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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios – 18 de Abril de 2012

Por Leonel Salvado

Em retrospectiva - AS SETE MARAVILHAS DO CONCELHO DE VALPAÇOS

clique na imagem para aumentá-la

No dia 7 de Fevereiro foi noticiado pela IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) que «tendo por base a proposta do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) para 2012, o IGESPAR convidou todas as entidades, públicas e privadas, a associarem-se à celebração deste dia, subordinado ao tema “Do Património Mundial ao Património Local – proteger e gerir a mudança”».
Como, lamentavelmente a Autarquia de Valpaços não se associou a esta celebração, ao contrário da Câmara Municipal de Boticas, por exemplo, que já em 2011 o tinha feito e este ano renovou a sua adesão, organizando uma visita de estudo ao património histórico de Covas do Barroso, agendado para o dia de hoje, resta-nos a alternativa de continuarmos a depender, de iniciativas individuais - como a que foi promovida, em 2009, pelo editor do blog “Notícias de Valpaços”, Sérgio Morais, um interessante concurso para a eleição das “Sete Maravilhas do Concelho de Valpaços” a que o público aderiu com grande satisfação - no sentido de celebrarmos esta data e obtermos, junto das nossas comunidades, alguma sensibilização para a valorização e salvaguarda do nosso Património.
Em 20 de Março de 2011 entendemos homenagear e complementar esta iniciativa, criando uma forma diferente para a divulgação das sete maravilhas apuradas do Património Arquitectónico e Natural do concelho de Valpaços, representando-as num jogo de chá cujas peças foram desenhadas de raiz pelo Clube de História de Valpaços e as imagens foram reproduzidas e sobrepostas a elas, assim como se pode observar na imagem, na expectativa de que um dia alguém se lembre de pegar neste “esboço virtual” e transformá-la numa realidade.  
As 7 maravilhas do concelho de Valpaços aí representadas são: a igreja matriz de Santa Valha e a capela de Santa Maria Madalena, nesta mesma freguesia; a igreja matriz de Carrazedo de Montenegro e a Ribeira da Fraga, na mesma freguesia de Carrazedo de Montenegro; A Serra/Miradouro de Santa Comba, na freguesia de Vales; A ponte romana “do Arquinho”, na freguesia de Possacos; a igreja matriz de Valpaços, na freguesia e Valpaços. 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Do saque de Napoleão ao acervo científico-naturalista português ao “Projecto de Coimbra”

VIAGENS CIENTÍFICAS: NA ROTA DOS NATURALISTAS
Por Ricardo Garcia

Relatos da altura dizem que o naturalista francês apareceu de surpresa no Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda, em Maio de 1808. Etienne Geoffroy Saint-Hilaire vinha com instruções precisas do ministro do Interior de Napoleão: deveria identificar, empacotar e despachar todos os espécimes de plantas, animais e minerais que "faziam falta" ao Museu de História Natural de Paris.

Meses depois, quando a primeira invasão francesa foi repelida pelos ingleses, Saint-Hilaire embarcava de volta a Paris com 1583 exemplares de animais, 69 amostras de minerais e fósseis, dez herbários com quase 2000 plantas de várias partes do mundo e um conjunto precioso de manuscritos. O episódio representou mais do que um saque - ou um "favor", como a historiografia francesa então o descreveu. O que enchia a bagagem de Saint-Hilaire era o registo de um dos mais emblemáticos capítulos da história da ciência em Portugal: as "viagens filosóficas" que quatro naturalistas formados pela Universidade de Coimbra fizeram, no final do século XVIII, às colónias ultramarinas, para estudar os seus recursos.
Alvo de inúmeros estudos historiográficos, estas viagens estarão agora no centro do primeiro de uma série de quatro documentários que a Universidade de Coimbra, juntamente com a produtora Terratreme, vai realizar até 2013, sobre as suas missões botânicas em África. Além das expedições do final do século XVIII, os documentários irão retratar outros três momentos em que a universidade esteve envolvida no avanço do conhecimento da flora em África.
Embora espaçadas no tempo, todas estas expedições têm um denominador comum: a aplicação da ciência na exploração racional dos recursos. E as "viagens filosóficas" do século XVIII - assim chamadas por referência à "filosofia natural", que englobava todas as ciências naturais - são apontadas como uma espécie de momento fundador. Patrocinadas pela Coroa, foram, nas palavras do historiador William J. Simon, "expressões práticas do Iluminismo". O marquês de Pombal criara o Real Colégio dos Nobres (1761) e trouxe para Portugal o professor italiano Domenico Vandelli. Criaram-se os jardins botânicos da Ajuda (1768) e de Coimbra (1772), fez-se a reforma da universidade (1772), surgiu a Academia de Ciências de Lisboa (1779).
Em Coimbra, Vandelli fez-se rodear de jovens estudantes brasileiros, que, uma vez formados, se transferiram para o Jardim Botânico da Ajuda. Antes mais voltado para o ensino e o lazer palaciano, a instituição tomou outro rumo. "O jardim passa a ser um grande complexo científico e museológico", afirma João Brigola, especialista em História da Museologia na Universidade de Évora.

***

PROJECTO DE COIMBRA REVISITA ROTAS DOS NATURALISTAS EM ÁFRICA DESDE O SÉCULO XVIII

O botânico Jorge Paiva, 78 anos, professor e investigador reformado da Universidade de Coimbra, corre dez quilómetros todos os dias. A sua forma física vai ser necessária agora para uma nova tarefa: servir de guia em quatro documentários que serão produzidos até 2013, sobre as missões botânicas da universidade em África.

Para entender o que significam estas missões, basta olhar para o herbário da universidade. Ali estão hoje armazenados cerca de 700.000 exemplares de flora – a maior colecção do país e a segunda maior da Península Ibérica. Uma parte significativa resulta de sucessivas campanhas científicas para a recolha e o estudo de espécies vegetais em vários países africanos, que os documentários agora irão retratar.
Uma parte da história à volta destas campanhas estava de certa forma escondida do público em geral, em gabinetes e armários do antigo Departamento de Botânica. “Percebemos que havia uma riqueza documental enorme”, afirma Helena Freitas, directora do Jardim Botânico de Coimbra. Desde 2005, a documentação tem vindo a ser organizada e disponibilizada através de uma biblioteca digital.
A partir daí surgiu a ideia de mostrar, também numa série de documentários, a história das missões botânicas dos naturalistas de Coimbra. O projecto foi viabilizado por uma candidatura ao programa COMPETE do QREN, com um financiamento de cerca de 500 mil euros – 65% de Bruxelas e 35% do Estado, através do programa Ciência Viva.
As “viagens filosóficas” são o mote do primeiro documentário – uma espécie de enquadramento daquelas que foram as primeiras expedições de cunho estritamente científico, no século XVIII. Os outros serão filmados em três países diferentes – Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Jorge Paiva irá conduzir as histórias, percorrendo parte dos trajectos que outros naturalistas de Coimbra fizeram no princípio do século – Júlio Henriques, em São Tomé, em 1903, e Luís Carrisso, nas décadas de 1920 e 1930. Paiva, ele próprio, participou de expedições a Moçambique, na década de 1960, que serão objecto de um dos documentários. “Estive lá oito meses, sempre a acampar, e fiz 33.000 quilómetros”, relembra. “Estive em zonas onde lá não voltou mais ninguém”, completa.
As filmagens começam em Setembro, em São Tomé, e os documentários deverão estar concluídos até ao final de 2013. Serão transmitidos pela RTP. “Pretendemos que não seja algo académico, mas alargado ao público”, explica o coordenador do projecto, António Gouveia, biólogo do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.
O conteúdo científico será assegurado pela universidade, enquanto os documentários em si ficarão a cargo da produtora Terratreme, escolhida por concurso, entre oito concorrentes. Cinco realizadores diferentes estarão à frente dos filmes: Susana Nobre (“viagens filosóficas”); Luísa Homem e Tiago Hespanha (Moçambique); João Nicolau (S.Tomé e Príncipe); e André Godinho (Angola). “Não ser um mesmo realizador para toda a série traz mais riqueza ao projecto”, afirma o produtor João Matos, da Terratreme.
Os filmes procurarão complementar as informações sobre a flora e os ecossistemas com a sua interacção com as comunidades e as tradições locais. “São filmes de divulgação científica, mas há muitas formas de divulgar ciência”, diz João Matos.
O PÚBLICO vai acompanhar o projecto das missões botânicas em África com uma série de artigos de cunho histórico sobre as viagens – a primeira das quais está na edição deste sábado
do jornal –, com reportagens in loco das filmagens, na sua edição impressa, e com outros conteúdos editoriais na sua edição online.

A partir deste sábado, também está disponível no PÚBLICO online um blogue do projecto, da responsabilidade da Universidade de Coimbra.

 In jornal O Público, 11-02-2012 | http://www.publico.pt

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Arqueologia com selos

Por J. Pires dos Santos

Foi recentemente editado pelos Correios de Portugal o livro ‘Uma História da Arqueologia Portuguesa’, da autoria de Carlos Fabião, que traça um percurso pela história do País, com referência aos principais sítios, personalidades e factos que tem marcado a Arqueologia em Portugal.

Na obra, o arqueólogo Carlos Fabião conjuga a análise científica da investigação desde o período em que os vestígios do passado remoto serviam de pretexto para confirmar, sobretudo à luz dos textos bíblicos, as origens e o passado das civilizações, até à descoberta e classificação pela Unesco, já no século XX, das pinturas rupestres no vale do Côa.

Neste livro, o autor homenageia os fundadores da arqueologia portuguesa, com destaque para Francisco Morais Sarmento, pioneiro desta ciência em Portugal no século XIX.

A obra segue a linha editorial de anteriores edições dos CTT e completa-se com cinco selos da emissão filatélica ‘Arqueologia em Portugal’ que reproduzem a Citânia de Briteiros, Foz Côa, Conimbriga, Milreu e Alcalar, com os valores, respectivamente, de 0,32, 0,47, 0,68 e 0,80 cêntimos e 1 euro e o bloco que inclui um selo de 2,5 euros, que reproduz José Leite de Vasconcelos no Museu Etnográfico Português.

Correio da Manhã, 22 de Janeiro de 2012 | http://www.cmjornal.xl.pt

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um novo dado para a controvérsia luso-britânica sobre a descoberta da Austrália

Dundee Beach, Austrália, foto: http://www.travelblog.org

AUSTRÁLIA
Encontrado canhão que pode ser português
por DN.pt, 10 de Janeiro de 2012

Um rapaz de 13 anos encontrou numa praia do norte da Austrália o que pode ser um canhão pedreiro como os que eram utilizados nos navios portugueses do século XVI. Uma descoberta que pode ajudar a provar que os portugueses estiveram na Austrália no mesmo período em que ocuparam Timor.
A descoberta foi feita em Janeiro de 2010, quando as marés foram excepcionalmente baixas. Christopher Doukas, natural de Darwin, conseguiu andar pela costa até Dundee Beach, a uma distância de duas horas de carro, e foi aí que encontrou o canhão, que se pensa ter 500 anos. O pai ajudou-o a levar a arma para casa, onde descobriram que era feita de bronze.
Em Julho do ano passado, a mãe do rapaz, Barbara, contactou o museu de Darwin para dar conta da descoberta. Mas só agora, e depois de Barbara ter falado com o Ministério Público local, é que o museu pediu para investigar o canhão. Christopher descobriu na internet que um objeto similar foi vendido por 8000 libras (9 669 euros), por isso, confessou à agência noticiosa australiana AAP, que gostaria também de vender a sua descoberta a um museu.
Portugal ocupou Timor, em 1515, mas a possibilidade dos nossos exploradores terem viajado no início do século XVI mais cerca de 700 quilómetros, até à costa norte da Austrália, ainda está por provar. Embora alguns mapas franceses desta época mostrem o que parece ser a parte norte da Austrália, o que poderá ser uma evidência de que os exploradores lusos chegaram aí nesse período, esta teoria ainda é muito controversa.
Em cima da mesa estão ainda hipóteses como a de que o objecto tenha sido levado pela maré até ao local onde foi encontrado ou que tenha sido deixado aí por comerciantes do século XVI.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Descoberta de 'templos' gera polémica nos Açores

Por Paulo Faustino, Ponta Delgada, 12 de Julho de 2011


Presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira defende que alegados templos dedicados a deusa lunar cartaginesa não passam de estruturas de apoio militar.

O presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Francisco Maduro Dias, resume a "cafuas" de apoio às guarnições militares em Angra do Heroísmo, Açores, aquilo que os arqueólogos Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito admitem ser a descoberta no monte Brasil de templos dedicados a Tanit, deusa cartaginesa, do século IV a.C.

Os dois arqueólogos, da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA), encontraram o que dizem ser túmulos escavados nas rochas que apontam para a existência de cinco monumentos do tipo hipogeu, e de alguns 'santuários' proto-históricos.
Nuno Ribeiro afirmou que, perante as descobertas agora feitas, "a data do povoamento dos Açores pode não ser a que a história refere, mas outra dependente de estudos arqueológicos a estruturas e objectos existentes no arquipélago".

Mas o presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira desvaloriza a tese dos investigadores, esclarecendo que as escavações na rocha que encontraram se destinavam apenas a servir de abrigos militares nos séculos XVI e XVII, e ainda para a recolha de água. "Entre a fantasia e a realidade", para Francisco Maduro Dias, a visão apresentada pela APIA tem "muito mais de fantasia".

In DN/Ciência  

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Adeus, Napoleão!

A defesa mais eficaz da história é portuguesa

À força de braços, a população construiu 152 fortificações ao longo de uma centena de quilómetros. Tudo no mais absoluto sigilo e em tempo record. Objectivo cumprido: os franceses foram expulsos de vez.

Montes de terra, pedra, argamassa e alguma madeira. Aquele que é considerado o sistema de fortificações de campanha mais eficiente da história militar não impressiona à primeira vista. Não tem o ar imponente de São Julião da Barra, em Oeiras, ou de São João da Foz do Douro, no Porto. Na verdade, está mais perto do poeirento Forte Sedgwick, onde Kevin Costner assume o papel de capitão Dunbar, no filme Danças Com Lobos. As aparências iludem e as Linhas de Torres Vedras são um bom exemplo do dito popular. No Outono de 1809, perante a ameaça de uma nova invasão francesa, o general inglês Arthur Wellesley ordena o reconhecimento dos terrenos a Norte de Lisboa. A sua intenção é estabelecer um sistema defensivo para proteger a capital porque “é-lhe difícil prever por onde Napoleão irá invadir Portugal”, explica o historiador Carlos Guardado da Silva, director do Arquivo Municipal de Torres Vedras.
Wellesley decide cercar o Norte da cidade com três linhas, que reforçam os obstáculos naturais do terreno e permitem controlar os principais acessos. Os trabalhos de construção arrancam a 3 de Novembro de 1809 e, “num período inferior a um ano, constroem-se, no maior segredo, 126 obras, entre fortificações permanentes e outras de carácter temporário”, revela Ana Catarina Sousa, arqueóloga da Câmara Municipal de Mafra. Desde 2002 que a especialista se dedica ao estudo das Linhas de Torres Vedras e, por isso, sabe que o aperfeiçoamento do sistema continua até 1812, “pois esperam uma nova investida de Napoleão, o que não acontece”. No total, erguem 152 fortificações apetrechadas com 523 bocas de fogo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Monumentos que contam a História de Portugal

Este livro, editado pela Plátano Editora, onde o professor Carlos Rebelo conta a origem e a História de alguns dos mais emblemáticos monumentos portugueses e onde aparecem algumas ilustrações de Jorge Miguel, publicados no seu blogue Falta apagar o lápis já está à venda. Segundo este conceituado ilustrador, nosso conhecido no Clube de História de Valpaços, «alguns desses "Ex Libris" são bem conhecidos do "quidam" português, outros nem tanto
Vejamos, numa rápida espreitadela, uma dessas ilustrações, bem como algumas observações feitas pelo autor, numa fase ainda preparatória do livro, tal como foram publicadas no referido blogue


Uma ilustração alusiva ao Cromeleque de Almendres, inserido num livro que sairá nos próximos dias com textos de Carlos Rebelo e desenhos aqui do setubalense de serviço. O tema será a História de Portugal contada através dos seus monumentos. Alguns desses monumentos são bem conhecidos e outros nem tanto. Nas ilustrações tentei utilizar uma visão diferente do que se tem feito até agora. Um dos meus desenhos preferidos é o do "rinoceronte" da torre de Belém. Comecei por desenhá-lo tentando devolver a sua forma original mas acabei por deixá-lo como está, roído pelos rigores atmosféricos. Era como devolver o nariz à Esfinge egípcia. "Sacrilège, sacrebleu!"

Para informações comerciais sobre este livro consulte a Plátano Editora.

Professora da UTAD vai apresentar obra escrita há perto de 500 anos

Isilda Rodrigues, do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai apresentar, juntamente com o médico José Luís Dória, no dia 24 de Fevereiro, o livro “Centúrias de Curas Medicinais” da autoria de Amato Lusitano e escrito há perto de 500 anos.
A reedição da obra, assim como esta sessão de apresentação, que terá lugar pelas 18h30, na Sociedade de Geografia de Lisboa, são uma iniciativa da Ordem dos Médicos e inserem-se nas comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano, que se celebram em 2011.
Isilda Teixeira Rodrigues desenvolveu, no âmbito do seu doutoramento em História da Medicina, um estudo sobre a obra As Sete Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano, editadas em 1980, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Obra de grande impacto na sua época, foi traduzida em diversas línguas e inúmeras vezes reeditada. A sua presente reedição, pela Ordem dos Médicos, reveste-se de grande importância no panorama editorial português.

Fonte: http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=9988
Imagem: http://dererummundi.blogspot.com/2011/02/centurias-de-curas-medicinais-de-amato.htm

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Colmeal das Donas, uma aldeia fantasma no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo

Actualizado em 8 e Fevereiro de 2012

O Colmeal, uma "aldeia fantasma", foto de João Paulo Sousa in http://www.panorâmio.com

As aldeias abandonadas são uma realidade que vem suscitando, nos últimos anos, diversas reacções de pesar dos portugueses, sobretudo à escala regional, umas vezes movidos pelo natural apego ao seu património material e cultural, outras por incontidos sentimentos de nostalgia, outras vezes até por um inconsolável sentimento de injustiça. Na maioria dos casos, como sucedeu com a aldeia do Cachão, no concelho de Valpaços, essa realidade parece ter sido fruto da interioridade e dos surtos de emigração que se intensificaram no país a partir dos anos setenta. Noutros casos, porém, como os que sucederam nos tempos em que a ruralidade era encarada como umas das virtudes da Nação, encorajada pelo regime e acatada com maior ou menor resignação pelos povos, as causas revestiram contornos de efectiva injustiça e de consequências dramáticas que deixaram marcas nas populações durante várias gerações. Um desses casos, talvez o mais paradigmático, foi o caso da “tragédia do Colmeal”, uma aldeia do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, cujos moradores foram obrigados a abandoná-la por forças da GNR, no ano de 1957, em consequência de uma acção judicial que ainda hoje, passados 53 anos, gera desabafos de clara indignação em algumas vítimas e descendentes e confundem os juristas que procuram, à luz do sistema jurídico da época, indagar da legitimidade dessa acção. Esta questão, que desde há duas décadas tem preocupado o poder municipal, tem sido levada aos meios de comunicação e hoje mesmo foi tema de destaque no programa televisivo “Tardes da Júlia”, apresentado por Júlia Pinheiro no canal TVI. Enfim, face à documentação disponível, este lamentável acontecimento afigura-se-nos como uma tragédia que pode ser (re)apresentada em três actos.

A TRAGÉDIA DO COLMEAL EM TRÊS ACTOS
Colmeal, outrora designada de Colmeal das Donas é uma aldeia abandonada da freguesia que ainda lhe deve o nome, situada no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. De origens remotas (surge pela primeira vez mencionada em documentos papais e leoneses do século XII) tem uma história curiosa que atingiu o dramatismo a partir da década de 40 do século passado, começando por fazer correr rios de tinta na imprensa regional e nacional nos anos que se seguiram à revolução dos cravos e tendo vindo, nestes últimos anos, a ser cada vez mais mediatizada e a constituir motivo de fascínio por parte das novas gerações que a têm feito passar nos meios de comunicação social nas mais variadas formas, que vão desde as interessantes versões romanceadas de Felícia Cabrita até às reportagens de Sandra Invêncio e de Gabriela Marujo, as souberam explorar, literária e jornalisticamente, as memórias e lamentações dos seus antigos habitantes e expõem toda a verdade nua e crua da história desta «aldeia fantasma».

Acto Primeiro – Lendas e Narrativas

António Bordalo, 72 anos esgalhados na terra, tenta esquivar-se a uma velha maleita que se lhe encostou à alma. As pernas escanzeladas descobrem a força e a agilidade do antigo pastor e cortam o silvedo como lanças.
A espreitar do vale, o campanário da igreja paroquial do Colmeal dá sainete à serra. António estaca, no olhar o desconcerto, na boca mil maldições. Deus noutro tempo não sabia o que fazia. A porta do templo saiu dos gonzos, o telhado ruiu e o sino, que tinha escapado às invasões francesas, voou com alguma dança macabra. O velho procurava em volta vestígios do cemitério que as silvas escondem, entra na igreja, tropeça. As pedras de granito das sepulturas foram levantadas, crânios estilhaçados e ossos cortam-lhe os passos. Abre a porta da sacristia que dá para o cemitério, arbustos encorpados como gente, onde os bichos daninhos se acoitam, impedem a passagem, e ele quebra cego na dor: «Bandidos, ladrões, que aqui tenho meus avós, minha mãe, meu sangue».
António atravessa a aldeia fantasma à procura de velhas lembranças. O telhado da sua antiga casa tombou e à porta uma mata densa impede-lhe a entrada. No solar de Pedro Álvares Cabral, os frescos nas paredes despedaçadas, e a pedra de armas ainda resistem ao logro do tempo. As vacas são agora as senhoras da casa fidalga, nos antigos salões rompem com os velhos moldes feudais aliviando aliviando a tripa e protegem-se do sol implacável de Julho.
Sentado na escadaria, o velho solta a memória, alegrias e tristezas, lendas e medos de gente da serra, habitantes de uma aldeia com passado que teve o nome assente nos cronicões. Ali tinham nascido e morrido seus antepassados, avós lusos e iberos. O pai era lavrador e tinha de seu uma junta de bois e muitas colmeias. Viviam apenas da lavoura e quando não havia agricultura iam à jeira para terras de famílias abastadas. A água não faltava nas hortas e pomares, e as frutas e as hortaliças do Colmeal eram muito cobiçadas. Mas quando se aproximava Maio, antes das colheitas, não sobrava trigo para trocar por sardinha ou rabos de bacalhau, e os mais pobres não tinham outro passadio que não fosse pão com azedas que cresciam nas paredes.
Ia o século a dar os primeiros acordes e António, mal completara 7 anos, começou a galgar a serra com o rebanho do feitor. José Feliciano era bom homem, e ainda ia longe o tempo dos desacertos. Calçou-o, foram os primeiros sapatos que conheceu, com tamancos de pau ferrados. Dava-lhe a merenda e ao fim do ano oferecia-lhe um animal. António não pedia mais à sorte, que isso era quase pecado, e aos poucos conseguia uma cabrada. O rapaz andava com o rebanho à folha pela serra, sem quebranto. Um pau de choupo servia de arma contra os lobos e para vergar o fole a quem não viesse por bem. Pelava-se para abater o lobo ou a raposa e mostrava-se depois de povo em povo, a fazer gala da presa e a arrecadar ovos e farinha pelo serviço prestado aos galinheiros. Mas quando se aproximava Junho arrepelava-se se tinha que passar pela Cova da Moura, uma sepultura do tempo da moirama, encerrada numa fraga. Mantinham velhos pastores, que passavam dias e noites a cismar naqueles serros que arranhavam o céu, que a moura saía do seu encanto pela festa de S. João, e à noitinha estendia a sua roupa à orvalhada para não ganhar traça. As mulheres, a quem a natureza tinha concedido a fraqueza, quando vinham da ceifa não olhavam para trás para não caírem no feitiço. António com coisas dessa natureza nunca mofou, e era certo que depois da meia-noite baixava as trancas para se defender do andaço dos lobisomens que batiam às aldrabas a ver se pegava, e deitavam coices às portas.
Ao domingo abandonavam os sachos e as gadanhas, era dia de folgança. De manhã Padre Seixas, mais conhecido por Cieiro, mercê da comparação que o povo fazia entre ele e o vento nordeste, violento e frio, celebrava; ainda a missa era cantada. A igreja estava apinhada de povo, muito afeiçoado às coisas de Deus. O santo predilecto era o Pai eterno, que tinha uma bola na mão, representação do mundo. E eles andavam sempre muito alinhados com as leis divinas para não desfeitarem o santo, porque sabiam que se o globo caísse se afundava o mundo.
Mal a noite se punha, os rapazes faziam a ronda pelo povo, tocando concertina. As moças casadoiras juntavam-se à volta da fogueira e o baile corria até de madrugada. Não havia bicho-careta dos arredores que faltasse à festa, vinham de machimbo ou a butes no engodo das raparigas que tinham fama de muito galantes. Felisbela já andava embeiçada por um rapaz, um ás da harmónica, e nunca faltava à dança. Só tinha três fardas para pôr no corpo, mas chegava para agradar. O pai tinha-a debaixo de olho com medo que o vento a emprenhasse e punha-se debaixo do lampião para não perder qualquer atrevimento do noivo. Era leve como as penas e alegrava a roda com a sua graça. O lenço caía e mostrava o cabelo entrançado, grosso e brilhante, a querer desprender-se do carrapito. Os moços de fora levavam rebuçados que ela não comia temendo alguma miscelânea que a metesse doida. Era amiga da pândega mas sem dar muito paleio para não cair nas bocas do mundo e casar com honra e crédito. As romãzeiras engalanavam a aldeia, e os mais velhos abancavam em pedras e compunham a festa com relatos de coisas antigas e os enigmas das origens. Colmeal pertencera ao reino de Leão mas com as rapsódias da história passou para a coroa portuguesa. As demandas com os espanhóis despovoaram os lugares da serra e D. Afonso V deu-lhe carta de Couto em 1540, era senhor desse povo João Gouveia. Com a morte do fidalgo andou aquela terra de senhor para senhor até acabar nas mãos de Pedro Álvares Cabral. Felisbela que não conhecia letra nem livro, sabia que a sua aldeia existia desde o início do mundo e, como toda a gente, em tudo punha milagres. Por isso pelava-se para ouvir Amadeu, o poeta da terra, que em tempos ia a Belmonte, por soutos e moitas, altos e baixos, entregar aos cabrais um braço de cebolas e umas tantas galinhas pelo foro do povo.

Amadeu mexia em verso no passado e trapaceava as crónicas.
Junto à fogueira com a garrafa de vinho à perna, o poeta contava à sua maneira o que já ouvira dizer a seus antepassados sobre a origem da aldeia. Era uma vez um pastor deste lugar que entrou em desassossego com um sonho que o perseguia. Alguém lhe dizia que fosse a Belém procurar o seu bem, e de tanto malucar com este mistério, um dia foi. Ao chegar à beira de uma fonte, encontrou um pastor negro que lhe deu a chave da mensagem. E ele partiu às pressas, para junto do seu gado que andava no pasto, e debaixo de umas lajes encontrou uma cabra e um chibo de ouro. Por ser homem de honra não se alapardou com o tesouro e foi ao palácio entregá-lo ao rei. O monarca, satisfeito com a oferenda, disse ao pastor que lhe satisfazia um desejo. E o homem pediu-lhe umas terras para amanhar, e pastos para as suas cabras, e assim nasceu o Colmeal.
Felisbela quando mirava o solar dos Cabrais não duvidava da lenda na pedra de armas gravada, uma cabra e um chibo.
Por Felícia Cabrita, Colmeal, Ecos da Marofa, edição de 10-05-2007
Imagens: http://www.cm-fcr.pt

Acto Segundo – A verdade nua e crua

Eram mais ou menos dez horas da manhã, quando os habitantes do Colmeal, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, foram surpreendidos por uma força da GNR que os expulsou de suas casas e lhes confiscou os seus pertences. Estava-se a 8 Julho de 1957. Quarenta anos volvidos no meio de todo o abandono a que ficou votado, e do elevado estado de degradação dos edifícios, o Colmeal serve de campo de pastagem dos animais daquele que se diz dono da aldeia. Mas há quem não esqueça esta injustiça.
«Andaram naquilo até à noite», lembra Albino Carvalho. Na altura, tinha pouco mais de trinta anos e a «vida arranjada». A tarefa era executada por «dois homens que traziam as coisas de casa para a rua», e, «como a gente era muita», foi necessário um dia inteiro. De certa forma, os habitantes do Colmeal sabiam que «algo de mal» lhes iria acontecer. Mas nunca pensaram numa sentença tão dura.
A história deste povo é de origem antiquíssima. O documento mais antigo que se conhece data do ano de 1183, quando D. Fernando II (Rei de Leão) se encontrava em Ciudad Rodrigo e doou o Colmeal, conjuntamente com outras povoações, à Ordem de São Julião do Pereiro. Uma doação confirmada pelo Papa Lúcio II em Abril do mesmo ano. Esta ordem teve a sua sede no lugar do Pereiro, onde ainda hoje se podem ver os vestígios perto de Cinco Vilas que faz fronteira com o Colmeal. Após o Tratado de Alcanices, os bens desta Ordem passam para a Ordem de Alcântara, em 1297, e as terras de Riba Côa são integradas na Coroa Portuguesa. As disputas com os espanhóis despovoaram os lugares da serra, e D. Afonso V deu-lhe carta de Couto - terra que não pagava impostos por pertencer a um nobre, com o nome de Colmeal das Donas em 1540. Era senhorio deste povo João Gouveia.
Com a morte deste fidalgo o Colmeal das Donas passa a pertencer a Vasco Fernandes de Gouveia (1476), e, com a morte deste, a Fernão Álvares Cabral e D. Isabel de Gouveia. Pais de Pedro Álvares Cabral.
Mudanças sucessivas levaram a que a burguesia endinheirada, saída da República, se fosse apoderando dos domínios da nobreza. Os Condes de Belmonte não escaparam e venderam o foro do Colmeal das Donas. Os novos proprietários mantinham direitos que remontavam ao tempo das sesmarias, ao mesmo tempo que lavravam à pressa escrituras e delimitavam terrenos. As gentes do Colmeal por sua vez, habituadas à servidão, continuavam a pagar foro. Desta feita, aos feitores dos novos senhorios. «Aquilo não se fazia»
O triste fado da aldeia foi ditado no início da década de 40 com a chegada de um novo rendeiro, que subia as rendas a seu bel-prazer. Valores que atingiram níveis quase impossíveis de suportar. Durante anos os habitantes "mataram-se" a trabalhar para pagar as rendas. Albino Carvalho recorda esses tempos sem saudade, mas lá vai dizendo que, embora as terras «fossem más», «uns lavravam, outros tinham cabras, outros tinham vacas», e a agricultura lá ia dando para viver e pagar aos rendeiros.
Revoltados com a situação, os habitantes do Colmeal recusaram-se a pagar e, como resultado, tiveram de travar uma longa batalha jurídica que de nada lhes valeu. O processo começou com a acção de despejo para o caseiro da casa dos Cabrais, acusado de deixar de pagar renda ao senhorio, mas anos depois os aldeões passaram à categoria de subarrendatários do mesmo e tratados de igual modo. Por altura das colheitas dois oficiais da justiça chegaram com a sentença final. Uma acção de despejo. Estava-se no dia 8 de Julho de 1957.
A GNR apresentou-se fortemente armada para o acto de despejo. Enquanto os aldeões tentavam a sua sorte nos montes sobranceiros à aldeia, as mulheres e as crianças refugiavam-se na igreja. Nada impediu as autoridades de rebentarem com as portas das casas e levarem os poucos haveres desta gente simples.
«Andavam em demanda há muito tempo», na opinião de Albino Carvalho. Designadamente, de Rosa Quirino Cunha e Silva que queria ser dona de todo o Colmeal. Tanto que o seu advogado, Manuel Vilhena, conseguiu "ajeitar" as leis e transformou a aldeia - anterior à nacionalidade portuguesa -, numa quinta.
A única coisa que Albino e a sua família conseguiram salvar foi «algumas roupas». Como não podia regressar ao Colmeal, a terra que o viu nascer, Albino teve de recomeçar do zero noutro lado. A escolha recaiu sobre Bizarril, a terra natal da sua esposa, e uma das anexas que serviu de refúgio às gentes da aldeia despojada. «Arrendámos esta casita», conta Albino, onde ainda hoje vivem os dois, o sustento era garantido pela agricultura. A profissão que sempre conheceram. «Tempos difíceis». As dificuldades arranjaram-lhe uma doença a que ele chama «velhice», e que não o deixa deslocar-se com a mesma energia de antes. Tem apenas 72 anos, mas anda encostado a um pau como se a vida o tivesse deixado. Com lágrimas nos olhos, lembra o filho que deixou lá enterrado. «Disseram-me que o cemitério está num estado lastimável, que arrancaram as pedras», conta. Assim como lamenta que o actual proprietário «tenha vendido todos os santos da igreja, segundo me disseram, a um senhor de Trancoso».
Maria Matilde não nasceu naquela aldeia, mas foi lá crismada, e lembra-se bem da festa de S.Miguel. «Era uma grande festa. Toda a gente das aldeias vizinhas se deslocava ao Colmeal». Maria Matilde não fugiu à regra «e quase todos os anos ia à festa». Esta mulher natural de Bizarril não está de acordo com o que aconteceu aos habitantes da aldeia vizinha. «Aquilo não se fazia», afirma em tom revoltado. «Ainda me lembro que se via um guarda com uma metralhadora, além no cimo do monte». E reforça, «aquilo não se fazia»... «O Colmeal não é a quinta dada aos Quirinos».
Jerónimo Leitão proclama-se legítimo dono do Colmeal. «O Dr.Vilhena e o Dr.Crespo vieram ter comigo, e perguntaram-me se queria comprar aquela aldeia abandonada», recorda. Respondeu afirmativamente mas com uma condição: a compra ser feita pelos três. Assim foi. Os donos do Colmeal passavam a ser Manuel Vilhena, Miguel Crespo e Jerónimo Leitão. Entretanto, Vilhena vendeu a sua parte a este último, que passou a ser dono de cerca de mil hectares. Depois do 25 de Abril vendeu «400 hectares à Portucel», e arrendou, «por 25 anos, as partes mais altas da serra [Marofa] à Soporcel».
«Fizemos tudo para a recuperar», garante Jerónimo Leitão, «mas já naquela altura estava degradada». O espaço foi então aproveitado para uma exploração agrícola, a ser aumentada futuramente. «Vou proceder à recuperação de lameiros para as vacas», adianta. Quanto à venda do recheio da igreja, argumenta que «comprei, por isso é meu. Tenho toda a legitimidade de fazer o que achar melhor».
Quem não se conforma é Aires Cruz, descendente e criado na aldeia do Colmeal, e um dos expulsos, que afirma que «está provado que o Colmeal é uma aldeia e não uma quinta». «A aldeia tem uma Igreja Matriz [em 1320/21, no arrolamento que D. Dinis mandou elaborar estava mencionada a Igreja do Colmeal], uma casa da Junta da Paróquia, um Paçal com adro, um cemitério e ruas públicas», isto, garante, «provado e documentado». «Uma quinta não pode ter Paçal, Junta da Paróquia, nem cemitério público, onde os enterramentos datam de meados do século XVII». Resumindo, «existe uma aldeia, que é a aldeia do Colmeal, e cujas confrontações estão bem definidas, porque são de todos conhecidas». No entanto, prossegue, «existe uma quinta, não se sabe onde, mas que não pode ser a quinta que a justiça deu de facto aos Quirinos». Essa é a grande questão para Aires Cruz: «O Colmeal não é a quinta que foi dada aos Quirinos».
Este interesse desmesurado, em sua opinião, tinha a ver com a abundância de água. Um autêntico «manancial que dava aos camponeses uma situação de estabilidade». Tanto que levou os interessados a fazer os registos pela calada. Opção acertada já que os habitantes «não tinham argumentos nem quem os defendesse». Estavam por conta própria na medida em que nem o então presidente da câmara, Porfírio Augusto Junqueiro, os defendeu quando foram chamados a tribunal. Nunca saberemos o que esteve por detrás da atitude do presidente, mas, nas palavras da viúva, Mercedes Junqueiro, poderá ter a ver com questões legais. «Seria possível ao presidente da câmara opôr-se a uma lei emitida pelo Tribunal?», pergunta. O facto é que existiam registos de propriedades, e garantias orais de pertença de terrenos. E a decisão tombou a favor daqueles que tinham os registos. Mas Mercedes Junqueiro garante que a decisão não foi tomada «friamente». Foi uma decisão «demorada e dolorosa». E finaliza, «eu e o meu marido tivemos muita mágoa pelo povo do Colmeal».

À espera de respostas concretas

Após o 25 de Abril o processo foi reaberto, as pessoas foram ouvidas no Tribunal de Figueira, por um desembargador vindo de Coimbra, e ficou decidido que poderiam regressar às suas casas e terras, ficando a parte do Pradinho para a actual quinta. Uma decisão publicada em edital nas várias aldeias do concelho. Aires Cruz ainda se lembra desse edital estar afixado em Freixeda do Torrão e no Bizarril, e de ter recebido posteriormente «um exemplar em Angola», que deixou na casa que teve de abandonar devido à Guerra Civil.
O Governador Civil da Guarda na altura era Manuel Cardoso Vilhena. A 4 de Janeiro de 1989, Fernando Carrilho Martins, então autarca de Figueira, publicava um edital onde tornava público que, «nos termos do Decreto-Lei nº 205/88, de 16 de Junho último, e por força do disposto no artigo 2º da mesma disposição legal, a partir deste data, adaptação ou alteração dos bens imóveis classificados ou em vias de classificação e das respectivas zonas espaciais de protecção têm de ser assinadas por arquitectos». Da lista de bens imóveis que se encontravam classificados, constava a Povoação do Colmeal como imóvel com valor concelhio.
Em 1993, Aires Cruz apresentou o caso ao Procurador-Geral da República e demais autoridades, onde não pôde deixar de se mostrar indignado com todo este processo e acusa as autoridades judiciais de «não saberem, ou não quererem ver que estavam a praticar uma injustiça, em vez de aplicar a justiça». Até à data, e apesar de ter feito várias diligências, ainda não recebeu respostas concretas, e aguarda que seja feita «justiça a uma aldeia antiquíssima».
Fonte: Gabriela Marujo, Os despojos do dia, Terras da Beira, edição de 9-10-1997
Imagem: http://www.novaaguia.blogspot.com

Acto Terceiro – As perspectivas de regresso

Da casa onde Jacinta Carvalho nasceu e viveu até aos 21 anos já só resta parte das paredes exteriores. A aldeia fantasma do Colmeal é toda ela ruína, da igreja que já perdeu o telhado àquele que terá sido um imponente solar, no extremo oposto. «Esta não é a minha terra», reage emocionada a idosa, que, no último sábado, visitou pela primeira vez a aldeia desde os acontecimentos daquela manhã de Julho de 1957 - em que os habitantes foram despejados por uma ordem judicial, num caso único nos anais da justiça portuguesa.
Jacinta Carvalho vive a uns 13 quilómetros do Colmeal, em Castelo Rodrigo, e conseguiu estar 52 anos sem voltar à sua terra natal. Por opção. A sua família, tal como as restantes 12 que aqui moravam em regime de foro, perdeu tudo. Confessa que lhe custa recordar o quanto o pai chorou naquele dia, em que a família se mudou para Castelo Rodrigo, para a casa onde morava já uma irmã, que entretanto ali tinha casado. Foi aqui que recomeçou a sua vida, que também casou e teve três filhos. Começa por responder com um «não sei porquê» quando questionada acerca dos motivos que a levaram a aceitar o convite de O INTERIOR para voltar à aldeia. E emociona-se novamente. Diz que não foi pela recente decisão da Assembleia Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo de criar um grupo de trabalho para averiguar do potencial turístico do Colmeal – baseado na sua história, nas potencialidades ambientais e ainda no facto de por aqui ter morado a mãe de Pedro Álvares Cabral – e nem tão pouco pela possibilidade de vir a recuperar a casa da família. «Para que a quero agora?», questiona.
Jacinta Carvalho não tem planos para a casa. «Não vim cá antes porque tinha medo de me sentir mal», confessa. Veio agora porque, a cada vez que respondia com um “não” aos sucessivos convites de familiares e outros ex-moradores, crescia a curiosidade em saber como estaria a sua pequena aldeia: «Olhe, já não aguentava mais», desabafa.
Jacinta Carvalho recorda-se bem do dia do despejo. Conta que foi a mãe que na véspera, numa ida a Figueira Castelo Rodrigo, soube que na manhã seguinte iriam ser despejados. Tudo porque o feitor subarrendatário não pagava a renda há quatro anos àquela que era, de acordo com uma escritura de 1912, a nova e legítima proprietária dos terrenos dos herdeiros dos condes de Belmonte. A mãe da então jovem Jacinta Carvalho apressou-se a regressar à terra para avisar os aldeões. Na altura, Jacinta Carvalho era já a única de seis irmãos a residir ali com os pais. «Tínhamos uma boa seara nesse ano e então passámos a noite toda a tentar levar para Castelo Rodrigo o máximo que conseguíamos», recorda. Com o amanhecer veio o inevitável: 25 praças e três oficiais da GNR irromperam pela aldeia, entraram nas casas, retiraram os pertences dos moradores e colocaram-nos nas proximidades da Quinta Serra, a mais de um quilómetro. «Os nossos bens estavam misturados com os dos outros», conta. A família pegou nos seus pertences e rumou para Castelo Rodrigo. Outras permaneceram por ali até encontrarem um tecto.
«Um erro judicial, matricial e histórico»
Foi o caso de Aires Cruz, outro ex-habitante, que há 17 anos tenta perceber o que diz ter sido «um erro judicial, matricial e histórico». Tinha na altura 9 anos. «Foi muito complicado», lembra. A mãe era uma viúva com cinco filhos para sustentar. A família acabou por fixar-se em Freixeda do Torrão. Agora, Aires Cruz mostra-se algo céptico em relação às recém-anunciadas intenções da autarquia, mas diz que são «boas notícias» e que «já é tempo de ser feita justiça». O antigo residente do Colmeal tem mesmo uma monografia para publicar no próximo ano, onde diz provar que se tratou «de uma apropriação de terras indevida». O Colmeal é sede de freguesia e está provado documentalmente que é paróquia, desde 1940, refere Aires Cruz. «O documento nunca foi apresentado em tribunal, que considerou erradamente o Colmeal como quinta», sustenta. O resultado das suas investigações já o levou mesmo a escrever ao Presidente da República, Procurador-Geral da República e presidente do Supremo Tribunal de Justiça, entre outros. Aires Cruz diz esperar agora que a autarquia não se fique pelas intenções.
Fonte: Sandra Invêncio, De regresso ao Colmeal, 52 anos depois, Interior, edição de 21-05-2009
Imagem: Id.


Update... quase tudo na mesma!

“Da igreja restam as colunas, o arco e pedaços de parede. Os proprietários cederam-na à paróquia no ano passado, entregando algumas imagens que se julgavam desaparecidas.
Quando chegou à presidência da câmara, há seis anos, António Edmundo contactou os proprietários das terras. Falou «com o pai e com o filho, e nada». Já vai na «terceira geração» e espera agora que o neto resolva a situação. 
«Ainda há quatro ou cinco famílias vivas» de antigos habitantes e cada uma devia ter a oportunidade de recuperar a sua casa ou de a transformar para acolher os turistas que ali se deslocassem, e a casa dos Cabral seria o local colectivo, para reuniões, bar, restaurante – foi este o desafio que o autarca lançou ao actual proprietário, mas a ideia «praticamente não avançou», lamenta. 
«Há muita confusão à volta do processo», que chegou a ser estudado por uma comissão na assembleia municipal – mas «que não fez nada praticamente». A autarquia gostava de ver o passado posto de lado «antes que se perca aquilo tudo».
«Turismo de aldeia» era o que António Edmundo gostava de ver nascer no local e até já apresentou um plano de viabilidade ao actual dono – que devia, na sua opinião, recorrer a fundos comunitários. A autarquia assumiria a recuperação da capela, a chegada de água e energia à aldeia, os arruamentos. 
António Edmundo até já aproveitou os fundos comunitários para caminhos rurais e fez uma estrada em paralelo até Colmeal, num projecto que custou 89 mil euros (comparticipado em 66 mil pela União Europeia). A estrada termina onde as ruínas começam.
In http://www.cafeportugal.net, sábado, 9 de Julho de 2011

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Manuel Buiça, o homem que alvejou o rei D. Carlos

A Câmara Municipal de Vinhais decidiu assinalar o centenário da Implantação da República com a atribuição do nome de Manuel Buíça a um largo da vila.

O transmontano é uma das mais importantes figuras ligadas à República, bem como do golpe que ditou o fim da monarquia em Portugal.
Trata-se de um largo que já existia, próximo do pavilhão onde decorre a feira do fumeiro. “O largo não tinha nome. É um acto simbólico que pode ser condenado. Para muitos o regicida é um herói nacional, mas para outros é um assassino”, afirmou o vereador do pelouro sócio-cultural da Câmara de Vinhais, Roberto Afonso.
Manuel dos Reis da Silva Buíça nasceu em Bouçoais (Valpaços), a 30 de Dezembro de 1876 e faleceu em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908. Era filho do reverendo Abílio da Silva Buíça, abade de Vinhais, e de Maria Barroso.
Os seus estudos primários realizaram-se no concelho que, agora, vai baptizar uma largo com o seu nome. “Decidimos fazer esta homenagem, tanto mais que é uma figura tão ligada à República e ao fim da monarquia e tendo ele ligações a Vinhais era uma forma de assinalar o centenário”, explicou o autarca.
Na base da escolha do largo está o facto de ser o mais próximo da casa do Abade de Vinhais, pai do regicida.
A própria figura do abade é curiosa, uma vez que o clero da altura estava mais associado à monarquia.
Aliás, “foi publicada na revista Ilustração Portuguesa uma fotografia em que aparece o abade ao lado de uma menina que segura a bandeira da República”, acrescentou o vereador.
Na altura, a revista dedicou uma reportagem alargada sobre Vinhais, concretamente de um período de incursão monárquica, um ano após a Implantação da República, em 1910. “Várias pessoas vieram da zona da Sanábria, onde tinham montado um acantonamento, e entraram em Portugal pela zona de Cova de Lua. Em Vinhais ocuparam a Câmara Municipal e hastearam a bandeira monárquica durante algumas horas, até que chegaram os reforços republicanos vindos de Chaves”, relata Roberto Afonso, que tem vindo a dedicar à investigação do papel de Vinhais no derrube da monarquia.

Monárquicos ainda chegaram a hastear bandeira em Vinhais, após o 5 de Outubro de 1910

“O abade de Buíça recebeu os republicanos que vinham de fora. É curioso porque a implantação monárquica liderada por Paiva Couceiro teve associada figuras ligadas à igreja e aqui havia um abade republicano ”, acrescentou o autarca.
No concelho ainda há descendência da geração Buíça, nomeadamente em Lagarelhos, onde existe uma família com este nome. “O Armando Fernandes, consultor gastronómico, será um dos descendentes”, revela Roberto Afonso, que não deixa de achar “estranho” que aqui em Vinhais o regicídio não tenha sido muito falado. “Até há muita gente que nem sabe quem foi Manuel Buíça. É muito provável que tenha sido uma forma de apagar essa imagem”, frisou o responsável autárquico.

Fonte e imagem:
http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=336&id=14689&idSeccao=3022&Action=noticia

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como era a vida em Portugal há 100 anos

Curiosa e original reportagem esta publicada no Jornal “O Sábado”, sobre o assunto em epígrafe, que o seu autor, Nuno Thiago Pinto, no-la presenteou, utilizando as regras ortográficas da época. Vale a pena lê-la!

Milhares de pessoas presenceavam o sorteio da Loteria do Natal, o Paiz só tinha seis cabines telephonicas e 3.211 automoveis e os toureiros eram as grandes estrellas. Saiba como se vivia em Portugal em 1910, n'um texto escripto com a orthographia da epocha.
Por Nuno Thiago Pinto

Na tarde de 23 de Dezembro de 1911, uma multidão ansiosa encheu a sala da Santa Casa da Misericordia de Lisboa para assistir à extracção da Loteria do Natal. Sentados em cadeiras collocadas em frente às duas enormes espheras de onde eram retirados os numeros vencedores, homens, mulheres e creanças esperavam pelo resultado do sorteio que lhes podia mudar a vida. Ao fundo da sala, muitos outros aguardavam de pé. A Illustração Portugueza de 1 de Janeiro 1912 descrevia que, na rua, a expectativa era ainda maior, com milhares de pessoas a occupar o Largo da Misericordia - algumas empoleiradas em arvores. Estava em jogo um primeiro premio de 240 contos de réis (cerca de 4,7 milhões de euros na moeda actual), guardados em maços de notas n'um cofre.
Era muito dinheiro para a epocha, pouco mais d'um anno após a queda da Monarchia e a proclamação da Republica. O Paiz era pobre: cerca de 75 por cento dos quasi seis milhões de habitantes dedicavam-se à agricultura e um trabalhador rural recebia em média 280 réis por dia (5,5 euros), que podiam chegar aos 500 (9.9 euros) na epocha das colheitas. Os operarios - 214 mil em 1907 - eram mais bem pagos: em Lisboa e no Porto, podiam ganhar entre 500 e 600 réis (11,9 euros)ao dia. As mulheres, por regra, recebiam metade do que era pago aos homens.

domingo, 3 de outubro de 2010

“História da Vida Privada” em Portugal, uma obra já publicada e nascida de um projecto inédito sob a direcção de José Mattoso.

O círculo de Leitores editou a obra em epígrafe, constituída por 4 volumes, fruto de um projecto de equipa, que se considera ser inédito em Portugal, ainda que baseado no modelo francês da História da Vida Privada de Philippe Ariés e Georges Duby. Sendo uma obra colectiva dirigida por José Mattoso, que é acima de tudo um historiador medievalista, o primeiro volume desta, dedicado à Idade Média obra traz uma nova luz à tradicional concepção deste período da História em Portugal e nele o Director do projecto propõe-se romper com velhos mitos e preconceitos que foram sendo alimentados durante séculos de historiografia. É uma obra que recomendamos aos nossos leitores e sobre ela faremos uma transcrição, em mais uma Notícias “com História”, da entrevista concedida por José Mattoso ao JN a respeito dos condicionalismos que rodearam o projecto e algumas lições a retirar, segundo as declarações do próprio historiador, do primeiro volume editado pelo Círculo de Leitores.

Imagem: http://www.circuloleitores.pt

sábado, 7 de agosto de 2010

UNESCO: Candidatura de icnofósseis de dinossauros da Península Ibérica estava incompleta

02.08.2010 - 17:02 Por Lusa
Os sítios dos icnofósseis dos dinossauros da Península Ibérica não foram incluídos na Lista do Património Mundial em análise na 34ª Sessão do Comité do Património Mundial, que decorre até amanhã em Brasília, mas sua candidatura voltará a ser analisada numa próxima reunião do Comité da UNESCO.


A decisão, tomada há pouco no âmbito da 34ª sessão do Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), foi revelada à Lusa por fonte ligada ao património da Península Ibérica.
Segundo a mesma fonte, a decisão foi bem recebida pelos representantes de Portugal e Espanha na reunião, porque ainda há possibilidade da sua inclusão na Lista do Património Mundial.
De acordo com a assessoria da Unesco, o dossier da candidatura foi considerado incompleto e será devolvido aos Estados que fizeram o pedido de registo, para adicionarem outras informações.
Três dos locais dos icnofósseis de dinossauros encontram-se em território português e cerca de uma dezena em Espanha.
Os representantes de Portugal e Espanha já tinham dito à Lusa que não consideravam fácil a inserção daqueles vestígios na Lista do Património Mundial e, portanto, a decisão do Comité da UNESCO foi aplaudida pelas delegações da Península Ibérica.
O balanço dos novos sítios registados como Património da Humanidade será feito na tarde desta segunda-feira pelo presidente do Comité, o ministro brasileiro da Cultura, Juca Ferreira.
A 34ª Sessão do Comité do Património Mundial encerra no próximo dia 3.
In http://www.publico.pt/Ciências
Imagem: http://www.cm-arouca.pt/portal/ (adaptado)

Para rever notícia anterior relacionada e nosso artigo complementar publicados no presente blogue clique AQUI.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Extensão do Vale do Côa na lista do património mundial da UNESCO

A extensão do Vale do Côa, Siega Verde, em Espanha, foi inscrita na lista de património mundial segundo uma decisão do Comité do Património Mundial da UNESCO.
A informação foi avançada à Agência Lusa fonte próxima do processo.
A zona arqueológica de Siega Verde é uma das duas candidaturas apresentadas por Espanha e Portugal, sendo a outra os sítios de icnofósseis de dinossauros na Península Ibérica.
A 34ª Sessão do Comité do Património Mundial decorrerá até ao próximo dia 3 e está a analisar os pedidos de registo de 41 novos sítios na Lista de Bens do Património Mundial.
A cidadela imperial vietnamita de Thang Long-Hanoi é o local número 900 da lista de Património da UNESCO, que acrescentou acrescentar mais cinco sítios, entre os quais a cidade episcopal francesa de Albi.
O Comité do Património Mundial, reunido esta semana em Brasília até ao dia 3, inscreveu na sua lista novos locais culturais do Vietname, China, Tajiquistão, França e Países Baixos, segundo um comunicado da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), com sede em Paris.
Este comité aprovou igualmente a extensão de locais culturais já inscritos na Alemanha e Noruega.
A cidadela imperial de Thang Long-Hanoi foi edificada no século XI pela dinastia Viêt de los Ly para concretizar a independência de Dai Viêt e foi construída nos vestígios de uma fortaleza chinesa do século VII em terrenos drenados do delta do Rio Vermelho, em Hanoi.
Desta lista fazem igualmente parte os monumentos históricos de Dengfeng, na província de Henan.

Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1631946

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Candidatura ibérica das pistas de pegadas de dinossauros

Especialistas acreditam na aprovação da candidatura ibérica das pistas de pegadas de dinossaurus.

24.07.2010 - 12:15 Por Lusa
O professor Galopim de Carvalho, ex-director do Museu de História Natural, e o investigador do Museu da Lourinhã Octávio Mateus afirmaram-se hoje confiantes na aprovação da candidatura ibérica para reconhecimento, pela UNESCO, das jazidas portuguesas de dinossauros.

Os dois especialistas acreditam que a candidatura ibérica tem boas possibilidades de ter êxito, porque consideram ambos que as jazidas de Portugal e Espanha “são suficientemente importantes”.

“Portugal está entre os países mais ricos em espécies de dinossauros, depois de países com os Estados Unidos, a Argentina, Canadá, Mongólia e China, tudo países gigantescos. À nossa escala, Portugal é o país com mais vestígios de dinossauros em todo o mundo”, disse à Lusa Octávio Mateus, que é também investigador da Universidade Nova.
O Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, reúne-se em Brasília, no Brasil, de 25 de Julho a 3 de Agosto, para analisar diversas candidaturas, entre as quais a candidatura ibérica, a integrarem a lista do Património Mundial da UNESCO.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

‘Sociedade Histórica Afonso Henriques’ em Viseu


No passado dia 8 de Abril deixei aqui no Clube de História algumas notas a respeito da polémica que tem dividido vimaranenses e viseenses a respeito da data e local de nascimento do nosso primeiro rei, numa mensagem que publiquei na categoria “Figuras controversas da História Nacional”, intitulada “D. Afonso Henriques, um rei polémico”.

Parece-me, e bem, por mais uma notícia ”com História”, abaixo transcrito, que os adeptos da «tese de Viseu» se mantêm determinados em reafirmar as suas convicções. Aos associados, os meus parabéns pela iniciativa, e a todos os portugueses, os meus votos para que mais e mais provas da verdade incontestável possam emergir e serem aceites pela forma cordial e pacífica.



D. Afonso Henriques, desenho de Jorge Miguel

'SOCIEDADE HISTÓRICA AFONSO HENRIQUES' CONSTITUÍDA FORMALMENTE EM VISEU

Os claustros da Sé de Viseu são palco, na próxima sexta-feira, da cerimónia da escritura pública da Sociedade Histórica Afonso Henriques.

É por acreditarem que o primeiro rei de Portugal nasceu em Viseu que os membros da Sociedade Histórica Afonso Henriques decidiram escolher esta cidade para acolher a cerimónia da escritura pública da instituição, que se realiza na próxima sexta-feira, nos claustros da Sé.
E é, por outro lado, movidos pela curiosidade de querer saber mais sobre a vida de Afonso Henriques que surge a Sociedade Histórica, uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo principal objectivo é "continuar a aprofundar a vida" do monarca, explica Júlio Cruz, colaborador da Sociedade.
De acordo com este responsável, tem toda a lógica que esta associação tenha sede em Viseu, uma vez que os seus membros acreditam na tese de Almeida Fernandes, que defende que o primeiro rei de Portugal nasceu em Viseu. "Acreditamos na tese e vamos lutar por ela", adianta.
No livro 'Viseu, Agosto de 1109 - Nasce D. Afonso Henriques', Almeida Fernandes diz que o rei nasceu "à roda do dia 5 de Agosto de 1109", em Viseu, onde D. Teresa estava retida, por esses dias, tendo em conta o seu estado fisiológico, condição que a impediu de estar presente na morte e no funeral do seu pai.
O autor defende ainda na sua tese que, quando D. Henrique, pai de Afonso Henriques, faleceu, este teria dois anos e nove meses, o que o colocaria a nascer no início de Agosto de 1109. Estes são alguns dos argumentos do historiador e que, para a Sociedade agora criada, fazem todo o sentido.
"Se D. Teresa se encontrava em Viseu nessa altura e não se deslocou para locais mais perto da cidade, nomeadamente quando o seu pai morreu, não tem lógica que ela se tenha deslocado para Guimarães que é muito mais longe", acredita Júlio Cruz.
Explica ainda que apesar de nenhuma tese estar confirmada, pois todas as teorias não passam de meras especulações, sem provas científicas que comprovem qualquer uma delas, Júlio Cruz refere, ainda assim, que "não há provas, mas todos os indícios indicam que ele tenha nascido cá".
A escolha do local onde se vai realizar a escritura também não foi ao acaso. "Escolhemos os claustros da Sé por dois motivos: por um lado, conta-se que era o local onde D. Teresa estava alojada quando esteve na cidade e aquando do nascimento do rei; e por outro, pelo facto de a única imagem que temos de Afonso Henriques estar nos claustros da Sé", explica o colaborador.
A Sociedade, que já conta com cerca de meia centena de membros, está aberta a quem quiser inscrever-se. Os interessados só têm que preencher uma ficha de inscrição, sem custos.
Quanto a apoios, não há neste momento qualquer instituição associada.
DV

Fonte: PAVAROTY, 23-06- 2010 in Viseu Cidade Viriato, http://atlasdeportugal.blogspot.com/
Imagem:  http://faltaapagarolapis.blogspot.com/2010/05/afonso-henriques-o-conquistador.html

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fósseis com 310 milhões de anos em Arouca

Fósseis vegetais com 310 milhões de anos foram descobertos esta semana, em Arouca, onde apesar de referências antigas à existência de exemplares do género, só haviam sido detectadas, até agora, formações de origem animal, escreve a Lusa.
«Descobrimos no vale do Rio Paiva quinze espécies diferentes de plantas, todas do Período Carbónico», revelou esta sexta-feira Artur Sá, coordenador científico do Geoparque de Arouca, espaço que integra a Rede Europeia de Geoparques da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
O paleontólogo explicou que «a geologia indicava que isto era uma possibilidade real, mas ainda não tínhamos encontrado nenhum fóssil destes».
«Isto é muito bom a nível científico, porque representa mais uma ocorrência geológica invulgar dentro do Geoparque de Arouca e prova que ainda há muito trabalho a fazer neste território», disse.
As centenas de fósseis vegetais foram descobertas com a ajuda de oito alunos do ensino secundário que, ao abrigo do programa «Ciência Viva no verão», acompanharam Artur Sá em actividades de paleontologia em Arouca.
«Procurámos mais jazidas fossilíferas», acrescentou o coordenador científico do Geoparque, precisando que «o referencial tem sido sobretudo a Pedreira do Valério, em Canelas, mas há outras zonas por explorar».
Jovens de Albufeira, Amarante, Barreiro, Guimarães, Lisboa e Vizela participaram na descoberta dos vestígios de plantas «que são parecidas com os fetos actuais» e estão preservadas em rochas que, em alguns casos, «chegam a ter 15 centímetros de comprimento».
Os fósseis vegetais descobertos vão agora ser estudados a fundo e fotografados, sendo depois objecto de publicação científica e de divulgação na IX Conferência da Rede Europeia de Geoparques da UNESCO, a realizar de 1 a 5 de Outubro, em Lesvos, na Grécia.
TVi24

Pavaroty, in Museu Cidade Viriato, 5 de Julho de 2010 http://atlasdeportugal.blogspot.com/2010/07/fosseis-com-310-milhoes-de-anos-em.html
Imagem: http://www.cm-arouca.pt/portal/

terça-feira, 13 de julho de 2010

Alma Mater

DOCUMENTOS E IMAGENS INÉDITOS, SOBRE A REPÚBLICA E NÃO SÓ, DISPONÍVEIS NA BIBLIOTECA DIGITAL DE FUNDO ANTIGO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Alma Mater, a Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra, vai ser apresentada dia 14 de Julho. Na cerimónia será ainda dado a conhecer o repositório temático República Digital – parte integrante da Alma Mater – que disponibiliza documentos inéditos sobre a emergência das ideias republicanas em Coimbra, a implantação da República e a resistência ao Estado Novo.
Através da Alma Mater, a Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra (UC), qualquer pessoa com ligação à Internet poderá pesquisar globalmente os documentos digitais existentes nas bibliotecas da Universidade, podendo consultar em pormenor cada um dos documentos, nomeadamente livros antigos, manuscritos, cartas, fotografias e desenhos, mas também parte dos espólios de autores formados pela UC, como Almeida Garrett, Félix Avelar Brotero e Júlio Henriques, bem como de outros que passaram por Coimbra ou cá deixaram a sua produção intelectual.
Alma Mater, que é constituída por um vasto acervo de obras representativas do precioso espólio existente nas diversas bibliotecas da UC – cerca de quatro mil documentos, publicados na sua maioria antes de 1940, aos quais correspondem perto de 500 mil imagens – vai ser apresentada no dia 14 Julho, pelas 12H00, no piso intermédio da Biblioteca Joanina. Na cerimónia de apresentação deste projecto estarão presentes Fernando Seabra Santos, Reitor da Universidade de Coimbra, e Carlos Fiolhais, Director da Biblioteca Geral da UC (BGUC) e do Serviço Integrado das Bibliotecas da UC (SIBUC). Esta iniciativa integra o programa comemorativo da Universidade de Coimbra para o Centenário da República.
Integrado na Alma Mater, ficará o repositório temático República Digital, reunindo diversos documentos representativos das transformações políticas, sociais, científicas e artísticas provocadas pela implementação da República em Portugal: manuscritos inéditos e outros pouco conhecidos, fotografias do início do século XX, jornais, manifestos, revistas científicas, correspondência inédita e trabalhos universitários. Em destaque estarão ainda testemunhos da influência dos ideais republicanos na cidade de Coimbra, nomeadamente através dos volumes das “Memórias” e das fotografias do Coronel Belizário Pimenta, do fundo do historiador da cartografia Armando Cortesão ou ainda dos periódicos "Gazeta de Coimbra", "Ultimato", "Resistência" e "Revolta".
A Alma Mater, que se integra numa estratégia de desenvolvimento e modernização da UC constituída em torno da digitalização, conservação e difusão de documentação e informação, disponível na rede de bibliotecas da Universidade, congrega e valoriza importantes núcleos que integram o rico património bibliográfico e documental de várias bibliotecas digitais já existentes – da Faculdade de Direito, do Departamento de Ciências da Vida (Botânica) da Faculdade de Ciências e Tecnologia e da Biblioteca Geral (BGUC) – e de outras novas, como a Biblioteca Digital da Faculdade de Letras. O projecto, levado a cabo pelo SIBUC, em colaboração com a BGUC e com a Biblioteca Municipal de Coimbra, foi financiado pelo Ministério da Cultura, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e através de fundos próprios da UC.

Fonte: http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/alma-mater.html