segunda-feira, 16 de agosto de 2010

António Maximino Carneiro



Nasceu em 3.02.1872 na freguesia e concelho de Alijó, distrito de Vila Real, filho de Francisco José Carneiro, natural da freguesia de Carção, concelho de Vimioso no distrito de Bragança, e de Maria do Rosário, de Alijó, casados e residentes nesta vila.

Radicou-se em Valpaços pelos meados da década de 90 com a profissão de “escrevente”onde em 1899 casou com Olímpia Dias da Costa, aqui nascida e filha de um casal oriundo de Montalegre, João Dias da Costa Júnior, Tabelião do Juízo da Comarca de Valpaços,e Guilhermina Augusta de Magalhães Dias. No ano de 1900 trabalhou no Cartório Notarial do 4.º Ofício de Valpaços ao lado do sogro.

Após a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, dedicou-se à vida político-partidária assumindo a liderança do Partido Democrático local. Pela mesma época foi contratado para exercer as funções de “Tesoureiro da Fazenda Pública no concelho de Valpaços”, actividade que ainda exercia em 1937, passando no ano seguinte à categoria de “Tesoureiro da Fazenda Pública Efectivo de Valpaços”. Foi no exercício destas funções que Maximino Carneiro, “o Tesoureiro das Finanças” como era popularmente conhecido, granjeou enorme respeito e simpatia em todos os recantos do concelho, apesar da aversão que o povo costumava sentir em relação aos titulares deste cargo. O Padre João Vaz de Amorim descreveu-o, já em 1944, como um homem «inteligente e trabalhador e possuindo sobretudo a rara qualidade de atrair» (revista Aquae Flaviae Nº 14, Dexembro de 1995). Como bem observou o mesmo Padre Vaz de Amorim, a popularidade, veneração e estima que António Maximino Carneiro adquiriu em todo o concelho sucedeu apesar da impopularidade que o seu cargo de "Tesoureiro de Finanças", aliás da Fazenda Pública, costumava suscitar entre a população segundo provas históricas que a comprovam. Convém recordar, mais uma vez, que os anos subsequentes à Patuleia e ao célebre confronto militar ocorrido em Valpaços que é designado como “Acção Valpaços” até à queda da Monarquia, foram anos de grande agitação popular por toda a antiga Província de Trás-os-Montes e particularmente no distrito de Vila Real e na vila de Valpaços. Basta recordar os motins populares de Valpaços de 1892, um dos mais graves dessa época (contra as obrigações fiscais e arrolamentos prediais), e de 1909 movimentado contra a Recebedoria e a Repartição de Finanças. Nestes tumultos populares, de carácter espontâneo, os insurgentes mostraram-se determinados em descarregar o seu ódio na destruição da documentação que se guardava nas sedes das comarcas fiscais e em atentar contra a vida dos respectivos funcionários, em especial os escrivães da Fazenda, que tiveram que ser escoltados pelo exército para prevenir males maiores (haja em vista no presente blogue o artigo “O motim de Valpaços de 1862”).

Fazendo fé em Vaz de Amorim, que se pronunciou, a poucas décadas de distância, sobre os sucessos que em Valpaços cabem neste contexto da História Regional, e, tendo em conta a sua autoridade decorrente do mérito de ter sido um dos primeiros e mais  perseverantes opositores à ditadura salazarista (veja-se o artigo publicado neste blogue sob o título Valpacenses na luta conta o Estado Novo), não me parece descabido aceitar a seguinte interpretação que é a que se acha implícita no seu discurso: para a acalmia que se registou nos primeiros tempos da República contribuíram, muito certamente, as qualidades morais e o espírito de tolerância de homens experimentados no melhor trato com a população como António Maximino Carneiro e Franklim Teixeira (de quem contamos também tratar aqui, numa próxima oportunidade). É evidente que novas agitações de ordem política ainda dariam lugar, em 1918, na sequência do assassinato de Sidónio Pais, a um circunstancial episódio de ocorrência subversiva em Valpaços, que foi o assalto cometido contra o administrador do concelho, o padre António Borges, mas este é um assunto que nos propomos tratar em outro lugar deste blogue.


Em 25 de Julho de 1914, Maximino Carneiro colaborou com Joaquim de Castro Lopo na criação da bem-sucedida “Associação Beneficente Municipal”, vindo a ser Presidente da Câmara por vários anos a seguir àquela data. Convém referir que esta instituição esteve na origem da “Associação Beneficente Municipal da Misericórdia de Valpaços”, provisoriamente aprovada em 1945 e  transformada, no ano seguinte, com novos estatutos, na “Misericórdia de Valpaços”da qual deriva a actual Santa Casa de Misericórdia de Valpaços. A iniciativa inicial, partilhada por Maximino Carneiro e apoiada pela Câmara Municipal, foi motivada pela necessidade de impedir que as obras do Hospital, em curso sob a égide da “Confraria de Nossa Senhora da Saúde” - formalmente extinta, em 1911, por força da Lei da Separação do Estado e da Igreja - fossem interrompidas e os valores a elas destinados alienados em favor do Estado.

Foi um Homem que sem possuir superiores habilitações académicas foi capaz de se posicionar muito acima das suas responsabilidades e prestar valiosos serviços ao concelho de Valpaços ao lado das demais figuras ilustres do seu tempo.
António Maximino Carneiro faleceu em Valpaços no dia 5 de Dezembro de 1951, com descendência directa.

O seu nome foi consagrado pela Câmara Municipal de Valpaços na toponímia urbana.

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