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sexta-feira, 23 de março de 2012

O anúncio aviculário da Primavera e as Tosquias

Por Leonel Salvado
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«Quando surge o Milhafre, nova estação se aproxima!
É o tempo da tosquia, quando chega a Primavera, e as andorinhas aconselham a troca das roupas quentes por vestes mais estivais
Aristófanes, “As Aves”, 414 a. C.

Dois milénios depois, ainda é assim em muitas regiões portuguesas, como é caso de Figueira de Castelo Rodrigo, em Riba-Côa, e em outros locais do Norte onde quer que, de Março a Agosto, se costume vislumbrar o voo de milhafres e haja ovinos para tosquiar, como acontece em Trás-os-Montes (particularmente em Miranda do Douro) e em algumas partes do estuário do Minho. Por toda a parte as andorinhas confirmam a chegada da Primavera e convidam à celebração deste ciclo de vida renascida.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Memórias do Rio Calvo

Por Leonel Salvado
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O rio Calvo, afluente do Rio Rabaçal, ainda é uma das referências do património natural do concelho de Valpaços que em vários locais do seu quadrante setentrional proporciona aos visitantes boas oportunidades para desfrutarem de ambientes de frescura e paz de extraordinária beleza paisagística que fazem a maravilha dos espectadores especialmente dos mais nostálgicos. Tem admiravelmente merecido o maior apego e carinho da parte dos moradores (de várias gerações!) das localidades que lhe estão próximas.
Mas para além da beleza natural que ainda nos oferece, o rio Calvo foi acima de tudo, durante séculos e até um passado relativamente recente, uma fonte essencial de recursos para a sobrevivência de algumas comunidades localizadas nesse espaço. Das suas águas se serviam os povos, na maior parte dos casos livremente, para “limarem prados e Linhares”, regarem terrenos de cultivo, darem de beber ao gado, fazerem funcionar moinhos e azenhas e obterem variáveis castas de peixes. Na maior parte das suas margens abundava uma grande variedade de vegetação silvestre e árvores de grande porte e noutras partes se viam cultivar as terras de vinhas, castanheiros e outras árvores de fruto.


O Rio Calvo visto por uma lebuçanense dedicada às coisas do Património

«Chama-se Calvo e corre em leito apertado, aconchegante, junto dos moínhos do Pimentel, como são conhecidos.
Há uma manta verde, muito verde, que cobre a área envolvente, salpicada de outros tons, agora que é Primavera.
O rio canta melodias, batendo nas pedras que descansam no leito e, muitas vezes, adormece à sombra dos amieiros que lhe bordam as margens.
Já foi pão que matou a fome do povo, quando as suas águas faziam mover as mós dos moínhos que labutavam dia e noite, numa azáfama que não tinha fim.
Hoje, os moinhos estão desmantelados pelo tempo e pela incúria do homem, mas há memórias, doces memórias, que jamais se desvanecerão.»

Graça Gomes, “Sei De Um Rio”,  in Lebução de Valpaços
 

O rio Calvo, segundo Adérito Medeiros Freitas

«O rio Calvo nasce nas proximidades de Dadim, concelho de Chaves, como nome de Ribº de Lamigueiras. Tem como afluente, na margem direita, a Ribeira do Porto de Veiga. Depois da Ponte da Pulga (E.N. 103), adquire a designação de Ribeiro da Pulga; esta ponte foi destruída por uma violenta trovoada que ocorreu no dia 17 de Junho do ano de 1939. Nas proximidades da aldeia e freguesia de Nozelos é chamado Ribº de Nozelos e, a partir das proximidades de Tinhela recebe a designação de Rio Calvo. Em resumo, o Rio Calvo passa nas proximidades das aldeias de Pedome e Nozelos, e por Tinhela, Agordela, Calvo e Vale de Casas indo, finalmente, desaguar na margem direita do Rio Rabaçal, depois de ter passado pela Ponte Romana do Arquinho. […] Existiram, ao longo deste curso de água, 44 moinhos hidráulicos (43 moinhos de rodízio e 1 azenha).»

In Moinhos (Moinhos de rodízio e azenhas), Concelho de Valpaços, Vol. I, CMV,2009, p. 156

Se recuarmos aos meados do século XVIII encontramos em alguns documentos, entre outras informações, indicações acerca desta realidade, nem sempre muito claras e condizentes mas suficientemente conformes com ela.

O Rio Calvo nas Memórias Paroquiais de 1758

LEBUÇÃO - A crer no pároco memorialista desta freguesia, no século XVIII o rio Calvo tinha origem na conjunção das águas de duas nascentes distintas, ambas localizadas dentro dos limites da freguesia (abadia) de Cimo de Vila de Castanheira (actualmente do concelho de Chaves), a primeira no sítio do Pereiro (que entretanto terá secado) e a segunda junto à aldeia de Dadim, a que actualmente se tem por única nascente. O seu percurso pelas terras do actual concelho de Valpaços era já descrito pelo mesmo pároco de Lebução, grosso modo em conformidade com a descrição de Medeiros Freitas, ao mesmo tempo que destacava a grande quantidade de moinhos nele em actividade, desta forma:

«Pela parte do Poente e margens das terras de Tronco corre um regato que neste lugar se lhe pode chamar rio, o qual nasce num sítio chamado Pereiro que é termo de Cima de Vila de Castanheira e este se junta com as águas do lugar de Dadim aonde chamam Valados, as quais juntas e incorporadas umas nas outras fenecem o regatinho que por diminuição não tem nome distinto e vai formando um ribeiro com elas que se chama ribeiro da Pulga no qual há infinitos moinhos. E tem o tal regato uma légua de comprimento, de onde nasce, que é na parte do Norte, até quando chega ao lugar de Pedome, anexa desta freguesia e ali tem uma ponte de pedra e de pau, onde se passa para o lugar de Tronco.
E logo mais abaixo tem outra ponte que é somente de pedra e que fica na estrada Real que vai de Chaves para Bragança. Este ribeiro vai dilatando seu curso, que é presente em todo o ano, por uma veiga abaixo que é termo de Nozelos e Tinhela a cujos lugares corre vizinho. Porém, ao de Tinhela se avizinha mais aonde tem uma ponte melhor do que as outras de que acima falámos, pela qual entram e saem os que vão e vêm da parte do Sul para cujo lado fica a dita ponte a respeito do tal lugar.

O Padre [cura] António Fernandes d’Além»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 20, n.º 71, p. 527 a 540


NOZELOS - O Pároco de Nozelos, pela mesma data, também assinala o “sítio do Pereiro” como a nascente do Rio Calvo,(“o que corre pela parte do Nascente”). Como se vê pelo excerto que se segue, dá-o pelo nome de “ribeiro de Pedome” e descreve as suas principais virtudes, a montante de Nozelos, e defeitos, sobretudo a jusante da mesma freguesia.

 «Nesta terra não há rio. Nesta terra há dois ribeiros, os quais correm girando este lugar, um pela parte do Nascente e outro pela do Norte, e ambos se juntam no termo deste lugar no sítio chamado as Olgas e o que corre pela parte do Nascente tem o seu nascente daqui na distância de uma légua, no sítio chamado de Pereiro, termo de Cimo de Vila de Castanheira, freguesia de São João Baptista, e corre por terra infrutífera, porém os moradores de Cimo de Vila lhe divertem as águas para limarem os prados e Linhares com ela e o mesmo fazem os moradores da quinta de Pedome, que corre distante dela dois tiros de pedra, e entrando neste termo tem o mesmo efeito de limar os prados e linhares deste termo até onde se junta com o que corre pela parte do Norte para o Sul e, juntamente, nele há duas casas de moinhos, cada uma com duas rodas, para centeio e trigo, que moem ordinariamente desde o mês de Dezembro até ao de Maio e nele há umas castas de peixes que nesta terra se chamam escalos, os quais se extinguiram pela grande seca, porque no estio é preciso buscar algum poço mais fundo para nele beberem os gados e, assim, não cria senão escalos, rãs e cágados. Este tem o nome de ribeiro de Pedome porque passa somente na quinta chamada Pedome e tem um pontão de três traves de pau cobertas com pedras. E o que passa pela parte do Norte que nasce no sítio chamado da serra das cortiças, do termo de Bobadela, daqui distante meia légua, é mais pequeno, porém com mais substância e é mais saturável no Verão e tem o mesmo efeito de limar prados e Linhares deste termo e tem quatro casas de moinhos e as mesmas castas de pesca e, tanto que se juntam ambos não têm utilidade alguma neste termo porque correm pelo melhor sítio de terras de centeio e nelas fazem algum dano e daqui três léguas se metem no rio chamado Rabaçal.

O Padre Caetano de Sá Pereira, Confirmado do lugar de Nozelos»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 25, n.º (N) 42, p. 293 a 302


POSSACOS – O pároco desta freguesia que designa o Rio Calvo por “Ribeira de Vale de Casas”, também realça a grande quantidade de moinhos nele existentes:
 
«Passa por esta terra uma ribeira que vem de Vale de Casas. Esta corre com bastante curso por todo este termo e tem moinhos bastantes de centeio. E tem esta um arco de pedra por onde se passa para o Bispado de Miranda e é de pedra lavrada e, dizem, tinha este dois padrões feitos à romana; um foi para Vale de Telhas e outro, dizem, veio para este lugar. Esta ribeira se mete logo dentro deste termo em um rio chamado rio Rabaçal que traz seu nascimento do Reino de Galiza e corre por este termo pela estremadura do Bispado de Miranda.
O Pároco, vigário, Padre Baltazar Fernandes de Figueiredo»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 30, n.º 236, p. 1813 a 1816


SANTA VALHA – Por fim, o Abade de Santa Valha ainda que aparentemente equivocado quanto à nascente do rio Calvo é o único dos quatro párocos-memorialistas que o designa por este nome, a jusante de Tinhela, fazendo uma descrição suficientemente detalhada dos seus recursos e do seu percurso.

«Neste lugar de Santa Valha somente há quatro ribeiras, uma chamada o rio Calvo que nasce no lugar de [Lomba?] e suas montanhas. Nasce brando e pequeno e corre todo o ano. Entra nele uma ribeira de Alvarelhos por baixo do lugar de Tinhela, duas léguas distante da nascente. Não é rio de barcas nem capaz para isso. É de curso arrebatado em toda a sua distância. Corre de Norte para o Meio-dia. Cria muitos peixes chamados escalos. Nas margens se cultivam muitas delas de vinhas, terras, prados e tem muitas árvores de fruto, como são castanheiros, e silvestres, como são amieiros, salgueiros, carvalhos, medronheiros e outras muitas castas de árvores silvestres. Conserva sempre o nome de rio do Calvo. Morre no rio chamado o Rabaçal, rio caudaloso, no sítio do Cachão. Tem uma cachoeira no sítio de Cachão e por essa causa não sobem os peixes chamados barbos e bogas por ele acima. Tem três pontes de pau, uma chama-se a ponte de Tinhela que está no mesmo lugar de Tinhela, outra chama-se a ponte de Agordela, na quinta de Agordela, e outra na quinta do Calvo e chama-se a ponte do Calvo. Tem perto dele infinito número de moinhos, regueiros e [olmeiros?]. Usam os povos de suas águas livremente para as culturas.
Tem o rio seis léguas desde a nascente até aonde acaba e passa por seis povos: O primeiro é Tinhela, o segundo é Agordela, o 3.º é o Calvo, o 4.º é Vale de Casas, o 5.º é Poçacos e o 6.º é o Cachão.

O Abade, Padre Domingos Gonçalves»

ANTT - Memórias paroquiais, vol. 34, n.º 67, p. 601 a 606

sexta-feira, 9 de março de 2012

Memórias do Rabaçal

Por Leonel Salvado

A foto em grande plano é da autoria do Dr. Manuel Carvalho de Sousa, gentilmente 
cedida ao Dr. Medeiros Freitas e publicada em Moinhos, concelho de Valpaços.

O rio Rabaçal forma com o Tuela o Rio Tua. É um rio que nasce na Galiza e atravessava o território português no concelho de Vinhais a partir de onde o seu principal afluente, o Rio Mente, forma no Nordeste Transmontano uma parte da fronteira entre Portugal e Espanha. No território nacional este seu afluente, que também nasce na Galiza, serve para limitar os concelhos de Chaves e Valpaços no distrito de Vila Real, e de Valpaços e Mirandela no distrito de Bragança. Tal como o Tuela, o Rabaçal é um rio com importantes atractivos tais como uma praia fluvial com parque de campismo e alguns pontos de interesse histórico como pontes romanas e ruínas de seculares moinhos e açudes.

Ora, porque lamentavelmente não tem chovido e a água sempre foi um elemento essencial à vida, recordemos, tomando como exemplo o caso de Barreiros, a atenção que outrora era dada às fontes de abastecimento de água e aos providenciais recursos oferecidos pelo rio Rabaçal, bem como a laboriosa forma com que noutros tempos, e até um passado relativamente recente, esses recursos vitais eram explorados para garantir a imediata sobrevivência dos povos. Para além dos frutos da terra, uma substancial quota-parte de bens com que estas comunidades proviam ao sustento da suas famílias e à renda devida à paróquia dependiam dos recursos hídricos do meio natural, isto é os dos rios e suas margens.
Em 1758, naquela pequena freguesia do actual concelho de Valpaços, situada na margem direita do Rio Rabaçal,”o respectivo pároco, Padre-cura Baltazar Rodrigues da Rosa, da apresentação da Abadia de São Miguel de Fiães, deixava-nos nas “Memórias Paroquiais” as seguintes notas sobre a terra e os rios do seu “distrito”:

«É este povo da Província de Trás-os-Montes, Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Torre de Moncorvo, termo da vila de Monforte de Rio Livre, Freguesia de S. Vicente.»[…]
«Os frutos que aqui se recolhem com maior abundância são centeio, milho, feijões, castanhas, azeite e vinho.»[…]
«Tem dentro do povo uma fonte que lança água com muita abundância, quente de Inverno e fria no Verão, com cujas qualidades se diz médica por não haver aqui pestes contagiosas, como nunca se recordam.»[…]
Entre o termo deste lugar e o das Aguieiras, passa o rio que aqui tem o nome de Rabaçal que é composto de três rios que se juntam por baixo da ponte de Vale de Armeiro que serão, daqui lá, três léguas. Um se chama rio do mesmo Vale de Armeiro, que tem seu princípio em Laxe Castro, lugar da raia entre a Galiza e Portugal; outro se chama o rio Mente que tem seu princípio em Castromil, lugar da raia entre Castela e Galiza e é principalmente na ponte do mesmo povo que se lança abundantemente. Outro se chama o rio Mousse que tem seu princípio no termo litoral do reino de Galiza. Estes rios perdem o nome em sozinhos e ficam-se chamando o rio de Rabaçal, que lhe dura até os Eixes, em cujo termo se junta em outro da mesma grandeza e se vai meter no Douro, em Foz Tua. Tem, pouco mais ou menos, de onde tem o princípio até que se mete no Douro, dezasseis léguas.
Não entra neste rio embarcação alguma por ser demasiadamente arrebatado em tempo de Inverno e passar por terra muito agreste e despenhada.
Cria muitos barbos, bogas e escalos antes de se juntarem os três rios. Se ponderado também se criam trutas em todos eles. No tempo do Estio se pesca nele com redes [varredouras?], e o resto do mais ano com chumbeiras, o que se faz livremente por não ter senhor particular que o impeça.
As margens deste distrito são infrutíferas, quase todas, por não terem terra que dê frutos e só no sítio da ponte da Corriça e no do Rabaçal dão azeite, milho, feijões e centeio, de tudo pouco, como também em outros sítios do Armeiro e aí nesses sítios há algumas oliveiras. Em todo o mais, não há nada e as árvores são silvestres.
Neste termo não tem pontes algumas, antes muita necessidade delas que, como tem poucas entradas por ele por causa de não se poder abrir caminho, [se passa a gente o rio, porém] por lhe ficar dificultoso atravessar ao não buscá-lo para as pontes que ficam longe e assim se tem afogado muita gente em barcas e muitas nas passagens de pedra.
Tem este Rio moinhos chamados parcelas que não impedem embarcações por não poderem subir por ele».[…]

In ANTT, Memórias Paroquiais 1758, Barreiras [Barreiros], Monforte de Rio Livre vol. 6.º, n.º 44a, p. 331 a 334

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Não havia necessidade!

Foto de Leonel Salvado
Há coisas que se poderiam evitar! Numa fachada tão larga, e solidamente restaurada de uma aldeia anexa a uma das freguesias do concelho de Valpaços houve o cuidado em preservar o precioso nicho das Alminhas, para depois… plantar-se, coladinho, a seu lado o expositor dos editais (em alumínio!).

domingo, 15 de maio de 2011

O cão de gado transmontano

Transcrição

Fiel e amigo do pastor | outros nomes: Mastim Português -Transmontano

História 
O Cão de Gado Transmontano é uma raça antiga, descendente dos mastins do tronco Ibérico. Desenvolveu-se naturalmente no nordeste de Trás-os-Montes, com pouca influência do pastor na criação. A selecção destes cães era ditada pela natureza e mais concretamente pelo lobo.

O Cão de Gado Transmontano é uma raça possante e funcional que desempenha de forma exemplar a função de guarda. Particularmente utilizado para defender os rebanhos de ovelhas e cabras, a popularidade da raça caiu quando o êxodo rural e a emigração mais se verificaram na região. Com a necessidade de proteger o lobo, a importância da utilização destes cães pelos pastores tornou-se vital. Aliás, os pastores só são indemnizados pelas ovelhas perdidas para os lobos se tiverem pelo menos um cão por cada 50 cabeças de gado.
Apesar da sua longa história, só recentemente é que a raça foi reconhecida pelo Clube Português de Canicultura, mas aguarda ainda o reconhecimento do FCI. O estalão desta raça é provisório, valendo por um período de cinco anos após a aprovação.
Para além do reconhecimento nacional, existem também programas que visam proteger e divulgar o Cão de Gado Transmontano. Exemplo disso é o trabalho feito no Parque Natural de Montesinho, onde as ninhadas e cães são contabilizados e interessados são colocados em contacto com os criadores, sobretudo pastores.
Têm-se criado também exposições para esta raça, de forma a divulgar e apurar os melhores exemplares.

Temperamento 
O Cão de Gado Transmontano é um animal possante, que necessita de um dono experiente. As suas maiores qualidades podem virar graves defeitos se o dono não for capaz de dominar o cão. Independente e possessivo, o Cão de Gado Transmontano deve ser ensinado desde pequeno a respeitar o dono.
Mas é a sua territorialidade e capacidade de iniciativa que o torna num cão de guarda de rebanhos de excepção. A zona onde é mantido ou passeado é entendida pelo cão como sua e tenta sempre protegê-la de estranhos. Está adaptado ao frio rigoroso do Inverno transmontano, mas também ao calor sufocante do Verão. Para se proteger das condições atmosféricas, escava buracos na terra, em busca de abrigo do vento forte ou em procura de um local mais fresco. Mantido em jardins, a relva é sempre esburacada.
O Cão de Gado Transmontano necessita de bastante espaço e não é o cão indicado para ambientes urbanos. Embora se habitue à trela, este cão prefere cumprir a sua função livremente no campo.
Em adultos, estes cães tornam-se sensíveis, ao ponto de serem ciumentos. Dóceis com a família, mantêm contudo uma personalidade reservada.  
Dão-se bem com outros cães após ser estabelecida uma hierarquia.

Aparência Geral 
O Cão de Gado Transmontano é a maior raça de cães portuguesa. De porte gigante, as fêmeas entre 66 e 76 cm, pesando 45 a 60 kg, mas já os machos atingem entre 74 e 84 cm e pesam 55 a 65 kg.
Esta raça é também uma das mais rústicas, mantendo-se forte e imponente, com uma aparência nobre.
A cabeça é maciça com um stop moderado. Os olhos médios são cor de mel ou castanho-escuro. As orelhas, também de tamanho médio, são ligeiramente mais compridas do que largas, afunilando na ponta, mas terminando redondas.
Embora os machos sejam bastante mais altos do que as fêmeas, o corpo de ambos mantém uma forma rectangular. Mesmo assim, os animais dos dois sexos não são demasiado volumosos, apresentam-se antes fortes e bem musculados.  
O Cão de Gado Transmontano tem a pele grossa, exceptuando na cabeça, onde se apresenta mais fina. No pescoço, forma pequenas pregas de pele que são uma protecção contra os ataques dos lobos.
O pêlo é liso e de comprimento médio, formando uma pelagem densa e grossa. A raça tem sub-pêlo. O Cão de Gado Transmontano é mais comum em branco com malhas pretas, amarelas, fulvas ou lobeiro. A raça pode também apresentar um só cor ou ser raiada. Em determinadas zonas pode ser: mosqueada, no fundo do manto, ou afogueada, na máscara.

Saúde e Higiene 
Apesar de ser bastante resistente, existem algumas doenças típicas de cães de porte grande que também afectam o cão de Gado Transmontano. A displasia da anca e cotovelo têm alguma prevalência na raça e os progenitores devem despistados antes de acasalarem.Apesar de ser bastante resistente, existem algumas doenças típicas de cães de porte grande que também afectam o cão de Gado Transmontano. A displasia da anca e cotovelo têm alguma prevalência na raça e os progenitores devem despistados antes de acasalarem.
A pelagem deve ser escovada uma vez por semana, para remover terra, pó ou outra sujidade. O banho só deve ser dado quando não puder ser evitado.
In http://arcadenoe.sapo.pt/raca/cao_de_gado_transmontano/275

Para informações mais detalhados sobre o perfil desta raça consulte um documento em formato pdf, AQUI.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma raridade arquitectónica num lugar idílico – Zibreiro

Fonte Chafariz do lugar do Zibreiro, observação frontal, foto de Adérito Medeiros Freitas,
in Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII, C.Mv:, 2005

A pouca distância da localidade de Possacos, subindo pela “Rua do Zibeiro”, localiza-se um espaço de extraordinária beleza natural e arquitectónica que tem encantado toda a sorte de visitantes, desde os mais comuns aos mais eruditos em diversas áreas de investigação do património natural, histórico e artístico – A Fonte Chafariz da Quinta do Zibeiro, para adoptarmos a designação mais comum. Faz parte de uma grande quinta agrícola de que é proprietária a Sra. Ana Ribeiro Terra Calçada, segundo dados publicados por Adérito Medeiros Ferreira no 2º volume da sua obra “Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água, volII.
Passamos as transcrever o que este investigador publicou nesta sua obra acerca do local e da respectiva fonte.

Localização: Possacos

Lugar: Zibreiro

Altitude: 443 m       Longitude: 7º 16’ 41,1’’ W     Latitude: 41º 37’ 11,5’’

Ano de construção: Desconhecido
Material de construção: granito equigranular de grão fino a médio, com moscovite e biotite e leve alteração química deste último material secundário.
Características gerais: Do ponto de vista arquitectónico esta é, na minha opinião, a mais rica “Fonte Chafariz” do concelho de Valpaços. Encontra-se fazendo parte de uma grande Quinta, hoje parcialmente abandonada, num meio envolvente de rara beleza possuindo, como seu prolongamento para um e outro lado, um extenso muro em granito, também ele de óptimo aparelho, com 1,60 m de altura. Tanques de granito e plantas ornamentais de várias espécies, envolvidos por vinhedos, pomares e outros terrenos de cultura, completam este quadro maravilhoso.
A planta interna, em forma de ferradura, mede 3,70 m de comprimento e 3,10 m de largura. De um e outro lado dois bancos de granito, simétricos, acompanhando a curvatura dos limites laterais internos da fonte, com 40 cm de largura e 42 cm de altura. Cada um destes bancos é formado por duas lajes de granito, suportadas por três apoios do mesmo material litológico. Todo o espaço ocupado pela fonte se encontra lajeado.
Na zona de maior curvatura deste espaço, 79 cm acima do pavimento, encontra-se uma abertura que comunica com a nascente, possivelmente através de uma mina. Por cima desta abertura, um cachorro de granito saliente do muro limitante posterior, constitui o apoio para um tosco recipiente contendo uma planta ornamental (“begónia”). A água que sai da nascente corre por uma caleira também de granito, com 1,34 m de comprimento que possui, mais ou menos a meio, uma porção dilatada com uma cavidade com a mesma morfologia. A suportar esta caleira, com sinais evidentes de já ter sido partida em dois locais, uma elegante coluna apoiada no pavimento com 69 cm de altura. Da caleira referida, a água cai numa bonita pia de granito em forma de concha com 36 cm de profundidade e cujos dois diâmetros, perpendiculares entre si, medem 1,10 m. Esta pia é suportada por uma base cilíndrica com 20 cm de altura e 24 cm de diâmetro. Da pia, a água cai numa caleira existente no pavimento lajeado, que mede 5,85 m de comprimento, 7 cm de largura e 3 cm de profundidade e termina num tanque de lavar roupa.
O muro que limita o espaço interno, em forma de ferradura, possui 2,43 m de altura e é coroado por uma cornija, saliente 18 cm e com 18 cm de espessura. Frontalmente e como a fotografia muito bem documenta existem, de um e outro lado, a flanquear a entrada, duas bonitas e muito bem trabalhadas “pilastras”. A cobrir todo o espaço podemos ver três arcos em ferro forjado que se destinavam, informaram-me, a servir de apoio a uma ramada de videiras que, por sua vez, proporcionavam uma agradável sombra, no Verão.

Adérito Medeiros Freitas, Concelho de Valpaços, Fontes de Abastecimento de Água (…), CMV, 2005, vol. II, pp. 23-24




Pseudo-painel de azulejos | adaptação de Leonel Salvado com base na foto  inserida acima
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Uma raridade arquitectónica numa aldeia abandonada – Picões

Capela de Santo António em Picões, freguesia de Bouçoais, concelho de Valpaços – século XVIII in http://www.boucoaes.com | autorizada pelos editores  [Copyright © 2011 Junta de Freguesia de Bouçoães]
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Esta imagem representa o que há de mais encantador no vasto conjunto do património arquitectónico do concelho de Valpaços, longe da vista da maioria dos valpacenses e ainda resguardada da “invasão” turística, apesar do excelente trabalho de divulgação realizado pelos administradores do site da Freguesia de Bouçoais e outros “desafios” particulares como o que se pode ver no blogue do Reverendo Pe. Jorge Fernandes, são cousas da vida. Esta capela da invocação de Santo António que o Pe. Jorge Fernandes considera, e muito bem, tratar-se de “uma das jóias arquitectónicas do nosso concelho” esquecida e abandonada, localiza-se na freguesia de Bouçoais, em local afastado no núcleo central da aldeia abandonada de Picões no caminho que daqui prossegue em direcção às aldeias de Lampaça e Vilartão integradas na mesma freguesia. Em razoável estado de conservação, esta raridade da arquitectura religiosa é um monumento de construção barroca datada do século XVIII, integrada nos domínios do extinto morgadio de Vilartão e mandada edificar por um dos respectivos titulares, a cuja família pertenceu o ilustre transmontano Álvaro de Morais Soares, coronel do exército português que se notabilizou na Guerra Peninsular, juntamente com seu irmão Eusébio de Morais Soares e veio a falecer em combate nos arredores de Madrid em Agosto de 1812, deixando descendência. No que respeita à sua mais remota construção atesta-o uma destacada referência da parte do Abade de Bouçoais, António Xavier Fernandes nas Memórias Paroquiais de 1758 nos seguintes termos:

"Tem quinta de Picões uma capela de cantaria construída à moderna com a invocação de Santo António, mandada fazer pelo Sargento-mor de Cavalaria António de Sá Pereira do Lago [de Morais Soares], da Casa dos Morgados de Vilartão, o qual a deu aos moradores da dita quinta."

Em nossa opinião trata-se de um dos mais belos monumentos do concelhos de Valpaços ainda por classificar!

Pseudo-painel de azulejos  - adaptação virtual de Leonel Salvado com base na foto acima exposta.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O “Tesouro de Lebução”


O Tesouro de Lebução é o nome por que ficou conhecido um dos mais valiosos achados arqueológicos ocorridos no concelho de Valpaços e que muito contribuiu para tornar conhecido a nível nacional e internacional o nome da localidade de Lebução, freguesia deste concelho onde por feliz acaso teve lugar esse acontecimento. Trata-se de um valioso espólio da arte metalúrgica proto-histórica, composto por cinco peças em ouro, de extraordinário estado de conservação que formariam um total de cinco exemplares da joalharia dessa época datáveis, com alguma relatividade, da Idade do Bronze. Os objectos encontram-se actualmente expostos na Casa de Sarmento, em Guimarães, que é uma unidade Cultural da Universidade do Minho, criada em 28 de Janeiro de 2002, resultante de uma parceria com a Sociedade Martins Sarmento, fundada em 1881, e a Câmara Municipal de Guimarães e, portanto, esses objectos estão bem longe dos valpacenses e lebuçanenses desde há cerca de 53 anos em resultado de uma doação àquela sociedade instituída pelo eminente arqueólogo que lhe legou a obra e o nome.

O Tesouro de Lebução continua no entanto a ser uma referência patrimonial ciosa e orgulhosamente invocada pelos seus principais legítimos herdeiros, que são os que constituem a comunidade lebuçanense. Parece ter sido com esse justificado sentido de orgulho, mas também com alguma tristeza que, a 25 de Outubro de 2009, Graça Gomes abordou assim este assunto no seu blogue Lebução de Valpaços:

Nos finais do século XIX o nome de Lebução apareceu, subitamente, nas páginas dos jornais. Um achado invulgar (Tesouro de Lebução), veio agitar esta aldeia e transportou o seu nome para o mundo da arte e da cultura. Este «Tesouro», um conjunto de peças de ourivesaria pré-históricas, valiosíssimas sob o ponto de vista artístico e como testemunho de um passado remoto, é constituído por dois torques, duas extremidades de torques e uma armila, esta a mais valiosa.Foi encontrado num terreno de Lebução, quando andavam a prepará-lo para o plantio de uma vinha.O Tesouro de Lebução foi doado à Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, em 1957, que o possui guardado em cofre bancário, junto com outras jóias de ouro e prata e diversas peças de arte.Lamento, imenso, que à população da minha terra nunca tenha sido dada oportunidade para poder olhar e guardar na memória, uma Jóia que afinal é sua...

In http://lebucaodevalpacos.blogspot.com


Na Casa de Sarmento

Para os valpacenses em geral e a comunidade de Lebução em particular, vamos deixar aqui o conteúdo do catálogo exibido pelo Núcleo de Estudos de Arqueologia e História Local, com as imagens e as informações relativas a cada uma das peças do Tesouro de Lebução que se encontram em exposição na Casa de Sarmento.

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Peça: Torques
Dimensões: [Alt. c. 25 m/m; diâm. c. 150 m/m; desenv. c. 310 m/m, peso c. 150 g.]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Torques de ouro batido, da Idade de Bronze (?). Torques suboval aberto, ligeiramente torto, formado por haste maciça de secção losangular, decorado ao centro com motivos decorativos estilizados em forma de x e v, inseridos num quadrado. Uma das extremidades ainda possui um motivo decorativo em forma de disco muito alongado. Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957.

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Peça: Pulseira (armila)
Dimensões: [Alt. c. 75 m/m; diâm. c. 110 m/m; desenv. c. 350 m/m; peso c. 110 g (c. 107,5 g)]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Pulseira (armila) - bracelete mais 10 pedaços, em ouro, da Idade do Bronze (?).Bracelete cilíndrico, canelado horizontalmente e com falhas num dos lados. Tem cinco caneladuras decorados com trabalho cinzelado com motivos geométricos e florais estilizados em diferentes secções. Existem ainda 4 fragmentos, dois grandes (com cerca de 45 mm de comprimento) e dois pequenos (com cerca de 10 mm de comprimento), sendo três decorados com motivos geométricos gravados e outro com o remate do bordo do bracelete. Têm cerca de 0,5 g. Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957.

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Peça: Extremidades de torques
Dimensões: [1) Alt. c. 30 m/m; diâm. c. 17 m/m; c. 5 g.; 2) Alt. c. 32 m/m; diâm. c. 20 m/m; c. 5 g. Ligeiramente rachado na carena.]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Extremidades de torques em ouro, da Idade do Bronze (?).Decoração da extremidade de torques, com forma de urna ligeiramente carenada, com decoração no bordo, junto à haste do torques.
Ocos, com um guiso no interior, um som fraco (1) outro com som mais grave (2). Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957.



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Peça: Torques
Dimensões: [Alt. c. 35 m/m; comp. c. 165 m/m; larg. c. 125 m/m; desenv. c. 330 m/m; (199 g)]
Proveniência: Lebução, Chaves
Descrição: Torques em ouro, Idade do Bronze (?).Torques com aro semi-circular aberto, aberto, maciço e de secção losangular. Extremidades decoradas com motivo cilíndrico de três arestas, cuja base é decorada com motivos incisos em forma de flor estilizada com cercadura de óvulos. Partido. Talvez já restaurado anteriormente noutros pontos, por soldadura. Proveniente do Tesouro de Lebução, Chaves. Doação da Família de Ricardo Severo em 1957

In http://www.csarmento.uminho.pt

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A respeito dos lagares cavados nas rochas



A 9 de Fevereiro de 2010, Graça Gomes publicava no seu blogue, Lebução de Valpaços, a interessante informação acerca do tema em epígrafe, que é um dos exemplos da profusão de importantes recursos histórico-arqueológicos existentes nas várias freguesias do concelho e estavam a ser estudados por Adérito Medeiros Freitas e integrado na obra que este incansável arqueólogo editou sob o patrocínio da Câmara Municipal de Valpaços com o título “Lagares cavados na Rocha” (a sua décima publicação no concelho de Valpaços). Esta obra foi apresentada no dia 27 de Março, como Sérgio Morais teve o cuidado de anunciar aqui no Clube de História no dia 1 de Abril, um dia depois da data que fora agendada.
No passado Domingo, 17 de Outubro, a mesma Graça Gomes, que nos concedeu a honra de podermos partilhar aqui no Clube de História das suas publicações no Lebução de Valpaços, informava neste blogue que os lagares cavados na rocha foram mais uma vez objecto do interesses e curiosidade de uma equipa científica que em sua companhia de deslocou a uma quinta localizada na freguesia de Santa Valha onde se assinala um considerável repositório desses vestígios arqueológicos.
Passamos a transcrever as duas publicações que se nos afiguram como importantes provas documentais a respeito da representatividade deste “património oculto” do concelho de Valpaços.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Trás-os-Montes” um filme super-premiado há 33 anos


Trás-os-Montes é um filme português estreado em 1976, premiado em 5 festivais europeus de Cinema e que a 18 de Outubro de 1977 conquistou aquele que foi considerado o seu maior galardão, o “Grande Prémio da XXVI Semana Internacional de Manheim”.

Trata-se de um documentário ficcionado (docuficção) com uma escrita acentuadamente poética e não narrativa. Especificamente, é uma etnoficção: retrata personagens típicas da “Terra Fria”, o nordeste montanhoso de Portugal, inventariando hábitos seculares, num ambiente rural majestoso. É uma das obras representativas do movimento do Novo Cinema e uma das primeiras docuficções portuguesas.

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A1s-os-Montes_(filme)

Para mais pormenores sobre este filme Clique Aqui.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Manuel Buiça, o homem que alvejou o rei D. Carlos

A Câmara Municipal de Vinhais decidiu assinalar o centenário da Implantação da República com a atribuição do nome de Manuel Buíça a um largo da vila.

O transmontano é uma das mais importantes figuras ligadas à República, bem como do golpe que ditou o fim da monarquia em Portugal.
Trata-se de um largo que já existia, próximo do pavilhão onde decorre a feira do fumeiro. “O largo não tinha nome. É um acto simbólico que pode ser condenado. Para muitos o regicida é um herói nacional, mas para outros é um assassino”, afirmou o vereador do pelouro sócio-cultural da Câmara de Vinhais, Roberto Afonso.
Manuel dos Reis da Silva Buíça nasceu em Bouçoais (Valpaços), a 30 de Dezembro de 1876 e faleceu em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908. Era filho do reverendo Abílio da Silva Buíça, abade de Vinhais, e de Maria Barroso.
Os seus estudos primários realizaram-se no concelho que, agora, vai baptizar uma largo com o seu nome. “Decidimos fazer esta homenagem, tanto mais que é uma figura tão ligada à República e ao fim da monarquia e tendo ele ligações a Vinhais era uma forma de assinalar o centenário”, explicou o autarca.
Na base da escolha do largo está o facto de ser o mais próximo da casa do Abade de Vinhais, pai do regicida.
A própria figura do abade é curiosa, uma vez que o clero da altura estava mais associado à monarquia.
Aliás, “foi publicada na revista Ilustração Portuguesa uma fotografia em que aparece o abade ao lado de uma menina que segura a bandeira da República”, acrescentou o vereador.
Na altura, a revista dedicou uma reportagem alargada sobre Vinhais, concretamente de um período de incursão monárquica, um ano após a Implantação da República, em 1910. “Várias pessoas vieram da zona da Sanábria, onde tinham montado um acantonamento, e entraram em Portugal pela zona de Cova de Lua. Em Vinhais ocuparam a Câmara Municipal e hastearam a bandeira monárquica durante algumas horas, até que chegaram os reforços republicanos vindos de Chaves”, relata Roberto Afonso, que tem vindo a dedicar à investigação do papel de Vinhais no derrube da monarquia.

Monárquicos ainda chegaram a hastear bandeira em Vinhais, após o 5 de Outubro de 1910

“O abade de Buíça recebeu os republicanos que vinham de fora. É curioso porque a implantação monárquica liderada por Paiva Couceiro teve associada figuras ligadas à igreja e aqui havia um abade republicano ”, acrescentou o autarca.
No concelho ainda há descendência da geração Buíça, nomeadamente em Lagarelhos, onde existe uma família com este nome. “O Armando Fernandes, consultor gastronómico, será um dos descendentes”, revela Roberto Afonso, que não deixa de achar “estranho” que aqui em Vinhais o regicídio não tenha sido muito falado. “Até há muita gente que nem sabe quem foi Manuel Buíça. É muito provável que tenha sido uma forma de apagar essa imagem”, frisou o responsável autárquico.

Fonte e imagem:
http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=336&id=14689&idSeccao=3022&Action=noticia

sábado, 11 de setembro de 2010

Valpaços, no tempo da Mala Posta



A Casa da posta em Valpaços

Retiram-se da tradição oral das pessoas mais antigas de Valpaços, vagas referências à «taberna», nome porque era antigamente conhecida a estalagem ou casa da mala posta, situada no antigo caminho entre Valpaços e Mirandela, onde fazia escala a diligência, que assegurava o transporte do correio, e de raros passageiros, nesta região. Estas memórias, que têm admiravelmente resistido à voragem dos tempos, parecem-me fiáveis e podem ser corroboradas por estudos científicos que já foram publicados sobre a rede de estradas portuguesas antes da motorização e, em particular, sobre o serviço da Mala Posta em Portugal, como adiante se poderá constatar.


Enquadramento histórico

Convém recordar que até à segunda metade do século XVIII, quando se procurou estabelecer em Portugal os serviços de transporte de correio da Mala Posta, as escassas vias e as más condições das que existiam obrigavam a que as pessoas continuassem a deslocar-se se a pé ou com o recurso a animais, como vinham fazendo durante a Idade Média, destacando-se neste desgastante labor a secular figura do almocreve ou do recoveiro. As calçadas romanas, originalmente criadas para a deslocação dos exércitos imperiais, mas em grande parte arruinadas por falta de manutenção e confinadas a espaços muito reduzidos, continuavam, ainda assim, a servir como a única alternativa ao movimento da população e à manutenção da vida económica de muitas regiões do interior. Nessa época o transporte de correio fazia-se a pé, de sacola às costas, no dorso de lentos muares, ou, mais raramente a cavalo. Assim funcionava no reino o serviço do Correio Mor, um ofício postal criado por Carta Régia de D. Manuel I de 6 de Novembro de 1520 que confiava a gestão desse serviço a Luís Homem. Este serviço, então caro e ineficiente, de que apenas os mais abastados tiraram algum proveito, esteve sujeito a nomeação régia, até que Filipe II o vendeu a Luís Gomes da Mata Coronel, pela quantia de 70.000 cruzados, dando início à primeira dinastia postal do mundo e cuja família manteve o seu monopólio durante quase dois séculos, sem grandes benefícios para a maioria da população. [1] Este estado de coisas parece ter começado a melhorar a partir de 1780, no reinado de D. Maria I, a qual determinou que fosse realizado um conjunto de obras públicas (construção de estradas e melhoria de outras, construção de pontes…), mas apenas em três áreas do país: Lisboa, Coimbra e região do Douro. [2] Mais tarde, por decreto de 1797 a Coroa estatizou a lucrativa actividade postal do correio mor explorada pela família Mata, que passou a ser explorada directamente pela Corte. Entretanto, já em 1788, José Diogo de Mascarenhas Neto havia publicado o Método para Construir as Estradas em Portugal. Este José Mascarenhas Neto, também autor das Instruções para o estabelecimento das Diligências entre Lisboa e Coimbra e, uma vez nomeado para o cargo de Superintendente Geral dos Correios e Postas do Reino, continuou a dar especial importância à estrada Lisboa – Coimbra, «na qual se viria a introduzir o serviço da mala-posta que, além do correio, fazia também o transporte de passageiros.» [4] Mas com o tempo o serviço da mala-posta foi-se alargando para outras regiões.

Efectivamente, segundo Elsa Pacheco, no início do século XIX, de acordo com o plano desenvolvido por Mascarenhas Neto, «os eixos centrados em Lisboa [tinham] por destino, além da Aldeia Galega (na saída para Espanha), Valença, Faro e Chaves (passando por Viseu), e do Porto [irradiavam] vias para Caminha, Chaves e Bragança» Segundo a mesma autora, «a ligação entre o Porto e Caminha [fazia-se] por Vila do Conde, Barcelos e Ponte de Lima; entre o Porto e Chaves, por Guimarães e Barroso e, entre o Porto e Bragança, por Penafiel, Amarante, Vila Real e Mirandela». [5]

Ora, o que se diz sobre a célebre «taberna» parece-me poder inserir-se geográfica e cronologicamente neste quadro das vias servidas pela mala-posta no trajecto Porto - Bragança, sendo no entanto de observar, como o faz Elsa Pacheco, que «o território a norte do Douro, talvez pela distância que o [separava] da capital do reino e pelas dificuldades de atravessamento do rio Douro, [apresentava] um serviço da responsabilidade dos Correios Assistentes ou Comarcas”. Pretendo com isto dizer, na senda desta observação, que talvez a comarca de Valpaços, instituída como se sabe a 31 de Dezembro de 1853, se visse, a partir desta data na obrigação de assegurar esse serviço dentro da área da sua jurisdição. Não obstante a real evidência de que em muitas regiões os caminhos-de-ferro tiveram como consequência o declínio da mala-posta, tal consequência não me parece ter sido tão evidente na comarca de Valpaços, apesar dos esforços dispendidos, e bem sucedidos aliás, pelo nosso já biografado Júlio do Carvalhal, enquanto deputado às Cortes pelo círculo da mesma sede concelhia, pela construção de uma linha ferroviária entre o Porto e a Régua. Atendendo à posição periférica desta região relativamente à expansão da rede ferroviária que foi promovida por Fontes Pereira de Melo, é de crer que os serviços da mala-posta ainda tenha prevalecido por aqui por várias décadas até à era da motorização rodoviária, com as dificuldades e os sacrifícios que a sua manutenção impunha. Será, portanto de confirmar a tradição a respeito da mala-posta de Valpaços, cuja referência unanimemente enraizada na vaga memória das mais antigas gerações valpacenses é a célebre Taberna. Se as pobres estradas da comarca de Valpaços foram, antes da motorização subsidiárias da rede de navegação fluvial, também o passaram a ser relativamente à rede ferroviária no contexto da mesma ligação Porto-Bragança. A prova de que a "Diligência de Valpaços" ainda se encontrava em serviço em 1913 - ainda que não sirva para corroborar os atributos tradicionalmente atribuídos à Taberna - surge numa aguarela de Alberto de Souza publicada na edição desse ano da Ilustração Portuguesa e reproduzida por José António Soares da Silva numa das suas recentes publicações. [6]

A “taberna” da mala-posta

Situa-se a cerca de 1,5 Km a sudeste do limite da rua do Tramagal e início da N203, por um caminho que daqui se dirige para nascente. As coordenadas geográficas do local, obtidas no Google Earth, são as seguintes: 41º 34´.17” de Latitude N / 7º 17`.84” de Longitude W. Como se documenta na foto inicial, o que resta do primitivo edifício encontra-se na bifurcação de duas vias que se estendem nos sentidos poente e Sul. Junto do local existe um cruzeiro. A primeira impressão que se fica acerca do edifício pode parecer desanimadora!

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O imóvel encontra-se bastante descaracterizado, face ao que seria de esperar de uma Casa de Posta, havendo nele sinais de grandes remodelações recentes coexistentes com outros claros sinais de abandono e ruína. Contudo, existem alguns pormenores na estrutura actual da Taberna que nos permitem ainda obter uma vaga ideia do seu aspecto original. Um desses pormenores sugere nitidamente que o edifício se alongava uns bons pares de metros no sentido de nascente, pois uma boa parte da parcela arruinada diminui nessa direcção. Trata-se da parede Norte que creio ter sido a fachada do edifício, onde se denota nitidamente uma porta que foi preenchida com pedra miúda e à esquerda da qual existem duas janelas, uma delas estruturalmente preservada e outra incompleta. É improvável, atendendo ao alongamento primitivo da construção a que fiz referência, que o telhado de duas águas que o actual proprietário construiu sobre uma parte do que restou do edifício tivesse, originalmente, essa estrutura e orientação. Em todo o caso, a antiga Taberna seria bastante diferente dos edifícios construídos de acordo com as normas definidas por José Mascarenhas Neto para as estalagens e Casas de Posta segundo as quais as construções deviam apresentar uma planta em forma de “U”, compreendendo três compartimentos distintos (refeitório, dormitório e cavalariças) e um pátio central, como as que foram construídas em várias regiões do país. Parece-me de supor que a Taberna se trataria de uma estalagem modesta, diferente das existiam em zonas mais movimentadas e, portanto, talvez respeitando os requisitos menos exigentes do correio local ou da comarca, como já admiti, e não as rigorosas directrizes que foram impostas pela Superintendência Geral dos Correios e Postas do Reino. O estilo singelo desta Casa da Posta, não desvaloriza, porém, a importância que a memória colectiva dos valpacenses lhe atribui para um passado que é sempre difícil, sem provas documentais, definir os respectivos limites cronológicos. Na 2ª metade do século XIX,o local devia ter, grosso modo, até prova em contrário, o aspecto que sugiro na minha reconstituição desta edição do “Re(en)cantos da Memória”.

A Taberna, Casa da Mala Posta na 2ª metade do século XIX (reconstituição)
desenho e guache de Leonel Salvado


A Diligência da Valpaços – aguarela de Alberto de Souza,  Ilustração Portuguesa, 1913  
in José António Soares da Silva, O Partido Progressista de Valpaços, 2006


Referências

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Correio-mor
[2] http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/143.pdf
[3] http://www.fpc.pt/FPCWeb/museu/displayconteudo.do2?numero=18849
[4] http://ler.letras.up.pt, Id
[5] Id, ibid
[6] SILVA, António Soares da, O Partido Progressista de Valpaços (1860-1910), C. M. de Valpaços, 2006, p.37

Agradecimento: Como vem sendo costume, cumpre-me agradecer ao Sr. Manuel Medeiros por ter sido graças a ele, e na sua companhia, que me foi possível ir ao encontro de mais um fragmento da “Valpaços desaparecida”. O meu Bem-haja também ao Sr. José Lourenço de Andrade pelo contagiante entusiasmo que manifestou relativamente a este (e a outros!) temas do inesquecível património histórico de Valpaços a que os poderes instituídos não têm dado a devida importância.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Marco Fontanário do largo da “rua Direita” ou “das Lajes”



Há cerca de sete décadas atrás, o largo da rua Direita, era um dos locais que proporcionava uma encantadora vista de natureza bucólica da vila de Valpaços. Com esse local, certamente bem vivo na memória de muitos valpacenses, está relacionada a curiosa história do marco fontanário que actualmente se encontra no bairro de S. Pedro desta cidade, e é um dos monumentos que tem sido, estranhamente, ignorado pelos inventariadores do património edificado de Valpaços. Enjeitado, talvez, por quem o viu partir do seu local original para outro bairro da cidade em expansão, o “bairro das lajes”, e mal amado, provavelmente, por quem o adoptou na sua nova morada, a verdade é que raramente figura como uma referência do património arquitectónico da cidade. Este monumento tem, como dissemos, uma história curiosa.


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Como numerosos valpacenses se devem recordar, trata-se de um monumento de construção relativamente recente que, pelos meados da década de 30 do século passado, se ergueu no “largo da Rua direita” (actual Rua Marechal Carmona), largo esse que já não existe.
Quando a “Fonte Grande”, também conhecida por “Fonte Velha” foi demolida (ver neste blogue o artigo “Fonte Grande” em “Re(en)cantos da Memória”), pela mesma época em que se demoliu também a Capela de S. Sebastião, abriu-se no local um largo onde, em 1935, se edificou o referido marco fontanário e se instalou também uma bomba hidráulica (volante) para reaproveitamento do precioso recurso hídrico ainda existente. Arejada esta parte extrema da cidade com a eliminação da incomodativa calheia que ao longo dos tempos a vinha conspurcando, foi-se estabelecendo nela um agradável ambiente para se estar e admirar o amplo panorama que se estendia para nascente, numa altura em que ainda predominavam aí as hortas e os lameiros, em lugar da paisagem urbana que resultou do desenfreado surto de construções iniciado desde cerca de quatro décadas depois. É essa paisagem, certamente ainda arreigada na memória de muita gente, que procurei recriar aqui, baseando-me apenas em informações orais de pessoas que aqui nasceram e foram criadas.


O marco fontanário do largo da rua Direita nos meados do século passado
Desenho e guache de Leonel Salvado

Uma das raras referências monográficas que se reportam ao monumento e ao local onde ele primitivamente esteve, foi-nos legada por Joaquim de Castro Lopo, na sua obra “O concelho de Valpaços”, e é uma descrição coeva, com algumas observações críticas quanto às inscrições que nela se liam, mais do que hoje. Dizia assim Joaquim de Castro Lopo, num dos seus manuscritos, seguramente produzidos em qualquer ano da segunda metade da década de 30 do século passado:
«Há agora um marco fontanário construído recentemente no largo da rua Direita, próximo da fonte Velha
O insigne epigrafista autodidacta valpacense, já por nós biografado (ver Joaquim de Castro Lopo na categoria Biografias [local/regional]), sugeriu, a propósito das inscrições que no seu tempo se podiam podem ler no monumento, a existência de um eventual anacronismo cometido pelo lapicida que as gravou e que são as seguintes:

1935
C M V
CONSTRUÍDO DURANTE
A
DITADURA NACIONAL

Observou Joaquim de Castro Lopo, e muito bem, que a data em epígrafe não condiz com a restante inscrição, o que pode ter sido devido a simples desacautelamento do lapicida ou à sua ignorância sobre a data exacta em que o monumento foi construído. Admitindo, como é mais fácil admitir-se, que a referida data esteja correcta, resta-nos supor que houve uma incauta falta de rigor de enquadramento cronológico do período histórico a que se refere nas 3ª, 4ª e última linhas, posto que, como exemplarmente notou Castro Lopo, a Ditadura Nacional em referência foi a ditadura militar, «iniciada a 28 de Maio de 1926 [e que], acabou quando foi promulgada a constituição, isto é a 22 de Fevereiro de 1933». Cumpre-nos hoje acautelar pela reiteração desta interpretação do termo, para que não se confunda com a que, instintivamente, nos habituámos a associar ao Estado Novo, isto é à “ditadura Salazarista”, período durante o qual foram estas três incovenientes linhas apagadas, não existindo hoje sinal delas no letreiro do munumento.

Em todo o caso, parece que não restam dúvidas que o largo da rua Direita foi a primeira morada do monumento a que aqui nos reportamos, desde a data da sua construção. Porém, é do conhecimento de muita gente que apenas duas décadas depois, ele foi desmantelado e reedificado no local onde se encontra hoje, isto é, em pleno coração do “bairro das Lajes”, agora designado por Bairro de S. Pedro. Esta trasladação, ocorrida durante o mandato do Eng.º Luís Castro Saraiva, parece ter sido contemporânea da construção da nova cadeia municipal que teve lugar próximo desse local e foi, muito provavelmente motivada, pelo intenção de corresponder à invulgar fixação de moradores nessa parte da cidade, onde se vinha registando um significativo fomento de construções urbanísticas, favorecido aliás pelas próprias autoridades municipais, factores estes que bastaram para transformar bairro das Lages no mais populoso da vila nessa época, em que, em abono da verdade sustentada por testemunhos orais, se pode dizer que foi um “formigueiro de trabalhadores e operários” ocupados nos vários sectores de actividade.

Nota: Pela primeira vez nesta categoria temática “Re(en)cantos da memória [local/regional] a reconstituição que me propus elaborar (“O fontanário do largo da rua Direta nos meados do século Passado”), baseou-se exclusivamente em testemunhos orais, pelo que, como todas as reconstituições concebidas unicamente a partir deste tipo de fontes, não visa transmitir uma imagem absolutamente rigorosa do objecto de reconstituição, cabendo ao leitor interpretá-la com o mesmo sentido de relatividade com que ela foi criada.

Agradecimento: Agradeço ao Sr. José Lourenço Montanha de Andrade pelas informações que prestou e com base nas quais elaborei a reconstituição ilustrada aqui publicada