do solstício do Verão, continua a ser a mais conhecida e a mais concorrida de entre as demais festividades que também são feitas em sua honra em outros locais. Sentimo-nos no dever de recordar que, no concelho de Valpaços, São João é orago das freguesias de Ervões e Fornos do Pinhal e que nas mesmas freguesias se realizam, no dia 24 de Junho, animadas festas em seu louvor. Também nesta data se realizam festas e romarias dedicadas a S. João nas freguesias de Friões e S. João da Corveira. Nestas aldeias, para além das cerimónias e actividades religiosas e, eventualmente, do fogo-de-artifício, também não faltam as tradicionais sardinha assada e caldo-verde.
Mas quem foi, exactamente, este São João, que é assim festejado? Trata-se de S. João Baptista que não deve ser confundido com S. João Evangelista.
domingo, 13 de junho de 2010
Hoje é dia de Santo António
Santo António de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.
Fernando Pessoa
(que nasceu no dia de Santo António, em Lisboa)
(que nasceu no dia de Santo António, em Lisboa)
In http://impensavel.blogspot.com/2008/06/
É um dos santos portugueses mais populares, o mais querido e festejado a 13 de Junho em Lisboa, feriado instituído em sua honra, com retalhos de uma vida passada nesta cidade, em Coimbra mas também Pádua, cidade italiana cujos habitantes costumam reclamar a naturalidade de Santo António. Na Itália, no Brasil e até em Portugal Santo António é venerado como o «santo casamenteiro», protector dos noivos e o santo mais recorrente pelos fiéis que procuram recuperar coisas perdidas. A 13 de Junho ele é venerado, além de Lisboa, em outras 13 cidades e vilas do país, quer por ser delas também padroeira (mais raramente), como acontece no Norte em Vila Real (feriado municipal) e em Vila Nova de Famalicão, quer por ser um dos santos mais populares e festejados. Também em várias localidades do concelho de Valpaços este Santo Universal é tradicionalmente honrado com festas e romarias, na mesma data de 13 de Junho, assim em Fornos do Pinhal, em Friões, em Silva, localidade anexa à freguesia de Carrazedo de Montenegro e em Vilarandelo. O mesmo sucede em Santa Valha, em cada 3º Domingo de Janeiro.
Hagiografia
Desde 1140 que D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, tentava a conquista de Lisboa aos Mouros, feito que só teve êxito sete anos depois, em 1147, depois de prolongado cerco imposto aos aguerridos Almóadas e com o oportuno apoio dos Cruzados, em número treze mil (grande exército de homens cristãos que vieram do Norte da Europa, rumo à Terra Santa, para expulsarem os Muçulmanos. Usavam uma cruz de pano como insígnia, daí o seu nome. Houve oito Cruzadas desde 1096 a 1270).
Lisboa era pois uma cidade recém-cristã, quando na sua catedral foi a baptizar o menino Fernando Martins de Bulhões – Santo António, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. Há dúvidas quanto ao apelido do pai, bem como se era ou não descendentes de cavaleiros celtas. Sabe-se sim que D. Teresa nascera em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1145, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.
Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.
Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa. Aqui em Coimbra, sendo já sacerdote toma o hábito de franciscano, em 1220. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador.
O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo.
A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo. Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.
Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.
Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.
Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.
Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pragador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.
Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade. A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.
O bispo de Óstia, mais tarde papa com o nome de Alexandre IV, pede-lhe que escreva sermões para os dias das principais festas religiosas que eram já muitas na época. Mais tarde seria este papa a canonizá-lo. Santo António assim faz. São hoje importantíssimos esses documentos escritos, porque Santo António com pregador escreveu pouco. Apenas lhe são atribuídos Sermones per Annum Dominicales (1227-1228) e In Festivitatibus Sanctorum Sermones (1230).
Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231.
Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.
Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.
Por Maria Luísa V. Paiva Boléo, Santo António, Retalhos da Vida de um Pregador, in http://www.leme.pt/biografias/santos/santoantonio/
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Dia de Corpo de Deus
transcrição
O Significado e a origem da celebração
A celebração em Portugal
O Significado e a origem da celebração
Corpo de Deus é uma exultação popular do significado de Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
A celebração da festa do corpo de Deus, ou Corpus Christi, hoje em dia também chamado de festa do corpo e sangue de Jesus, coloca-nos diante de um grande mistério, pois não o entendemos e não o explicamos; somente vemos e degustamos o pão, uma mistura de farinha e água. É a nossa fé que nos leva a declarar que no pão e no vinho sobre o altar está o Cristo. É Cristo vivo, presente, mas mistério; razão pela qual sempre nas celebrações dizemos: eis o mistério da nossa fé.
Realmente é um grande desafio renunciar a compreender esse mistério, desistir de explicá-lo. Exige de nós um profundo acto de humildade e de confiança, uma vez que, com simplicidade de coração, aceitamos, cremos e declaramos a presença real de Cristo no pão e no vinho.
A festa do corpo e sangue de Cristo celebra-se sempre numa quinta-feira para fazer referência à Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, dia da entrega de Cristo a nós num gesto de amor infinito. É, com certeza, o grande gesto de amor de Deus, de um Deus que nos ama de tal modo que quis permanecer connosco nesta forma tão simples e até desconcertante.
Foi no século XIII que se sentiu fortemente a necessidade de ressaltar esta festa, devido à importância da presença de Cristo em forma de pão e de vinho, forma tão humana, mas ao mesmo tempo tão rica de simbolismo. Foi o papa Urbano IV que institui a comemoração da festa do Corpo de Deus, no ano 1264. No início, ela não teve muita repercussão no interior da Igreja, pois logo após a sua instituição o papa morreu, porém, aos poucos, foi tomando força e, hoje, é celebrada com muita solenidade e em todo o mundo.
O sacramento da Eucaristia é levado às ruas como um gesto e expressão de fé, ao mesmo tempo como convite à renovação da fé; são os cristãos que manifestam sua adesão a Jesus Cristo presente na forma permanente de pão; manifestam seu reconhecimento a esta amorosa presença no meio de nós, que permanece silenciosa no sacrário ininterruptamente em nossos templos.
Padre Francisco Bianchini, in http://www.arazao.com.br/2009/06/06/A celebração em Portugal
É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canónico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).
Em todas as 20 dioceses de Portugal fazem-se solenes procissões a partir da igreja catedral, tal como em muitas outras localidades, que são muito participadas. Estas procissões atingem o seu esplendor máximo em Braga, Porto e Lisboa.
Ordenada por D. Dinis, a festa do Corpus Christi começou a ser celebrada em 1282, embora haja referências à sua comemoração desde os tempos de Dom Afonso III. Em Portugal a festa de longa tradição era antigamente celebrada com danças, folias, e procissões em que sagrado e o profano se misturavam. Representantes de várias profissões, carros alegóricos, diabos, a serpe, a coca, gigantones, ao som de gaitas de foles e outros instrumentos desfilavam pelas ruas. Das danças dos ofícios, em Penafiel ainda se celebra o baile dos ferreiros, o baile dos pedreiros e o baile das floreiras.
Esta celebração tem uma conotação muito forte no Minho, particularmente em Monção e em Ponte do Lima. Em Ponte de Lima a tradição d´O Corpo de Deus perdura já há vários séculos. O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa, ou mais correctamente na Quinta-feira que se segue ao Domingo da Santíssima Trindade (que por sua vez é o primeiro Domingo a seguir ao Pentecostes) seguindo a norma canónica. A diferença prende-se ao facto de no dia posterior ao feriado nacional, se realizar uma celebração, própria e exclusiva da vila, tendo sido decretado desde 1977 feriado para todos os Limianos. As celebrações do Corpo de Deus realizam-se durante todo o dia, sendo os Limianos presenteados com uma procissão da parte da manhã e outra da parte da tarde em volta da vila e uma missa para todos os habitantes do Concelho no próprio dia, sempre ao meio dia (12h00), na Igreja Matriz.
Em Braga, é também tradição desde 1923 a presença maciça de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português, pois foi nessa procissão que os mesmos se apresentaram em público naquele ano.
In Wikipédia.org, categoria: Corpus ChristiNota editorial: No concelho de Valpaços, assume particular curiosidade o facto de a celebração do Corpo de Deus se fazer, na freguesia de Curros, nos primeiros Domingos de Junho, na forma de concorrida festa religiosa, com igual solenidade que costuma caracterizar as três restantes festividades ligadas às devoções de São Miguel (orago), Santa Bárbara e Nossa Senhora da Purificação.
Imagem: in http://regiaodocastelo.blogspot.com/2009/06/corpo-de-deus.html
terça-feira, 20 de abril de 2010
Santa Maria Maior e outras venerações marianas no concelho de Valpaços
Santa Maria Maior
Santa Maria Maior é o orago da freguesia de Valpaços, cidade sede do concelho com o mesmo nome. Também designada de Nossa Senhora das Neves, é um dos nomes pelos quais a Igreja Católica venera Maria segundo o culto de hiperdulia.
Santa Maria Maior é o orago da freguesia de Valpaços, cidade sede do concelho com o mesmo nome. Também designada de Nossa Senhora das Neves, é um dos nomes pelos quais a Igreja Católica venera Maria segundo o culto de hiperdulia.
A invocação de Nossa Senhora das Neves é uma das mais antigas da Igreja Católica romana. Conta a tradição que vivia em Roma, o representante do imperador bizantino, com sua esposa. Era um fidalgo riquíssimo, sem filhos, chamado João. O casal já não sabia mais como gastar toda a sua fortuna. Por isso, decidiram construir obras- primas para a Igreja. Mas não sabiam quais escolher. Na noite de 4 para 5 de Agosto de 352, João sonhou que a Virgem Maria lhe pedia para construir uma igreja no local que estivesse coberto de neve ao amanhecer.
Ele acordou, contou à esposa e ambos começaram a questionar-se como seria possível nevar em pleno verão, em Roma. Nessa mesma noite a Mãe de Deus também apareceu em sonho ao Papa Libério e disse-lhe que no raiar do dia, a neve estaria cobrindo o monte Esquilino, e ali ele deveria erguer uma igreja em sua honra. Pela manhã a notícia do monte coberto pela neve, apesar de se estar no Verão, espalhou-se pela cidade. O Papa e João, por caminhos diferentes subiram a colina, seguidos pela multidão. No cume do Esquilino os dois encontraram-se, conversaram e entenderam que estavam ali pelo mesmo motivo. O Papa então demarcou a área para a construção da igreja e João financiou todo o projecto da Igreja de Santa Maria das Neves. Na Antiguidade as colinas do Esquilino eram o depósito de lixo da cidade. Com o tempo o lugar tornou-se um cemitério de escravos. Porém na época do Império Romano as colinas eram as preferidas pelos nobres para a construção das suas ricas vilas. Mesmo assim o povo não gostava do local. A construção da igreja deu nova vida à região. Em 431, o Concílio de Éfeso foi encerrado com a proclamação da "maternidade divina da Virgem Maria". O Papa Xisto III para comemorar essa verdade de fé quis construir uma grande igreja, bem "maior" que as outras. Decidiu que o local seria o mesmo indicado pela Mãe de Deus, ao então Papa Libério. Por isso, a velha igreja deu lugar ao monumento que é a basílica de Santa Maria Maior, adjectivo que dá conta da sua magnitude. A basílica guarda os primeiros e mais ricos mosaicos com a imagem de Nossa Senhora. De facto, é um dos maiores e mais belos santuários marianos de toda a Cristandade. Porém, a antiga tradição propagou a invocação de Nossa Senhora das Neves celebrada em muitos lugares no dia 5 de Agosto.
Fonte: http://www.cnbbo2.org.br (adaptado)
Imagem: ícone de Nossa Senhora Senhora das Neves, in http://pt.wikipedia.org, categoria: Mariologia.
Outras venerações marianas no concelho de Valpaços
Nossa Senhora das Neves é também orago da freguesia de Possacos. Existem ainda no concelho de Valpaços outros nomes pelos quais a Virgem Maria é venerada e que a tradição adoptou como orago, tais como Santa Maria em São Pedro de Veiga do Lila, Nossa Senhora da Ribeira, em Bouçoais, e Nossa Senhora da Expectação (também chamada de Nossa Senhora do Ó ou do Parto) nas freguesias de Canaveses, Alvarelhos, Nozelos, Vassal e Santa Maria de Émeres (aqui usa-se mesmo o nome de Nossa Senhora do Ó). Em certas localidades onde Nossa Senhora da Expectação não é orago, existem templos a ela dedicados e é venerada em festas e romarias, como sucede em Água Revés e Castro, no mês de Agosto, e em Argeriz, no mês de Setembro.
Existem, além destas, outras festas e monumentos religiosos ligados a outras devoções Marianas, como acontece também em Argeriz (orago - S. Mamede), onde N.ª Senhora das Neves é festejada a 5 de Agosto e se edificaram capelas em honra de N.ª Senhora da Piedade e N.ª Senhora do Pranto.
Em Alvarelhos existe uma capela dedicada a N.ª Senhora da Saúde, embora actualmente este santa não seja festejada.
Em Barreiros (orago - S. Vicente), festeja-se a N.ª Senhora dos Aflitos, no 3.º Domingo de Agosto, e existe aí uma capela a ela dedicada.
Em Bouçoais, além de N.ª Senhora da Ribeira (orago), também se festeja, no 3º Domingo de Agosto, N.ª Senhora de Fátima e há uma capela da sua devoção, além de outra dedicada a N.ª Senhora do Ó.
Em Canaveses (orago: N.ª Senhora da Expectação) é também festejada Santa Bárbara, em data móvel, e na aldeia existe uma capela dedicada a N.ª Senhora de Fátima.
Em Carrazedo de Montenegro (orago - S. Nicolau), a 8 de Setembro, honra-se N.ª Senhora da Natividade com uma festa, também conhecida por Festa das Gaiolas, e, no Cubo, localidade anexa à mesma freguesia, festeja-se, no mês de Agosto, N.ª Senhora dos Milagres. Na mesma freguesia existem as capelas dedicadas às Santas referidas e uma outra dedicada a Santa Luzia.
Na freguesia de Curros (orago - S. Miguel), festeja-se, a 2 de Fevereiro, N.ª Senhora da Purificação, que tem uma capela dedicada à sua devoção.
Em Ervões (orago - S. João Baptista), também se festeja Santa Luzia, a 13 de Dezembro, e N.ª Senhora dos Prazeres, na Segunda-feira de Pascoela, possuíndo ambas estas santas uma capela em sua honra.
Em Fiães (orago - S. Miguel Arcanjo), festeja-se N.ª Senhora do Socorro, no 1.º Domingo de Agosto, existindo também uma capela a si dedicada.
Em Fornos do Pinhal (orago - S. João), N.ª Senhora da Natividade é festejada a 8 de Setembro, e existem nesta freguesia duas capelas de invocações marianas, a da santa já referida e a de N.ª Senhora da Ajuda.
Na mesma data de 8 de Setembro é também festejada N.ª Senhora da Natividade, na freguesia de Friões (orago - S. Pedro), e a 15 de Agosto e 8 de Dezembro são celebradas festas em honra de N.ª Senhora da Assunção e N.ª Senhora da Conceição, respectivamente. Todas as três divindades possuem uma capela da sua invocação.
Em Lebução (orago - S. Nicolau), é festejada, no 2.º Domingo de Setembro, N.ª Senhora dos Remédios e na freguesia existe ainda uma capela dedicada a N.ª Senhora dos Fortes.
Em Nozelos, a festa de N.ª Senhora da Expectação (orago) realiza-se a 18 de Dezembro. Na mesma freguesia existe uma capela dedicada a N.ª Senhora das Dores e um Nicho em devoção a N.ª Senhora do Carmo.
Em Padrela e Tazém (orago - S. Pedro), festeja-se, a 15 de Agosto, N.ª Senhora da Assunção, e, em Maio, N.ª Senhora da Saúde.
Em Possacos, além da devoção a N.ª Senhora das Neves (orago), existem mais três monumentos dedicados ao culto mariano: As capelas de N.ª Senhora dos Aflitos, N.ª Senhora da Saúde e N.ª Senhora de Fátima.
As últimas duas santas referidas no parágrafo anterior são também festejadas em Rio Torto (orago - S. Pedro), ambas em Agosto, e na localidade encontram-se as capelas dedicadas ao seu culto, além de um monumento dedicado à Imaculada Concepção de Maria.
Em Santa Maria de Émeres (orago - N.ª Senhora do Ó), também se realiza a festa de N.ª Senhora dos Aflitos, juntamente com a de Santa Bárbara, no 1.º ou 2.º de Agosto.
Em Santa Valha, (orago - Santa Eulália), também se festeja, a 13 de Maio, N.ª Senhora de Fátima, que tem aí uma capela.
Em São João da Corveira (orago - S. Brás), festeja-se, no 1.º Domingo de Agosto Nª Senhora da Anunciação.
Em São Pedro de Veiga do Lila (orago - Santa Maria), festeja-se a 15 de Agosto N.ª Senhora da Boa Viagem. Na localidade existe uma capela da devoção de N.ª Senhora de Fátima.
Em Serapicos (orago- Santa Ana), festeja-se em Agosto N.ª Senhora dos Remédios e dela existe uma capela na freguesia.
Em Sonim (orago - N.ª Senhora da Assunção) existe uma capela dedicada a N.ª Senhora de Lurdes.
Em Tinhela para além da festa de N.ª Senhora da Assunção (orago), a 15 de Agosto, existe a capela de N.ª Senhora da Natividade.
Em Valpaços realiza-se, a 16 de Julho, a festa de N.ª Senhora do Carmo e, no 1.º Domingo de Setembro, a festa de N.ª Senhora da Saúde em cuja honra se ergueu um monumental santuário. A cidade conta ainda, no seu património religioso edificado com a capela de N.ª Senhora dos Remédios.
Em Vassal (orago N.ª Senhora do Ó ou da Expectação) há festas em Agosto e Março dedicadas, respectivamente, à Padroeira e a N.ª Senhora da Encarnação, tendo esta uma capela em sua dedicação.
Em Veiga do Lila (orago - S. Pedro) realiza-se em Maio uma festa dedicada a N.ª Senhora de Fátima.
Em Vilarandelo (orago - S. Vicente) no último fim-se-semana de Agosto é dedicada uma festa a Santa Bárbara e N.ª Senhora dos Milagres, havendo na localidade, entre outras, uma capela da invocação de N.ª Senhora dos Milagres.
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