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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

A recente descoberta de ossadas de gigantes humanos na Grécia – mais um embuste?!

Fotos de uma recente descoberta arqueológica na Grécia. Gigantes realmente existiram?  
Circulando pela internet desde junho de 2010,  o texto acompanhado de algumas fotos, afirma que realmente existiram gigantes no nosso planeta há vários anos!

Será verdade?

Uma das imagens recebidas junto ao texto

Já pesquisamos, em setembro de 2004, aqui no E-farsas a história  semelhante, onde o autor do texto afirmava que haviam sido encontrados esqueletos de seres humanos com a estatura muito maior que o normal. Na época, descobrimos se tratar de montagens.
Mas, e dessa vez? Será que as imagens e o texto são reais?

A resposta é:  NÃO! É tudo falso!

Dessa vez (assim como em algumas versões que pesquisamos em 2004!), o autor se apóia em trechos da bíblia para tentar justificar seu hoax.

De fato, a bíblia fala em gigantes em vários de seus versículos. Por exemplo, em Gênesis 6, versículo 4, o texto diz:

"Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama."

Aliás, segundo o site BibliaOnline, a palavra "gigante" aparece em 15 versículos. Mas isso também depende da edição, tradução etc.

Porém, as imagens anexadas ao texto são, na verdade, montagens feitas para o site Worth1000,especializado em realizar concursos para os craques em softwares de manipulações digitais – como o Photoshop.

Um dos temas dos concursos promovidos pela galera do Worth1000 foi a 12ª edição do Anomalias Arqueológicas e a maioria das fotos foram retiradas de lá.

Abaixo, uma das fotos manipuladas:



Das imagens acima, a original é de 1993, da Universidade de Chicago. Um osso de dinossauro encontrado em escavações na Nigéria 

In http://www.e-farsas.com

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Imagens de satélite permitem encontrar pirâmides no Egipto

A arqueologia espacial “substituiu” Indiana Jones. Imagens de satélite sobre o Egipto permitiram descobrir 17 pirâmides que estavam desaparecidas e três mil infra-estruturas escondidas debaixo do solo, num trabalho pioneiro de arqueologia espacial de um laboratório em Alabama, apoiado pela NASA.
"Indiana Jones é o método antigo. Ultrapassámos Indy, desculpa Harrison Ford”, disse à BBC Sarah Parcak, do laboratório de Birmingham, Alabama, especializada em arqueologia espacial.
A equipa de Parcak analisou as imagens obtidas por satélites a 700 quilómetros da Terra, equipados com câmaras de infra-vermelhos capazes de detectar objectos com menos de um metro de diâmetro na superfície terrestre. “Escavar uma pirâmide é o sonho de qualquer arqueólogo”, comentou Parcak, dizendo-se surpreendida com o que ela e a sua equipa encontraram.
“Trabalhámos intensamente durante mais de um ano. Mas o momento alto foi quando pude, finalmente, ver o conjunto de tudo o que encontrámos. Nem queria acreditar que localizámos tantos sítios em todo o Egipto”.

Leia a continuação em http://publico.pt/1495833

Mais:

http://www.bbc.co.uk/news/world-13522957
http://www.uab.edu/history-anthropology/faclist/87-anthropology/23-ant-parcak

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Génios loucos

Criativos, sensíveis, estranhos

A história está cheia de mentes geniais capazes de criar obras sublimes e, ao mesmo tempo, cair na loucura e nas piores perversões, no roubo ou mesmo no homicídio.
A galeria Tate Britain de Londres expõe, entre outras jóias artísticas, um pequeno quadro intitulado O Golpe de Mestre do Lenhador-Duende. O autor, o pintor Richard Dadd, fez uma viagem ao Egipto, em 1842, durante a qual sofreu uma trágica mudança de personalidade, provavelmente causada pelo consumo de ópio e de outras drogas. No regresso, já não voltaria a ser ele próprio: o seu carácter tornara-se azedo e mostrava-se paranóico e agressivo.
De volta a Inglaterra, Dadd assegurava que o deus egípcio Osíris o incumbira de uma dolorosa missão, cujos detalhes não revelava. A conselho de um médico, o pintor resolveu passar um período a descansar na casa de campo da família, no Kent. Uma tarde, enquanto passeava por um bosque nas redondezas, Dadd desferiu uma machadada no pai e, depois, desmembrou o corpo. O parricida foi detido passados alguns dias, em França, quando se preparava para degolar um homem. Entre os seus pertences, a Polícia encontrou um caderno onde escrevera uma longa lista de nomes de pessoas, entre as quais se contava o papa, que devia assassinar por ordem de Osíris.
Aos 27 anos, Dadd foi encerrado num hospício, onde dedicou quase uma década à referida tela, que mostra um grupo de fadas, elfos e duendes a observar um lenhador que se prepara para dar uma machadada. A seus pés, não há lenha, apenas terra. Dadd morreu no hospital psiquiátrico de Broadmoor, em 1886.

Quebrar o gelo

No começo do século XX, numa das suas inúmeras bebedeiras, Maurice Utrillo pegou fogo ao hotel de Montmartre onde se alojava. Na rua, no meio dos bombeiros e polícias, a multidão apontava para o telhado do hotel, onde se perfilava a figura do pintor francês. Os habitantes do bairro tinham-no reconhecido e gritavam “É o louco!”, “Detenham o louco!”.
Em 1905, o dramaturgo Alfred Jarry, autor de Rei Ubu e criador da escola patafísica, sentou-se num café parisiense ao lado de uma senhora e, por alguma razão, resolveu embirrar com um cliente que se encontrava junto desta. Ergueu-se, tirou uma pistola do coldre e disparou contra um espelho, provocando pânico no café e a fuga precipitado do fulano que o punha nervoso. Já calmo, voltou-se para a aterrorizada dama e disse-lhe: “Agora que quebrámos o gelo, conversemos.” O seu gosto por puxar o gatilho causou-lhe vários problemas, mas nunca feriu ninguém.

Extravagantes e criminosos

Muitos artistas foram extravagantes, associais ou neuróticos, assim como obcecados sexuais (Giacomo Puccini), com tendência para a pedofilia (o pintor Balthus), escatológicos ou infantis e malcriados (Amadeus Mozart). Outros tinham graves perturbações mentais, como o poeta surrealista Antonin Artaud, natural de Marselha, que sofria de doença bipolar. Por sua vez, o pintor surrealista Salvador Dalí, criador do “método paranóico-crítico”, foi considerado como um génio ególatra e enlouquecido.
Michael Fitzgerald, psiquiatra irlandês do Trinity College Dublin, assegura que muitos génios foram vítimas de alguma forma de autismo. Será que isso significa que o talento criativo está relacionado com a loucura? A maioria dos psiquiatras rejeita semelhante associação. Os grandes artistas podem ser tão normais ou tão perversos como qualquer outra pessoa.
Músicos, pintores ou escritores são criativos e hiper-sensíveis, mas podem também ser assassinos, ladrões ou seres pervertidos. Tal como os restantes mortais, exibem as diversas variantes da condição humana, como poderá apreciar nas páginas que se seguem.

Sid Vicious: décibeis de sangue

John Simon Ritchie nasceu em Londres, em 1957, e foi criado pela mãe, toxicodependente, depois de o pai os ter abandonado. Na adolescência, fez parte de bandas de rua e andou a vender droga. Uma vez, quando assistia a um concerto, feriu uma espectadora e esteve preso uma semana. Depois, juntou-se ao movimento punk e conheceu o vocalista dos Sex Pistols, Johnny Rotten, que lhe deu o nome de Sid Vicious. Foi com esse pseudónimo que se juntou ao grupo como baixista, em 1977.
Viciado em heroína, Sid deixou a banda em 1978 e instalou-se no Hotel Chelsea de Nova Iorque com a namorada, a groupie Nancy Spungen. No dia 12 de Outubro, ela foi encontrada morta no quarto que partilhavam, apunhalada e banhada em sangue. No chão, havia seringas e uma faca. Sid, aturdido com a droga, foi acusado de assassínio e libertado sob fiança. Enquanto aguardava o julgamento, morreu de overdose aos 21 anos.

Cervantes: brigas e prisão

O pai de Cervantes era um médico que passou por grandes dificuldades para conseguir sustentar a numerosa prole. Na juventude, Cervantes foi para Madrid, onde decidiu dedicar-se às letras, mas meteu-se numa briga e feriu um tal Antonio de Sigura, segundo filho de um membro da alta nobreza espanhola. Foi condenado à mutilação da mão direita e a dez anos de desterro, mas fugiu para Itália e refugiou-se na milícia. O jovem escritor combateu em Lepanto, onde perdeu a mobilidade da mão esquerda, e esteve cinco anos preso em Argel. De regresso a Espanha, foi parar à cadeia, acusado de vender parte do trigo destinado à Armada. Diz-se, também, que foi proxeneta das irmãs.

Caravaggio: um pintor em fuga

A vida de Michelangelo Merisi da Caravaggio foi recheada de tumultos, sexo, violência e fugas precipitadas. Nasceu em 1571, no seio de uma modesta família milanesa, e chegou a Roma aos 21 anos na mais absoluta miséria. Ali, trabalhou como retratista para subsistir, antes de entrar ao serviço do cardeal Del Monte, próximo dos Médicis. Na cidade, aperfeiçoou a técnica do claro-escuro... e a dos escândalos.
Dizia-se que roubara o cadáver de uma mulher para servir de modelo da Virgem. Era alcoólico, frequentava os bas-fonds e passou várias vezes pela prisão. O jogo, a noite e a prostituição feminina e masculina fascinavam-no. Em 1606, aos 35 anos, matou um tal Tomassoni num duelo por causa de uma dívida de jogo. Foi condenado à morte, mas conseguiu fugir para Malta. Ali, foi acolhido pelos cavaleiros da Ordem de Malta graças ao seu talento artístico. Passados dois anos, fugiu novamente, após seduzir a filha de um dignatário, e foi expulso da Ordem por ser “putrefacto e fétido”. Esteve na Sicília e em Nápoles, seguindo depois para Roma a fim de obter o perdão do papa, mas morreu em circunstâncias estranhas e o seu corpo nunca foi encontrado. Corria o ano de 1610.

Jean Genet: a vida nas margens

Nascido em Paris, em 1910, de uma mãe prostituta e pai desconhecido, Jean Genet foi entregue à assistência pública, que lhe deu um uniforme, um par de tamancos de madeira e um número de registo. Deixou o orfanato para ser acolhido por um casal que cobrava 21 francos por mês para mantê-lo, e cometeu o primeiro roubo aos dez anos. Aos 15, foi enviado para um centro de menores perto de Tours, onde permaneceu três anos. Foi ali que descobriu a sua homossexualidade.
Aos 18 anos, alistou-se na Legião Estrangeira e foi enviado para o Norte de África. Depois, deixou a milícia e prostituiu-se até conseguir voltar a Paris. Preso por roubar e falsificar documentos, foi na cela que escreveu Diário de um Ladrão. Jean Cocteau reparou no seu talento e arranjou-lhe editor, mas Genet continuou a roubar livros nas bibliotecas para vender na rua. Detiveram-no novamente e esteve à beira de ser condenado à prisão perpétua, mas Cocteau intercedeu e a pena foi reduzida a alguns meses. Depois, conheceu o êxito literário, participou nos movimentos de Maio de 1968, apoiou diversas causas revolucionárias e instalou-se em Larache (Marrocos).

Chatterton: mentir para triunfar

Nos seus escassos 18 anos de vida, Thomas Chatterton (1752–1770) conseguiu transformar-se num ícone da poesia pré-romântica e... num grande impostor. Natural de Bristol e órfão de pai, foi internado num colégio aos seis anos. Lia febrilmente e, aos onze, compôs os seus primeiros poemas. Inspirando-se em antigos pergaminhos, escreveu a écloga Eleonore e Juga, na qual imitava uma linguagem medieval que fez passar como sendo do monge Thomas Rowley. Ao ver que a coisa pegava, continuou a criar falsificações e a vendê-las por alguns xelins. Inventou autores e escreveu obras que provinham, supostamente, de um cofre encontrado numa igreja. Quando se descobriu a fraude, fugiu para Londres e começou a assinar com o seu nome. Chegou a publicar mas, depois, suicidou-se com arsénico.

William Burroughs: rápido no gatilho

Além de ser um dos escritores mais influentes da geração beat, William Burroughs (1914–1997) foi um grande adepto das armas e um tenaz dependente de heroína. Em 1951, perseguido pela polícia norte-americana, emigrou com a família para o México. Numa noite de embriaguez, colocou uma maçã na cabeça da mulher, Joan Vollmer, e disparou o seu Colt 45. Embora se orgulhasse da pontaria, falhou e matou-a. Acusado de homicídio voluntário, passou alguns dias na cadeia, mas conseguiu sair com o auxílio da sua família abastada, proprietária da companhia de calculadoras Burroughs Adding Machines. Refugiado em Tânger, bissexual e consumidor de drogas compulsivo, escreveu livros fascinantes como Junkie ou Naked Lunch (Festim Nu), baseados na sua experiência.

Arthur Rimbaud: mudado a tiro

Em 1880, Arthur Rimbaud tinha 26 anos e vivia na Etiópia, onde se dedicava ao tráfico de seda, ouro, plumas e armas. “Importamos espingardas”, escreveu à família. Uma existência oposta à vida com que sonhara quando trocou a sua Charleville natal por Paris, aos 17 anos, para se transformar num poeta boémio. Em 1871, o belo adolescente deslumbrou com os seus versos Paul Verlaine, o qual abandonou a mulher e o filho por ele. Os dois poetas amaram-se e embriagaram-se de absinto e haxixe. Durante uma cena de ciúmes, Verlaine deu um tiro no efebo e foi condenado a dois anos de prisão. Depois de criar, em três anos, uma das obras ímpares da literatura, Rimbaud fugiu e trocou a boémia pelos negócios, mas não encontrou paz em África. Sozinho e doente com cancro, regressou a Marselha para morrer.

Marquês de Sade: castigado pela sua libertinagem

Donatien Alphonse François, marquês de Sade, nasceu em Paris no seio de uma família da aristocracia provençal, em 1740. Na sua vida acidentada, foi preso por ordem da Monarquia, da República e do Império, e passou 27 anos encerrado em diversas cadeias e manicómios. Quais foram os seus crimes? Um comportamento com tendência para os excessos, caracterizado por uma sexualidade agressiva, além dos textos que escreveu, considerados demasiado violentos e eróticos. O pai, numa tentativa para o endireitar, casou-o aos 23 anos com a herdeira de uma família nobre e abastada. A mulher sustentou-o economicamente, apesar dos escândalos que ele protagonizou. Acusado de rapto, violência sexual e actos de barbárie contra três jovens que o denunciaram, Sade passou a juventude em fuga.
Aos 37 anos, foi enviado para a cadeia. Durante os treze que passou por detrás das grades nas prisões de Vincennes e da Bastilha, escreveu Os 120 Dias de Sodoma. Libertado em 1790, o “Divino Marquês” sobreviveu à custa da publicação de obras clandestinas escandalosas, como Justine. Durante a Revolução francesa, tomou posição contra a pena capital e a guilhotina. Em 1800, publicou Zoloé e as Suas Duas Amantes, obra que exaltou os ânimos e lhe valeu a condenação dos revolucionários. Sade foi encarcerado no hospício de Charenton, onde morreu em 1814, aos 74 anos.
Muitas histórias foram inventadas, e outras exageradas, sobre o nobre cujo apelido deu origem à palavra “sádico”. A verdade é que falou de sexo sem pudor, um pecado grave no século XVIII, e parte dos seus manuscritos foi destruída pela própria família.

SUPER 156 - Abril 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Cavalos europeus tiveram origem na Ásia e Península Ibérica

por Elsa Cláudia Alves, da agência Lusa 03 Abril 2011

 Cavalos europeus | http://www.dn.pt

Os cavalos hoje existentes na Europa tiveram origem na Ásia, mas também na Península Ibérica, que deu um contributo para a sua domesticação, processo que acompanhou o desenvolvimento dos homens, disse hoje uma investigadora.

A Península Ibérica serviu de refúgio a cavalos selvagens há cerca de seis mil anos e as populações foram "preponderantes" para a domesticação destes animais na região e no resto da Europa, concluiu um estudo de uma equipa internacional que inclui Cristina Luís (dos Museus da Politécnica da Universidade de Lisboa) e Maria do Mar Oom (do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). O trabalho, publicado esta semana na revista PloS One, indica que as raças de cavalos existentes na Europa "não só tiveram grande influência dos cavalos asiáticos, como também tiveram influência dos cavalos selvagens existentes na Península Ibérica, um dado novo e bastante interessante", avançou hoje à agência Lusa a investigadora Cristina Luís. "O cavalo sempre esteve associado ao homem e a sua domesticação também. Ao estudar a domesticação do cavalo podemos obter pistas de como se processaram as movimentações dos humanos ao longo dos tempos, numa análise antropológica e das civilizações", explicou.

A domesticação dos cavalos constituiu um passo importante na história da humanidade, tendo proporcionado vantagens na possibilidade de viagens de longa distância, na agricultura, no comércio e na guerra. A equipa de investigadores analisou as relações genéticas de 24 raças de cavalos europeus e asiáticos para tentar esclarecer os fenómenos de domesticação na Europa. As informações obtidas sobre a influência que determinadas raças, de determinadas regiões, tiveram umas nas outras podem dar um contributo para trabalhos de conservação e melhoramento de raças actuais. Cristina Luís apontou que a investigação desenvolvida "tem uma vertente de conservação, mas também de estudo da evolução do cavalo e da história das civilizações humanas, muito interligadas com os cavalos".

Há seis mil anos, quando eram selvagens, "os cavalos não gostavam muito de regiões de floresta densa e terão tido um refúgio na Península Ibérica e, eventualmente, terão então sido utilizados para a formação de outras raças" e seleccionados de formas diferentes, resumiu a investigadora. Actualmente, já não existem cavalos selvagens na Europa, há alguns casos de cavalos que andam ao ar livre, como os garranos, no norte de Portugal, mas "têm donos". Cristina Luís referiu um projecto em que se pretende estudar a relação entre cavalos da Península Ibérica e do Norte de África. Desconhece-se "qual a direcção das migrações de cavalos", já que os mouros estiveram em Portugal e "não se sabe se terão sido os cavalos dos mouros que foram trazidos para a Península Ibérica ou ao contrário", explicou. Os investigadores vão "tentar provar se realmente houve uma domesticação independente na Península Ibérica", salientou a especialista.

In DN | http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1821950

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Fogueira com elas

Bruxas, feiticeiras e outras endemoninhadas

Milhares de supostas bruxas (e bruxos) foram torturadas e condenadas a morrer na fogueira pela Igreja e por tribunais civis, apoiados no medo e na superstição. Aconteceu numa Europa Central assolada pelas guerras religiosas e fustigada pela fome e pela doença. De pé no pátio do castelo, um acusado de bruxaria aguarda o veredicto. O toque dos sinos é lúgubre. “São verdadeiras as acusações?”, pergunta o alcaide ao réu. Com um quase inaudível “sim”, o homem admite aquilo que o obrigaram a confessar. Sabe que, se desmentir, voltará ao cárcere e será submetido a novas torturas. O cura profere um sermão sobre a bondade divina e a férrea determinação que os fiéis devem manter contra as artes de­mo­nía­cas. Depois, o escrivão lê a sentença e o preso é entregue ao carrasco. Todo o povo está presente, incluindo crianças. Após a execução, as personalidades importantes dirigem-se ao salão do castelo para o banquete, pago com os bens da vítima. Era assim, na forca ou nas chamas purificadoras da fogueira, que a cidade helvética de Neuchâtel acabava com os seus bruxos e bruxas. A Suiça possui a duvidosa honra de ser o país com mais vítimas acusadas de bruxaria em relação à respectiva população: uma por cada 250 habitantes. Um total de 4000 pes­soas foram condenadas e assassinadas porque legisladores, juízes, políticos, curas e intelectuais consideravam que tinham estabelecido um pacto com o diabo. Comparativamente, Portugal, com uma demografia semelhante, apenas executou quatro cidadãos durante os três séculos que durou a caça às bruxas. Em termos absolutos, é a Alemanha que leva a palma, com 25 mil condenações à morte, seguida da comunidade da Polónia-Lituânia (dez mil). No período que vai de 1450 a 1750, “a degradação esmagou a honradez, as paixões mais baixas foram camufladas com a cobertura da religião e o intelecto do homem desculpou selvajarias; a bruxaria destruiu os princípios da honra e da justiça”, opina o historiador britânico Rossell Hope Robbins. Tem razão: em Inglaterra, um juiz do Supremo Tribunal fechou os olhos ao perjúrio evidente cometido por uma testemunha de acusação; na Alemanha, um magistrado, rejeitado por uma mulher a quem fizera propostas desonestas, acusou a irmã de ser bruxa, torturando-a e queimando-a na fogueira nesse mesmo dia; em Boston, uma pobre imigrante que só falava gaélico irlandês e rezava em latim morreu na forca por não saber dizer o Pai Nosso em inglês.

De curandeiros a demónios As supostas bruxas (80 por cento das vítimas eram do sexo feminino) não eram como aquelas velhas corcundas e desdentadas que preparam poções nos contos infantis. Aos olhos de leigos e clérigos, estas damas diabólicas pertenciam a uma poderosa organização que trabalhava sem descanso para subverter a religião e pôr fim ao reino de Deus. A brutal mudança de percepção surgiu no Renascimento. Anteriormente, os bruxos faziam parte da rede social e “a feitiçaria correspondia ao desejo de dominar a Natureza em quatro aspectos principais: a saúde, o sexo, o conhecimento do futuro e a ambição económica”, afirma Joseph Pérez, historiador da Universidade de Bordéus (França). Habituais no meio rural, os feiticeiros desempenhavam o papel de curandeiros, dada a escassez de médicos, e viviam da venda de poções naturais e amuletos da sorte. Sem preparação intelectual, os seus conhecimentos sobre as plantas decorriam da tradição e da experiência; eram autênticos depositários da cultura popular. Porém, tudo isso mudou no século XV. A Europa fora arrasada pela peste negra e, em 1494, surgiu uma nova epidemia que iria atingir um milhão de cidadãos: a sífilis. Entretanto, reis e governantes mergulhavam os seus países num ciclo constante de conflitos. À Guerra dos Cem Anos (1337–1453), entre a França e a Inglaterra, seguiram-se sangrentos confrontos entre católicos e protestantes e a Guerra dos Trinta Anos, que devastou a Europa Central entre 1616 e 1648. A tudo isso é preciso somar períodos de seca e de fome, óbitos por falta de higiene, etc... Um cenário desolador para uma população dominada pelo receio de penúrias e desastres aparentemente sem explicação. Nesse contexto, a Reforma religiosa serviu de trampolim para eliminar os vestígios de paganismo que subsistiam no meio rural e serviam de alimento à feitiçaria. Em vez de reciclar as velhas crenças, como fez o cristianismo primitivo, tanto católicos como protestantes decidiram atacá-las e declará-las uma herança de Satanás. Lutero defendeu que se queimasse os seus praticantes, e os luteranos estenderam por toda a Alemanha a caça à bruxas, enquanto o calvinismo impôs na Escócia, em 1563, a primeira lei antibruxaria.

Sinistras criaturas Por se tratar de um conceito ideológico difícil de demonstrar, a bruxaria foi declarada crimen excepta, delito excepcional não abrangido pelas garantias processuais. Constituía uma traição a Deus e devia ser, como tal, severamente punida: “Nenhum castigo que impunhamos às bruxas, mesmo que seja assá-las e cozê-las em lume brando, será excessivo”, escrevia Jean Bodin, jurista francês do século XVI. Este indivíduo demonstrou o seu fanatismo no livro Demonomania dos Bruxos (1580), no qual deixou escritas pérolas como “há que obrigar as crianças a testemunhar contra os pais”, “a suspeita é suficiente fundamento para a tortura” ou “nunca se deve absolver uma pessoa depois de ter sido acusada”. No seu entender, a melhor maneira de infundir temor a Deus era com “ferros ao rubro para arrancar a carne putrefacta”. Como se tivessem lido Bodin, as filhas do latifundiário inglês Robert Throckmorton destruíram para sempre a vida da família constituí­da por John e Alice Samuel e pela sua filha Agnes, seus vizinhos na povoação de Warboys. Esses monstrinhos, liderados por Jane, de dez anos, fingiam ataques de epilepsia quando Alice surgia e conseguiram convencer os juízes, com o apoio de um médico de Cambridge, de que esta lhes lançara uma maldição. As meninas acusaram igualmente a família Samuel de ser responsável pela morte de Lady Cromwell, casada com o homem mais rico de Inglaterra e conhecida dos Throckmorton. John, Alice e Agnes foram declarados culpados de assassínio por feitiçaria. O chamado “caso das bruxas de Warboys” contribuiu para impulsionar a lei de 1604 que estabelecia a pena de morte para a bruxaria. Em França, o fenómeno esteve mais associado ao sexo. O episódio das freiras de Luoviers, na Alta Normandia, deveu-se aos excessos do capelão de um mosteiro de irmãs franciscanas da ordem terceira. Quando a jovem Madeleine Bavent ingressou, em 1623, descobriu que o pai espiritual do convento era adepto de uma heresia que defendia que se devia adorar Deus sem roupa, como Adão e Eva. “As monjas despiam-se e dançavam na sua frente. Ele obrigava-nos a dar abraços voluptuosos; testemunhei a circuncisão num falo enorme que algumas monjas agarraram em seguida para satisfazer os seus caprichos”, escreveu Madeleine. Ela negava-se a participar em tais práticas, mas o cura Mathurin Picard violou-a e deixou-a grávida. As orgias prosseguiram até 1642, quando a morte de Picard desencadeou a histeria. Receosas de que tudo fosse descoberto, 14 das 52 freiras do convento começaram a fingir possessão demoníaca e acusaram Madeleine de as ter enfeitiçado. Esta foi torturada e condenada à prisão perpétua numa masmorra insalubre, onde recebia apenas pão e água de três em três dias. Em 1647, não conseguiu resistir mais e morreu na prisão. O desfecho teria sido outro se os juízes franceses tivessem visto o que aconteceu no Convento das Beneditinas de São Plácido, em Madrid, em 1628. Entre os seus muros, o diabo ter-se-ia apoderado de 25 freiras. Todavia, o inquisidor Diego Serrano comprovou que não estavam possessas, mas eram doentes mentais: não necessitavam de exorcismos, mas de cuidados médicos. Francisco Garcia Calderón, confessor do mosteiro, foi preso por manter relações sexuais com as religiosas. “Não devemos, senhor, estar com rodeios neste assunto: não houve, nem há, outros demónios que não sejam os frades”, escreveu Serrano, com lucidez, ao inquisidor-geral. A bruxomania instalou-se durante dois séculos na mente de clérigos, juízes, governantes e filósofos, os quais sufocaram na forca e na fogueira o espírito crítico de que costumavam fazer gala. A ciência incipiente que chegava pela mão de Galileu e Newton foi substituída por uma assombrosa credulidade. Como podiam pessoas instruídas acreditar em semelhantes disparates? O magistrado papal Paulo Grillandi chegou a explicar por que motivo uma bruxa, alegadamente capaz de mudar de forma e de passar pelo buraco de uma fechadura, não podia escapar da prisão: “Já que o demónio se apoderou dela, Satanás deseja que seja executada, pois assim não poderá arrepender-se e livrar-se do demónio.”

Um recurso financeiro Joseph Pérez aponta o dedo ao velho fascínio humano pelo demoníaco, mas também não nos devemos esquecer de que a bruxaria era um óptimo negócio. Como os tribunais do início do século XVII tinham de ser auto-suficientes, os condenados por feitiçaria (ou os seus familiares) pagavam do seu bolso cada acto de punição e cada banquete dos juízes, mesmo aqueles que eram declarados inocentes, como aconteceu, em 1676, com a alemã Chatrina Blanckenstein, a qual foi brutalmente torturada com empolgadeiras (que esmagavam os dedos das mãos e dos pés), no potro, com cunhas e com cordas de esfolar. Apesar disso, a mulher não confessou e o processo foi suspenso, mas não sem antes ter de pagar as custas do seu calvário. Não é de estranhar que, na Alemanha, onde os bens eram confiscados de forma sistemática, se tenham instaurado processos contra mulheres abastadas. Quando Fernando II (1578–1637) proibiu as confiscações por considerá-las um negócio sujo, o número de execuções diminuiu. Mesmo assim, houve casos notórios, como o do burgomestre de Bamberg, Johannes Junius, vítima da caça às bruxas promovida pelo eleitor da Saxónia, João Jorge II, o qual ordenou que se queimassem vivas cerca de 600 pessoas. Em 1628, antes de morrer na fogueira, Junius escreveu à filha para lhe contar como sofrera o suplício da polé, e como o carrasco lhe rogava para confessar algo, mesmo que fosse inventado, pois não parariam até admitir que era bruxo. É verdade que algumas mentes lúcidas ficaram horrorizadas com estas perversões. “Escutai-me, juízes famintos de dinheiro e fiscais sedentos de sangue: as aparições do diabo são mentira”, escreveu, no século XVII, o teólogo luterano Johann Meyfarth. Tinha presenciado centenas de processos por bruxaria e vira o modo como os verdugos se deleitavam com o suplício das vítimas. Meyfarth foi buscar as suas ideias a um compatriota, o jesuíta alemão Friedrich Spee von Langenfeld, que publicara, em 1631, de forma anónima, Cautio criminalis, onde confessava o seguinte: “Se não somos todos bruxos, é porque ainda não fomos sujeitos aos tormentos; o próprio Papa, submetido à tortura, confessaria que também ele era bruxo.”

Procura-se hereges frescos Durante a Idade Média, a feitiçaria era considerada a arte dos malefícios e encantamentos, sendo apenas punida com a morte se produzia efeitos nefastos, mas, depois, começou a ser entendida como uma traição a Deus. “Quem inventou e propagou a bruxaria foi a Inquisição”, afirma o historiador Rossell Hope Robbins; o Santo Ofício, na sua opinião, necessitava de uma nova heresia, depois de eliminados os albigenses e outros dissidentes do Sul de França. “A bruxaria foi criada para preencher esse vazio”, acrescenta. Serviu também para aumentar o número de hereges e as receitas. Todavia, a Inquisição em breve perdeu o controlo processual sobre a bruxaria herética, excepto em Espanha e em Itália, onde constituía uma poderosa organização centralizada que, surpreendentemente, agiu mais em defesa das bruxas do que como parte da acusação. O instrumento que legitimou o início da caça às bruxas foi a bula Summis desiderantes affectibus (1484), de Inocêncio VIII. Esse papa, que passou os últimos meses da sua vida a ser amamentado com o leite de uma mulher e que os médicos tentavam rejuvenescer com transfusões de sangue que levaram três jovens para o túmulo, foi responsável por abolir o Canon episcopi, de 906. O documento exprimia a posição oficial da Igreja, segundo a qual a bruxaria era uma superstição; era heresia acreditar nela. Graças a Inocêncio VIII, passou a ser herege quem não acreditasse nessas coisas. A bula reforçou os poderes de dois inquisidores alemães, os dominicanos Heinrich Kramer e Jakob Sprenger, que estavam dispostos a acabar com a seita dos valdenses no vale do Reno. Tinham finalmente ensejo de punir severamente esse movimento herético, que acusaram de feitiçaria; em 1486, publicaram a obra que seria uma referência obrigatória durante 200 anos: o Malleus Maleficarum (“martelo das bruxas”, no feminino, pois era considerada um assunto de mulheres). “O antifeminismo medieval tem as raízes assentes numa antiga tradição cristã”, afirma Joseph Pérez. Na obra Formicarius (1475), o teólogo alemão Johan­nes Nider insistia no papel preponderante da mulher na bruxaria. A ideia de que as mulheres eram seres expostos às tentações e, por conseguinte, perigosas já tinha sido manifestada por Santo Agostinho e subsistia no século XVIII, como demonstra, por exemplo, o Diccionario de Autoridades (o primeiro publicado pela Real Academia de Espanha), que descreve deste modo os praticantes de bruxaria: “São mais vulgares as mulheres, pela sua superficialidade e fragilidade, pela luxúria e pelo espírito vingativo que nelas costuma reinar.” A morte da razão provocada pelos julgamentos sumários por bruxaria encontra a sua vertente mais dolorosa nesta confissão de um torturado à mulher que denunciou: “Nunca te vi num conciliábulo de bruxos, mas tinha de acusar alguém para acabar com os tormentos. Lembrei-me do teu nome porque, quando me levavam para a prisão, encontrámo-nos e disseste que nunca terias acreditado numa coisa assim contra mim. Peço-te perdão, mas, se voltassem a torturar-me, voltaria a acusar-te.” Talvez se pudesse pensar que a barbárie foi apenas produto da ignorância que reinava naqueles tempos obscuros, mas não é assim. Efectivamente, a caça às bruxas permaneceu activa, sob outras formas, até tempos recentes. O ser humano nunca esteve a salvo, em nenhum momento da história, de voltar as costas à razão. Se não permanecermos alerta, qualquer um de nós poderá, em qualquer altura, acabar por acreditar na maior loucura. Nunca é demais recordar as sábias palavras de um arcebispo do século IX: “Este miserável mundo jaz, hoje, sob a tirania da estupidez. Os cristãos acreditam em coisas tão absurdas que seria impossível fazê-las crer aos infiéis.” Caça fina Apesar da fama da Inquisição espanhola, a verdade é que a caça às bruxas foi relativamente benigna. Segundo Joseph Pérez, o país teve menos processos por bruxaria do que na Europa, e a maioria das sentenças foram leves: desterro, açoites, prisão, quase nunca execuções. O auto de fé mais famoso foi o de Logroño, em 1610, contra as bruxas de Zugarramurdi, no qual foram processadas 40 habitantes daquela aldeia navarra; 12 foram condenadas à morte na fogueira. Os testemunhos basearam-se em superstições e invejas e os inquisidores deixaram-se levar pela histeria social e pelo caso da vizinha comarca francesa de Labourd, onde o jurista Pierre de Lancre tinha condenado 80 pessoas. Em geral, segundo Pérez, “a Inquisição espanhola tentou encontrar explicações racionais para o comportamento das bruxas, enquanto no resto da Europa a credulidade dos juízes enviou milhares de mulheres para a morte”. Para aquele hispanista, esse comportamento diferente deveu-se ao facto de Espanha ter escapado às guerras religiosas que assolaram o continente. Por outro lado, a Inquisição estava demasiado ocupada a perseguir os mouriscos, os marranos e os luteranos, pelo que foi mais branda com a bruxaria, que não era considerada uma heresia em sentido estrito. Os processos de Salem Em 1692, o diabo fez escala numa povoa­ção do Massachusetts chamada Salem. Tratava-se de uma comunidade puritana que se regia por uma rígida e fanática religiosidade, com cada habitante a vigiar o comportamento alheio. Era nesse contexto que um grupo de raparigas se reunia para escutar as histórias fantásticas narradas por Tituba, uma escrava do reverendo Samuel Parris. As mais novas do grupo, Elizabeth, de nove anos e filha do clérigo, e Abigail Williams, de onze, começaram a sofrer convulsões e a desafiar e desobedecer a pais e familiares. Os seus ataques histéricos inspiraram as outras jovens. Estavam a ser, supostamente, perseguidas por espectros, e transformaram em bodes expiatórios as pessoas que mais antipatia despertavam na comunidade. Depois, estenderam as acusações aos restantes cidadãos: ninguém estava a salvo. Os juízes do processo acreditavam que tudo se devia à acção do demónio e usaram as jovens como autênticos “detectores de bruxaria”: qualquer pessoa que indicassem era acusada, mesmo na ausência de quaisquer provas. Foram detidos 31 indivíduos (dos quais 25 eram mulheres), condenados à morte para evitar “a ira de Deus”. A escrava Tituba foi encarcerada por tempo indeterminado, sem julgamento. Catorze anos depois, uma das jovens, Ann Putnam, confessou que tudo não passara de uma farsa, orquestrada, como não podia deixar de ser, pelo demónio. SUPER 154 - Fevereiro 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ainda em busca da Atlântida?!

Primeiros relatos conhecidos sobre a Atlântida são de Platão | http://www.cienciahoje.pt

Confesso que este é um dos mitos da História do que talvez pudéssemos chamar de “as civilizações perdidas” que sempre me fascinou, talvez, como decerto aconteceu com muitas pessoas da minha geração, por influência das “Vinte Mil Léguas Submarinas” do romancista Júlio Verne, obra que marcou dezenas de gerações antes e depois da minha. À medida que fui amadurecendo resignei-me perante a probabilidade de se encontrar alguma verdade por detrás dos encantos transmitidos pela singular imaginação daquele precursor da ficção científica e convenci-me de que esta mítica civilização redescoberta nas obras de Platão “Timeu” e “Crítias”, não passava disso mesmo – um mito. Mesmo após Verne, a perseverança de alguns cientistas, arqueólogos e simples entusiastas da Atlântida não bastou para superar esta minha convicção. Agora, perante esta curiosa “Notícia com História”, resta-me, com a necessária sensatez, esperar por novos desenvolvimentos desta investigação para reavaliar a minha posição sobre tão enigmático tema. 
Leonel Salvado   

Americanos dizem ter encontrado réplica da Atlântida
Metrópole pode ter sido destruída por um tsunami
CiênciaHoje, 2011-03-15

Uma equipa de geólogos e arqueólogos americanos diz ter encontrado as ruínas de um memorial da cidade perdida de Atlântida na zona de Cádiz, sul de Espanha. De acordo com o documentário"Finding Atlantis", no qual a descoberta foi apresentada, esta metrópole pode ter desaparecido graças a um tsunami que a destruiu há nove mil anos. 
"É difícil perceber como um tsunami foi capaz de 'varrer' cem quilómetros de terra, mas foi isso que aconteceu",  frisou Richard Freund, da Universidade de Hartford, nos Estados Unidos, que liderou a investigação.
Freund localizou  a metrópole a 96 quilómetros da costa, nos pântanos do Parque Nacional de Doñana. Contudo, esta descoberta parece não corresponder à Atlântida original, mas a uma cidade feita à sua imagem por sobreviventes da primeira.
Através de imagens de satélite, a equipa suspeitou de uma cidade submersa naquela localização. Para solucionar este mistério, os investigadores recorreram, entre 2009 e 2010, a radares, cartografias subaquáticas  e outras tecnologias e constataram que a cidade que encontraram era feita à semelhança da Atlântida. 
Os especialistas querem agora fazer novas escavações neste local para estudar mais a fundo as formações geológicas e os artefactos que lá existem. 

De Platão à actualidade
Os primeiros relatos da mítica Atlântida datam de há 2400 anos, quando Platão descreveu-a como "uma ilha situada em frente ao estreito chamado de Pilares de Hércules", denominação do Estreito de Gibraltar na antiguidade.
Apesar dos relatos do  filósofo grego dizerem que esta "desapareceu de um dia para o outro nas profundezas do oceano",  a dúvida sobre a existência desta metrópole persiste há milhares de anos. Já em 2004 e em 2009 outros investigadores disseram tê-la encontrado no Chipre e perto das Canárias, respectivamente

In http://www.cienciahoje.pt

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Pessoa com mais títulos nobiliárquicos do mundo é espanhola

Segundo o Guiness Book of Records, ela chama-se María del Rosario Cayetana Alfonsa Victoria Eugenia Francisca Fitz-James Stuart y Silva e é conhecida como a a 18.ª e actual Duquesa de Alba de Tormes, é a terceira mulher a usar este título por direito próprio, e Nasceu em 28 de março de 1926 no Palácio de Liria, em Madrid, sendo filha única de Don Jacobo Fitz-James Stuart y Falcó, 17.º Duque de Alba (1878-1953) e de sua mulher, D. Maria del Rosario de Silva y Gurtubay, 15.ª Duquesa de Aliaga e 9.ª Marquesa de San Vicente del Barco (1900-1934). 


O seu casamento, em 1947 com Don Pedro Luis Martínez de Irujo y Artázcoz (1919-1972), filho do Duque de Sotomayor, foi considerado pelo jornal francês “Liberation”, o “casamento mais caro do mundo”. 


É descendente directa do rei Jaime II de Inglaterra, por via de James Fitzjames, duque de Berwick, fruto da relação amorosa do monarca britânico com a sua amante Lady Arabella Churchill. Descende ainda da Casa de Bragança, por via dos Condes de Gelves descendentes de D. Álvaro de Bragança, neto de D. Afonso e primeiro Duque de Bragança.


Tão célebre talvez quanto ela, só a sua antepassada María del Pilar Teresa Cayetana de Silva Alvarez de Toledo, 13.ª Duquesa de Alba, muito conhecida devido aos seus diversos retratos da autoria do também célebre pintor Francisco Goya.


Só pare se ter uma ideia da sua grandeza aristocrática, Dona Maria Cayetana é detentora dos seguintes títulos:

·          - 8 de duquesa;
·         -  15 de marquesa;
·          - 19 de condessa;
·          - 1 de condessa-marquesa;
·          - 1 de viscondessa;
·         -  20 de “Grande de Espanha”.

Para conhecer com mais detalhes a sua lista completa de títulos clique AQUI.
Foto: jornal El País | http://www.elpais.com
Fontes: http://pt.wikipedia.org | separata da revista Super Interessante, nº 64, Agosto de 2003

sexta-feira, 25 de março de 2011

As bizarras "baixelas" dos primeiros britânicos

Primeiros britânicos usavam crânios de mortos como taça

CiênciaHoje, 2011-02-17

Primeira evidência de crânio-chávenas no Reino Unido

“Uma recente descoberta numa caverna – Gruta do Gough, em Cheddar Gorge, Somerset (Reino Unido) –, indica que os britânicos primitivos usavam os crânios das suas vítimas como taça.
Os cientistas do Museu de História Natural de Londres analisaram os restos de três pessoas encontradas, entre elas, uma criança de três anos que supostamente foi morta por práticas de canibalismo. O estudo foi publicado na edição online da PLoS One."
As três taças datam de há 14 700 anos e estima-se que tenham sido usadas após a última Idade do Gelo. “Esta é a primeira evidência da existência de crânio-chávena manufacturados no Reino Unido, já que exemplos arqueológicos dos detalhes desta prática são extremamente raros. O diário «The Daily Telegraph» aponta, na edição de hoje, a descoberta como “a primeira evidência de massacres ritualísticos no país”.
Uma das chávenas adultas fará parte de uma exibição no museu londrino, a partir do próximo dia 1 de Março. Fazer recipientes a partir de crânios humanos pode parecer horrível, mas a prática já era conhecida e documentada do tempo dos Vikings e Citas.
No entanto, segundo os avanços dos paleontólogos do museu, o canibalismo não parece ter sido o propósito principal para a transformação dos crânios. Os ossos mostram cortes precisos com o objectivo de extrair a máxima quantidade de carne das vítimas.
Naquela época, os humanos já tinham aprendido a enterrar os mortos, o que significa que os restos descobertos são resultado de práticas canibais. Segundo Chris Stringer, investigador da instituição que se dedica ao estudo dos crânios, “o canibalismo era seguramente um bom método para eliminar grupos rivais e conseguir comida". "O mais sinistro é que essas pessoas eram caçadoras parecidas com seres humanos actuais. Fazer ferramentas e pintavam nas cavernas. Sepultavam os mais chegados, não os devoravam e tratavam os seus mortos com reverência", acrescentou Stringer.
Os investigadores ressalvam que os ossos humanos mostram claros sinais de carnificina, implicando que foram limpos pela sua carne. A medula foi esmagada antes de as cabeças serem transformadas em louça e não há nenhuma sugestão que indique que as chávenas são troféus feitos dos restos de inimigos mortos.

In http://www.cienciahoje.pt

quinta-feira, 24 de março de 2011

Descoberto navio do capitão que inspirou o romance «Moby Dick»

CiênciaHoje , 2011-02-14


Two Brothers é o primeiro baleeiro norte-americano de Nantucket encontrado no fundo do mar
Arqueólogos encontraram âncora e diversos objectos do navio Two Brothers (créditos: NOAA)
(imagem: adaptação de Leonel Salvado)

Numa investigação rara, uma equipa de arqueólogos subaquáticos norte-americanos descobriu o baleeiro Two Brothers, cujo capitão George Pollard Jr. inspirou o famoso romance «Moby Dick», de Herman Melville. Os arqueólogos da agência governamental National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) encontraram o navio de Nantucket (histórico porto baleeirodos EUA, em Massachusetts), ao largo do recife French Frigate Shoals, em águas pouco profundas, a 965 quilómetros de Honolulu.

De referir que todos os navios baleeiros de Nantucket desaparecem – afundados ou destruídos – excepto o Charles W. Morgan, que pode ser visto no Museu Mystic Seaport, em Connecticut.
Antes de ser capitão do Two Brothers, George Pollard Jr. tinha capitaneado o baleeiro Essex, abalroado e afundado por uma baleia no Pacífico Sul, em 1820. Essa famosa história inspirou o escritor Herman Melville, que conhecia bem a caça à baleia, tendo percorrido o Pacífico a bordo do baleeiro Acushet, a escrever o «Moby Dick», em 1851.
A NOAA afirmou já que esta é a primeira descoberta de um baleeiro de Nantucket afundado. Entre os artefactos achados encontram-se duas âncoras, três panelas de ferro usado para derreter a gordura da baleia, restos de armamento, pontos de arpões, lanças de caça e utensílios de cozinha.
Os artefactos encontram-se na área protegida intitulada Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea, facto importante para o material se ter preservado até agora, como afirmou o arqueólogo marinho líder da expedição Kelly Gleason.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=47429&op=all

domingo, 13 de março de 2011

81.º Aniversário da descoberta de Plutão


Não se trata, em rigor, do aniversário da descoberta do malogrado nono planeta e segundo maior planeta anão do Sistema Solar, como ele é agora considerado pela UAI (União Astronómica Internacional), depois das objecções que desde 1970 foram surgindo quanto à sua definição como planeta formal, até que a 24 de Agosto de 2006 a mesma UAI formalizou aquela nova denfinição.
Na realidade, na data de 13 de Março de 1930 sucedeu apenas a notícia telegrafada por Clyde Tombaugh para o Harvard College Observatory, confirmando o movimento de Plutão, com base nas suas observações efectuadas no Observatório Lowell. Era o planeta X, o nono planeta que desde 1906 e até à sua morte, em 1916, Percival Lowell, convicto da sua existência por ter constatado evidentes perturbações em Urano, perscrutou as várias possíveis coordenadas celestiais, sem lograr obter qualquer resultado afirmativo da sua descoberta. As primeiras fotos conseguidas por Tombaugh a 21, 23 e 29 de Janeiro de 1930 ajudaram nessa confirmação.


Formalmente designado 134340 Plutão, é também o décimo maior objecto que pode ser observado directamente na sua órbita solar. Possui três satélites naturais conhecidos: Caronte, descoberto em 1978 e outras duas luas menores, Nix e Hidra, ambas descobertas em 2005. É o maior membro do cinturão de Kuiper e, tal como os restantes membros, é composto principalmente por rocha e gelo. Tem cerca de 1/5 da massa da lua e 1/3 do seu volume.
Apesar de ficarmos reduzidos de novo a oito planetas, as condições de classificação impostas pela UAI em 2006 têm gerado uma onda de contestações, tanto por parte da comunidade de astrónomos como de uma larga margem do público internacional. O mais curioso é que a desclassificação de Plutão até já serviu de motivo para o aparecimento de mais um neologismo – o plutado”particípio passado do verbo plutar, com o significado de “rebaixar ou desvalorizar alguém ou alguma coisa”! Em Janeiro de 2007 a American Dialect Society escolheu-a como a sua “Palavra do Ano de 2006”! O que diriam Percy Lowel e Clyde Tombaugh de tudo isto?

Para mais alguns detalhes a respeito de Plutão consulte a Wiki, AQUI.

sexta-feira, 11 de março de 2011

37.º insólito aniversário do fim da 2ª Guerra Mundial

Por Leonel Salvado
Hiroo Onoda, 1944-45 | http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Onoda-young.jpg

Fez ontem 37 anos que o último combatente japonês se rendeu aos Aliados na Segunda Guerra Mundial, isto é 29 anos após a rendição incondicional do Japão. *

Para o Segundo Tenente Hiroo Onoda, nascido a 19 de Março de 1922, oficial da inteligência do exército japonês posicionado em Lubang, uma ilha do arquipélado das Filipinas, durante a Segunda Guerra Mundial, a guerra contra os Estados Unidos da América só terminou a 10 de Março de 1974. Trata-se de um dos casos insólitos da história real de um militar que contra todas as probabilidades manteve a sua lealdade à nação imperial. É, portanto, um extraordinário exemplo de coragem e perseverança de um combatente. Comparável a Onoda, talvez só outro soldado japonês, que se refugiu numa improvisada caverna na densa selva de Guam e com uma história parecida, Shoici Yokoi. Este foi resgatado 27 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Quando em Fevereiro de 1945 a ilha foi tomada pelos Aliados, Onoda e três soldados sob as suas ordens escaparam à captura e à morte e refugiaram-se na densa floresta de Lubang. Acabou por perder os seus soldados, um dos quais por rendição ao exército filipino e os restantes por terem sido mortos em combate contra forças locais, em 1954 e 1972. Declarado morto no Japão desde 1960, Hiroo Onoda sobreviveu sozinho na floresta de Lubang, mantendo sua lealdade ao imperador que havia assinado a rendição 29 anos antes e recusando-se a acreditar nesta informação, até que foi  descoberto por um estudante seu compatriota. Finalmente, a 10 de Março de 1974 reconheceu a derrota nas condições que a seguir expomos, através de uma transcrição do resto desta insólita história real.

*Data indicada na Biblioteca Universal em Acontecimentos históricos

Até o último Homem
Curioso.Net, 17 Novembro 2007

Encontrado por um estudante japonês, Norio Suzuki, Onoda recusou-se ainda a aceitar que a guerra tinha acabado a menos que recebesse ordens para baixar armas diretamente de seu oficial superior. Suzuki se prontificou a ajudar e retornou ao Japão com as fotografias de si mesmo e de Onoda como a prova de seu encontro. Em 1974, o governo japonês encontrou o oficial comandante de Onoda, Taniguchi, que havia se tornado um livreiro. Taniguchi foi para Lubang e informou a Onoda da derrota do Japão na segunda Guerra e ordenou-lhe a depor armas. Assim, o tenente Onoda emergiu da selva 29 anos após o fim da segunda guerra mundial, e aceitou a ordem do oficial comandante da rendição vestindo seu uniforme e espada, com seu rifle Arisaka ainda em condições operacionais, com 500 cartuchos de munição e diversas grenadas de mão.

A rendição de Hiroo Onoda, 1974 | http://www.theage.com.au

Embora tivesse matado aproximadamente trinta habitantes Filipinos locais e engajado diversos tiroteios com a polícia, as circunstâncias destes eventos foram levadas em consideração da situação, e Onoda recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos.
Depois de sua rendição, Onoda se mudou para Brasil, onde se transformou um fazendeiro de gado. Publicou uma autobiografia: No Surrender: My Thirty-year war (no Brasil, publicado pela Empresa Jornalística S. Paulo Shimbum S.A. como "Os Trinta Anos de Minha Guerra"), logo após sua rendição, detalhando sua vida como um combatente de guerrilha em uma guerra há muito tempo terminada. Revisitou a Ilha de Lubang em 1996, doando $10.000 para a escola local em Lubang. Casou-se com uma japonesa e voltou para o Japão, para administrar um acampamento para crianças.
Encontram-se no Brasil ainda familiares de Hiroo
Um de seus irmãos Tadao Onoda faleceu no ano de 1991, em São Paulo, porém seus filhos ainda vivem e deixam netos que ainda carregam o sobrenome.

In Curioso.Net, 17 Novembro 2007
http://www.curiosonet.com/2007/11/at-o-ltimo-homem.html

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fóssil de uma tartaruga de Torres Vedras com 145 milhões de anos surpreende cientistas

Escudo ventral do fóssil de tartaruga com 145 milhões de anos (DR)


Embora este achado, junto ao rio Acabrichel em Torres Vedras, de mais um fóssil de tartaruga com centena e meia de milhões de anos possa parecer insignificante, ele pode ajudar, segundo alguns paleontólogos espanhóis, a completar o puzzle geográfico dos continentes no Jurássico Superior, altura em que a Europa e a América do Norte começavam a afastar-se uma da outra. Vale a pena ler, na totalidade, mais esta “notícia com História”.

É a tartaruga de água doce mais antiga da Europa. E é de Torres Vedras
Por Teresa Firmino 23.02.2011
Vivia numa zona de pântanos e linhas de água sinuosas. O seu fóssil pertence a um género e a uma espécie novos para a ciência. Não muito longe do local onde nadava, o Atlântico Norte começava a formar-se e a separar a Europa da América do Norte.
Estavam a escavar os ossos de um dinossauro num morro junto à foz do rio Alcabrichel, perto de Torres Vedras, quando um deles, Bruno Teodoso, literalmente tropeçou numa tartaruga jurássica. Escorregou e, ao roçar com um braço por cima dos sedimentos, destapou acidentalmente o fóssil de uma tartaruga com 145 milhões de anos.
Nessa altura, em 2003, a Associação Leonel Trindade (ALT) - Sociedade de História Natural, de Torres Vedras, continuou por mais três anos a escavação do dinossauro que ficou encravado durante 145 milhões de anos na colina que agora dá para a praia de Santa Rita e para um Atlântico a perder de vista.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A propósito da palavra “testemunhar”

Numa separata da revista Super Interessante, na sua edição n.º 64, de Agosto de 2003, o Almanaque do Incrível (p. 18) pode ler-se:

À falta de Bíblia, os romanos juravam dizer a verdade apertando os testículos com a mão direita. É deste costume romano que provém a palavra testemunhar”.

Afinal, esta curiosa explicação do Almanaque do Incrível, suscita inúmeras objecções. Que o diga Micael Sousa, a quem se deve a pesquisa sobre "algumas visões etimológicas" relacionadas com esta questão, publicada no seu blogue, "A busca pela sabedoria", nas etiquetas Conceitos, História, Sexualidade e Sociedade e que entendemos partilhar aqui.

Os Testemunhos e os Testículos - algumas visões etimológicas
Por Micael Sousa

Hoje, pelo menos em Portugal, devido ao pretenso laicismo das nossas instituições públicas, para validar um “testemunho” não precisamos de jurar sobre ou por algo - um objecto por exemplo. No entanto, em alguns países ainda se jura, por exemplo, sobre um livro sagrado.

Composição nº61 - Alexander Rodchenko

Esquecendo para já este primeiro parágrafo, este texto pretende fazer uma pequena incursão sobre a etimologia dos termos relacionados com a acção de testemunhar. Existem várias teorias - um pouco para todos os gostos - sobre a origem desta acção. Helder Guégués (1) afirma que a palavra testemunha provém do latim, de "testis" que significa algo semelhante a teste, refere também, indo linguisticamente ainda mais ao passado, que este termo latino deriva por sua vez do termo Indo-europeu "tris", que se relaciona, por exemplo, com o "tree" do inglês actual, ou seja “árvore” - uma acepção com alguém de conduta sólida, com os "pés bem assentes na terra", imparcial e justo. Mas Helder Guégués vai ainda mais longe, afirma também que "testis" está na origem da palavra "testículo", e remete a origem do nome para o facto desse órgão atestar a masculinidade de um individuo - algo de extrema importância na antiguidade pelo facto das sociedades serem profundamente patriarcais.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

538.º Aniversário do nascimento de Copérnico

Copérnico conversa com Deus, de Jan Matejko, 1872 | http://ovelhaperdida.wordpress.com

Nicolau Copérnico ou, na sua língua materna, Nicolaj Kpernik, nasceu a 19 de Fevereiro de 1473 em Toruñ, cidade polaca situada junto do rio Vístula, na Pomerânia (aliás, na actual Pomerânia ocidental que faz parte do território polaco e confronta com a Pomerânia alemã ) foi destinado pela família para seguir a carreira eclesiástica, tendo tido a oportunidade de visitar os mais importantes centros de irradiação da cultura humanista e universidades do seu tempo, tais como Bolonha Pádua e Ferrara, onde estudou Direito, Medicina, Astronomia e Matemática, além do estudo do grego, língua que era então de grande importância para a leitura dos originais das grandes obras científicas da Antiguidade Clássica. Adquiriu uma sólida formação que o transformou num dos grandes precursores da revolução científica que o Renascimento representou.
A maior parte da sua vida foi passada em Frauemburgo, na Polónia, onde, desde 1501, assumiu as funções cónego, e a partir de 1512 se dedicou a observações astronómicas através de instrumentos criados por ele próprio.
O primeiro documento composto a partir das suas ideias e observações astronómicas foi um manuscrito na língua latina intitulado Nic. Copernici de Hypothesibus Motuum Coelestium a se Constitutis Commentariolus ("Pequenos Comentários de Nicolau Copérnico em Torno das Suas Hipóteses sobre os Movimentos Celestes") onde já apresentava a ideia do sistema heliocêntrico como uma possibilidade. Estas ideias foram percorrendo a Europa, chegando, em 1533, ao conhecimento do Papa Clemente VII que solicitou do cónego-astrónomo uma esposição sobre o assunto em Roma, o que não chegou a acontecer por entretanto Copérnico pretender aprofundar ainda mais as suas ideias de modo a refutar de forma superior o sistema geocêntrico de Ptolomeu. Tal só viria a suceder em 1543 quando o livro completo das ideias de Copérnico, levado a publicação três anos antes chegou, por fim, às suas mãos, já no leito de morte. Esse livro, intitulado De Revolutionibus (As Revoluções”), com um prefácio dedicado ao Papa III, seria depois adulterado por um pastor luterano que substituiu o prefácio original por um outro anónimo e modificou o seu título para De Revolutionibus Orbium Coelestium ("As Revoluções do Orbe Celeste"). Apesar disso, a obra revelou a teoria coperniciana que logo passou a ser reconhecida como uma das mais revolucionárias hipóteses científicas de sempre e depois de comprovada pelas observações de Galileu das fases de Venus e dos satélites de Jupiter foi ponto de partida da Astronomia Moderna. Além de astrónomo e matemático, este cónego da Igreja Católica foi ainda jurista e médico. Faleceu em Frauemburgo, a 24 de Maio de 1543.

Para uma biografia mais detalhada de Nicolau Copérnico, clique AQUI.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

164.º Aniversário do nascimento de Thomas Edison

Thomas Alva Edison (11/2/1847 – 18/101931) | Louis Bachrach, Bachrach Studios, restored by Michel Vuijlsteke | in http://pt.wikipedia.org

Em Milan, Ohio, nos Estados Unidos da América, nascia, a 11 de Fevereiro de 1847, aquele que é considerado o maior inventor de todos os tempos, Thomas Alva Edison, ultrapassando o extraordinária marca do milhar de patentes registadas (ao todo 1093, entre inventos originais e aperfeiçoados).
De entre as suas principais invenções destacaram-se o fonógrafo, o gramofone e o cinetógrafo, isto é a mais completa e funcional câmara de filmar provida e equipamento de verificação das filmagens obtidas. Mas, enquanto activo representante na civilização industrial, o que o tornou no maior génio inventivo de todos os tempos, ao ponto de ser considerado o Homem que mais interferência teve no curso da revolução tecnológica e científica da humanidade – na passagem da “era do vapor” para a “era da electricidade” – foi a sua acção e, sobretudo, a sua convicção profética da exploração desta última enigmática fonte, em especial, a invenção da lâmpada eléctrica incandescente. Entre outros projectos inventivos, talvez menos conhecidos, deste “feiticeiro de Menlo Park”, como passou a ser chamado, contam-se um aparelho de raio X, uma solução de empacotamento industrial de produtos alimentares a vácuo e até um curioso e revolucionário sistema económico de construção civil em betão. Inventou ainda o cinetoscópio ou cinescópio, o cinefone e o vitascópio, invenções que se revelaram determinantes no progresso da indústria cinematográfica, e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. Importa observar que Thomas Edison foi o criador de uma série de filmes conhecidos da era do cinema mudo, produzidos entre 1895 e 1910, e de alguns dos primeiros filmes sonoros produzidos em 1913 e 1914.
Uma das mais curiosas e sugestivas provas da versatilidade inventiva de Edison foi o seu primeiro invento patenteado, em 1868 quando ainda residia em NewarK, Nova Jérsia - um contador automático de votos! Já em Menlo Park, em 1879, no mesmo Estado, onde tiveram lugar as suas mais conhecidas e bem sucedidas invenções, a “Edison Electric Light Campany”, que o inventor havia fundado em Newark, transforma-se na maior potência industrial eléctrica norte-americana. Em 1888 surge a Edison General Electric, uma das maiores concentrações industriais do planeta e logo a seguir transformada numa das maiores multinacionais. Mais tarde, durante a 1ª Guerra Mundial associa-se à metalurgia naval e entra no ramo da indústria química.
Thomas Edison faleceu a 18 de Outubro de 1931 em West Orange, Nova Jérsei.

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